Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.

4 Capítulo quatro - Eu vou estar sempre aqui


Notas iniciais
Vocês já fizeram alguma merda que se arrependeram logo em seguida? Neste capítulo, Ben está muito triste por causa de ter ido mal no vestibular e seu amigo, Yuri, vai consolá-lo e algumas coisas acabam fugindo do controle deles. Pondo em risco aquela forte amizade.

O início da semana se passou como um raio que cai no horizonte, tão rápido e apavorante. Depois de sair da casa de Yuri, Benjamin não voltou a falar sobre o acontecido naquela madrugada de domingo – mesmo quando seus amigos lhe cobraram explicações pelo desaparecimento dos dois. O menino de olhos verdes apenas contou o que se passou com o amigo e como o levou para casa. O resto foi deletado de sua memória.

A semana foi tão corrida por um motivo: as revisões para a ACAFE. O vestibular seria no próximo domingo e o Benjamin decidiu se trancafiar em casa todos os dias da semana após assistir a suas aulas pela manhã – quebrando o rito de estudar com os amigos no cursinho no contraturno. Não queria perder o foco faltando tão pouco para seu primeiro desafio do ano.

Ele e o Yuri trocaram apenas algumas mensagens durante a semana. O japa lhe passou algumas dicas para se concentrar na prova e arrasar na redação. Yuri também estava bem pilhado por causa da sua penúltima semana de aulas do primeiro semestre – teve que enfrentar três provas naquela semana: uma de anatomia, outra de bioquímica e mais uma de biohell (trocadilho que usavam para biocel).

Os pais de Benjamin decidiram lhe conceder um espaço para se concentrar melhor e ficar livre de discussões familiares. Até o Miguel se compadeceu do irmão e tentou ajudá-lo explicando alguns tópicos difíceis de física e de matemática – já que fazia engenharia mecânica mandava muito bem nessas disciplinas.

O domingo tão temido chegou. O menino de olhos verdes não quis nem tomar café ou mesmo almoçar antes de seu pai dar carona para ele até o local da prova. Ele ficou em uma das salas das dependências do colégio Aplicação, que fazia parte da UFSC e que ficava no mesmo campus lá na Trindade. O Arthur também caiu no mesmo colégio do amigo, ambos combinaram de se encontrar na frente do Aplicação às 11:30. A prova só começaria às 13 horas.

O trânsito próximo da universidade já estava um caos e aquilo novamente estressou o jovem vestibulando. Seu pai lhe desejou boa prova assim que parou em frente ao colégio e o rapaz desceu do automóvel. Na entrada do Aplicação estava o Yuri com um sorriso bem largo e apontando o relógio a fim de provocar o amigo. Esta era a primeira vez que se encontravam desde quando saiu da casa do japa no último domingo.

– Pensei que você perderia sua prova, seu puto – disse Yuri, abraçando seu amigo. Ele vestia o moletom vermelho de medicina da sua atlética: AAAMEDUFSC. O dia estava um pouco frio, mesmo com o sol brilhando lá no alto.

– Tu é mesmo um exagerado, japa. Ainda não é nem meio-dia. Quem está atrasado é o mané do Arthur. Havíamos combinado aqui às onze e meia da manhã e pelo jeito ele não chegou ainda.

Os dois olharam em volta para ver algum sinal do menino carioca, mas em vão. Benjamin olhou na tela do seu telefone para ver se recebera alguma mensagem do amigo, só que não.

– E você, japa, o que veio fazer aqui? Não me diga que quer fazer vestibular com a gente também.

– Ué, eu preciso de motivos para acompanhar meus amigos em um vestibular? Onde ficaria a parceria se eu virasse as costas para vocês só porque estou na faculdade agora?

Benjamin sorriu e apertou a mão do seu amigo após ouvir aquilo.

– É por isso que tu é o meu melhor amigo, japa. E as suas provas, já está de boas em todas?

– Acho que sim. Esta semana será de recuperação e de apresentações dos trabalhos da facul. Só preciso ir mesmo por causa da chamada nas aulas de fisiologia e habilidades de comunicação.

– Cdf do caralho! Já sabe que vou querer todos os seus resumos quando for seu calouro.

– Tu não será meu calouro direto, afinal eu entrei no primeiro semestre. Vai ser calouro do precoce.

– Foda-se esta tradição da UFSC. Eu não quero nem saber, quero seus resumos ou vou acabar com quem tivê-los. – Os dois riram logo em seguida.

Os portões foram abertos ao meio-dia e vinte e, ainda não havia nenhum sinal do Arthur. Benjamin estava preocupado com o amigo, ligou em seu celular, só que as chamadas caíram direto na caixa de mensagem.

– Porra, o que aconteceu com ele? Ele nunca iria perder um vestibular pra medicina – comentou Benjamin, ligando para a casa do amigo. Desta vez, chamou várias vezes antes de cair na caixa de mensagem.

– Ben, você precisa entrar, agora já é quinze para uma. Os fiscais vão fechar os portões daqui a cinco minutos. Deixa o Arthur pra lá. Ele sabia os horários da prova antes de pagar a inscrição para fazê-lo.

O menino de olhos verdes sabia que o japa estava certo, contudo não ficaria tranquilo em saber que Arthur se dedicou tanto quanto ele para aquele vestibular e o perderia.

– Boa prova, Ben. Fica tranquilo que a prova vai ser sua e de mais ninguém. Pode crer que vai dar tudo de boa hoje. – Após falar aquelas palavras de incentivo, os dois amigos se abraçaram bem forte. Benjamin sentiu o Yuri fungar bem forte sobre seu pescoço antes de soltá-lo.

Seu amigo não devia estar bem, parecia estar muito sentimental desde a última semana. Benjamin achou que o Yuri deveria pegar algumas gurias para se aliviar do estresse do final de semestre, que sem dúvidas estava sendo difícil e pesado. Quando entrou na porta do prédio do Aplicação, olhou para trás e viu o japa se afastando com as mãos nos bolsos e olhando baixo.

Logo os portões foram fechados pelos fiscais. Agora já era tarde demais para o Arthur. Ele teria que esperar até o próximo vestibular da ACAFE, só em novembro. Benjamin entrou na sala abarrotada de concorrentes e sentiu um frio na barriga ao ouvir as instruções da prova lidas pelos dois fiscais.

Depois que foi dado início o tempo de resolução das questões, Benjamin respirou fundo por alguns instantes e começou a resolver o que sabia. No meio da prova seu pensamento divagou e se pegou pensando que talvez tivesse que conversar com o Yuri. Quem sabe ele estivesse precisando de ajuda e por isso andava tão esquisito nesses dias. Quem sabe a faculdade estava lhe exigindo demais, ou pior ainda, quem sabe o japa está apaixonado por alguma menina que não está o correspondendo?

Não ia gostar de ver seu melhor amigo sofrendo por amor. Isso seria a pior coisa, ainda mais porque Benjamin nunca assumira um namoro sério antes e então não seria uma pessoa idônea para aconselhar alguém.

Caralho... presta atenção nesta prova, otário! Eu vou me ferrar com estes números complexos da porra.

...

Yuri estava tomando o café da tarde com os pais em seu apartamento quando viu na tela do seu celular duas chamadas perdidas do número do Benjamin e mais um ícone de mensagem no topo da tela do Whatsapp. Também era do seu amigo de olhos verdes.

Benjamin:

Cara, eu preciso falar contigo. Estou muito chateado e não queria pedir pro meu pai vir me buscar, será que pode me pegar aqui?

Yuri:

Onde você está? Ainda está no aplicação?

A mensagem não demorou a ser visualizada e logo abaixo do nome do amigo apareceu: escrevendo...

Benjamin:

Eu estou andando sem rumo pelo campus da UFSC. Acho que estou perto da BU. Não quero encarar os meus pais hoje. Quero ficar perdido aqui para sempre.

Yuri:

Caralho, mano. Me espera aí mesmo. Nada de sair da frente da bu até eu chegar, você me entendeu? Nada de sair daí.”

O japa não esperou nem dois segundos e saiu correndo da mesa, pedindo desculpas aos pais e dizendo que precisava resolver algo de extrema urgência. Não quis mencionar o que de fato estava acontecendo. Até porque seu pai não o permitiria sair correndo daquela maneira nem para salvar sua própria irmã em São Paulo.

Yuri ficou muito preocupado com o amigo – enquanto dirigia, visualizava a tela do seu Iphone a cada cinco minutos na esperança de ter recebido alguma mensagem do Benjamin e por alguma configuração do aparelho não ter recebido a notificação. O japa estacionou próximo da BU da UFSC – a biblioteca que tanto frequentava – e seguiu na direção oposta do seu carro.

No lugar tinha alguns pais esperando por seus filhos vestibulandos. Os olhos puxados não conseguiu ver seu amigo em nenhuma direção que olhava. Será que já tinha chego tarde demais e o Benjamin tinha decidido ligar para outro amigo? Ele seguiu por um corredor de passagem dos pedestres entre árvores gigantescas e viu seu amigo cabisbaixo, sentado em um banco de concreto.

– Ben... está tudo bem? – Mas que trouxa eu sou, porque fui perguntar isso, se ele estivesse bem não me mandaria uma mensagem em prantos.

O menino levantou seus olhos cheios de lágrimas e se levantou para abraçar o japa. Um abraço forte e másculo. Só que não daqueles rápidos e sem importância. Yuri fez questão de se mostrar presente através do contato de peles e tecidos. Algumas pessoas que passavam olhavam curiosas para ver o jovem de cabelos castanhos em lágrimas, porém só por curiosidade mesmo, afinal ninguém sequer parou para perguntar se ele precisava de ajuda.

– Me diga, Ben, o que está acontecendo? Por que você está tão triste? Alguém te fez alguma coisa? – perguntou sem perder o contato do abraço. O amigo soluçava e buscava deixar seus lábios livres do ombro de Yuri em busca de ar. O japonês era um pouco mais alto do que ele.

Como o amigo não respondeu, Yuri fez com que ele se sentasse novamente no banco e se sentou ao lado dele, se voltando de frente para o Benjamin, que continuava com os olhos baixos. O japa endireitou a coluna do outro segurando e empurrando seu ombro para trás e com a outra mão livre levantou o rosto branco do amigo.

– Que está acontecendo com você?

– Eu... eu... estou ferrado! Meus pais vão me matar e não vão querer mais me apoiar em nada.

A testa do japa se franziu e seus lábios se contorceram. Ele já sabia o que seu amigo queria dizer com aquilo.

– É o vestibular, né?

Benjamin olhou dentro dos olhos do amigo e assentiu com a cabeça. Sentia vergonha até de seu melhor amigo. Imagina só quando ficasse de frente com seus pais e o irmão.

– Tu tá louco em entrar em desespero por causa de um lixo de prova? Ben, você é um cara esforçado. É normal levar pau no vestibular, ainda mais na realidade do curso que você quer tanto.

– Pra você é fácil falar, passou na primeira tentativa. Eu tenho que lidar com as pressões dos meus pais e a minha família por causa do meu fracasso nos vestibulares do ano passado.

– Foda-se todos eles. Cada um tem seu tempo para passar e outra, como tem certeza que foi mal nas provas de hoje? Agora o resultado é instantâneo como o miojo?

Benjamin quase riu daquele comentário e o Yuri percebeu. Isso já foi o suficiente para empolgar o japa.

– Japa, eu terei que chegar em casa e todos lá vão me perguntar sobre cada detalhe e eu não quero mentir pra eles. Meu pai vai jogar na minha cara que está jogando dinheiro fora com o cursinho e com as inscrições dos vestibulares. Não vou ter cara de encarar o Frederico, o Arthur e a Bárbara na sala de aula.

– Mas por quê? O Frederico é a pessoa mais desinteressada que conhecemos. O Arthur perdeu a prova por idiotice, tenho certeza, e o que dizer da Bárbara? Ela se acovardou no ano passado ao desistir de medicina pela pressão toda que é tentar o curso – afirmou Yuri, ainda com a mão direita sobre o ombro do amigo. Agora ele já tinha se acalmado um pouco e parado de chorar copiosamente.

– Japa, eles não importam tanto, agora meus pais sim...

– Os seus pais têm o orgulho de ter um filho querendo seguir a mesma profissão deles ao contrário do seu irmão. Eu sei disso porque minha mãe é paciente da sua e me disse que ela não para de se gabar sobre você. Sobre como é um vitorioso em não desistir da medicina por causa de um vestibular mal sucedido. A minha mãe queria que eu ou a Yumi tivéssemos escolhido o direito assim como ela, mas não, a gente cursa medicina. Isso foi decepcionante para ela no começo.

– Mesmo assim não conseguirei olhar na cara deles e dizer: bombei mais uma vez, desculpa por jogar fora toda sua confiança e dinheiro. Não vou conseguir fazer isso de novo.

– Então tu pode posar lá em casa. Meus pais nunca se importariam com isso e amanhã eu te levo pra casa antes de ir para a faculdade.

– Bem capaz! Isso não mudaria muita coisa, japa. Terei que voltar para casa algum dia e contar o meu insucesso aos meus pais. Só não queria que eles viessem me buscar aqui por isso liguei para você.

– Benjamin, eu sempre estarei aqui com você, pode sempre contar comigo ao seu lado. Cara, tu me levou para casa quando eu tomei o maior porre de todos na minha vida. – Aquilo fez o menino de olhos verdes ter arrepios e voltar a lembrar-se do que quase aconteceu naquela madrugada. Por que ele tinha que tocar naquele assunto?

Passado algum tempo, o Yuri estava levando o amigo para casa em seu carro. Ele conseguiu convencer o Benjamin que não faria mal algum ele faltar um dia de cursinho para pôr a cabeça no lugar e voltar a se focar no seu principal objetivo que era entrar na UFSC.

– Não quer parar para comermos algo por aqui? – perguntou Yuri ao entrar em Canavieiras, a região do norte da ilha com belíssimas praias e bons restaurantes.

– Me desculpa, japa, só que hoje não estou com cabeça para nada disso. Você pode ficar lá em casa e comer antes de voltar para a sua casa. Ou quem sabe pode posar na minha.

– Não, isso não vai dar certo. Amanhã tenho duas aulas chatas que contam presença e se eu não for, a professora pode me dar nota baixa no trabalho que tenho que apresentar. Ela é muito vingativa. Tirou quatro pontos da média da Fernanda só porque ela faltou para estudar para a nossa prova de fisiologia no mesmo dia da aula dessa professora.

– De boa, então. Mas pelo menos entre e fique um pouco lá comigo. A gente pode jogar no X-box. Sei lá, na verdade – disse Benjamin assim que o carro do amigo entrou no condomínio.

Quando os dois entraram no sobrado, notaram que a casa estava no absoluto silêncio. Logo sabiam que estavam sozinhos. Isso daria ao dono da casa mais tempo para pensar sobre como enfrentaria os pais mais tarde.

– Mãe...? Pai...? Miguel...? – gritou só para se assegurar. – Vamos para a cozinha ver o que tenho na minha geladeira.

Yuri sorriu, gostara da ideia. Afinal comeu quase nada com os pais, já que teve que sair correndo atrás do amigo.

– Japa, eu tenho um bolo de prestígio aqui. Vamos ter que comer ele, não tem nada melhor lá dentro. O pior é que não sei desde quando este bolo está socado lá – mentiu. Sabia que o bolo fora comprado na tarde passada pela mãe para o café.

– Que seja! A gente tem uma caganeira juntos e está tudo bem. No máximo vamos parar no HU e ser atendido pela sua mãe.

– Seu puto, a minha mãe é uma ginecologista.

Os rapazes começaram a rir do momento. Yuri ficou melhor ao ver seu amigo rindo como se não tivesse ficado triste com aquele vestibular maldito. Fazer ele se esquecer brevemente da tarde que passou dentro de uma sala com centenas de concorrentes já valeu muito a pena.

– Vamos ter que tomar leite ou suco de laranja. Meus pais nunca compram refrigerante para a gente.

O japa apontou com seu indicador a caixinha do suco de laranja, e o outro serviu-lhe com um copo cheio da bebida.

– Quando for médico, juro que não proibirei meus filhos de comerem bolacha recheada, tomar coca ou beberem seu álcool de cada dia – caçoou o japa, com um sorriso escancarado.

O Benjamin nunca tinha notado que o sorriso do seu amigo era lindo, os seus lábios não eram muito carnudos, mas também não eram muito finos como os de uma moça.

– Que você está olhando, seu puto? – indagou o japa, mudando sua expressão. – Não me diga que está tendo fantasias com a minha boca?

O menino de olhos verdes riu e mostrou o dedo do meio para o outro.

– Vai se foder, japa do caralho. Eu nunca teria fantasias com essa boca de sapo.

– Boca de sapo? Mas que porra é essa agora? – perguntou Yuri, com a boca cheia de bolo e os lábios lambuzados com chantilly. Fez aquilo de propósito e depois caíram na gargalhada.

– Vamos lá pro meu quarto jogar videogame?

Yuri pareceu analisar o convite e olhou para o relógio no pulso em seguida.

– Vou ter que deixar para a próxima. Tenho que ir para casa. Já são oito da noite e estou bem cansadão.

– Orra, tu vai lá me buscar e depois quer me deixar sozinho de novo. Se amanhã eu sair em uma manchete do Catarinense (jornal do estado) não esquenta, ninguém saberá que esteve comigo e me abandonou quando mais precisei.

Ele fez uma cara de coitadinho, estilo o gato de botas do Shrek.

– Coitado do meu amigo... Ele tá na deprê... Tá na fossa! – brincou Yuri, tentando fazer cócegas no abdômen do amigo que estava apoiado no balcão do meio da cozinha.

Benjamin por instinto tentou fugir daquilo e subiu com a ajuda de suas mãos e glúteos no balcão – isso fez com que Yuri ficasse entre suas pernas torneadas. Aquilo encheu-lhe de tesão, sentiu seu pênis ser tomado pela pressão sanguínea e levantar seu colega dentro da cueca. Torceu para que o outro não tivesse percebido aquilo, mas seria um retardado se não. O pau do amigo estava próximo demais da sua virilha e se destacou na superfície da calça jeans clara.

– Caramba, Ben, eu sempre consigo fazer isso contigo, seu puto. – Yuri deu um tapa de leve no pênis alheio que vibrou com o estímulo enquanto sorria com uma expressão bem safada. O japa adorou provocar seu amigo daquela forma, mesmo não acreditando que havia tocado em um pau que não fosse o seu.

– Vai se foder, japa. Cai fora! – disse empurrando o amigo para o lado, pressionando sua coxa esquerda. – Isso tudo é porque eu não transo já faz um mês e você cortou o meu barato com aquela menina na festa por ficar apagado no chão como um mendigo fedido.

– Isso será resolvido na próxima sexta. Eu tenho que te convidar para a festa de despedida do semestre lá no Life Club, organizada pelos meus veteranos do quarto período. O bom é que fica aqui mesmo no norte da ilha, nem vai precisar ir muito longe.

Benjamin já estava de volta com os pés no chão e o volume dentro da sua cueca tinha se reduzido. Ele olhou para o amigo que continuava com aquele sorriso safado no rosto.

– Pra que eu vou ir nesta festa, só para ficar de babá de um marmanjo de dezoito anos? Quer uma babá particular? Peça pros seus pais contrataram uma, mané.

Yuri riu alto e tomou um copo de suco.

– Ben, eu estou pensando pelo melhor do seu amigo aí embaixo. Para conseguir extravasar todo esse sêmen acumulado no seu saco.

– Vai tomar no seu cú, japa do caralho – disse na retranca. Já se arrependia de ter feito o comentário que levou seu amigo a toda aquela babaquice.

– Ben, tu precisa bater umazinha de vez em quando para não ficar excitado a qualquer toque. Imagina só tu atendendo uma paciente no hospital e só por tocar sem querer nos peitos dela ficar duraço daquele jeito.

O rapaz empurrou o japa e deu um soco bem forte no seu peito. Yuri sentiu muita dor com aquele soco; primeiro esquentou e depois ficou latejando.

– Pelo menos eu não fico me masturbando em locais públicos igual a um tarado do trânsito – devolveu, e saiu em direção às escadas. Antes de subi-las, olhou para trás e gritou: – Vá se foder, Yuri. Pode ir pra sua casa e me deixar em paz.

O menino de olhos verdes bateu a porta do seu quarto e pulou de bruços na cama. Os seus olhos estavam cheios de lágrimas. Estava sentindo muita raiva do amigo como nunca havia sentido antes.

Yuri abriu a porta do quarto minutos depois, não podia ir embora sem pedir desculpas. A sua brincadeira tinha ido longe demais e não deixaria o outro com ódio dele enquanto simplesmente voltava para casa.

– Ben... Ben... – chamou sem ser respondido. O amigo continuava com a barriga e rosto voltados para o colchão. – Eu tava só brincando contigo. Não quis te encher com as minhas piadas. Me empolguei porque vi que tu tava bem melhor do que na hora que te encontrei lá na UFSC. Prometo de dedinho, se quiser, que não farei mais piadinhas tão sem graça.

O rapaz não respondeu. Yuri se deitou ao lado de Benjamin e pôs seu braço ao longo do tronco do chateado e o segurou firme, aproximando mais os seus corpos.

– Não fica assim comigo, sério. Sabe que sou um otário de vez em quando.

– Só de vez em quando? Tem certeza disso? – O Benjamin virou a sua cabeça na direção do japa e se aproximou mais um pouco daquele rosto claro. Sem expressar qualquer reação os dois se beijaram de leve. Um beijo que se aprofundou à medida que suas línguas se tocavam. Um legitimo beijo de língua. As suas línguas úmidas ficaram ali em contato por vários segundos. As mãos do japa já estavam entrelaçadas no pescoço e cabelos do amigo. Benjamin sentia um arrepio percorrer toda sua coluna. Bem diferente de tudo que já sentira até o momento.

O tesão tomou conta dos corpos dos dois, mas foi de repente quebrado ao ouvirem uma voz feminina gritar:

– Meninos... Onde vocês estão? – Era a mãe do Benjamin, ela estava subindo as escadas para a sorte dos dois.

Os dois se empurraram simultaneamente e sentaram-se na cama envergonhados do que acabaram de fazer. Logo, Marisa irrompeu no quarto que estava com a porta aberta, esboçando um largo sorriso.

– O que aconteceu, meninos? Por que estão tão quietos? – perguntou a mulher ao notar que nenhum deles abriu a boca para respondê-la de início.

– Onde você estava, mãe? Eu já estava querendo te ligar – disfarçou Benjamin, desviando os olhos para o amigo, que não esboçava nenhuma reação. Os olhos puxados estavam diretamente sobre a Marisa.

– Querem comer alguma coisa? Eu posso preparar em meia hora alguma coisa deliciosa para vocês.

– Pra mim não precisa, dona Marisa. Eu já preciso ir embora, está ficando muito tarde – comentou o japa, vendo em seu relógio que já eram quase dez pras dez da noite.

– Posa aqui, Yuri – pediu Marisa, olhando para o filho, na intenção de que ele também reforçasse o convite. – Pra que dirigir à uma hora dessas? Liga pra tua mãe e diz que está aqui, se preferir eu mesmo ligo.

– Não será preciso, dona Marisa. Eu preciso ir mesmo. Amanhã cedo eu tenho que ir para a faculdade e meus materiais estão todos lá em casa. Mesmo assim obrigado.

– Você que sabe então. Vou deixá-los a sós – respondeu ela, toda simpática, fechando a porta do quarto.

– Eu preciso ir embora – anunciou Yuri e quando estava se levantando foi puxado para a cama.

– Yuri, tu não pode sair assim depois do que aconteceu. A gente precisa conversar sobre a merda que acabamos de fazer.

– Não tenho nada para falar sobre isso. Eu preciso mesmo ir, Benjamin.

– Cara, eu não posso ficar sem saber o que fizemos. É a nossa amizade de vários anos que está sob risco, japa. Não posso deixá-lo sair desse quarto sem conversarmos primeiro.

– Desculpa Benjamin. Não sei nem por onde começar. Vou pra casa esfriar a cabeça e outra hora a gente se encontra por aí.

– Mas, japa!

E o Yuri foi se aproximando da porta, só que antes de abri-la disse:

– Só senti vontade de te beijar, porra! Não me pergunta o porquê. Apenas sei que foi isso que aconteceu. Porra mesmo!

Depois disso o garoto saiu do quarto e se dirigiu até a saída do casarão. Não olhou para trás e nem se despediu da mãe do amigo, que estava na cozinha, com certeza preparando alguma coisa para os dois comerem mesmo sem aceitarem a sua oferta.

Passado algum tempo, a Marisa voltou para o quarto e encontrou o filho com a cabeça entre as pernas.

– Cadê seu amigo, filho? – perguntou e recebeu um olhar incinerador do filho. – Vocês brigaram não? Eu nunca vi vocês dois agirem daquela forma. Tenho certeza que interrompi uma discussão.

– Mãe, pelo um amor, me deixa em paz. Que saco! Estou estressado, fodido, arrebentado. Será que não consegue se tocar que eu quero ficar sozinho com os meus pensamentos?

Marisa quase jogou a bandeja toda com os aperitivos que preparou com carinho na cara do filho, só que respirou fundo antes que fizesse aquela merda. Explicar aquela agressão ao marido não seria fácil, ainda mais porque ela era médica e devia saber lidar com momentos de grande estresse.

– Tu é mesmo um otário, moleque. Sabe de uma coisa? Vai se foder! – E saiu furiosa do quarto.

Ele nunca vira sua mãe soltar um palavrão após uma discussão. Realmente deve ter a chateado muito para aquilo. Porém Benjamin achou aquilo muito bom, pelo menos evitaria a mãe e suas perguntas sobre o vestibular por alguns dias até que os dois fizessem as pazes. O lado ruim disso seria ter que lidar com a careta dela e não poder contar com sua carona diária.

Que merda eu e o Yuri fizemos? Por que nos beijamos de língua? Agora estávamos bem conscientes do que fazíamos ou será que estava sobre pressão do vestibular? Como vou olhar para ele de novo e não se lembrar do baita beijo que trocamos? Caralho, a gente anda muito estranho um com o outro. A gente não é gay, porra! Preciso comer uma menina logo. Ele tem razão; eu ando precisando me extravasar.

E durante aquela madruga, ele bateu uma punheta para se aliviar do excesso de estresse e energia. Só que parou imediatamente quando começou a se lembrar do beijo que dera em seu amigo mais cedo e naquele dia em que pegou o japa se masturbando no banheiro do clube. Repreendendo os seus pensamentos maliciosos.

Notas finais
Como viu as coisas entre os dois estão começando a esquentar e a se complicar. O que será que farão para descobrirem o que significa toda esta confusão sentimental? Obrigado por ler mais um capítulo. Logo, logo, a continuação estará aqui para vocês. Lol