Sem Tempo para o Amor

7 Despedida de Solteira


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Antes de tudo, eu estou sob efeito de remédios fortes, então se encontrarem alguma parte estranha, por favor me avisem. Quero agradecer a AndreaNeves pelo comentário capítulo passado. Espero que gostem esse. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO VI – DESPEDIDA DE SOLTEIRA

— Você está... perfeita. – Sussurro encantada, enquanto encaro o reflexo de Sam pelo espelho do provador do atelier.

Ela estava incrível com o vestido off-white sereia rendado, que valorizava todas as suas curvas e ainda dava um ar romântica. Sam sorri e suspira, parecendo nervosa. A loira então se vira para mim e me encara com uma insegurança que não lembrava em nada a imponente Samantha Puckett.

— Você tem certeza? Quer dizer, você acha que o Freddie vai gostar? – Questiona com os olhos azuis cristalinos repletos de dúvidas. Sorrio e a abraço com força.

— Sammy, você sabe que eu já fui a muitos casamentos e como modelo, vestidos de noiva acabam perdendo um pouco de encanto, mas posso dizer com toda a certeza do mundo que você é a noiva mais bonita que eu já vi. Se o Freddie não desmaiar quando te ver entrando naquela igreja, pode ter certeza de que ele vai se apaixonar mais uma vez por você. – Afirmo, afastando-me da garota para a encarar. Ela sorri, parecendo achar graça ao imaginar a cena. – Você está perfeita e eu tenho certeza de que seu futuro marido vai pensar o mesmo quando te ver.

— Mesmo, mesmo? – Sussurra, como uma criança adorável. Coloco minhas duas mãos em suas bochechas e aperto seu rosto.

— Mesmo, mesmo. – Garanto, sorrindo confiante para a loira, que se afasta e suspira, parecendo finalmente convencida de minhas palavras. Pego o buquê de flores azuis com branco. – Agora vamos sair e mostrar para as duas trezentas damas de honra.

— Exagerada. – Cantarola Sam, pegando o buquê de minha mão. Ela respira fundo e sorri. – Vamos lá. Eu quero ver a reação das meninas.

Ansiosas, deixamos o provador e seguimos para a sala de espera, onde estavam todas as mulheres da família de Sam, que esperavam animadas para assistir a última prova do vestido. E não. Eu não estava exagerando sobre o fato de Sam ter muitas damas de honra.

Além das quatro primas e da irmã, Sam ainda havia convidado para fazerem parte da comissão de damas de honra nossas amigas Carly e Peggy, as namoradas e esposas de seus primos e a irmã por parte de pai de sua irmã mais velha. E como se não bastasse as doze damas de honra, ainda estavam no local as tias de Sam e os filhos de suas primas e irmãs.

Em outras palavras, o atelier da famosa estilista, Isobel Flemming, que coincidentemente também é tia de consideração de Sam, havia se tornando uma espécie de festa só para mulheres. Eu particularmente achava um pouco exagerado a presença de tantas pessoas na prova do vestido, já que o casamento irá ocorrer em uma semana, mas para Sam, essa era a sua forma de mostrar gratidão a todas as pessoas que estão ajudando com os preparativos para a cerimônia.

Como era de se esperar, assim que a noiva se posicionou na pequena plataforma da sala e as cortinas se abriram, todas as mulheres presentes na sala, gritaram eufóricas, assustando os três bebês que estavam no local. O choro que se iniciou com Hope, logo influenciou os outros dois bebês.

Nancy se levanta com a filha, buscando acalmá-la. Isobel corre até Emma que estava nos braços de Cait e assim como Nancy, balança a caçula, na tentativa de conter o choro. Beth dá o peito a Kyle, que imediatamente para de chorar no mesmo instante. Observo toda a agitação das mulheres e os elogios dados a Sam, imaginando como seria o dia do casamento.

Suspiro e me afasto discretamente, indo buscar um pouco de água e uma aspirina para a dor de cabeça que estava começando a me incomodar. Sam ficaria algum tempo ocupada com as damas de honra e as crianças que chamavam sua atenção, então daria tempo de me recompor.

Discretamente, sigo para os fundos do ateliê que havia sido fechado apenas para atender Sam e suas damas de honra. Assim que tomo o remédio, jogo-me sobre um sofá que havia na sala de descanso onde as garotas e eu havíamos colocado nossas bolsas e suspiro, sentindo todo o cansaço da correria do casamento me consumir. Tampo meus olhos com o antebraço e aproveito do silêncio que fazia na sala.

— Você parece exausta. – Ouço a voz de minha melhor amiga na sala e suspiro mais uma vez.

— Ninguém nunca me disse que ser madrinha de casamento exigiria tanto de mim. – Comento, passando a encarar Natasha, que estava encostada no batente da porta da sala. Nesse momento, noto que ela não estava sozinha. Carly me encarava com um semblante preocupado. Sorrio, sabendo exatamente o que se passava em sua mente. – Não me olhe assim, Carly. Eu estou bem. Apenas cansada pela correria. Quem foi que deu a ideia a ela de preparar um casamento em dois meses? Elena ainda vai me enlouquecer com todos os detalhes.

— Depois de observar você nos últimos dias, eu não tenho dúvidas de que você é mesmo masoquista. – Resmunga Carly, jogando-se em cima de mim. Um gemido de dor escapa de meus lábios, mas não me movo. Estava cansada demais para tirar a garota de longos cabelos castanhos de cima de mim. Ela se ajeita no sofá e me abraça com carinho. – Olha só para você, Hills. Está tão magra. Aposto que não tem se alimentado e nem comido direito nos últimos dias. Tia Natalie surtaria se te visse nesse momento. Por que concordou em ser madrinha de casamento deles?

— Ela se ofereceu. – Corrige Natasha, sentando-se no tapete felpudo ao lado do sofá. Ela encosta a cabeça na minha e suspira. – E ela tem tido dificuldades para dormir desde o acidente em que ela salvou o Shawn. Os paparazzis não tem facilitado as coisas.

— Eu pensei que a mídia deixaria de pegar no seu pé depois de alguns dias, mas pelo visto eu estava enganada. – Comenta Carly, sentando-se no sofá. Novamente resmungo pela inquietação da garota e acabo preferindo me sentar para não me tornar alvo de seus braços e pernas. – Morar com vocês não resolveu nada.

— De certa forma melhorou, afinal, eu não preciso me preocupar com algum paparazzi entrando na minha casa enquanto eu durmo, já que a mansão Barton está mais para uma fortaleza. Mas todas as vezes em que eu saio na rua, eu acabo sendo reconhecida por alguém. E então vem todo aquele ciclo de ser cercada pelos fãs, sessão de fotos e autógrafos, sorrisos falsos e tentativas de evitar responder perguntas que possam comprometer a minha identidade. Os paparazzis me encontram e se inicia uma perseguição irritante. – Conto, sentindo um peso enorme em minhas costas. Natasha aperta a minha mão com carinho e sorri compreensiva. – Eu estou ficando cansada de toda essa situação. Não quero continuar abusando da hospitalidade e dando trabalho a Clint e nem a Naty...

— Não seja boba. Você sabe que a gente te adora e que é muito bem-vinda em nossa casa. O Andy te adora e você tem nos ajudado muito fazendo companhia a ele e garantindo a segurança dele quando estamos longe. – Natasha me interrompe, levantando-se para se sentar ao meu lado no sofá.

— Você sabe que o Andy tem dezesseis anos, certo? – Provoco e ela bufa, revirando os olhos.

Andrew é o mais novo filho adotivo de Natasha e Clint. Ele possui um passado bastante traumático e depois de passar anos no programa de proteção à testemunha, ele acabou conhecendo e se apaixonando pela filha adotiva de meu parceiro da CIA, Steve Rogers. Sentindo-se comovidos pela história do rapaz, Naty e Clint acabaram o adotando e agora o tratam como se ele fosse uma criança de cinco anos.

— De qualquer forma, assim que o casamento de Sam e Freddie passar, eu vou dar um jeito de arrumar a minha vida e...

— Finalmente achamos vocês! – Thea entra na sala com Kyle no colo. Suspiro e choramingo, jogando-me sobre Carly. Pelo visto o meu descanso havia chegado ao fim.

Thea se senta no tapete felpudo e passa a brincar com Kyle, que gargalha alto com as cócegas que recebia da garota. Sorrio diante da cena. O sobrinho de Sam é extremamente risonho e adorável. Não tem como não se encantar com seus olhos azuis brilhantes e as bochechas gorduchas.

