Sem Tempo para o Amor

17 Pedido de Divórcio


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Desculpa a demora. Aconteceu um imprevisto e eu só consegui terminar o capítulo agora. Espero que me perdoem. Mas aqui estou eu com um capítulo grande para compensar. Então, eu espero de verdade que vocês gostem. E como de costume, não posso deixar de agradecer ao lindo comentário que recebi no capítulo passado da AndreaNeves. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XVI – PEDIDO DE DIVÓRCIO

As poucas horas de sono que me restavam naquele dia são interrompidas pelo toque escandaloso da campainha de minha casa. Suspiro cansada e coloco o travesseiro sobre a minha cabeça, na esperança de quem quer que fosse o inconveniente que atrapalhava o meu preciso sono fosse embora. Infelizmente, a frequência com a qual a campainha era tocada me dava uma breve ideia de que meu desejo não seria realizado tão cedo.

Viro-me na cama e encaro o relógio na cômoda ao lado de minha cama. Era um pouco mais de oito horas da manhã, o que significava que eu só tinha conseguido dormir cerca de três horas. Gemo frustrada e me levanto, pronta para mandar quem quer que me incomodasse no meu dia de folga para o inferno.

O toque irritante da campainha continua a ecoar de forma desesperada pela casa, enquanto eu procurava meu roupão. Passo uma água no rosto e tento arrumar meu cabelo que estava uma verdadeira bagunça. Sendo sincera, meu humor não era um dos melhores naquele momento, então eu não me importava de deixar o apressadinho esperando.

Sigo calmamente para a sala de estar, bocejando algumas vezes. Eu realmente estava com sono e irritada. Respiro fundo algumas vezes, apenas para controlar o meu mau humor e olho pelo olho mágico da porta para ver quem era a pessoa irritante que continuava a tocar a freneticamente. Arfo ao reconhecer a expressão indignada da mulher de cabelos ondulados castanhos e olhos cor de mel, que sempre demonstravam todas as suas emoções.

Um pouco desesperada por saber que eu provavelmente só teria algumas horas de vida, penso em rotas de fuga para escapar da mulher, mas seu sexto sentido maternal parece aflorar naquele momento, pois antes que eu desse o primeiro passo, batidas intensas e intimidantes se iniciam em minha porta.

— Eu sei que você está aí, Hillary Beaumont Leblanc. Não me faça arrombar essa porta, porque você sabe muito bem que eu sou capaz de fazer isso. – Ameaça minha mãe e imediatamente, destranco a porta para que ela entrasse. Eu ainda não havia perdido completamente a razão para arriscar desafiar Natalie Beaumont.

— Mãe, eu...

— Cala a boca! – Esbraveja a mulher, empurrando a porta antes mesmo que eu tivesse a chance de me explicar. A força usada pela mulher é tanta que a porta bate com intensidade na parece e estremece.

A linda mulher entra pela casa a passos brutos. Seu corpo tremia e eu tinha certeza de que eu nunca estive tão perto da morte como naquele momento. Não que Natalie fosse um exemplo de paciência. Apesar de muito amorosa, minha mãe era o tipo de mulher que não precisava de muito para estar esbravejando com os filhos. E infelizmente, naquele momento, eu sabia que ela tinha muitos motivos para querer me esganar.

— Mãe... – Tento mais uma vez, seguindo-a até a sala, depois de fechar a porta de casa. A mulher estava tão furiosa que eu temia realmente acabar sendo assassinada.

— Cala a boca, Hillary! – Exige a mulher, encarando-me com dureza. – Sente agora mesmo nesse sofá, antes que eu acabe cometendo um crime hediondo contra a minha própria filha.

A expressão de minha mãe era tão intimidante que eu esqueço por alguns instantes que eu já tenho vinte e seis anos e me transformo em uma garotinha que teme o castigo que irá levar da mãe. Seguindo suas ordens, sento-me no sofá e me encolho diante do olhar assassino da linda mulher.

Ela suspira e passa a andar de um lado para o outro, resmungando em galês todos os tipos de xingamentos possíveis. Era somente nesses momentos de raiva que minha mãe usava sua língua materna. Eu não falava tão bem a língua galesa, mas pelo que eu conseguia entender, naquele momento minha mãe estava dividida entre a raiva e a preocupação.

