Sem Tempo para o Amor
19 Planos para o Futuro

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XVIII – PLANOS PARA O FUTURO
Assim que fecho a porta de casa, viro-me para a mulher de traços tão semelhantes aos de Hillary. Ela observava a rua com um olhar desconfiado, como se algo não a agradasse. Com passos cautelosos, aproximo-me de minha sogra e recebo um sorriso gentil em resposta ao ter a minha presença notada.
— Vamos? – Indaga a mulher, encarando-me de maneira indecifrável.
Eu não fazia ideia do que se passava em sua mente. Apesar de ser tão parecida com Hillary, Natalie Beaumont era um verdadeiro mistério para mim. Tudo o que eu sabia sobre ela tinha sido Clint que havia me contado muito brevemente, alegando que eu precisava me esforçar para conhecer a minha sogra ao invés de conseguir informações tão facilmente.
— Claro. – Concordo, sinalizando para que ela fosse comigo até o meu carro. No entanto, enquanto nos aproximávamos do veículo, ouço o característico som e as luzes dos flashes dos malditos paparazzis que mais uma vez voltaram a me perseguir. – Desgraçados.
— É melhor se acostumar. Você e Hills se tornaram um prato cheio de notícias para esses monstros famintos por fofoca. – Comenta minha sogra com um tom de voz monótono, como se realmente estivesse acostumada com esse tipo de assédio da mídia.
Destravo o carro e abro a porta para que minha sogra entrasse. Ela sorri em agradecimento. Assim que fecho a porta, vou para o lado do motorista e suspiro ao ver três paparazzis tirando fotos do carro. E eu já conseguia imaginar as manchetes das revistas de fofoca, comentando sobre o encontro familiar do recente casal.
Apesar de frustrado, tento não dar muita atenção para o assunto. Eu precisava correr para o trabalho e não adiantava nada perder tempo com a impressa. Desde o acidente, eu havia aprendido que toda a invasão de privacidade da mídia se tornava ainda pior se revidássemos. Assim, dou partida no carro e com o som baixo do rádio, tocando uma música qualquer, sigo para a universidade.
Durante o trajeto, Natalie se manteve quieta, apenas cantarolando uma vez ou outra as canções que reconhecia na rádio. Depois do nosso rápido diálogo em minha casa, eu não fazia ideia do que conversar com a minha sogra. E de repente, eu me via vivendo um déjà vu, dos dias em que Hillary e eu não conseguíamos dar continuidade em qualquer assunto no passado.
Acabo deixando um riso anasalado escapar ao ver como nossa vida havia mudado completamente e em tão pouco tempo. Eu jamais imaginaria que poderia me apaixonar e me casar com a mulher que eu nem mesmo era capaz de dialogar até alguns meses atrás. Mais estranho ainda é pensar que mesmo sendo tão recente esses sentimentos, eu já não consigo mais imaginar o meu futuro sem a ter ao meu lado.
— Parece que aconteceu algum acidente mais à frente. – Comenta Natalie de repente, atraindo a minha atenção. – Há muitas viaturas da polícia e do bombeiro.
Observo os carros parados a nossa frente e as luzes das sirenes militares brilhando ao longe. O som agudo de mais algumas viaturas se aproximando confirmava ainda mais a teoria de minha sogra. Olho em volta, procurando alguma rota de fuga, mas infelizmente, nós estávamos presos no que deveria ser um longo e demorado engarrafamento.
— Parece que sim. E pelo visto, não sairemos daqui tão cedo. – Respondo e ela assente, dando um sorriso cansado.
— Seus colegas de trabalho terão que sobreviver sem você por algumas horas. — Comenta a mulher com bom humor.
— Sim. — Suspiro, pegando meu celular para mandar uma mensagem a Owen, avisando que iria me atrasar. — É melhor eu avisar, antes que eles enlouqueçam.
Natalie assente e volta a encarar a paisagem, esboçando uma expressão calma e indecifrável para mim. Assim que termino de informar ao meu colega de trabalho sobre o acidente que me impossibilitaria de chegar a universidade em poucos minutos, como eu havia informado antes de sair de casa, volto a guardar meu celular e encaro a mulher de características tão semelhantes a de Hillary, mas que exalava uma aura completamente distinta.
Aquele silêncio entre nós me deixava nervoso. Eu estava ao lado de minha sogra, mas eu não fazia ideia do que se passava em sua mente. Quer dizer, ela parecia aprovar o meu casamento com Hillary, já que estava até mesmo planejando uma cerimônia mais oficial ao lado de minha mãe e tinha me chamado de genro.
No entanto, pelo pouco que eu havia visto em nossa caótica reunião matinal familiar, Hillary e Natalie são bastante próximas, apesar de suas personalidades viverem em choque. Isso significava que minha sogra poderia ser uma grande aliada ou a minha pior inimiga se eu não tomasse cuidado com a forma como a tratava ou agia.
Clint também havia me contado que mesmo com as implicâncias e discussões, mãe e filha são próximas o bastante e estão em constante contato, mesmo Natalie morando em Seattle com o marido, os dois filhos e a avó de Hillary. E pelo pouco que meu melhor amigo me contou sobre a mulher, eu não deveria subestimar sua influência sobre minha esposa.
Suspiro discretamente, criando coragem para iniciar algum tipo de interação social com minha sogra, algo que eu nunca tive qualquer habilidade. Nessas horas, eu realmente sentia falta da interferência de minha mãe ou de Clint. Eles sempre pareciam saber o que dizer em situações como essa. Por outro lado, todo assunto que eu tentava trazer à tona se tornava um verdadeiro fracasso.
— Clint me contou que a senhora era uma grande atriz e modelo quando mais jovem, sra. Beaumont. — Comento e Natalie desvia o olhar da paisagem para me encarar com um semblante suave. Seus olhos cor de mel eram gentis e calorosos, transmitindo um pouco da doçura que eu encontrava nos olhos negros e intensos de Hillary.
— Não precisa de tanta formalidade comigo, Shawn. Somos uma família agora, certo? — Questiona a mulher, usando o mesmo tom maternal que minha mãe usa comigo quando quer me explicar alguma coisa, que acha que eu não vou entender. Assinto, curioso para saber o que viria a seguir. — E sim. Antes de ter Hillary, eu era atriz e cheguei a subir nas passarelas, mas eu não levava tanto jeito para ser modelo, como minha filha. Hills brilha quando está desfilando ou pousando para as fotos. É como se ela se esquecesse de todos os problemas dela apenas para se tornar a sua versão mais bela e estonteante.
— Hillary é fascinante. Ela nasceu para ser a mais bela das estrelas. – Deixo escapar e logo me sinto envergonhado por dizer palavras tão melosas quanto essa para a minha sogra.
Natalie ri por alguns instantes e me encara como se analisasse as minhas palavras antes de suspirar e assentir. Ela discretamente solta uma risada anasalada e encara a paisagem mais uma vez com os olhos exibindo um brilho melancólico.
— Confesso que no início não queria que ela se envolvesse nesse mundo, mas aquela garota é tão obstinada e cabeça dura quanto uma mula empacada. Era o sonho dela e como mãe, tudo o que me restava era apoiá-la. – Conta, suspirando mais uma vez. – Eu sempre tive medo de que acontecesse algo a ela e eu não fosse capaz de protegê-la. Hills é do tipo de pessoa que se entrega por completo a tudo com o que se envolve. É por isso que ela brilha tanto quanto uma estrela. Mas isso sempre me causou muitas dores de cabeça.
— Por quê? A dedicação dela não deveria se algo que a orgulhasse? – Indago e mais uma vez me arrependo por não ser capaz de controlar a minha língua. Natalie me encara com seriedade e eu me encolho no banco, voltando minha atenção para o trânsito. – Desculpa. Isso não é da minha conta, certo?
— Não se preocupe com isso. Você está certo. – Natalie solta uma fraca risada e suspira. Seus olhos exibem um brilho amoroso. – Eu tenho orgulho como ninguém da filha que eu tenho. Hillary se tornou uma mulher forte, que luta pelo que acredita e possui um coração de ouro. Mas ela também é bastante sensível e que tem a dolorosa mania de colocar a felicidade dos outros em primeiro lugar. Não importa quão difícil seja a situação, ela ainda vai encarar a tudo com um bonito sorriso no rosto, enquanto esconde suas emoções como se não fosse importante.
— E isso faz com que ela se machuque constantemente. – Suponho e Natalie aquiesce, suspirando mais uma vez.
— Eu só quero que ela seja feliz, que aproveite a vida e que acredite no amor. É claro que eu sei que ela não precisa de um marido ou de filhos para isso. Minha garotinha é forte o bastante para conquistar o mundo se ela quiser, mas a cada dia que se passa, mais fechada para o amor ela se torna. A situação se tornou pior com a morte do pai e o namoro de Freddie. – Conta Natalie, encarando as próprias mãos. – Eu cometi muitos erros, Shawn. Me arrependo de muitas coisas que fiz e falei. Mas o de todos os erros que cometi, o maior foi permitir que minha filha morasse com o pai.
— Por quê? – Indago com curiosidade e preocupação. – O que o pai dela fez? Ele batia nela ou algo assim?
— Não. Ele não fez nada. E esse é o maior problema. – A voz de Natalie vinha carregada de frustração e raiva. – Meu divórcio com Louis foi de longe um dos mais complicados. Depois de aguentar cinco anos de traição e humilhação, eu consegui o divórcio. Para me atingir, ele se recusava a pagar a pensão de Hillary e a nunca a visitava. A situação mudou quando eu me casei com o meu atual marido. Hillary ia fazer oito anos e eu não me relacionava com ninguém desde que eu tinha me separado do pai dela. Louis voltou a se aproximar para o meu desespero.
Enquanto eu planejava meu casamento, ele fazia a cabeça de Hills. Ela sentiu o choque de ganhar dois irmãos depois de nove anos sendo filha única e ainda precisou se acostumar com um novo homem na minha vida. É claro que Louis se aproveitou para tentar colocar Hillary contra mim. Ela era apenas uma criança com medo de ser esquecida pela mãe, que estava iniciando uma nova família.
Eu consegui evitar que ela fosse morar com o pai por seis anos, mas assim que ela completou quinze anos, o pedido de presente de aniversário que ela me fez foi ir morar com o pai. – Natalie suspira e posso ver a tristeza em seus olhos. – Você não imagina o quanto isso me destruiu. Eu não sou perfeita, Shawn. Tenho consciência disso. Mas eu fiz o meu melhor para amar e cuidar dos meus três filhos igualmente. Saber que Hills preferia o pai a morar comigo me deixou sem chão.
— Eu imagino que sim. Minha mãe sempre me diz que nenhuma mãe quer ficar longe do filho. – Comento e ela assente, esboçando um sorriso repleto de mágoa e dor.
— Infelizmente, eu acabei me deixando levar pelas minhas emoções e ignorei meus instintos que me diziam que era uma péssima ideia. Concordei que Hillary fosse morar com o pai em Paris. – Conta minha sogra, estralando a língua com frustração. – Os primeiros dois meses foram tranquilos. Apesar da saudade, nós duas conversávamos todos os dias e ela realmente parecia feliz, apesar de odiar as mulheres que se envolviam com o pai, que segunda ela, só a usavam para se aproximar do pai rico.
E para o meu desespero, ela conheceu Claude. Um rapaz ciumento e extremamente abusivo. Por estar apaixonada, ela nem mesmo notou os detalhes. Em sua cabeça imatura e inexperiente quanto a relacionamentos, era normal o namorado controlar seu celular e as pessoas com quem ela deveria conversar.
Eu tentei alertá-la, mas nenhum de meus avisos faziam efeito. Acho que para Hills, eu estava apenas sendo a mãe chata que contraria tudo o que ela deseja. Então depois de um tempo, eu já nem conseguia mais conversar com ela. Implorei para Louis fazer alguma coisa, mas ele incentivava o relacionamento deles.
Minha alternativa foi ir para Paris. Quando eu cheguei lá, a situação era ainda pior do que eu imaginava. Hillary tinha tentado terminar o relacionamento, mas Claude se tornou ainda mais perigoso. Além disso, ela já estava desenvolvendo depressão e transtornos alimentares. Claude quase tirou por completo o brilho da minha deslumbrante garotinha.
Eu fiquei louca. Faltou muito pouco para eu não cometer múltiplos assassinatos. – Vejo lágrimas se formar nos olhos de Natalie ao relembrar aquele momento. – Não foi fácil convencer Hills a voltar para Seattle. Ela temia que Claude fizesse algo de perigoso a família ou amigos dela.
— Desgraçado! – Resmungo, indignado. Eu não fazia ideia de que Hillary havia se envolvido com um ser tão desprezível assim. Para mim, ela sempre tinha sido apaixonada por Freddie.
— Bom, quando ela retornou para Seattle, ela conheceu Freddie e passou a fazer terapia. Aos poucos, o brilho dela voltou e ela parecia mais disposta a confiar nas pessoas. No entanto, eu passei a ser mais protetora com ela. Sei que a Hills me acha chata e odeia que eu interfira em sua vida, mas Shawn, quando eu a trouxe de volta, eu prometi a mim mesma que eu não deixaria que mais ninguém machucasse minha filha mais uma vez. Que eu daria tudo de mim para protegê-la, ainda que ela pudesse me odiar. – A mulher me encara com seriedade, mostrando a intensidade de uma mãe que faria o que fosse preciso para cumprir sua palavra.
— Eu entendo. – Respondo e minha voz sai mais baixa do que eu gostaria. Respiro fundo e encaro Natalie. – Eu não posso prometer que nunca vou magoar a Hillary ou que não irei machucá-la. Infelizmente, eu não sou bom com pessoas e não tenho muito experiência em relacionamentos. Mas eu a amo. E é por isso que eu darei tudo de mim para a fazer feliz e manter a promessa que fiz no altar. Hillary me deu uma nova chance de viver e um novo motivo para melhorar quem eu sou. Não quero decepcionar e nem tornar o sacrifício que ela fez em vão. E eu sei que você não me conhece e que eu não tenho nada para provar que estou sendo sincero, mas...
— Eu acredito em você. – Afirma Natalie, sorrindo com sinceridade.
— Acredita? – Repito, surpreso. – Então não está preocupada com o fato dela ter se casado com um estranho ou algo assim?
— Eu estou feliz por minha filha ter se casado com você, Shawn. – Garante minha sogra, colocando a mão sobre o meu ombro. Mas não demora muito para que o aperto se torne dolorosamente forte. – Eu gosto de você, mas ouse machucar minha menina e eu juro que não terei piedade.
— Não vou. Pelo menos, não propositalmente. – Garanto com a voz afetada, encolhendo-me de dor.
— Bom. Vou confiar em você. – Responde Natalie, voltando para seu lugar como se toda a questão tivesse resolvida.
— Por quê? – Questiono e Natalie me encara confusa.
— Por que o quê? – Indaga, pegando o celular em sua bolsa.
— Por que acredita em mim? Não me leve a mal. Eu fico muito feliz por isso. Mas por que a senhora acredita em mim mesmo sem me conhecer? Nada te garante que eu não seja um babaca como o ex-namorado de Hillary? Quer dizer, eu até mesmo estou me negando a dar o divórcio que ela pediu. Pensei que ficaria do lado dela. – Comento e Natalie me encara como se eu fosse uma criança, dizendo que o céu é azul.
— Você é melhor amigo de Clint. Isso por si só já me diz que você é uma boa pessoa. Clint jamais deixaria um idiota se aproximar de Hills se ele pensasse que poderia ser perigoso para o coração dela. Além disso, eu assisti ao casamento de vocês. – Conta, dando uma risada anasalada. – No começo, eu fiquei furiosa ao descobrir sore o casamento por um site de fofoca que os gêmeos me mostraram. Achei que tivesse sido mais uma das loucura que minha realizou enquanto estava bêbada que eu teria que consertar. Nesse momento, eu já comprei minhas passagens para Hawkins, ligando como uma louca para o celular de Hillary. Mas como sempre, aquela desnaturada nunca atende ao telefone quando eu preciso. Foi então que meu marido me mostrou a postagem de Clint nas redes sociais, felicitando a união de vocês dois. Eu imediatamente liguei para ele, tentando entender o que estava acontecendo.
Clint me mandou o vídeo do casamento de vocês e me contou sobre como vocês se conheceram na festa de aniversário dele. Também explicou que depois do acidente, vocês ficaram ainda mais próximos e que mesmo que o casamento tivesse ocorrido com os dois bêbados, ele não tinha dúvidas de que os sentimentos de vocês eram verdadeiros e que você era uma pessoa incrível, que faria de tudo para proteger e fazer a Hillary feliz.
E quando eu assisti ao vídeo, entendi o que ele quis dizer. As promessas que você a minha filha, a forma como se declarou e como você a encarava. Tudo era tão sincero e intenso. O beijo de vocês e a felicidade nos olhos de Hillary ao declarar o quanto te amava só me fez ter a certeza de que vocês poderiam ter se casado por causa do álcool, mas o amor de vocês era real. – Responde minha sogra, sorrindo com sinceridade. – Eu contei sobre o antigo relacionamento de Hillary não apenas para justificar minha superproteção, mas eu também queria que você entendesse a hesitação de minha filha em se entregar ao que ela sente por você.
Durante anos, ela tem vivido na ilusão de estar apaixonada por Freddie, porque inconscientemente sabia que ele jamais a amaria da mesma forma que ele a amava, mas que mesmo assim, Freddie jamais a machucaria ou se aproveitaria de seus sentimentos. Mas você apareceu e fez os sentimentos dela se bagunçarem. Hillary está com medo, Shawn, e você é o único capaz de mostrar que ela merece amar e ser amada. – Natalie sorri e me encara com determinação.
— Eu prometo que farei o meu melhor. – Garanto com sinceridade. – Eu a amo e realmente estou determinado a fazer nosso casamento dar certo. E é por isso que eu neguei o divórcio.
— Falando nisso, eu tenho uma pergunta. – Comenta Natalie, encarando-me com curiosidade.
— Sim?
— O que pretende fazer de agora em diante? Vocês vão permanecer morando em casas separadas? Ou pretendem se mudar para a casa do outro? Porque ainda que eu entenda que você não planeja dar o divórcio tão facilmente a Hillary e que estão apaixonados, como é que você vai conseguir convencer minha filha que vocês foram feitos para ficarem juntos, se estiverem vivendo separados? – Minha sogra traz um ponto que havia me tirado a noite de sono.
— Sendo sincero, eu não faço ideia do que fazer. Minha casa não é muito grande e tampouco segura, se levarmos em consideração a quantidade de paparazzis que têm nos incomodado nos últimos dias. E a casa dela também não é tão segura, já que ela precisou passar um tempo na casa de Clint e Natasha logo depois de nosso acidente. Então pensei em alugar a minha casa e nos mudarmos para um lugar que fosse mais seguro. No entanto, isso também envolve questões financeiras. Com meu atual salário, não posso garantir que consigo lidar com o aluguel de um apartamento ou uma casa em um condomínio seguro. Também não quero colocar a responsabilidade financeira nas costas de Hillary, já que ela insiste no divórcio. – Conto, suspirando. Os carros a nossa frente finalmente começam a andar e eu volto a prestar atenção no trânsito. – Para convencê-la a morar comigo, primeiro preciso de um plano. E eu estava esperando ter alguma ideia antes de termos uma conversa definitiva.
