Sem Tempo para o Amor
2 Desistindo de Antigos Amores
Notas iniciais

SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO I – DESISTINDO DE ANTIGOS AMORES
Dias atuais
Os flashes brilhavam em minha direção a cada nova pose feita. Sorrio e abaixo o olhar, enquanto o vento bagunçava meus cabelos. Mudo novamente a minha pose, valorizando a peça de roupa que seria divulgada no próximo catálogo da marca que eu fazia a publicidade.
— Muito bem, Hills. Agora levanta um pouco mais o queixo e faz uma expressão mais séria. – Orienta o fotógrafo do dia. Faço assim como ele pede, dando um meio olhar para a lente da câmera. – Danny, diminui o vento, por favor.
— Certo! – Responde o estagiário, regulando a velocidade do ventilador que era direcionado para mim.
— Isso, Hills. – George parecia feliz com as poses que eu fazia. Apesar de essa ser apenas a terceira vez que trabalhávamos juntos, ele me dava bastante liberdade para que eu escolhesse as poses e os ângulos que eu achava ser melhor, o que era ótimo para mim, que sempre gostei de inovar em frente as câmeras. – Certo. Já estamos terminando. Última foto, agora.
— Tudo bem. Alguma pose que você quer que eu faça? – Pergunto e ele parece pensar por um momento.
— Danny, traz o cubo para Hillary apoiar o pé. – Pede George, encarando-me pela tela de sua câmera fotográfica. O estagiário faz como é orientado e não demora a aparecer com um cubo de madeira vermelho com as arestas arredondadas. – Certo, Hills. Apoia o pé no cubo e o cotovelo em seu joelho. Faça uma expressão pensativa e coloque o rosto sobre a mão de maneira suave. Isso. Só levanta um pouco mais o rosto. Isso. Isso. Perfeito!
George tira mais algumas fotos utilizando o cubo e quando finalmente parece satisfeito, suspiro aliviada. Eu adorava tirar fotos e andar pelas passarelas, mas era inegável o quanto ao fim de todo o processo eu me sentia exausta. Ficar horas de frente a vários flashes e as luzes intensas dos iluminadores, enquanto preciso estar sempre perfeita era algo que exigia muito das minhas condições físicas e mentais do que as pessoas de fora desse mundo caótico da moda poderia imaginar.
Enquanto George vai para o computador conferir as fotos, bebo um pouco de água e suspiro, alongando o pescoço. Procuro por Dakota em todos os lugares, mas não o vejo em lugar algum. Cansada demais para ir atrás do homem que é responsável por agenciar a minha carreira como modelo, apenas me sento na cadeira que era reservada para ele e relaxo meu corpo. Era a primeira vez em três horas que eu me sentava. Minhas pernas estavam doendo por ficar tanto tempo em cima de saltos desconfortáveis.
— Hills, vem dar uma olhada nas fotos. Você ficou incrível em todas elas. Aposto que Eleonor terá grandes problemas para selecionar as fotos para estarem no catálogo da Burberry. – Comenta George, sorrindo animado. Correspondo ao sorriso e me aproximo do homem. Apesar de estar exausta, eu sabia que era importante eu dar essa revisada nas fotos.
Mesmo que no final quem vai decidir quais fotos serão usadas é a equipe de marketing da marca, eu gostava de dar sugestões a equipe. Era a forma que eu encontrava de me convencer de que meu trabalho não era completamente controlado por outras pessoas.
George então passa a mostrar todas as fotos que ele havia tirado. Elas realmente haviam ficado incríveis. Pelo que eu podia ver, seriam mais de trezentas fotos para que a equipe selecionasse umas dez a quinze para compor o catálogo do mês de setembro da Burberry.
— Você arrasou como sempre, George! Ficou espetacular! – Digo e ele ri, balançando a cabeça a cabeça concordando.
— A minha modelo ajudou e muito. Você realmente nasceu para ser modelo, Hillary. Mesmo que não seja tão alta, você tem tanto talento em frente as câmeras, que acaba sendo algo natural. Eu juro que não consigo entender como você ainda não foi nomeada como modelo do ano pela British Fashion Council, mas a insuportável da Jasmine tenha ganhado por dois anos consecutivos. – George suspira inconformado.
Não era tão surpreendente assim que ele não estivesse satisfeito com o resultado de uma das maiores premiações de moda do mundo. O que Jasmine Taylor tem de linda, ela tem de insuportável. Dona de belíssimos olhos azuis e cabelos loiros sedosos, a modelo sueca é de longe uma das mulheres mais grossas e mau-caráter que eu já tive o desprazer de trabalhar.
É claro que no mundo da moda, nós estamos constantemente lutando para ter o nosso lugar nos holofotes, mas Jasmine não se contentava em ser considerada a melhor e mais bem paga modelo da atualidade. Ela fazia questão de prejudicar suas colegas e por isso vivia envolvida em escândalos. Aparentemente, ela não se importava muito como ficaria sua imagem para o mundo, contanto que ela sempre estivesse entre os assuntos mais comentados do momento.
— Isso definitivamente não foi justo. O seu talento é algo extraordinário. É um dom que vi em poucos até hoje. – O fotógrafo me encara com um sorriso confiante. — E olha que todo mundo sabe o quanto é difícil eu elogiar alguém.
E de fato era. A personalidade crítica e exigente de George Arany é conhecida por todos os profissionais do mundo da moda. Com um histórico invejável por trabalhar com as maiores e mais valiosas marcas de grife do mundo, George era respeitado e bastante temido pelos profissionais da área, já que ele era capaz de te transformar em uma estrela ou em um verdadeiro fracasso com apenas um comentário.
— Obrigada, George. – Agradeço, comovida pela sinceridade presente nos olhos do homem. – Que sabe esse não seja o meu ano de sorte?
— Sorte. – George bufa diante da palavra. – Você não precisa disso, querida. Você é uma estrela que apenas precisa de mais destaque. Sua agência está perdendo a grande chance de terem uma supermodelo como o rosto deles. Você é linda, inteligente, talentosa, simpática e adorável. Qualquer um se encanta por você. Então, tudo o que você precisava era de apenas um pouco mais de destaque para que você abrisse ainda mais as suas lindas asas e voassem. Sua agência é realmente ridícula. Eu no lugar deles já teria te transformado na maior estrela da história da moda.
Sorrio, divertindo-me com a revolta do fotógrafo. De certo modo, ele estava certo. É possível que minha carreira tivesse alavancado há muito tempo se minha agência não tivesse recusado tantas propostas. O grande motivo por trás de tantas oportunidades “jogadas foras” é a vida dupla que levo como agente da unidade de comando especial da CIA, S.H.I.E.L.D.
Apesar de precisarem que eu seja famosa para ter acesso a algumas informações no mundo dos ricos e influentes, minha fama precisava continuar controlada ao ponto de eu conseguir participar de missões sem ser reconhecida ou não ser parada a cada minuto por algum fã, enquanto estivesse trabalhando em algum evento.
— Obrigada pela preocupação, George. Eu vou tentar conversar com a minha agência. Talvez eles façam algumas mudanças em minha carreira. – Respondo, mesmo sabendo que isso nunca aconteceria. E sendo sincera, eu não queria. Apesar de gostar de ser modelo, ser uma agente da CIA é a minha vida. Eu amo ajudar pessoas e fazer a diferença de verdade no mundo, ainda que poucas pessoas saibam disso.
— Se precisar de ajuda, é só me procurar. Posso te colocar em uma agência que saiba valorizar a estrela que você é. – Afirma George e eu assinto, concordando.
— Não se preocupe, sr. Arany. Nós estamos cuidando muito bem de Hills. – Garante Dakota, finalmente aparecendo com seu típico sorriso educado. Ele segurava um copo de café em uma mão e o meu celular na outra.
— Mas não parece. – Resmunga George, dando um olhar mal-humorado para o meu amigo e agente.
