Sem Tempo para o Amor
38 Orgulho e Desespero

SEM TEMPO PARA O AMOR
⏳
CAPÍTULO XXXVII – ORGULHO E DESESPERO
— Acho que eu deveria contratar mais algumas pessoas para ajudar Yuval, já que o serviço aumentou muito no último tempo. Andy tem me perturbado, falando que eu estou trabalhando demais. O que você acha? – Questiona Clint, aconchegando-se no sofá do escritório, enquanto mexia em seu notebook. Suspiro, cansado.
— Eu acho que você deveria ir para casa e me deixar estudar. – Resmungo, pegando mais um copo de café. Infelizmente ele estava vazio. – Você não disse que tinha muita coisa para fazer hoje? O que está fazendo aqui?
— Eu sabia que você estaria solitário, porque a Hills está viajando, então vim te fazer companhia. Você anda tão desanimado esses dias. Está com tanta saudade assim de sua esposa? – Meu melhor amigo me encara em análise e eu não me dou ao trabalho de lhe responder, voltando minha atenção para o meu notebook.
Era verdade. Eu estava com saudades de minha esposa e por ela estar em uma missão complicada, já fazia cinco dias que nós não conversávamos. Eu estava preocupado com ela e infelizmente, não havia nada que eu pudesse fazer além de esperar por notícias, já que dessa vez, toda a equipe dela viajou e não havia ninguém que eu pudesse contatar.
Eu nem mesmo sabia se ela voltaria a tempo para o Natal, o que estava gerando uma certa dor de cabeça para lidar com nossas famílias. Meus parentes estavam ficando na casa da minha mãe, que fica a quase duas horas de onde eu moro. Quantos aos avós, pais, tios e primos de Hills, eles decidiram ficar em sua antiga casa, com a desculpa de que não queria atrapalhar os meus estudos.
De certa forma, eu me sentia mal também por não dar a devida atenção que eles merecem, mas eu também não podia me dar ao luxo de parar de estudar com o início do processo seletivo da NASA tão próximo. Então, por mais cansado e deprimido pela saudade que eu estivesse, não poderia me deixar abalar. Esse era apenas o primeiro desafio que eu teria que enfrentar se quisesse entrar na agência espacial.
Mas mais do que isso, eu estou preocupado com a saúde de minha esposa. Minha mente não para de me alertar sobre a possível causa de seu comportamento estranho na última semana.
— Eu preciso de mais café. – Comento, decidido a e Clint suspira, como se estivesse desistido de me provocar.
— Se Hills descobrir que você está tomando essa quantidade de café, ela ficará bastante irritada com você. – Afirma meu melhor amigo, quando eu me levanto para ir até a cafeteira que eu havia colocado no escritório de casa para dar conta de virar as noites estudando. – Essa quantidade de cafeína combinada com a falta de comida vai destruir seu estômago. Por que está tão desesperado assim nos seus estudos? É claro que eu sei que você tem a tendência a se jogar de cabeça em seus desafios, sem preocupar com você, mas dessa vez parece pior.
Assim que o novo copo de café está cheio de novo, bebo um gole generoso e suspiro. Essa seria a sexta noite que eu não dormiria, então estava sendo difícil manter o foco. Eu também estava ciente de que meu humor não era um dos melhores. Ao ponto de Clint ser o único a se arriscar ficar perto de mim nesse estado.
— Não sei do que está falando. Apenas me deixe estudar. Você disse que ficaria quieto aqui enquanto resolvia seus problemas, mas não para de tagarelar desde que chegou. – Desconverso, voltando a minha cadeira para estudar. Ouço Clint se levantar, mas não desvio o olhar de meu notebook. Meu melhor amigo vira minha cadeira para ele e me encara daquela forma intimidante que vi poucas vezes serem direcionadas para mim.
— Há quantos dias você não dorme ou come direito? Qual foi a última vez que você descansou? – Questiona Clint com seriedade. Desvio o olhar, mas ele puxa meu queixo e me obriga a encará-lo. – Tenho até minhas dúvidas se você está tomando banho esses dias.
— Eu estou tomando banho todos os dias. – Garanto e ele suspira, soltando meu rosto.
