Sem Tempo para o Amor
28 Conhecendo a Família - Parte I
Notas iniciais

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XXVII – CONHECENDO A FAMÍLIA – PARTE I
A casa da família de Hillary era realmente muito bonita e, assim como nosso apartamento, somente a sala de estar parece ter o tamanho da minha antiga casa. E enquanto adentrava o imóvel de mãos dadas com minha esposa, admirando a beleza e o tamanho do lugar, sou surpreendido pela aproximação brusca de quatro mulheres animadas, que supus serem tias de Hillary.
— Hills! – Grita uma mulher de cabelos curtos ondulados ruivos e olhos azuis acinzentados. Ela puxa minha esposa para um abraço apertado e deixa um beijo estralado em sua bochecha. – Eu senti tanta falta!
— Oi, tia London. – Hillary corresponde ao abraço com menos animação. – Você está... energética como sempre.
— E você continua esquecendo da sua família, sua ingrata. Até mesmo se casou escondida. Como pôde esconder um tesouro desse? – A mulher, que descobri se chamar London, solta Hillary e se vira para mim. – Olá, querido. Você é ainda muito mais bonito pessoalmente!
— Oi. – Respondo timidamente, sem saber como lidar com toda a euforia da tia de minha esposa. – E obrigado.
— Ah, não seja tímido. Venha dá um abraço na tia London. – E sem esperar qualquer movimento meu, a agitada tia de Hillary me puxa para um forte abraço. – Oh, ele é tão alto e tem até alguns músculos. Veja isso, Christine. Eu disse que ele não era só cérebro.
London simplesmente apertava os músculos do meu braço e acariciava minha barriga sem qualquer pudor. Ela até mesmo havia aproveitado a nossa proximidade para passar a mão em minha bunda e balançou a cabeça como se tivesse aprovado.
Sendo a pessoa com pouco costume a contatos íntimos com outras pessoas que não sejam minha mãe, minha esposa e Clint, eu me sentia como um filhote sendo vítima dos ataques de uma criança insanamente apaixonada por animais. E eu nem mesmo podia contar com a minha esposa para me socorrer da euforia de sua tia, porque ela mesma estava sofrendo com a animação de outras duas mulheres.
— Oh, pare com isso, London. Está assustando o rapaz. — A repreensão vem de uma mulher de cabelos curtos loira, que aparentava ter uns 50 anos. Ela puxa London e sorri simpática, estendendo a mão para me cumprimentar. — Olá, Shawn. Eu me chamo Christine. Sou a irmã mais velha de Natalie e tia de Hillary. E peço desculpas pela falta de educação de minha cunhada. Infelizmente London não aprendeu bons modos.
— Você que é uma chata. Eu só estou tentando fazer com que ele se sinta parte da família. — Resmunga London, encarando a cunhada como uma adolescente indignada.
— É um prazer conhecê-la, sra. Christine. E está tudo bem. — Garanto sorrindo, enquanto aperto a mão da mulher. Viro-me para London. — E é um prazer conhecê-la também, sra. London.
— Oh, querido, não precisa de formalidades comigo. Deixe isso para o meu marido e meu sogro, que são militares, e para a chata da Christine. — Responde London, sorrindo animada. Ela então me puxa pelo braço em direção as outras duas mulheres que conversavam com Hillary, enquanto Christine a repreendia. — Estamos felizes em te conhecer. Vamos te apresentar para os outros membros da família.
— Certo. — Sussurro, mesmo sabendo que ela provavelmente não me ouviria.
— Meninas, olhem como o marido da Hills é adorável. — London chama a atenção das mulheres que me encaram com animação. Minha esposa me encara com preocupação e eu tento sorrir confiante para mostrar que eu estava bem. — Shawn, essas são minhas cunhadas, Gwendolyn e Morgan.
— Ah, ele é tão alto e bonito. Agora entendo o motivo de ter se casado com ele, Hills. — Comenta Morgan, a mulher de cabelos curtinho meio acobreado e olhos parecidos com os de minha sogra. Ela também me abraça e passa a me observar. — Seja bem-vindo, Shawn.
— Muito obrigado, sra. Morgan. — Agradeço timidamente.
— Posso pegar ele para mim, Hills? — Brinca Gwendolyn, que assim como Hills, possui cabelos pretos e olhos castanhos.
— Não mesmo. Pode tirar os olhos do meu marido, tia Gwen. — Retruca Hills, afastando as mulheres para me abraçar. — Você já tem o seu príncipe encantado.
— Olha como ela é possessiva! — London gargalha alto, fazendo com que as outras mulheres também rissem.
— Mas é claro. Vocês não viram a loucura que eu cometi para ficar com ele? Preciso garantir que eu não o perca tão fácil assim. – Responde minha esposa, apertando ainda mais os braços em volta de minha cintura.
— Você não me perderia mesmo se quisesse. – Afirmo e ela levanta o rosto para me encarar sorrindo com doçura. Acaricio seu rosto e me perco em seus olhos. Os sorrisos e os suspiros encantados das tias de minha esposa me fazem acordar e me vergonhar ao me dar conta do que eu havia dito.
— Ah, agora sou eu quem quer ela. – Brinca Morgan, pegando em meu braço.
— Eu acho que me cansei de Ted. Estamos casados há muito tempo e ele só me estressa. Vou me casar com o Shawn agora. – Comenta London, rindo com animação.
— A partir de hoje, eu estou noiva do Shawn. – Avisa Gwendolyn, também me abraçando.
E antes que Hillary retrucasse as provocações das tias, Natalie aparece na sala com uma travessa em mãos. Ela suspira e encara a todos com seriedade, balançando a cabeça em negação.
— Deixem os dois descansarem da longa viagem que fizeram e venham me ajudar a preparar o almoço ou não vamos comer hoje. – Natalie repreende as irmãs e a cunhada.
— Tudo bem. Vamos, meninas. Ainda teremos tempo de conversar com o marido de Hillary. – Responde Christine, encarando-me com intensidade. Engulo em seco, imaginando o que poderia ser essa conversa. A mulher sorri e acena, afastando-se para pegar a travessa que estava nas mãos de minha sogra.
As outras mulheres sorriem também com uma certa expectativa e eu sinto um frio subir pela minha espinha, como uma mal pressentimento do que poderia acontecer. Elas se despedem e seguem para a cozinha da casa, deixando-nos sozinho com minha sogra.
— Shawn, Hills, todos estão na piscinas. Por que não vão trocar de roupa para tomar banho com seus primos? – Sugere Natalie, sorrindo com doçura.
— Eu posso ajudar em alguma coisa, Natalie? Não sou tão bom na cozinha, mas acho que posso cortar os ingredientes ou lavar as louças. – Pergunto e minha sogra balança a cabeça, negando.
— Não precisa. Já temos mão de obra suficiente. Você e Hills estão de férias, então aproveitem para descansar. – Responde a mulher, aproximando-se de nós. – Todo mundo está nos fundos da casa, inclusive sua avó e avô.
— Onde está tia Grace? – Pergunta Hillary, olhando em volta. – Ela deveria ser uma das pessoas que estaria interrogando Shawn nesse momento.
— Ela me disse que estava apenas esperando Frank chegar do plantão no hospital para vir. Madison vai vir com eles, porque estão sem carro. Cameron foi buscar os filhos e vai vir para cá. A Lindsay também estava esperando o marido para virem. – Responde Natalie, dando de ombros. – Acho que eles chegam na hora do almoço.
— A Madison precisa mesmo vir? – Resmunga Hillary, que recebe um olhar repreendedor da mãe. – Não precisa responder.
— Não quero brigas com a Madison. É a primeira vez que toda a família vai estar reunida em anos. Até mesmo papai está aqui. Então, por favor, controle-se. – Pede Natalie, encarando a filha em súplica. Hillary bufa e minha sogra se vira para mim. – Poderia ficar de olho nela?
— Não se preocupe. Nós faremos o possível para que o encontro de família seja agradável. – Garanto a Natalie, que sorri em agradecimento.
— Obrigada. – Agradece a mulher, colocando a mão em meu ombro. – Se quiserem tomar um banho antes de conhecerem o restante da família, fiquem a vontade. Rick colocou as coisas de vocês no quarto de Hills.
— O que você acha? – Pergunto, encarando Hillary.
— Acho melhor. Se formos agora, o pessoal não vai nos largar e provavelmente só vamos conseguir tomar banho e descansar a noite. – Responde minha esposa, suspirando.
— Vão. Eu aviso a todos. O almoço ainda vai demorar um pouco, então aproveitem esse tempo para dormir e se recuperar da fadigas das horas de viagem. – Natalie sorri e dá dois tapinhas em meu ombro antes de sair.
Quando voltamos a ficar sozinhos, Hillary suspira aliviada e olha em volta, dando um sorriso nostálgico, antes de me puxar pelo braço até a escada que levava ao segundo andar da casa. Com um sorriso cansado nos lábios, minha esposa me guia até uma porta com adesivos de coração e borboletas nelas.
