Sem Tempo para o Amor

3 Acidentes e Reencontros


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Desculpa não ter aparecido semana passada. É que eu viajei e fiquei ocupada com um TCC também. Para compensar, irei postar dois capítulos. Esse e o próximo sai mais tarde. Se eu não conseguir, amanhã à noite sem falta eu posto. Eu prometo. Eu quero agradecer a AndreaNeves pelo comentário no capítulo passado. Vocês é maravilhosa! Obrigada pelo apoio. Boa leitura...

SEM TEMPO PARA O AMOR

CAPÍTULO II – ACIDENTES E REENCONTROS

— Não foi Stephen Hawking nem Roger Penrose que descobriram os buracos negros. A primeira pessoa a falar desses corpos foi o geólogo John Michell numa carta dirigida ao químico Henry Cavendish em 1783 para a Royal Society, mas os conhecimentos que tínhamos sobre eles eram ainda muito mais limitados do que hoje. Nós sabíamos que os buracos negros eram regiões que resultavam de deformações no tecido espaço-tempo e que eram ocupados por corpos tão densos que nada, nem mesmo partículas que se movam à velocidade da luz, conseguem escapar. E também sabíamos que esses buracos negros nascem quando o núcleo de uma estrela extremamente maciça, que funciona como um gigantesco reator nuclear, fica sem combustível e colapsa até se transformar numa espécie de aspirador que consome tudo o que encontra pelo caminho. O que Stephen Hawking veio dizer é que os buracos negros são um dos tipos de singularidades que ele tinha vindo a estudar com Roger Penrose, que as leis da Teoria da Relatividade Geral não se aplicam nessas regiões. Hawking trouxe ainda um fato extremamente importante. Que uma dessas singularidades é, na verdade, o berço do universo.

Encaro os alunos com atenção. Alguns faziam anotações em seus cadernos, outros mexiam em seus celulares, alguns cochichavam com os colegas e outros me encaravam com curiosidade. As teorias de Stephen Hawking era um dos temas que eu mais gostava de trabalhar com meus alunos. Havia uma magia em explorar o universo que sempre me deixava animado em compartilhar essas informações com possíveis aspirantes a engenheiros espaciais, físico ou matemáticos que pudessem se interessar pelo assunto.

— Havia duas teorias dominantes que procuravam explicar qual era a origem do universo. A primeira teoria era a do Big Bang, que dizia que o universo tinha tido origem na explosão de um ponto extremamente quente e denso que levou à expansão e consequente arrefecimento do universo ao longo do tempo. – Ando pela sala, atraindo a atenção dos alunos que mais incomodavam durante a explicação. – A segunda teoria é a do Estado Estacionário, que descreve um universo que dilata, mas onde as características são imutáveis. Stephen Hawking teve um papel crucial na demonstração da Teoria do Big Bang e foi algo que conseguiu logo no início da carreira. A partir daí, a carreira de Stephen Hawking orbitou sempre em redor dos buracos negros. Mas seria apenas em setembro de 1973, três anos depois de a teoria do Big Bang ter ganho pilares mais sólidos, que o físico daria outro passo em frente. Stephen Hawking estava prestes a provar que os buracos negros não são tão negros assim, que não é verdade que nada lhes escapa e que alguma radiação consegue fugir àquele imenso campo gravítico. Até aos anos 70, os cientistas julgavam que um buraco negro era eterno, que engolia todas as coisas e que nada lhe escapava. De certa forma, é verdade, mas só do ponto de vista da mecânica clássica, a que sustenta a Relatividade Geral. Na física quântica, a realidade é outra...

Antes que eu continuasse a explicação, o sinal do fim a aula toca, anunciando o término das aulas. Os alunos passam a fechar suas coisas e a arrumar seus materiais, enquanto falavam dos planos do fim de semana. Suspiro e também volto para a minha mesa para arrumar as minhas coisas e apagar o quadro onde estavam as correções dos cálculos do dia.

— Não se esqueçam que vocês precisam me entregar o relatório sobre a teoria da Relatividade Geral na segunda-feira. Aproveitem para estudar um pouco sobre as três principais teorias de Stephen Hawking que irão cair na prova de sexta-feira. – Aviso, antes que todos os alunos deixassem a sala.

— Poxa, professor, poderia aumentar o prazo. Segunda-feira está muito em cima. – Reclama Brandon, fazendo os outros alunos concordarem.

— Nada disso. Eu já dei o prazo de um mês para vocês fazerem e já tirei a opção de apresentar. Não vou dar mais colher de chá para vocês. A prova é na sexta-feira. Na próxima aula nós vamos terminar de ver o conteúdo da prova, quarta-feira nós teremos a revisão. Então preciso que todos estejam por dentro do conteúdo. – Respondo e todos voltam a reclamar.

— Mas é muita coisa, professor. – Resmunga Pamela, encarando-me como se eu tivesse passado uma missão impossível. – Não vai dar tempo de terminar.

— Deveriam ter começado a fazer antes. Vocês sempre deixam tudo para cima da hora e acabam enrolados. Agora lidem com as consequências de suas ações. – Digo, acenando em despedida para alguns alunos que deixavam a sala.

— Esse povo é mesmo irresponsável, não é, professor? – Comenta Lana, aproximando-se com um sorriso irônico no rosto ao encarar os colegas de turma. – O meu trabalho estava pronto na semana seguinte que você passou a explicação.

— Meus parabéns, Lana. – Elogio, monotonamente.

Lana é uma das minhas melhores alunas. É dedicada, inteligente e bastante organizada. Parece ter um grande fascínio pela minha matéria. Em outros casos, eu ficaria feliz por ter uma aluna tão brilhante em minha aula. O grande problema é que Lana é extremamente “puxa-saco”.

Sempre em busca de elogios, ela não mede esforços para ser notada pelos outros alunos e professores. E eu nunca fui o tipo de pessoa muito paciente, então é sempre um grande desafio conversar com Lana sem revirar os olhos diante de tanto sentimento de superioridade.

— Você quer ajuda, professor Shawn? – Questiona Lana, encarando-me com expectativa.

— Não é necessário. Eu vou apenas apagar o quadro. Pode ir embora para aproveitar o seu fim de semana. – Forço um sorriso, apontando para a saída, enquanto procurava pelo apagador.

— Ah, mas eu insisto. Imagino que você esteja cansado depois de dar uma aula tão fascinante e enriquecedora como a de hoje. – Continua a falar a garota de cabelos longos castanhos lisos, olhos grandes pretos, sardas nas bochechas e lábios marcados pelo gloss labial vermelho.

Antes que eu negasse a ajuda de Lana mais uma vez, meu celular começa a tocar. Ela aproveita a chance para pegar o apagador da minha mão e limpar o quadro da sala. Pego o aparelho que estava guardado no bolso de minha mochila e suspiro ao reconhecer o nome de meu melhor amigo, Clint Barton, brilhando na tela.

— Não, Clint. – Atendo o celular já negando qualquer pedido que ele planejava me fazer.

Eu nem mesmo disse nada, seu chato. Bom dia para você também. Eu estou ótimo, Shawn, e como você está? — A ironia típica na voz de Clint me faz revirar os olhos.

— O que você quer, Clint? Eu não vou fazer nada para você. – Insisto, impaciente com o homem. Já fazia dias que eu não dormia e eu estava com a cabeça latejando de dor.

Quanto mal humor! Há quantos dias você não dorme? Hoje é sexta-feira, Shawn. Deveria deixar de agir como um velho rabugento. É exatamente por isso que você não arranja uma namorada. Esse humor terrível faz com que as pessoas corram para longe de você assustadas. – Provoca Clint, usando praticamente o mesmo discurso de minha mãe. Reviro os olhos. – E não adianta revirar os olhos. Você sabe que eu estou dizendo a verdade e que eu realmente me preocupo com o seu bem-estar.

­— Fala logo, Clint. Eu não tenho o dia todo. Eu ainda preciso ir almoçar para ir para o laboratório iniciar as minhas pesquisas. – Afirmo, arrumando meus materiais. Lana me entrega o apagador e sorri quase como um animal esperando o elogio do dono. – Obrigado, Lana. Excelente trabalho.

— Obrigada, professor. – Agradece, sorrindo com animação. – Bom fim de semana, professor Shawn. Até segunda-feira.

— Até segunda, Lana. – Despeço-me, ajeitando minha mochila nas costas.

Quanta educação e doçura. Tem certeza de que eu estou falando com a pessoa certa? Geralmente, o Shawn que eu conheço parece um ogro ou um daqueles vilões de filmes infantis. – Comenta Clint do outro lado da linha e eu suspiro irritado.

— Se você me ligou apenas para dizer idiotices, eu vou desligar. – Ameaço mal-humorado e Clint ri, divertindo-se com a minha falta de paciência.

Me encontre no Sense’s daqui trinta minutos. — Responde Clint, enquanto eu deixava a sala de aula vazia.

— Para quê? – Questiono, seguindo para as salas dos professores na imensa universidade.

Para almoçar, obviamente. — A resposta soava inocente demais. Eu o conheço desde que era apenas um pirralho na universidade. Tempo o bastante para saber que Clint nunca faria algo tão normal quanto convidar um amigo para almoçar. Rio com ironia e balanço em negação. – Está desconfiando de mim, Shawn O’Hara Kennedy? Essa não foi a educação que a Susan te deu.

— Cala a boca. Eu te conheço e não é de ontem, Clint. Por que está me chamando para almoçar? Aposto que não é algo tão grave assim, porque senão, você já estaria aqui. No entanto, é importante o bastante para você querer se encontrar comigo para conversarmos pessoalmente. – Afirmo, acenando para alguns alunos que passavam por mim e me cumprimentavam educadamente.

Eu adoro a sua genialidade. – Comenta o meu melhor amigo, animado. – Mas dessa vez é só um almoço mesmo. Natasha está ocupada com a CIA, todos os meus sobrinhos não podem almoçar comigo, Andy saiu com a Kayla, Mon-El está trabalhando, assim como os companheiros de meus sobrinhos. Giuseppe, Robert, Adam e Hopper também estão ocupados. Então, pensei em você.

— Basicamente, eu fui sua última opção. – Resmungo, sem acreditar na cara de pau de Clint.

Negativo. Você provavelmente foi a minha trigésima opção. Ainda havia muitos com quem eu poderia almoçar, mas eu escolhi você. – Responde Clint e eu bufo, porque ele com certeza estava sendo sincero.

— Não sei nem porquê eu continuo sendo seu amigo. – Comento, finalmente entrando na sala de professores. Ando pelos armários até encontrar o meu, onde eu guardo as minhas coisas.

Porque eu sou incrível, você me admira e eu irei pagar o seu almoço. – A resposta convencida de meu melhor amigo me faz suspirar cansado. – Anda. Estou te esperando no Sense’s. Sei que você não tem que dar mais aulas hoje.

— Pagar o meu almoço é mais do que a sua obrigação. O bilionário aqui é você, não eu. Mas eu tenho que trabalhar na minha pesquisa, Clint. Eu já me atrasei demais por causa de você e suas loucuras. Então pode esquecer. Eu não vou. – Digo com determinação.

Não seja ridículo. É claro que você vem.

— Ah, eu com certeza não vou. – Garanto, mas a risada que veio de Clint em seguida mostra que ele não acredita em minhas palavras. – Estou falando sério, Clint. Assim como as outras vinte e nove opções, eu estou ocupado. Tenho trabalhos dos meus mais de trezentos alunos para corrigir e ainda preciso continuar a minha pesquisa.

Você virá, porque não vai aguentar não saber o que eu quero te propor. – Revela o bilionário e eu dou uma risada anasalada.

— Eu sabia que tinha algo por detrás desse convite repentino. Ainda assim, eu não irei. Estou ocupado. – Afirmo, deixando meu orgulho falar mais alto.

Mesmo? Isso é o que nós vamos ver. – Clint responde e eu posso sentir um frio correr pela minha espinha.

— Pode apostar. Eu não irei.

Infelizmente, Clint estava certo. A minha curiosidade me impediu de deixar o orgulho falar mais alto e quando eu vi, estava deixando a universidade e indo para o restaurante que fica há somente dez minutos da Universidade de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas Avançadas de Hawkins, local onde eu dou aulas para centenas de estudantes do curso de Engenharia Aeroespacial e realizo minhas pesquisas sobre o espaço.

Cumprimento os poucos alunos que ainda estavam pelo campus e que me reconheciam e sigo para a avenida principal da cidade. Por ser verão, o dia estava claro e quente. Por ser perto do meu trabalho, eu preferi ir andando para o restaurante. Economizaria dinheiro, paciência e ainda era uma excelente oportunidade de praticar um exercício físico depois de passar duas semanas sem aparecer na academia.

Enquanto andava, eu observava as bonitas paisagens da cidade, ouço meu celular começa a tocar mais uma vez. Pronto para xingar Clint por estar me apressando, surpreendo-me ao ver o nome de minha mãe na tela. Respiro fundo para me acalmar e não demonstrar o meu estado caótico em minha voz assim que eu a atendesse.

— Oi mãe. – Atendo, tentando soar o mais animado e educado possível.

Shawn, quantas vezes eu já falei para você que não é para ficar vários dias sem dormir. Eu sei que o seu trabalho é importante, filho, mas será que é pedir demais para que você se alimente direito e que tenha uma vida mais saudável? — E é claro que eu não seria capaz de enganar os sentidos aflorados de minha mãe. Eu não sei como ela consegue, mas com apenas um “oi” meu, a mulher parece saber exatamente o que se passava comigo.

— Eu estou bem, mãe. – Respondo, sabendo que não adiantaria criar desculpas para justificar a falta de sono de qualidade.

Não, Shawn. Não está. Filho, você já tem quase trinta anos. Trabalhar e estudar é importante, mas ter uma vida social também é essencial para se ter uma boa vida. Você só fica do trabalho para casa e de casa para o trabalho. As poucas vezes que você muda a rotina é por causa de Clint que te arrasta com ele. Isso não pode continuar, Shawn. Eu já estou velha e tenho medo de morrer sem nunca conhecer os meus netos. – Dramatiza minha mãe e eu suspiro.

— Mãe, a senhora só tem cinquenta e um anos. Não está velha e eu tenho certeza de que ainda vai demorar muitos anos para que a senhora morra, ainda mais com a sua genética familiar. – Respondo e ela bufa, indignada.

Nunca se sabe o dia de amanhã, Shawn. Eu posso morrer a qualquer momento.

— Mãe, seus bisavôs ainda estão vivos. Menos, por favor. – Resmungo, suspirando cansado mais uma vez.

É. Mas todos eles na minha idade já tinham netos e até bisnetos! Você é meu único filho, Shawn. É minha única esperança de ser avó. Então ao invés de viver enclausurado em seu trabalho, tente sair um pouco e ver se encontra alguma boa mulher que possa te fazer feliz. – Insiste minha mãe e eu reviro os olhos, incomodado. – Nada de revirar os olhos, mocinho. Eu estou falando muito sério.

Eu já estava cansado de ter essa conversa com a minha mãe. Há três anos ela vem me cobrando uma namorada ou um filho. O sonho de minha mãe é ser avó e assim que descobriu que a filha de sua irmã mais nova teria gêmeos, as suas cobranças por netos se intensificaram ainda mais.

— Mãe, eu não tenho tempo para o amor. Eu estou na minha melhor fase acadêmica. Onde eu teria tempo para cuidar de uma criança? – Questiono, virando a rua assim que o sinal para pedestres se abre.

Se esse é o problema, eu posso cuidar de todos os bebês que você tiver, Shawn. — Responde minha mãe com determinação.

— Não são apenas os cuidados, mãe. Eu nem mesmo tenho uma namorada, como eu poderia ter filhos? – Indago, voltando a andar pela calçada.

É por isso que você precisa ter uma vida social, Shawn. Jovens da sua idade são melhores para procriar...

Mãe!

O que eu estou tentando dizer é que você é bonito, inteligente e ganha bem. Você é o sonho de toda a mulher, filho. Eu tenho certeza de que se você abrir o seu coração, encontrará aquela que ficará para sempre ao seu lado. – Surpreendo-me com as palavras da minha mãe. – Às vezes, as pessoas que nasceram para nós, estão ao nosso lado e nós nem mesmo percebemos. Então, que tal deixar os laboratórios de lado e prestar mais atenção às pessoas ao seu redor?

— Mãe. – Suspiro e paro de frente a faixa de pedestre que fica praticamente de frente ao restaurante de Clint. Encaro o semáforo e ele está fechado. Sozinho, aguardo calmamente que ele se abrisse para os pedestres passarem. – Será que a senhora não poderia ficar feliz pelos avanços na minha pesquisa ao invés de ficar me cobrando filhos? Se tudo der certo, eu posso ir para o espaço, mãe! É uma oportunidade única.

Eu sei, querido. E estou feliz por você está tão perto de realizar o seu sonho, mas eu me preocupo que você acabe ficando sozinho. Eu tenho medo que você não esteja aproveitando a sua vida. Até mesmo eu encontrei alguém para viver ao meu lado e me fazer feliz. Eu quero que você sinta o quão incrível o amor pode ser.

Eu estava feliz por minha mãe finalmente ter começado a namorar. Desde que meu pai a abandonou grávida de mim, ela nunca mais se envolveu com ninguém. Pelo menos não até quatro meses atrás, quando ela conheceu Billy. Desde então, ela tem sorrido mais e até parecia exibir um brilho único genuíno de felicidade em seus olhos.

— Eu sei que a senhora só quer o meu bem, mãe, e eu realmente agradeço por isso, mas esse ainda não é o momento. Tente entender, por favor.

O sinal de trânsito abre para pedestre. Começo a andar e vejo ao longe um rosto familiar no outro lado da calçada. Ela falava no telefone com alguém, enquanto se aproximava do Sense’s. Ao virar o rosto, reconheço Hillary Leblanc com seu típico sorriso animado.

Ela também passa o tempo me encarando, tentando reconhecer quem eu era. Não demoro muito também e ela logo acenou em cumprimento. De repente, sua expressão muda e ela me encara com seriedade, fazendo sinal para que eu me afastasse.

Eu não fazia ideia do que ela estava tentando me dizer, por isso, permaneço parado na faixa de pedestre com o celular no ouvido. De repente, o som de buzina alto me paralisa. Arfo ao ver que um caminhão vinha desgovernado em minha direção. E de alguma forma eu sabia que aquele provavelmente seria o meu fim.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara Mistérios de Dezembro: https://www.spiritfanfiction.com/historia/misterios-de-dezembro-21147049