— Mas não tem dormido ou se alimentado direito. – Conclui o milionário, retirando o copo de café da minha mão. – Já chega de estudar. Vai tomar um banho, enquanto eu preparo alguma coisa para você comer e depois você vai tirar um longo e merecido descanso.
— Eu estou bem. Pare de me perturbar. – Resmungo, virando a cadeira para o notebook mais uma vez. Eu precisava revisar um pouco mais de mecânica analítica e quântica.
— Certo. Você faz usar métodos extremos. – Murmura Clint e antes que eu o questionasse sobre o que ele estava falando, meu melhor amigo simplesmente aplica em um golpe em minha nuca, que me faz enfraquecer e cair nos braços do traidor que já chamei de melhor amigo. – Agora, está na hora do neném dormir. Bons sonhos!
— Mal... dito... – Murmuro, perdendo a consciência.
A última imagem que tenho é do sorriso convencido de Clint. Não faço ideia de quanto tempo dormir, mas quando acordo tenho certeza de que não me encontro em meu escritório, devido a maciez do lugar em que estava deitado. Definitivamente não era o meu sofá e tampouco a cadeira que tem sido o local no qual tenho passado meus dias.
Vagarosamente, abro meus olhos e vejo o teto branco junto com a luminária de meu quarto. Sentia minha cabeça doer um pouco. Preciso de um tempo até me recordar o que tinha acontecido para eu ter ido parar em meu quarto, quando eu tinha certeza de que estava no escritório anteriormente.
Repasso os acontecimentos do dia e não demoro a lembrar de minha conversa com Clint que resultou em um golpe que me fez desmaiar. Bufo, sem realmente estar surpreso pela atitude nada ortodoxa do excêntrico milionário. Na verdade, isso era bem a cara dele.
Suspiro e retiro o cobertor que me cobria de cima de mim. Noto que eu havia trocado de roupa, levando-me a crer que Clint havia feito muitas coisas enquanto eu estava desmaiado. Levanto-me e após pegar meu celular, sigo para a cozinha, encontrando-o falando ao telefone com alguém. Não consigo identificar o idioma que ele usava, mas logo a ligação parece se encerrar.
— Ah, você acordou. Como se sente? – Pergunta Clint, guardando o celular em seu bolso. Lanço meu olhar nada agradável e ele sorri com ironia. – Ao menos, você parece mais decente.
— Desgraçado. Como você pôde me bater? – Resmungo, massageando o lugar atingido que doía.
— Não seja um bebê chorão. Essa foi a única forma que eu encontrei de te fazer descansar. – Responde o homem, entregando-me um copo de água com um comprimido.
— Única forma ou a forma mais fácil? – Retruco, pegando o remédio para dor. Clint ri de meu mau-humor e dar de ombros. – Babaca.
— Pelo menos agora você está mais descansado e de banho tomado. Sente-se. Eu vou preparar panquecas para você comer e um chá para aliviar a fadiga que você ainda deve estar sentindo. – Clint aponta para o banco da ilha da cozinha.
Bebo o remédio e faço o que ele pede. Eu estava com fome e depois de tantos dias comendo apenas fast food, seria bom comer alguma comida caseira. Apesar de não gostar de admitir, a comida de Clint conseguia ser ainda mais saborosa que a de minha mãe.
Passo a mexer em meu celular, olhando a última mensagem que eu havia enviado para Hillary, mas ainda não havia nenhuma resposta. Isso me deixava cada vez mais apreensivo. Era frustrante pensar nela e não saber como ela está. Principalmente quando eu sei que ela está em uma missão perigosa com a CIA.
— Alguma notícia de Hills? – Pergunta Clint, provavelmente notando a minha preocupação, enquanto encarava a tela do celular.
— Não. Nada. E você? Tem notícias de Natasha? – Questiono, sabendo que Clint se encontra na mesma situação que eu, afinal, nossas esposas trabalham juntas e estão juntas em missão.
— Não. Ela é fria o bastante para nunca me avisar, mesmo quando ela tem a possibilidade. – Comenta Clint, dando uma risada anasalada. – Acho que ela tem receio que eu me envolva. E eu a conheço há vinte anos. A última vez, ela passou dez anos sem me dar notícias.
Apesar do tom cômico, havia sido longos dez anos para Clint, quando Natasha resolveu o deixar, após terem sido vítimas de criminosos que mataram seus filhos. Ele havia sofrido bastante e é por isso que ele é o tipo de pai bobo com Andy, fazendo todas as vontades do filho adotivo e da esposa. Clint os valoriza acima de tudo.
— Existe alguma possibilidade de me acostumar com essas missões e deixar de me preocupar tanto? – Pergunto e Clint ri mais uma vez, colocando a frigideira no fogo para fritar as panquecas.
— Lamento informar que a preocupação só aumenta ao longo dos anos. – Afirma meu melhor amigo, suspirando. Posso ver um brilho desanimado em seus olhos, enquanto ele colocava a massa das panquecas na frigideira. – Nós já não somos mais os jovens de vinte anos como éramos quando nos conhecemos. Natasha está se machucando com mais frequência e a sua recuperação tem se tornado mais lenta. Tenho receio de ela acabar se machucando gravemente. Muito além do amor que temos pelas pessoas quando convivemos com elas, nós nos tornamos dependentes de suas companhias. Eu já não sei mais viver sem ela e toda vez que ela sai em missão, meu coração se enche de medo e solidão.
— Eu entendo o que quer dizer. – Comento, desanimado.
— É por isso que tem se matado de estudar durante essa semana? — Indaga Clint, encarando-me em análise. – Pelo visto eu estou certo. Aposto que está preocupado com Hills e para não ficar pensando nela, você resolveu focar sua mente por completo nos estudos.
— Quando ela saiu em missão, Hills já não estava fisicamente bem. Ela tenta esconder de mim, mas eu sei que ela andou vomitando e tendo alguns comportamentos atípicos. – Revelo para Clint, que imediatamente tira sua atenção das panquecas para me observar. – Eu conheço minha esposa. Posso ser desligado, mas não sou um idiota para não notar que ela está diferente e tendo sintomas incomuns do que deveria ter.
— Espera. Você está dizendo que a Hills está grávida?
Como era de se esperar, Clint consegue ler claramente as entrelinhas das minhas suspeitas. E isso só faz com que a minha aflição se torne ainda mais intensa em meu peito.
— Suspeito que sim, mas não acho que Hills esteja ciente disso. A Natasha por acaso ia para as missões quando estava grávida? – Pergunto e Clint desliga a panela para se sentar a minha frente.
— Eu não tenho certeza. Infelizmente, eu não fui capaz de acompanhar nenhuma das duas gestações de Naty. Mas conhecendo Hills, eu duvido muito que ela iria para uma missão perigosa se soubesse. Minha esposa também a tem como uma irmã mais nova, então acredito que ela jamais permitiria que Hills continuasse a trabalhar se soubesse da gravidez. – Afirma Clint, confirmando o que eu havia pensado. – Mas ela nem mesmo demonstrou qualquer suspeita?
— Hills está tomando anticoncepcional, então eu acho que ela acredita que os sintomas são da troca do remédio. Mas, eu sou um cientista. Eu tenho consciência que a rotina de Hills faz com que ela não tome os remédios corretamente e que é muito mais fácil de engravidar quando existe a troca do contraceptivo. Além de que ela precisou tomar antibiótico antes de nossa viagem por causa de uma infecção na garganta. – Relembro e Clint parece concordar com a minha linha de raciocínio.
— Bem, pelos sintomas e seguindo a lógica, você deve estar certo. – Comenta Clint e posso ver um sorriso emocionado em seus lábios. – Oh, você realmente vai ser pai?
— Eu não sei. – Respondo, apreensivo. Suspiro e bagunço meus cabelos, incomodado com a situação em que eu me encontro. – É o que parece, mas eu só posso confirmar minhas suspeitas quando Hills voltar. Ainda não sei como reagir a essa possibilidade. Estou apavorado de ser real e não ser capaz de cuidar bem desse bebê. Nem mesmo planejávamos ter filhos tão cedo e eu estou desempregado, no meio de um processo seletivo que me obriga a mudar para outro estado. Ao mesmo tempo, eu fico animado com a ideia de ter uma cópia de Hills em meus braços, que eu tenho certeza de que amarei mais do que a minha própria vida.