— Antes de entramos, quero que saiba que eu morei com a minha mãe até os dezessete anos e eu adorava rosa e bichinhos de pelúcia, então não quero julgamentos. – Pede Hillary e eu acabo rindo.
— Tudo bem. Eu apenas espero não encontrar pôsteres de outros homens. Isso não vai fazer bem para a minha autoestima. – Brinco e ela finge pensar no assunto. – O quê? Você tem?
— Nada, bobo. Eu estou apenas brincando. – Responde, rindo. Ela abre a porta e dá espaço para que eu entrasse. – Seja bem-vindo ao meu eu de quase dez anos atrás.
— Uau. Impressionante. – Digo, observando o quarto de paredes rosas intensas, com vários quadros nelas. O quarto também tinha muitos bichinhos de pelúcia e enfeites que remetiam a Paris, além do adesivo da Torre Eiffel pregado sobre a cama.
— Eu estou morta. – Comenta Hillary, jogando-se sobre a cama. Ela então vira o rosto e sorri, chamando-me para me aproximar. – Você é o primeiro rapaz sem ser da minha família a entrar nesse lugar.
— Desse jeito eu me sinto especial. – Respondo com humor, deitando-me ao seu lado. Ela vira o corpo para cima do meu e se aconchega.
— Mas você é. – Sussurra, fechando os olhos. Sorrio e passo a acariciar sua cabeça. – Nós mal chegamos e eu já estou exausta da nossa interação com minhas tias. Eu as amo, mas elas são tão elétricas. E eu sei que elas logo vão começar a sessão de perguntas. E será ainda pior com a tia Grace, que consegue ser ainda mais rígida que a tia Chris. Meu avô também não vai ser fácil de lidar. Meus irmãos vão testar nossas paciências e meus primos podem ser bem irritantes.
— Pare de se preocupar com antecedência. Aproveite essa oportunidade para passar um tempo com eles. Nem mesmo sabemos quando vamos conseguir férias juntos novamente. Além disso, eu confesso que estou bem curioso para conhecer todos os membros da família. Nunca imaginei que ela fosse tão grande. – Comento e Hillary dá uma fraca risada e assente.
— Minha família por parte de pai é minúscula. Eu não tive muito contato com eles, mas a família da minha mãe é bem grande. Minha mãe é a filha nova de cinco filhos. Tia Christine é a mais velha e tem quatro filhos e é casada com o tio Otto. Ela é mãe do Luca, Diana, Nicholas e da Brianna. O Luca é casado e tem duas filhas, Sophie e Sasha. A Diana tem o Theo.
A segunda irmã mais velha da minha mãe é a tia Grace, que como você sabe, é mãe da Madison, Cameron e Lindsay. Ela é casada com o tio Frank, que é um renomado médico da cidade. Lindy é mãe da Victória e Valentina. Cameron se separou recentemente e os três filhos, Ashley, Andrew e Arthur moram com a mãe.
O próximo irmão da minha mãe é o tio Theodore. Ele é casado com a tia London, que você conheceu. Eles são pais do Dominic, Dylan, David e Daniel. Dom é pai do Archie e o Davie tem o Luigi e a Ayla.
Tia Morgan é casada com o tio Ryan e é mãe da Zoe e do Zyan. A Zoe é mãe do Peter e está grávida da Chloe. Zyan é pai do Eric, Levi e do Ravi. São crianças adoráveis, que eu tenho certeza de que você vai amar conhecer. Principalmente o Levi, que é completamente fascinado pelo espaço”. – Comenta minha esposa e eu sorrio ao pensar que teria mais um apreciador dos mistérios e da beleza do Universo. – Aposto que ele está louco para te conhecer desde que soube sobre a sua profissão.
— Eu tenho a sensação de que nós nos daremos muito bem. – Respondo e ela assente, concordando.
— E por fim, a última irmã mais velha da minha mãe é a tia Gwendolyn. Ela é mãe do Ethan, do Luke e da Olivia. São os meus primos favoritos. A gente sempre se deu muito bem e crescemos como irmãos. Não é à toa que tia Gwen é a minha tia favorita. O marido dela, Alex, também é bem legal. Assim como você, ele é professor e dá aula na Universidade de Washington. Ele é quinze anos mais novo do que ela e foi um choque para a família quando eles se casaram. – Conta Hillary, rindo.
— Uau! Será se eu vou lembrar do nome de todos? – Pergunto, preocupado. Hillary ri e sai de cima de mim, sentando-se ao meu lado. Sento-me também, entrelaçando nossas mãos.
— Não se preocupe. Eles não vão te largar durante a semana inteira, então você vai acabar se aprendendo. Além disso, se estiver dúvida, é só me perguntar. – Responde minha esposa, encostando a cabeça em meu ombro.
— Tudo bem. – Digo, observando os quadros em sua parede.
— Ah, eu já estava esquecendo de apresentar meus avós, que são o verdadeiro significado de opostos. – Comenta Hillary, rindo. – Vovó Louise é a mulher mais doce, compreensiva e gentil que eu conheço. Ela sempre cuidou de toda a família com muita paciência e sabedoria. Meu avô é o típico homem bruto. Ele é típico militar que desconhece o significado da palavra delicadeza. Ainda é difícil de acreditar que eles estejam casados há quase sessenta anos.
— E como foi que eles se casaram? – Pergunto, curioso.
— Em resumo, meu avô era um general do exército americano e foi enviado em uma missão para Llandudno, no País de Gales, sessenta anos atrás. Meu bisavô era dono do bar que meu avô frequentava com o seu esquadrão. Como minha avó ajudava no lugar, eles se conheceram e acabaram se apaixonando. Só que na época ela já estava noiva de outro homem. Felizmente, isso não fez meu avô desistir dela. – Conta minha esposa, surpreendendo-me. – O noivado de minha avó era forçado com um homem muito mais velho do que ela. Meu avô até tentou convencer o meu bisavô a permitir o romance com a minha avó, mas ele nem mesmo quis saber. E para piorar a situação, minha avó engravidou da tia Christine. Então, sem escolhas, eles fugiram e se casaram as escondidas. Quando meu bisavô descobriu, já era tarde demais. E se não fosse pela revelação de minha avó sobre a gravidez, ele tinha matado o meu avô.
— Uau. – Sussurro, impressionado.
— Eu sei. Incrível, não é? Se essa situação já causaria um caos nos dias de hoje, imagina sessenta anos atrás. – Comenta Hillary, rindo. – Eles viveram quinze anos em Llandudno, até precisarem vir para os Estados Unidos para meu avô continuar a servir o exército. Então minha mãe e meus tios todos nasceram em Gales, mas cresceram em Seattle.
— Sua família deve ter histórias realmente interessantes. – Digo e Hillary assente.
— Bom, eu tenho certeza de que eles vão amar te contar. Então por que não vamos tomar um banho e dormimos um pouco? Porque eu te garanto que quando todos chegarem, eles não vão te dar descanso. – Sugere minha esposa. – Provavelmente viraremos a noite conversando e respondendo as inúmeras perguntas.
— Tudo bem. Você pode ir na frente. – Respondo e ela me lança um sorriso malicioso.
— Sabe, nós tivemos uma viagem bem cansativa e eu estava pensando em como eu estou desejando aquela massagem especial que só você sabe fazer. – Começa a mulher, aproximando-se até que seu rosto fique a milímetros do meu.
Hillary deixa vários selares em meus lábios, antes de passar a distribuir beijos em meu pescoço e morder a minha orelha. Suspiro, sentindo meu corpo reagir imediatamente a seus toques.
— Nesse caso, acho que não temos escolha. – Puxo Hillary pela cintura e a jogo na cama. Ela ri e contorna minha cintura com sua pernas, enquanto os braços se apoiam em meus ombros. – Eu preciso fazer satisfazer os desejos de minha esposa.
Trocamos sorrisos maliciosos e passamos a nos beijar com intensidade. No entanto, antes que eu passasse para o próximo passo, a porta do quarto de Hillary é aberta de uma vez, assustando-nos.
— Que coisa feia! Vocês estão achando que essa casa é bagunça? – Questiona Jake, sorrindo daquele jeito traquina.
— Vão para um motel! – Grita Joe, gargalhando. Era nítido que eles estavam se divertindo por terem nos atrapalhado.
— Eu juro que eu ainda mato vocês! – Grita Hillary, jogando os travesseiros da cama na direção dos irmãos.
Infelizmente, eles se esquivam facilmente e ainda fazem gestos provocativos para a irmã mais velha. E se esquecendo que é uma agente da CIA e uma supermodelo, Hillary se levanta da cama e passa a correr atrás dos irmãos. Suspiro e encaro meu amigo animado.
— É. Acho que eu vou tomar um banho frio. – Sussurro para mim mesmo, indo em direção ao banheiro, relembrando que o encontro de família estava apenas começando.
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