Sem Tempo para o Amor

8 Las Vegas, Baby!


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Atrasei alguns minutos, mas aqui estou eu com mais um capítulo. Esse em especial é um presente para a linda da AndreaNeves, que está sempre por aqui me incentivando a continuar a escrever com seus lindos comentários. Andrea, mil perdões por ter postado tecnicamente um dia depois do seu aniversário, mas parabéns pelo seu dia. Espero de verdade que você goste. E muito obrigada também a bruna22 pelo comentário no capítulo passado. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO VII — LAS VEGAS, BABY!

Eu não me orgulho disso, mas no fim, Carly estava certa. Depois de muita chantagem emocional e drama barato por parte de Sam, Carly, Sara, Thea, Elena e, principalmente, Natasha, eu acabei cedendo e não tive escolha além de aceitar o meu destino de organizar a despedida de solteira de Sam em Las Vegas.

Sendo a madrinha de casamento, eu não podia negar um pedido da futura esposa de meu melhor amigo. Além disso, eu mesma tinha sido a responsável pela ideia de uma despedida de solteiro em uma das cidades turísticas mais famosa e luxuosa do mundo.

Em minha mente, enquanto preparasse o casamento de meu melhor amigo com o amor de sua vida, eu acabaria me adaptando melhor a situação e finalmente me veria livre de meus sentimentos, o que deveria acontecer em um prazo de um ano. No entanto, eu fui ingênua e esqueci que estava lidado com uma das sobrinhas de Clint Barton.

Dois meses. Esse foi o prazo que eu ganhei para dar um jeito de evaporar com o amor que sinto por Freddie há quase dez anos. E agora, eu me encontro em um aeroporto movimentado acompanhada de uma noiva animada e seis das suas doze damas de companhia na "Cidade do Pecado".

Nós ainda tentamos levar todas as damas de honra de Sam, mas devido ao prazo maluco estipulado por Elena de dois dias para partir em direção a Las Vegas, nem todas conseguiram tempo em sua agenda, como foi o caso de Maggie, Peggy e Felicity.

Maggie é uma agente do FBI e seu filho tem apenas sete anos. Com o marido também ocupado com o trabalho, ela poderia deixar o pequeno Hershel para trás e nem viajar assim tão em cima da hora, já que não conseguiria aprovação de seus superiores.

A situação foi semelhante para Peggy e Felicity. Com três filhos cada uma, elas não poderiam sair de uma hora para outra. Mesmo com maridos sendo pais presentes e dedicados, Steve ainda continua com a vida dupla de publicitário e agente da CIA, enquanto Oliver está terminando a faculdade de Medicina e estagiando no hospital da família. Os trabalhos das duas mulheres também dependiam muito delas e elas não conseguiriam sair.

Ally não participaria, porque havia voltado para Nova York para fazer as últimas provas do semestre antes de retornar para Hawkins para participar do casamento. Cait também estava atolada com o último semestre da faculdade, desenvolvendo o seu trabalho de conclusão e sem Elena e Ally, ela não queria que o Hawkeye ficasse sem alguém de confiança de Clint.

Mal também estava ocupada com a faculdade e com o treino para a próxima competição de patinação artística que ela participaria com seu namorado em duas semanas, por isso, recusou a ofertar. No entanto, havia prometido assim como Ally e Cait que ainda marcariam uma nova viagem onde todas pudessem ir.

Natasha também não pôde comparecer. Com a direção da equipe da S.H.I.E.L.D em suas costas e todos os problemas com a HYDRA para resolver, ela preferiu permanecer em Hawkins. Assim, Sam, Carly, Nancy, Elena, Beth, Thea, Sara e eu partimos para Las Vegas sem ter a menor noção do que esperar dessa viagem maluca de despedida de solteira de Sam.

Você não pode beber, Hills. Dessa vez eu não estou por perto para te impedir de fazer alguma loucura e o Dakota já está perto de ter um colapso nervoso desde o acidente com o Shawn. Então, por todo o amor que você tem por ele, fique bem longe do álcool, por mais difícil que seja.

Apesar de não ter vindo, minha melhor amiga e chefe fazia questão de tirar toda a minha diversão de se estar em Las Vegas. Suspiro, observando Nancy conversar com o marido pelo telefone para saber como Hope estava, enquanto Sam e Beth faziam vídeo chamada com Kyle e Daryl. Thea, Elena, Sara e Carly terminavam de fazer o nosso cronograma de atividades para os três dias e três noites em que ficaremos na cidade, enquanto esperam o nosso transfer aparecer para nos levar até o hotel em que ficaremos.

— Você sabe que eu estou em Las Vegas, certo? Las Vegas, Baby! É claro que eu vou beber e jogar. – Respondo, trocando o celular de orelha, ao mesmo tempo em que tento tirar todas as roupas extras que eu usava desde o aeroporto de Hawkins para que ninguém me reconhecesse.

Mesmo sendo um pouco mais de sete horas da noite, o clima estava incrivelmente quente e abafado. Os termômetros do aeroporto marcavam vinte e oito graus e eu sentia que iria derreter. Comparado a Hawkins, que já começava a experimentar a redução brusca de temperaturas com o outono, Las Vegas parecia um forno.

Hillary Beaumont Leblanc! Você se lembra do que aconteceu das últimas vezes em que você exagerou na bebida? Antes você ainda estava acompanhada de Steve, Dakota ou de mim. Mas o que fará agora se extrapolar? Mesmo Sara estando aí, não podemos garantir que ela vai ficar sóbria o bastante para te impedir de cometer uma loucura que a colocará ainda mais em evidência do que já está. — A repreensão maternal me faz suspirar.

— Não se preocupe. Eu não vou exagerar e nem cometer nenhuma loucura. Eu prometo. Até porque, eu estou com as loucas das suas sobrinhas. Eu preciso tomar conta delas. – Informo e dessa vez é Natasha quem suspira.

Tudo bem. Estarei sempre com o meu celular. Então se precisar de mim, pode me ligar a qualquer hora. – Responde Natasha com doçura. – É sério, Hills. Se estiver sendo difícil demais para suportar, eu estarei com o celular em mãos. Não hesite em me ligar.

— Obrigada. – Agradeço, sorrindo agradecida. Vejo Elena fazer sinal para mostrar que a van que esperávamos havia chegado. – Eu preciso ir. O transfer finalmente chegou.

Está bem. Boa noite. Não se esqueça de me ligar pela manhã e não exagere na...

— Eu não vou. – Interrompo Natasha, sabendo que ela iniciaria uma sessão de recomendações. – Eu te ligo amanhã. Boa noite.

Despeço-me de Natasha e guardo o celular em minha bolsa. Com minha mala em mãos e todos os acessórios que eu havia usado para me disfarçar e não ser reconhecida, sigo até as garotas que me esperavam ansiosas pelo que Las Vegas nos reservava.

— O que iremos fazer agora? – Pergunto, assim que as alcanço.

— Bom, agora são sete e trinta e dois. De acordo com o cronograma que montamos, nove horas começam os shows no cassino. – Informa Thea, encarando o celular.

— Isso significa que dá tempo de tomarmos um banho, comer alguma coisa e descer para o cassino. – Responde Elena, sorrindo animada. Ela então se vira para Sam. – O que me diz, Sammy? Está pronta para a melhor despedida de solteira de todas?

— Vamos lá! – Exclama Sam, tão animada quanto a prima.

— Então vamos colocar nossas coisas na van e correr para o hotel. Ainda precisamos fazer o check-in. – Alerta Sara, fazendo sinal para que a seguíssemos até a van, onde um homem baixo e rechonchudo nos esperava para colocar nossas malas.

Sara parecia ser uma das mais animadas com a viagem e não era para menos. Essa era a primeira vez em onze anos que ela estava viajando com suas primas, então de certa forma eu entendia a preocupação de Natasha. Mesmo Sara sendo extremamente responsável, esse era o momento de ela recompensar todo o tempo em que ficou afastada de suas melhores amigas e primas de coração. Então, não era justo exigir que a garota cuidasse de mim.

Assim que todas as malas são postas no carro, Elena nos apresenta o motorista que também seria responsável por nos trazer para o aeroporto na volta, e logo nos dividimos para ocupar a van de dezesseis lugares.

Elena foi na frente ao lado do motorista para dar as coordenadas ao homem, já que tinha sido ela a principal organizadora da despedida. Ocupando dois dos três primeiros lugares da parte de trás do veículo estavam Beth e Nancy. Atrás delas estavam Sara, Thea e Carly. Sam e eu ficamos nos últimos bancos, que eram um pouco mais elevados e nos davam uma visão melhor das outras garotas.

