Sem Tempo para o Amor
16 Emoções Únicas

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XV – EMOÇÕES ÚNICAS
Já era madrugada quando pousamos em Hawkins. Depois das longas três horas de viagem, finalmente eu estava em minha calma e de temperatura agradável cidade natal. Era um alívio sentir o vento gélido de outono depois de passar dias suportando as altas temperaturas da cidade que foi construída em meio a um deserto.
Para o meu alívio, Clint preparou tudo para que eu não precisasse lidar com os paparazzis e a mídia em cima de mim, exigindo respostas que eu não poderia dar ainda. O voo em seu jatinho particular foi calmo e graças ao cansaço e o mal-estar causado pelo excesso de bebida na noite anterior, eu pude dormir a viagem inteira sem grandes problemas.
— Obrigado pela viagem. – Agradeço, espreguiçando-me assim que descemos do jatinho de Clint. Estávamos em seu pequeno aeroporto particular, onde além de guardar o jatinho, havia um helicóptero e veículos históricos que ganhou em suas viagens pelo mundo. – Apesar de tudo, eu me divertir bastante.
— Por que já está se despedindo? Eu vou te levar em casa. – Responde Clint, mexendo em seu celular.
— Não precisa. Eu sei que você está louco para ver o seu filho e sua esposa, então irei te libertar hoje. – Digo com humor e Clint soltar uma breve risada anasalada, desviando a atenção de seu celular para mim.
— Natasha ainda está na CIA cuidando da repercussão de seu casamento com Hillary e Andy foi dormir na casa de um amigo. Então, eu não estou com pressa de voltar para casa. Além disso, eu cumprirei com a minha palavra de arcar com a sua viagem até o fim dela. Isso inclui o transfere do aeroporto para casa. – Explica Clint sorrindo daquela forma que me fazia ter certeza de que ele estava aprontando alguma coisa. No entanto, antes que eu o questionasse, meu melhor amigo me puxa pelo braço. – Vamos. O meu novo motorista chegou.
— Novo motorista? – Indago e ele assente, lentamente. Havia uma certa melancolia em seus olhos. – Está tudo bem?
— Sim. Apenas é difícil não lembrar de Bernard nesses momentos. – Comenta com uma voz mais baixa e carregada de tristeza.
Bernard Hanks trabalhou para Clint desde que ele era adolescente. O homem foi uma das poucas pessoas que sabia tudo sobre a vinda de meu melhor amigo e acabou se tornando vítima de um dos inimigos de Clint, durante a comemoração do quadragésimo aniversário dele. Meses se passaram desde que o assassinato aconteceu, mas eu sabia que o homem ao meu lado jamais se perdoaria por não ter evitado a morte de Bernard.
— Clint... – Suspiro, sem saber o que dizer. Geralmente, é Clint quem cuida da parte sentimentalista. Eu nunca tive muita habilidade para lidar com pessoas e menos ainda para consolá-las.
— Bom, eu não posso viver preso ao passado para sempre. Nada do que eu fizer vai trazer Bernard de volta e aposto que ele não ficaria feliz em me ver lamentando por ele ter sido um amigo tão leal até o fim. – Comenta Clint, assumindo a postura fria que eu sabia que não passava de uma máscara que ele usava apenas para esconder sua dor. – O motorista de agora é alguém realmente interessante. Membro honorário e aposentado do Mossad, além de já ter trabalho em parceria com a BND durante a Guerra dos Seis Dias.
— Por que você sempre contrata pessoas que deveriam estar aproveitando a aposentadoria? – Comento e Clint me lança um olhar divertido. Nesse momento, um homem alto de cabelos brancos e olhos castanhos desce do carro e abre a porta do carro, para que entrássemos.
— Shawn, esse é o meu mais novo motorista e guarda-costas, Yuval Adler. Yuval, esse é o meu melhor amigo, Shawn Kennedy. Ele é como meu irmão mais novo, então lembre-se de que você deve protegê-lo com igual intensidade que protege Andy e Natasha. – Clint me apresenta, passando o braço por cima do meu ombro.
