Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

26 Capítulo vinte e seis - Eu amei te ver!


Notas iniciais
Depois de uma primeira semana de aulas daquelas, Benjamin não podia esperar por nada melhor do que reencontrar sua família e seus melhores amigos, embora para ele um certo alguém de olhos puxados significasse ainda mais do que qualquer outro. Os dois ficam surpresos com uma revelação inesperada, que poderá pôr seus sentimentos à prova. "Leitores e leitoras fofxxs! Hello, hello, fico muito feliz por poder postar novamente outro capítulo da história. Quero dizer aqui que meu semestre tem sido o pior até então (segura nas mãos de Deus e vai, plx, nunca pedi nada, rsrs), mesmo assim PROMETO não abandonar a fic (NUNCA!! EVER!!) - eu amo de coração escrevê-la para vocês - e p.s2: e ler suas reviews, faça como eu, tire um tempinho pra isso já que a amam tbm-, e passo grande parte dos meus dias pensando em tudo que ainda está por vir e MUITA coisa boa (e outras ruins) estão por vir!" —- Segure o forninho e boa leitura!

— Hei, vocês dois… – chamou Benjamin ao se aproximar de Yuri e Bárbara sentados na beira da piscina do clube.

Os dois olharam para trás radiantes ao reconhecerem o timbre do menino de olhos verdes. Bárbara se levantou quase num pulo só, ignorando o risco de poder tropeçar na borda da piscina.

A menina armou os braços para um abraço a poucos passos do melhor amigo.

— Benjamin, meu amor – gritou ela, pulando sobre o amigo, que foi obrigado a sustentar todo o peso da ruiva e o seu próprio. – Céus, eu estava morrendo de saudades de ti.

— Meu amor, eu também senti muito a sua falta – confessou Ben. – Tu cortou os cabelos e ficou linda.

Ela havia cortado seus longos cabelos ruivos, deixando-os na altura dos ombros. Bárbara só desgrudou do menino após enchê-lo de beijos. Em seguida, Yuri e Benjamin se abraçaram bem forte. Só que antes cada um deu uma olhada apaixonada para o outro, sorrindo.

— Caralho, que bom que está aqui, japa. – Os braços do Ben passaram por debaixo das axilas do amigo, que só vestia uma sunga azul da Adidas. Eles se soltaram em seguida com medo de terem uma ereção, que ficaria bem visível naquelas sungas. – Senti muito a sua falta também, Yuri.

— Nem preciso falar o quanto eu senti, né? – replicou o japa, afagando os cabelos do menino e dando um beijo na sua bochecha rosa.

A voz dos meninos estava cheia de empolgação pelo reencontro. Bárbara observou a emoção dos amigos ao se abraçarem, contudo manteve certa discrição.

— Será que vocês vão deixar um pouco desse menino gato pra mim? – indagou a mãe da Bárbara ao entrar no complexo de piscinas aquecidas.

— Mas é claro que tu também pode ter um pouco de mim, treinadora maravilhosa – respondeu Ben, se preparando para outro abraço cativo.

Após Benjamin abraçar por um tempo a Júlia, Bárbara grudou novamente o menino, abraçando-lhe pela cintura e repousando sua cabeça no peito do rapaz. Yuri queria muito poder fazer o mesmo e ainda beijar aqueles lábios carnudos bem ali.

— Como foi a primeira semana de aulas na faculdade? Já deu pra ver se o curso é tudo aquilo que tu esperavas, quiridú? – Júlia perguntou com um largo sorriso estampado no rosto e enquanto mantinha-se enganchada em um dos braços de Yuri.

— Pra ser bem honesto ainda não deu pra sentir muito o curso. A gente teve a semana toda de trote e poucas aulas. A mais prática foi mexer com os ossos e articulações em anatomia, mas pelo um amor, aquilo tem nomes que não se acabam mais.

— Eu também estudei anatomia no meu curso de educação física aqui na UFSC e não de forma tão aprofundada como vocês da medicina, só que posso dizer que penei pra ser aprovado na disciplina.

— Ainda bem que tenho o japa pra me ajudar quando precisar ir bem numa prova.

— Com certeza tu terás a minha ajuda sempre que precisar.