— Sinceramente, eu deveria deixar a faculdade de medicina e me tornar cerimonialista. – Comenta Elena, surgindo com a irmã mais nova no colo. Emma gargalha quando Sara aperta sua barriga. Elena deixa um beijo estralado na bochecha de Emma e a entrega para a prima, antes de se jogar em cima de mim. Arfo e me questiono em que momento eu me tornei parte do sofá para todos se jogarem em cima de mim. – Em um pouco mais de um ano, eu já organizei quatro casamentos com prazo extremamente apertado. Primeiro eu tive três meses para organizar o casamento da minha mãe. Nesse mesmo tempo, ainda tive uma semana para preparar o casamento de Felicity e Oliver. E então foram duas semanas para o casamento de Beth e Daryl. Uma hora para o casamento de tia Tasha e tio Clint. E agora, eu tive dois meses para organizar o casamento de Sam e Freddie.

— Realmente. Acho que você e Damon ganhariam muito dinheiro se investissem no ramo. Vocês têm talento. – Comenta Sara, sentando-se no tapete com Thea. – Acho que vou te contratar para organizar o meu com o Leonard. Vou te dar o prazo de uma semana.

— Engraçadinha. – Bufa Elena, finalmente saindo de cima de mim e de Carly. – Eu já estou sentindo que o próximo casamento que vou ter que organizar será o de Cait e Barry. Eles estão tentando ir devagar, mas tia Echo está ansiosa pelos netos.

— Bom, eles estão noivos desde novembro do ano passado e até agora não temos uma data. Não me surpreendo que ela tenha começado a cobrar o casamento. – Comenta Thea, brincando de jogar Kyle para cima. Ele solta algumas risadas contagiantes e ela ri, voltando a sentar o garoto no tapete, antes de se virar para ela. – Mas o que eu realmente quero saber é quando teremos seu casamento com Damon.

— Só depois que eu terminar a minha faculdade e estiver trabalhando como oncologista com o tio Henry. – Responde Elena, dando de ombros.

— Coitado do Damon. Você vai o enrolar por mais seis anos? Já não bastavam os vinte e cinco anos se matando, agora vocês vão fazer tortura psicológica? – Brinca Sara, fazendo todas na sala rirem.

— Enfim... – Resmunga Elena, virando-se para nós. – O que vocês estão fazendo aqui?

— O que vocês estão fazendo aqui? – Retruco e Elena dá de ombros.

— Minha mãe e Evie nos expulsaram de lá com Kyle e Emma para que pudessem fazer os últimos ajustes no vestido de Sam e conversar sobre os vestidos de dama de honra com aquelas que não experimentaram ainda. Como nós três já provamos os nossos, resolvemos vir atrás de vocês para saber o que estavam fazendo. – Responde a garota dando de ombros. – E vocês?

— Descansando. – Respondo, dando de ombros.

— Adivinha quem chegou. – Cantarola Nancy, balançando Hope em nossa direção. A garotinha resmunga e se encolhe contra a mãe. – Parece que alguém está mal-humorada de sono.

— Deixa ela brincar com a Emma e o Kyle, que eu tenho certeza de que rapidinho ela se entrega ao sono. – Afirma Natasha e Nancy assente, aproximando-se para sentar no tapete. Minha melhor amiga observa as sobrinhas brincarem com os bebês e vejo um sorriso nostálgico se formar em seus lábios. – Eu ainda não consigo acreditar que você já é mãe, Nana. Parece que foi um dia desses que eu te pegava no colo, enquanto você chorava depois de ter se machucado brincando com seus primos.

— O tempo voa, tia Tasha. – Responde Nancy, dando um sorriso bobo ao encarar a filha. – Um dia desses, Sam gritava para todos o quanto odiava Freddie e agora, veja só onde nós chegamos. Estamos aqui no atelier da tia Isobel, nos preparando para o casamento deles e ainda conversando sobre os próximos que estão por vir.

— Inclusive, nós precisamos conversar sobre a despedida de solteira de Sam. – Relembra Carly, chamando nossa atenção. Ela então me encara com expectativa. – Você já sabe o que iremos fazer?

— Sam comentou comigo que ela quer ir para Las Vegas. – Conta Thea, sorrindo animada. – Uma viagem das garotas para passar três dias em Vegas. O que vocês acham?

— Eu estava planejando algo muito mais fácil e perto, Thea. – Respondo, cansada. – O casamento é em uma semana. Não temos tempo para planejar uma viagem como essa e ainda temos o fato de Nancy e Beth não poderem ir com a gente.

— E quem disse que eu não vou poder ir com vocês? – Questiona Beth, entrando na sala com um sorriso divertido nos lábios.

— É. Eu também queria entender quem foi que deu esse veredito. – Comenta Nancy, afastando-se para que Beth se sentasse no tapete para brincar com o filho, que rapidamente se joga em sua direção ao reconhecê-la.

— Ah, me desculpe se eu estou pensando no fato de que seus filhos estão novos demais para se separarem das mães por tanto tempo. – Ironizo e Natasha ri, achando graça do olhar entediado das sobrinhas para mim.

— São apenas três dias. Jonathan pode cuidar da Hope para mim e minha sogra definitivamente vai amar ter um motivo para ficar com ela. – Afirma Nancy, sorrindo desafiante. Provavelmente esperava que eu tentasse fazê-la mudar de ideia. Mas eu sabia que seria em vão.

— Daryl é responsável e um ótimo pai. Tenho certeza de que ele dá conta de cuidar de Kyle por três dias. Além disso, fazer a despedia de solteira em Las Vegas sempre foi o sonho de Samy. Já basta eu não ter ajudado tanto com os preparativos do casamento e ainda não ter a tido em meu casamento. Então eu quero fazer com que esse sonho possa ser realizado. – Responde Beth, encarando-me com intensidade.

— Eu entendo o seu desejo, Beth, mas está muito em cima da hora para eu conseguir organizar a viagem. Ainda há muitos detalhes para conferir do casamento. Eu não vou conseguir. Sinto muito. – Lamento, suspirando.

— E se o problema é organizar a viagem, nós podemos cuidar de tudo. – Sugere Thea, parecendo animada com a ideia. – O que vocês acham?

— Se todas trabalharmos juntas, não vai sobrecarregar ninguém e ainda realizaremos o sonho de Sam. – Complementa Carly, compartilhando da mesma ideia de Thea.

De repente, todas passam a falar ao mesmo tempo, planejando todo o roteiro que faríamos se fossemos para Las Vegas. Até mesmo Natasha davam algumas sugestões sobre o que deveríamos fazer com um prazo tão curto. Suspiro e resolvo não interferir.

— Parece que você não tem mais como dar desculpa para não ir a despedida de solteira. – Comenta Natasha, batendo o ombro dela no meu.

— Eu não estou dando desculpas. – Retruco e minha melhor amiga rir, demonstrando que não estava convencida com as minhas palavras. – Eu apenas acho que não vale a pena se desgastar tanto por apenas três dias.

— Admite logo que você está com medo de ir a despedida de solteira. – Resmunga Carly, empurrando-me de leve.

— Medo? Medo de quê? – Questiono, começando a ficar nervosa.

— Medo de aceitar o fim. – Responde Natasha e todas as mulheres presentes na sala passam a me encarar com compaixão. – Mas você precisa ir, Hills. Esse é o momento em que você tanto queria para seguir em frente.

— Esse é o sonho da Sam. Vai mesmo recursar a chance de fazer uma amiga feliz só por que está com medo? – Insiste Beth, encarando-me com seriedade. – Vamos lá. Eu sei que você consegue.

Uma discussão de apoio se inicia. Todas insistiam que eu deveria viajar para Las Vegas e aproveitar a última noite de solteira de Sam. Por outro lado, eu sentia que eu não deveria ir. É o momento de Sam. Mesmo sendo a madrinha de casamento deles, eu ainda possuo sentimentos por Freddie. Não é justo atrapalhar a comemoração dela por causa do que sinto por seu futuro marido.

— Se vocês quiserem organizar e irem para Las Vegas, fiquem à vontade. Mas eu definitivamente não vou. – Afirmo com determinação.

— Isso é o que nós vamos ver. – Responde Carly, compartilhando um sorriso cúmplice com todas as mulheres da sala. Sinto um frio subir pela minha espinha ao imaginar o que Carly irá fazer comigo.

Notas finais
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