Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

27 Capítulo vinte e sete - Além do horizonte


Notas iniciais
Benjamin e Yuri finalmente conseguem ficar juntinhos após esta primeira semana afastados. Querem aproveitar ao máximo a noite, já que tudo o que é perfeito tende a passar com a velocidade da luz. Embarque na incrível noite que o Ben preparou com tanto amor e dedicação. [ATUALIZAÇÃO] Pessoal novo, após algumas queixas, eu percebi que estava abusando de termos muito científicos, então quero pedir pra ignorar elas. Nos capítulos futuros (sem spoilers, é claro) eu dei uma maneirada nisso e onde foi preciso coloquei legendas, kkkk. Por isso, eu digo q as reviews são importantes... não queremos apenas uma escrita envolvente, queremos que todos entendam o vocabulário. :) Amo vcs! ♥

O ar da respiração ofegante do Yuri se condensava no pescoço do menino de olhos verdes, fazendo os pequenos pelos da região se arrepiarem, e propagarem o mesmo estímulo nervoso para o resto do seu corpo.

O corpo do japa estava sobre o do amigo, ambos deitados sobre o fofíssimo tapete da doutora Marisa, em frente à lareira já acessa. Aquele lugar era especial para os dois, afinal foi ali que trocaram os primeiros beijos conscientes da relação enquanto Yumi e os outros presentes da casa dormiam lá em cima.

As mãos aquecidas do Ben alisavam a pele sobre os glúteos do companheiro, que flexionava o quadril sobre as coxas do primeiro. Novamente, os seus lábios se encontraram em um beijo explosivo, bem molhado, valendo até pequenas mordidas nos lábios inferiores um dos outros.

— Não sabe o quanto esperei por este momento, japonês. A maioria dos meus pensamentos me levava a mentalizá-lo em minha frente e desculpa por confessar isso, mas eu bati várias punhetas imaginando o seu corpo em cima do meu como agora mesmo.

Yuri sorriu com os lábios e com os olhos enquanto Benjamin ficava vermelho por confessar algo tão constrangedor para ele. Aquele afagava os cabelos castanhos desse com muito amor, sem tirar os seus olhos puxados do rosto dele. Estava descrevendo para si mesmo as características do rosto bem delineado do melhor amigo.

Porra, como podia ter ignorado por tantos anos aquela pele macia, aqueles olhos perfeitos. Meu Deus, o que dizer daqueles lábios carnudos bem rosados? Nunca tinha sequer reparado como uma sobrancelha do amigo era mais rala do que a outra, em como a caixa torácica do menino se expandia e se contraía a cada inspiração e expiração.

— Que tu tá olhando, japa do caralho? Odeio que me avalie como se estivesse em um concurso de beleza.

— Me poupe, Benzinho... Eu to só reparando em como tu és tão perfeito. Caralho, como os doutores, seus pais, capricharam quando estavam lhe fazendo. – Terminou beijando lentamente o rapaz, curtindo o contato das suas mucosas bucais.

Benjamin adorou quando as mãos do japonês escorregaram desde a sua nuca até o seu quadril, abrindo os botões da sua calça e puxando-as em seguida, permitindo que apenas a cueca ficasse imóvel.

Logo, o menino de olhos verdes ajudou o amigo a tirar sua camiseta, vislumbrando os gomos do seu abdômen e seus músculos do peitoral tão bem trabalhados. O japa se pôs de pé para tirar de uma única vez a sua calça e cueca. O seu membro sexual ficou exposto, totalmente ereto.

O outro se levantou parcialmente, ficando de joelhos diante do pênis do amigo – um pouco mais constrangido de como realmente imaginava que ficaria. Em um impulso frenético, pôs todo aquele volume nada discreto dentro da sua cavidade oral.

O que se seguiu foi uma explosão de tesão e descontrole muscular no corpo do oriental, que nem sequer refutou o ato.

— Benzinho, como a sua boca é quente e úmida. Meu caralho, assim não consigo me manter de pé... Puta merda! Ah! Ah! Ah! Ah! Benjamin, não faça assim que eu acabo gozando dentro da sua boca.

O menino de olhos verdes fez aqueles mesmos movimentos para levar Yuri à loucura, e funcionou bem, já que em poucos segundos depois uma enxurrada de esperma invadiu a boca do menino.

— Foi mal, mas eu disse que daquele jeito eu acabaria gozando – desculpou-se enquanto Ben saia para cuspir aquilo na pia da cozinha. Yuri limpou a sua glande na própria camiseta, jogada em um canto do sofá.

— Relaxa, cara. A gente está aqui para experimentar coisas novas – tranquilizou ele, voltando a ficar dois palmos do japonês e, em seguida, beijando-o. As mãos do calouro da FURB se dirigiram aos glúteos alheios e, mais tarde, um dedo seu tocou o esfíncter do oriental.

— Então agora é a minha vez, mozão. Deite-se no sofá com as pernas arqueadas para mim. Vou te levar às alturas neste minuto – garantiu Yuri, com um sorriso majestoso em seus lábios finos.

Ben engoliu em seco assim que seu pênis foi alocado dentro da boca do melhor amigo. A língua do oriental parecia descrever um trajeto elipsoidal na glande dos olhos verdes.

O menino pôde ver que Yuri não estava mentindo ao prometer algo tão promissor. Ele sabia muito bem o que estava fazendo, porém Benjamin não queria gozar antes de penetrar o outro. Considerava-se mais sensível aos estímulos anais do que aqueles.

Dito e feito, parecia que eles estavam conectados mentalmente também. A língua molhada do japonês passou rapidamente sobre os testículos do amigo até chegar na região de seu esfíncter rosado e bem circundado.

— Tu me deixa bem doidão, japa. Que caralho!

O menino sorriu sem se levantar enquanto o oriental continuava a exercer a sua estimulação. Depois disso, o Yuri se jogou para trás nas almofadas do sofá, puxando o corpo másculo do outro para si. Benjamin sentiu seu nervo fisgar sua região poplítea quando foi arrastado para frente – aquilo lhe fez dar um grito.

— Caralho, foi mal! Eu te machuquei, amor?

— Relaxa, japa. Eu só dei um mau jeito aqui na minha coxa – tranquilizou Ben, sorrindo. – Calma aí, não vamos direto ao que interessa. Vamos curtir um bom vinhozinho e comer um pouco de sushi à beira da lareira.

— Sushi? Foi tu que preparou, amor?

Benjamin riu.

— Moro sozinho há uma semana e vem me perguntar se já sei fazer sushi. Cara, eu ainda não sei nem temperar um arroz. Não, eu comprei ele um pouco mais cedo.

Yuri arqueou as sobrancelhas, acomodando seu quadril entre as almofadas do sofá. Quando ele se preparava para vestir sua cueca, a mão do seu amigo lhe conteve a ação.

— Vamos ficar assim mesmos, temos que nos acostumar um com o corpo do outro. Não acha? Afinal, como vamos poder ficar juntos daqui por diante se tivermos vergonha de andar peladões na frente um do outro?

“Quê? Meus ouvidos ouviram bem? Ele quis insinuar que vamos ficar juntos daqui por diante? Adorei! Será que agora seria um bom momento para pedi-lo em namoro?”

— Já volto, eu vou ali dentro da cozinha para pegar a bandeja com o sushi. – No momento em que Benjamin se levantou, o oriental deu um tapinha nos glúteos do outro, deixando-os marcado com a sua palma aberta.

Benjamin olhou para trás com um olhar de safado e prosseguiu em direção ao outro cômodo da casa.

— Hei, por que tu acha que a Báh e o Thur terminaram o namoro? – indagou Benjamin quando voltou com uma bandeja de porcelana carregada de sushi.

— Benzinho, sabes bem que a ruiva adora dar um bisbilhotada na vida dos amigos, mas que é superdiscreta quando o assunto se trata dos seus sentimentos. Se ela não desabafou contigo, creio que não fará isso logo comigo, né?

O menino de cabelos castanhos voltou para cozinha e voltou com um pote com molho shoyu e mel.

— Só que agora vocês farão academia juntos e pode ser que ela se abra mais contigo, japa. Eu moro longe agora, é melhor estreitarem ainda mais a velha amizade dos senhorios.

— Ah, ele precisa ressaltar que mora longe da gente é? – brincou Yuri agarrando o amigo assim que se sentou no tapete felpudo da doutora Marisa.

Aquilo acabou numa pequena briga de cócegas e, por fim, em um beijo apaixonado – o corpo do japonês pesava sobre o quadril do ocidental. As mãos do Benjamin arranhavam de leve as costas de Yuri, e o beijo só parou quando o pênis do dono da casa começou a roçar, todo alerta, nos glúteos do que começou a agarração.

— Chega por enquanto, vamos comer...

— Hmm... quer comer o quê? – sugeriu Ben, todo assanhado.

— O sushi, né, pervertido?

— Japa do caralho... por que será que fui me apaixonar justamente por ti? Tinha tantos outros mais legais por aí.

Yuri socou o braço do amigo, que sentiu uma dor de verdade.

— Estava brincando... eu amo amar tu, seu puto do caralho! Venha cá e me beija!

O japa se fez de ciumento e se afastou, porém foi forçado pelo outro a trocar um beijo daqueles. O sorriso em seus lábios voltou imediatamente depois que se apartaram dos rosados do amigo de infância.

— Tu é muito racista, sabia?

— Hãn? Que porra é essa?

— Ué... só por que sou descendente de japoneses sou obrigado a gostar de sushi?

Benjamin franziu a testa e fez uma cara de furioso.

— Vá se foder! Sei bem que tu e a tua família pagam muito pau para comida japonesa. Conheço vocês há mais de dez anos, se esqueceu...? Foi?

Yuri riu, piscando para Benjamin, que ignorou a brincadeira alheia, molhando um sushi no molho adocicado e depois levando à boca. O oriental abriu a garrafa de vinho do doutor Manoel e serviu em suas taças.

— Tu pensou em tudo isso sozinho?

— Claro que foi! Eu sei ser romântico de vez em quando.

— Pois eu quero que seja de vez em sempre. Preciso te dizer que estou muito feliz em estarmos juntos — pronunciou aquela palavra envergonhado, não sabia se podia dizer “juntos”, ainda mais depois da reação do Ben quando a amiga dos dois supôs isso –, quero dizer, feliz por estarmos aproveitando e aprofundando mais este sentimento.

Ben comprimiu com sua mão a bochecha do japa e virando aquele rosto magro para si.

— Hei, eu quero pedir desculpas pela forma como reagi no almoço. Quero dizer, eu não sabia como reagir àquilo... isso tudo é tão novo para gente. Nunca pude calcular que amaria um menino, então peço paciência.

— Benjamin, eu te entendo! Também nunca imaginaria na vida uma situação tão embaraçosa como aquela ou com as que virão dos outros. Não precisamos nomear a nossa relação por enquanto... não estamos namorando e nem mesmo comprometidos um com o outro.

O menino de olhos verdes mordeu os lábios, fazendo uma careta.

— Quer dizer que posso ficar com outras pessoas lá em Blumenau?

— É claro que não! Tá louco, tu és meu e somente meu!

Ben começou a gargalhar, irritando o amigo.

— Mas foi tu mesmo que disse que não somos comprometidos...

— Foda-se o que disse... não quis dizer aquilo. Eu quero ficar junto com você pelo resto das nossas vidas.

Os dois se abraçaram e começaram a se beijar. Deixaram de vez o jantar de lado, e começaram a apalpar regiões cheias de carne do corpo alheio. Yuri começou a mordiscar os lóbulos da orelha do branquelo.

— Vamos transar aqui mesmo? – perguntou Yuri, todo assanhado e mal controlando seus impulsos nervosos.

— Claro que sim! Não quero esperar até chegarmos lá em cima – respondeu, caindo de boca no pênis ereto do outro e com a outra mão, tateando o tapete em busca do gel lubrificante.

Quando o encontrou, encheu a mão com o líquido viscoso e gelado – massageando os anéis do seu ânus. Depois, colocou mais um pouco do gel em suas mãos, masturbando o Yuri.

O japonês sentiu seu corpo ser tomado de tesão quando sua glande conseguiu vencer a resistência do esfíncter de Benjamin. O menino de cabelos castanhos começou a cavalgar sobre o pênis do oriental, acelerando à medida que seu ânus relaxava mais as musculaturas envolvidas.

O menino curvou seu tronco para trás, agarrando as coxas torneadas do japa. O ativo adorou o jogo de luzes produzido pelo crepitar das chamas na lareira e pelo reflexo do que estavam fazendo, que se projetava no teto daquele ambiente.

Ben pôs sobre seu pênis uma das mãos livres do Yuri, já que a outra estava agarrada na sua cintura. Yuri entendeu o que o outro queria dizer com aquilo e começou a masturbá-lo enquanto ele subia e descia em seu pau.

— Caralho, como tu pode ser tão gostoso? – Quase gritou Yuri quando Benjamin, mesmo sem sair de cima do pênis do amigo, trocou de posição – ficando de costas para ele e arqueando seu tronco para frente. Dessa posição migraram para a famosa “de quatro pra você”.

Agora, o controle partia do tronco do oriental, que penetrava com força o corpo do seu melhor amigo. À medida que fazia aquilo, Ben gemia sem conseguir controlar suas pregas vocais.

A cada socada profunda, Yuri beijava as costas desnudas do companheiro. De repente, aumentou a frequência das penetrações – aumentando severamente a adrenalina dentro da corrente sanguínea dos dois. Naquele momento, os dois apaixonados desejaram estar para sempre tão bem conectados como agora.

Como em uma descarga de emoções, o japa encheu o reto do amigo de esperma, caindo em seguida do seu lado, sem controlar os movimentos involuntários de sua musculatura esquelética.

Os dois permaneceram assim, deitados um do lado do outro, por alguns minutos. Apenas partilhando da sensação de estarem abraçados e com a respiração totalmente ofegante.

Yuri pegou sua própria cueca para limpar o seu pênis e o ânus do outro.

— Vou tomar um banho para tirar toda a porra que deixou no meu rabo, seu japa do caralho – avisou Ben, rindo da situação.

Só que antes de se levantar, beijou calorosamente os lábios finos do companheiro.

— Yuri, eu te amo tanto!

O japonês não conseguiu nem responder, tamanho sentimento despertado no fulgor do momento. Ele assistiu o corpo tão bem definido do menino de olhos verdes se mover para longe.

No banho, Benjamin começou a pensar sobre a relação dos dois. Ele estava adorando ficar com o Yuri, porém não sabia se queria assumir um relacionamento sério com ele.

“Quem sabe não seja melhor eu e ele pararmos por aqui mesmo? Eu sei que o amo, mas não quero me casar e viver para sempre com um homem ao meu lado. Quero ter filhos... filhos legítimos... do meu sangue! Temos que aceitar que o nosso amor é impossível”.

— Benjamin, eu decidi tomar banho contigo – explicou Yuri, abrindo a porta de vidro do box.

O rapaz nem esperou o outro reagir e já foi logo beijando as suas costas largas pela natação. Ben sorriu, se virando de frente para o corpo do amigo. Ele adorava ver o sorriso do japonês e como seus músculos faciais desenhavam perfeitamente duas covinhas em cada bochecha.

“Que se dane! Eu não vou pensar nisso agora... eu amo tanto este maldito”, disse Benjamin para si mesmo.

Benjamin foi o ativo da vez. Os dois se divertiram em mais algumas posições dentro do banho até que continuaram a ação na cama do menino de olhos verdes. Logo, eles caíram no sono, abraçadinhos, ali em cima – se esquecendo de que os pais do garoto podiam chegar em casa a qualquer momento.

Yuri foi o primeiro a acordar pela manhã seguinte, o rapaz ficou imóvel, vislumbrando o corpo do melhor amigo. Ben roncava, mas não como um trator com o motor enferrujado.

O japonês resolveu fazer uma surpresa, então, desceu até a cozinha para preparar um café da manhã para os dois, mas antes passou na sala para vestir sua calça, a cueca usara como toalha na noite passada.

Abriu todas as portas dos armários para encontrar boas coisas para preparar, foi então que ouviu o barulho do motor de um carro se aproximar e ser desligado já na garagem da casa. O seu coração acelerou imediatamente e seus olhos se arregalaram.

Não conseguiu pensar direito, mas seguiu seus impulsos e correu para sala, abandonando o brigadeiro que fervia dentro da panela acessa. Juntou o restante de suas roupas e as do Benjamin do chão e do sofá, e disparou escada acima. No último degrau, caiu de joelhas na quina do degrau, cortando sua calça e, por consequência, seu joelho direito.

Mesmo sentindo aquela dor se propagando por seu sistema nervoso, não parou até que estivesse dentro do quarto do amigo.

— Ben... Ben... Benjamin! – gritou, acordando o menino, que ficou em estado de choque pelo susto. – Os seus pais, os seus pais acabaram de estacionar o carro lá na garagem.

— Porra! – xingou Ben, todo áspero.

Pulando da cama em um impulso frenético e puxando uma cueca da gaveta enquanto o japonês também se vestia.

— Que estranho, os meninos deixaram a lareira acessa e uma bagunça daquelas aqui na mesinha da sala – comentou Marisa enquanto seu marido se dirigia à cozinha.

— E também deixaram um brigadeiro queimando aqui na panela.

— Oi, mãe... – gritou Benjamin, descendo às escadas, vestindo uma calça de moletom e uma camiseta de manga longa. – Eu pensei que fossem chegar só de tarde, depois de almoçarem juntos.

— Mas fizemos isso, filho – comentou Manoel, aparecendo na porta da cozinha. – Que horas acha que são?

O menino ficou perdido. Não respondeu.

— Já são três da tarde! – informou Marisa, olhando para a garrafa de vinho aberta. – Acho que tu e o teu amigo perderam a noção do tempo depois de uma farra daquelas na madrugada.

Ben riu totalmente sem graça, beijando a bochecha da mãe.

— E por falar nele, cadê o menino? – perguntou o pai assim que o filho passou pela porta da cozinha, lhe dando um beijo em sua bochecha com a barba recém-feita.

— Ele está tomando um banho. A gente ficou jogando a conversa fora e bebendo até bem tarde, por isso acordamos agora a pouco.

— Que bom que se divertiram, filho – comentou Marisa, levando as taças e a garrafa para a pia de granito preto da cozinha. – E deixaram um brigadeiro queimando aqui embaixo também. Espero que não tenha sido uma das suas aventuras da noite.

— Bem capaz, Marisa, se estivesse aí desde a madrugada, a casa já tinha pegado fogo – concluiu Manoel.

— Não! A gente estava fazendo isso agora pouco, só que eu fui tomar o meu banho e depois o japa subiu para tomar um no quarto do Mi.

— Foi mal, dona Marisa – desculpou-se Yuri, entrando no ambiente. Ele estava com os seus cabelos lisos ainda molhados. Vestia um dos shorts de tecido do amigo e uma de suas camisetas de futebol americano. – A gente se esqueceu de desligar o fogo. A culpa foi minha.

Ben percebeu que o amigo estava sem graça. Na verdade, ele também estava um pouco envergonhado. Quase foram pegos com a boca na botija, aí sim, queria ver como fugiria da situação embaraçosa que os dois estariam.

— Excluindo o fundo da panela, o resto do brigadeiro ainda está comestível – informou Marisa, saboreando o mesmo. – A gente se divertiu bastante também. Quando saímos do bistrô, fomos passar a noite numa pequena pousada no Lago da Conceição e acabamos almoçando por lá também. O restaurante de lá tem uma comida bem caseira. Recomendo que os dois levem um dia as suas namoradas para passarem uma noite lá. É muito aconchegante, meninos.

Depois de ela contar aquilo, subiu para o quarto. Marisa estava exausta e queria tirar logo aqueles sapatos altos e vestir uma roupa mais quentinha. O frio lá fora continuava a ser acompanhado por uma chuva insistente.

Marisa preparou uma macarronada para os dois amigos enquanto Manoel assou na grelha uns pedaços de salmão. Mesmo sem acompanhar os meninos na refeição, os pais do Benjamin fizeram companhia a eles na mesa.

No final da refeição, os quatro comeram o brigadeiro queimado como sobremesa.

O coração dos meninos se partiu quando chegou a hora do menino de olhos verdes entrar no seu carro para voltar a Blumenau. O final de semana foi muito divertido para eles, porém, os dois dias se passaram tão rápidos quanto já imaginavam que se passariam.

Marisa se segurou para não chorar na frente do filho, não queria desestimulá-lo da escolha que ela praticamente lhe obrigou a tomar.

O abraço dos dois apaixonados foi dado com muito cuidado para não levantarem suspeitas daquele novo e forte amor. Yuri esperou o carro do amigo deixar o condomínio para só então sair com o seu dali.

Quando eles já estavam mais afastados do bairro, onde Ben morou sua vida inteira com os pais, estacionaram na beira da SC-401 para se despedirem de forma adequada.

— Vou sentir a sua falta de novo nesta semana – garantiu Yuri, com os olhos vermelhos. O menino estava chorando enquanto dirigia pela rodovia.

Os corpos dos dois estavam próximos um do outro, mas sem eles se beijarem. Por sorte, a chuva dera uma trégua, mesmo deixando o clima frio e os céus acinzentados. O carro do menino de olhos verdes impedia que qualquer pessoa que trafegasse pela SC-401 lhes reconhecesse ou que vissem dois homens trocando carícias no acostamento.

— Eu não estou conseguindo me concentrar nas minhas aulas da faculdade. Eu tive uma prova de fisiologia, na quinta-feira, pela qual eu sequer consegui estudar.

— Orra, japa! Isso não vale! Isso é golpe baixo contigo mesmo e comigo. Não quero que repita o semestre. Tu és muito inteligente para isso, eu te garanto! Eu também estou morrendo de saudades suas e dos meus outros amigos daqui.

— Quando te disse aquele dia que estou pensando em cancelar minha matrícula na UFSC e me transferir para a FURB, estava falando a verdade.

— Porra nenhuma! Tu não és louco de sair de uma federal para se matricular numa particular lá no cafundó de Santa Catarina. Eu lhe proíbo de cometer este grande suicídio na sua futura carreira. Eu ainda vou prestar o vestibular da UFSC no começo de dezembro e se tudo der certo, eu volto pra cá, semestre que vem.

— Me promete isso? – pediu Yuri, todo carente, repousando sua cabeça no ombro do amigo.

— É claro que eu te prometo isso, meu amor. – Novamente, Benjamin ficou envergonhado por dizer aquela palavra. Ele começou a beijar os lábios finos do oriental.

— Não tenha vergonha de me chamar de amor, Benjamin. Isso me deixa muito feliz...

— Eu te amo, meu japinha do coração. Eu te amo tanto! Nunca vou me afastar de ti, eu juro por tudo que sou.

Eles se beijaram novamente antes de cada um seguir o seu trajeto. Dentro do seu carro, o menino de olhos verdes não pôde conter toda a tristeza que estava sentindo em deixar o melhor amigo na ilha.

Yuri por sua vez, pegou o seu telefone e ligou para a Yumi, que não demorou três toques para atender.

— Olá, meu japinha lindo...

— Yumi, eu não estou conseguindo lidar com a minha distância do Benjamin – soltou, cortando a irmã.

— Meu Deus, o que aconteceu? Não me diga que vocês ter...

— Não, não! Pelo um amor, não aguentaria isso agora. É que eu passei uma incrível noite ao lado dele e, agora, tive que me despedir para que o Ben voltasse a Blumenau.

— Que fofinho, meu irmão! Tu está muito apaixonado pelos olhos verdes. Isso é muito fofo. Eu tenho certeza que para ele também não está sendo fácil esta distância, e bem agora que estão se acertando de verdade.

— Eu queria desistir da minha vaga aqui só para segui-lo por onde ele fosse. Não quero passar os meus dias sem poder abraçá-lo e beijá-lo como um casal normal faz.

A japonesa parou o que estava fazendo, no caso, estudando para a sua prova de anatomia, para dar atenção à ligação.

— Tu não pode fazer isso, Yuri, isso, eu te proíbo. O Benjamin nunca lhe deixaria abandonar os seus sonhos para seguir somente os dele.

— Eu sei, eu sei disso. Ele me proibiu também de largar a faculdade, mas queria tanto poder ajudá-lo a estudar para os três dias de provas aqui na UFSC. Eu sei que ele tem capacidade de ser aprovado, mas cursando medicina junto, as suas chances se reduzem ainda mais.

— Japa, eu tenho uma amiga que começou a fazer medicina na PUC aqui de São Paulo e mesmo assim, não desistiu de passar na USP. Hoje, ela é minha caloura, e veio de uma escola pública. Ele tem ainda mais chances do que ela, já que só estudou em particulares até hoje.

Yuri não respondeu.

— Tu pode ajudá-lo via Skype.

— Tem razão, eu posso! Só que primeiro preciso voltar a me concentrar nos meus estudos da faculdade antes que eu leve bomba já no segundo período do curso – afirmou ele, convicto. – Não sabe quem veio falar conosco sobre a nossa relação?

— Quem? — gritou a irmã, aflita. – Não me diga que os nossos pais ou os dele?

— Credo, nem pense nisso. Embora fosse por um pouco que o doutor Manoel e a doutora Marisa não nos pegaram dormindo juntos na cama, ainda por cima, encontrariam as nossas roupas espalhadas pelo tapete da sala hoje à tarde. – Riu, achando graça do susto que passaram um pouco mais cedo.

— Caramba, quanta aflição não devem ter passado. Então me diga quem perguntou?

— A Bárbara nos pressionou ontem à tarde, depois do treino de natação. Realmente o puto do Arthur deu com a língua nos dentes.

Yumi franziu a testa, se controlando para não rir.

— Também pondera, né, irmão, a Báh é superinsistente. Imagina que ele conseguiria esconder um segredo daqueles por tanto tempo da ruiva. E como ela reagiu?

— Melhor do que podíamos imaginar, ela aceitou numa boa e disse que vai nos dar todo suporte para assumirmos um namoro, se for o caso. Tu acredita...? Justo ela que foi apaixonada pelo Benjamin por tanto tempo.

— Ela lhes ama. Eu entendo totalmente a reação positiva dela, afinal, nos queremos o melhor para aqueles que amamos. Não concorda comigo?

— Concordo! Mas sei lá... achei que ela...

— Yuri Takashi, tu precisa parar de pensar no que os outros vão achar de vocês. Vocês não se amam?

— Claro que nos amamos! Tu ainda dúvida, Yu?

— Eu não dúvido porra nenhuma! Eu fui a primeira a afirmar o quanto os dois se amavam, não foi isso mesmo?

— Foi, sim! Tu nos deu e está nos dando o maior apoio, por conta disso, eu só tenho que agradecê-la, mana. Te amo muito!

— Que ótimo saber disso! Eu também te amo, japinha do meu coração e também amo o meu cunhadinho fofo.

Eles começaram a rir daquilo.

— Vou ter que desligar o telefone, eu preciso entrar no nosso apartamento.

— O.K., também preciso desligar, estou estudando o sistema nervoso central novamente para a prova de terça-feira. Me deseje muita sorte, porque estou sabendo quase nada da matéria. Parece que a minha primeira fase já foi há tanto tempo.

— Te compreendo perfeitamente. Vai conseguir tirar uma supernota, vai ver. Depois me ligue para me contar sobre o grande feito.

— O.K.. Tchau, beijos!

— Nós vemos em breve, viu?!

Notas finais
Como vimos está sendo difícil ver os dois morando há quilômetros um do outro. O que será que farão para não perderem o contato? Dê sua opinião a respeito disso aí. Logo, logo, postarei a continuação. Adoro vocês todos! Té o próximo capítulo.