— Você por acaso tem noção do quanto eu fiquei preocupada com você, sua filha ingrata? Tem ideia de como eu te liguei durante esses três dias e não tive nem uma mensagem de resposta sua dizendo que você estava viva? Minhas únicas informações eram de sites de fofoca dizendo que você estava bebendo e dormindo com desconhecidos em Las Vegas! – Esbraveja a mulher. Ao fim, ela suspira e coloca as mãos sobre o rosto, mostrando sua fragilidade. Seus olhos cor de mel brilham e eu posso ver que ela se segurava para não chorar. – É tão difícil assim ligar para a sua mãe e dizer que está bem?

— Desculpa, mãe. Meu celular quebrou e com toda aquela loucura, não consegui entrar em contato. – Respondo, sentindo-me culpada.

Apesar de não saber sobre a minha vida dupla, eu sempre senti que minha mãe sabia que minha vida corre muito mais risco do que demonstro. Depois de ter salvado Shawn, sua preocupação comigo parece ter se tornado ainda maior. Talvez, fosse seu instinto materno falando alto, mas ela fazia questão de me ligar pelo menos uma vez por semana para saber como estou e mensagens de bom dia todos os dias. Quando sabe que estou fora do país, o contato se torna ainda mais frequente, deixando-me ainda mais culpada por mentir para ela.

— Você está bem? – Pergunta, aproximando-se. Ela se ajoelha diante de mim e coloca a mão sobre meu rosto, analisando-me com seriedade. – Os paparazzis fizeram algo contra você?

— Não. Eu estou bem. Clint cuidou para que eles não se aproximassem de mim, então consegui chegar em Hawkins sem que eles notassem a minha presença. – A minha resposta parece aliviar minha mãe, que suspira e agradece a Deus em galês. – Desculpa te preocupar, mãe. Prometo que hoje mesmo resolvo a minha vida.

— Acho bom mesmo. – Resmunga a mulher, encarando-me em repreensão, enquanto se levanta. – Eu quero conhecer meu genro e precisamos cuidar para que vocês façam uma cerimônia de verdade. Eu não vou aceitar que você tenha se casado em Las Vegas com aquele vestido terrível.

— Conhecer... seu genro? – Balbucio, sem acreditar em como minha mãe parecia levar o casamento com mais tranquilidade do que o fato de ter ficado alguns dias sem entrar em contato.

— É claro. Ainda temos que ver onde vocês vão morar. Quero conversar com ele para saber mais sobre o que ele tem em mente, mas eu já tenho um lugar perfeito para vocês. Rick e eu conversamos com Clint depois que você resolveu que era uma boa ideia se jogar na frente de um caminhão, e ele me disse que tem um apartamento seguro na cidade que seria desocupado em breve. Eu o visitei e de fato é fantástico. Então, nós compramos o apartamento e vai ser perfeito para você morar com o seu marido. – Conta minha mãe, como se ela estivesse falando sobre o clima.

— O quê? Você ficou louca, mãe?! – Grito, desesperada. Ela me encara surpresa. – Como pôde fazer algo assim sem me consultar? E eu me casei bêbada! Não pode estar realmente levando a sério esse casamento.

— Ah, por favor, Hillary. Não comece com o drama. – Pede minha mãe, sentando-se no sofá. Solto uma risada incrédula. Ali estava a mulher que conseguia me enlouquecer em questão de segundos.

— Drama? Pelo amor de Deus, mãe! – Resmungo, frustrada. – Eu vou pedir o divórcio a Shawn hoje mesmo. Então tire logo dessa sua cabeça essa ideia maluca de cerimônia de casamento e apartamento. Eu não vou me mudar e não darei continuidade a esse relacionamento.

— O quê? – Dessa vez é minha mãe que grita e se levanta, como se estivesse ofendida com a minha fala. – Você não pode pedir o divórcio, Hillary!

— É claro que posso, mãe. Eu sou maior de idade e eu tenho certeza de que Shawn vai concordar comigo quanto ao divórcio. Nós nem nos conhecemos direito e tudo o que fizemos foi porque estávamos sob efeito de álcool e movidos pelo calor do momento. – Respondo e a mulher me encara como se eu fosse louca.

— Não mesmo! Você não pode pedir o divórcio, Hillary! Como pode pensar em algo assim? – Indaga minha mãe, pegando em meus ombros. – Escute a sua mãe, filha. Você vai se arrepender se você se divorciar.

— Como não pensar, mãe? Eu sei que sempre foi seu sonho me ver casada, mas não é o momento e nem a pessoa certa, está bem? Shawn é uma pessoa maravilhosa e é por isso que eu não posso fazer algo tão irracional como continuar um casamento que se iniciou de forma tão caótica e errada. Nós somos amigos e apenas isso. Então pare de sonhar com algo que não vai dar certo. – Resmungo, andando em direção ao meu quarto.

— Não é a pessoa certa? Hillary, não se faça de idiota. Você é minha filha e sei que tem muito mais cérebro do que o maldito do seu pai... – Paro de andar assim que minha mãe cita o ex-marido e posso ver que ela logo se arrepende. Não me viro, mas posso ouvir o som de seus sapatos, enquanto se aproxima. Minha mãe me abraça apertado e suspira. – Desculpa, filha. Sei que ainda é difícil de lidar com a morte dele, mas...

— Está tudo bem, mãe. – Respondo, sentindo meus sentimentos conturbados. Ainda era difícil pensar sobre a morte do meu pai, mas não era somente pelos motivos que minha mãe imaginava e isso tornava a situação ainda pior. Respiro fundo e me afasto para encará-la com seriedade. – Olha, apenas esquece toda essa história de casamento, está bem? Eu vou agora mesmo na casa de Shawn para conversarmos sobre o assunto e decidir o que faremos. Felizmente, ao contrário da tatuagem, essa decisão equivocada feita enquanto estava bêbada pode ser resolvida de uma forma menos dolorosa e mais digna.

Apresso meus passos até meu quarto. Eu precisava me arrumar para ir a casa de Shawn, assim como eu havia prometido ao agente Fury. Ainda que eu tivesse sido perdoada pela agência, eu sabia que não poderia ignorar a situação por muito tempo. Com minha imagem se tornando cada vez mais popular, quanto mais tempo estivermos casados, mais em evidência Shawn se torna. Não quero complicar ainda mais a vida dele.

E enquanto procuro por alguma roupa apresentável em meu guarda-roupa, noto a inquietação de minha mãe. Eu realmente não entendia o comportamento atípico da mulher, uma vez que ela sempre foi bastante cautelosa com a minha imagem. Eu não conseguia compreender o motivo dela estar tão contrariada com a ideia do divórcio.

— Hillary, por favor! Você não pode fazer isso. Você o ama, filha! E ele te ama também. Eu vi o vídeo de casamento de vocês. – As palavras de minha mãe me paralisam por alguns instantes. Desvio o olhar das roupas para encarar a expressão intensa da mulher. — Todos viram.

— Nós... estávamos bêbados. – Hesito, incerta sobre os meus sentimentos.

Até algum tempo atrás, eu tinha a plena certeza de que amava Freddie, mas depois de Las Vegas e de recordar como tudo aconteceu, eu sabia que talvez meus sentimentos pelo meu melhor amigo não fossem tão intensos assim. E então as lembranças dos votos de casamento voltam a mexer com a minha mente, de modo que eu não conseguia simplesmente dizer que todas as palavras ditas na cerimônia foram mentiras.

— Você o ama, Hillary, e sabe muito bem disso. Por que está sendo tão teimosa? – Indaga minha mãe, encarando-me com evidente indignação. – Sabe o quanto é difícil encontrar o amor? Por que está querendo ignorá-lo, quando sabe que ele está mais forte do que nunca em seu coração?

A mulher que infelizmente consegue me ler melhor do que qualquer outra pessoa no mundo me encara com seriedade. Eu não consigo responder suas perguntas, tampouco sou capaz de rir e afirmar que tudo o que ele diz é loucura. Minha mente está um verdadeiro caos e eu não conseguia entender o motivo de realmente estar dando ouvido àquelas palavras.

Eu não posso amar o Shawn. Não nos conhecemos o bastante para isso. Amor deveria ser algo que é construído aos poucos e não da noite para o dia e de forma tão arrebatadora. Não faz sentido algum. Shawn e eu não somos compatíveis. Nós temos outras pessoas em nossos corações e durante muito tempo, nós nem mesmo éramos capazes de conversar.

— Se você quer realmente o divórcio, por que ainda está usando o anel de casamento, Hillary? – A pergunta feita em um tom de voz mais suave, enquanto seus olhos me observam com doçura. Inconscientemente, desvio o olhar para a minha mão esquerda e percebo que ela estava certa. Eu ainda estava usando o anel estranho de casamento. – Filha, você...

— Eu vou tomar banho. – Interrompo minha mãe, antes que ela fosse capaz de invadir minha mente de vez.

— Hillary...

Covardemente, apresso meus passos até o banheiro e fecho a porta com ainda mais agilidade. Respiro fundo algumas vezes, procurando pela razão que por muito pouco eu não perdi, dando ouvidos a minha mãe. Não era hora de hesitação. Antes de mais nada, eu sou uma agente da CIA e preciso cumprir com a minha missão até o fim, por mais dolorosa e sacrificante que ela possa ser.

[...]

Estaciono o carro em frente a residência na qual Natasha havia me dado o endereço. Ao meu lado, minha mãe me encarava com aquele olhar intimidador, enquanto seus braços estavam cruzados com força. Infelizmente, minhas habilidades de persuasão foram inúteis diante da teimosia da mulher, que conseguia superar a de qualquer ser humano.

— Fique no carro. Eu já volto. – Resmungo e ela ri com ironia.

— Qual parte do “eu vou te impedir de cometer o maior erro da sua vida” você ainda não entendeu? – Questiona a mulher com os olhos brilhando de maneira ainda mais intimidante.

— Mãe, por favor. Será que dá para você parar de me tratar como uma criança? Eu já tenho vinte e seis anos. Eu sou responsável o bastante para tomar as minhas próprias decisões. – Retruco, enquanto retiro meu cinto de segurança. Encaro-a com determinação. – Essa é a minha vida. Não se meta, por favor.

— Garota, se eu te dei a vida, eu posso muito bem tirar! Se você não abaixar esse tom de voz comigo e tomar cuidado com o que você fala, eu juro que esqueço que você é adulta e te darei as palmadas que não dei quando você era criança! Melhor ainda! Eu vou quebrar todos os seus dentes e lavar a sua boca com sabão para ver se aprende a não responder sua mãe. – Minha mãe me ameaça de uma forma quase assassina. Estremeço e me encolho, sabendo que ela é louca o bastante para cumprir com todas as suas ameaças. – Além disso, você pode ter cem anos, mas eu ainda vou mandar em você. Agora, vamos descer, porque eu quero conhecer meu genro e conversar sobre os planos da cerimônia que faremos.

— Pelo amor de Deus, mãe! – Choramingo, sentindo vontade de chorar. – Não torne a situação mais complicada do que ela já é. E você nem sabe se o Shawn também não deseja o divórcio.

— Nesse caso, eu apenas terei que o convencer que se ele concordar com essa loucura, ele também estará cometendo o maior erro da vida dele. – Responde a mulher, dando de ombros. Ela retira o cinto de segurança e abre a porta do carro, descendo.

— O que foi que eu fiz para merecer isso, Deus? – Sussurro, batendo minha cabeça contra o volante do carro.

Infelizmente, não tenho muito tempo para pensar em algum plano que pudesse convencer a minha mãe a me deixar ter uma conversa com Shawn antes de sua interferência. Quando eu dou por mim, a mulher estar na porta da casa, tocando a campainha, sem se importar com o fato de Shawn nunca ter a visto na vida e que ela provavelmente só se pareceria com alguma louca em busca de mais informações sobre o casamento.

— Mãe! – Grito, saindo do carro.

Travo o veículo e corro em sua direção no mesmo instante em que a porta é aberta por uma linda mulher de bonitos olhos verdes e longos cabelos castanhos. Ela sorri e parece ainda mais animada ao me ver. Apesar de não conhecer tão bem Shawn, eu tinha quase certeza de que aquela se tratava de sua mãe, Susan Kennedy.

— Oh, que surpresa maravilhosa. Eu estava agora mesmo falando sobre você, querida. Entrem, por favor. – A mulher abre a porta e dá espaço para que entrássemos. – Shawn, sua esposa está aqui.

— Hã... sra. Kennedy, eu sou...

— Hillary Leblanc. – Completa a mulher com um simpático sorriso em seu rosto. Ela faz sinal para que nós a acompanhássemos. Assim que chegamos à sala de estar, ela se vira para nós e nos encara com expectativa. Antes que dissesse qualquer coisa, ela me abraça apertado e surpreendendo-me. – Eu sou a mãe de Shawn, Susan Kennedy.

— Eu... – Ela se afasta ao ver que eu me encontrava em estado de choque e sorri envergonhada.

— Ah, desculpe. É que eu... eu estou muito feliz em finalmente conhecer a esposa e heroína do meu amado Shawn. Você não imagina o quanto eu esperei por esse dia. – Comenta a mulher e então se vira para a minha mãe. — E pela semelhança, eu imagino que você seja a mãe de Hillary.

— Sim. – Minha mãe sorri e estende a mão. – Natalie Beaumont.

— Ah, muito prazer em conhecê-la, sra. Beaumont. – Susan cumprimenta minha mãe com entusiasmo.

— Natalie, apenas. Não precisamos de formalidade. Agora nós somos da mesma família, certo? – Comenta minha mãe e isso parece deixar Susan ainda mais animada.

— É claro! – Exclama Susan, sorrindo de forma tão brilhante e semelhante ao do filho que sinto meu coração se apertar ao pensar em sua reação ao saber que eu pediria o divórcio a Shawn. – Sentem-se, por favor. Shawn já deve estar vindo. Enquanto isso, eu vou trazer um pouco de café para vocês. Fiquem à vontade.

— Obrigada. – Agradece minha mãe, sentando-se no sofá, enquanto Susan desaparece de nosso campo de visão. – A mãe dele é tão jovem e adorável.

— Você é inacreditável, mãe. – Resmungo, sentando-me ao seu lado. – Será que dá para você parar de dar esperanças as pessoas? Você sabe muito bem que eu vim até aqui para pedir o divórcio.

— Não seja boba, Hillary. Nós duas sabemos que isso não vai acontecer. – Responde minha mãe de maneira confiante.

Antes que eu retrucasse, ouço passos vindo do corredor, chamando nossa atenção. Viro-me e encontro os bonitos olhos azuis de Shawn nos encarando surpreso. Surpreendo-me ao ver o quão diferente ele estava sem a sua característica barba por fazer e as roupas desleixadas.

Ele estava ainda mais bonito que o normal com a camisa jeans claro aberta por cima da blusa branca, calça jeans escura e tênis branco. Seu cabelo estava cortado e perfeitamente arrumado. Shawn também usava óculos de grau que dava um charme inexplicável a ele.

— Oi, Hillary. Você veio... mais cedo do que eu esperava. – Cumprimenta Shawn, envergonhado. – Desculpa a demora.

— Não... tem problema. – Balbucio, ainda surpresa com a mudança em sua aparência.

— Oh, você é ainda mais lindo pessoalmente, Shawn. Eu tenho certeza de que os filhos de vocês serão lindos! – A animação de minha mãe junto a sua frase vergonhosa me desperta do meu encanto.

— Mãe! – Repreendo a mulher, completamente envergonhada. Shawn também parece ficar sem jeito, enquanto minha mãe o abraça e passa a analisar cada detalhe do alto rapaz.

— Eu disse a mesma coisa a Shawn quando vi a foto de Hillary. Ela é tão bonita, que mesmo naquele vestido terrível, ficou maravilhosa. – Comenta a mãe de Shawn, aparecendo na sala com uma bandeja de prata com biscoitos e xícaras de café.

— Mas gente.... – Tento chamar a atenção das mulheres, mas sou completamente ignorada.

— Nem me fale naquele vestido terrível. Teremos que realizar urgente uma nova cerimônia para apagar aquelas fotos catastróficas. – Minha mãe se aproxima de Susan que assente, veemente.

— Sim! Eu tinha comentado com Shawn sobre fazermos uma nova cerimônia. Eu não sei se você conhece Clint Barton, mas ele tem um jardim incrível que eu tenho certeza de que daria para realizar uma linda cerimônia. – Conta Susan, puxando minha mãe para se sentar no sofá com ela. Os olhos de minha genitora brilham.

— O quê? – Questiono, surpresa com a ideia da mulher.

— Que excelente ideia! A mansão do Clint é fantástica. Além de muito bem cuidada, ainda é grande o bastante para caber nossa grande família. – Responde minha mãe, ignorando-me mais uma vez.

— Mãe! Para! – Interrompo a mulher, antes que ela embarcasse naquela loucura de organizar a cerimônia. Ela me encara e assim iniciamos a nossa costumeira guerra de olhares, tentando ver quem dar o braço a torcer primeiro.

— Por que não conversamos em meu quarto, Hillary? – Sugere Shawn, sorrindo sem graça.

— Isso! Vocês têm muito o que conversar. – Afirma Susan, parecendo aliviada com a ideia do filho.

— Eu não sei se é uma boa ideia deixar esses dois sozinhos. – Confessa a mulher tão semelhante a mim. Bufo, sem acreditar na falta de noção de minha mãe.

— Não se preocupe. Tudo dará certo. – Garante Susan, dando um sorriso tranquilizador. Ela parecia saber exatamente o que se passava na mente de minha mãe e isso me deixa extremamente preocupada. – Confie em mim.

— Tudo bem. — Minha mãe dá o braço a torcer e me encara com seriedade. – Comporte-se.

— Inacreditável. – Resmungo, frustrada.

— Vem comigo, Hillary.

Shawn pega em minha mão e sinto um arrepio subir pelo meu corpo. Ao encarar a calorosa e masculina mão, para entender qual era o meu problema, surpreendo-me ao ver que assim como eu, ele ainda usava o nosso anel de casamento.

Deixo-me ser guiada pela pequena casa até chegarmos ao seu quarto. Ele abre a porta e faz sinal para que eu entrasse primeiro. Ainda um pouco atordoada pela reação estranha de meu corpo ao seu toque, faço o que ele pede e observo o cômodo com curiosidade.

O quarto não era muito grande. Havia uma cama de casal com um guarda-roupa de madeira na lateral. Uma mesa de estudos também de madeira e vários livros sobre ela. Noto dois quadros sobre a cômoda ao lado da cama e sorrio ao ver que um tinha a foto de Shawn com a mãe e na outra estava ele mais jovem ao lado de Clint no que eu imaginei ser sua formatura da faculdade. Em ambas as fotos ele sorria com sinceridade e parecia genuinamente feliz.

— Você... quer se sentar? – Oferece Shawn, apontando para a cama. Encaro-o por alguns instantes e noto que ele estava realmente muito nervoso.

— Claro. Obrigada. – Agradeço, sentando-me. Ele assente e passa a mexer nas mãos de maneira inquieta, ainda parado próximo a porta do quarto. – Eu imagino que você já tenha alguma ideia do motivo de eu estar aqui.

— Nosso casamento em Las Vegas. – Responde e eu assinto, dando um fraco sorriso. – Parece que fizemos muito mais do que apenas sermos reconhecidos pela mídia.

— Bem mais. – Concordo, rindo. Ele também ri e se aproxima mais. Observo sua aparência e de repente, as imagens de nossa noite de núpcias invadem minha mente de maneira perigosa demais para a minha sanidade. – À propósito, você está bem diferente de ontem.

— Eu não estava em meu melhor momento quando acordamos. – Brinca o rapaz, rindo nervoso. – Eu estava de ressaca e não fazia ideia do que tinha acontecido.

— Você não se lembra de nada? – Indago e ele dá de ombros.

— Algumas coisas, mas tudo é muito confuso. Ainda falta algumas informações. – Responde, encarando-me com intensidade. – E você?

— Eu me lembro de tudo e posso garantir que foi uma noite e tanto. – Admito, envergonhada. Ele parece entender o motivo de meu acanhamento e desvia o olhar, adquirindo uma coloração avermelhada em suas bochechas.

— Eu... imagino. – Sussurra Shawn, encarando as próprias mãos.

E assim como acontecia quando nos conhecemos, um silêncio constrangedor se instaura sobre nós. Eu não sabia o que dizer e minha mente não estava sendo muito justa comigo ao me trazer alguns flashes de nossa noite em minha mente. Havia sido uma noite marcante, então era difícil ignorar e fingir que nada aconteceu, quando meu corpo continuava a insistir de forma patética para que eu repetisse a dose.

— Você ainda está usando o anel. – Comento, tentando afastar os pensamentos nada puros de minha mente. Estava sendo muito mais difícil do que eu imaginava que seria ficar sozinha com Shawn em seu quarto, enquanto estamos sentados em sua cama.

— Ah, sim. – Ele sorri e passa a brincar com a joia. – Apesar de achar um pouco extravagante demais para um anel de casamento, eu não consigo tirá-lo do meu dedo.

— Eu também. – Confesso para mim mesma, mas Shawn parece ouvir, pois me encara surpreso. Fecho os olhos e suspiro, repreendendo a mim mesma mentalmente.

— Você está arrependida do que aconteceu? – Questiona o rapaz e eu abro meus olhos para encará-lo, surpresa por sua pergunta.

— Pelo quê? Por termos nos casado ou por ter... dormido com você? – Indago, um pouco envergonhada por falar a segunda parte, simplesmente porque seria estranho chamar o que tivemos de “transa”, já que parecia ser muito frio para definir o que aconteceu entre nós. E seria ainda pior chamar de “fazer amor”, porque pareceria íntimo demais.

— Os dois. – Responde, remexendo-se de maneira desconfortável na cama, no entanto seus olhos continuam a encarar os meus com seriedade. – Você se arrepende de ter se casado e ter feito amor comigo?

E como um tiro em meu peito, ele proferiu as palavras que eu estava evitando tanto usar. Engulo em seco e desvio o olhar, sentindo minhas mãos suarem frio. Por que estava sendo tão difícil responder sua pergunta? Quer dizer, eu deveria pelo menos dizer sobre a questão do casamento. Mas eu sentia que se disse que me arrependia realmente do que aconteceu, eu estaria mentindo para nós dois.

— Não. Eu não me arrependo. – Confesso, finalmente criando coragem para encará-lo. – Foi uma noite incrível, Shawn. Eu nunca... nunca me senti daquela forma. Eu provavelmente deveria me arrepender pelo menos do casamento, mas sendo sincera, eu não me arrependo.

— Entendo. – Sussurra, dando um sorriso mais aliviado.

— Mas precisamos assinar os papeis de divórcio, Shawn. – Continuo e ele me encara de uma forma que eu não consigo decifrar o que se passava em sua mente.

— Nós precisamos? – Indaga com seriedade. Novamente perco a fala, porque sua expressão era tão intensa que chegava a ser sexy. Ele se aproxima e sinto meu corpo se arrepiar. – Por quê?

— Porque... porque nós... não deveríamos ter nos casados. – Gaguejo com a voz alguns decibéis mais baixos do que eu gostaria. Desvio o olhar, incapaz de me manter firme diante da presença do rapaz.

— Mesmo? – Pergunta Shawn, pegando em meu queixo com delicadeza. Ele o puxa, obrigando-me a encará-lo. – Isso é realmente o que você quer, Hillary? Você realmente quer o divórcio?

— Eu... – Arfo ao notar a proximidade de nossos rostos. Ter o olhar de Shawn alternando entre meus olhos e a minha boca também não me ajudava em nada a manter o meu raciocínio. – Shawn... nós não podemos... continuar casados.

— Por quê? Por que não podemos, Hillary? – Insiste e dessa vez sua voz demonstra um certo desespero.

— Nós somos diferentes e nos conhecemos há pouco tempo. – Justifico, mas isso não parece ser o bastante para o convencer. – Shawn...

