Sem as Linhas

3 II- Porto Alegre


Notas iniciais
Mais um capítulo hoje! Que tal? *-*

Colocando os pés dentro daquele ônibus, vi uma poeira no chão que me seguia até meu acento do ônibus da linha 1135. A janela estava aberta e eu começei a ouvir música para amordaçar o sono que eu sentia, a partir de agora.

O ônibus fazia um tour por Porto Alegre, a minha mesma vista de sempre... Constante porcaria, eu diria, mas hoje eu via um nascer do sol que me comoveu e pouco a pouco as lágrimas sobre o meu rosto deslizaram e lavaram a minha alma fazendo com que as cicatrizes virassem um câncer dentro do meu coração, pobre em amor e rico de sonhos quase impossíveis de se reverter para a realidade.

Meus pensamentos voaram até a chegada da escola.

Voaram de forma delimitada como um anjo de asa quebrada e sem razão para voltar.

Fui a última a colocar o pé para fora do ônibus, tentei ser visivelmente legal, suspirando e olhando para a placa que dizia: ''União Porto Alegrense''...

Essa é a escola ou melhor, o lixo onde eu estudo.

Segundo ano do ensino médio não era fácil, muito menos para mim que não era muito amiga da matemática.

Consegui prestar atenção em só meia palavra da professora e o resto da minha atenção ficou só no meu pensamento...

Fiquei viajando... Olhando para a janela e imaginando como que seria se hoje eu pudesse ver ele... O quanto eu poderia amá-lo, o quanto eu poderia fazer ele ser o homem mais feliz do mundo até seu último segundo de vida. Até seu último suspiro, até sua última manifestação e por fim até que a morte o separasse de mim...

Três períodos passaram bem rápido e meu estômago já ansiava de fome e um frio na barriga por causa dele... Sua imagem me provocava esse tipo de reação...

Eu o amo com todas as minhas forças, nunca amei ninguém como eu o amo e o pior é que a minha irritação vinha por causa da distância maldita, que o destino provocava sobre nós.

Demais para as minhas pálpebras aguentarem e eu desabar a cada dia que passasse.

Parecia que eu vivia aprisionada sobre quatro paredes de gelo impossíveis de serem quebradas.

Todos os dias eu ia ver meu amigo Fredi jogar basquete e ele me ajudava a fazer alguns passes. Ele era muito bom... Um dos melhores do estado. Eu era boa também mas, minha carreira era tocar guitarra.

Um dom ou uma perdição perfeita ?

Era só um passa-tempo por que eu era invisível naquela sociedade medíocre. Fredi dizia que não era para eu pensar desse jeito por que eu era a melhor amiga que se podia ter nesse mundo e que ele me ama mais que tudo e que todos.

Realmente, naquele dia eu senti a morte talvez se aproximando mas, eu não a conhecia para saber distingui-lá.

Deitei sobre uma arquibancada onde o sol era constante e lá fiquei pelos 30 minutos que eu tinha de recreio. Quando eu estava voltando para a sala, Fredi me atacou:

– Ei Téfi, o que ouve? — Ele falou com olhar de preocupado.

–Nada, só fiquei sozinha Fredi.-Falei meio constrangida.

–Tudo bem, compreendo. Você não está no seu dia certo ?.-Falou largando um sorriso muito sincero.

–Certo. — Terminei, por fim largando um suspiro de desânimo seguido de um sorriso.

Rimos um pouco, principalmente pela minha reação enquanto subíamos as escadas.

Chegando na sala nos afastamos e fomos para os nossos respectivos lugares. A aula de redação se arrastava e para que passasse rápido, decidi escrever algumas músicas para tocar na aula de guitarra da semana. O prazo para a aula estava bem longe, mas eu não estava afim de escrever prosa alguma naquele dia e eu poderia me adiantar.

Peguei o meu caderno para rascunhos, uma caneta ''BIC'' e começei a rabiscar as primeiras palavras.

Realmente eu estava mesmo me interessando a escrever, me envolvendo cada vez mais. Eu estava com a cabeça meio baixa, com o nariz quase grudado na folha branca de caderno e vi uma gota vermelha. Quando coloquei a mão no meu nariz, estava saindo sangue.

Fui até a professora e disse com ar de desespero repentino:

–Posso ir ao banheiro?- Falei com a mão no nariz;

–Não demore! -Exclamou-se ela para mim, com indiferença.

Eu fui indo até a porta quando de repente senti a respiração fraca e um suor frio que inundou a minha testa de água, o suor.

Acho que eu devia ter ficado apagada por só alguns 10 minutos. Fredi estava segurando a minha cabeça em seu colo.

Quando abri meus olhos ele me deu um sorriso de orelha a orelha e me fez um olhar sincero e que derreteu o amor de amigo que eu sentia por ele.

–O que ouve Fredi?- indaguei a min e a ele constantemente com o olhar.-

–Você desmaiou e estava com o nariz sangrando muito.

Ele estava tentando me explicar com palavras e gestos.

Me levantei, segurando a minha cabeça que estava doendo muito, muito mesmo.

Fredi foi dispensado para me levar para casa e eu também ganhei dispensão, obviamente.

Descemos as escadas lentamente, meu braço envolvia o pescoço dele, eu estava me apoiando, sentindo muita fraqueza, minha boca estava seca, eu queria dormir um pouco, me sentia uma inválida.

Cheguei na parada de ônibus, nº 1135, era só o que me lembro, o resto eram só resquícios de memórias complexas.

Ficamos sentados nos últimos bancos do ônibus e lá eu fiquei com a minha cabeça escorada no ombro dele, severamente.

Chegando na minha casa, ele me pegou no colo e me colocou no meu quarto, me tampou com uma manta xadrez velha e quente. Eu ganhara ela da minha vó, quando eu havia feito 13 anos.

Ele me deu um beijo na testa e saiu. Não nos comunicamos.

Minha mãe ficou lá comigo, me deu chá e em alguns segundos a febre começou. Trinta e nove graus.

Eu sentia-me desdenhada em dormir e nada mais.

Parecia que 50 nuvens de raios haviam pousado sobre mim e que uma descarga de adrenalina havia atacado os meus pulmões.

Sinceramente eu estava ferrada!

Eu odiava fazer exames e eu sabia que minha mãe ia exigi-los de mim, mesmo eu sabendo que estava tudo ótimo.

Era madrugada, parecia ser 2:30 da manhã, todos haviam adormecido sobre o seu travesseiro.

Uma breve e brava chuva começara e eu avistei alguns pingos, vi pela sombra da janela, que eu deixara aberta com os vidros fechados e a lua cheia que transmitia uma luz esplêndida, apesar dos meu problemas, fazia com que a noite ficasse quase perfeita e o que faltava para que ficasse totalmente perfeita, era ele. Essa noite esplêndida estava se esvaindo nos meus pensamentos. Ele invadiu-os.

Normal para um dia de chuva qualquer.

Virei de bruços na cama e comecei a escutar música.

Eu comecei a revirar uma rádio para encontrar uma rádio decente, por que eu estava um pouco cansada para ouvir placebo, airbase, the gazettE, abingdon boys school, kings of leon ou até mesmo the smiths.

Som muito agitado para o dia que eu havia tido.

Procurei e vasculhei. Até que achei uma rádio que estava tocando a música ''Electri Feel'' da MGMT.

Adorava essa música, muito mesmo, foi o que me animou... Ouvindo aquelas músicas dos anos 80, aparentemente época da minha mãe. Me distraí sem perceber até que adormeci novamente.

Quando acordei de manhã assustada, procurando o mp4, que estava sem bateria e que estava debaixo das minhas costas.

Fiquei constantemente tentando imaginar e adivinhar que horas era naquele momento, até que desisti.

Cheguei à cozinha e minha mãe já estava desesperada. O que era normal. Ela estava ao telefone e telefonava para médicos, decidindo algum para me levar. A coisa mais chata que se pode ter.

Notas finais
Eu acho que mereço alguns leitores, ein... AUHSAUHSA Beijos ♥