Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
3 Capítulo três - Que festa!
Notas iniciais
A tarde que passaram na praia foi maravilhosa. Os sete amigos optaram pelo Campeche, uma das quarenta e duas praias de Floripa. Em especial lá porque havia um excelente restaurante de porções bem baratas de camarão e bebidas variadas. Estava longe da época de alta nas praias da ilha, mas só que pelo jeito como a praia estava lotada dava para ter a certeza que ninguém quis ficar em casa dependendo apenas do ar condicionado para se refrescar.
O clima entre Benjamin, Yuri e Frederico se apaziguou antes mesmo das seis da tarde, quando foram brincar de A cidade dorme na areia da praia. Lá pelas sete e meia foram embora. O Ben recebeu sua carona até em casa e mais outro pedido de desculpas do Frederico pela brincadeira de mau gosto.
A mãe do rapaz estava preocupada com o filho e enquanto este tomava banho no banheiro do seu quarto, ela entrou no lugar e começou a dar um sermão.
— Não sei que merda esta pensando Benjamin Belucce, mas me deve satisfações de onde anda e com quem. Por que tu não me ligou mais cedo e me contou que iria à praia com seus amigos? E agora já está tomando banho para sair de novo e nem me disse aonde vai novamente. Terei que conversar com seu pai sobre estas merdas novamente.
O rapaz já tampava os ouvidos com sabão, mas mesmo assim todo aquele zumbido insistia em incomodá-lo.
— Me responda, Belucce. Odeio ficar no vácuo. Você é meu filho e me deve respeito dentro e fora da minha casa.
— Se eu respondo sou mal educado, se não respondo sou um grosso. Poxa, mãe, o que a senhora espera de mim? – confessou ao sair pela porta do banheiro com a toalha enrolada na cintura. – Isso precisa mudar... você só pega no meu pé. O Miguel sai quase toda a noite com seus amigos, come a namorada dele dentro da nossa casa e vocês simplesmente tapam os olhos. Cadê a isonomia dentro dessa família?
— Creio que está se encaminhando para o buraco da privada – cuspiu ela, irritada.
Benjamin não sabia nem o porquê daquela discussão à toa. Ele só queria se vestir e cair fora de casa. O seu telefone tocou após receber uma mensagem no seu whats. Não esperou sua mãe sair do quarto para abri-la, o que despertou novamente uma cólera crescente em Marisa. Ela quase tomou o Iphone das mãos do filho e o jogou contra a parede. A mensagem era do Frederico.
“Fred:
ôô seu puto, daqui a quinze minutos já estou passando na sua casa. Então não me faça te esperar na frente do seu condomínio. O seu porteiro é muito mal encarado.
Benjamin:
Fmz, sua biscate!
A Marisa saiu do quarto cuspindo fogo pelas ventas e batendo a porta. Benjamin ignorou o estresse de sua mãe e terminou de se vestir. Colocou um short jeans azul escuro e uma camiseta amarela da Calvin Klein, larga para ele. Não ia se sentir legal durante toda a festa com uma camiseta grudada em seu corpo. Por mais que isso fizesse sucesso com as meninas nas baladas que ia.
Ele prometeu para si mesmo que não beberia demais e que não ficaria com muitas garotas diferentes naquela festa. Repetiu esta promessa de frente para o espelho de parede do quarto enquanto penteava os cabelos castanhos para trás e vestia seu relógio.
Quando desceu as escadas que dava acesso a imensa sala com os sofás caríssimos da mãe e onde ela assistia a um filme romântico que passava na TV, ele se deitou sobre as coxas magras da mulher.
— Mãe, eu te amo. Tu é o meu maior orgulho. Não quero ficar brigando contigo por besteiras. Prometo que tentarei te contar aonde eu for. A começar por agora, estou indo com meus amigos na festa da automação da UFSC do lado do hotel Slaviero, lá na Trindade.
Os olhos azuis da mulher se encheram de lágrimas e depois beijou seu filho apaixonadamente.
— Por que você não sai com suas amigas de São Paulo? Vão para algum barzinho, sei lá. Divirta-se enquanto o pai está no plantão.
Marisa olhou do filho para a bolsa em cima da mesinha de centro, onde seu celular estava e achou aquela uma excelente ideia. É o que ela faria. Ainda eram 21h30 e suas amigas estavam hospedadas na praia dos Ingleses, também no norte da ilha. Quinze a vinte minutos dali.
— Se cuida, filho. Tenho certeza que seu irmão estará lá, não o deixe dirigir embriagado. Você vai com quem?
— O Frederico está vindo me buscar.
— É, realmente você precisa ter o seu próprio carro. Passe naquela prova do DETRAN e lhe comprarei o carro dos seus sonhos. Chega de ficar dependendo dos seus amigos pra tudo.
— Por isso eu te amo, mãe! – disse abraçando e beijando a bochecha da Marisa.
— Só não aceite caronas de alguém que tenha bebido. Entendeu?
— Pode deixar, mãe. Não sou tão louco assim. – Aquilo acalmou a mãe zelosa. – Depois da festa vou posar na casa do Yuri e amanhã de manhã eu venho para casa.
— Se quiser pode almoçar com seu amigo. Eu e seu pai vamos almoçar em um bistrô com vários amigos nossos. Tenho certeza que não vai querer participar das conversas de médicos quase aposentados.
Benjamin sorriu para ela e saiu após seu telefone tocar. Era o Frederico avisando que já estava plantado na frente do condomínio de casarões – onde Ben morava com sua família.
Todos se encontraram na entrada da casa de show onde estava rolando a festa da automação. Havia muitas pessoas ali dentro, evidentemente havia mais jovens do que a casa poderia suportar. O que importava era que a galera da engenharia conseguisse bastante dinheiro para sua formatura no final do próximo semestre.
Yuri já estava bem bêbado quando Benjamin se aproximou e pôs sua mão no ombro do amigo. O japa reconheceu seu melhor amigo e abraçou-o, beijando sua bochecha – Benjamin teve que afastá-lo porque quase recebeu um selinho. O lugar estava mais ou menos iluminado.
Depois Yuri beijou a boca da Fernanda sem notar com quem estava se relacionando.
— Mas que merda o Yuri está fazendo, meu. Ele quase me deu um beijo na boca – disse Benjamin para Arthur.
— O cara já está aqui desde o começo da festa e bebendo todas. Quero ver como vai conseguir dirigir de volta para casa. Ele quase se meteu numa briga com um veterano da automação quando mexeu com a namorada do cara.
— Porra! O japa é foda. Terei que dirigir para ele esta noite. Então já sabe o que isso significa para mim...
— No beer. No party.
— Mas isso não me impedirá de comer alguma boceta nesta festa – garantiu Benjamin, se afastando de Arthur e indo em direção a uma morena, que vestia um micro shorts daqueles que quase se dava para ver a alma da garota.
As suas amigas foram se afastando assim que Benjamin se aproximou o suficiente para colocar suas mãos sobre a cintura da menina.
— Qual o seu nome moça linda?
— Ângela, muito prazer. E o seu, olhos verdes? – A voz da garota soava com um leve tremor. – Você estuda aqui na UFSC?
— Sim, eu estudo – mentiu para ela. – Me chamo Benjamin. – Depois disso foi beijá-la no rosto, mas a Ângela virou seus lábios na mesma direção dos do mentiroso e se beijaram.
Aquele beijo surpreendeu a menina que se sentiu sem fôlego em poucos segundos. Benjamin era ligeiro, foi logo beijando seu pescoço e orelhas – aquilo deixou a menina em desespero. Ela se sentiu pegando fogo em meio a todos aqueles estranhos.
O beijo do menino de cabelo castanho claro, que brilhava com o reflexo da luz que partia da mesa do DJ, estava demais. Logo começou a beijar outras partes do corpo da moça, agora beijava os seus seios, apenas contornando os mesmos com a língua umedecida. Quem disse que alguém estava ligando para aquela putaria? Ou estavam se pegando ou bêbados o suficiente para não perceberem aquilo.
As mãos da garota invadiram a cueca de box do Benjamin, agarrando seu bumbum definido e por fim se locomovendo até o seu pênis semi ereto, que encheu a mão da Ângela.
— Você tem camisinha? – perguntou ela, parando de lhe beijar.
— Se eu tenho camisinha? – Ele se fez aquela pergunta, buscando se lembrar. Putz, ele havia se esquecido de reabastecer a sua carteira com camisinhas. Mas como pôde se esquecer disso? – Me deixa pegar com algum amigo meu. Não saia daqui, linda.
Ele se voltou para a multidão, que dançava enlouquecida na pista, em busca de algum conhecido. Não encontrou ninguém ali por perto.
Onde estão todos, porra? Justamente quando mais precisamos de uma mão amiga, elas desaparecem? Droga! Caralho aquele é o Yuri? Porra! (seu amigo estava caído próximo de uma caixa de som, totalmente vomitado).
— Porra, japa, que merda é essa? – Benjamin se ajoelhou ao lado do amigo, tentando limpar a boca do japonês com a camiseta do inconsciente. Não podia deixar um irmão seu na mão. Que se dane a foda que estaria perdendo, agora precisava levar o Yuri para casa.
Pegou um copo de água mineral gelada do bar e jogou na cara do amigo, lavando todo vomito e meio que despertando o rapaz. Que agora começou a se mexer e a xingar aleatoriamente.
— Nunca mais vou te deixar tomar um porre desses, seu puto do caralho – disse aquilo levantando seu amigo, o apoiando sobre seu ombro sarado. Benjamin forçou o outro a dar alguns passos em direção à porta.
— Cara, este é o Yuri? – perguntou um desconhecido abraçado com sua namorada.
— É sim. Ele tomou um porre daqueles e agora vou levá-lo para casa.
— Eu te ajudo a carregar ele até o carro. – A namorada do ruivo fez uma careta de para ele ao se afastar da morena. – Ele estuda comigo aqui na UFSC. Prazer o meu nome é Eduardo.
— Orra, mano, valeu de verdade. Eu sou o Benjamin. Em outras circunstâncias estenderia a minha mão para cumprimentá-lo, mas ela está cheia de vômito desse puto.
Os dois saíram do prédio. Benjamin reconheceu o carro do seu amigo do outro lado da esquina, próximo da entrada da UFSC, perto da igrejinha. Ele colocou a mão nos bolsos do japa em busca das chaves e só as encontrou no bolso traseiro da sua bermuda. Destravou o carro e com a ajuda do Eduardo colocou o quase desmaiado no banco do passageiro ao lado do motorista.
— Velho, valeu de verdade pela sua ajuda. Pode deixar que daqui pra frente eu conduzo este puto pra casa. – Ele se esqueceu de que sua mão estava suja e apertou a do desconhecido.
— Magina, quiridú. Abraço. – E se afastou do carro.
Benjamin entrou no automóvel e colocou o cinto no amigo e junto deu um soco no peito do japa.
— Olha só o que você me faz passar, lazarento. Eu te odeio por isso.
Ele saiu com o carro e tomou a Rua Lauro Linhares em direção ao centro. Estava com medo de que algum guarda os parasse em uma blitz. Se fosse parar na delegacia por causa do seu amigo, sem dúvidas o mataria assim que seus pais pagassem sua fiança.
A Avenida Beira mar estava deserta, só havia pessoas no calçadão; bebendo e comendo. Quando um carro da polícia passou ao seu lado, Benjamin pensou que iria se cagar todo na calça. Ficou aliviado ao avistar o portão de vidro do prédio onde Yuri morava.
Abriu o portão com o controle remoto dentro do carro e estacionou ao lado dos carros dos pais do japonês. Agora se perguntava como carregaria o amigo até a cobertura. Agarrou o amigo pela axila e com muito esforço conseguiu arrastá-lo até o elevador. Lá dentro, o japa despertou novamente, sem muita noção da realidade e começou a apertar o tríceps e o bíceps do amigo.
— Para de me apertar, porra – reclamou, vermelho de ódio.
Quando o elevador parou na frente do pequeno corredor que dava acesso ao único apartamento do andar, Benjamin teve o trabalho de encontrar a chave certa que abria a porta. Depois apertou os interruptores que acenderam todas as pequenas lâmpadas da sala em cascata até o topo da escada.
Ele chamou pelo nome da empregada, mas com certeza, ela não estaria mais ali à meia noite de um domingo. Então, respirou fundo e pegou seu amigo no colo, isso mesmo, no colo. O seu amigo não forçou muito os seus braços e tronco, mesmo com 1,85 m. de altura e aproximadamente 80 kg de músculos bem distribuídos. Ele carregou o outro como se transportasse a sua noiva até o quarto para a noite de núpcias e depois o jogou na cama e acendeu as luzes do lugar. Foi até o banheiro do quarto e mudou a temperatura do chuveiro para o mais frio e tirou sua camiseta e shorts – ficando apenas de cueca preta de box.
Depois tirou a camiseta com vômito do seu amigo e tirou seus tênis e abriu o zíper do short do japa e abaixou-o em seguida, quase tirando a cueca branca de box do Yuri junto.
— Agora vou te dar um banho, filho da puta. Te odeio por ter chego a este estado de mico para ambos – reclamou, apoiando Yuri em seu ombro.
Benjamim seguiu com o amigo para dentro do box do banheiro e lhe colocou debaixo do líquido gelado, que como em um choque fez o japa arregalar os olhos e enrijecer os pelos do corpo todo e até mesmo arrepiou o amigo prestativo.
— Cara, o que está acontecendo? – perguntou Yuri, ainda fora de si e embriagado. – Onde estamos?
— Vai se foder, nós estamos na sua casa. Tive que te trazer para cá depois de cair bêbado no chão daquela porra. Agora estou te dando um banho gelado para acordar e se virar sozinho.
O Yuri nem conseguia abrir direito os seus olhos puxados. Segurou seu amigo pela cintura bem apertado e beijou-o na boca. Benjamin estava com os lábios abertos no momento e sentiu a língua úmida do outro invadir sua boca. Não sabia o que fazer, apenas empurrou o Yuri para trás, aquilo fez com que o Benjamin escorregasse no box e caísse no chão, de costas. Quase quebrou os vidros do box, se não fosse é claro pelo espaço da porta aberta por onde caiu.
Caralho, nunca mais vou deixar esse puto encher a cara. Até beijo de língua eu ganho. Porra, que merda foi esta, cara.
O japa estava bêbado o suficiente para nem perceber o tombo que o outro levou por sua causa. O Benjamin cortou seu cotovelo ao cair no piso gelado do banheiro. Levantou-se e chacoalhou o amigo, querendo que ele recobrasse a consciência.
— Para com isso, porra! – pediu Yuri, saindo por livre e espontânea vontade do box e tirando sua cueca para se secar. Deixando suas nádegas brancas bem na cara do amigo caído.
O Benjamin estava absorto com tudo aquilo, de repente o outro conseguiu sair do box sozinho e ainda foi se secar. E aquele beijo de língua, o que foi aquilo? Será que o bêbado sabe quem ele beijou? O menino de olhos verdes demorou um pouco para conseguir sair do banheiro. Tentando se recuperar de todo o susto que sofreu há pouco.
Ao sair do banheiro, Yuri estava tentando se encarar no espelho, mas o efeito do álcool ainda não tinha passado.
— Por que você me trouxe pra casa? Por que não me deixou caído lá?
— Tu tá louco, japa. Tu é meu melhor amigo, nunca faria isso com você. Inclusive perdi uma transa por sua culpa. Agora me deve uma foda, pode crer que não vou me esquecer dessa porra.
Yuri tentou encontrar com os olhos o seu amigo no quarto, mas só o que conseguia ver eram vultos distorcidos.
— Quer me dar o seu cu? Daí a gente fica de boa de novo. Eu como ele bem gostoso, prometo.
Benjamin sentiu um solavanco bater contra seu peito. Não havia escutado aquele convite. Ele tinha certeza que nunca mais deixaria seu amigo tomar tantas bebidas alcoólicas a partir daquela noite. O japa tinha enlouquecido por causa do álcool em sua corrente sanguínea? Ou havia se drogado enquanto Benjamin estava com aquela garota?
— Vá se foder, japa. Vê que vai dormir para acordar sem esse efeito maldito do álcool. Que sua mãe iria pensar se o visse neste estado deplorável?
Yuri se deitou de bruços na cama e perguntou:
— Então por que você não come o meu rabo e cala a boca? – Benjamin não acreditou naquilo, viu seu amigo começar a baixar o calção de futebol, mostrando a poupa do seu bumbum. O pior que ao ver aquilo seu pênis começou a se levantar dentro da cueca molhada. Ele se apressou e impediu aquilo. Segurou a mão do japonês com muita força.
— Cara, não vê os absurdos que você está me dizendo? Você está de porre, seu filho da puta. Vai dormir agora. Chega dessa merda toda. Quando voltar a si vai querer se matar por ter dito essas paradas.
Depois de alguns minutos, tentando controlar os absurdos que o japa estava dizendo, os rapazes dormiram na mesma cama. O Yuri apagou primeiro enquanto o outro demorou um pouco mais para conseguir pegar no sono. Seu amigo havia bebido tanto que em uma única noite, beijou-lhe de língua, quis comer seu cú e também dar o rabo. Isso era demais para o garoto.
