Sem mais desculpas. Sem arrependimentos.
10 Capítulo dez - Preciso de um tempo longe daqui
Notas iniciais
A última semana de cursinho foi terrível para Benjamin. O rapaz estava cansado demais para prestar a atenção nas inúmeras explicações dadas pelos seus professores. Desejava estar morto a ter que assistir às aulas de progressão aritmética e geométrica de novo. Como ele disse que faria naquela semana: só foi à escola para ocupar espaço, passar seu tempo e desenhar nas capas da apostila. O que ele odiava fazer lá no fundo.
Obviamente o menino de olhos verdes foi advertido e cobrado por sua amiga naqueles cinco dias. Arthur tentou defender a folga do amigo, mas foi retalhado pela namorada. Bárbara jogou na cara do carioca que ele também estava em risco de rodar no vestibular mais uma vez. Os dois combinaram em não alimentar ainda mais a ira da garota e afirmaram de pés juntos que ela estava naqueles dias insuportáveis.
Frederico não compareceu a nenhum daqueles dias, o que Arthur atribuiu à surra que o loiro levou do Benjamin. No meio daquela semana, a carta de motorista que Ben tanto esperava chegou a sua casa. Deu uma volta com a mãe e o pai para fora da ilha a fim de comemorarem, o jovem agora se sentia no direito de dirigir por onde quisesse.
O doutor Manuel se acalmou com o filho e até permitiu que o menino fosse à casa da Bárbara, para comemorarem juntos a habilitação, na quinta-feira. O Yuri, o Joshua e o Fred não foram convidados por nenhum deles. A Bárbara não deixaria de convidar a Fernanda para a comemoração, é claro.
A garota levou seu novo namorado, o Matheus, um veterano dela da décima fase. Ela disse inocentemente ao grupo que o japa e a namorada tinham ido viajar para o Rio de Janeiro e de lá passariam em Sampa para encontrar a irmã dele.
Benjamin como não podia ser diferente se fez de desinteressado. Yuri não enviou mais mensagens para o amigo, estava decidido a deixá-lo para lá até quem sabe um dia os dois se encontrem por aí. Ele tinha certeza que não havia feito nada para os olhos verdes e isso era o suficiente para o Yuri.
O jovem Belucce se sentiu tentado a responder a mensagem do amigo na noite seguinte do dia da sua briga com o Fred, porém, novamente, se sentiu petrificado diante do teclado. Belucce não sabia o que diria ao outro. Era melhor deixá-lo fazer o que quisesse em relação aos dois.
Se o fim da amizade dos dois fosse o preço para devolver a eles a paz que sempre tiveram antes desse mês turbulento, OK, Benjamin estava pronto para pagá-lo. Em seu íntimo sabia que esse pensamento era egoísta, já que nunca perguntou ao japa se também estava a fim de pagar o mesmo preço.
Quando chegou aquela manhã de sábado, Benjamin não acreditava que finalmente estava de férias do cursinho e do vestibular por três semanas. No jantar com sua família, na noite passada, ele disse aos pais que queria passar alguns dias na casa do seu outro melhor amigo de infância, Pedro Alcântara, que estava morando em Curitiba para cursar direito na UFPR.
Os dois jovens já haviam combinado tudo antes mesmo de saberem se os pais de Benjamin lhe permitiria ir. Pedro se achava um profundo conhecedor da noite curitibana mesmo morando lá há apenas seis meses. Prometeu levá-lo para as melhores casas de shows, onde só encontrariam as meninas mais bonitas da cidade.
Depois de tanta insistência por parte de Benjamin, Marisa e Manuel concordaram em deixá-lo viajar, só que para a infelicidade do jovem, não de carro. Teria que ir de avião ou de ônibus. Benjamin comprou uma passagem aérea de ida para depois do almoço de domingo.
– Tu está tão feliz só porque vai ficar longe de mim, né? – brincou Bárbara, enquanto corriam em volta da piscina do clube. – Se não tivesse namorando o Arthur, juro que iria contigo para a casa do Pedro. Estou morrendo de saudades dele.
– Então não precisa ficar por muito tempo, afinal ele voltará comigo para Floripa no próximo sábado. Os pais dele exigiram que viesse passar um pouco das férias em casa.
– O pai dele continua sendo o mesmo autoritário de sempre, não é?
– Sei lá, faz tanto tempo que a gente não vai à casa da família do Pedro que nem me lembro mais do jeito deles. Mas tu sabe que o pai do moleque é um tenente da polícia militar, obviamente continua o mesmo. Só que eles estão certos em pedir que o filho venha a Floripa, o piá não vem pra casa desde maio.
– Eu não conseguiria ficar dois meses sem ver a minha família. Acho que é por isso que nem me arrisco a prestar vestibulares fora do estado.
– É complicado mesmo, mas estou pensando em prestar algum vestibular no Paraná e no Rio Grande do Sul também. Talvez se eu gostar de Curitiba posso tentar alguma faculdade por lá. Pelo menos não estaria sozinho na cidade.
– Se depender do nosso amigo, estaria sim – caçoou Bárbara, mergulhando na piscina.
Eles riram, chamando a atenção da treinadora. A mãe da Báh gritou:
– Menos papo e mais esforço físico. Tu quase nunca vem, Benjamin, e quando decide aparecer é para desconcentrar a Báh?
– Desculpa, Júlia.
Eles deram mais quatro voltas em silêncio e no momento em que a treinadora se distraiu enquanto conversava com outro treinador do clube, Bárbara voltou a falar:
– Só que tu já vai ter que deixar combinado agora comigo a sua presença na minha festa de aniversário lá na ACM.
– Sério mesmo? Pensei que tu tinha desistido de fazer esta festa.
– Posso saber por que pensou que tinha cancelado?
– Sei lá, tu só tocou neste assunto em março e deixou pra lá. Qual dia vai ser a festa?
Benjamin não estava muito a fim de ir à festa da amiga, mas não poderia furar. Caso contrário, a menina arderia em cólera por semanas. A última festa dela foi superentediante, antes da meia-noite, quase todos os convidados já queriam voltar para casa. Isto se deveu ao tema da festa e ao DJ. Mais ao tema da festa do que ao DJ, na verdade.
O pai da garota adora exageradamente as músicas dos anos 70 e 80 e fez com que a Báh, uma pessoa descolada, optasse por um tema dessa época. Só que o DJ fez as piores seleções de músicas. O pior de tudo era que os convidados foram obrigados a ir com perucas que imitassem os cabelos da época.
– Como tu não sabe a data do meu aniversário, seu filho...
– Calma, calma! É claro que sei, é no dia 10 de agosto, só estou perguntando a data da festa.
Bárbara sorriu envergonhada e respondeu:
– Então a festa será no dia 8 de agosto, no último sábado das férias do Yuri e da Fer. Fica tranquilo que este ano eu contratei uma DJ mais top e apenas tocará músicas tops também. Além que a minha família não vai empacar em nada.
– Tá combinado, eu vou à festa.
A ruiva agarrou seu amigo e lhe deu um beijo na bochecha. Benjamin queria perguntar a moça se o Yuri seria convidado, mas preferiu deixar para lá.
Benjamin conferiu as informações básicas de seu bilhete de passagem diante dos seus pais, que estavam esperando com ele no saguão do aeroporto de Florianópolis. O horário previsto para a decolagem era às 14h00 e já havia duas horas que esperavam ali. Aproveitaram para almoçar por lá mesmo.
– Tu já combinou certinho com seu amigo o horário que chegará a Curitiba?
– Sim, mãe. – Esta era a terceira vez desde ontem a noite que respondia a mesma pergunta. Ben acreditava que ela queria pegar alguma irregularidade nas informações. – Ele vai estar me esperando no aeroporto lá pelas cinco e meia da tarde.
– Não sei por que os aviões precisam ir a São Paulo primeiro para voltar para trás. Me faça o favor de nem sair da sala de embarque e se espichar pelas ruas de lá. Só Deus sabe o quanto aquela cidade é perigosa.
– Mãe, como tu pode ser tão exagerada? A irmã do japa vive lá há três anos e nunca foi assaltada e o Miguel aqui em Floripa já foi assaltado duas vezes. Irônico, não?
Seu pai riu, tirando Marisa do sério.
– E esta já vai ser a minha terceira viagem de avião sem vocês.
– A viagem pra Disney não conta, filho. Tu foi junto com todos teus colegas do oitavo ano e teus professores representantes – disse o pai.
Benjamin virou os olhos e fez uma careta para Manuel.
– E as outras duas, tu estava com o japa e a irmã dele.
– Também não conta! – provocou Manuel, rindo para a esposa.
– Ok, ok. Os dois me venceram.