— É compreensível. Eu também fiquei apavorado quando descobri que era pai pela primeira vez. – Relembra meu melhor amigo, sem esconder sua melancolia ao lembrar dos filhos falecidos.
— Você? Pensei que você não tivesse medo de nada. Sempre te vi confiante e pronto para enfrentar qualquer desafio por mais perigoso e insano que fosse. – Confesso e Clint ri, parecendo achar graça de minha afirmação. – Quer dizer, eu sei que você tem medo de perder as pessoas e não ser capaz de proteger as pessoas que ama, mas não consigo imaginar você apavorado por se tornar pai. Você praticamente criou seus sobrinhos. Teoricamente, você deveria ter mais experiência em ser pai do que qualquer outra pessoa.
— É diferente. Como tio, mesmo que pudesse ser vista como uma figura paterna, a minha responsabilidade pela vida de meus sobrinhos tinha um limite, ainda que eu tenha ultrapassado esse limite com Sara. No entanto, com um filho, a responsabilidade completa pela vida daquele ser indefeso é completamente sua. É um amor incondicional que te faz se tornar irracional, sensível, um completo tolo. E você só vai conseguir entender esse sentimento quando ver o seu filho pela primeira vez. É uma conexão impossível de explicar. – Garante Clint, sorrindo nostálgico. – E eu estou passando por essas mesmas emoções com Andy. É algo mágico, não importa quantos anos tenha ou o quanto de experiência você possa ter.
— Se... se Hills estiver grávida mesmo. O que eu faço? – Pergunto, perdido. Clint me observa por um tempo e parece não entender o que eu queria dizer. – Como vamos sustentar essa criança? Hillary não vai poder ficar fazendo seu trabalho como modelo e menos ainda sair em operações perigosas da CIA. Eu tenho meus investimentos que dão algum retorno, mas se tratando de uma gestação, vamos precisar de muito mais. Eu deveria mesmo estar estudando para a NASA?
— Eu nem mesmo acredito que você está falando de dinheiro comigo. Pelo amor de Deus, Shawn! Se vocês realmente precisarem de dinheiro, eu posso simplesmente dar. Não é realmente um problema. – Afirma Clint, como se não fosse nada demais.
— Até parece que eu vou ficar pegando dinheiro com você. Podemos ser amigos, mas tudo tem um limite. – Resmungo, indignado.
— Deixa de ser otário, que tanto eu quanto Natasha sempre vimos você e Hills como da família. Seja como nossos irmãos ou até mesmo como nossos filhos, em alguns momentos. Por acaso eu preciso ficar sempre te lembrando que eu sou milionário. É sério. Eu ganho muito mais dinheiro por minuto do que você possa imaginar. – Clint se gaba, fazendo com que eu bufasse. – Ajudar com as despesas não faria qualquer diferença em meu bolso. Seria como dar moedas aos moradores de rua.
— Certo. Eu já entendi que você respirou, o dinheiro simplesmente surge em sua conta. Não precisa ficar jogando na minha cara que você é milionário. Eu tenho plena consciência disso. – Garanto mal-humorado, ocasionando em risos por parte de Clint. – Mas como alguém que prometeu cuidar de Hills, eu não posso simplesmente depender do seu dinheiro. Eu jamais me perdoaria se não fosse capaz de dar uma vida digna a minha esposa e filho.
— Você é orgulhoso demais. Esse é o seu problema. Ao mesmo tempo que eu admiro a sua determinação, isso me deixa extremamente frustrado. Não é vergonhoso contar com a ajuda das pessoas, Shawn. Você não precisa carregar o mundo nas costas. Em algum momento, todos nós precisamos de ajuda. – Aconselha Clint, encarando-me com seriedade. – Eu mesmo sou um grande exemplo de alguém que está sempre pedindo ajuda. Quantas vezes eu precisei de você e de Hills?