— De qualquer forma, Hills, telefone para você. – Avisa Dakota, estendendo meu celular. Observo o homem negro de cabelo cacheado baixinho, barba desenhada e olhos pretos encantadores. Dakota é de longe um dos homens mais bonitos que eu já conheci.
— Para mim? – Questiono surpresa e meu amigo assente em concordância. Raramente as pessoas me ligavam e quando o faziam, eram poucas as vezes em que Dakota me passava o celular. — Quem é?
— Príncipe Fredward Benson. – O sorriso presunçoso e irritante de Dakota me faz revirar os olhos.
Pego o celular e me afasto antes que ele começasse com as piadinhas sobre a minha paixão pelo meu melhor amigo. Eu sabia que era ridículo continuar gostando de Freddie há tantos anos mesmo ele deixando evidente que não me via assim, mas não era como se eu tivesse controle de meus sentimentos.
— Sabe, eu acho que hoje deve cair uma chuva de canivetes. Eu sabia que o dia não seria comum quando eu achei vinte dólares no bolso da minha calça, receber uma ligação de Freddie Benson só confirma as minhas suspeitas de que o apocalipse começou. – Brinco, atendendo a ligação, assim que estou distante o bastante para conversar com mais privacidade com meu melhor amigo.
— Não seja dramática. Nós conversamos quase todos os dias por mensagem. – Responde o outro, dando uma leve risada.
— Você falou certo. Nós conversamos por mensagem, raramente por ligações. E quando isso acontece, é porque eu te liguei, já que você parece se esquecer de que eu existo.
— Quem escuta uma coisa dessa até pensa que sou eu quem viaja o mundo todo sendo modelo e que nunca tem tempo para nada por causa da vida dupla. – Ironiza Freddie e eu acabo rindo, sabendo que era verdade. De nós dois, eu era sempre a mais ocupada. Felizmente, Freddie sabia sobre a minha vida como modelo internacional e agente a CIA, então compreendia a minha ausência. – Enfim, você está podendo falar no momento? Eu estou te atrapalhando?
— Você nunca me atrapalha, Freddie, e você sabe disso. – Respondo, abrindo a porta do meu camarim. Assim que entro, jogo meus sapatos de alto para longe e me jogo no sofá que havia no lugar para erguer um pouco as minhas pernas e descansar. – E pode falar. Eu já terminei a minha sessão de fotos do dia. Aconteceu alguma coisa? Sam está bem?
— Ela está bem. Não aconteceu nada. Não se preocupe. – Afirma o rapaz, dando uma discreta risada. – Eu te liguei, porque preciso de um favor seu.
— Uau. Isso é ainda mais surpreendente. Você me pedindo ajuda? – Questiono, surpresa com a novidade. – Do que você precisa?
— Você me disse alguns meses atrás que conheceu uma joalheria incrível no centro da cidade, que tem peças lindas e preço justo. Você se lembra do nome do lugar? – Pergunta Freddie e posso sentir um nervosismo incomum em seu tom de voz.
— Claro. Mas por que me ligou apenas para saber o nome da joalheria que eu comentei com você? Eu poderia ter te respondido por mensagem. – Comento, relembrando o quanto Freddie detesta conversar por telefone.
— Na verdade, eu quero fazer uma surpresa para Sam e se eu te mandasse mensagem, ela ia acabar descobrindo, já que ela sempre mexe em meu celular. Então é melhor eu não arriscar. — Explica meu melhor amigo, evidenciando ainda mais o seu nervosismo.
— Surpresa? O que você planeja comprar na joalheria que seja... – Paro de falar no momento em que compreendo o que estava acontecendo. Sento-me no sofá no mesmo instante e arfo com os olhos arregalado. – Freddie! Você vai pedir a mão da Sam em casamento?
O silêncio assume a linha por alguns segundos que pareceram horas. Ouço um suspiro escapar dos lábios de Freddie, confirmando as minhas suspeitas. Engulo em seco e respiro fundo para controlar minhas emoções. Eu sabia que esse dia chegaria, mas isso não tornou a situação mais fácil para o meu tolo coração.