Ele se afasta e eu finalmente consigo voltar a respirar. Shawn se levanta e solta uma breve risada anasalada, andando até a janela do quarto. Observo suas costas largas e como aquela calça valorizava a bunda do rapaz. Balanço a cabeça, tentando novamente espantar meus pensamentos impuros e completamente malucos.

— Fisicamente, ninguém é igual a ninguém. Nem mesmo gêmeos univitelinos são realmente idênticos. Quer dizer, do ponto de vista genético eles até podem ser, mas eles não são completamente iguais, pois sofrem a ação do ambiente, desde que estão no útero da mãe, de diferentes maneiras. Dessa forma, os aspectos físico e psíquico desses indivíduos serão distintos. E a marca da diferença pode ser uma pinta, uma cicatriz, ou até mesmo um traço único de personalidade. E apesar de possuírem o mesmo DNA, os irmãos gêmeos ocupam espaços diferentes dentro do útero da mãe e a movimentação das mãos de cada um faz com que os padrões de desenho na pele dos dedos não sejam os mesmos. É por esse motivo que ninguém no mundo compartilha a mesma impressão digital. – Responde Shawn, virando-se para mim. – Então sua desculpa de sermos diferentes não faz sentido científica e emocionalmente.

— Mas...

— E o tempo é relativo. – Continua Shawn, ignorando minha tentativa de tentar explicar o que eu quis dizer com sermos diferentes. — Albert Einstein dizia que quando um homem se senta ao lado de uma mulher bonita por uma hora parece que passou um minuto. Mas se ele se sentar em cima de um fogão quente por um minuto parece que passou mais de uma hora. Isso é relatividade.

— Você entendeu o que eu quis dizer. Não tente bancar o espertinho só porque é mais inteligente do que eu. – Resmungo, frustrada. Shawn ri e dá de ombros.

— Eu sou um astrofísico, Hillary. Não é questão de ser mais inteligente ou não. Eu apenas estou usando a ciência para mostrar que suas justificativas não fazem sentido algum. – Responde, cruzando os braços.

— Por que está dificultando tanto as coisas? Eu pensei que você seria o primeiro a concordar que esse casamento foi uma loucura. – Comento e mais uma vez o rapaz ri.

— Em momento algum eu disse que não foi loucura. Eu jamais teria me casado dessa forma se eu não estivesse completamente embriagado. Então sim, isso foi completamente insano. – Retruca e nesse momento eu devo fazer uma expressão estranha, porque ele não demora a me encarar com diversão. – Eu apenas não estou de acordo com o divórcio.

— Por quê? – Questiono, confusa. – Se você sabe que isso foi loucura e que jamais faria isso se não estivesse bêbado, por que você não está de acordo com o divórcio? Isso é o lógico a fazer em uma situação como essa. Não há sentido em estarmos casados.

— Eu te disse em meus votos de casamento, Hillary. Você não casa porque o amor é provado. Você se casa para provar o amor. Esse é o sentido. – Responde Shawn com determinação. – E eu fiz uma promessa a você. Prometi estar ao seu lado até o fim de nossas vidas e usar a segunda chance que você me deu quando salvou a minha vida para me dedicar por completo a fazê-la feliz.

— Mas... você não me ama. – Afirmo com a voz muito mais melancólica do que eu deveria soar.

— Eu te amo, Hillary. – A declaração vem de forma tão intensa e séria que perco o ar por alguns segundos. Seus olhos brilhavam tão intensamente e havia tanta certeza em sua fala que não sou capaz de reagir diante da surpresa de ouvir mais uma vez aquelas palavras vindas de Shawn. – E é por te amar, que eu não darei o divórcio. Pelo menos, não até ter a certeza de que você não me ama. Eu vejo em seus olhos que você sente por mim o mesmo que sinto por você e é por isso que eu não desistirei de nós e de nosso casamento.

Notas finais
Natalie Beaumont: https://i.pinimg.com/564x/fa/9b/6d/fa9b6d2818d7211b84af0a8e057b8a7b.jpg Susan Kennedy: https://i.pinimg.com/564x/85/52/0d/85520d2620110d1ba45d229adf8b2f76.jpg oOo Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara