Sem Tempo para o Amor

27 Perto de Enlouquecer


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Atrasei demais, mas é que eu ando bem ocupada e passando por um superbloqueio criativo. Espero que entendam. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XXVI — PERTO DE ENLOUQUECER

Eu estava nervosa. Tão ridícula e pateticamente nervosa que sentia minhas mãos úmidas e meus batimentos cardíacos descontrolados. Minha respiração estava pesada e parecia que a qualquer momento eu sofreria uma crise de ansiedade só em pensar no que estava por vir.

Eu nunca me senti assim antes. Nem mesmo quando eu precisei saltar de paraquedas pela primeira vez ou quando precisei atirar em uma pessoa pela primeira vez. Nem mesmo quando eu entrei para CIA e estive em minha primeira missão. Nem quando eu estava prestes a ser atropelada pelo caminhão, após saltar na direção de Shawn, eu estive com a adrenalina tão elevada.

Na verdade, não fazia sentido algum. Eu já estive em situações muito piores. Comparado ao que eu vivi em meu treinamento para fazer parte da S.H.I.E.L.D. isso era menos do que um grão de areia. Ainda assim, meu corpo parecia muito mais apavorado com o encontro de Shawn e minha família do que com as inúmeras vezes em que estive diante da morte.

Três semanas se passaram e o dia da viagem chegou. Não havia sido fácil combinar minha agenda com a de Shawn. Por causa das provas finais do semestre na faculdade e o desenvolvimento de sua pesquisa, meu marido precisou de duas semanas para conseguir férias do trabalho. E logo em seguida eu precisei viajar para participar de uma missão da CIA.

Mas finalmente conseguimos combinar nossa viagem para visitar minha família por uma semana, antes de seguirmos para Miami, onde também passaremos uma semana.

Após quase cinco horas de viagem, eu me encontrava sentada em um banco no aeroporto de Seattle, observando o vai e vem de passageiros e funcionários, me perguntando se é tarde demais para cancelar com a minha família e ir para o destino da lua de mel.

Infelizmente, eu sabia que isso seria impossível. Já havia sido difícil convencer os fofoqueiros e intrometido dos meus parentes a esperarem nós irmos para Seattle por três semanas. Se eu adiasse mais esse encontro da minha gigantesca família com o meu marido, era capaz das minhas tias me caçarem até o inferno e me arrastar pelos cabelos até eu concordar em apresentar meu marido.

— Você está bem? – Pergunta Shawn, entregando-me um copo de água. Assinto e ele me encara desconfiado, enquanto se senta ao meu lado e pega em minha mão livre. – Tem certeza disso? Suas mãos estão geladas. Acho que está com a pressão baixa.

Depois de dormir a viagem inteira, assim que o avião pousou em Seattle, minha mente parece ter despertado para a minha complicada realidade. A imagem de reencontrar minha família inteira no aeroporto, fazendo seu típico escândalo e atraindo ainda mais a atenção da imprensa que provavelmente já estaria de olho em nós me fez entrar em desespero.

Mesmo depois de quase um mês de casamento, Shawn e eu ainda estamos sendo alvos da atenção da mídia, o que complica e muito o meu trabalho na CIA. O fato da informação de estarmos visitando a minha família e planejando a nossa lua de mel só havia aumentado ainda mais o interesse do público em nós.

E ao pensar no caos que estaria aguardando por nós na saída do aeroporto, semelhante ao que enfrentamos em Hawkins, após as cinco horas de viagem, eu precisei me sentar no banco mais próximo para recuperar o fôlego, preocupando Shawn, que imediatamente foi atrás de água para me acalmar.

— Sim. Só estou nervosa. – Respondo, pegando a água, bebendo-a afobadamente. Shawn sorri de forma compreensiva.

— Eu também estou nervoso. Mas eles são sua família. Acho que eles no máximo vão me odiar. – Responde Shawn com leve tom de ironia.

— Amor, existe um motivo para eu morar longe da minha família. – Começo e ele assente, como se entendesse.

— Eu sei. Por causa da sua profissão especial. – Responde, referindo-se a CIA. E nesse momento me lembro que de fato, trabalhar na como uma agente espiã da CIA deveria ser o motivo que me manteria longe de meus familiares, assim como acontece com os outros agentes.

— Claro. Tem isso também. – Respondo, um pouco pensativa. Shawn ri, parecendo se divertir com minha reação. – Mas o fato é que eu quis fugir da minha família. Eu os amo, mas eles são loucos, intrometidos e tudo o que sabem fazer é criticar ou aprontar com os outros. Eu não quero você me odeie por causa da tortura que eles provavelmente vão fazer você passar.

— Hills, não acha que está exagerando? – Questiona Shawn, passando o braço por cima dos meus ombros. Ele deixa um beijo carinhoso em minha testa e sorri com doçura. Minha expressão incrédula faz com que meu marido ria ainda mais. – Toda família tem seus problemas. E como você está sempre longe, tenho certeza de que eles só questionam tanto a sua vida, porque se preocupam com você.

— Espera só até você conhecer os gêmeos e as minhas tias para você ver que na verdade, eu estou sendo até bondosa. – Resmungo, suspirando. Aconchego-me no peito de Shawn. – Meus irmãos são uns verdadeiros pestinhas. Mesmo já tendo dezesseis anos, eles agem como crianças de cinco anos. Joseph e Jacob são a mistura perfeita do Dennis do filme Dennis, o Pimentinha, Kevin de Esqueceram de Mim e Júnior de O Pestinha. Eles adoram pregar peças e não vão te deixar em paz até você enlouquecer e querer matá-los. Então se prepare para eles fingirem um ser o outro, aprontarem pegadinhas irritantes e comentários ácidos de adolescentes.

— Animador. – Ironiza Shawn, com tom de humor.

— E tudo pior com meus tios e primos. Eles vão querer saber até o valor que tem em sua conta bancária e quantas namoradas teve no passado. Eles vão nos cobrar filhos, reclamar sobre a forma como nos vestimos e de nossas profissões. E tome cuidado com Madison. – Alerto, encarando-o com seriedade. – Ela é minha prima mais invejosa. Tenho certeza de que ela vai se jogar para cima de você sem piedade. E eu acho bom você a manter bem longe de você se não quiser dormir no sofá durante os próximos meses.

— Sim, senhora. – Concorda o rapaz, afastando-se para erguer os braços em sinal de rendição.

— Eu estou falando sério. Madison é o tipo de garota que ficaria com qualquer tipo de pessoa só para me tirar do sério. Quando éramos crianças, ela vivia quebrando as minhas bonecas, sujando as minhas roupas e me machucando quando brincávamos. Você precisava ver o show que ela fazia quando eu supostamente recebia mais atenção do que ela. – Relembro como Madison e eu nunca nos suportamos.

— Certo. Ficarei longe de Madison. Eu prometo. – Garante Shawn, voltando a me abraçar. Eu o encaro com preocupação.

— Promete que vai me avisar se sentir desconfortável? – Peço e meu marido suspira. – Por favor.

— Você está se preocupando sem necessidade. – Afirma Shawn, encarando-me com determinação. – Se eu aguento as loucuras de Clint há quase quinze anos, acho que consigo lidar conviver com sua família por uma semana.

— Shawn... – Alerto o homem, lançando meu olhar de quem não estava brincando. Ele suspira e balança a cabeça.

— Tudo bem. Se isso vai te deixar mais calma. – Concorda Shawn, dando-se por vencido. No mesmo instante, o celular dele começa a tocar. Ele se afasta para pegar o celular que estava no bolso da calça. Ao encarar a tela, ele sorri e vira o aparelho na minha direção para me mostrar quem ligava. – Sua mãe e padrasto já devem estar aqui.

— Será que ainda dá tempo de pegar um avião ir direto para Miami? – Questiono, mesmo sabendo da resposta. Shawn crispa os lábios e me encara com repreensão, antes de atender a ligação.

— Oi, Natalie. Sim. Nós já chegamos. – Responde o rapaz, apertando minha mão. Ele assente diante do que minha mãe diz do outro lado da linha. – Nós já estamos indo. É que Hills não estava se sentindo muito bem. Não. Não se preocupe. Foi apenas uma leve queda de pressão. Ela já está melhor. Sim. Ela bebeu um pouco de água e já está mais corada. Tudo bem. Nós estamos indo. Até mais.

Shawn encerra a ligação e se levanta. Ele guarda o celular no bolso e me encara com um sorriso encorajador. Eu sabia que era ridícula essa relutância em encontrar minha família, sendo que havia sido eu quem tinha sugerido que ele conhecesse os estranhos e complicados seres que chamo de parente.

