Sem Tempo para o Amor

20 Uma Nova Vida


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Eu sei que demorei e estou atrasada, mas eu estou passando um bloqueio terrível com essa história. Então, eu simplesmente não conseguia escrever. Bom, o capítulo de hoje está mais calmo e parado, mas prometo que no próximo eu trago algo mais emocionante para vocês. Espero que entendam. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XIX – UMA NOVA VIDA

Assim que deixo a casa de Shawn, entro em meu carro em modo automático. Eu não conseguia identificar o que eu sentia. Minha mente estava um verdadeiro caos e eu nunca me senti tão dividida entre a razão e as minhas emoções como naquele momento.

Nem mesmo quando precisei enfrentar meu pai pela última vez, quando me vi entre agir como uma agente da CIA ou como filha diante do homem que estava prestes a matar Freddie, eu estive tão confusa sobre o que fazer como eu me encontrava, enquanto encarava o volante do carro.

Noto a presença de alguns paparazzis ao redor da casa de Shawn, mas eu não me importava. As lembranças de minha conversa com meu suposto marido e com sua mãe afligiam meu coração e me faziam hesitar em seguir as ordens da CIA, ainda que eu soubesse que era o certo a se fazer nesse momento.

Como eu poderia dizer a uma mulher que chorava e me expressava tanta gratidão por ter me casado e salvado a filha de seu filho que o objetivo de minha visita era exigir o divórcio e que só sairia daquela casa quando eu o conseguisse? Parecia crueldade demais.

Por outro lado, a vida dessa família só se tornaria ainda mais complicada se eu permanecesse próxima a eles. Enquanto formos casados, Shawn jamais ficará livre dos paparazzis. Jamais conseguirá ter uma vida normal, dedicada a seus estudos, sem ser incomodado pelas pessoas fanáticas que esperavam conseguir alguma informação sua sobre nossa relação.

E indo além disso, eu ainda tinha minha identidade como agente da CIA. Shawn e Susan jamais estariam seguros. Em algum momento, algum de meus inimigos poderia os reconhecer e usá-los para me atingir. O que seria de mim se alguém os machucasse por minha culpa?

Respiro fundo algumas vezes, tentando controlar a emoções intensas e confusas que me martirizavam como adagas afiadas. Eu queria chorar, gritar, ao mesmo tempo em que era incapaz de reagir. Nem mesmo eu me entendia naquele momento.

Levanto meu rosto e suspiro. Ciente de que não adiantaria nada continuar a enlouquecer sozinha dentro daquele carro, questionando minhas ações e pensando em como poderia resolver meus problemas, decido que o melhor a fazer era ir atrás da única pessoa que poderia ser neutra de alguma forma nessa situação em que eu me encontro e que ainda seria capaz de me aconselhar de maneira calma e racional.

Assim, saio com meu carro em disparada em direção ao lugar onde sabia que iria encontrar a pessoa que poderia ser a minha luz no fim do túnel. É claro que eu estava ciente de que estava sendo otimista e presunçosa demais em confiar que terceiros resolvesse meus problemas ou ao menos me desse uma orientação do que eu deveria fazer, mas em meio ao caos em que minha mente se encontrava naquele momento, eu simplesmente não me importava.

E quando finalmente estaciono o carro em frente ao grandioso e intimidante prédio espelhado, respiro fundo mais uma vez e desço do carro. Inquieta, apresso meus passos até a recepcionista que se encontrava no balcão de identificação do prédio e informo com quem desejava me encontrar.

Minutos depois, um rapaz de cabelos e olhos cor de chocolate surge com um largo sorriso nos lábios. Correspondo ao sorriso e abraço meu melhor amigo, sentindo-me um pouco mais calma com sua presença. Freddie parece confuso com minha ação, mas não me questiona. Ele apenas corresponde ao abraço até que eu tomasse a atitude de me afastar.

— Podemos conversar? – Pergunto, um pouco exasperada.

— Claro. – Concorda, encarando o relógio em seu pulso. Ele então se vira para a recepcionista que havia me atendido instantes antes. – Ava, poderia informar ao Archie que eu tirei meu horário de almoço mais cedo e que se o sr. Stark perguntar, eu estarei de volta antes da reunião dele?

— Claro, Freddie. – Responde a gentil recepcionista, dando um sorriso amável.

— Obrigado! – Meu melhor amigo sorri em agradecimento e faz sinal para que eu o seguisse. Aceno em despedida para a recepcionista que assente e sorri em resposta. – Já está quase na hora do almoço. Tem algum lugar que queira ir para comer e conversar?

— Acredito que o Sense’s seja o lugar mais seguro e discreto para conversarmos, ainda que eu esteja um pouco receosa de ir até lá. – Comento e Freddie me encara daquele modo analítico dele.

— Você está de carro? – Questiona meu melhor amigo e eu assinto, entregando as chaves para ele. Naquele momento, o que eu menos queria era dirigir. — Ao Sense’s então.

Durante todo o caminho até o restaurante, Freddie se manteve calado. Ele provavelmente deveria saber que eu precisava pensar e que não estava em um bom dia para trocar conversas banais ou brincadeiras, como estávamos acostumados a fazer sempre que nos encontrávamos para almoçar.

Assim que chegamos ao Sense’s, Mon-El é quem nos recebe na entrada. Com um sorriso educado, ele nos leva até uma mesa mais afastada. O gerente do restaurante nos entrega os cardápios e, assim que anota nossos pedidos, ele se afasta para nos dar mais privacidade para conversar.

Durante alguns minutos, Freddie e eu nos encaramos em silêncio. Enquanto o rapaz parecia novamente me analisar, provavelmente tentando adivinhar o que se passava em minha mente, eu me via perdida em pensamentos ao me dar conta de que ao contrário do que sempre acontecia quando eu me encontrava com Freddie, desde que ele começou a namorar com Sam, eu não sentia absolutamente nada.

Quer dizer, eu ainda o tinha como meu melhor amigo e meu carinho por ele continuava imensurável, mas meu coração parecia o ver exatamente como ele via Dakota ou Steve. Sem qualquer interesse amoroso ou pensamentos autodestrutivos por continuar a amá-lo, mesmo sabendo que não deveria.

— O que aconteceu com o seu celular? Desde antes de ontem você não recebe e nem responde as minhas mensagens. – Comenta Freddie, quebrando o silêncio. Ele não parecia se importar realmente com o fato de suas mensagens não terem sido respondidas, então suponho que aquela era a sua forma de me incentivar a falar.

— Ele quebrou em Vegas, depois de ser pisoteado ao cair de cima da mesa, e eu não comprei um novo ainda. – Respondo e ele aquiesce de forma automática. – Eu também me casei.

— É. Eu e o mundo ficamos sabendo. – Freddie parece segurar o riso ao notar a presença de Mon-El, retornando com os nossos pedidos.

— Aqui estão os pedidos de vocês. Um salmão grelhado ao molho de laranja com uma taça de Fantinel Borgo para a Hillary e um steak au poivre acompanhado de um refrigerante Coca para Freddie. – Anuncia Mon-El, colocando os pratos e nossas bebidas sobre a mesa.

— Obrigada, Mon-El. – Agradeço e o homem sorri contido, afastando-se em seguida. Bebo um gole generoso de minha taça de vinho, antes de voltar a minha atenção para Freddie. – Antes que você comece as suas piadinhas sobre o meu casamento, eu preciso desabafar e você é a única pessoa em quem confio para me ouvir e me aconselhar sem que esteja envolvido emocionalmente nessa história.

— Tecnicamente, eu também estou envolvido. Você se esqueceu que eu presenciei o seu ato de heroísmo ao pular em frente a um caminhão para salvar seu marido? – Relembra Freddie, erguendo as sobrancelhas e eu crispo os lábios, insatisfeita com a situação. Meu melhor amigo solta uma risada anasalada e suspira. – Mas prometo ser o mais imparcial possível. Então, vá em frente e me conte o que tanto tem te deixado tão instável.

Bebo mais um gole de meu vinho e passo a narrar para Freddie tudo o que aconteceu comigo desde que conheci Shawn, durante a festa de aniversário de Clint. Conto sobre nosso reencontro na festa de ano novo, quando aconteceu o casamento de Natasha, sobre a coincidência de nos encontrarmos em Vegas, como ele cuidou de mim, a segunda noite de bebedeira, nosso casamento, o retorno para Hawkins, a minha conversa com a equipe da S.H.I.E.L.D., a aparição de minha mãe em minha casa, sobre como ela parecia animada com o casamento, a minha conversa com Shawn, a sua resistência em me dar o divórcio e a minha recente conversa com Susan que ocorreu um pouco mais cedo. Freddie escuta a tudo com uma expressão indecifrável, enquanto almoça.

Ao fim de minha narração, ele pega um guardanapo e limpa a boca, mastigando o último pedaço de sua carne. Ignorando a minha expressão que deixava clara a minha ansiedade para ouvir sua opinião, Freddie coloca um pouco mais de seu refrigerante em seu copo e o bebe calmamente.

— Freddie! – Repreendo o rapaz, que me encara com indiferença. – É sério. Você precisa me ajudar. O que eu devo fazer?

