Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
6 Capítulo seis - O meu direito é ser feliz
Notas iniciais
Benjamin não conseguiu esconder toda a animação e curiosidade. Depois de tomarem um breve café da manhã, ele e sua mãe entraram no carro do seu pai e seguiram com ele em direção ao continente.
Quando o carro passou na frente do prédio onde o Yuri mora, os seus olhos instantaneamente se direcionaram aos portões de vidro do lugar, para sua decepção só havia um casal de idosos saindo do condomínio para correrem no calçadão.
– Me diga, por favor, aonde estamos indo? – perguntou quando estavam sobre a ponte que ligava a ilha ao continente.
– Segura esta ansiedade por mais alguns minutos. A espera valerá a pena, Ben.
O coração do jovem pareceu que iria explodir assim que viu seu pai entrando no estacionamento de uma concessionária da Mitsubishi. Não podia acreditar que ganharia seu primeiro carro e ainda por cima, um puta carro.
– Eu e sua mãe escolhemos um ótimo carro para você, mas se não gostar porventura trocamos por outro – anunciou seu pai ao descerem do carro. Logo uma vendedora com os peitos apertados dentro de uma camisa social branca se aproximou dos três.
Marisa abraçou o filho pela cintura e pareceu conduzi-lo em direção à mulher.
– Este é o felizardo? – perguntou a loira oxigenada, estendendo uma de suas mãos para cumprimentá-lo.
– É este sim. Esse é o nosso caçula, vestibulando de medicina que te falamos na tarde de ontem – disse Marisa totalmente orgulhosa.
Benjamin não conseguiu sequer mover os lábios, custava a acreditar que estava ali dentro. Outro vendedor trouxe uma máscara tapa olhos para vendá-lo e aumentar ainda mais a expectativa do menino. No momento em que sua mãe tirou-lhe o tapa olhos faltou apenas que ele caísse para trás com o impacto de ver o carro lindíssimo que brilhava à sua frente com um gigantesco laço vermelho sobre o para-brisa.
– Ele é seu. A chave está lá dentro – informou a Marisa, não se contendo de alegria ao ver seu filho pular como criança diante dos seus olhos. Ele não conteve a emoção e começou a chorar.
O carro havia superado as suas expectativas, ele queria um carro grande igual ao Toyota Hilux do Yuri, mas seus pais lhe presentearam com um Mitsubishi Pajero branco, quatro portas, 4x4 e o melhor, era 0 km. Um carro tão espaçoso quando o do seu amigo, inclusive havia cinco bancos para transportar os passageiros igual ao do outro.
Enquanto seu pai assinava os documentos para liberar o carro, Benjamin explorava o automóvel ao lado de Marisa. Ela ainda não havia conseguido parar de sorrir frente a tanta felicidade do filho. Antes de saírem da loja, a vendedora tirou uma foto com o celular do Ben da família junto ao Pajero brilhante. Depois pediu para tirar outra foto dos pais entregando a chave para o filho.
– Que tal nós almoçarmos juntos na Barra da Lagoa e depois irmos para a casa? – sugeriu Manuel, entrando em seu automóvel.
– Pode ser – confirmou Marisa se preparando para entrar no lado do motorista do Pajero.
– Hei mãe, eu quero ser o primeiro a dirigir o meu carro. Então pula para o banco do lado e me deixe conduzir – disse o Ben, fazendo seu pai rir.
– Mas quiridú, tu ainda não tem a carteira de motorista em mãos.
– Marisa, deixa o nosso filho ser o primeiro a conduzir a sua máquina. Tu vai junto com ele no banco do passageiro, dúvido que algum guarda vai querer parar os dois.
Mesmo sem concordar a mulher seguiu a instrução do marido e deixou Benjamin no controle do carro. Ela não permitiu que ele corresse pelas ruas da cidade ou que ultrapassasse o carro do seu pai. Ben teve que controlar toda a emoção de estar dirigindo seu primeiro automóvel. Não via a hora de contar tudo aos amigos.
Depois de almoçar no restaurante favorito de seus pais, Benjamin foi obrigado a voltar para casa. Dessa vez, sua mãe conduziu o automóvel mesmo a contragosto do rapaz. Ele aproveitou para enviar uma mensagem para todos os seus melhores amigos, no whats, contando sobre o presente que tinha recebido dos seus pais naquela manhã. Todos responderam a sua mensagem, todos menos o Yuri. Aquilo deixou o menino de cabelos castanhos ainda mais chateado e furioso, sentiu um impulso de enviar vários palavrões para o amigo, mas se controlou e tentou ignorar essa besteira.
Mesmo quando chegaram em casa, o Benjamin não conseguiu sair do carro. Ficou namorando a sua máquina. Plugou seu Ipad no carro e começou a ouvir sua seleção favorita de músicas internacionais e de tempos em tempos entrava no WhatsApp para conferir se o japa havia visualizado suas mensagens.
No final da tarde, quando decidiu entrar em sua casa, seus amigos apareceram para conferir o presente do novo motorista. Vieram o Fred, a Báh e o Arthur. Os três entraram de imediato no carro e pediram para que o Ben desse uma volta com eles por aí. Só que ele explicou toda a neura da sua mãe e foi zoado pelos três.
– Tu vai à festa de despedida do semestre organizado pelos veteranos de medicina da UFSC? – perguntou a Báh, olhando o menino de olhos verdes. Eles estavam sentados à beira de sua piscina, comendo um lanche preparado pela Marisa.
– Eu não sei, Báh. Tinha dado certeza que ia para a Fer, só que agora não estou mais a fim de ir.
– Ben, que porra está acontecendo com você neste ano? Você nunca nos deixou na mão antes? – questionou o Frederico, jogando pequenos pedaços de bolo no dono da casa.
– Temos que concordar com o Fred, seu puto. Tu não está mais infiltrado na nossa máfia por algum motivo. Que tal nos contar o que está pegando?
Benjamin olhou na direção da piscina com formato de T e depois para o píer da sua casa, onde seus pais tomavam café juntos.
– Não sei nem o que dizer, pessoal. Só ando meio perdido e com medo de uns lances aí.
– Medo do quê? Não me diga que é por causa dos vestibulares do fim do ano? Eles ainda estão longe de nós. Podemos aproveitar mais uns três meses de boas – disse Fred, engolindo de uma vez um grande pedaço de bolo.
– Deixa pra lá, galera. É só uma besteira de nada. E Frederico pare de se considerar um bom aluno, todos sabemos que tu leva o ano todo de boas.
– Por isso às vezes acho que sou de humanas. Vou acabar fazendo filosofia e vendendo as minhas miçangas aqui nas praias de Jurerê.
Os três riram da idiotice do amigo e depois concordaram cada um em seu tempo.
– Vocês têm falado com o japa ultimamente? – perguntou Benjamin, mordendo os lábios.
– Falei com ele hoje na hora que estava indo para o cursinho. Desejei boa sorte para ele porque ia apresentar um trabalho de conclusão do semestre para uma banca de professores – relatou a Bárbara, com um sorriso tímido.
– Ah, eu sei, o tal do AVG, a minha mãe já me disse algo sobre ele – revelou o Ben. – É tipo um mini TCC que a UFSC obriga seus alunos de medicina a apresentarem ao final de cada semestre.
– Não queria dizer, mas ele me disse que te ligou ontem para parabenizá-lo pelo teste e tu foi super grosso e não deu a mínima para o que ele estava lhe dizendo. O japa ficou muito chateado contigo por causa disso e falou que ia te dar um tempo.
Me dar um tempo? Agora somos namorados para ele me dar um tempo? Que porra, japa! Vai se foder, seu desgraçado.
– É o japa que anda de lenga, lenga nesses últimos dias. Se ele não quer me responder ou simplesmente me apagar da sua vida, ok, eu não posso fazer nada.
– Vai tomar no meio do seu cú, Ben. – A Marisa deu um pigarro bem alto para intimidar os garotos lá de cima do píer. Ela podia ouvir os palavrões que estavam dizendo em alto e bom tom. Isso refreou o que o Arthur continuaria a dizer. – Tu é sempre contra a gente ficar de cara um com o outro e agora vai dar um belo exemplo ignorando o japa. Parabéns!
– O Thur está certo, Benjamin. Tu não pode ignorar o seu maior amigo de infância. Tu vai ter que pedir desculpas para ele hoje na festa. Não pode passar de hoje, entendeu?
– Parabéns pela atitude de vocês, meninos. Eu também sou contra o Ben ficar de mal justamente com o Yuri. Já tinha dito isso pra ele essa semana quando interrompi uma discussão dos dois aqui em casa. Os amigos brigam, se matam, porém sempre resolvem os seus perrengues no final.
Que briga, mãe? Tu não interrompeu uma briga de amigos, tu interrompeu um beijo sem nexo. Que porra! Agora até a minha mãe está se intrometendo em minha amizade com o japa. Que porra, japa, vou te matar!
Os seus amigos aplaudiram a Marisa para encherem a bola da médica, que distribuiu beijos aos quatro ventos. Depois ela entrou na casa e fechou as portas de vidro que davam acesso ao píer a partir da sala dos sofás. O vento já começava a ficar gelado.
– Diga pra gente o motivo pelo qual vocês brigaram. O Yuri não quer contar para ninguém o que aconteceu entre vocês – pediu o Frederico, vestindo seu casaco moletom.
Benjamin sentiu medo de que seus amigos descobrissem o que de fato rolou para que eles se afastassem naquela semana. Pensou em alguma desculpa bem tosca e respondeu:
– Eu tava muito nervoso porque levei bomba na ACAFE e ele estava aqui tentando me ajudar, só que fui muito estúpido com o japa e a gente discutiu. Ele me falou umas verdades e eu disse outras pra ele. Foi só isso! Foi culpa do meu estresse do caralho.
– Que vacilo, Ben – disse o Fred e o Arthur quase em uníssono.
Pelo jeito aquela mentira colou, já que seus amigos pararam de perguntar sobre aquele assunto. Só que ao afirmar aquilo o rapaz teve certeza que ele tinha mesmo vacilado com o amigo no dia anterior. Já era a segunda vez nesta semana que o japa tentava pôr uma pedra nos acontecimentos das últimas duas semanas.
O menino de olhos verdes estava decidido a colocar uma pedra sobre todos aqueles mal entendidos e seguir com a sua amizade assim como ela sempre foi. Os seus amigos foram embora às 20 horas e combinaram de se encontrar na frente da Life Club a partir das 23 horas. A sorte era que a Fernanda havia garantido um ingresso para cada um deles, ela teve que usar de sua influência com os veteranos do seu curso para conseguir quatro ingressos tão em cima da hora. Ela queria matá-los por isso.
Durante o banho, Benjamin não parou de pensar no pedido de desculpas que iria fazer para o japa. Tinha medo de que seu amigo de infância lhe mandasse a merda e lhe ignorasse para o resto da vida.
O rapaz vestiu uma calça jeans branca, uma camiseta de gola “v” amarela e uma jaqueta preta de couro. Penteou seus cabelos lisos para trás, deixando um grande topete, que se propagava para a direita. Em mais alguns meses poderia prender seu grande topete em um pequeno coque. Percebeu que tinha que ir ao cabeleireiro para diminuir o volume de cabelo nas laterais da sua cabeça.
– Hoje meu filho vai se dar bem com a mulherada. Tu tá muito gatinho, filho – comentou Manuel, levantando a cabeça do ombro da esposa para analisar o look do seu caçula.
– Que sem noção, Manuel. Eu sou uma lady, acho que mereço mais respeito. Acha mesmo que uma mãe precisa imaginar seu filho de dezoito anos comendo as mulheres por aí?
Benjamin ficou atônito, não queria acreditar que seus pais estavam mesmo discutindo sobre sua vida sexual. Isso era patético. Os dois precisavam enxergar uma barreira entre a intimidade do garoto e a deles. Uma barreira natural entre pais e filhos.
– Tchau para vocês, eu vou indo de carro para a festa.
– Tu tá louco? Tua carteira de motorista só vai chegar na próxima semana. Se não chamar um táxi para levá-lo até lá, o seu pai terá que te dar uma carona.
O doutor Manuel olhou para a esposa e depois para o filho.
– A festa é aqui perto, mãe. Aqui mesmo no norte da ilha, na SC 401. Eu não preciso de babá. Sei muito bem me cuidar sozinho.
– Está decidido, o Ben irá sozinho em seu carro. O Miguel dirigiu por quase duas semanas sem a habilitação, não vejo problema algum do nosso caçula ir dirigindo até a festa. Só não vai beber e dirigir, mas se fizer isso, juro para ti que só vai ter um carro de novo quando tu já for formado e comprar com teu próprio dinheiro.
– Ok! Eu não tenho cabeça de vento, pai. Nunca dirigiria após beber. Sabe de uma coisa, vou chamar um táxi. Faz tempo que eu não bebo nada de álcool, preciso disso para relaxar.
Os pais aplaudiram a atitude honesta do filho. O pai do menino não quis dar carona porque estava contando com a saída do mais novo para se dar bem com a doutora Marisa. Ele queria aproveitar a piscina térmica com a esposa.
O táxi não demorou muito tempo para chegar na frente do portão do condomínio. Alguns minutos depois, Benjamin descia do carro e já se impressionava com tamanho do fluxo de jovens – ainda bem que veio de táxi, afinal seria impossível encontrar um estacionamento decente por perto da casa de festas. O seu telefone tocou e ele atendeu, era a Bárbara. A garota informou onde estava lhe esperando.
Ela e os meninos estavam do lado de uma fonte iluminada.
– Vocês vieram de carro para cá?
– Eu vim e dei carona para a Bárbara e o Arthur – respondeu Frederico. – E você, cadê seu carro?
– Quero encher a cara nesta hoje e comer uma bucetinha, por isso escolhi vir de táxi.
– É assim que se fala, seu puto – gritou o Arthur, recebendo um olhar de reprovação da Bárbara.
Os quatro conseguiram entrar muito rápido no lugar, lá dentro a impressão era de que havia muito menos pessoas do que do lado de fora – isso era um engano, a casa de festas era enorme, além da região aberta nos fundos.
– Onde será que está a Fernanda e o japa? – perguntou a Báh, discando o número da amiga.
– E aí, seus putos – gritou Joshua ao se aproximar dos quatro amigos, aparentemente estava bêbado. O som da casa estava muito alto, tocando música eletrônica. Na parte em que estavam não havia aquelas luzes giratórias, o lugar era mais calmo. – Vocês já encontraram a Fer e o viado do Yuri?
– A gente quer encontrar eles. Tu os viu?
– Sim, Báh. – Ele foi cumprimentar a moça com um beijo no rosto e depois tentou beijá-la de língua, porém o Arthur o empurrou para longe. – Foi mal, eu não sabia que vocês estavam juntos, seus putos. A Fernanda está ficando com o DJ sarado enquanto o japa está de papinho com uma veterana bem gostosa perto do bar.
Benjamin ficou irritado ao ouvir aquilo. Ele não ia ter a oportunidade de pedir desculpas ao amigo naquela noite. Afinal o japa já deveria estar bem bêbado para ter uma conversa civilizada, além de que a Bruna nunca lhes deixaria a sós, mas agora que conseguiu pegar seu crush do semestre.
– Vamos ir atrás deles, rapazes.
– Eu não vou, vou ficar por aqui mesmo – afirmou o Fred, encarando uma roda de meninas.
O Ben e o Arthur seguiram a Báh, que já conhecia a casa muito bem. O menino de olhos verdes começou a se acovardar diante do que precisava fazer. Ele precisava beber antes de conversar com o amigo. Só que tinha medo de estragar tudo se ambos estivessem bêbados.
– Lá está a puta da Fernanda, grudada no DJ – indicou Arthur. – Vai lá, Báh, diga a ela que viemos. Eu e o Ben vamos pegar algumas bebidas para gente. A gente se encontra aqui daqui a pouco.
Ela apertou o pescoço do Arthur.
– Não ouse pegar alguma guria aqui, se não eu te capo enquanto dorme.
Quando se afastaram da menina, o Benjamin lhe perguntou:
– Vocês ainda estão ficando, seu mané?
– Ben... eu e a Bárbara estamos namorando. A gente ia contar para vocês durante as férias. Eu juro!
– Beleza. Não precisa jurar só porque queriam manter o namoro de vocês em sigilo. Acho bacana que estão dando certo. Fico muito feliz com o namoro de vocês.
– Hei, aquele ali que está se atracando com a loiraça não é o japa? – perguntou Arthur, quase afirmando.
Os olhos do Benjamin, viciados pelo flash do salão, demoraram a reconhecer o rosto daquele rapaz vestido com camisa estilo social branca e um short jeans perto do bar assim como o precoce havia informado. O pior é que a veterana que a Fernanda tinha dito que estava a fim do japa era muito gata. Estava usando um vestido tomara que caia e um blazer.
O rapaz perdeu toda a empolgação de ir pedir desculpas ao japa. Em vez disso, puxou o Arthur na direção do bar para comprarem alguma bebida alcoólica. Ele estava furioso e nem sabia o motivo. Com certeza seria porque os seus planos de fazer as pazes com seu amigo tinham ido direto para a lata de lixo.
– Cara, eu quero uma vodka – pediu Benjamin, dando uma nota de ciquenta reais para o garçom, que ofereceu duas. – Esta outra é para você, Arthur, pega logo.
Os dois brindaram por qualquer motivo e depois beberam o copo com vodka.
– Me deixa pagar a próxima, seu puto. Velho, mande pra nós um uísque reforçado.
– Que porra você quis dizer com uísque reforçado, Arthur?
– Sei lá, mas o cara deve ter entendido. – O garçom preparou um uísque misturado com um pouco de cachaça para os dois amigos.
– Um... dois... agora! – berrou Arthur, ingerindo aquele líquido, que desceu queimando sua garganta.
Benjamin sentiu a mesma sensação assim que o uísque passou pelo seu esôfago –pareceu pegar fogo no mesmo instante. O rapaz se arrependeu no minuto seguinte de ter bebido aquilo.
– Que bom que vocês vieram, piazada.
Quando Ben se virou para trás viu o amigo que estava lhe ignorando há dois dias. Benjamin julgou a partir da expressão do rosto de Yuri e da sua voz firme que ele não havia bebido tanto ou talvez nem tivesse bebido nada ainda. Quem sabe agora a loira não tivesse lhe dado folga desde que o grudou naquela festa para beber alguma coisa?
– A gente precisa comemorar o final do semestre dos nossos futuros veteranos, não é mesmo? – respondeu Arthur, abraçando o japa, que não tirou os olhos de cima do seu outro amigo.
– E aí... nosso novo motorista, tudo de boas agora que está dirigindo seu próprio carro?
Benjamin apenas balançou a cabeça em concordância e se virou para beber mais alguns copos de vodka com cachaça, mas escutou perfeitamente o que seu amigo perguntou ao Yuri em seguida.
– Quem é a gostosa que estás pegando nesta noite?
– Ela é a Bruna, uma veterana da quarta fase. Se quiser posso apresentar ela a vocês dois. Quem mais veio?
– O Fred e a Báh. Cara, inclusive deixa que eu ir encontrá-la perto do DJ, acabei de ver que ela já está me intimidando pelo whats.
O Arthur saiu sem carregar o Benjamin com ele. O menino de olhos verdes mataria ele rapidamente depois, mas tinha certeza que aquilo foi um plano para deixá-los a sós.
– Ben, por que você está me ignorando e me tratando tão mal? – indagou o japa, tentando virar seu amigo de frente para ele. Em vão, diga-se de passagem.
O rapaz bebeu mais um copo com vodka batizada antes de encarar o Yuri.
– Cara, tu que me ignora por dois dias. Não atende minhas ligações, não responde a minha mensagem puta feliz. – A voz do Benjamin começava a se mostrar alterada devido ao álcool em sua corrente. – E agora vem me cobrar atenção e os cambaus aqui na festa? Vai se foder, japa. Volta lá com sua periguete e me deixa encher a cara. Hoje será a minha vez de cair sobre meu próprio vômito.
– Você está sendo muito otário, Ben. Primeiro que eu te liguei super de boa ontem para perguntar sobre teu teste e tu foi muito frio e ignorante. Não ia ficar correndo atrás de ti como sempre fiz durante todos os nossos anos na escola.
– Agora vai me culpar por toda a merda que fizemos nas últimas semanas. É isso mesmo o que estou entendendo? – Ele já começava a apresentar dificuldades para raciocinar. – Velho, me vê mais um drinque de vodka batizada...
– Valeu, amigo, ele já está de boas por hoje – interveio o japa, pagando o garçom e puxando seu amigo pelo braço mais para o canto do salão, longe do bar, onde não havia muitas pessoas dançando.
– Tu tá achando que é minha mãe para me proibir de beber, seu filho da puta. Me deixa em paz, cara. Vá lá com seu gostosinha e me deixe arrumar uma buceta para foder aqui.
– Cala a tua boca, porra! Tu não tá vendo as merdas que está saindo da tua boca, Ben? A gente vai deixar a nossa amizade de onze anos morrer por pura ignorância? Me deixa te levar pra casa assim já conversamos mais. E aliás, tu não está em condições de voltar dirigindo.
– Eu estou sem carro, porra! Já vim preparado para beber que nem um louco e desmaiar sobre o meu vômito.
– Perfeito, eu te levo no meu carro. Venha comigo!
– Me largue Yuri – ordenou, se soltando das mãos fortes do japa. – Se não eu juro que lhe acerto uma bolacha no meio da cara e sua namoradinha vai ficar morrendo de vergonha de estar ao lado de um monstrengo.
– Ben, o que está acontecendo com a nossa amizade?
– Um beijo. Isso está acabando com a nossa puta amizade. Você me deixou em casa sem entender que merda foi aquele beijo que a gente trocou e depois desaparece e me deixa sofrendo com o que aconteceu sozinho por quatro dias e quando me liga foi forçado pelos nossos amigos.
Para alguém que estava bêbado, Benjamin conseguiu se expressar muito bem as suas dúvidas e medos.
– Tenho medo de que aquilo tenha significado algo para nós. Precisava do meu amigo nestes dias para encontrar uma solução para toda esta porra. Mas só que fui abandonado por você e nem sequer posso pedir ajuda para outra pessoa com medo de represálias.
O japa abaixou os olhos e sentiu um impulso em abraçar o amigo, só que isso só pioraria ainda mais aquela delicada situação.
– Ben, aquilo não significou nada para gente. Eu e você estávamos carentes e acabamos nos empolgando com as nossas brincadeiras de sempre. Isso não significa nada. Não significa que a partir de hoje não podemos mais ficar juntos com medo de nos beijarmos novamente. Eu e você, gostamos de mulheres. Não precisamos encontrar uma explicação para toda aquela merda.
Benjamin não entendeu o motivo pelo qual começou a chorar. Só sentiu vontade de sucumbir ao impulso. Sem mais qualquer reação.
– Eu também fiquei com medo do que aconteceu na sua casa. O pior é que eu gostei. Gostei de beijar meu melhor amigo, caralho. Isso não é fácil, mas não significa que deixamos de comer mulheres. Mas acima de tudo eu tive e tenho medo de perder a sua amizade, Ben. Me perdoe por ficar afastado quando mais precisou do meu apoio e da minha ajuda. Não vamos deixar que isso acabe com o nosso amor de irmão.
– Eu não posso perder a sua amizade também. O meu direito é de ser feliz. E principalmente a sua amizade me proporciona este direito – terminou Benjamin, secando as lágrimas. – Agora me deixa ficar sozinho. Eu vou pegar um táxi pra casa.
– Não. Eu te dou uma carona.
– Quero que você fique aqui e se divirta com a sua namoradinha. Aproveite tudo que eu não posso aproveitar nesta noite. Preciso da minha cama e da paz do meu travesseiro.
Benjamin estendeu sua mão para o Yuri, que por impulso iria abraçá-lo, mas foi impedido por ele. Aquilo foi constrangedor para o japa, que permitiu que o outro se afastasse e então desaparecesse de vista.
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