O que eu não esperava era que todos os meus tios e primos maternos resolvessem comparecer a reunião. Até mesmo meu avô havia decidido conhecer meu marido. Segundo meu padrasto, o homem tinha assistido ao meu casamento nada tradicional e colocou na cabeça que ele precisava conferir se Shawn era bom o suficiente para fazer parte da família.

Agora, além de enfrentar Madison e as provocações ridículas delas, as brincadeiras irritantes dos pestinhas dos meus irmãos, minhas tias intrometidas e a mídia ansiosa para pegar um furo meu, eu teria que lidar com o rabugento do meu avô, que raramente sai de casa. Tudo isso me levava a crer que essa semana seria extremamente estressante e faria eu me arrepender amargamente de ter tido a ideia de trazer Shawn para conhecer a minha família.

— Sua mãe e seu padrasto já estão nos esperando na área de desembarque. É melhor nós irmos. – Fala Shawn, estendendo a mão para me ajudar a levantar. Suspiro e aceito a ajuda. Ajeito a alça da bolsa em meu ombro e meu marido pega a mala grande que dividíamos. – Tente se animar um pouco. Você disse que estava com saudades de seu padrasto e sua avó. Finalmente vai poder encontrá-los.

— Você tem razão. Desculpa por estar sendo tão pessimista. – Lamento, forçando um sorriso. – Você finalmente está conhecendo Seattle e eu estou estragando o clima.

— Você não está estragando nada. – Garante Shawn, entrelaçando sua mão na minha. Ele sorri com doçura e deixa um beijo em minha mão. Passamos a andar na direção ao portão de desembarque do aeroporto. – Apenas se lembre que você tem a mim. Então se estiver difícil demais lidar com a sua família, eu prometo que vou tentar te ajudar a contornar a situação. Mesmo não levando o menor jeito para lidar com pessoas, eu aprendi algumas coisa com Clint sobre como mudar de assunto. Acho que essa pode ser a chance de colocar meus estudos em prática.

— Eu já te disse hoje que eu te amo? – Declaro, comovida com o esforço que ele está disposto a fazer para superar sua timidez para me ajudar a lidar com a minha família.

— Já. Mas é sempre bom ouvir. – Brinca e eu acabo rindo, enquanto abraço o braço de meu marido. – Ah, você finalmente sorriu. Assim é bem melhor.

— Obrigada. – Sussurro, deixando um beijo em sua bochecha.

Trocamos sorrisos e não demoramos muito para chegar ao portão de desembarque. Eu ainda me sentia um pouco apreensiva pelo encontro com minha família, mas assim que avisto minha mãe e meu padrasto, esqueço momentaneamente das minhas preocupações e volto a me sentir como uma criança que ficou tempo demais longe dos pais.

Apresso os passos com Shawn e somos recepcionados com sorrisos animados de minha mãe e do homem de olhos azuis intensos e sorriso amoroso. Solto meu marido e corro para abraçar Richard Sullivan, o homem que eu tenho como um pai desde os meus sete anos de idade.

— Pai! – Grito, sentindo seus braços calorosos me apertarem em um abraço quase sufocante. – Que saudade!

— Eu também senti saudades, querida. – Responde o homem, deixando um beijo em minha testa. Ele me afasta e me encara em análise, antes de abrir um grande sorriso. – É bom ter você em casa de novo.

— Deixa eu te apresentar para o meu marido. – Digo, pegando-o pela mão para o guiar até Shawn que era abraçado com intensidade por minha mãe. Ao notarem nossa presença, eles se separam. – Pai, esse é Shawn Kennedy. Shawn, esse é o meu pai de coração, Richard Sullivan.

— É um prazer finalmente conhecê-lo, Shawn. – Meu padrasto sorri simpático e estende a mão a Shawn, que prontamente a aperta.

— Digo o mesmo, sr. Sullivan. – Afirma meu marido, correspondendo ao sorriso.

— Pode me chamar de Rick. – Corrige meu padrasto, colocando-se ao lado de minha mãe.

— Certo. Rick. – Responde Shawn, aproximando-se de mim. – Mas estou um pouco surpreso. Eu pensei que o seu sobrenome fosse Beaumont.

— Beaumont é o meu nome de solteira, querido. Depois dos problemas que passei para trocar o meu nome nos documentos após a minha separação com o pai de Hills, eu decidi que não trocaria meu sobrenome novamente quando me casei com Rick. Queria evitar afadigas. – Explica minha mãe, sorrindo carinhosa. Ela então abre os braços e me encara com aquele olhar divertido. – E eu não mereço um abraço não, filha ingrata?

— Oi, mãe. – Respondo, rindo. Abraço a mulher com carinho. Apesar de tudo, minha relação com ela melhorou consideravelmente desde meu casamento com Shawn. Aparentemente as trocas de mensagem constante com meu marido havia a feito se tornar mais compreensiva comigo. – Não acredito que vou dizer isso, mas eu senti saudades.

— Uau! É por isso que o tempo está tão nublado. Minha filha está dizendo que sentiu saudades de mim? – Brinca minha mãe, afastando-se de mim. Encaro-a com ironia e ela ri. – Eu também senti saudades. Como Rick disse, é bom ter você de volta em casa.

— Obrigada. – Agradeço, tentando esconder o meu desânimo ao imaginar o que a casa de minha mãe me reservaria. – Achei que toda a família viria para receber a gente, principalmente os gêmeos.

— Eu pedi para eles irem ajudando seu avô e o Ted a prepararem a churrasqueira, enquanto víamos buscar vocês. – Responde minha mãe, suspirando. – Nós imaginamos que vocês estariam cansados da longa viagem, então convencemos a todos que seria melhor esperarem em casa.

— A família toda já está em casa esperando por vocês com a animação que você já conhece. Estamos de pé desde as seis horas da manhã, lidando com a correria de todos. Então eu recomendo que se preparem para as perguntas, escândalos e todo o alvoroço enlouquecedor. – Recomenda meu padrasto, dando um sorriso divertido. Viro-me para Shawn e lanço o meu olhar de “eu avisei”, recebendo em resposta um sorriso preocupado. – Vocês trouxeram apenas uma mala?

— Sim. – Concorda Shawn, arrastando a mala para mais perto. – Eu não preciso de muitas roupas e Hills disse que ainda tem roupas dela na casa de vocês, então uma mala grande é o suficiente para nós.

— Entendo. – Responde Rick, pensativo. Ele então sorri e dá de ombros. – Bom, deixa eu levar para você descansar.

— Ah, não se preocupe. Está tudo bem. Nós dormimos a viagem toda, então não estou tão cansado. – Garante Shawn, puxando a mala enquanto andávamos em direção ao estacionamento.

— Vocês estão com óculos de sol? – Pergunta minha mãe, colocando o óculos dela no rosto, assim como meu padrasto, conforme nos aproximávamos da saída do aeroporto. E eu já imaginava o que estava esperando por nós.

— Por quê? Pelo que eu vi no avião, o céu está bem nublado. Voltou a fazer Sol? – Questiona Shawn com inocência. Eu e minha mãe acabamos rindo.

— Antes fosse. – Comenta meu padrasto, suspirando. – Há vários paparazzis esperando por vocês na entrada do aeroporto. Não entendo o motivo desse alvoroço todo deles, mas é melhor usarem óculos de sol para proteger os olhos de vocês.

— Tudo bem. – Concorda Shawn, parando de andar para pegar o óculos de sol dele na mochila que estava em suas costas. Aproveito para colocar o meu que estava dentro da minha bolsa.

Como minha mãe e meu padrasto havia nos alertado, o lado de fora do aeroporto tinha vários paparazzis e alguns fãs que tiravam fotos e nos cumprimentavam. Aceno e distribuo alguns autógrafos, tentando não me sentir incomodada com a invasão de privacidade de alguns fãs que queriam nos abraçar e tirar foto comigo e com Shawn.

Felizmente Shawn não parecia tão irritado assim. Era nítido que ele ainda não havia se acostumado por completo com a atenção que recebia, mas se esforçava para ser simpático com as pessoas. No fim, demoramos cerca de quarenta minutos até conseguir entrar no carro e partir para a casa da minha família.

— Vocês estão bem? – Pergunta meu padrasto, quando finalmente deixamos o aeroporto.

— Sim. – Responde Shawn, retirando os óculos de sol. Ele suspira e sorri cansado, encarando meu padrasto pelo retrovisor do carro. – Ainda é estranho saber que agora as pessoas se interessam tanto pela minha vida amorosa.

— Sinto muito por isso. – Lamento, sentindo-me culpada por ele ter que enfrentar esse tormento da mídia em cima de nós. Guardo meus óculos de sol e o encaro.

— A culpa não é sua. – Garante Shawn, apertando minha mão.