— Por que você está perguntando isso para mim, quando você já sabe exatamente a resposta? – Indaga meu melhor amigo, voltando a beber mais um pouco de seu refrigerante. – Você não quer o divórcio. Na verdade, você está apaixonada pelo Shawn e realmente quer que o casamento der certo. – Suspiro frustrada e passo a comer meu salmão, que já começava a esfriar. – Você pode rosnar, gritar, espernear e procurar inúmeras desculpas, mas isso não vai mudar em nada e você sabe disso, Hills. O único motivo para você ter vindo até mim, implorando para que eu lhe desse a minha opinião é porque você esperava que eu te dissesse que deveria seguir as ordens do seu chefe da CIA, porque está com medo de como seus sentimentos estão mudando tão rapidamente.

— Isso é loucura, Freddie. – Sussurro, encarando meu salmão, incapaz de olhar nos olhos de meu melhor amigo.

Freddie ri e suspira, apoiando o cotovelo sobre a mesa, enquanto encosta o queixo em seu punho. Eu nem mesmo precisava me virar para ele para saber que ele me encarava daquele jeito nostálgico e exibia um sorriso sonhador.

— Eu sou suspeito para dizer isso, já que trabalhei durante anos no manicômio de seu pai e minha futura esposa é uma mulher completamente insana, mas qual é o verdadeiro problema da loucura? Você e Shawn se amarem e estarem felizes juntos não deveria ser o suficiente? Por que está complicando tanto essa situação? – Pergunta meu melhor amigo e eu finalmente o encaro. Ele dá um fraco sorriso e suspira. – Eu sei como é carregar traumas que nos impede de seguir em frente, mas Shawn não é como o Claude.

— Eu sei. – Resmungo, suspirando cansada. – Eu sei que ele não é como o Claude e eu já tive provas o suficiente para saber que ele jamais me machucaria de propósito. Mas eu não tenho mais quinze anos, Freddie. Eu sou uma mulher de vinte e seis anos, que vive uma vida dupla como agente da CIA e uma modelo internacional. Não posso trazer alguém com uma vida normal como Shawn para essa loucura que eu vivo. Isso foi algo que eu escolhi, ciente de todos os perigos que eu teria que enfrentar. Não é justo colocar a vida de Shawn em risco por causa de meus desejos egoístas.

— Eu acho que você está pensando demais, Hills. Além disso, eu acompanhei a saga de Clint e Natasha enfrentando o Taskmaster com você e o Shawn. Então posso dizer com convicção que você está subestimando demais a capacidade de Shawn de lidar com situações perigosas. Ele é o melhor amigo de Clint e está longe de ser uma pessoa normal. – Aponta Freddie, cruzando os braços. – Por que ao invés de continuar dando desculpas para ocultar o seu medo de se envolver profundamente com alguém, você não dá uma chance para vocês dois? Você mesma disse que ele jamais te machucaria de propósito. E se nada der certo, você ao menos pode dizer que tentou.

— Mas e a CIA? Meu chefe não vai ficar nada feliz quando descobri que eu não cumpri sua ordem de me divorciar. – Relembro e Freddie ri, encarando-me com ironia.

— Você é melhor amiga de Natasha Romanoff e Clint Barton. Aposto que se você disser que quer continuar com o casamento, eles farão o possível e o impossível para impedir que a CIA interfira no relacionamento de vocês. – Responde meu melhor amigo, dando aquele sorriso encorajador. – Qual é, Hills?! Você está diante do amor que você sempre sonhou em viver. Não é hora para hesitação ou covardia. Nesse momento, você é a única que está impedindo a sua felicidade.

— Eu... acho que você... tem razão. – Respondo, hesitante.

— É claro que eu tenho. Eu sempre tenho. – Afirma Freddie de maneira convencida. Reviro os olhos e acabo rindo. – Isso mesmo. Sorria e aproveite a sua nova vida. E não se esqueça de colocar o meu nome no filho de vocês como homenagem a pessoa que te encorajou a seguir seu coração e fazer o certo.

— Você é ridículo. – Retruco, rindo. – Eu nem mesmo aceitei direito essa ideia de viver uma vida de casada e você já está falando sobre filhos. E é iludido por achar que eu cometeria um castigo tão grande com os meus filhos de colocar o seu nome neles.

O restante do almoço seguiu com muitas brincadeiras e clima descontraído. Eu ainda não estava completamente confiante com a ideia de ter uma vida de casada ao lado de Shawn, porque tudo estava ocorrendo rápido demais. Ainda assim, eu já havia aceitado naquela manhã, estando nos braços de Shawn, enquanto ele me beijava com tanta doçura, que era tarde demais para negar meus sentimentos. Eu realmente estou apaixonada por ele.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara