Sem Tempo para o Amor

39 Tirando a Dúvida


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Desculpe o atraso. Era para eu ter postado dois dias atrás, mas eu acabei ocupada e não consegui terminar o capítulo antes. Espero de verdade que vocês gostem do que está por vir. Obrigada AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Boa leitura!

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO XXXVIII – TIRANDO A DÚVIDA

Véspera de Natal e eu não poderia estar mais exausta, após uma semana extremamente desgastante, mas satisfatória. A S.H.I.E.L.D finalmente tinha dado um fim a uma perigosa organização que comandava o tráfico humano na Turquia nos últimos dez anos.

Enquanto eu seguia para casa com Natasha dirigindo, eu observava as decorações natalinas da cidade, sentindo meu coração doer de saudade. Há dias eu não via e nem mesmo conversava com meu marido por causa da perigosa e complicada operação.

E mesmo que tivesse passado apenas seis dias longe, eu sentia como se não nos víssemos há anos. Chegava a ser irônico como eu havia me tornado tão dependente de Shawn em tão pouco tempo. A ansiedade para chegar em casa e me jogar em seus braços era maior do que qualquer outro desejo que eu já tivesse tido antes.

— Você está bem? – Questiona Natasha, provavelmente notando o meu desanimo. – Enjoos novamente?

— Não. Estou bem. Apenas cansada e com saudades. – Sussurro a última parte, envergonhada pela minha recente carência.

Natasha me encara pelo canto do olho e começa a gargalhar. Observo-a, sem entender o que era tão engraçado para ela rir com tanto humor. Minha melhor amiga suspira e para o carro no sinal vermelho.

— Quem diria que a mesma Hillary Leblanc, que dizia gostar de ficar sozinha e que era cômico como Steve sentia falta de Peggy, agora está sofrendo de saudades do marido. – Comenta Natasha com humor, fazendo com que eu bufasse e voltasse minha atenção para a janela do carro. – Eu sei como se sente. O terrível sentimento de dependência que nos faz querer voltar o mais rápido possível para casa. E acho que a saudade se torna ainda mais intensa quando estamos grávidas.

— Eu não estou grávida. Quantas vezes eu tenho que repetir isso? – Resmungo, cansada por ter que negar diversas vezes essa suposição maluca de minha melhor amiga tem feito desde que eu contei sobre o casamento de Carol e Richard. – Eu estou tomando anticoncepcional. Eu até mesmo menstruei, mesmo que tenha sido em menos tempo que o normal e em menor quantidade, mas ela veio.

— Muitas mulheres têm sangramentos nos primeiros meses da gravidez, mas que não é menstruação. Eu mesmo fui uma delas. E você vive esquecendo de tomar remédio. Além disso, preciso te lembrar que nenhum método é totalmente isento de erros? – Retruca a ruiva, voltando a prestar atenção no trânsito quando o sinal abre. – Você está com todos os sintomas, Hills. Enjoos matinais, seios inchados, aumento de peso, está indo mais vezes ao banheiro e nem preciso te lembrar do quanto você está sendo sensível a cheiros e sabores no momento. Por que é tão difícil para você admitir que está grávida?

— Eu não posso estar grávida. Não agora. – Murmuro, observando a neve cair delicadamente pela cidade.

— E qual seria o problema de você estar grávida agora, Hills? Você e Shawn formam um casal fantástico e eu sei que, apesar de uma criança ser uma grande responsabilidade, vocês serão pais maravilhosos. Além disso, o que não vai faltar são pessoas para cuidar do bebê. Por acaso você esqueceu do desejo de suas famílias por verem seus filhos. Clint e eu também amaríamos ganhar sobrinhos. – Afirma Natasha, dando um sorriso doce. – Sei que não foi como planejado, mas você estar grávida é uma boa notícia.

Pondero sobre as palavras de Natasha, enquanto observo a cidade. Não é que eu não quisesse estar grávida. Até porque, era algo que venho pensando desde que aceitei meu casamento com Shawn e decidi viver o resto de minha vida ao lado dele. É só que esse não era o melhor momento para ter um bebê.

— Nós combinamos de começar sobre ter filhos em alguns anos e não agora, quando Shawn está focado em passar no processo seletivo da NASA e eu me comprometi em sustentar a casa pelos próximos seis meses. Estamos prestes a nos mudar para outro estado. Uma gravidez agora... não. É melhor nem mesmo pensar nisso. – Descarto a possibilidade, estremecendo só de imaginar o caos que seria. – Eu apenas quero chegar em casa, beijar muito o meu marido e dormir agarradinha com ele. Nada de pensar em assuntos complexos como esse.

— Hills...

— Eu chegarei atrasada a festa de Natal desse ano. Você se importa de receber a minha família e a de Shawn até que eu chegue com ele? – Questiono, mudando de assunto.

Natasha suspira, entendendo a dica de que eu não queria mais falar sobre a minha suposta gravidez. A ruiva aquiesce e dá um sorriso doce, animada com a festa onde reuniria a grandiosa família Barton e seus amigos.

— É claro. Será uma boa oportunidade de reunir suas famílias, já que você não conhece os Kennedy, certo? – Comenta Natasha, relembrando de algo que eu ainda precisava cuidar.

— Sim. Espero ser aprovada pela avó e tios de Shawn. Susan é um amor e me disse que todos estão ansiosos para me conhecer, mas estou receosa que possa haver algum problema entre as famílias, por causa do comportamento da minha. – Relembrar de como havia sido o caótico visitar minha família com Shawn e pensar em reunir nossas famílias faziam minha cabeça doer.

— Não acho que haverá problemas. Sua família é divertida e o Clint fala muito bem dos parentes mais distantes do Shawn, apesar de não os conhecer. Eu sei que seus avós são bem carinhosos e tem muito orgulho dele. – Minha melhor amiga sorri com confiança. – Eu tenho certeza de que eles vão se dar muito bem. Você mesma disse que as mães de vocês parecem ter virado melhores amigas.

— Eu espero que você esteja certa. – Murmuro, suspirando cansada. – Eu estou morrendo de sono. Acho que vou pular o almoço e dormir.

— Não deveria fazer isso. Faz mal para o bebê. – Comenta a ruiva, fazendo com que eu bufasse.

— Cala a boca. – Resmungo, estressada. – Não tem bebê nenhum.

— Você sabe que negar a realidade não vai fazê-la mudar, certo? – Questiona Natasha, parando o carro na entrada do estacionamento do meu prédio. Aperto o controle para abrir o portão e ela entra com o carro no condomínio em seguida.

— Por que ainda está insistindo nesse assunto? – Questiono, suspirando cansada mais uma vez. Ela me encara com seriedade. – Você é muito chata. Estaciona o carro logo e vamos subir.

— Parece que Shawn não está em casa. – Destaca Natasha, estacionando na vaga onde normalmente o carro de Shawn fica. – Tem certeza de que foi uma boa ideia fazer surpresa?

— Ele deve ter ido almoçar com nossas famílias. – Suponho, lembrando que é véspera de Natal e está próximo do horário de almoço. Conhecendo minha mãe e minha sogra, elas poderiam facilmente ter arrastado meu marido para almoçar com elas com o objetivo de fazer com que ele desse uma pausa nos estudos. – E meu celular descarregou. Eu vou colocar o celular para carregar e vou mandar uma mensagem para ele quando tiver com mais carga.

— Excelente. Teremos mais tempo juntas para conversar. – Responde minha amiga, saindo do carro, antes que eu reclamasse de sua teimosia.

Natasha retira minha mala e sua bolsa do porta-malas, enquanto eu pegava minha bolsa no banco de trás do carro. Cansada pela longa viagem, nem mesmo perco tempo discutindo com Natasha e passo a ir para o elevador. Minha melhor amiga vem logo atrás, mexendo no celular.

Felizmente, não demoramos muito a chegar ao andar desejado e assim que eu abro a porta, eu me jogo no confortável sofá. Observo a paisagem da bela cidade vinda da janela e sorrio, sentindo-me finalmente em casa.

Respiro fundo, apreciando o aroma confortável de meu lar e fecho os olhos, aconchegando-me no estofado macio. Eu sentia falta dessa paz que o meu lar me proporcionava, após um cansativo dia como modelo ou como uma agente da CIA.

— Do jeito que você fala do Shawn, imaginei que a casa já estivesse completamente revirada no caos. – Comenta a ruiva, sentando-se ao meu lado no sofá.

— Ele só fica na sala ou na cozinha quando eu estou em casa. No restante do dia, Shawn fica preso no escritório ou em nosso quarto. Aposto que ele nem usou a cozinha direito, mesmo eu brigando com ele para que aprenda a cozinha e pare de comer tanta besteira. Se a gente for agora lá no escritório, eu tenho certeza de que veremos inúmeros copos, livros espalhados, rastros de café e de fast food. No quarto, o guarda-roupa dele deve estar revirado, a toalha molhada em cima da cama, que não está desarrumada, porque no mínimo ele está dormindo no escritório. – Afirmo, já imaginando a cena.

— Mesmo? – Questiona minha melhor amiga, como se duvidasse de minhas palavras. Sorrio e volto a abrir os olhos, encarando-a.

— Quer ver? – Pergunto, levantando-me. Minha melhor amiga ri e assente, colocando a bolsa dela sobre o sofá.

Antes de seguir para o escritório de Shawn, coloco o celular para carregar. Faço sinal para que Natasha me acompanhasse ao cômodo da casa onde Shawn passa mais tempo. Assim como eu havia previsto, a sala cheirava a café e estava uma verdadeira zona com livros espalhados pelo local junto as embalagens de fast food, copos de água e de café.

— Uau. Passou um caminhão por aqui? – Pergunta Natasha, abismada com a bagunça no escritório de Shawn.

— Shawn é extremamente desorganizado e essa sua mania se torna ainda pior quando ele está estudando. – Suspiro, relembrando um dos principais motivos de nossas brigas.

— Como ele consegue manter a forma, mesmo comendo tanta besteira? – Questiona Natasha surpresa, enquanto encara os nomes dos estabelecimentos nas embalagens.

— O metabolismo dele é acelerado e ele esquece de comer. Em compensação, a quantidade de café que ele consome é absurda. Eu tenho que ficar brigando com ele para controlar a cafeína, caso contrário, o único alimento que ele consumiria seria o café. – Comento, recolhendo as embalagens de comida para jogar na lixeira.

— Ah, Clint vive brigando com ele por causa do café. Nunca vi alguém tão viciado quanto Shawn. Não sei como ele não fica doente. – Comenta a ruiva, ajudando-me com as embalagens.

— Ele não fica doente, porque ainda é novo. Se tivesse mais de trinta anos, aposto que já teria desenvolvido inúmeras doenças. Estou tentando reeducar a alimentação dele, mas é difícil mantê-lo saudável, quando ele é tão teimoso e desligado com a própria saúde. – Suspiro, frustrada.

Enquanto organizo a bagunça de Shawn que sempre me tirava do sério, sorrio ao ver o quadro que ele havia colocado no escritório com uma foto de nosso casamento. Nela, nós andávamos pela capela com o cover do Elvis logo ao nosso lado e os paparazzis nos acompanhando logo ao lado. E ainda que o cenário fosse um verdadeiro caos, a felicidade estampada em nossos rostos mostrava que nada mais importava naquele momento.

Mesmo estando longe há somente seis dias, eu sentia tanta falta dele que meu coração se agitava só de encarar sua foto.

— Essa foto ficou tão fofa e engraçada. – Natasha para ao meu lado e apoia o queixo em meu ombro para observar a foto, enquanto sorri com doçura. – Tudo é tão caótico, mas vocês parecem tão felizes que nem mesmo se importavam de estarem se casando em Las Vegas, completamente bêbados, vestindo roupas extremamente ultrapassadas, com o celebrante sendo o cover de Elvis Presley, sem qualquer conhecido juntos e vocês nem mesmo estavam juntos na época.

— Nossa relação sempre foi tão caótica, que nem mesmo me surpreendo. – Relembro, rindo. – Nosso primeiro encontro não poderia ser pior. Ele derrubou vinho em meu vestido branco no aniversário de Clint e eu resolvi brincar com ele no pior momento. Como estava muitos dias sem dormir, seu mal humor não poderia estar pior. Nós ficamos tão envergonhados com nossos comportamentos, que não fomos capazes de conversar direito até o Ano Novo. Depois, nós fomos envolvidos em um acidente de trânsito que poderia ter nos matado e voltamos a nos encontrar em Las Vegas, para nos casar logo em seguida.

Natasha se afasta e me encara em análise. Ela volta sua atenção para o quadro em minhas mãos. Observo minha melhor amiga, tentando adivinhar o que se passava em sua mente misteriosa.

— Você imaginou que sua vida de casada seria assim como está sendo? – Indaga Natasha, observando-me com atenção.

Sua pergunta me pega de surpresa e preciso de alguns segundos para pensar na resposta, porque eu simplesmente não sabia o que dizer.

— Acho que nunca cheguei a de fato imaginar como seria ter uma vida de casada. Claro que inúmeras vezes pensei em casamento, principalmente na época em que eu namorava e quando eu aceitei que gostava mesmo de Freddie, mas nada mais do que até a lua de mel. – Confesso, sorrindo ao encarar a foto com meu marido. – Não vou dizer que é fácil. Às vezes tenho vontade de matá-lo por sempre esquecer a toalha molhada em cima da cama ou por esquecer de comer ou por tomar café demais ou por ser extremamente desorganizado... enfim, você sabe melhor do que ninguém como a vida de casado tem seus altos e baixos. Mas sinceramente, eu não poderia estar mais feliz por ter alguém que está constantemente ao meu lado. Não temos segredos entre nós. Eu confio o bastante nele para contar sobre as nossas missões, sem temer ser julgada. Shawn me apoia em todas as minhas loucuras e eu o amo tanto que nem sou capaz de descrever.

— Entendo. – Murmura Natasha, parecendo feliz com a minha resposta.

— Bom, eu vou colocar as minhas coisas no quarto e preparo algo para a gente comer, pode ser? Ou você está com pressa de voltar para casa? – Pergunto, imaginando que ela estaria ansiosa para reencontrar o marido e o filho, depois desses dias afastada.

— Mesmo que eu vá para casa agora, será caótico demais. A família inteira estará reunida hoje à noite, então Clint está focado em organizar a festa. Andy deve estar ajudando ou foi para a casa de Kayla. Vou aproveitar o silêncio de sua casa por mais um tempo. – Responde Natasha, enquanto seguíamos para a sala.

Após conferir que meu celular já tinha alguma carga, mando uma mensagem para Shawn, avisando que eu havia chegado. Em seguida, sigo com as minhas coisas para o quarto junto com Natasha, que carregava sua bolsa junto consigo.

Para a minha surpresa, o quarto estava praticamente a mesma coisa que eu havia deixado desde que saí em viagem, provando meu ponto de que meu marido tem dormido no escritório. Se não fosse pelas cobertas amassadas e as roupas em nosso cesto de roupa suja, eu até mesmo diria que ele não havia entrado no cômodo.

Com a ajuda de Natasha, rapidamente acabo de arrumar as coisas. Assim que guardo a mala vazia, jogo-me na cama ao lado de minha melhor amiga e puxo o travesseiro de meu marido para sentir um pouco de seu perfume. Era aconchegante e me trazia uma calma que quase me fazia dormir.

— Agora que terminou de arrumar suas coisas, está na hora de fazer o teste. – Informa Natasha, quebrando o silêncio confortável entre nós. Abro os olhos e a encaro, vendo uma sacola em sua mão. – Aqui estão vários testes de gravidez, porque sei que quando der positivo no primeiro, você não vai acreditar e fará todos os outros.

— O quê? – Balbucio, surpresa. – Natasha, eu não...

— Se você não estiver grávida, podemos apenas fingir que eu sou louca e seguir em frente. – A ruiva me interrompe, encarando-me com seriedade. Bufo, cansada. — Eu te disse. Você não pode continuar ignorando a realidade. Uma gravidez não é algo que você pode fingir que não existe só porque acreditar que não é o momento certo. Você precisa iniciar o acompanhamento médico e decidir com seu marido o que vocês farão a partir de agora.

O olhar determinado de minha melhor amiga deixava claro que eu não tinha muitas opções. Respiro fundo e decido aceitar seu pedido de uma vez por todas. De qualquer forma, eu realmente precisava acabar com essa ansiedade que vem me afligindo nos últimos dias só de pensar na possibilidade de estar realmente grávida.

— Tudo bem. Me dê logo esses testes. – Resmungo, dando-me por vencida.

Com o coração batendo ansioso e o temendo pelo resultado, sigo para o banheiro com a sacola com quatro testes de gravidez. Seguindo as orientações de Natasha, realizo o teste e espero ansiosa pelo resultado. Por via das dúvidas, antes mesmo que tivesse passado o tempo necessário para saber o resultado do primeiro, realizo os outros três testes.

E quando chegou o momento de descobrir a verdade, eu não tenho coragem de olhar os resultados. Abro a porta do banheiro e encaro minha melhor amiga, que parecia tão ansiosa quanto eu.

— E então? Qual é o resultado? – Questiona Natasha, levantando-se da cama. Ela se aproxima sem esconder sua curiosidade.

— Eu não sei. Ainda não tive coragem de ver. – Confesso e ela bufa. Faço a minha melhor cara de cachorro sem dono. – Você pode ver para mim?

— Tudo bem. Onde estão os testes? – Indaga a ruiva, suspirando em seguida.

— Em cima da pia. – Aponto para dentro do banheiro e ela assente, entrando no cômodo. Respiro fundo e me sento na cama, encarando minhas próprias mãos, que tremiam violentamente. Logo Natasha aparece na porta do banheiro, mas nem mesmo ouso a encarar. – Certo. Qual é o resultado?

Natasha faz um certo suspenso e sua falta de resposta me faz encará-la. A mulher se aproxima com as quatro tiras de teste em mãos e se ajoelha de frente para mim. Sua expressão indecifrável só faz meu coração acelerar ainda mais. Até que ela sorri e exibe as tiras para que eu visse o resultado.

— Positivo. Como eu já esperava. – Responde minha amiga, alargando ainda mais o seu sorriso. Enquanto eu a encarava em estado de choque. Natasha ri e me puxa para um forte abraço. – Parabéns, Hills. Você vai ser mamãe.

Notas finais
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