— Como desejar, sr. Barton. – Responde Yuval com um leve sotaque, que mostrava que ele não era americano.
O homem me cumprimenta com uma breve reverência e recolhe minha bagagem e a de Clint. Nós entramos no carro, enquanto o homem guardava as malas no porta-malas do veículo.
— Natasha e Andy me perturbaram por meses para que eu contratasse alguém que pudesse cuidar da minha segurança. Ainda que eu estivesse relutante, confesso que preciso de alguém para me ajudar a lidar com os meus investimentos e todos os negócios que eu tenho espalhados pelo mundo. – Conta Clint, suspirando. Yuval volta para o carro e se vira para o patrão, encarando-o com seriedade.
— Devemos seguir para a residência do sr. Kennedy? – Indaga Yuval, encarando-me brevemente antes de retornar sua atenção para Clint.
— Por favor, Yuval. – Responde meu melhor amigo e o motorista assente, não demorando a dar partida do carro.
— Ele sabe onde fica a minha casa? – Pergunto, notando que Clint não passou nenhuma orientação do caminho que deveríamos pegar.
— É claro que sim, assim como ele sabe o nome, endereço e todas as informações essenciais das pessoas que são importantes para mim. – Fala Clint, voltando a mexer em seu celular. – Você disse que eu só contrato pessoas idosas, mas a verdade é que eu contrato pessoas que possuem habilidades físicas e de espionagem. Assim como Bernard, Yuval é especialista em tecnologia e foi um dos melhores agentes que o Mossad já teve. Eu o conheço desde que eu tinha a idade de Andy. Já trabalhamos algumas vezes juntos, então ele é alguém de bastante confiança.
— Entendi. – Respondo, observando Yuval por alguns instantes, antes de me voltar para a janela do carro.
Clint permanece o tempo todo mexendo em seu celular e pela expressão concentrada, eu sabia que ele deveria estar resolvendo problemas de trabalho. Enquanto isso, eu permanecia preso em meus pensamentos, repassando em minha mente o vídeo de meu casamento com Hillary. As palavras da mulher continuavam a ecoar em minha mente, ocasionando em um tsunami de sentimentos em meu peito.
Depois de declarar o meu desejo de permanecer casado com Hillary, meu coração se agitava ao pensar que em breve nós voltaríamos a nos encontrar. No entanto, uma parte de minha não se sentia muito seguro em enfrentar a mulher. Mesmo determinado a lutar por ela, eu não poderia obrigá-la a ficar comigo, afinal, um papel assinado pelo Estado, informando que estamos casados não poderia forçar Hillary a viver ao meu lado.
Um suspiro cansado escapa de meus lábios e eu encosto minha cabeça na janela do carro, fechando os olhos. Eu nunca pensei que me casaria. Menos ainda que a cerimônia seria realizada em Las Vegas acompanhado de um cover de Elvis Presley. Era simplesmente surreal demais para que a ficha caísse e eu conseguisse me acostumado com o fato de ter Hillary Leblanc, a mulher mais linda e encantadora que eu conheço como minha esposa.
Meus olhos voltam a observar o anel em meu dedo e acabo me questionando se existe a mínima possibilidade de Hillary continuar usando seu anel e se assim como eu, ela se sente hesitante em o tirar do dedo anelar esquerdo. Será se ela também sente um frio na barriga intenso e um sorriso bobo abre em seus lábios ao relembrar dos detalhes de nossa noite de núpcias?
Yuval estaciona o carro de frente a minha casa e abre a porta do carro para que eu saísse. Em seguida, ele vai para o porta-malas pegar as minhas bagagens. Desço do carro e mais uma vez me espreguiço, tentando espantar todo o cansaço e fatiga que eu sentia. Clint também não demora a descer do veículo, enquanto guarda o celular no bolso de seu casaco.
— O que está fazendo? Não vai para casa? – Questiono desconfiado e Clint dá de ombros, enquanto seus olhos brilham em expectativas.
— Estou com vontade de passar mais um tempo com você. – Responde com humor e meus olhos se estreitam, analisando a expressão de Clint, que exibia animação demais para o meu gosto. – Não vai nos convidar para tomar um copo de água?
— O que você está aprontando? – Indago e alterno meu olhar entre minha casa e meu melhor amigo. Depois de alguns segundos, eu finalmente entendo o que está acontecendo. – Oh, droga! Quais as chances de minha mãe ter descoberto sobre o meu casamento e estar dentro de minha casa, esperando-me com uma vassoura em mãos, pronta para me matar?
— Você realmente quer que eu responda essa pergunta? – Pergunta Clint com um largo sorriso em seus lábios.
— Existe alguma chance de você permitir que eu durma em sua casa hoje para evitar a fúria de Susan Kennedy? – Meu desespero apenas serve como um catalisador para a crise de riso de Clint, que obviamente estava se divertindo com a situação.
— Nenhuma. Eu sou muito leal a sua mãe. – Garante Clint e esse era mais um daqueles momentos em que eu derreteria o cérebro de meu melhor amigo se eu tivesse visão de raio laser assim como o Superman. Mostro o dedo do meio para ele e bufo, sem acreditar na cara de pau do homem, que estava fazendo isso apenas para ver o espetáculo que minha mãe daria. Ele ri e passa o braço por cima dos meus ombros, antes de se virar para o motorista. – Vamos entrar, Yuval. Está frio aqui fora e eu vou preparar um café para você, enquanto assistimos Susan enlouquecer com o Shawn.
— Agradeço a oferta, sr. Barton, mas aguardarei aqui fora pelo senhor. Creio que esse momento seja algo bastante pessoal e que não deve ser compartilhado com um desconhecido como eu. – Responde Yuval, com a minha bagagem em mãos.
Clint o encara por alguns instantes e suspira, afastando-se de mim. Ele então abre um sorriso divertido, pegando as minhas coisas das mãos de seu novo motorista.
— Ele realmente é muito sério e responsável. Espero ter a chance de arrancar uma verdadeira gargalhada dele algum dia. – Comenta Clint, puxando-me pelo cotovelo em direção a minha casa para que eu não tivesse a chance de fugir. – Uma pena que ele não quer assistir essa verdadeira obra de arte que será o surto de Susan.
— Existe alguma possibilidade de minha mãe estar dormindo? – Arrisco mais uma vez, mas isso só alarga ainda mais o sorriso de Clint.
— Eu estaria indo assistir essa cena de camarote se ela estivesse? – Retruca Clint com grandes expectativas de me ver apanhando de minha mãe estampada em seus olhos.
— Você é realmente um demônio, Clint Barton. Um demônio! – Exclamo, indignado com a traição. Mas o que esperar do sádico homem que adora ver o meu sofrimento ao lidar com as reações extremas de minha mãe?
— Faça as honras, por favor. – Com aquele maldito sorriso animado em seus lábios, Clint abre a porta da entrada da casa e dá espaço para que eu entrasse.
Engulo em seco e hesito. Com minha mãe, eu poderia esperar duas grandes reações por eu ter me casado de repente em Las Vegas e ainda ter descoberto por outras pessoas sobre a cerimônia. Ou ela estaria furiosa a ponto de querer me espancar com uma vassoura ou estaria em êxtase por eu finalmente ter realizado o seu sonho de me ver casado. E sendo sincero, nenhuma das duas alternativas me deixava muito receoso.
Não que a última possibilidade fosse ruim. É claro que eu quero ver minha mãe feliz. Mas nesse momento não me sinto disposto a lidar com seu interrogatório ou euforia. Minha mente já estava caótica demais para que eu tivesse que lidar com o espírito incontrolável de minha mãe.