Bárbara olhou do Yuri para o Ben e sorriu para os garotos.

— Não quero ser a estraga prazeres, mas agora vamos fazer aquilo que nos reuniu aqui de manhã?

— Sim, treinadora – responderam os três.

— Então pra começar, vocês precisam dar dez voltas correndo em torno da piscina.

Os três atletas se entreolharam com uma expressão de desgosto, mas obedeceram ao comando.

— Yuri Takashi corra na área branca borrachuda. Não quero que escorregue e bata a cabeça – berrou Júlia assim que seu atleta tomou a conduta errada de correr ao lado do Ben; para isso correndo na parte mais escorregadia em torno da piscina.

— O dia já começou bem – comentou o japa, fazendo seu amigo rir.

Após passado o tempo de aquecimento, os três caíram na piscina. Primeiro, ouviram as recomendações da treinadora, que estava preocupada com a preparação deles faltando três meses para o campeonato intraestadual. O treino foi intenso, pelo menos foi o que Yuri achou – ele se considerava fora de forma. Já Bárbara e Benjamin deram o seu melhor e foram exaustivamente elogiados por Júlia.

Assim que o treino acabou, os dois amigos seguiram direto ao vestiário para tomarem uma ducha antes de irem almoçar com a Bárbara. Para o azar dos garotos, o banheiro estava lotado de homens. Yuri não escondeu sua expressão de decepcionado antes de entrar no seu próprio box com o chuveiro.

— Relaxa, japinha... – Yuri parou para escutá-lo. – A gente vai ter um momento a sós antes de eu ir embora. Te garanto! – terminou o menino de olhos verdes, piscando para o amigo.

“Como conter o meu impulso de beijá-lo depois de ouvir uma coisa dessas? Força, Yuri. Força, Yuri” — repetiu ele mentalmente, fechando a porta de acrílico.

Já Ben ao entrar no seu box, trouxe a lembrança aquela vez que pegou seu melhor amigo se masturbando em um desses boxes do vestiário. Seu pênis ficou ereto imediatamente, mas o menino ignorou a ereção, mergulhando debaixo do fluxo de água.

Quando os dois saíram, do complexo de piscinas aquecidas, foram pegos de surpresa pelo tempo da ilha. Estava chovendo com relâmpagos, ventos fortes que chacoalhavam as palmeiras no estacionamento – uma tempestade não planejada por aqueles que chegaram cedinho ao clube sob uma manhã nublada.

— Ben... – chamou a ruiva ao ver seus amigos saindo do complexo. Ela estava com um shortinho jeans curto e uma blusa cropped amarela.

— Acho que ninguém aqui veio preparado para um dia chuvoso, só que tu se superou, hein, Báh... shortinho e cropped? É mesmo sério isso?

— Rá, rá, rá! Tu és tão engraçadinho, Benjamin. Acreditei mesmo que as nuvens se dissipariam e que o sol apareceria em breve como em muitos outros dias desse inverno do caralho.

Yuri começou a rir da cara de bobo que o amigo ficou após a rajada veemente da ruiva. Bárbara pegou uma carona com o Benjamin até o restaurante. Os três escolheram um bem charmoso e com comida mexicana, perto da Costa da Lagoa – no leste da ilha da magia.

Bárbara precisou morder a língua para não colocar o menino de olhos verdes contra a parede enquanto esteve no seu carro. Eles conversaram sobre o retorno das aulas no cursinho, a falta que o Ben fazia ao trio de amigos-vestibulandos que continuava lá, e por fim, sobre a primeira semana de aulas do calouro e de como estava se adaptando à nova cidade.

— O Ben parece mais magro, não acha, japa? – perguntou a ruiva assim que puderam sentar à mesa. A fila do restaurante mesmo naquele sábado tempestuoso podia ser considerada grande.

— Uou, nem tinha reparado, mas tu tem razão. Benjamin, tu não comeu nada nesta semana?

O menino de olhos verdes se autoavaliou primeiro para aferir um comentário.

Cês dois estão exagerando, não emagreci nadinha. Tudo não passa de uma impressão de dois amigos preocupados – ponderou ele. – E respondendo a tua pergunta, japa, sim, comi comida em todos esses dias. Como na minha faculdade não tem RU, a gente come em um bom restaurante à quilo próximo do centro da saúde da FURB.

Yuri e Bárbara se entreolharam, suspeitando de que o menino não estava dizendo a verdade. Yuri continuou:

— Eu engordei uns três quilos este mês. Vou voltar à academia na próxima semana, preciso malhar bastante para não começar a perder o meu tanquinho e a tonicidade dos meus músculos.

— Caramba!

— Se tu for fazer em alguma academia perto da UFSC, com exceção daquele lixo da própria UFSC, eu quero fazer contigo. Eu quero cuidar melhor da minha forma física e mental. Tô pensando em fazer yoga também, me disseram que ajuda no vestibular.

— Porra! Eu sou o único relaxado aqui, então? Nossa, os dois esperam eu sair de Floripa para decidirem malhar juntos. Isso não é justo meus quíridús!

A ruiva e o japonês riram quase ao mesmo tempo. O cardápio foi entregue ao trio pela garçonete.

— Mas deixa isso pra próxima semana, como hoje é sábado, vamos engordar algumas gramas, certo, meninos?

— Tu não pode comer demais, japa, já que está perdendo sua forma atlética. Caso contrário, vai ficar feio e todo flácido.

A Bárbara olhou de esgueira para o Yuri, que aparentemente ficou chateado.

— Meu quíridú, estou só tirando com a tua cara. Tu vai continuar gatíssimo de qualquer forma, seja mais cheinho ou mais magrinho.

— Ain que fofo, Benjamin. Vocês dois fazem um casal tão lindo...

Pronto! Aquilo foi o suficiente para o coração dos dois disparar dentro dos seus peitos. O menino de olhos verdes sentiu uma rápida tontura dominá-lo e então conseguiu olhar a tempo a expressão petrificada do outro.

— É isso mesmo, garotos lindos... eu sei de tudo.

— O Arthur... aquele filho da puta. – cortou Yuri, furioso e constrangido.

A ruiva pôs sua mão sobre a do japa.

— Amigo, eu já sabia bem antes... quero dizer... já suspeitava desde o início. Desde quando os dois começaram a brigar demais e ao mesmo tempo queriam se afastar um do outro. Embora isso acontecesse bem antes, só agora vem acontecendo com uma troca de intensidade tão grande.

— Não sei nem o que dizer, Báh...

— E nem precisa, Benjamin, tu e o Yuri se amam, posso sentir isso através das trocas de olhares e das palavras. Não estou aqui para julgá-los e muito menos para reduzir esse amor a nada ou a algo bizarro e assustador. Da mesma forma como um homem hétero não escolhe se apaixonar por uma mulher, vocês também não puderam escolher sentir isso um pelo outro.

A menina fez uma pequena pausa para olhar os dois. Eles estavam visivelmente envergonhados por aquilo, que mal conseguiam levantar os olhos. Bárbara pegou uma mão do Ben e continuou a segurar a do Yuri.

— Meninos, eu quero que saibam que estou muito feliz por esta relação. Quem melhor do que um excelente amigo para nos amar e nos compreender da forma como é preciso? – Benjamin sorriu para a garota e depois para o japonês, que não demonstrou nenhum sinal de coragem. – Estarei com os dois para o que der e vier. Estarei aqui para ajudá-los a enfrentar este mundo preconceituoso.

— Báh, se eu já te amava bem antes disso, o que dizer de agora? – confessou Benjamin.

Ela se levantou da mesa e abraçou o amigo mesmo sentado. Depois que dois garçons se aproximaram trazendo a comida, a menina voltou a se sentar com um sorriso irradiante.

— Que comida deliciosa. Não me lembro da última vez que comi uma comida mexicana – comentou a ruiva, quebrando o gelo. – D-e-l-í-c-i-o-s-a!

— Concordo contigo, D-e-l-í-c-i-o-s-a – disse Yuri. Ele incrivelmente se sentia revigorado e confiante, queria poder dar um beijo no seu amor em meio a tantos desconhecidos.

O almoço se seguiu sem que Bárbara ou mesmo um dos meninos voltasse a tocar no mesmo assunto. Benjamin conseguiu lidar com o fato da sua melhor amiga saber daquilo numa boa, até porque tinha medo da sua reação, afinal ela já fora apaixonada por ele.

Yuri não conseguiu continuar a conversa com os amigos encarando diretamente a ruiva. Ele não queria que as pessoas soubessem tão logo dos dois porque eles ainda não tinham discutido a respeito do futuro deles como um casal e se isso poderia vir a se tornar um compromisso sério, é claro! Agora, os dois amigos deveriam lidar com as mais diversas reações dos amigos.

— Meninos, eu preciso fazer esta pergunta, então me perdoem, mas o que farão quando as suas famílias souberem do namoro de vocês?

— Que namoro? – bradou Benjamin, ficando rosado.

O japa não gostou nenhum pouco do tom do amigo. Tá certo que não assumiram nenhum compromisso mais sério, porém não precisava ser um indelicado ao responder daquela forma rude, até parecia que o menino jamais aceitaria namorá-lo.

— Desculpa! Pensei que... pensei que...

— Não, Báh, a gente não está namorando. Na real, a gente ainda nem se sentou para conversar sobre o que queremos fazer. Estamos cedendo a esse estranho amor que surgiu – confessou o oriental, olhando da ruiva para o de olhos verdes.

Bárbara mostrou os dentes em um supersorriso apaixonado e piscou para o amigo de cabelo castanho. Ben percebeu que seu amigo ficou chateado com o que disse.

— O que importa é que eu te amo, japinha do meu coração. – O menino de olhos verdes pôs sua mão direita na coxa do outro por debaixo da mesa. Ben não acreditava que estava dizendo aquilo na frente de um terceiro, mas queria desfazer a situação chata que se pusera antes.

Yuri arregalou os olhos ao ser apalpado por alguns segundos naquela região. O seu pênis logo se colocou em posição de sentido, deixando o rapaz todo agitado. O japa olhou de esgueira para ele, que sorria maliciosamente. Aquilo foi uma tentativa com sucesso para não deixar o amigo chateado.

— O engraçado que vocês dois são lindos juntos, se conhecem tão bem que conseguirão passar por qualquer problema sem grandes solavancos. Quero que saibam que estarei realmente aqui para o que der e vier. E claro, torcendo para que assumam uma relação mais séria.

— Por falar em uma relação séria, cadê o seu namorado, Bárbara?

A expressão da ruiva se alterou de repente quando Benjamin lhe fez aquela pergunta.

— Bem, meninos... não vou mentir pra vocês. Eu e o Arthur terminamos.

— Quê? – indagaram os dois em quase uníssono.

— O Arthur estava sendo um grandíssimo babaca e eu não aguentei mais – mentiu ela.

Os seus amigos se entreolharam sem entender nada. O sorriso de seus rostos deu lugar a um semblante decepcionado. Desde que Arthur e Bárbara assumiram um namoro meses atrás, Ben e Yuri não conseguiam mais imaginar ela sem ele e vice-versa também.

— Mas tenho certeza que é só uma fase, logo, vocês se acertam de novo. Veja só a história da Yumi e do Camilo, ele traiu a minha irmã com as melhores amigas dela. Só que a Yu ama o cara demais e não conseguia viver longe dele, por isso perdoou as traições e estão juntos agora.

— Que tu quer dizer com essa história?

— Ué, que ela precisou perdê-lo para ter certeza que não queria viver longe dele. Tu sabe o quanto o Thur é especial para ti. Não deixe ele escapar e ir direto pro braço de outra.

— Vai se foder, japa.

A conversa mudou de rumo após eles começarem a falar sobre o campeonato de natação que estava por vir. Bárbara sabia que o sermão que ouviu dos seus amigos fazia todo sentido, aliás, a ruiva tinha certeza que fora longe demais naquela noite.

Depois do almoço, os três deram um pulo em uma sorveteria na praia Brava mesmo com aquele tempo chuvoso. Antes de irem embora, a ruiva lhes convidou para algum programa à noite, mas os dois já tinham outros planos: ficariam juntinhos na casa do Benjamin, já que os pais do garoto sairiam para comemorar mais um ano de casados.

A garota se fez de entendida.

Então, por conveniência, Ben passou o resto daquela tarde junto com a melhor amiga no apartamento dela. Yuri quis dar um tempo para eles se curtirem, afinal não era apenas o japonês que estava sofrendo com a distância.

O menino de olhos verdes já sabia que viriam milhares de centenas de perguntas sobre a sua relação com o japa. Ele ainda não se sentia confortável para revelar todos os detalhes da aceitação desse sentimento e do contato físico trocado por eles.

Ele deu graças a Deus quando os pais da menina chegaram em casa, assim puderam mudar de assunto. Mas antes do menino resolver voltar para a sua, insistiu mais uma vez sobre Bárbara dar outra chance ao Arthur. A ruiva se fez de desentendida e os depois se despediram.

— Filho, eu e o seu pai já estamos indo. Tem mesmo certeza que não quer vir com a gente? – perguntou Marisa pela milésima vez enquanto o filho jogava videogame na sala da casa. Ela já entendeu a resposta quando Ben fez um enorme beiço, franzindo a testa.

A doutora usava um sobretudo preto para se proteger do frio e da chuva lá fora, mas sob ele trajava um lindo vestido vermelho e um colar de brilhantes, que orgulhosamente mostrou ao caçula quando ele chegou da casa da Bárbara no início da noite.

A mãe deu um beijo na testa do menino e subiu para o quarto.

— Vou ver se teu pai já está pronto. Eu sou a dama aqui, porém ele é a noiva dos vinte e cinco anos.

O celular do rapaz vibrou e um ícone do Whatsapp apareceu no topo da tela. Já imaginava mesmo que a mensagem fosse do seu melhor amigo.

Yuri:

Oiiiiii, meu gatinho... advinha quem não poderá aparecer aí? Eu mesmo :(

Benjamin:

Quê? Não creio que está me dando um bolo justo quando podíamos ter um tempinho só pra gente

Yuri:

Awnnt que fofo! Hei, estou brincando...

Eu só quero só te avisar que estou numa megafila aqui na 401 em direção pro norte =/

Benjamin:

Saco, por isso eu odeio esta ilha

¬¬’

Trânsito de merda!!!!

Mas, ok… estou te esperando

Bjundas

Yuri:

Uou, me esperando? Me diga que na cama…

kkkkkk

Benjamin:

Sim, sem dúvidas

de cereja do bolo temos os meus pais, seu puto

^^

Agora, cale a boca e dirija com cuidado.

Bjs

Yuri:

Beijos, meu gato

Assim que o japa ficou off-line, Benjamin deletou todas as mensagens com o amigo. Tinha medo de que por algum engano alguém as lesse – pior ainda seria se fosse um dos seus pais ou seu irmão.

— Meu bebê, já estamos saindo. Que pena que tu não quer ir com a gente. – Surgiu Marisa descendo as escadas acompanhada do esposo, que trajava um blazer grafite.

— Bem capaz, mãe... vocês precisam de uma noite só para os dois curtirem – respondeu Benjamin, parando de jogar, e encarando seu pai. – Uou, alguém caprichou realmente para comemorar seu aniversário de vinte e cinco anos de casamento.

— Como é que vocês, jovens, diriam hoje em diante? Ah, eu quero me dar bem nesta noite, garoto. Não nos espere até o almoço de amanhã.

Benjamin começou a gargalhar o mais exageradamente que pôde enquanto Marisa ficou corada e socou o braço do marido.

Ela pensou como Manoel teve coragem de fazer uma brincadeira com conotação sexual do casal para seu filho.

— Tu vai sair com os seus amigos hoje à noite pra matar a saudade da ilha, bebê? – indagou Marisa, afagando os cabelos do seu filho e beijando a sua testa. Ela não queria sair para comemorar o seu aniversário de casamento naquela noite, queria curtir a visita do caçula, mas seu esposo insistiu para fazerem aquilo no próprio dia do aniversário.

Ben levantou a cabeça para ver o rosto maquiado da sua mãe e respondeu:

— Não vou sair hoje. O japa está vindo para cá, vamos jogar um pouco de game, beber um pouquinho. A Barbara tinha outro compromisso.