— Como os quartos ficaram divididos? – Pergunta Sam, assim que o carro começa a seguir em direção ao hotel. – Vamos todas ficar juntas no mesmo quarto ou vocês já dividiram o nosso grupo?

— Por favor, me digam que estamos divididas. Um banheiro para oito mulheres não me parece uma boa ideia. – Comenta Nancy, rindo.

— Definitivamente não é uma boa ideia. Ainda mais com a Thea sendo enrolada do jeito que ela é para sair do banheiro. Parece até que vai morar lá. – Afirma Beth, fazendo a mais nova das primas chutar seu banco. – Ei!

— Ei, digo eu! Eu não sou enrolada. Vocês que são apressadas demais. – Retruca Thea, fazendo com que as garotas rissem sem acreditar em sua desculpa. – Estou falando sério.

— De qualquer forma, é claro que dividimos os quartos. – Carly responde, interrompendo a algazarra que as primas Barton faziam. – Serão quatro quartos. Elena nos dividiu em duplas.

— Eu sou uma gênia! Penso em tudo! – Cantarola Elena do banco ao lado do motorista. Aparentemente, era ela quem estava dando as coordenadas para onde nós iríamos. – Eu sabia que nós iríamos precisar do máximo de quartos possíveis justamente por causa da enrolação de algumas pessoas.

— Corrigindo. Por causa da enrolação de Thea. – Provoca Beth, recebendo mais um chute em seu banco. – Pode me chutar o quanto quiser, mas você sabe que é verdade.

— Chata! – Resmunga Thea, cruzando os braços emburrada.

— Você é sempre tão fofa quando está com raiva. Olha só esse biquinho de bebê. Tão fofa! – Comenta Sara, fazendo cócegas em Thea. A mais nova tenta se afastar, mas logo acaba rindo das provocações da prima.

— E como foi realizada a divisão? – Pergunto, começando a me animar com a viagem. Apesar de tudo, seria divertido passado um tempo com essas garotas completamente malucas.

— Colocamos uma enrolada e uma pessoa mais esperta em cada quarto. – Responde Sara, virando-se para trás para me encarar com um sorriso divertido. — Thea e Beth, Nancy e Carly, eu e Elena e você e Sam.

— Por que eu vou ficar com a chata da Beth? — Questiona Thea, fingindo estar chateada por ficar com a prima mais velha.

— Porque Beth é a única que consegue te fazer acordar cedo e agilizar a sua enrolação. — Responde Elena, rindo.

— Parece que seremos colegas de quarto. — Comenta Sam, assim que as garotas começam a conversar sobre quem é a mais enrolada de cada dupla e a se justificarem. A loira me encara com humor. — Já vou avisando que eu posso ser um pouco agressiva, mal-humorada e complicada de acordar pela manhã.

— Tudo bem. Eu trabalho com a Natasha e a aguento quando ela está de TPM. Posso aguentar qualquer coisa. — Brinco e Sam ri, parecendo entender bem o que eu quero dizer sobre sua tia de consideração. — Animada para o casamento?

— Acho que eu nunca estive tão apavorada quanto estou nesse momento. — Confessa Sam, dando uma risadinha. — Estou contando as horas para entrar naquela igreja, mas tenho medo de que alguma coisa dê errado ou que o Freddie acabe mudando de ideia. Vários pensamentos malucos passam pela minha mente. Não vejo a hora de acontecer, ao mesmo tempo em que eu estou com medo do que está por vir.

— Não sei quem está pior. Você, Freddie ou eu. — Respondo, rindo. Ela me encara com curiosidade. — Como madrinha, eu tenho medo de que vocês acabem se decepcionando com a minha atuação. Eu quero que o casamento de vocês seja perfeito. Freddie está uma pilha de nervos e tia Marissa não tem colaborado muito. Mesmo estando em Seattle, ela ainda dá um jeito de deixá-lo ainda mais nervoso.

— O maior defeito de Freddie é ser filho de Marissa Benson. — Resmunga Sam, revirando os olhos. — A velha me manda mensagem todos os dias torrando a minha paciência e acho que ela só veio para "cuidar" da organização de toda a cerimônia porque o tio Clint interviu, senão era capaz de eu já ter infartado ou ter cometido um assassinato.

Acabo rindo e nego, balançando a cabeça. A mãe de Freddie é realmente uma mulher difícil de lidar. Extremamente protetora, ela odeia Sam desde que ela era criança e implicava com Freddie. Meu melhor amigo me contou que a mãe desmaiou quando descobriu que eles estavam namorando e foi um verdadeiro caos até ela "aceitar" que não importava o quanto ela gritasse, esperneasse ou chantageasse emocionalmente Freddie, ele continuaria com Samantha Puckett.

— Enfim, não quero pensar na insuportável da minha sogra na minha despedida de solteira. — Sam abre um sorriso sonhador ao pensar na comemoração. Ela então encosta a cabeça em meu ombro, enquanto entrelaça nossas mãos. — Obrigada.

— Se alguém merece os créditos pela organização do casamento e a despedida de solteira, essa pessoa é a Elena. Eu estou aqui apenas dando apoio moral. — Respondo com sinceridade e ela ri.

— Eu não estava falando sobre isso, apesar de realmente estar grata por Elena e todas as pessoas que estão organizando a despedida de solteira e o casamento. — Explica Sam, afastando-se para me encarar. Ela aperta mais nossas mãos e sorri. — Estou agradecendo por você ter vido. Eu realmente estou feliz por você estar aqui. Eu sei que não está sendo fácil cuidar de tantos detalhes e que a parte emocional também tem pesado muito ultimamente, mas ter a sua presença me deixa mais calma e feliz. Então, muito obrigada.

Sorrio e balanço a cabeça, negando qualquer agradecimento. A sinceridade e doçura presentes nas palavras de Sam me comovem. Ela realmente parecia feliz por eu estar ali. De repente, eu já não era mais uma intrusa. E completamente levada pelas emoções, abraço Sam com intensidade. Assim, enquanto seguíamos em meio a risos e muitas brincadeiras para o hotel onde passaríamos os próximos dias, eu sinto pela primeira vez desde que iniciei essa viagem que estou fazendo a coisa certa.

[...]

Elena, Carly, Sara e Thea não haviam escolhido um hotel qualquer para ficarmos. Utilizando toda a influência e poder de Clint, as garotas haviam nos hospedado no luxuoso Casino Bellagio. O lugar era simplesmente extraordinário. Já na fachada do hotel era possível se encantar pelos espetáculos de água e luz que o lugar oferece em seu lago artificial. Tudo no Casino Bellagio era grande, brilhante e de tirar o fôlego.

E é por isso que assim que fizemos nosso check-in, corremos para nossos quartos e nos arrumamos e jantamos o mais rápido possível para aproveitar toda a diversão ofertada pelo hotel. Quando finalmente descemos para o cassino, eu me senti no paraíso dos jogos. Aquele lugar era gigantesco, brilhante e glamoroso.

— Isso é...

— Incrível. — Sam completa a minha frase, sorrindo embasbacada. Aquiesço, completamente sem reação diante de tanto luxo.

— Uau! Esse lugar é realmente surpreendente. — Comenta Carly, suspirando encantada. Ela se vira para Sara, Elena e Thea. — O que faremos agora?

— Eu quero jogar! — Exclama Thea, animada.

— Eu também. — Afirmam Beth e Sam, sorrindo de maneira cúmplice.

— Acho que todas querem. — Supõe Elena, rindo. — Agora o difícil é saber onde nós vamos primeiro.

— Por que não vamos no Blackjack? — Sugere a noiva, encarando as meninas com expectativas.

— Agora você falou a minha língua. — Comenta Sara, compartilhando da mesma animação que Sam. Sara sempre foi muito boa em jogos de cartas, então eu não estava surpresa por ela querer ir primeiro no Blackjack com Sam.

— Apesar de não ser o meu jogo preferido do cassino, acho que vai ser divertido começar a noite tirando dinheiro daqueles velhos babões que estão na mesa. — Responde Beth, esfregando as mãos, enquanto sorri de forma perigosa.

— Eu também quero jogar no Blackjack. — Afirma Thea, sorrindo largamente. — Então todas estão de acordo em irmos lá primeiro?

— Eu estava pensando em ir primeiro nos jogos de Slots. — Comenta Nancy, dando um sorriso sem graça. — Eu sou péssima com jogos de cartas.

— Eu também quero ir nos jogos de Slots. Sempre achei divertido ver as moedas saindo da máquina. Seria incrível se eu conseguisse esse feito essa noite. — Conta Carly, sorrindo sonhadora.

— Eu acho que também estou mais tentada a ir aos jogos de Slots. — Responde Elena, pensativa. — Eu sempre tive mais sorte nas máquinas do que no Blackjack.

— Então vamos dividir o grupo. Uma parte vai para o Blackjack e o outro para os jogos de Slots. Quando um dos grupos se cansar, a gente manda mensagem no grupo avisando para confirmar a localização e assim ninguém se perde nessa multidão. — Sugere Sara, pensativa.

— É uma boa ideia. — Concorda a noiva, ao ver que todas haviam gostado da ideia. — E você, Hills? Vai com qual grupo?

— Na verdade, eu acho que vou andar por aqui primeiro e procurar alguma coisa para beber. Daqui a pouco eu decido onde eu vou jogar. — Respondo e ela assente, vagarosamente.

— Tem certeza de que você quer ficar sozinha? Não acha melhor vir com a gente? — Questiona Carly com preocupação.

— E não acho que seja uma boa ideia deixar você beber. — Comenta Sara, encarando-me em alerta. — Eu prometi a tia Tasha que não deixaria você beber demais.

— Qual é o problema dela beber? Nós estamos em Vegas. O propósito de vir para cá é beber e jogar como se não houvesse amanhã. — Fala Beth, humorada.

— Vamos dizer que Hillary e álcool é uma combinação perigosa e desastrosa. Todas as vezes que ela bebeu demais, alguma merda aconteceu. Desde então, todos sabem que ela não pode ficar bêbada. — Explica Sara e todas as garotas me encaram com curiosidade.

— Eu já aprendi a minha lição, então pode ficar tranquila. Hoje em dia eu sei me controlar. Eu vou beber algo fraco e vou parar assim que eu começar a ficar tonta. Eu prometo. — Garanto a Sara, que me encara por alguns instantes, mas acaba suspirando ao se dar por vencida.

— Tudo bem. Vou confiar em você dessa vez. — Responde Sara, ainda me encarando com preocupação.

— Você sabe onde vamos estar. Qualquer coisa é só ligar para nós. Todas estão com os celulares ligados. — Avisa Nancy, mostrando o próprio celular.

— Certo. Obrigada. — Agradeço, sorrindo.

Assim que nós nos despedimos com alertas sobre termos cuidado para não exagerar nas apostas e repassando todas as medidas de segurança que deveríamos tomar para não nos arrependemos no dia seguinte, os dois grupos seguiram para seus determinados jogos e eu sai em busca do bar do cassino.

Com tantas pessoas e jogos, era praticamente impossível não se perder naquele cassino gigantesco. Quando enfim o encontro o meu destino, surpreendo ao reconhecer um rapaz sentado solitário no balcão do bar. Shawn bebia o que imaginei se tratar de whisky e parecia perdido em pensamentos. Diferente das outras vezes em que eu o encontrei, ele estavam bem arrumado e parecia mais bem-humorado.

Curiosa para saber o que Shawn estava fazendo em Las Vegas, apresso meus passos e tento me aproximar do bar, enquanto desvio do vai e vem frenético naquele lugar.

— Uau. Isso é uma miragem ou eu estou mesmo vendo Shawn Kennedy em um cassino em Las Vegas? – Brinco, assim que alcanço o rapaz. Shawn desvia o olhar de seu corpo e me encara surpreso. – Será que devo me preparar para o apocalipse?

— Hillary? – Sussurra o cientista com os olhos um pouco arregalados e as bochechas avermelhadas. Talvez já estivesse um pouco alterado pelo álcool ou envergonhado por ter sido pego em um lugar que ninguém jamais imaginaria o encontrar.

— Posso me juntar a você? – Pergunto, apontando para a cadeira vazia ao seu lado. Ele a encara e pisca algumas vezes antes de cair a ficha de que eu estava me oferecendo para beber com ele.

— Hã... claro. Fique à vontade. — Responde, dando um fraco sorriso. Sorrio e me sento ao seu lado.

— Boa noite. Gostaria de fazer o seu pedido? – Questiona o barman, aproximando-se de nós.

— Boa noite. Um ¹, por favor. – Respondo e o homem de cabelos vermelhos intensos e olhos azuis assente, afastando-se para preparar o meu pedido.