Ficou mais dez minutos com eles e depois embarcou no avião. Após alguns minutos da decolagem, Benjamin já tinha apagado. Ele só acordou quando o avião estava pousando na capital paulista. Depois esperou por mais quarenta e cinco minutos a conexão para Curitiba.
Dentro do seu último voo, quando as luzes restringindo o uso dos celulares no modo avião foram apagadas, Ben resolver mexer em seu Instagram abandonado. Já tinha pelo menos dois meses que não acessava sua conta. A primeira foto disponível em sua timeline era do Yuri e da sua namorada. Os dois estavam na praia. Ele de sunga vermelha e ela de biquíni rosa.
Benjamin reconheceu o morro do Pão de Açúcar, ao fundo, galhardeando a foto. Por curiosidade, clicou no perfil do amigo.
Yuri Borges Takashi
Estudante de medicina.
Atleta semiprofissional de natação.
Em um namoro sério.
Benjamin leu umas quatro vezes “Em um namoro sério” até que a tela se apagou automaticamente. Até sábado retrasado, Yuri garantiu que não estava em um namoro e uma semana depois, já tinha atualizado seu perfil no Instagram para um namoro sério?
Se já não fosse o bastante, ele ficou tentado a ver as outras fotos do casal. Todas tiradas no Rio de Janeiro. De todas, havia uma bem picante e que logo lhe chamou a atenção; a garota tirou uma selfie com sua cabeça cobrindo a pelve do japa enquanto ela sorria, seus cabelos estavam espalhados pelos gomos do abdômen do oriental, que ficaram bem visíveis na foto. O rosto dele não foi contemplado na selfie.
Que descarado. Como tem coragem de postar algo tão... tão... vai se foder, japa, filho da puta! Que sua mãe diria sobre esta pouca vergonha pública? Uma coisa era transar e outra já é postar uma foto logo após o ato para milhões de pessoas no mundo todo.
O primeiro comentário da foto era da Fernanda.
O que a Fer une nem um homem pode separar. Tá celado pelo celo Fernanda Mello de qualidade. Aproveita todo este corpinho, miiigaaaaa!!! =**
Ben sentiu uma puta raiva daquela guria. Não sabia como suportava ser amigo dela há tantos anos.
Vadia, sempre é você, falando e escrevendo todas as merdas. E que selo maravilhoso, volta para o primário para aprender a escrever, ô seu Creysson Tabajara. Selo com “C” só no teu cu mesmo.
Quando percebeu ria sozinho de todas as merdas que estava pensando. Novamente se viu enciumado por causa do japa – aquilo não era normal. Precisava deixá-lo para lá e aprender a curtir sua vida sem a amizade do outro.
– E aí, senhor Belucce? Não acredito que você veio mesmo – Pedro abraçou o Ben assim que ele deixou a sala de desembarque – e acima de tudo, sozinho. Aprendeu a se virar sem a mamãezinha, seu puto?
Pedro Alcântara era um jovem negro, de olhos castanhos e de cabelo Black Power com luzes claras. Era mais baixo do que o amigo e também estava em uma boa forma física. Seu sorriso era, sem dúvidas, o que mais encantava as pessoas à primeira vista.
– O senhor Belucce é o meu pai. – Riu. – E tu já está se virando bem nesta cidade fria?
– Ben, o aeroporto não fica de fato em Curitiba, fica em São José dos Pinhais. Só que São José está na região metropolitana da capital.
– Wow, quem te viu e quem te vê. Agora está trabalhando de guia turístico aqui? Tua mãe vai adorar saber que saiu de dentro do ovo direto para o mundo adulto.
– Vai se foder, Ben.
Eles riram e se abraçaram. O voo chegou quinze minutos atrasado, mas Pedro também havia se atrasado no trânsito. Benjamin seguiu-lhe até ao carro, que estava em um estacionamento próximo.
– Muito top seu carro, Pedro. – O carro dele era um Astra, quatro portas e prateado.
– A Báh me disse que você ganhou um Pajero, né, seu playboyzinho? Nem pra vir de carro não serve. Ia ganhar umas gatinhas daqui facinho, facinho.
O de cabelos castanhos fez uma cara de frustrado e entrou no carro. O outro sorriu e engatou a primeira marcha, saindo dali, logo tomou à direita e seguiu por uma longa avenida já iluminada pelos postes.
– O japa não quis vir contigo?
– Nem falei com ele sobre minha viagem. Na verdade não falo com ele já faz uma semana.
