Sem as Linhas
17 XVI- “A noite sempre permanecerá e o brilho que emana das estrelas também”
Notas iniciais
~POV Estefani~
–Onde você quer me levar? –Perguntei irritada com Fredi.
Será que um dia de minha vida eu não posso ter sossego?
–É surpresa. –Ele disse. –Prometo que será bom pra você. –Eu quase ouvi o seu bom humor através do telefone.
–Que horas será isso? –Eu perguntei.
–Ah, lá pelas dez da noite. –Ele falou. –Ah, por favor, diz que sim... –Ele suplicou.
–Ah, não sei se vai dar... Eu to estudando, sabe... Provas trimestrais... –Eu falei, sem vontade.
–Não! Nada disso, Estefani... –Ele falou. –Você só fica em casa estudando e nunca sai pra se divertir, e hoje você vai sair comigo. –Ele protestava constantemente.
–Tudo bem, tudo bem! –Resmunguei. –Eu vou com você... Mas, tem que me dar uma carona. –Eu disse, me rendendo.
–Tudo bem, vou passar aí uns quinze minutos antes. — Ele disse e desligou o telefone.
Agora ele deve estar pulando que nem um maluco no meio do quarto ou cantando na frente do espelho com uma escova de cabelo nas mãos.
É... Eu conheço tão bem o meu amigo que eu sei exatamente o que ele deve estar fazendo agora.
Levantei da cadeira que estava estudando há algum tempo e me espreguicei.
Estava sem nenhuma vontade de sair, ainda mais com Fredi, por causa da nossa noite juntos nessa semana, e ainda tinha toda a história do Alex...
E, pra completar, sexta-feira da semana que vem o Rui vem pra cá...
Ah! Vou enlouquecer...
Mas o que mais me deixava louca era o Alex. Eu tinha muitas coisas sobre ele pra descobrir e nem de longe eu estava fora disso, e o pior é que eu estava me sentindo muito atraída pelo Alex, contando o fato de que ele me deixou ser influenciada por ele pra terminar com Rui...
Tomei um banho morno bem devagar, sem pressa alguma... Lavei fio a fio do meu cabelo colorido desbotado...
Assim que terminei, como não sabia aonde ele iria me levar, decidi colocar uma blusa vermelha de alcinha com alguns botões, uma saia preta curta, uma meia calça cor da pela fina e um par de coturnos preto lindo.
Alisei meu cabelo com a escova, deixando-os secarem naturalmente, passei uma maquiagem no rosto bem clara e os olhos pretos.
Assim que terminei, ainda faltavam alguns minutos até que Fredi apareceria em minha porta... Então, mandei um torpedo sms pra minha mãe:
“Mãe, o Fredi vai me levar pra sair e eu não sei aonde e nem sei quando volto, mas meu celular estará comigo o tempo todo, ok? Beijos e divirta-se”.
Fiquei aliviada por avisar a minha mãe, apaguei as luzes da casa e tranquei a porta com as minhas chaves.
Quando coloquei o pé pra fora de casa, Fredi me esperava no banco carona, seu pai na direção e o banco de trás esperando-me confortavelmente, afinal eu ficaria muito constrangida em ficar ao seu lado no carro, um espaço tão pequeno entre nós.
Mas eu só passei a pensar assim depois que tudo aquilo aconteceu.
Entrei no carro, cumprimentei os dois com minha habitual educação e seguimos para o nosso destino, que por mim, era desconhecido.
~POV Alex~
Quando terminei de me arrumar ainda estava bem tonto devido à bebedeira.
E, eu pretendia continuar com a mesma.
Antes de sair, fui até a adega da minha casa e peguei duas garrafas do vinho mais caro que consegui distinguir entre tantos. Coloquei dentro de uma sacola de papelão uma garrafa e a outra eu já bebericava com ela entre os meus dedos da mão esquerda.
Quando olhei impaciente o relógio, Felipe buzinou no portão da minha casa.
Felipe, ao contrário de mim, era maior de idade e já estava no seu primeiro ano de faculdade. Mas pra mim não fazia diferença, afinal, mês que vem eu completava os meus tão aguardados dezoito anos...
Ele estava estacionado em frente à minha casa em seu Mitsubishi Lancer preto.
Toda vez que eu via aquele carro, meus olhos brilhavam, enchiam-se de vida. Uma das minhas maiores paixões eram carros.
Finalmente, antes de entrar no carro, parei ao lado do motorista, abaixei-me à sua altura e olhei nos olhos do Felipe:
–Você terá que me deixar dirigir. –Eu disse encarando-o.
–Como assim, cara? –Ele perguntou. –Você estava podre de bêbado não faz muito tempo atrás... Desculpe-me, mas-
–Cale a boca e vaza para o lado que hoje eu não estou bom pra conversas. –Eu disse rude.
Eu sabia que ele iria fazer isso, afinal todas as vezes que vamos ao clube, eu que pago as bebidas dele porque ele sempre inventa que está “duro de grana”.
É ele tem toda essa “pinta” de rico, mas está é no fundo do poço... O carro é dos pais dele e, ele sem emprego, está ferrado.
–De boa, cara... –Ele disse, saindo do carro e dando a volta para ir ao banco carona.
Eu sei que eu estava fora da lei, afinal sem carteira de motorista, com álcool na cabeça, com o carro dos pais do meu amigo, isso é quase certo que dá merda.
Mas eu nem liguei, eu só queria ir para o clube encher mais um pouco a cara e nada melhor pra ajudar a aliviar um pouco mais do estresse do que acelerar e muito em um carro, ainda mais esse, o qual sou apaixonado.
Ao invés de seguir o caminho normal que a gente sempre fazia para ir ao clube, decidi ir para um caminho mais longo, afinal queria curtir aquele carro.
E, Felipe em nenhum momento me questionou. Sua expressão era de medo, afinal acho que a minha cara agora não era uma das melhores.
Acelerava, trocava as marchas e a maciez do carro me deixava louco e hipnotizado.
~POV Estefani~
Assim que o carro parou em uma calçada de uma casa com luzes acesas, me questionei onde estávamos... Não tinha ideia alguma, porque eu achei que iríamos a algum restaurante ou algo do tipo.
Mas, não quis estragar o momento do meu melhor amigo, somente baixei a cabeça e abri a porta do carro.
Despedimos-nos do seu pai e caminhamos lado a lado em silêncio até a entrada da porta principal.
Mas, antes de eu girar a maçaneta e ver onde estávamos Fredi se colocou em minha frente e olhando nos meus olhos, falou:
–Espero que goste minha linda. –Largou abrindo um sorriso e abrindo lentamente a porta para que eu pudesse ver um amontoado de pessoas amigas e conhecidas todas pulando e gritando em minha frente:
SURPRESA!
E, realmente eu estava surpresa. Quanta gente e que pessoas bem arrumadas.
Quase todas minhas amigas, apenas alguns conhecidos ou que eu menos falava...
Uma faixa vermelha com letras brancas no topo da escada dizia:
“Festa de Despedida”
Foi só aí que me dei conta: Fredi havia feito uma festa surpresa pra mim com todos os nossos colegas até o segundo ano para uma despedida do União.
Mas, que lindo que ele é! Meu melhor amigo, que presentão que você me deu.
Agradeci muito pra ele mentalmente.
E, comecei à cumprimentar todos os meus amigos e colegas com muita satisfação de tê-los por ali, afinal todos estavam me tratando muito bem e diziam que sentiam saudades.
A festa estava acontecendo em uma casa de dois andares, mais precisamente na sala de estar, sala de jantar e na cozinha.
Tinha bebidas, decoração ao meu estilo, música e pessoas legais.
Mas depois de certo tempo procurando Fredi no meio de todo aquele pessoal feliz, desisti e fui sentar um pouco no jardim, onde tinha um banco tão pequeno que talvez duas pessoas não coubessem nele e o mesmo ficava num lugar bem afastado da casa, quase que na calçada.
Olhei para o céu, suspirei fitando as estrelas.
A essas alturas eu já estava no meu terceiro copo de vodca com suco de limão e gelo.
Como o universo é imenso... Quando observo as estrelas daqui elas parecem tão divas, tão maravilhosas, que me sinto uma estúpida por todas as vezes que eu abri a minha boca para reclamar dos meus problemas...