— O que você está fazendo aqui? – Pergunta Shawn, chamando a minha atenção. Encaro-o e sorrio com divertimento.

— Eu que deveria fazer essa pergunta. Você não deveria estar no laboratório estudando... não sei. A cura do câncer? – Questiono, incerta sobre o que deveria dizer quanto a profissão de Shawn. A verdade é que eu não fazia a mínima ideia de qual era a área de estudo dele. A única coisa que eu sabia é que ele é um cientista renomado, apesar da pouca idade. Ele então ergue a sobrancelha e toma um pouco de sua bebida.

— Você não sabe nada sobre a minha área de estudo, não é? – Indaga e eu acabo sorrindo sem graça, confirmando suas suspeitas. Ele ri e dá de ombros. O barman aparece com a minha bebida.

— Obrigada. – Agradeço, tomando um gole do saboroso London Dry. O homem sorri e se afasta. Volto a observar Shawn. – Então... o que você faz exatamente?

— Apesar de Clint me usar como capacho, eu sou astrofísico. Estudo a física dos mais diversos objetos celestes que povoam o Universo, mas o meu campo atual de pesquisa são núcleos ativos de galáxias. Eu e minha equipe propomos um mecanismo universal para a ejeção de matéria pelos buracos negros e principalmente os discos de acreção. – Responde o cientista e eu não tenho reação além de ficar calada, encarando-o como uma idiota.

Tudo o que ele havia dito parecia tão complicado que eu tinha medo de abrir a boca e acabar parecendo uma acéfala. Bebo meu drink sob o olhar curioso de Shawn. Ele dá uma risada anasalada e passa a encarar a própria bebida, enquanto desliza o dedo pela boca do copo.

— Você parece decepcionada por eu não estar pesquisando sobre a cura do câncer. – Comenta Shawn com um pequeno sorriso nos lábios.

— O quê? Não! Não é nada disso! – Apresso-me em explicar a situação em que eu me encontrava naquele momento. Eu não queria ofender o rapaz. – É que eu não faço ideia sobre o que dizer de sua pesquisa. Não entendo nada sobre buracos negros e não faço ideia do que sejam esses discos de agregação.

— Discos de acreção. – Corrige e continua a me encarar com interesse, enquanto eu prosseguia com a tentativa ridícula de justificar a minha reação.

— Que seja. – Sussurro, envergonhada. – Na escola, eu sempre fui péssima nas matérias de exatas e nas aulas de biologia do último ano, eu tinha um professor extremamente gato, então ao invés de prestar atenção nas aulas, eu preferia analisar o tamanho dos bíceps e da bunda dele.

Arfo e levo minhas mãos a boca ao notar que eu havia falado demais. Shawn me encara com uma expressão neutra por alguns instantes até que ele começa a gargalhar, parecendo realmente se divertir com as minhas palavras. Bebo mais um pouco da minha bebida, começando a ficar nervosa com a situação.

— Você é genuinamente sincera, Hillary. – Comenta Shawn, limpando as lágrimas nos cantos dos olhos. – Eu gosto disso em você.

— Obrigada? – Sussurro, incerta.

— Desculpe. Eu devo estar parecendo um louco para você nesse momento. – Responde Shawn, ainda risonho. – De qualquer forma, o que veio fazer aqui em Las Vegas?

— Despedida de solteira de Sam. — Respondo, dando de ombros. — Eu sou a madrinha de casamento dela e de Freddie.

— Você não parece animada com a comemoração. — Comenta Shawn, analisando-me com intensidade. — Está tudo bem?

— É uma longa e entediante história. — Afirmo, apoiando o cotovelo sobre o balcão e meu rosto sobre meu punho.

— Bom, eu não estou com pressa. Você está? — Questiona Shawn e posso ver um brilho de preocupação em seus lindos olhos. Suspiro e nego, balançando a cabeça.

— Tudo bem. Eu vou contar. Mas depois não diga que eu não avisei. — Afirmo e Shawn dá uma nova risada anasalada.

Conto então sobre como tenho amado Freddie por tantos anos, como eu acabei juntando o casal e a minha ajuda ao pedido de casamento e na preparação da cerimônia. Shawn escuta tudo em silêncio e esboçando uma expressão neutra. Ao fim da longa narração, termino de beber o meu London Dry e suspiro ao lembrar que não posso exagerar nas bebidas.

— Eu não sei dizer se você é tola ou masoquista. — Comenta Shawn, encarando-me com repreensão. — Como pôde se oferecer para ajudar no casamento do homem por quem você está apaixonada há tantos anos?

— Por que todo mundo me pergunta se eu sou masoquista? — Resmungo, frustrada. Shawn sorri com ironia. — Não responde. Eu já sei a resposta e eu odeio ela.

— E o que vai fazer agora? Pretende interromper o casamento quando o padre perguntar se alguém tem algo contra o casamento deles? — Questiona Shawn e eu bufo, empurrando seu ombro. Ele ri, enquanto faz sinal para que o barman trouxesse mais de sua bebida.

— Claro que não. Eu já desisti do Freddie. O que eu queria mesmo era beber até esquecer o meu nome. — Respondo, suspirando entristecida.

— E por que não faz isso? Você está em Las Vegas. Ninguém vai te julgar se você beber até desmaiar. É para isso que as pessoas visitam essa cidade. — Shawn me encara com curiosidade.

— Porque eu estou proibida por Natasha Romanoff e todos os agentes da CIA. — Comento, rindo sem humor. Shawn continua a me encarar confuso e mais um suspiro escapa de meus lábios. — Você não entenderia.

— Por que não tenta me explicar? Pode não parecer, mas eu sou inteligente. — Brinca Shawn e eu acabo deixando uma discreta risada escapar de meus lábios. — Você fica muito mais bonita sorrindo.

— Obrigada. — Agradeço, surpresa e envergonhada pelo elogio repentino de Shawn. Ele parece notar seu comentário e arregala os olhos. Ele pega a bebida que o barman havia deixado no balcão e dá um gole generoso.

— E então? Por que você está proibida de beber? — Insiste o cientista, apoiando o cotovelo no balcão e, assim como eu estava, me encara com o rosto sobre o punho.

— Você já bebeu tanto ao ponto de fazer coisas que você se arrepende muito no dia seguinte? — Questiono e Shawn parece refletir sobre o assunto, mas nega.

— Eu sou bem resistente ao álcool, então não me lembro de ter chegado a um ponto como esse de beber e cometer alguma loucura. — Responde o cientista.

— Eu queria ser assim. — Murmuro, um pouco chateada comigo mesmo. — Eu sou extremamente fraca para bebida. Mas como se já não bastasse eu ficar bêbada fácil, ainda sou o tipo de bêbada corajosa que resolve sempre fazer alguma merda. No dia seguinte, além da maldita ressaca, ainda preciso lidar com o maldito arrependimento por tudo o que eu fiz.

— Você se lembra de tudo no dia seguinte? — Pergunta Shawn com curiosidade. Assinto, concordando. — Interessante. Geralmente as pessoas mais fracas para o álcool costumam se esquecer do que fizeram enquanto estavam bêbadas.

— Infelizmente, a amnésia é um privilégio que eu nunca tive. Eu me lembro muito bem do que aconteceu em todas as quatro vezes em que eu perdi o controle por beber demais. Não que eu seja uma viciada em álcool, mas todas as vezes em que eu me deixei levar pela bebida, eu acabei cometendo alguma loucura que faria eu me arrepender amargamente no dia seguinte. Por causa disso, a CIA me proibiu de beber.

— Foi tão ruim assim ao ponto de fazer uma agência de segurança nacional te proibir de beber? — O cientista realmente parecia curioso para saber o que aconteceu.

— Você nem imagina. — Respondo, rindo. — A primeira vez, eu tinha acabado de fazer vinte e um anos e todos da S.H.I.E.L.D pensaram que seria uma boa ideia comemorar meu aniversário no Spring Break em Cancun. Então, partimos para o paraíso tropical mexicano, cheios de expectativas. Seria a minha primeira vez bebendo e ainda estaria na companhia de meus melhores amigos.

"Em meio a muitas bebidas, gritaria e pessoas, eu acabei me perdendo dos meus amigos e o resultado foi uma tatuagem semelhante as de presidiários com a frase "me coma" com bonecos de palito transando. Obviamente, minha mãe surtou e meu chefe mais ainda, afinal, eu já era modelo na época e faria uma campanha de biquíni alguns dias depois.