— Anda logo! – Clint me empurra para que eu entrasse na casa que estava com as luzes desligadas.
Estava tudo tão quieto que por alguns instantes, eu duvido do fato de minha mãe estar em minha casa. No entanto, só foi o tempo de deixar um suspiro de alívio escapar de meus lábios para ela ligar as luzes, vindo direto da cozinha. Ao me encontrar na porta da sala de estar com Clint logo atrás de mim, minha mãe paralisa e pelo que pareceu a eternidade, ela se mantém em completo silêncio como se estivesse me analisando, sem esboçar qualquer reação.
Clint me empurra mais uma vez para que eu me aproximasse de minha mãe e deixa minha bagagem no canto da sala. O silêncio permanece pesado e eu começava a ficar ainda mais preocupado. Estado de choque não era exatamente uma das alternativas que eu cogitei das reações da intensa Susan Kennedy. E como se estivesse me castigando por todos os erros que eu cometi em minha vida, lágrimas descem pelo rosto da linda mulher.
— Mãe? – Sussurro, assustado. Aproximo-me dela as pressas ao ver seu choro se intensificar. – Por que você está chorando? Eu sinto muito, mãe! Eu sei que você queria que eu tivesse me casado de uma forma tradicional, mas...
Não sou capaz de terminar minha sentença, pois com a mesma intensidade com a qual chorava, minha mãe me puxa para um abraço carinhoso e apertado o bastante para que eu fosse capaz de sentir seu coração bater como um louco em seu peito. Preocupado, correspondo ao gesto, esperando que isso a fizesse se acalmar um pouco.
— Mãe, me perdoa, por favor. – Digo, sentindo um nó preso em minha garganta. – Não chora, mãe. Eu te imploro. Grita comigo, me bate, mas não chora. Por favor, mãe.
Eu só tinha visto minha mãe chorar uma vez na vida, que foi quando ela recebeu a notícia de que meu avô havia morrido. Nesse momento, a sensação de culpa se tornou ainda mais esmagadora. Eu preferia que ela quebrasse todos os meus ossos a vê-la chorar. Definitivamente seria menos doloroso do que a dor que eu sentia por saber que eu sou o responsável por deixar minha mãe tão decepcionada.
— Eu estou tão... feliz e... orgulhosa, filho. – Sussurra minha mãe entre soluços contra meu ouvido, afastando-se para me encarar. Ela ri um pouco e tenta conter as lágrimas que continuavam a cair. – Desculpa, filho. Acho que eu acabei te deixando assustado. Mas é que... Ah, Shawn, eu estou tão, mas tão feliz, filho, que não sou capaz de expressar em palavras a minha felicidade e o orgulho que sinto de você nesse momento.
— O que disse? – Indago, completamente atordoado.
— Você se casou com alguém que realmente te ama e que foi capaz de arriscar a própria vida para te salvar, Shawn. Eu acho que nunca me senti tão realizada como me senti ao assistir o vídeo de seu casamento que Clint me enviou. – Conta a mulher de olhos azuis intensos em meio as lágrimas e risos. Eu já não conseguia entender mais nada.
— Mas... você está chorando. – Balbucio, porque essa era a única coisa que eu conseguia pensar naquele momento.
— Eu sei, eu sei. Desculpa te assustar. São lágrimas da mais pura felicidade. Eu juro. – Garante minha mãe, abrindo o sorriso mais brilhante e feliz que eu já vi minha mãe dá. Nem mesmo quando eu me formei pela primeira vez ou quando eu conquistei a vaga dos meus sonhos no centro de pesquisa da Universidade de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas Avançadas de Hawkins. – Eu achei que fosse conseguir segurar a emoção quando eu te encontrasse, mas eu não consegui. Quando me lembro dos votos de casamento de vocês, eu logo tenho vontade de chorar de tanta emoção.
— Então você não está brava? – Questiono, apenas para me certificar de que eu não havia entendido errado as palavras de minha mãe.
— Brava? Não! Confesso que fiquei um pouco triste por não ter participado da cerimônia, mas... ah, querido, você se casou com uma mulher incrível. – Minha mãe suspira e sorri, voltando a me abraçar. – Pelo que Clint disse, ela é uma pessoa maravilhosa e gentil. Além de ser muito bonita. Eu vi as fotos e fiquei encantada com a beleza dela.
— Sim... ela... ela é... linda. – Balbucio, vendo a animação de minha mãe ao falar de Hillary. Viro-me para Clint e ele estava sentado no sofá da sala, observando-nos com um sorriso divertido nos lábios.
— Agora, eu estou ansiosa para conhecê-la. Pelo que soube, ela é uma modelo muito famosa, então teremos que ver em qual casa vocês irão viver. Se possível, eu também gostaria que vocês realizassem uma cerimônia aqui em Hawkins para que todos que não compareceram ao casamento possam ir dessa vez. Podemos fazer alguma coisa simbólica também. A gente pode usar o jardim bonito da casa de Clint e fazer o casamento na primavera. O que você acha, Clint? – Indaga minha mãe, esboçando um sorriso animado, enquanto se sentava ao lado de Clint no sofá. Ela sorria tanto que eu me perguntava se ela não acabaria machucando a boca assim.
— Eu acho uma excelente ideia. Até porque, dessa vez, eu quero ser o padrinho de casamento. – Responde Clint, entrando na onda da minha mãe. – A gente também pode chamar aquele celebrante que você tinha comentado comigo que fez o casamento da sua amiga que você tanto gostou.
— Ah, verdade! – Concorda minha mãe, batendo palmas. – E temos que pensar na lista de convidados. Preciso me encontrar com a família dela para saber o que eles acham também. Quer dizer, eles agora são a nossa família também, então não quero deixá-los chateados com as minhas decisões. Será que a mãe dela vai gostar do casamento no jardim?
— Eu tenho certeza que sim. Natalie e eu nos encontramos algumas vezes e garanto que ela está tão animada por esse casamento quanto você. – Afirma Clint, sorrindo. – Acho que ela está inclusive já planejando os bebês desses dois nesse momento.
— Ah, eu a entendo. Não vejo a hora de ter meus netinhos nos braços. Eu gostaria que Hillary tivesse duas meninas e um menino. – Conta minha mãe e eu encaro a situação, ainda em choque. – Bom, eles já estão na idade de ter filhos, então acho que seria divertido eles já terem filhos agora e...
— Esperem um pouco! Vocês estão apressando demais as coisas. -Interrompo minha mãe, vendo que a situação estava saindo do controle. – Mãe, é possível até mesmo que Hillary peça o divórcio...
— Você não pode permitir que isso aconteça! – Minha mãe se levanta do sofá de uma vez e me encara com seriedade. – Eu vi o quanto vocês se amam, Shawn. Não pode deixar essa garota incrível escapar. Não é todo dia que encontramos o amor assim. Você tem que me prometer que não vai dar o divórcio para ela, sem que tenham pelo menos tentado viver como um casal de verdade.
— Mãe, por favor...
— Prometa, Shawn! – A mulher me interrompe mais uma vez, usando seu tom autoritário que sempre me intimida. – Vocês precisam ao menos tentar. Se ela insistir, peça para que ao menos vivam na mesma casa por seis meses. Se em seis meses vocês sentirem que a convivência é impossível e que esse amor que vocês sentem não passa de uma paixão passageira, aí sim vocês assinam os papeis da separação. Então me prometa que vocês irão tentar.