— Eu sei. É só que... eu não quero decepcionar ninguém, principalmente a mim mesmo, que estou constantemente lutando contra minha mente perturbada que insiste em me dizer diversas vezes de que não mereço Hillary. E agora, se uma criança estiver mesmo a caminho, eu quero ser capaz de pelo menos cuidar dele, já que a parte mais difícil ficará por conta de Hills. Não quero ser um peso morto para minha família. – Desabafo, encarando minhas próprias mãos.
— O seu problema é se cobrar demais. Eu sei que você passou por muitas coisas que fizeram assumir muita responsabilidade precocemente, mas agora você não precisa mais ser a Muralha da China, Shawn. Você tem a mim, Hills, Naty e toda a família Barton. Então, se Hills estiver mesmo grávida e você quiser continuar o processo seletivo para a NASA, vai em frente. Daremos todo o apoio que você precisar. Apenas converse com sua esposa antes e decidam o que vocês pretendem fazer. Qualquer que seja a sua escolha, eu vou te apoiar. – Afirma o homem que tenho como um irmão. Suspiro e o abraço, sentindo-me um pouco mais calmo.
Clint corresponde ao abraço com ainda mais intensidade. Ainda que a gente passe a maior parte do tempo discutindo, eu não poderia ter um amigo melhor do que ele. Eu realmente me sentia aliviado por finalmente expor todo o conflito que vinha bagunçando a minha cabeça e me causando tanto pânico nos últimos dias.
— Obrigado, Clint. De verdade. – Agradeço, apertando o abraço. Ele ri e me dá tapinhas calorosos em minhas costas.
— Não se preocupe. Você e Hills vão ficar bem. Ela vai voltar sã e salva. Eu garanto. – Clint me consola, afastando-se. Ele então coloca a mão sobre o meu ombro e ri com doçura. – Quem diria que você descobriria que sua esposa está grávida primeiro do que ela.
— Ainda não é certeza. – Comento, envergonhado. Clint me lança aquele olhar irônico e eu acabo suspirando. – Mas, se for verdade, espero que você possa renunciar à sua regra principal e se tornar o padrinho de nosso filho junto com Natasha.
— Está me convidando para ser padrinho, logo depois de dizer que não é certeza de que sua esposa está grávida? – Ironiza Clint e eu dou de ombros, sem me importar. Ele ri e suspira. – Você tem certeza disso? Você sabe que se eu me tornar o padrinho da criança, ela sempre carregará o peso de ser afilhado de Clint Barton. Sua vida sempre estará em risco por verem na criança a chance de me atingir. Você até mesmo estava comigo quando Ben foi sequestrado e usado no ano passado para me machucar. Ainda assim, você quer que eu seja padrinho?
Eu sabia que Clint estava certo. Mas eu não poderia desejar pessoas melhores para cuidar de nosso filho do que Clint e Natasha caso alguma coisa aconteça conosco. Mesmo com todo o perigo, eu sabia que meu melhor amigo não mediria esforços para cuidar e preservar a vida do bebê.
— Se pararmos para pensar, esse bebê nunca terá uma vida normal. Hills leva uma vida dupla entre ser uma celebridade e uma agente especial da CIA. E eu sou um cientista que vive sendo usado de capacho pelo padrinho dele para realizar favores que não tem nada a ver com a minha área de formação. Sendo assim, eu me sentiria mais confiante se tivesse a certeza de que mesmo que algo possa acontecer comigo, meu filho ou filha estará sempre em segurança e receberá muito amor de seus padrinhos. – Respondo e posso ver que havia emocionado Clint, que ri e me abraça mais uma vez, ainda mais apertado.
— Obrigado. Eu definitivamente vou dar tudo de mim para proteger esse bebê e garantir que ele tenha uma vida feliz e segura. E eu garanto que nunca faltará amor. – Afirma Clint, fazendo-me ri dessa vez, enquanto correspondo ao seu abraço.
É claro que tudo ainda era suposição. Sem ter minha esposa de volta com a confirmação de sua parte de que está grávida, tudo o que eu poderia fazer era acreditar em minha intuição. Ainda assim, com a certeza de que poderia contar com meu melhor amigo, eu me sentia muito mais confiante e preparado para assumir mais um novo desafio, ainda que eu não faça ideia se a NASA é realmente o meu futuro.
Fale com o autor