Eu quero ter um lugar onde podemos morar, que seja perto de nossos trabalhos, seguro e que eu consiga pagar. Se ela aceitar, podemos ver a questão de dividir as despesas da casa, mas se ela impuser a parte financeira como desculpa para não ir, eu terei que arcar com tudo por algum tempo. É por isso que desde ontem estou procurando um novo lugar para morar e novos investimentos que me tragam mais retorno financeiro a curto prazo. E o dinheiro do aluguel da minha casa também pode ajudar a completar a renda.
— Você realmente é detalhista. – Comenta Natalie, impressionada. – Pensou em tudo em tão pouco tempo.
— Eu apenas quero que tudo dê certo. Quero que Hillary se sinta segura comigo, que ela acredite que nós podemos dar certo e que eu posso ser o homem confiante e que a ama, assim como ela sempre sonhou. – Respondo e minha sogra parece satisfeita.
— Nesse caso, eu tenho uma proposta a fazer. – Começa a mulher com um tom sugestivo. Desvio minha atenção brevemente da pista para encará-la. – Eu tenho um lugar onde atende a todos os requisitos de vocês. Tudo o que precisa fazer é convencer Hillary a se mudar. O que você me diz?
— Como assim? Que lugar é esse? – Indago, surpreso com a proposta de minha sogra.
— Depois do acidente com o caminhão, Rick e eu conversamos com Clint sobre a segurança de Hillary. Ele disse ter um apartamento seguro na cidade que seria desocupado em breve e depois de conferir como ele era incrível, meu marido e eu o compramos. O objetivo era que depois da reforma, Hillary se mudasse para lá, mas acho que será perfeito para vocês. Ele é espaçoso, fica no centro da cidade e a segurança é de primeira. – Explica Natalie, sorrindo animada. – Vai ser um ótimo lugar para vocês viverem e criar meus netos.
— Netos? – Sussurro, dando uma fraca risada. Pelo visto, Natalie era tão ansiosa para se tornar avó quanto a minha mãe. Suspiro e encaro a mulher. – Eu agradeço muito, mas eu não posso aceitar, Natalie. Você e seu marido compraram esse apartamento para dar de presente para Hillary. Eu não posso me aproveitar dessa situação assim.
— Mas é claro que pode. É o meu presente de casamento. Você tem que aceitar. – Insiste minha sogra com determinação. – A única coisa que peço em troca é que faça minha filha feliz e que me dê muitos netos, assim como Clint disse que você seria capaz.
— O que mais que o Clint te disse? – Questiono, um pouco assustado. Natalie ri com diversão. – Eu nem mesmo sabia que você era tão amiga do Clint.
— Clint me deu apenas as suas referências. E ele já me tirou de situações bem complicadas. Devo muito a ele e por isso confio em seu senso de julgamento. Então se ele diz que posso acreditar nas suas intenções com minha filha, então fico muito mais tranquila. – Responde Natalie, dando de ombros. – Mas e então? Você vai aceitar minha proposta? Vai se mudar para o apartamento?
— Eu não sei. – Digo, incerto.
— Se você não aceitar, eu vou ficar muito ofendida. Isso não é bom para se iniciar um relacionamento entre genro e sogra, certo? – Chantageia a mulher, lançando um olhar perigoso. Suspiro, dando-me por vencido.
— Tudo bem. Eu aceito. – Respondo e Natalie sorri, celebrando. Sorrio e a encaro com gratidão. – Obrigado, Natalie. De verdade, muito obrigado por nos dar a sua bênção e por toda a ajuda. Eu prometo que darei tudo de mim para fazer Hillary feliz.
— Obrigada. – Natalie gradece, apertando minha mão que estava no cambio da marcha com gentileza.
Não demoramos a achegar a universidade. Assim que estaciono o carro, Natalie se despede com um forte abraço e depois desaparece pelo campus, avisando que se encontraria com o diretor. E enquanto eu sigo para o bloco de pesquisa de física, eu sentia meu coração bater como um louco em meu peito ao imaginar o meu futuro ao lado da mulher que eu amo e que espero ser capaz de construir uma grande família.
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