Sempre
18 Capítulo 18
Notas iniciais
CAPÍTULO 18
Eduardo sentiu-se estúpido quando se viu no espelho vestindo um terno cinza escuro com risca de giz. Ele não achava que Cecília estava realmente falando sério sobre levá-lo como acompanhante para uma festa. Mesmo sabendo que eles já tinham feito isso antes muitas vezes e que ela tinha assegurado que eles estavam indo como amigos, seu coração lhe dizia que não era bem assim.
Que tipo de amigo leva outro amigo para uma festa chique sem segundas intenções? Ainda mais um amigo que dorme com você?
Eduardo estava perfeitamente elegante usando o terno. Coincidentemente, quem o ajudou a escolher o terno foi Cecília. Isso aconteceu há alguns meses, quando Eduardo precisou vestir-se socialmente para uma cerimônia no Conselho Regional de Medicina. O cabelo dele estava perfeitamente penteado e barba rala ainda por fazer. Nada muito sofisticado, uma vez que ele só iria sair como um amigo, se bem que, tecnicamente, eles são mais do que amigos.
Parceiros de sexo para ser mais exato.
Respirando profundamente, os nervos começaram a se manifestar quando ele entrou no carro e dirigiu até o apartamento de Cecília para buscá-la. Ele tocou a campainha, ao mesmo tempo em que se repreendeu por estar tão nervoso. Não havia nenhuma razão para ele ficar naquele estado. Era apenas Cecília, pelo amor de Deus! Ninguém para impressionar, ela já o viu de todas as maneiras, inclusive nu, então como seria possível ele se sentir intimidado?
Alguns minutos depois, Cecília abriu a porta com um leve sorriso. Quando os olhos de Eduardo caíram sobre ela, ele se assustou e pensou como ela estava linda. Ela usava um vestido na cor vinho de um ombro só, justo o suficiente para evidenciar todas as suas curvas. O vestido era um pouco acima do joelho, o que deixava suas pernas torneadas expostas. Todo o resto estava simples. Ela deixou os cabelos soltos com as pontas onduladas, resultado que conseguiu com a ajuda do babyliss. A maquiagem era simples deixando-a com um look natural: um pouco de sombra e delineador.
Ele ficou parado, em silêncio. Cecília agarrou sua mão, puxando-o para perto.
- Você está absolutamente deslumbrante, se eu não tivesse juízo, eu iria levá-lo agora para o meu quarto agora mesmo.
Eduardo sorriu quando ele colocou a mão na sua cintura:
- Então eu digo que você não tem juízo.
Cecília sorriu quando tirou a mão que estava tortuosamente segurando sua cintura.
- Eu acho que não, Edu. Eu disse que você ia sair comigo hoje à noite, e você vai. – Eduardo resmungou baixinho e então ela trancou a porta atrás dela e entrelaçou seu braço no dele e caminharam até o elevador, quando ela questionou:
- Quando foi a última vez que você saiu assim com alguém? Quer dizer, tirando todas as outras vezes que fomos acompanhantes um do outro, porque erámos somente amigos.
- A última vez? — Ele repetiu olhando para cima como se fosse encontrar a resposta mais rápida, dessa maneira. Depois de alguns segundos, ele respondeu:
- Primeiro ano na faculdade. — Isso não foi uma surpresa para Cecília. Eduardo nunca deixava qualquer mulher chegar perto o suficiente e por isso evitava saídas como ir ao um restaurante ou apenas ir a uma festa juntos. Ele geralmente saia para uma balada, barzinho, festas de aniversários e lá encontrava sua presa, sua transa da noite. Ele fez isso durante muito tempo. Depois de uma série de namoradas durante seus anos de colégio e um namoro sério na faculdade, ele não teve nenhum relacionamento sério desde então.
- Exatamente por isso que eu acho que você precisa lembrar como é ser o homem que leva uma mulher para sair. — ela enfatizou.
Eduardo revirou os olhos.
- Eu não preciso lembrar nada, nem provar nada para ninguém. Eu tenho o meu próprio método de conquistar uma mulher para conseguir o que eu preciso. – Cecília ignorou seus comentários pessimistas, sabendo que era um sinal de defesa dele. Não havia nada que pudesse fazê-la mudar tudo o que havia planejado porque, como disse antes, ela o conhecia com a palma de sua mão. Não havia nada que ele pudesse fazer ou dizer que a surpreenderia.
Ela ficou parada perto da porta do carro, esperando uma atitude de cavalheirismo da parte dele. Ela sabia que ele odiava isso, mas gostava de deixá-lo um pouco irritado.
- Você realmente quer que eu faça isso?
- Claro, caso contrário não estaria aqui parada feito uma estátua. – ela riu suavemente.
Abrindo a porta do carro para ela, ele se inclinou drasticamente, falando com o ar de deboche:
- Depois de você, milady.
Ela entrou no carro e acomodou-se no carro. Eduardo aproximou-se dela, abriu o terno, passou a mão sensualmente em seu próprio peito e a encarou com olhos sedutores.
- Você realmente vai fazer isso? Nós podemos voltar para o apartamento agora mesmo e ter toda essa aura romântica fazendo sexo, o que seria tão bom quanto ir para a festa de aniversário de sua amiga.
- Não, não. – Cecília balançou a cabeça – Não! E pode parar com a sedução. Eu não vou mudar de ideia. — Ele fechou a porta atrás dela enquanto andava em direção ao seu lado do carro. No caminho para a festa, o silêncio ia ocupando seu tempo dentro do veículo, enquanto ele continuava pensando o quão bonita Cecília estava com aquele vestido. Ele sabia que ela costumava vestir calça jeans na maior parte do tempo devido ao seu trabalho na PF, mas vê-la usando um vestido como aquele, ele não estava habituado.
Cecília podia ver a maneira agitada que ele estava em seu assento, seus olhos verdes olhando para todos os cantos esperando encontrar algum tipo de fuga. Ela sentiu até certa comoção por ele, mas ela queria mostrar que não era de todo ruim sair de vez em quando e, ao mesmo tempo ela desejava que ele arrancasse seu vestido fora e explorasse cada centímetro do seu corpo... Bem, isso teria de esperar até mais tarde. Assim que chegaram ao buffet, Eduardo estacionou e saiu do carro. Ele não abriu a porta para Cecília, porque em suas palavras, ela tinha mãos para fazer isso sozinha.
Cecília sabia que Eduardo estava sendo difícil, mas precisava mais do que isso para fazê-la mudar de ideia e fazer o que ele estava querendo. No hall de entrada do luxuoso espaço, eles foram recepcionados por uma bela jovem. Cecília entregou as duas senhas, bem como o presente da aniversariante. Ela percebeu também o olhar que a jovem lançava em direção ao médico e foi nesse momento que ela segurou sua mão, com a clara intenção de mostrar a ela que ele estava acompanhado.
Um garçom os acompanhou até uma das mesas. Eles se sentaram bem próximos um do outro, uma vez que a mesa era pequena e lançando-se perto dele, ela beijou- o na bochecha depois de pedirem suas bebidas.
- Eu já te disse o quão bonito você está?
Eduardo ficou tenso com a ternura que ela estava recebendo. Onde estava a Cecília rude e sensual que ele conheceu nos últimos meses? Isso tudo era novo para ele: Cecília sendo gentil com ele e levando-o para um encontro. Era estranho ela levá-lo para um lugar que ia está repleto de amigos de infância e dos tempos da escola. Era quase como se ela quisesse mostrar para todo mundo que eles estavam juntos. No entanto eles eram apenas amigos, ele pensou. Depois de alguns minutos a aniversariante, Flávia, veio até a mesa para cumprimentar Cecília e seu acompanhante. Ele sorriu discretamente quando Cecília o apresentou como sendo apenas um amigo, para alívio de Eduardo.
Depois das devidas apresentações, a aniversariante foi falar com outros convidados, deixando-os na mesa. Enquanto tomavam vinho, conversavam animadamente sobre assuntos aleatórios. A amizade de longa data entrou em ação novamente.
Eles conversavam sobre o fato de Cecília não gostar andar armada fora do trabalho, e então ele começou a argumentar que ela precisava se proteger, pois sendo delegada, era podia ser alvo de vários inimigos. Cecília puxou-o mais para perto com um sorriso, amando vê-lo em conflito e se preocupando com seu bem-estar, beijando-o suavemente, ela murmurou:
- Relaxe, eu sei me cuidar sozinha. Isso é algum um crime, Doutor Guerra?
Os olhos verdes de Eduardo a encaravam quando ele bufou:
- Oh, eu... — E sem pensar duas vezes, Cecília segurou seu rosto e lhe deu outro beijo nos lábios, fazendo-o esquecer o que ele estava pensando. O beijo foi cheio de paixão e ela sorriu quando ouviu um gemido deixando seus lábios quando eles se separaram. Ela o beijou suavemente mais algumas vezes antes de se estabelecer em seu assento novamente.
Cecília continuou a olhar para o seu melhor amigo apaixonadamente, enquanto ele tentava evitar aquele olhar. Escondendo seu embaraço, ele começou a se mover em seu assento. Seu corpo ainda estava tenso pela afeição que estava recebendo e Cecília gostava de ver alguém tão confiante como Eduardo agindo como um adolescente tímido quando se trata de afeição. De repente, ela ouviu ele resmungar sob sua respiração.
- O que foi? — Ela franziu a testa em confusão.
Eduardo suspirou quando respondeu:
- Olhe lá. — Ele apontou, obviamente, para o outro lado do salão para mostrar seu melhor amigo, Arthur, acompanhado por Marina Mousinho, como se fosse um casal de namorados. Eduardo podia ver o constrangimento de Arthur ser pego assistindo o dois, ou melhor, Cecília exibindo todo seu afeto em público.
- Por que não vamos até lá para dizer um oi? – Eduardo sugeriu.
- Que tal deixá-los sozinhos? – Cecília olhava para Eduardo. Ele olhou para trás e acenou com a mão para Arthur.
- De jeito nenhum, eu não vou deixar isso de lado. Eu quero saber o que está acontecendo entre os dois e como diabos eles se conheceram. Ela não é sua amiga? Você fez isso? — Ele olhou de volta para amiga para ver se poderia ter a resposta que ele queria. Cecília balançou a cabeça olhando para o óbvio casal e murmurou:
- Eu não sei como isso aconteceu.
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