— Tudo bem. Eu prometo. – Suspiro, dando-me por vencido. – Não é como se eu já não estivesse pensando em recusar o pedido de divórcio caso ela apareça aqui. Mas não quero que crie expectativas demais, mãe. Nosso casamento foi feito durante uma noite de muita bebida. Hillary também tem o emprego dela que depende exclusivamente de sua imagem. Então antes de planejar um segundo casamento, precisa entender que temos muitas coisas para resolver.
— Tudo bem. Eu vou tentar me controlar. – Responde minha mãe, suspirando. Ela então se vira para Clint e volta a se sentar no sofá, abraçando o braço do homem com carinho. – Ah, Clint, meu bebê se casou. Ele realmente se casou e com a mulher que ele ama. Eu estou tão feliz.
— Eu também estou, Susan. – Clint afirma, sorrindo com sinceridade, enquanto encosta a cabeça na de minha mãe. – Nosso menininho cresceu e finalmente se tornou um homem.
— Você não tinha que voltar para sua casa para ver sua esposa, não? – Resmungo, incomodado. – Já passou da hora de visitas retornarem para suas casas.
— Não fale assim com o Clint, garoto! – Minha mãe me repreende, encarando-me de maneira intimidadora. Ela então se vira para Clint e sorri com doçura. – Você sabe que pode ficar o quanto você quiser aqui, não sabe, querido?
— Sei, sim. Obrigado, Susan. Ao menos alguém nessa casa tem educação. – Provoca Clint e eu preciso me segurar para não xingar o demônio no corpo de ser humano.
— Você sabe que essa casa é minha, não sabe, querido? – Ironizo e recebo uma almofadada em meu rosto como castigo de minha mãe. – Au!
— Essa casa pode ser sua, mas eu continuo sendo sua mãe e mando em você. Então é melhor você tratar Clint como um príncipe ou eu vou bater em você. – Minha mãe me ameaça e posso ver o sorriso satisfeito de Clint, fazendo com que eu realmente quisesse o matar pela décima vez no dia. Ela se vira para Clint e volta a sorrir com doçura. – Você deve estar com fome. Eu vou preparar um café e alguma coisa para você comer.
— Ah, obrigado, Susan, mas eu preciso mesmo ir embora. Estou com saudade de minha esposa e cansado da viagem. Além disso, meu novo motorista está esperando lá fora. Não quero tomar mais do tempo dele além do necessário. – Responde Clint, deixando um beijo estralado na bochecha de minha mãe. – Obrigado pela recepção. Amanhã eu passo aqui depois do almoço para saber como ficaram as coisas e tomar do seu delicioso café.
— Tudo bem. Estaremos esperando. Obrigada pela viagem e por ter cuidado tão bem de Shawn, Clint. Você é realmente um anjo.
Clint e minha mãe se abraçam em despedida e eu sou obrigado a acompanhar o idiota do meu melhor amigo até a porta, depois do olhar assassino de minha mãe para mim. Assim que chegamos na porta, ele ri e dá algumas batidas em meu ombro.
— Prepare-se, pois amanhã será um dia e tanto. – Comenta Clint, encarando-me pelo canto do olho.
— É. Eu sei. – Suspiro e bagunço meu cabelo, sentindo minhas emoções à flor da pele. – Ela já vai ter se lembrado de tudo, não é?
— Com certeza. – Garante Clint e eu assinto, consciente. – Mas se precisar de ajuda é só me mandar mensagem. Eu realmente vou vir na parte da tarde.
— Tudo bem. Até amanhã e obrigado. – Agradeço, abraçando Clint. Apesar de ser um idiota, ele realmente havia me ajudado bastante.
Observo Clint entrar no carro e partir com Yuval. Estremeço com o vento gélido que me atinge e encaro o céu, observando a Lua Cheia brilhar com intensidade. Cenas da nossa noite de amor tomam conta de minha mente mais uma vez, fazendo o sorriso idiota tomar conta dos meus lábios. De fato, não importa o quão difícil será essa luta, eu realmente sinto que ela valerá muito a pena.
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