Sem as Linhas

20 XIX- Campeonato maldito de Futebol


Notas iniciais
Oi pessoal, como estão? Espero que tudo bem... Eu estou indo... Espero que gostem desse capítulo e espero a opinião de vocês (que é sempre bem vinda) :} Desculpem-me pelo último capítulo (talvez tenha ficado mt ruim, não?? :( ) Bom, é isso.. Pra compensar, aí está um capítulo muito bom! Espero que gostem, porque eu amei escrevê-lo *-* Bom, desculpem-me também o atraso.. Mas como muito poucos haviam lido o último capítulo, resolvi escrever esse aqui só hoje, devido à leitura escassa :( e, também pelo tempo que quase não tenho mais pra escrever... Mas, aí está! Boa leitura, jovens!!! Beijos s2

~POV Estefani~

Achei o domingo entediante...

Será que é porque não vi o Alex?

Talvez eu achasse que estava apaixonada... Não sabia ao certo...

Mas a saudade que sentia de Fredi já era imensa... Afinal desde quando começamos a brigar tanto? Porque tinha que ser assim?

Eu estava achando aquilo tudo muito estranho... Sentia que traía o Rui e o Fredi ao mesmo tempo... Sentia uma tristeza imensa...

E, então... Devaneando sobre tudo isso em minha cama, no domingo, adormeci.

...

Tudo corria normalmente... As entregas de jornais... Os olhares mesquinhos na escola... Já estava acostumada com tudo aquilo no Hexágono.

Logo que cheguei à escola, na segunda-feira de manhã, e o friozinho acolhendo o meu corpo, subi direto para a sala de aula, afinal não estava nem um pouco a fim de aguentar aquela gente me olhando torno no saguão da escola.

Chegando à sala, não encontrei ninguém além de dois colegas meus, que eram estudiosos e empenhados e que estavam lendo alguma coisa, juntos. Os estereótipos, muitas vezes, falavam mais alto, deixando esses meus colegas constrangidos.

Mas eu, não ligava... Eles poderiam ler ou fazer qualquer outra coisa, que eu nem iria ligar para nada... Afinal, todos podem fazer o que quiserem.

Assim que a sala de aula lotou e o professor de matemática entrou na sala, o grêmio estudantil bate na porta e pede licença para entrar.

Ah... Ainda bem! Tudo para ter um minuto a menos dessa aula insuportável.

Eu odiava matemática... Mas não sabia ao certo quando esse ódio recíproco começou...

Também odiava língua portuguesa e gramática... A única matéria que me agradava na escola eram as aulas de redação, pois eu escrevia as minhas músicas livremente e ninguém me perturbava.

O grêmio estudantil do Hexágono pediu silêncio a todos e deu o seu recado, prevendo a carranca do professor Bianchini:

–Pessoal! Está aberta a temporada de campeonato de futebol do Hexágono! –Falou a garota de porte baixo e ruiva.

Um burburinho tomou conta da sala de aula.

–Grande porcaria... Vou ler o meu livro que eu ganho mais... –Murmurei.

Mas a pessoa que estava sentada atrás de mim ouviu.

–Porcaria, é? Queria ver você correndo atrás de uma bola por noventa minutos... –Disse aquela voz.

Eu virei de olhos arregalados, estremecendo ao ouvir a voz familiar.

Lembrei-me de tudo o que havíamos vivido no sábado de noite...

Meu estomago se revirou.

–Mas você que escolheu entrar nisso... Eu não queria nem de graça. –Eu disse, debochando do seu rosto, que acabara de ficar vermelho de raiva.

–Eu achei que você gostasse de futebol. –Ele disse olhando para o meu livro, talvez tentando adivinhar o que eu estava lendo.

–Achou errado, Alex. –Eu disse. –Eu odeio tudo o que envolve você. –Eu cuspi as palavras.

–Mas os meus beijos você não odeia. –Ele disse em tom de escárnio.

–E, você não odeia os livros que eu leio. –Eu disse erguendo o meu livro, finalmente dando a visão completa da capa do mesmo.

–Fernando Pessoa. Boa escolha. –Ele disse, piscando pra mim.

–E, desde quando você entende de livros? E, desde quando você senta atrás de mim? –Perguntei, arrastando a cadeira para frente, tentando manter uma distância razoável dele.

–Desde que comecei a observar os seu gosto por literatura. –Ele disse.

–HÁ! –Eu disse rindo tanto que chamei a atenção inteira da turma, inclusive do grêmio estudantil e do professor Bianchini.

–A senhorita poderia nos dizer o que é tão engraçado? –Perguntou o professor da matéria que eu odiava tanto.

–Nada, professor. Desculpe-me. –Murmurei de cabeça baixa, voltando à atenção para o meu livro.

Não prestei atenção em mais nada do que aquele Grêmio Estudantil dizia, só sabia que durante essa semana iria ter jogos de futebol em nossa escola contra outras que viriam do interior disputar com o Hexágono o título de melhor do estado.

E, sabia que Alex estaria em todos os jogos. Mas eu não estaria em nenhum.

Só de pensar em tudo isso e em sexta-feira o meu estomago já se contorcia dentro de mim: A visita tão esperada de Rui...

E, o medo constante de não gostar dele, como já de fato não conseguia mais como antes...

Maldito diabo de Alex.

...

Depois de estar numa sala cheia de pó em frente à quadra de futebol do Hexágono, mexendo em documentos, cumprindo detenção, tive a resposta do Alex.

*Flashback On*

–E, desde quando você entende de livros? E, desde quando você senta atrás de mim? –Perguntei, arrastando a cadeira para frente, tentando manter uma distância razoável dele.

–Desde que comecei a observar os seu gosto por literatura. –Ele disse.

–HÁ! –Eu disse rindo tanto que chamei a atenção inteira da turma, inclusive do grêmio estudantil e do professor Bianchini.

–A senhorita poderia nos dizer o que é tão engraçado? –Perguntou o professor da matéria que eu odiava tanto.

–Nada, professor. Desculpe-me. –Murmurei de cabeça baixa, voltando à atenção para o meu livro.

Por que diabos ele está sentado atrás de mim?

...

Quando cheguei à escola na terça-feira o diretor me chamou antes mesmo de começarem as aulas.

–Eu estou muito decepcionado com você, Inue. –Ele disse enquanto me encarava de um jeito intimidador.

–Eu não estou entendendo, senhor Oliveira, eu absolutamente não fiz nada desta vez. –Eu disse olhando para os meus próprios pés.

–Estefani, ontem à tarde eu recebi uma denúncia anônima de alguém na escola, que você estava portando bebidas alcoólicas. –Ele disse, repousando as duas mãos sobre a sua barriga.

–O que? – Eu disse, exasperada. –Como podem dizer isso de mim? Eu nunca fiz isso! –Eu disse levantando-me.

–Eu vou te dar uma pequena detenção. – Ele disse.

–E, você não vai nem conferir se é verdade ou não? – Eu perguntei. –Quer olhar a minha mochila? Fique à vontade. –Provoquei louca de raiva.

–Não, nesse caso eu não posso fazer nada à não ser acreditar na denúncia e lhe dar o devido castigo. –Ele disse.

–E, se eu não aceitar? –Eu perguntei. –Porque, é natural que eu não aceite, afinal eu tenho ABSOLUTA certeza de que não estava portando NENHUMA bebida alcoólica e muito menos ingerindo! –Eu me exaltei.

–Estefani! Você vai se calar agora ou te expulsarei daqui! –Ele disse, a ira tomando o seu rosto.

Nunca havia visto-o assim.

–Mas, não é verdade! Senhor Oliveira! Por favor, acredite em mim! Há muitas coisas que aconteceram comigo aqui e o senhor nem sonha! –Eu disse as lágrimas quase caindo. A raiva tomando mais forma em meu rosto.

–Você fica para a detenção amanhã à tarde. Das duas às quatro da tarde. –Ele disse e voltou sua atenção para os papéis e ignorando a minha declaração anterior, até então desconhecida por ele.

Saí da sala dele sem falar mais nada, batendo a porta com a força que encontrei.

DANE-SE ELE! SE ME EXPULSSASSE AGORA, ME FARIA UM FAVOR MUITO GRANDE!

Assim que saí da sala, fiquei sem nenhuma vontade de ter aula e o coração estava apertado.

EU QUERIA OS MEUS AMIGOS VERDADEIROS DE VOLTA! QUERIA O FREDI AQUI, COMIGO... Queria voltar a ser a Estefani que amava o Rui.

EU NUNCA QUERIA TER CONHECIDO O ALEX! ESSE MALDITO!

*Flashback Off*

Claro, Alex sabia que eu não assistiria a nenhum maldito jogo de futebol que ele estaria então sentou atrás de mim na segunda-feira para colocar a bebida em minha mochila, aquela vodca que eu achei entre meus cadernos na segunda-feira de noite, enquanto pegava uma caneta no estojo, e assim ele mesmo fez a denúncia...

Como não tinha como o diretor confirmar, ganhei uma detenção maldita, sem ao menos poder me defender...

Teria que limpar e organizar os documentos da sala 311, e justo aquela sala dava de frente à quadra de futebol.

*Flashback On*

As pessoas ainda estavam se amontoando ao nosso redor, mas quando eu estava prestes a responder, um homem com poucos cabelos e grisalhos apareceu.

–Springmann, você está querendo mais algumas semanas de detenção? Eu posso arranjar pra você, se quiser... –Disse ele apontando o dedo indicador em direção do Alex.

–Desculpe, senhor Oliveira, tomarei mais cuidado da próxima vez. –Disse ele, dando uma piscadinha para mim, disfarçadamente daquele senhor.

–Bom mesmo. Não é assim que recebemos as pessoas, Springmann. –Disse olhando para mim.

Essa foi a frase que encerrou aquela tortura que sofri no pátio do Hexágono, antes mesmo de iniciar as aulas e o diretor, senhor Oliveira, me encaminhou até a minha sala.

*Flashback Off*

É claro que ele sabia que a sala ficava de frente para a quadra, porque o desgraçado já havia tido umas mil detenções, no mínimo, de tão filho da mãe que ele era.

O jogo começou às duas da tarde. A escola toda estava assistindo o jogo e, eles vibravam junto com Alex, que rapidamente fazia golos.

Eu continuava a cumprir a minha detenção, negando-me olhar para a quadra.

Mas, quando acabei o meu trabalho, já eram três da tarde... Ainda tinha uma hora pela frente naquele lugar fedendo à mofo e que me fazia espirrar à cada segundo.

Ô inferno...

E, pra completar por causa do Alex, perdi um dia de emprego no Hotel... E, ainda fiquei constrangida quando tive que falar para a Dona Joanna ontem de tarde que eu teria que ficar de detenção na escola.

Decidi então me debruçar na janela do terceiro andar, com o objetivo de assistir ao jogo, já que não tinha nada melhor pra fazer...

O povo vibrava nas arquibancadas do pátio com gritos, cartazes... Muitos para Alex – o capitão do time – ou para os jogadores de cada garota preferidos... Muitos cartazes de apoio para os amigos de cada um.

Comecei a observar Alex... Ele jogava com agilidade, e a todo o momento ele era o centro das atenções.

O placar era 3x2 para o Hexágono. O time que estava perdendo, estava desesperado e faltava menos de trinta minutos para acabar o jogo. Assim que o time perdesse, eles estariam desclassificados do campeonato estadual e o Hexágono enfrentaria o seu próximo adversário.

Quando Alex fez o quarto gol do Hexágono, dirigiu o seu olhar para a janela do terceiro andar, a qual eu estava debruçada e fez um coração com os dedos das mãos e em seguida fez menção de jogar o coração para mim.

No mesmo segundo que a plateia via os seus gestos e eu também, abaixei-me para que o colégio inteiro não visse que era eu.

Meu rosto queimou de vergonha.

Mas que diabos? O que ele pensa que está fazendo? Eu nem pedi gol para ele!

Por que ele não vai mandar gol pra essas garotas que vivem puxando o saco dele?

Ah vá...

Assim que ouvi o diretor encerrando o jogo, com a nossa vitória, decidi finalmente olhar pela janela de novo e vi que todos estavam fazendo festa, pulando e cantando o hino de futebol do Hexágono.

Hexágono

Te prometo eterna vitória!

Hexágono, vamos rumo à bola

Seguindo sempre em frente!

Te prometo, Hexágono

Eterna vitória!

Hexááá-gono/Hexááá-gono

Hexááá-gono/Hexááá-gono

Te prometo eterna vitória!

Eu escutava atentamente o hino e até sorri quando o mesmo terminou.

Senti aquele vazio dentro de mim, preenchido de alguma forma, por um fio pequenino de felicidade... Talvez tenha sido a felicidade daquelas pessoas que tenha também me contagiado, e de repente eu queria estar ali naquela multidão... Eu queria estar esperando ansiosamente pelo Alex, mesmo que estivesse suado, eu queria um beijo quente seu e, queria senti-lo perto de mim, mais uma vez.

Assim que terminou todo o agito no pátio da escola, vi que quase todos haviam ido embora e, eu ainda estava de detenção. Esperei impacientemente, louca para ir embora para casa ter algumas horas até a noite para ler, estudar ou dormir um pouco em meu quarto.

Finalmente eu teria algum sossego!

Quando o relógio marcou quatro horas da tarde, peguei minha mochila e casaco preto.

Saindo de cabeça baixa pela porta, olhando em meu celular se tinha algum sms ou ligação de Fredi ou Rui, nem vi quando esbarrei no peito duro e gelado de alguém.

Olhei para cima, ainda colada em seu peito, e os olhos negros de Alex me fitavam constantemente.

–E, então, gostou do jogo? –Ele perguntou sorrindo, enquanto eu me recompunha.

–Não. –Menti.

–E, do gol que te dediquei? –Ele perguntou novamente sorrindo.

–Não. Aliás, porque fez aquilo? –Eu perguntei irritada. –Não era você que sempre fazia questão de deixar bem claro pra todo mundo que não tínhamos nada a ver um com o outro? –Eu vomitei as palavras ali em sua face.

–Porque eu quis mostrar o contrário a todos e a você. –Ele disse. –Eu quero provar pra ti que eu sou diferente de tudo o que você já pensou de mim antes.

–Olha, vai ser bem difícil, ein. –Eu disse, cruzando os braços. Aquele corredor estava frio demais. –Só pela vez na estação de trem, eu nem deveria estar falando com um psicopata como você. –Eu falei.

–Mas eu salvei sua vida no sábado, então foi meio que um pedido de desculpas, não? –Ele falou fitando o chão.

–Sim, eu entendo isso. Mas eu sou assim. Depois que quebra a confiança uma vez não sei se é possível restaurá-la de novo. –Eu falei. –E, outra, você me prejudicou muito com essa sua brincadeirinha de detenção e bebida alcoólica. –Eu falei ficando muito irritada e com raiva.

–Ah, você é bem inteligente! –Ele disse rindo alto.

–Não tem graça, Alex. Eu vou perder o meu emprego se tudo continuar assim! –Eu disse, com tanta raiva que a mesma já estava quase transbordando dos meus olhos. –Você quase fez perder o meu emprego naquela vez do sequestro, e agora de novo, com essas brincadeiras idiotas que eu odeio. –Minha voz era rouca, mas o volume estava alto.

–Ei, pare de falar assim e alto. –Ele disse, tentando buscar os meus olhos com os dele e minha mão com o seu toque.

–Não, Alex! Às vezes eu desejo que você desapareça da minha vida ou que simplesmente eu NUNCA tivesse conhecido você nessa vida! –Eu comecei agora à chorar violentamente em sua frente.

EU ESTAVA CANSADA DE TUDO AQUILO!

Ele estava prestes a me abraçar, quando eu soltei:

–Não me toque Alex! Eu jamais irei te tocar novamente em minha vida! Porque quem vai desaparecer serei eu! –Eu disse, praticamente rosnando e as lágrimas ainda desabando de minha face.

Comecei a correr em direção à saída da escola... Desci as escadas em uma velocidade que eu nunca tinha visto em mim mesma.

Algumas pessoas tinham esbarrado em mim, mas eu não me desculpei... Afinal, alguns até já tinham me feito sofrer muito ali quando fizeram aquelas atrocidades comigo, e agora a ira que se propagava em meu coração, queria vingança imediata e não aguentava mais nada.

O meu pavio estava curto demais.

Quando olhei para trás em meio à correria até o portão da escola, vi que Alex ainda corria atrás de mim, mas por causa do jogo, seu fôlego estava baixo.

Quando finalmente cheguei ao portão da escola, o ônibus que estava parado em frente à escola era o que me levava até em casa. Peguei o mesmo e ele já estava andando quando vi Alex parado em frente ao portão, fitando os meus olhos tristes, enquanto gradativamente me afastava dele.

Notas finais
Espero que tenham gostado, principalmente do hino do Hexágono kkkk Ficou tri né?? Diz aíii *---* Até o próximo, lindos *-* s2