— Nós dois sabemos que é. Se tornar alvo da mídia é consequência da minha profissão. – Retruco e Shawn sorri compreensivo. — Sinto muito que você tenha que passar por esse tormento por minha causa.

— A sua profissão faz parte do que você é, então não se desculpe por isso. Eu te conheci sendo modelo e sempre estive ciente de sua fama. Você não fez nada de errado. Eu só preciso de mais um tempo até me acostumar. Não se preocupe com isso. Eu realmente estou bem. – Afirma meu marido, encarando-me com determinação.

— Obrigada. – Agradeço, encostando minha cabeça no ombro dele. Shawn deixa um beijo em minha cabeça e posso sentir o olhar de minha mãe sobre nós. Encaro-a e vejo o sorriso amplo em seus lábios. – O que foi, mãe?

— Vocês são tão fofos. – Comenta a mulher, dando um suspiro sonhador. Ela se vira para o marido, voltando a se ajeitar a postura no banco do passageiro ao lado do motorista. – Eu te disse que Shawn era um bom rapaz e que Hills tinha se casado com o homem perfeito para ela. Por que você não pode ser tão romântico e doce como ele?

— Eles só estão casados há um mês. Nessa mesma época de casados, eu era um homem romântico. – Resmunga meu padrasto e eu acabo rindo com o bufar de minha mãe.

— Você nunca foi romântico. – Retruca a mulher, encarando o homem com repreensão. Meu padrasto dá de ombros, incapaz de rebater a afirmação. Ele de fato estava longe de ser um homem romântico, apesar de ser bastante carinhoso e gentil. – De qualquer forma, como está Susan, Shawn? Conversei com ela esses dias e ela me disse que retornou para Fort Wayne e tinha voltado ao trabalho.

— Sim. A família dela é toda de lá e com meus bisavós ainda vivos, ela ajuda a cuidar deles. – Responde Shawn, sorrindo ao lembrar da mãe. – Além disso, ela disse que eu já tenho a Hills, então se sente mais tranquila em voltar para o namorado dela.

E dessa vez sou eu quem sorri ao lembrar de Susan. A mulher havia se tornado uma verdadeira mãe para mim. Não conversávamos com tanta frequência igual Shawn e minha mãe, mas nós desenvolvemos uma amizade maravilhosa nas semanas após o casamento de Sam e Freddie.

Ela havia me dado muitas dicas sobre Shawn e seus comportamentos, compartilhado histórias sobre a infância de meu marido e revelado alguns traumas que ele possui. A cada conversa por telefone ou mensagem trocada, mais eu sentia como se eu tivesse uma aliada.

Susan é doce e extremamente divertida e amorosa. Quanto mais descubro sobre ela e tudo o que ela passou para criar Shawn, mais eu a admiro e entendo o motivo de meu marido ter se tornado uma pessoa tão gentil, empática e sensível, ainda que tente esconder esse fato das pessoas.

— Namorado, é? Eu não sabia que ela namorava. – Comenta minha mãe, ansiosa para ouvir mais uma história de amor.

— Ah, sim. Ela não fala muito sobre o relacionamento, porque é recente e acho que ela ainda tem medo de não dar certo. – Explica meu marido, dando de ombros. – Pode não parecer, mas minha mãe é extremamente tímida. Ela e Billy se conhecem desde que eram crianças, e parece que ele sempre foi apaixonado por ela, mas nunca teve coragem de confessar. Depois que meu pai a abandonou quando estava grávida de mim, ela não se envolveu com mais ninguém. Billy ainda revelou os sentimentos dele por minha mãe um pouco depois que eu nasci, mas minha mãe estava determinada a me criar, então o rejeitou. Então ele esperou por vinte e seis anos até que minha mãe desse uma chance para eles.

— Billy não se envolveu com ninguém durante todos esses anos esperando a sua mãe? – Pergunto, surpresa. Shawn me encara pensativo.

— Bom, eu não tenho certeza. Acho que ele deve ter tido alguns relacionamentos, mas ele nunca se casou ou teve filhos. – Revela meu marido, surpreendendo-me mais uma vez. Shawn ri com ironia e dá de ombros. – Mas agora que está com a minha mãe, ele já está falando em casamento. Acho que se fosse por ele, os dois já estavam casados desde a primeira semana. Minha mãe é que tem enrolado ele.

— Não que a gente possa falar alguma coisa sobre isso. – Brinco e Shawn ri, concordando.

— Mas eu também falaria em casamento logo na primeira semana de namoro se eu esperasse mais de vinte anos pela pessoa que eu amo. – Comenta meu padrasto, encarando-nos com um sorriso divertido pelo retrovisor do carro.

— Bom, você me pediu em casamento com quatro meses de namoro. Acho que tempo não é um critério para você. – Rebate minha mãe com humor.

— E você aceitou. – Retruca o homem, encarando a esposa em desafio.

— Touché! – Exclama minha mãe, rindo.

— Aparentemente, nenhum de nós considera muito o tempo de relacionamento. – Ironiza meu marido, arrancando mais risos.

O restante da viagem até a casa da minha família foi recheado de risos e muitas brincadeiras. Sem a pressão de minha mãe em relação a casamento e filhos, como ela sempre fazia todas as vezes que eu retornava para Seattle, a gente conseguia manter uma conversa saudável e calma. E ver como meu padrasto parecia ter amado Shawn me deixava muito mais feliz.

Por isso, naqueles singelos quarenta minutos de trajeto, eu havia me esquecido completamente do desafio que seria conviver com a minha família no restante da semana. Eu apenas aproveitava os minutos de paz com minha mãe, meu padrasto e meu marido, compartilhando histórias divertidas dos nossos relacionamentos e sobre a vida de minha sogra e seu namorado.

Mas obviamente eu tive que voltar para a realidade quando meu padrasto estaciona o carro em frente a residência de dois andares, onde já estavam outros três carros. Respiro fundo e aperto a mão de Shawn, que também parecia um pouco ansioso para conhecer minha família.

— Shawn, querido, nossa família pode ser um pouco... – minha mãe parece procurar as palavras certas – intensa, às vezes, mas não se ofenda, por favor. Essa é a primeira vez que Hills apresenta alguém para a família e ainda tem o fato do casamento de vocês ter acontecido tão de repente. Meu pai é um homem bastante conservador, então é possível que ele possa proferir palavras duras. Mas peço que ignore. Nós realmente estamos felizes de vocês estarem aqui.

— Obrigado, Natalie. – Agradece Shawn, dando um sorriso compreensível. – E não se preocupe. Hills me alertou um pouco sobre os membros da família e de certa forma, eu sei bem como é. Apesar de não ter tanto contato com a minha família materna, eu lido com pessoas mais velhas intensas no meu trabalho há anos, então eu já tenho um certo costume. Por isso, garanto que eu ficarei bem.

— É ótimo que esteja tão confiante. – Comenta meu padrasto com humor. Encaro-o com repreensão e o homem dá de ombros, antes de se voltar para a porta de entrada da casa. – Bom, chegou a hora de te apresentar para o hospício que é essa família.

Ansiosos, descemos do carro e as primeiras pessoas que vejam são meus irmãos gêmeos. Apesar de estar sempre em formas de esganar os dois quando estamos juntos, eu sentia falta dos garotos idênticos que em nada se parecem comigo.

Na verdade, eles são extremamente parecidos com meu padrasto, puxando apenas a personalidade forte e hiperativa de minha mãe, ao contrário de mim, que puxei a aparência da mulher e a personalidade de meu pai.

Vestidos com as mesmas roupas – com certeza para confundir ainda mais a Shawn -, os garotos de dezesseis anos pareciam ter clareado mais os cabelos desde a última vez que os vi. Os olhos azuis tão claros quanto aos do pai continuavam a brilhar daquele jeito de quem iriam aprontar a qualquer momento.

— Olha só se não é a supermodelo Hillary Leblanc. – Provoca Joe, sorrindo com ironia.

— Ou devemos chamá-la de sra. Kennedy? – Completa Jake, esboçando a mesma expressão que o garoto idêntico ao seu lado. Bufo e reviro os olhos.

— Calem a boca e abracem sua irmã mais velha, pirralhos idiotas. – Resmungo e eles trocam sorrisos traquinas entre eles antes de se aproximarem mais e me abraçarem apertado. Assim que nos afastamos, observo os dois. – Quando vocês vão parar de crescer? Estão muito maiores desde que os vi pela última vez.

— E você parece ainda mais velha desde a última vez que te vimos. – Retruca Jake e eu imediatamente deixo um tapa em sua nuca, fazendo Joe rir, enquanto o outro acaricia o lugar atingido. – Mãe! Olha a Hillary me batendo.

— Vocês três não comecem não, que hoje eu não quero me estressar. – Resmunga nossa mãe, encarando-nos com repreensão, enquanto pega algumas sacolas de compras no porta-malas.

— Não vai apresentar o marido não, Hills? – Pergunta Joe, olhando para Shawn que se aproximava com nossa mala, acompanhado de meu padrasto, que segurava a mochila de meu marido.

— Estou de olho em vocês. Se aprontarem com ele, vou esfolar os dois vivos. – Ameaço, em sussurro, enquanto lanço o meu pior olhar. Obviamente, isso não tem efeito algum sobre os diabinhos que chamo de irmãos, que me ignoram completamente e andam até meu marido.

— Olá, cunhado! – Cumprimenta Joe com a mão estendida para Shawn, que o encara com curiosidade. – Eu sou o Joe. Irmão mais novo da Hills.

— Olá, Joe. Eu sou o Shawn, marido da Hillary. – Responde meu marido, sorrindo simpático para meu irmão. Ele então se vira para Jake e estende a mão. – E você deve ser o Jake.

— O próprio. – Responde Jake, apertando a mão de Shawn, que arregala os olhos e puxa a mão de uma vez, acariciando-a com certo desespero.

— O que você fez, pestinha? – Acuso, indo até meu marido. – Você está bem?

— Sim. Ele me surpreendeu com um choque. – Revela Shawn, dando um fraco sorriso. – Mas está tudo bem.

— Que cumprimento eletrizante. – Brinca Joe e Jake ri do trocadilho, enquanto ergue a mão para mostrar o pequeno aparelho de choque em sua mão.

— Mãe! Os pestinhas estão aprontando com o Shawn! – Grito para a minha mãe que entrava em casa, enquanto acaricio a mão de Shawn. Assemelhando-se a Regan MacNeil de o Exorcista, a mulher se vira para encarar meus irmãos com os olhos quase em chamas.

— Joseph Reginald e Jacob Patrick Sullivan, não me obriguem a quebrar o pescoço de vocês. – Ameaça a mulher de forma tão assustadora que por alguns instantes, vejo o medo nos olhos de meus irmãos.

— Mas mãe, a gente só estava brincando. – Retruca Jake, indignado.

— E eu não fiz nada! – Reclama Joe, tão revoltado quanto o irmão.

— Eu não quero saber. Os dois para dentro! Deixem o Shawn em paz. Se eu souber que vocês estão aprontando com ele, eu juro que eu arranco os celulares e os vídeo games de vocês e doo para a primeira criança que eu ver. – Ameaça minha mãe e no mesmo instante os gêmeos correm para dentro de casa.

— Bem-vindo ao lar. – Brinca meu padrasto, colocando a mão sobre o ombro de Shawn que dá uma breve risada anasalada. Ao me encara, Rick parece entender que eu queria conversar com meu marido antes de entrarmos em casa e encontrar o restante da família. – Eu vou levando a mala de vocês para dentro. Deixarei a mala no seu antigo quarto, Hills.

— Obrigada, pai. – Agradeço, dando um fraco sorriso. Shawn parece querer negar a ajuda, mas eu puxo sua mão e o encaro com seriedade. O sinal parecer o bastante para ele entender o que eu queria.

— Obrigado, Rick. – Shawn entrega a mala ao meu padrasto e sorri sem graça. Ele assente e segue para dentro de casa.

— Sinto muito por isso. – Lamento, encarando a mão de meu marido. Ele suspira e levanta meu rosto, dando um sorriso encorajador.

— Não precisa se desculpar. Está tudo bem. Não me machucou. Eu apenas fiquei surpreso. – Garante o homem, abraçando-me. Correspondo com carinho. Ele deixa um beijo no topo da minha cabeça e sorri. – Agora nada de desanimo. Vamos conhecer o restante de sua família.

— Vamos ver quanto tempo essa sua animação vai durar quando conhecer os loucos que dizem ser meus parentes. – Retruco e Shawn ri com ironia. – Porque eu garanto para você que o que meus irmãos fizeram é apenas uma amostra do que está por vir.

Notas finais
Rick Sullivan: https://i.pinimg.com/564x/2e/b2/89/2eb2890c4be17916d05b92172827836b.jpg Joe e Jack Sullivan: https://i.pinimg.com/564x/61/6d/54/616d541c09c026eaff8c6098bc6e1d7b.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/DQH6eBvDIKuGz921wxomJC Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara