Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
39 Capítulo trinta e nove - Aqui vamos nós novamente?
Notas iniciais
Ben acordou às oito e meia, depois da insistência do seu despertador – passou os olhos rapidamente na tela do telefone onde estava escrito em letras garrafais: PULE DA CAMA E VÁ PARA O SEU SIMULADO, SEU PORRA LOUCA. Se vestiu com as primeiras roupas que encontrou no guarda-roupa, pegou a chave da sua caminhonete e passou pelo deck da casa antes de sair.
Os seus pais levaram um susto ao ver seu caçula fora da casa tão cedo num dia nublado de domingo. Eles estavam tomando café de mãos dadas, o que agradou o menino. Isso significava que as coisas estavam voltando ao normal entre os dois apaixonados.
— Tu vais aonde tão cedo, mocinho? – perguntou Manuel, dando um beijo no rosto do garoto, que nem o cabelo penteou por causa da pressa.
— Eu tenho um simulado porreta do ENEM no cursinho às dez. Por isso já vou indo, estou quase atrasado – respondeu, abraçando os seus pais bem rápido e roubando da mesa um daqueles pães doces com doce de leite.
— Considerando que a gente mora no norte da ilha, tu tem razão – concordou a morena dos olhos azuis. Ela checou o relógio enquanto seu filho se afastava do casal.
— Tchau!
E o menino fechou a porta se dirigindo ao carro. Entrou, jogou a mochila no banco do passageiro ao seu lado, ligou a ignição do carro e seguiu a rua do seu condomínio afora.
— Esse Benjamin sempre será o menino mais atrapalhado das nossas vidas – comentou Manuel. A mulher começou a rir. Ela concordava com o esposo.
— Ele é totalmente o oposto do Yuri Takashi. Aquele menino sempre foi tão organizado, como é que podemos trocar os nossos filhos com os Takashis? – brincou ela.
— Os nossos dois meninos dão muita dor de cabeça, não há como negar, mas são os nossos meninos. Que faríamos sem o menino de olhos azuis e o de olhos verdes? Provavelmente, ainda estaríamos morando naquele “apertamento”, lá no Itacorubi, sem nenhuma graça.
— Isso realmente seria horrível, Manoel. Do hospital para casa e de casa para o hospital. Mas se acha que temos pouca diversão com os meninos não tão meninos assim, eu topo em colocar na estufa outra criança enquanto a fábrica ainda está funcionando perfeitamente. – Marisa falava sério a julgar pela entonação de voz e postura diante do marido. Ele parece não ter se animado tanto com a ideia. – Quem sabe dessa vez tenhamos mais sorte e vem uma garotinha para salvar os seus irmãos?
— Já passamos da idade de sermos pais, a prova disso é que o Mig nos presenteou com o título de futuros vovôs. Ainda estou tentando lidar com a ideia de que teremos um bebê daqui a poucos meses correndo por esta casa.
Marisa automaticamente levou uma mão sobre o seu útero enquanto mordiscava os lábios nervosamente. Ela tinha um segredo a revelar, porém agora sentia-se totalmente desmotivada.
— Que nada, meu amor, eu acho que podemos conversar mais a respeito de sermos papais de novo. Ao invés de uma mamadeira, poderíamos comprar duas e dar um tiozinho mais novo para o filho do Mig – persistiu ela, massageando a sua barriga com carinho.
— Vamos voltar ao nosso café, doutora. Acho que tu estás muito inspirada na história do Sr. Takashi e da amante.
— Quem dera fosse isso mesmo.
— Quê? – Ele não havia escutado direito o que a mulher dissera.
— Deixa para lá! Eu quero terminar o meu café logo para ir à casa da minha mãe.
— Tem razão! A gente precisa estar em Joinville até o almoço.
— E a gente aqui falando do Benjamin.
Os dois começaram a rir.
No meio do caminho, o celular do menino de olhos verdes começou a tocar. Ele conectou o aparelho no aporte do carro e atendeu a ligação no viva voz.
— Bom dia, Srta. Ronsoni. Espero que tenha acordado sem ressaca para encarar o simulado daqui a poucos minutos. Ninguém mandou você ir curtir uma festinha de universitários como se já fosse uma.
A ruiva hesitou do outro lado. Ela estava um bagaço e começava a sentir uma forte dor de cabeça.
— Nunca mais vou pôr um gole de álcool na minha boca, eu te juro de pés juntos.
— Eu conheço muito bem essa promessa, costumo utilizá-la de vez em sempre. Mas falando sério agora, onde tu tá? Não me diga que posou na casa do Arthur?
— Quem me dera. O resto da madrugada foi uma bosta, passei quatro horas dentro de uma delegacia perto do continente.
Delegacia? O menino se perguntou se havia entendido bem ou se a ruiva estava apenas gozando com a cara dele.
— Como assim? Agora, temos um motel chamado “Delegacia” em Florianópolis por um acaso e eu nem sabia? É isso mesmo?
— Não é nada disso, Benjamin. Eu estou falando a verdade: a Báh, o Arthur, a Yumi, o Camilo e o...
— Quê? Que porra tu tá me dizendo? – berrou o Ben, zangado. Por um instante o seu carro se direcionou para o acostamento, mas logo ele pôs as mãos com firmeza no volante. – Que droga aconteceu com vocês? Não me diga que foram assaltados ou coisa pior?
A garota ficou receosa do outro lado e se calou até ele voltar a gritar com ela.
— Caralho! Me conta o que aconteceu? Por que foram parar numa delegacia?
— Droga, eu achei o que o japa tinha te ligado assim que saiu da delegacia.
— Quê? Quê?
— É que o teu namorado se envolveu numa briga com o puto do Frederico na festa da automação e o segurança chamou a polícia para eles.
— Não acredito que isso seja possível. Eu simplesmente me recuso a entender o fato dessa porra toda. Me diga por que eles estavam se matando na festa? Que o Fred aprontou dessa vez?
— Ah, me desculpa, mas se quiser saber vai ter que falar diretamente com o Yuri. Já me meti demais nessa questão. Juro que não sabia que tu ainda não sabia de nada. Ele tinha dito que ligaria para tu assim que chegasse em casa.
Foi aí que a ruiva percebeu que tinha piorado ainda mais as coisas para o lado do amigo.
— E esse desgraçado já foi liberado pelo delegado?
— Ah, não fomos detidos, detidos, apenas fomos levados para lá para dar o nosso depoimento porque o Frederico deu queixa contra o japa. Mas não sei onde estaríamos agora se a Nara não tivesse aparecido por lá e se não tivesse usado da sua influência como promotora para liberar o filho.
— Isso é incrível! Eu vou matar o Yuri. Ele está em casa? Tem certeza disso mesmo?
A menina hesitou um pouco mais.
— Abra sua boca, Bárbara!
— Pelo menos quando nós saímos de lá, ele entrou no carro da doutora Nara. Você vai para lá não vai?
— É claro! Tens alguma dúvida de que eu faria isso? – Ele foi novamente ríspido ao telefone.
— Mas e o seu simulado?
— Foda-se ele agora. Aliás não sou só eu que estou perdendo ele, não é mesmo, sua bêbada?
— Desculpa novamente por ter sido a porta-voz dessa notícia, mas juro que...
— Que pensava que eu sabia de tudo? – ironizou o menino. – Caso contrário, certamente me ocultaria isso igual a ele, certo?
Ela não soube o que responder, ao invés disso, se despediu do amigo e desligou. Evidentemente, a menina ficou ofendida com as palavras curtas e grossas do melhor amigo. Já Benjamin estava possesso e não esperaria até a metade da tarde para procurar o japonês.
O celular do Yuri só caia na caixa de mensagens, o que só aumentava ainda mais a impaciência do rapaz. Quando chegou na frente do prédio onde ficava a casa dos Takashis, Ben estacionou o carro na rua, em frente a um quiosque à beira-mar ao invés de entrar com o carro no condomínio.
Como o porteiro lhe conhecia muito bem, a sua visita não precisou ser comunicada. Não tinha pensado direito no que diria ao namorado quando pusesse seus olhos sobre ele, mas não deixaria barato o fato daquela omissão.
Após tocar algumas vezes a campainha do apartamento, a porta foi aberta por Camilo. Ele estava sem camiseta como se estivesse em sua própria casa. O moreno sorriu constrangido para o de olhos verdes e lhe deixou entrar sem dizer um “oizinho” qualquer.
Benjamin entrou no quarto do Yuri sem bater. O garoto estava no banho quando este chegou. No momento em que o Ben fechou a porta, o Camilo passou correndo pelo corredor em direção ao quarto da namorada. Não deixaria de comunica-la que uma terceira guerra era iminente naquela casa.
— Que bonito, senhor Takashi Neto. Se envolvendo em brigas e indo parar na cadeia – soltou ele assim que o Yuri saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura.
O oriental não escondeu a cara de assustado por vê-lo ali dentro. Nem pensou em cumprimentar o namorado ou sequer tentar beijá-lo porque já esperava pelo pior. Tinha certeza, pela cara do menino, que nada estava bem.
— Foi mal! Eu não consegui ignorar as provocações do Frederico. Dessa vez, ele foi longe demais... isso é sério!
— E por que diabos tenho que saber tudo sempre pelos outros? Qual é a sua dificuldade de me ligar na hora que for para dizer: Benjamin, eu estou em apuros! Tu seria a primeira pessoa a quem eu ligaria no meio da madrugada para contar uma coisa dessas.
— Sim... eu sei... eu sei que deveria, mas... – Yuri tentou uma aproximação lenta, conseguindo se sentar ao lado do outro na cama e ainda por cima com uma mão sobre a coxa do Benjamin. – Eu queria ter te ligado, mas fiquei receoso por seus pais. Como saberia o que eles pensariam ao te ver saindo tipo três horas da manhã para ir me visitar numa delegacia?
— Que eu estava indo visitar o meu namorado inconsequente, talvez... – Yuri abraçou o namorado após perceber que o outro estava à vontade para fazer brincadeiras. – Não adianta vir me agradando com o seu abraço forte e com esse cafuné de malandro. Nem o fato de estar tão desnudo muda o fato de que fiquei puto de saber pela Bárbara que tu foi parar numa delegacia.
— Essa Bárbara não tem jeito mesmo.
Yuri riu enquanto mordiscava a orelha do menino. Benjamin sentiu um arrepio imediatamente e também sentiu o seu pênis começando a ficar duro dentro da cueca.
O japonês pegou a mão do namorado e levou-a para a fenda da toalha molhada, que dava acesso ao seu pênis e bumbum. Ben sentiu sua mão encostar no pau do outro, já a ponto de bala como o seu. Então não resistiu mais e empurrou o corpo do japa contra a cama, e subiu no quadril do menino.
Mesmo de costas para as pernas do japa, ele soltou as toalhas com as mãos e se curvou para a frente a fim de beijar aqueles irresistíveis lábios finos. Yuri aproveitou para colocar as mãos dentro da blusa e da camiseta do de olhos verdes e tirá-las com pressa.
O Furlanetto ajudou o namorado desafivelando o seu cinto e abrindo a sua calça jeans. O oriental lançou aquele olhar safado quando Benjamin saiu por um minuto de cima dele, apenas para tirar a calça e a cueca, e voltou ao seu colo.
Os dois meninos adoravam aquele contato pele-pele. Benjamin cuspiu nos seus dedos e lubrificou o seu ânus antes de tentar encaixar o pênis ereto do companheiro naquele lugar sem avisar o seu companheiro, que nem precisa dizer o quanto ficou feliz pela surpresa.
No começo, Benjamin sentiu uma forte dor como se fosse a primeira vez que haveria uma penetração no seu ânus.
— Espere, eu tenho lubrificante – disse Yuri, beijando a barriga do namorado. Ele notou que o menino de olhos verdes já não estava mais com aquele tanquinho tão visível – já tinha semanas que o Ben não malhava e nem nada. Yuri não faria nenhuma brincadeira sobre o fato do menino mais vaidoso que conhecia estar relaxando. Não queria acabar com o clima ou chatear o de olhos verdes.
Benjamin deitou de lado na cama em posição fetal, visivelmente ansioso pela penetração.
— Deite-se de costas e levante as suas pernas para mim, O.K.?
O menino de cabelo castanho claro apenas obedeceu, gemendo assim que o namorado começou a dar um beijo Grego nele de tirar o fôlego e, na sequência, a massagear a região com a ajuda do lubrificante.
— Acho que já está bom assim. Vamos lá, me possua de uma vez – implorou Ben, virando os olhos assim que o outro começou a penetrá-lo gentilmente.
— Você está bem? Está gostoso desse jeito? – Ele estava indo devagar enquanto apertava com força aquelas nádegas branquelas.
— Me beija – ordenou Benjamin, sentindo seu corpo vibrar com as crescentes penetrações.
Yuri continuava a aumentar a velocidade enquanto se beijavam carinhosamente. Ele girou de lado o corpo do namorado, levantando uma daquelas pernas carnudas. Ajeitou novamente o seu pênis na posição correta e voltou a dar aquele estranho prazer ao Furlanetto, que mordia os lábios para não gemer e que curtia aquilo com os olhos fechados.
O oriental começou a pensar em como se sentia sortudo por estar em um relacionamento sério com aquele menino que considerava o mais lindo da face da terra. E que era realmente muito atraente.
Por um minuto, voltou a se lembrar da noite em que se pegaram pela primeira vez no tapete da doutora Marisa em frente à lareira, na casa da família do Ben. Mas é claro que ele preferia estar fazendo o serviço completo com ele como agora.
— Eu te amo, meu amor! Eu te amo e não posso viver sem você – garantiu Yuri enquanto gozava na bunda do garoto.
— Consigo sentir dentro de mim o quanto me ama, japinha – brincou, rindo. – Eu também te amo, meu gatinho oriental.
Yuri repousou a cabeça no peito do Ben e esparramou o seu braço e a sua perna direita naquele corpo quente. O menino conseguia sentir a respiração ofegante do namorado sobre a sua testa e as unhas do garoto riscando as suas costas e a sua nuca.
— Queria tanto congelar estes momentos a sós com você, sabia?
— Que fofo ouvir tu falando isso, Benzinho. Juro que no momento em que apareci por aquela porta, agora pouco, e te vi aqui com uma cara para poucos amigos, pensei que tudo estivesse acabado entre nós.
Benjamin levantou a cabeça do oriental e olhou dentro daqueles olhos puxados e escuros.
— Nunca mais me deixe ser o último a saber das coisas. Eu não gosto de saber as coisas pelos nossos amigos. Isso é muito chato. Meu, tipo... chato pra caralho!
— Eu amo a Bárbara e sei que ela age sem querer nos atrapalhar, mas isso não está funcionando. Ela precisa deixar de te ligar por tudo que acontece com ela ou com as pessoas a sua volta.
— Ela é a minha melhor amiga, Yuri. É normal que faça isso, não posso culpa-la.
Yuri fez uma cara de decepcionado.
— O.K. Eu não quis dizer para deixar de ser amigo dela, só que...
— O que aconteceu entre você e o Fred dessa vez?
O oriental se sentiu frustrado por ser cortado daquela forma. Benjamin não iria entrar em questão sobre a sua amizade com a Bárbara, afinal ela era a pessoa que mais amava e confiava na vida fora o japonês.
— Eu deixei de te contar uma coisa que aconteceu na última semana. – Yuri pensou em mentir, mas não quis pôr toda aquela confiança a perder. Ben franziu a testa, mas o outro nem reparou. – O precoce me procurou na UFSC para me perguntar sobre nós dois estarmos juntos como namorados.
Yuri bateu a cabeça no joelho do Ben, quando este se sentou abruptamente na cama sem fazer menção àquilo.
— Quê?
Benjamin começou a encarar o namorado com a boca aberta e as sobrancelhas levantadas. Ele estava perplexo.
— Como assim? Ele... Como ele descobriu? Você... não... não... você não abriu o jogo sobre a gente, né?
O japa parou de massagear a região da sua cabeça que latejava após ser golpeada pelo joelho do outro e, ao invés disso, começou a encarar o namorado. Ele já não sabia mais como se defender mesmo não estando errado. Viu aquela toalha abandonada e pensou que todos aqueles minutos de prazer se foram num piscar de olhos.
— Me deixa explicar. – Ele tentou encontrar as palavras certas do que aconteceu. – O Joshua ficou sabendo pelo Fred, que nos viu saindo de mãos entrelaçadas daquele restaurante no final de semana passada. O Fred começou a espalhar para todos os nossos amigos sobre o nosso namoro. Também foi por isso que dei aquela surra nela ontem.
— Filho da puta. Eu mato aquele desgraçado assim que voltar a vê-lo.
— Não... – pediu o Yuri, virando o rosto do outro na sua direção e se aproximando alguns centímetros em sua direção na cama. – Hei. – Ben havia fechado os olhos irritado e tentou abaixar a cabeça, mas foi impedido. – Me olhe aqui. – Ele obedeceu. Yuri não saberia explicar o que pensou no minuto em que viu aqueles olhos verdes tão brilhantes, cabisbaixos e chateados. – E me ouça, Benjamin: o que acabamos de dizer um ao outro aqui mesmo há minutos atrás; de nos amarmos muito e de precisarmos um do outro mais do que tudo são as únicas coisas que realmente importam.
— Eu sei, mas...
— Mas o que, meu amor? Eu preciso de que esteja comigo nessa. Se não o que eu poderei fazer? Juro que não saberei lidar com isso sozinho.
— E não lidará! Não vai precisar lidar com isso jamais sozinho. Eu estou com você, só que precisa entender que ainda não me acho preparado para que nossos pais saibam. A minha mãe acabou de voltar para casa e ter que lidar com o estresse dela e do resto da minha família me dá muito medo, me dá vontade de desistir...
— Da gente? É isso que tu quer dizer? Tu prefere me abandonar a ter que enfrentar a sua mãe, o seu pai e o seu irmão?
Yuri soltou o rosto do menino de olhos verdes e se afastou dele, mesmo continuando sobre o colchão. Ben conhecia muito bem aquela cara de decepcionado do japonês, já provocara aquela mesma reação inúmeras vezes antes.
Benjamin começou a chorar. O garoto queria sair através daquela porta ali atrás dele e sumir do mapa. Sabia que é o que faria até um mês atrás, mas esse não era mais o Benjamin que ele deveria ser. Aquele menino cheio de incertezas e inseguro dera lugar a um garoto que tinha tido coragem suficiente para pedir outro garoto em namoro e de dar um beijo nele em um local público.
— Yuri, eu quero que saiba que eu te amo muito! Eu não vou deixa-lo encarar essa barra sozinho, O.K.? Vamos ter que lidar com essa situação com a cabeça erguida. Não adianta dar uma surra em todo mundo que começar a nos provocar ou nos ofender.
O oriental voltou a se aproximar e secou as lágrimas dos olhos do namorado. Ele deu um abraço bem forte no Ben, que começou a ter uma crise de choro. Não saberia como consolá-lo nem a dali duzentos anos, afinal também começou a chorar como uma criança.
Era isso mesmo. Dois corpos entrelaçados em cima de uma cama, que queriam poder se esconder do restante do mundo por um bom tempo. Quem sabe até que o planeta estivesse melhor frequentado? Com pessoas que nem precisavam aceitar o fato de duas pessoas do mesmo sexo estar se amando, mas só precisavam ficar nas suas e deixar que cada um vivesse à sua moda.
— Se os nossos pais souberem antes mesmo da gente se sentir preparado, vamos se sentar com eles e contar como tudo aconteceu. Se nenhum deles nos aceitarem, vamos continuar nos vendo e levando a sério o nosso amor – afirmou Yuri, beijando duas vezes cada bochecha avermelhada do menino e, por fim, beijando a sua boca carnuda.
Eles se permitiram ficar naquela mesma posição até que a Yumi bateu algumas vezes na porta e disse:
— Garotos, vamos almoçar? O Camilo resolveu cozinhar para nós quatro.
— A gente já vai, Yumi – respondeu Benjamin se vestindo. – Por que a tua irmã tem que ser tão fofa com a gente?
Yuri riu enquanto se vestia. No momento em que Ben já vestia a sua blusa se lembrou:
— Caralho, eu preciso tomar um banho primeiro. A sua porra ainda está dentro de mim, se esqueceu? – Benjamin ficou tão vermelho quanto um tomate maduro.
— Sem problemas, eu te espero lá embaixo com os outros. Tudo bem?
— Por mim, sim.
Antes de ele entrar no banheiro deu um beijo um pouco demorado no japonês.
— Benjamin, seu idiota, a porta esteve aberta esse tempo todo – gritou Yuri assim que abriu a porta com toda a facilidade e achando graça.
Que otário eu sou. Imagina só se a Nara ou mesmo a Yumi abrisse aquela porta enquanto transávamos? Seria bastante constrangedor, não seria, Benjamin Belucce Furlanetto? Como seria, pensou ele enquanto entrava no chuveiro quente.
Quando ele ficou de costas, sentiu alguém lhe abraçando e empurrando o seu corpo contra a parede.
— Agora, eu tranquei muito bem aquela porta – confessou Yuri, puxando a cabeça do seu namorado para trás e expondo aquele pescoço liso enquanto começava a beijar o lobo da sua orelha esquerda.
Yuri havia entrado no chuveiro sem se dar ao trabalho de tirar as suas roupas. Elas já estavam totalmente encharcadas quando Benjamin as tirou e se abaixou para chupar o pau do menino.
— É a minha vez de conduzir a festinha aqui em baixo. Se vire, meu gostosinho, que eu vou te foder todinho.
O oriental abriu as pernas enquanto sentia a língua do seu namorado invadir o seu esfíncter tão bem relaxado. Logo, foi a vez do pênis ereto do Belucce penetrá-lo devagar ao mesmo tempo em que o menino mordiscava os mamilos do Yuri ao mais poético som do chuveiro quente.
Assim que os dois entraram pela porta da cozinha, a Yumi e o Camilo se entreolharam e começaram a rir baixinho. Eles tinham acabado de falar que o casal deveria ter feito as pazes na cama como todo bom casal deve fazer. O moreno ainda estava se habituando em achar a relação do cunhado com o Ben normal, mas alguns empecilhos culturais e religiosos ainda limitavam essa total compreensão. O menino fazia isso mais pela namorada do que pelo fato de querer aceitar o amor entre dois homens.
Yumi estava muito alegre pela relação dos dois. Como todos sabiam ela era a pessoa que mais fazia questão de que este amor desse certo como aparentemente estava dando. Ela não havia como negar que ver o seu irmão metido numa briga por causa da sua sexualidade não lhe assustava muito.
O medo maior dela era de que aqueles homofóbicos ridículos— como ela mesmo os nomeava – fizessem alguma coisa contra o seu irmão. Ela nunca se perdoaria se algo acontecesse a ele por causa de preconceito ou raiva. Mesmo sabendo que o Yuri se considerava um Samurai inatingível, ela sabia acima disso que a vida real podia ser muito cruel com pessoas homossexuais.
— Benjamin, me ajude a terminar de pôr à mesa enquanto o japa ajuda o Camilo a tirar a comida da panela para aquelas tigelas de vidro ali – disse, empurrando o cunhado para fora da cozinha.
Antes do Ben sair pela porta, o Yuri lhe deu um abraço e um selinho rápido.
— Eu te amo! – sussurrou no ouvido do namorado. Benjamin sorriu sem responder a declaração.
— Ben, eu preciso te dizer que o Yuri não teve muita escolha ontem na festa... quero dizer, aquele loiro filho da puta veio para cima dele com muitas provocações sobre vocês e tal – explicava a Yumi enquanto os dois organizavam os talheres e os pratos na mesa. – Confesso que quase morri do coração quando vi os dois atracados no chão e os seguranças separando eles ao mesmo tempo. Meu Deus, sei lá o que passou pela minha cabeça, mas não foi coisa boa, disso tenho certeza.
Ben ouvia tudo aquilo sem sorrir ou sem expressar qualquer reação. Ele achava incrível como a japonesa sempre estava do lado do irmão – não importando se ele estivesse certo ou mesmo errado.
— Eu sei disso, Yu. O que me deixou chateado a principio foi saber de que vocês foram parar numa delegacia e o Yuri nem para me ligar...
— Ele não queria fazer que tu saísse da sua casa no meio da madrugada e provocasse uma briga desnecessário com os seus pais logo agora que sua mãe voltou para casa.
— É lógico que eu entendo! Eu só pedi pra ele que nunca mais faça isso. Como se sentiria se tudo que o Camilo aprontasse, você ficasse sabendo sempre pelos seus amigos?
A menina franziu a testa sem resposta. Quando ela se preparava para replicar alguma coisa, o Yuri e o Camilo apareceram, carregando algumas tigelas com comida, na sala de estar – que ficava na imensa sacada do apartamento, ao lado da sala de televisão.
Ben percebeu que a cunhada havia ficado sem jeito.
— Vamos tirar uma selfie antes de comer para pôr no Instagram e Facebook – sugeriu o paulista, sacando seu celular do bolso.
— Os dois não tem Facebook ainda, mas tu marca esses putos no Insta mesmo.
Yuri e Benjamin se entreolharam com aquela cara de ela está nos gozando? Depois, eles se juntaram perto da mesa e o Camilo tirou duas fotos para garantir.
— Eu fiquei com uma cara de sonsa, amor. Vamos tirar outra – falou ela, checando a fotografia.
— Bem capaz, Yu – intrometeu-se Ben. – Não precisamos tirar outra foto, não, mas precisamos comer antes de que a comida esfrie.
— Concordo totalmente – garantiu Camilo já se sentando à mesa e afastando uma cadeira ao seu lado para a namorada se sentar.
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