No outro dia a ressaca do japonês seria de matar. Benjamin tinha certeza daquilo. Além de que faria o japa pagar um mico daqueles quando acordasse sóbrio. Porque ele gostou do beijo e do convite feito por seu melhor amigo? Isso deveria ser o efeito do tesão que a Ângela lhe deu na festa.
Quando acordou na manhã seguinte, o japonês não estava na sua cama. Benjamin demorou um pouco para sair da cama e viu o relógio digital da cabeceira do amigo marcando 09:40 da manhã. Era um milagre estar acordando tão cedo sem a ajuda de um despertador, mas também pondera, foi para cama antes das duas da madruga. Por causa do seu amigo, nem conseguiu curtir uma hora na festa.
Ele foi mijar no banheiro do amigo. Ele dormiu só com a sua cueca molhada, que naquela altura já estava um pouco seca. Vestiu sua camiseta jogada na porta do banheiro e tirou a cueca molhada, vestindo apenas seu short.
— Yuri... Yuri... Onde você está? – gritou enquanto descia para a sala vazia. A porta de vidro que dava acesso à piscina do amigo estava aberta.
Quer ver que o maluco pulou daqui de cima enquanto ainda estava embriagado.
— Aí está você seu japa alcoólatra. O que está fazendo aqui? – brincou ele, ao ver seu amigo sentado perto da piscina, com suas pernas dentro da água.
— Ben, eu acho que exagerei na noite passada. Fiz e disse tanta coisa estúpida.
— Sério? Nem havia percebido.
— Tu me trouxe sozinho para cá?
— Sim. Você estava muito bêbado para sair com seu carro e vir sozinho para casa. Tive que te dar um banho. Por isso preciso de uma cueca emprestada para poder ir embora.
Yuri desviou o seu olhar do horizonte e encarou seu amigo de pé, junto à piscina. Não sabia nem o que dizer ao garoto.
— Eu te magoei com as bobagens que eu te disse? Por favor, seja sincero comigo. Não foi esta minha intenção. Estava bêbado demais da conta.
— Cara, relaxa, eu sei que você estava sobre o controle do álcool, nem se preocupa. Eu já me esqueci de tudo. De tudo mesmo. Até porque isso me deixaria com pesadelos por semanas. – E riu do que havia dito. Yuri se conteve para não rir.
— Eu tentei te beijar duas vezes só ontem, certo?
— Na última você conseguiu me pegar de surpresa e me dar um beijo de língua, seu puto. – Benjamin parecia sob controle e lúcido.
— Não sou um viado, eu só bebi demais e comeria qualquer coisa. Sei lá. Isso nunca tinha me acontecido antes.
Benjamin não acreditava que estava tendo uma conversa daquelas com seu melhor amigo. Até parecia que haviam transado e estavam procurando uma solução para aquilo. Yuri estava muito bêbado para manter sob controle as suas emoções e a suas palavras. Agora o Ben esteve consciente durante toda aquela besteira, já que sequer bebeu um copo de cerveja.
— Yuri, eu nunca achei que fosse gay e nunca disse isso. Você estava muito bêbado e admiro saber que se lembra de todos estes detalhes porque eu jamais conseguiria me lembrar de uma cagada dessas se eu tivesse bebido tanto quanto você. – O japa ficou mais tranquilizado com as palavras do amigo. – Mas confesso que estava com tanto tesão porque ia transar com uma garota na festa antes de te encontrar apagado que achei tentador o seu convite e a sua língua dentro da minha boca.
O japonês fez uma careca após seu amigo brincar com a situação. Ele não acreditava que pôs sua língua dentro da boca de outro homem. Que coisa abominável, achou ele.
— Se tivesse acontecido isso com algum pervertido, tenho certeza que nestas horas seu cu não seria mais virgem – caçoou Benjamin, se matando de rir.
— Vai se foder, Ben. Agora vamos mudar de assunto e tomar um café da manhã. A Akiu não trabalha mais nos fins de semana, então teremos que comer o que tiver dentro dos armários.
— Confesso que estou com bastante fome depois de ser babá de um marmanjo de dezoito anos. Deveria ter gravado tudo para te chantagear para o resto da sua vida.
— Vai se foder, Benjamin!
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