Como era de se esperar, eu não pude participar da campanha e precisei passar por várias sessões extremamente dolorosas à laser para conseguir retirar a tatuagem. Com isso, precisei ficar longe de campanhas de roupas íntimas por quase um ano." — Conto e Shawn gargalha, divertindo-se com o meu relato.

— Me coma? — Repete Shawn, gargalhando. Tento me manter séria, mas a risada de Shawn era tão contagiante que eu acabo o acompanhando. — E na segunda vez?

— A segunda vez que eu bebi demais foi em uma missão com Steve. Precisávamos descobrir algumas informações de um grupo de contrabandistas que estavam trabalhando para HYDRA. Um dos membros desse grupo me levou para a área VIP da festa e passamos a beber. Consegui todas as informações que eu precisava, mas aparentemente eu achei que seria divertido fazer strip-tease na frente de presidentes e outros líderes mundiais que estavam presentes na festa. Por sorte, Steve conseguiu impedir que eu subisse na mesa principal da festa e tirasse a minha roupa. — Mais uma vez Shawn ri, provavelmente imaginando a cena.

— Isso deve ter sido incrível de presenciar. Fico imaginando o desespero de Steve para te impedir de tirar a roupa na frente de líderes mundiais. — Comenta o cientista, divertindo-se com as minhas histórias.

— A terceira vez aconteceu na London Fashion Week, a fashion week mais badalada do mundo. Eu fui uma das escaladas para desfilar pela Burberry e ainda pude prender um dos criminosos mais procurados do mundo, então eu estava mais do que feliz. Acompanhada de Dakota, Steve e Natasha, fomos na festa de comemoração da marca.

"Com mais de cinco mil convidados, incluindo a imprensa em massa, eu definitivamente deveria tomar cuidado para não acabar chamando atenção demais. No entanto, sob efeito de álcool, é claro que eu não me importei nenhum pouco com isso quando eu não só derrubei a mesa com centenas de taças de champanhe como ainda fiz isso empurrando Rose Marie Bravo, a presidente da Burberry na época, contra a mesa, simplesmente porque eu achei que ela estava rindo de minha dança.

Novamente fui salva por Steve, pois Rose Marie era amiga de Clint. No momento em que o acidente – não tão acidente assim – aconteceu, ele rapidamente entrou em contato com o amigo, que conseguiu convencer Rose Marie a me perdoar e não contar para ninguém o que aconteceu. A desculpa usada é que por ter muita gente no lugar, alguém acabou esbarrando nela e a mulher acabou caindo contra a mesa." — Suspiro e Shawn estava vermelho de tanto rir. Deixo os risos escaparem, contagiada pelos risos divertidos do rapaz.

— Que loucura, Hillary. Você deve ter feito um estrago e tanto. — Shawn continua a rir, limpando as lágrimas que desciam pelo seu rosto de tanto que ele havia gargalhado. Assinto, concordando. — E a quarta vez?

— A quarta vez também foi em uma missão. Eu fui jantar com um sultão para descobrir a ligação dele com a HYDRA. Quando eu estava completamente bêbada, ele tentou se aproximar de mim e eu simplesmente quebrei o braço dele e o copo de vinho na cabeça dele. Natasha conseguiu conter a fúria dele, mas quase coloquei a missão toda a perder por causa disso. — Relembro e Shawn me encara surpreso, antes de voltar a rir. — Enfim, eu estou proibida de beber sem a presença de alguém de confiança para me impedir de fazer alguma besteira.

— De certa forma, eu entendo a proibição. — Comenta Shawn, risonho. Bufo e reviro os olhos. — Mas se quer tanto beber, eu posso ser o seu responsável.

— Sério? — Pergunto, surpresa.

— Claro. — Concorda o cientista, sorrindo com sinceridade. — Eu sou resistente ao álcool, então não devemos ter problemas.

— Seno assim, não vou recusar a oferta. Essa noite, minha razão estará em suas mãos Shawn Kennedy. — Respondo, animada. Shawn ri e assente.

— Não se preocupe. Não vou deixar que nada de ruim aconteça. — Garante Shawn e aquele foi apenas o início de uma noite de fortes emoções.

Notas finais
¹O London Dry é certamente o gin mais conhecido e consumido do mundo. Sua principal característica é o zimbro infusionado com álcool neutro e a seleção de botânicos diversos, sem poder adicionar mais nada após o processo de destilação.