Sem as Linhas
4 III- Meu céu sem estrelas
Notas iniciais
Soundtrack: Projota — Chuva de Novembro.
''Desculpa o cartão molhado é que em novembro sempre chove à tarde.''
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Minha mãe era como uma bomba. Eu não poderia discordar com ela, mas sei que isso tudo era exagero, amor de mãe.
Ela estava parada pensando e nem percebeu minha presença e quando repentinamente falou:
–Médico e exames de sangue às 14:30.
–Ah mãe, que saco! -Fiz cara de triste para ver se ela mudava de ideia.
–Mãe, eu preciso trabalhar à tarde, a senhora sabe, simplesmente não posso ir no médico assim, do nada.
–Estefani Inue, você vai e eu não vou mudar de ideia.
Não pude mais discutir, simplesmente dei as costas à ela e fui tomar banho. Depois que liguei o chuveiro, me senti mais à vontade, deixei a água escorrer levemente sobre o meu corpo.
Quando saí do chuveiro, fui para o meu quarto e em cima do armário, apanhei meu diário, pois naqueles dias péssimos que eu estava tendo, era inevitável não escrever nele pelo menos meia palavra. E, então, coloquei sobre o papel ou pelo menos tentei colocar todos os meus sentimentos, mas sei que nem todos os sentimentos são descritos em meras palavras.
''Desde o começo eu sabia que iria sofrer.
Mas, eu só me importava com o agora.
Vou passar o tempo que ficarei longe de você, tentando colar os pedaços do meu coração.
Eu não posso cair nesse mar de tristeza e dor.
Tenho que tentar levantar, me iludindo com o seu olhar de antes.
Eu posso errar, mas, nada será comparado ao seu erro. Eu achei que você era meu, eu achei que você acreditava em nós.
Vou deixar cada lágrima cair, pouco a pouco, fazendo meu brilho desaparecer completamente.
Não há mais motivo para sorrir. Será que há alguém nesse mundo que possa me entender?
Será que você ainda consegue se olhar no espelho?
Será que você consegue olhar nos meus olhos e dizer que me ama?
Será que está cumprindo o seu ‘’para sempre’’?
Eu estou te cobrando, não sou seu brinquedo, não consigo mais lembrar de você, será que foi eu quem errei?''
Depois de escrever, ergui meu rosto, secando algumas lágrimas e me lembrando de Rui. Tudo isso era por ele e o que ele me dava em troca? NADA, nem ao menos o seu amor.
Por impulso da saudade, liguei meu computador e entrei em contato com ele.
–Oi. — Eu escrevi com os dedos lentos, trêmulos e o olhar paralisado.
–Oi téfi! Que saudades, menina! -Ele estava meio que feliz.
–Também estava com saudades. Bem, estou mais ou menos... Naquelas.
–Hum... O que houve com você? Você parece meio abatida e distante.
–Ah, uns problemas aí. -Eu comecei a ficar com receio de minha reação sobre essa conversa.
–Fala pra mim! Sou seu amigo, não sou?
Sim e queria que fosse meu eterno amor. -Pensei.
–Sim, claro que é. E é por isso que não queria te contar por que sei que vai ficar chateado. -Falei insegura.
–Fala, logo! -Ele estava alterado e preocupado.
–B-Bom... -Gaguejei do outro lado, falando em voz alta o que iria contar- Vou ter que fazer uns exames. Ontem, na aula de redação, meu nariz começou a sangrar e eu pedi para ir ao banheiro e desmaiei na porta da sala de aula.
–Nossa! E, te ajudaram?
–Sim, o Fredi me ajudou.
–Ah sim, e agora? Você está melhor? — Ele perguntou com ciúmes e preocupação.
–Bem, isso é o que eu vou descobrir hoje, mas, acho isso uma bobagem, essa coisa toda de exame. Poxa, foi só uma tonturinha e minha mãe fica insistindo nessa história.
–Não é bobagem, sua saúde é preciosa e obedeça à sua mãe.
–É impossível tirar qualquer ideia da cabeça de minha mãe, então não seria possível eu relutar contra essa ideia e dar certo.
–Hum.
–E você, como está?
–Ah, eu estava esperando você perguntar.
Nossa como você está idiota hoje. Deve estar amando outra. –Pensei.
–Hum... é a cabeça cheia.
–Estou bem sim, mas com essa noticia, fiquei meio balançado.
–Ah, bobagem! Você vai fazer o que hoje?
Quase disse: fica comigo? Estou com saudades, mas ele apenas iria rir da minha cara. — Pensei.
–Vou sair. -Por fim ele dá a grande resposta temida.
–Vai onde? — Estremeci.
–Vou ao shopping com uns amigos e vou levar uma menina comigo.
Comecei a chorar compulsivamente. Rui seu idiota, sua menina está aqui, chorando como uma boba, enquanto você deve estar passando perfume e criando fantasias amorosas com outra.
Por favor, não estrague o que eu sinto por você. Por favor, me mostre que me ama.
Mas, nada. Ele não diz que me ama nunca se declarou.
–Tudo bem, não vou te atrapalhar.
–O que é isso?
–O quê?
–Você...
–Nada, eu vou sair.
–Ok, beijos se cuida. — Ele disse.
–Você também! Não vou mandar beijos. Vou deixar que a menina faça isso. Fui.
Isso me atingiu.
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