— Hills, eu... desculpa. Eu não deveria ter te ligado para pedir ajuda. Esqueça o que eu disse, por favor. Eu vou ligar para Steve. Ele deve ter alguma sugestão para me dar, já que ele comprou recentemente as alianças dele e de Peggy.
A culpa presente no tom de voz de Freddie faz eu me sentir ainda mais patética. Eu sou uma das melhores amigas dele e esse é o momento mais importante da vida dele. Ele planeja se casar com a mulher que ele ama e iniciar uma vida ao lado dela. Por que eu não poderia ficar feliz por ele? Por que meu coração continuava a se sentir completamente destruído, ainda que ele sempre tenha deixado claro que ele nunca me amaria da forma como eu o amo.
— Sinto muito te atrapalhar. Eu vou desligar. Tenha um...
— Espera, Freddie. Desculpa. Eu só... fiquei um pouco surpresa. Está tudo bem. – Afirmo, tentando consertar a idiotice que eu estava fazendo. Respiro fundo e fecho os olhos por alguns instantes, tentando me acalmar. Suspiro e decido que naquele momento, eu tinha que ser Hillary, a amiga, e não a pessoa que torna a vida dele mais difícil. – Você está livre na hora do almoço? Por volta de meio dia, uma hora da tarde?
— Hã... sim. Estou. Por quê? – Questiona o rapaz com cautela.
— Nós iremos na joalheria que eu te falei. Eu vou te ajudar a escolher a aliança que você vai dar para a Sam. – Respondo e ele arfa surpreso.
— O quê? Você não precisa se obrigar a fazer isso, Hills. Eu posso...
— E quem disse que eu estou me obrigando a fazer isso? – Bufo e ele suspira, parecendo não acreditar em minhas palavras. – Olha, eu sei que essa situação é desconfortável, porque eu sempre fui muito sincera com você quanto aos meus sentimentos na esperança de que um dia você corresponderia ao que sinto por você, mas desde que eu vi a forma como você olhava para a Sam no hospital psiquiátrico de meu pai, eu soube que eu jamais poderia competir com isso e desisti de você, porque eu sentia que esse dia chegaria. E olha só! Você vai finalmente se casar com o amor da sua vida. Eu estou feliz por você. Samy é uma mulher maravilhosa e te ama com a mesma intensidade que você a ama. Então pare de pensar demais e aceite a minha ajuda.
— Hills, eu... eu nem sei o que dizer. – Responde Freddie, parecendo estar em estado de choque.
— Você deve me dizer que vai se encontrar comigo no restaurante do Clint para a gente almoçar e que depois vai ter o prazer de ter a minha companhia para escolher a joia que vai mudar por completo a sua vida. – Respondo e ele solta uma risada anasalada do outro lado da linha.
— Obrigado, Hills. Nós nos encontramos no Sense’s meio-dia? — Questiona Freddie e eu suspiro aliviada.
— É claro. Nós nos vemos lá. – Afirmo, sorrindo. – Até mais tarde.
— Até mais. – Ele se despede, encerrando a ligação.
Permaneço com o celular no ouvido por alguns instantes, antes de perceber que eu não estava sozinha. Ao me virar para o lado, encontro o olhar preocupado de Dakota, que estava encostado no batente da porta do camarim com um sorriso compreensivo em seus lábios.
— Há quanto tempo você está escutando? – Pergunto, desanimada.
— Há tempo suficiente para saber que você está cometendo um erro. – Resmunga o rapaz, aproximando-se. Ele se senta ao meu lado e me abraça com carinho. – Não faça isso com o seu coração. Você não merece se expor dessa maneira, Hills.
— Ele precisa de ajuda. – Respondo, afastando-me de Dakota. Vou até a penteadeira do camarim e encaro o meu relógio. Ainda faltava uma hora e meia antes do horário marcado, mas por estar longe de casa, não era uma boa ideia ir para casa me arrumar. Assim, decido tirar minha maquiagem exagerada para a sessão de fotos e me arrumar pelo local mesmo antes de seguir direto para o restaurante de Clint.