— Sei, uma noite só dos meninos, curtindo música alta, cerveja e pornografia. Espero que o japa tenha maturidade suficiente para passar a noite aqui em casa depois de uma dessas estripadas.

— Manoel, que ousado tu estás hoje à noite. Cadê o bom exemplo para ensinar ao seu filho?

— O Ben não é mais uma criança, doutora, ele sabe de todas estas porcarias da vida. Então não venha me repreender, não. Filho, quero que diga a sua mãe se é virgem?

Benjamin arregalou os olhos e sofreu uma taquicardia. Mordeu os lábios nervoso, não responderia aquilo ao seu pai ou a sua mãe nem dali a mil anos. Comemorou quando seu pai beijou a sua bochecha e saiu em direção à garagem.

— Filho, desculpa o seu pai, ele está um pouco bêbado. Fique bem, divirta-se com o seu amigo e tranque todas as portas antes de dormir. O.K?

— Onde está o Miguel?

— Seu irmão foi passar o final de semana lá em Criciúma, na casa do Anderson. Qualquer coisa ligue no meu celular, não vou desligá-lo.

Assim que o carro da sua mãe deixou a garagem, o menino trancou as portas laterais e acendeu a lareira, pegou duas taças de vinho e conferiu a garrafa que pusera para gelar mais cedo na geladeira.

O menino de olhos verdes tinha preparado tudo para ter uma noite bem romântica com o Yuri. E saber que seu irmão estava há quilômetros dali foi como colocar uma cereja em cima de um incrível bolo de floresta negra.

Sabia que aquele lugar seria estratégico para remeter os dois à entrega de sentimentos na noite em que o japa e sua irmã passaram a noite ali. Benjamin plugou seu iPod na caixa de som do Home Theater e baixou a intensidade das luzes da sala.

A espinha dorsal do menino se arrepiou quando a campainha da casa tocou meia hora depois de fazer tudo aquilo. Respirou profundamente, se olhou no espelho à caminho da porta para só então abri-la.

O look do japonês encheu os olhos do Ben; ele vestia uma calça jeans amarela do tipo skinny, uma bota da Timberland marrom, uma camiseta azul escura e uma jaqueta de couro.

— Que gato! Que sexy! – confessou Benjamin, mordendo os lábios.

— Sério? Me dá um beijo agora, daqueles bem molhado – pediu Yuri, empurrando o outro para dentro e fechando a porta.

Assim que o japa se virou novamente, Ben prendeu suas mãos em torno do pescoço do outro e colocou seus lábios em contato direto com os finos do oriental. Tudo que estavam reprimindo por toda a última semana ficou evidente naquele contato língua com língua.

Yuri no calor da emoção empurrou o corpo do outro, se projetando para frente – quase derrubou o Ben de costas no chão.

— Me perdoe, amor – pediu em meio a risos.

— Só vem para cima – ordenou o menino de cabelos castanhos, puxando-o pelo colarinho, indo os dois contra a parede do corredor em frente à mobília repleta de fotografias da família.

Yuri levantou a camiseta do companheiro enquanto Benjamin soltava o cinto da calça do japa. Os seus débitos cardíacos pareceram se parear enquanto os tecidos vinham ao chão e suas mãos acariciavam apaixonadamente os contornos do quadril, coxas, glúteos e pelve um do outro – uma cena mais quente do que qualquer um dos meninos poderia imaginar para aquele reencontro tão sonhado a distância e no silêncio das suas mentes apaixonadas.

Naquele momento não importava se o mundo viria a se opor ao seu amor, não importava a distância entre as suas duas cidades ou mesmo seus sonhos distintos, só importava que nos braços do Yuri estava Benjamin e que nos do menino de olhos verdes estava o seu oriental amado.

(Esta cena continua... ah! como continua! rsrs ♥)

Notas finais
Fofis, fiquei muito feliz por receber um inbox me informando que a fic foi indicada para um estudo sobre histórias yaois (que liiindooo) ♥ Se eu choro de alegria, imagina os dois melhores amigos. ♥ — Quero saber de vocês, se o Thur e a Báh devem voltar e por quê? Quero mais participações para poder atendê-los na continuação. Beijos, amores! Amo vocês!!!!!