Pedro não escondeu sua reação de surpreso. Sabia que os dois não desgrudavam por nenhum motivo.
– Cacete, não me diga que a namoradinha dele tem alguma coisa a ver com isso?
Já vi que até o Pedro está sabendo do novo namoro de Yuri. As novidades correm tão depressa. Meu caralho. Agora também terei que dizer a ele que estou afastado do japa. Será que ele vai entender se eu falar que isso é só por causa de ciúmes?
Benjamin riu sorrateiramente e o amigo percebeu.
– Não me diga que aquela mina é muito grudenta e ciumenta? Por que se for, tenho pena do japa.
– Na real, ele nem apresentou oficialmente a Bruna para a gente. Só que ela é muito grudenta sim, a gente foi em uma festa na sexta retrasada e a guria não desgrudou do japa nem para ele ir ao banheiro.
Pedro começou a rir. Benjamin tentou parecer o mais imparcial possível enquanto avaliava a veterana do seu amigo.
– Terei que ligar pro japa logo. Talvez faça isso amanhã ou depois – garantiu o motorista.
– Vai perder só o seu tempo, eles estão viajando para o Rio.
– Caralho, já estão em honeymoon (lua de mel)? Este japa não é fraco, bicho...
Novamente começaram a rir e a tirar sarro do amigo japonês. Não demorou nem cinquenta minutos para chegarem ao prédio onde ficava o apartamento que Pedro dividia com outro colega. Só que no momento, o outro já tinha voltado para a casa a fim de passar as suas férias por lá.
– Que bairro é este? – indagou Benjamin, olhando a cidade da varanda do apartamento.
– Ben, eu moro no Água Verde. Aqui perto tem tudo; mercado, shopping, barzinhos. Tu vai gostar daqui. O pessoal é bem de boas e o meu apartamento não é tão frio.
O hóspede voltou para dentro. Realmente o início da noite estava começando a ficar gelado e aquela cidade é conhecida por todos como a capital europeia-brasiliense em virtude do inverno rigoroso.
– E aí, já sabe aonde vamos hoje à noite?
– Caralho, Ben, você mal chegou e já quer cair na noite... Assim é que eu gosto, moleque – comemorou Pedro, induzindo seu amigo a pular junto com ele por toda a sala. – Será igual aos velhos tempos; nós comendo várias garotas na night. O melhor de tudo é que o guri que divide o apê comigo tá fora e você pode usar o quarto dele para dormir e meter sem preocupações.
Benjamin ficou um pouco vermelho, mesmo assim sorriu para o amigo a fim de mostrar firmeza com sua ideia. Ele já tinha se desabituado com os costumes do velho amigo.
Pedro mostrou o quarto onde o hóspede ficaria e deixou-o a vontade para tomar um banho e ligar para os pais. Marisa já estava nervosa com a demora de seu filho em telefonar. O pai do jovem insistiu para que ela se controlasse e confiasse no filho. Mas todos sabem como são as mães.
Os dois amigos saíram depois das 21 horas e foram a um boteco boêmio que ficava em um dos bairros mais nobres da cidade curitibana, o Batel. Este tipo de lugar não fazia parte dos frequentados por Ben. Não curtia pagode de jeito nenhum.
O boteco estava cheio de casaizinhos e pessoas mais velhas.
– Ben, quero te apresentar a duas amigas minhas. Esta aqui é a Patrícia – uma morena de pele clara e olhos castanhos – e esta aqui é a Sabrina – uma loira de olhos azuis, mais alta do que Benjamin, estilo modelo.
Elas sorriram e beijaram os rapazes no rosto. A loira se atraiu muito rapidamente pelo Ben, o que ficou evidente assim que se sentaram aos pares à pequena mesa já ocupada pelas duas. Sabrina logo informou ao menino que fazia medicina na Universidade Positivo (UP), a outra fazia jornalismo na PUC.
Pedro lhe contou a história de como ambos se conheceram no início de fevereiro: eles foram apresentados por alguns veteranos dele na festa de apresentação dos calouros de direito. Benjamin percebeu que a Patrícia e o Pedro mantinham uma espécie de amizade colorida, logo... seu amigo armou um encontro para ele e a loira.
Não acredito que este puto nem me contou o que pretendia fazer. Que sacanagem! Agora não posso dar pra trás e fugir que nem um covarde.
Depois de algumas cervejas e uns petiscos, Pedro já estava entrelaçado na morena de olhos castanhos. Benjamin ficou sem jeito e percebeu que a Patrícia também ficara.
– Não me diga que aqueles dois ali são uns viadinhos da porra? – perguntou Pedro ao grupo, assim que viu dois homens um pouco mais velhos do que eles a três mesas de distância. Eles trocavam carícias bem apaixonadas.
Benjamin não disse nada apenas ouviu seu amigo totalmente homofóbico disparando palavrões e mais outras palavras bem ofensivas sobre o casal.
– Eles se amam, Pedro, que mal tem nisso?
– Que mal, Sabrina? Todo o mal do mundo... Onde já se viu dois marmanjos se beijando em público sem nenhuma vergonha na cara? Isso me dá vontade de vomitar e ir até lá dar uns socos neles.
– Que merda você está dizendo, guri. Não imaginava que um futuro advogado fosse tão intolerante ao amor de dois seres iguais a mim e a você – contra-atacou Sabrina. Benjamin viu o ódio transformar as feições do rosto de seu amigo. Pensou que ele agrediria a menina a qualquer momento.
– Já chega deste papo furado – ordenou Patrícia – que não nos levará a nada. Pedro se acalme. Não tem motivos para se incomodar com aquilo. Deixe os dois em paz antes que seja tachado de preconceituoso.
– Eu preconceituoso? Vocês duas estão loucas, só pode ser isso – defendeu-se. – Ben, o que você tem a nos dizer sobre isso?
O menino de olhos verdes arregalou os olhos e franziu a testa. Não tinha nada a dizer sobre aquilo. Nunca se incomodara em ver uma cena igual àquela antes e por que hoje se incomodaria com aquilo?
– Desde que eles fiquem na deles não me importo. Cara, o mundo já evoluiu muito desde quando éramos homens da caverna. Por falta de expressão e liberdade, o país passou vinte anos dentro de um inferno.
As duas meninas aplaudiram o discurso de Benjamin, que corou no instante seguinte.
– Que é isso, Ben? Não sabia que era um panfletista da causa homoafetiva. Que o japa e os outros iriam pensar sobre este seu lado moderninho? – Na hora, Ben acreditou estar sentado ao lado do Frederico com a sua boca despejando merdas em todas as direções. – Vocês da medicina querem ser os donos da razão e os cheios de amor.
– Para sermos médicos, Pedro, precisamos gostar de pessoas acima da sua cor, religião ou opção sexual – afirmou Sabrina, sorrindo e pegando na mão do Ben.
– Na verdade todos deveriam amar as pessoas acima de qualquer coisa – complementou Patrícia, bebendo seu chope –, assim não veríamos crimes contra a própria humanidade.
Pedro se calou, vencido, e quando o casal gay se retirou do boteco com mais alguns amigos não expressou qualquer opinião a respeito daquilo. Benjamin e Sabrina não soltaram mais as mãos. A pele da loira era muito bem hidratada e lisa.
– Vocês duas bem que podiam ir lá para casa e quem sabe poderíamos beber mais algumas taças de vinho?
– A gente precisa ir ao toalete – fugiu Patrícia, carregando a amiga consigo.
Quando elas se afastaram, Pedro começou a rir alto e a chacoalhar seu amigo, que estava do seu lado.
– A Sabrina está superinteressada em você, benzinho... Esta noite você vai transar, mané.
– Cara, tu bem que podia ter me avisado sobre elas, né?
Pedro continuou a rir.
– Ué, eu te arrumei uma guria bem gata para foder e me pergunta por que não te contei sobre elas? Vai se foder, mano. Isto é ser brother, não é?
Benjamin sorriu para o amigo e assentiu com a cabeça. A garçonete que serviu a mesa deles não tirava os olhos do menino de cabelos castanhos e estava louca para entregar seu telefone a ele assim que pedissem a conta.
– Ben, você viu que seus olhos verdes estão fazendo o maior sucesso aqui, não viu?
– Quê?
– A nossa garçonete volta e meia dá um jeito de olhar para você. Acho que nem a Sabrina está intimidando a garota. Se for bem esperto pode sair daqui com duas transas arranjadas para a semana.
Ben disfarçou e olhou para a ruiva de cabelos pintados, que ao percebê-lo olhando abaixou os olhos.
Passado um pouco de tempo, as duas amigas voltaram do banheiro e para a felicidade dos rapazes aceitaram ir com eles.
– Nós iremos com vocês, mas teremos que segui-los porque estou de carro nesta noite – informou Patrícia, mordendo os lábios para Pedro.
A outra moça sorriu discretamente para Benjamin, que piscou para ela enquanto sorria maliciosamente. Quando deixaram o boteco, a garçonete estava pronta para entregar ao Ben um pedaço de papel com seu telefone, mas quando viu o beijo que o rapaz trocou com a loira perto da saída, desistiu.
Ben se ofereceu para dirigir no lugar do amigo, que havia bebido mais do que ele, só que Pedro rejeitou. Dentro do carro, o menino de olhos verdes foi obrigado a escutar tudo que o outro estava dizendo sobre a transa que logo teriam.
O rapaz só estava há cinco horas com o velho amigo e já estava cansado daquela ladainha toda. Até parece que o Ben perderia sua virgindade hoje.
Quando chegaram ao prédio, o porteiro olhou com uma cara muito feia para os dois assim que viu o carro das meninas encostar logo atrás. Pedro estava pouco se importando com ele ou com os vizinhos do prédio.
Sabrina subiu abraçada com Benjamin e ao entrarem no apartamento, Pedro foi pegar algumas taças e o vinho. As duas amigas foram até a sacada enquanto Ben permaneceu sentado no pequeno sofá de três lugares e seu amigo lá na cozinha, estilo americana, que permitia ao dono da casa não perder ninguém de vista.
Ben sabia que as gurias estavam conversando sobre os dois. Elas riam às vezes e olhavam para ele. Teve um momento em que a Patrícia fez um sinal para a outra com as duas mãos, indicando algo grande enquanto olhavam para a calça Saruel prateada que Benjamin vestia. Ele sabia que elas estavam fazendo uma cotação sobre o tamanho do seu pênis.
– Aqui meninas – disse Pedro, carregando duas taças, dois copos e a garrafa do vinho. – Ben, nós teremos que beber em copos simples mesmo porque meu colega deve ter quebrado as outras taças.
– De boas – respondeu ele, intimidado pelos olhares secos das duas amigas.
Enquanto bebiam, Pedro e Patrícia davam alguns amassos bem ali na sala, não se importando com os outros dois. Ben terminou de beber seu segundo copo de vinho e puxou Sabrina pela mão até o quarto, deixando seu amigo e a morena a sós na sala.
Assim que fechou a porta do quarto, Benjamin avançou contra a loira, pressionando o quadril e as costas dela na porta ao mesmo tempo em que a enchia de beijos quentes. Sabrina não demorou a sentir o pau do seu companheiro roçando a sua coxa enquanto as mãos dele apalpavam seus pequenos seios.
Ela gemeu baixinho assim que ele desceu sua língua molhada por toda a barriga e pelve dela, retirando a sua calcinha com a ajuda dos dentes e das mãos. No momento em que a Sabrina já estava desnuda em sua região inferior, Benjamin a segurou pela cintura e a carregou em seu colo até a cama. A garota se apressou a tirar a calça e a cueca dele, confirmando o que estava conversando com a amiga na sacada; o pau do Ben era enorme e para seu alívio não tão grosso.
Benjamin segurava firme o pescoço da menina enquanto ela pagava um boquete para ele. Só que o inimaginável aconteceu: ele se lembrou do dia em que pegou o Yuri batendo punheta no banheiro do clube e não conseguia tirar aquilo da cabeça. Depois olhou para a loira ajoelhada diante de seu quadril e se lembrou do beijo quente e confuso que trocou com o amigo.
Merda! Isso agora? Nem consigo me concentrar aqui por causa daquele maldito. Tenho certeza que já enlouqueci. Tenho certeza.
– Me desculpe, Sabrina, mas... eu não posso fazer isso – disse, atrapalhado.
A menina parou e levantou os olhos sem tirar aquele pênis da sua boca úmida.
– Quê? – Ela não acreditava naquilo. Tinha chupado aquele pau para nada? – Que você disse?
Benjamin respirou fundo e fechou os olhos, querendo se matar por aquilo. A loira já estava se levantando quando ele a empurrou na cama e levou os seus lábios em encontro aos dela. Não podia perder aquela transa por causa do seu amigo, que a uma hora daquelas devia estar se dando muito bem também.
– Eu não disse nada... Eu não disse nada! – repetiu quando colocava a camisinha em seu pênis dilatado. Levando a garota à loucura.
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