Eu tento ser linda por dentro e por fora a todo instante, e ela sem nenhuma palavra conseguem isso continuadamente, apesar do tempo passar, a noite sempre permanecerá e o brilho que emana delas também...
~POV Alex~
Continuava rodando com o carro de Felipe e a mesma expressão invadia seu rosto a cada minuto.
Mas enquanto dirigia e passava por um bairro nobre, uma casa lotada de pessoas e uma garota sentada num banco quase na calçada, olhando para o céu me fez frear bruscamente, dando um barulho estridente de pneus no asfalto.
A garota que estava observando o céu olhou para frente, mais precisamente para o carro e arregalou os olhos com o barulho dos pneus.
Mas eu tinha certeza que ela não tinha visto que era eu.
Desci do carro e falei olhando para o Felipe:
–Pode ir, eu vou mais tarde. Agora minha parada é aqui. –Eu disse.
Mas parei. Lembrei-me que ele estava “duro” e esperei a sua reação.
–Mas, você falou que iria comigo, cara. –Ele largou.
Dei um sorrisinho.
Então o problema era a grana e não o prazer da minha companhia?
–Pega essa merda e some daqui. –Eu disse atirando pra ele uma nota de cem reais.
Ele não se deu o trabalho de responder, somente deu a arrancada com o carro e em questão de segundos vi o carro desaparecendo na curva.
Continuei minha caminhada. Lentamente, me aproximava dela.
Eu sabia que era ela.
~POV Estefani~
Enquanto analisava as estrelas, uma música do Justin Timberlake começou a tocar nas caixas de som dentro da casa.
Eu amava aquela música.
Continuei encarando o céu até que uma freada brusca de carro invadiu os meus ouvidos e fez meu coração saltar, tirando-me dos meus devaneios.
Mas que maluco, vê se dirige direito!
Mas, gelei no momento que pensei nisso, porque o homem abriu a porta do carro e desceu.
Vi ele murmurar algumas coisas com o seu companheiro. Alguns segundos depois o outro assumiu a direção e arrancou com o carro preto.
Mas que diabos... Porque esse homem está vindo em minha direção?
Assim que me questionei sobre quem era, ele se aproximou em mais alguns passos, então eu pude ver quem era: Alex.
Minha vontade foi de correr pra longe dali, correr e correr.
O medo estava estampado na minha face, mas não queria deixar isso claro pra ele, apenas encarar ele, afinal mais cedo ou mais tarde eu tinha de fazer isso.
Mas meu coração me traia, palpitando a cada segundo que passava a cada passo que ele se aproximava.
Senti meu rosto ficar vermelho e quente, deve ter sido de vergonha, lembrando-me do nosso último e sinistro encontro.
Assim que encarei os fatos e ele chegou bem próximo de mim, a ponto de eu poder distinguir as cores dos seus olhos naquela noite, eu me levantei e no mesmo impulso que eu o fiz e o encarei mais uma vez, frente a frente, ele pousou seus lábios sobre os meus.
Fiquei sem ar, seus lábios eram gélidos, assim como a brisa que penetrava nos meus ossos a partir de agora.
Seu gosto amargo de vinho misturado com vodca e enxaguante bucal de menta me invadiu, deixando-me louca e querendo mais. Desse modo, abri mais o espaço entre os meus lábios e deixei-o explorar os cantos mais inusitados da minha boca, deixando-me mais à deriva a cada segundo.
Mas no momento em que ele rodeou o meu corpo com os meus braços e que senti nossa respiração misturada, senti que os meus problemas desapareceram, assim como na hora que observei as estrelas e senti-me pequena perto dos meus problemas, assim eu me sentia com ele ali.
~POV Alex~
Quando a vi sentada no banco e me encarando: Agora eu sabia que era a Estefani e sabia que ela me via como um monstro, mas devido ao álcool quente correndo em minhas veias e o impulso por ter a visto, beijei-a.
Um beijo profundo, cheio de sentimentos, dos piores até os melhores.
Mas no momento em que decidi rodear os meus braços ao redor de seu corpo pequeno e que senti nossa respiração misturada, ela me acalmou.
Ela me passava uma tranquilidade.
Meu coração era mesmo de um bandido.
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