— Tudo o que ele queria era saber o nome da joalheria. Você não precisava se oferecer para ir com ele até lá e ajudar a escolher o anel de noivado dele com Sam. – Retruca Dakota, encarando-me com uma das sobrancelhas erguidas. – Fazer isso não vai fazer com que seus sentimentos por Freddie diminuam, Hillary.
— Pois eu penso exatamente o contrário. – Afirmo, passando a tirar a minha maquiagem. – Está na hora de desistir de antigos amores e nada melhor do que um choque de realidade em meu coração para entender de uma vez por todas que preciso esquecer Freddie.
— Se machucar não vai te ajudar a superar seu amor por ele, Hills. – Dakota suspira e se levanta. Ele se aproxima de mim, colocando as duas mãos em meus ombros. O rapaz se abaixa e me encara pelo reflexo do espelho. – A única forma de se seguir em frente é substituindo o amor por um novo.
— Nós sabemos que isso não é para mim. – Resmungo, frustrada. – Eu já tentei isso antes e não deu certo.
— Não deu certo, porque você não tentou de verdade e você sabe muito bem disso. Você tem medo de deixar as pessoas entrarem em seu coração, Hills. Sempre que algum cara legal tenta se aproximar, você sempre dá um jeito de um afastar. – Dakota vem para frente e me encara com seriedade. – Eu concordo que está na hora de desistir de Freddie e seguir em frente, mas você precisa fazer isso da maneira correta e não se envolvendo no casamento dele. Você pode acabar se machucando ainda mais com essa história. Então apenas ligue para ele, diga o nome do lugar, deseje sorte para ele e desligue a ligação. Eu tenho certeza de que Freddie vai entender perfeitamente a situação.
— Eu sei que vai, mas ainda vou com ele a joalheria. Você disse que depois da sessão de fotos, eu teria o restante do dia de folga, então pode voltar para a CIA para investigar a última pista que recebemos com o Wilson, que eu assumo daqui. – Respondo e ele bufa, frustrado com a minha teimosia.
Assim como eu, Dakota faz parte da unidade de comando especial da CIA. Nós somos responsáveis por deter uma das maiores organizações criminosas do mundo, que entrou em colapso depois da morte de seu líder, Taskmaster. Desde então, os membros da HYDRA têm lutado entre si para escolher o novo líder e as coisas ficaram complicadas. Todos temem que essa guerra interna acabe atingindo pessoas inocentes.
— Hillary... – Sussurra Dakota com preocupação.
— Vai! Natasha não vai ficar feliz se você se atrasar. – Respondo, voltando a me concentrar em retirar a minha maquiagem.
— Tudo em. Eu vou. Mas lembre-se do que eu disse. Você pode fugir o quanto quiser, mas você sabe que eu estou dizendo a verdade. – Afirma Dakota. Encarando-me com seriedade.
— Tchau, Dakota. – Despeço-me, deixando claro que eu não queria mais falar sobre o assunto.
— Tchau, Hillary. – Dakota bufa e sai do camarim a passos bruscos.
Assim que me encontro sozinha de novo, suspiro aliviada e deixo os produtos de limpeza do rosto de lado e encaro a tela de descanso do celular. É uma foto minha com Freddie e Sam no meu último aniversário, que passamos no manicômio que um dia já pertenceu ao meu pai.
Sorrio e acaricio o rosto de Freddie. Eu me odiava. De todas as milhares de pessoas no mundo, por que eu tinha que me apaixonar justamente por aquele que nunca, em hipótese alguma, será capaz de se apaixonar por mim? Chegava a ser irônica essa situação.
Observo a foto por um longe período. Suspiro e decido que não poderia continuar a sofrer de forma tão patética por Freddie. Assim, aproveitando-me da coragem que ainda restava em mim, excluo a foto e coloco meu celular de lado. Encaro o espelho e somente nesse momento é que eu noto as lágrimas que desciam pelo meu rosto. Eu sou realmente patética.
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