Sem Tempo para o Amor
26 Conversas Masculinas
Notas iniciais
SEM TEMPO PARA O AMOR
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CAPÍTULO XXIV – CONVERSAS MASCULINAS
A festa de casamento estava mais animada do que nunca. Os inúmeros convidados já estavam completamente influenciados pelo álcool e o som agitado que tocava na pista de dança fazia com que todos dançassem e se divertissem como nunca.
Enquanto observava minha esposa dançar lindamente com as outras madrinhas, sorrindo e gritando completamente livre, eu era um dos poucos que continuava sentado e afastado da multidão. Eu aproveitava para saborear uma bebida que eu não fazia ideia do que era e me questionava o quando eu finalmente poderia ir embora e dormir.
Não que o casamento estivesse chato. Longe disso, na verdade. Mesmo não sabendo tanto da história dos dois, foi realmente emocionante as declarações dos dois e a festa estava muito bonita. As bebidas e as comidas eram saborosas e o ambiente era muito caloroso e receptivo, apesar da quantidade absurda de pessoas.
O problemas era comigo mesmo. Sendo o típico antissocial, que é incapaz de estar em um lugar com muita gente sem se sentir desconfortável, eu me sentia como um peixe fora d’água. Geralmente, nesses lugares onde Clint está presente, eu teria a sua personalidade excêntrica para me irritar e fazer eu me soltar no meio de tantas pessoas extrovertidas.
Infelizmente, meu melhor amigo estava ocupado demais brincando com Emma, Hope e Kyle, os três bebês que ele adotou como netos. Ele e a esposa se autoproclamaram babás das crianças e desapareceram no gigantesco salão desde os agradecimentos dos noivos e a dança de casal para abrir a pista de dança.
Eu não queria incomodar Hillary também. Ela estava se divertindo tanto com as amigas que parecia realmente injusto dizer a ela que eu gostaria de ir embora, porque estava me sentindo deslocado e, de certa forma, sufocado com a animação daquelas pessoas.
Assim, termino de tomar a minha bebida e pondero se deveria ir atrás de algo para comer ou se deveria pegar mais um dos deliciosos drinques que os garçons estavam distribuindo pela festa. No entanto, antes que eu tomasse uma decisão, noto a presença de um homem alto e elegante se aproximar de minha mesa com dois copos em mão.
— Você parece entediado. – Comenta o rapaz, sentando-se ao meu lado, como se me conhecesse há anos. Ele me estende um dos copos e sorri. – À propósito, a mal-educada da sua esposa não nos apresentou, mas eu me chamo Dakota Pierce. Como deve saber, eu sou amigo de longa data, agente e um dos parceiros da S.H.I.E.L.D. de Hills.
— Shawn Kennedy. Marido dela. – Apresento-me, surpreso por finalmente conhecer o tão citado Dakota. Aceito a bebida que ele oferecia e bebo um gole. – Obrigado.
— Sabe, Shawn, você foi responsável por me proporcionar muitos surtos nos últimos meses. – Comenta Dakota, observando Hillary com um sorriso nostálgico nos lábios. Encaro-o, tentando entender aonde ele queria chegar. – Você sabe. Acidente com várias testemunhas presenciando Hillary se jogando na frente de um caminhão para te salvar, fotos dela saindo do seu quarto, depois de passar a noite lá, casamento em Las Vegas, declarações de amor adoráveis e votos de casamento emocionantes... enfim, o que eu quero dizer é que eu me torneio um pouco obcecado por Shills e não tenho orgulho de admitir isso.
— Obcecado por Shills? – Repito e demoro alguns segundos para me lembrar que Hillary havia contado antes que ele havia nos nomeado como Shills. – Ah, bem... obrigado, eu acho.
— Eu confesso que no início fiquei bem irritado com você. Cuidar da carreira de Hills e garantir que ela não chame muita atenção é a minha principal função há oito anos. Então, quando você apareceu, eu pensei que você fosse destruir todo o trabalho que tive para construir a imagem perfeita para Hills conseguir conciliar a vida dela como modelo e agente do comando especial da CIA, sem que ela ou as pessoas que ela ama ficassem em perigo. – Conta Dakota, encarando-me com um sorriso divertido nos lábios. – E você destruiu.
— Eu... sinto muito. – Lamento, sentindo-me culpado por saber que havia causado problemas na carreira de Hillary.
— Ah, não se sinta mal. Ninguém está realmente chateado. Até mesmo o agente Fury, o poderoso chefão da CIA e responsável por criar a S.H.I.E.L.D., pareceu aceitar bem a situação quando a Hills disse que não iria se divorciar de você. – Responde Dakota, sorrindo. Ele bebe um pouco de sua bebida e suspira. – No fim, vocês são como aquelas crianças que achamos tão adoráveis que somos incapazes de ficar bravos por muito tempo. Eu estou muito feliz pelo relacionamento de vocês.
— Obrigado. – Agradeço, sentindo-me envergonhado. Suspiro e bebo o delicioso drinque de limão. – E peço desculpas pelos problemas causado. Nunca foi a minha intenção. Simplesmente aconteceu sem que eu tivesse qualquer controle e quando eu vi, nós estávamos em todas as revistas e jornais do país. Uma verdadeira loucura que eu era incapaz de conter.
— Você é o melhor amigo de Clint. Achei que já estivesse acostumado com a loucura. – Brinca Dakota, encarando-me com um olhar divertido.
— Isso é verdade. – Respondo, terminando de beber meu drinque.
Coloco o copo sobre a mesa e passo a observar Hillary, que parece notar meu olhar e corresponde, acenando. No entanto, assim que reconhece o rapaz que estava ao meu lado, quase posso ver seus olhos perguntando se estava tudo bem. Assinto e abro um leve sorriso, afirmando que eu não estava incomodado com a presença de Dakota.
Minha esposa sorri e assente, voltando a dançar com as amigas. Ao voltar minha atenção para Dakota, noto o sorriso animado e os olhos intimidadores do rapaz, que parecia como aquelas adolescentes histéricas, prestes a surtar por alguma coisa.
— Você está bem? – Pergunto com cautela.
— Sim. Desculpe. É que é vocês são tão fofos. – Responde o homem, recompondo-se. – Eu me sinto como um pai, vendo minha garotinha crescer. Hillary está tão feliz e radiante. E você parece estar tão apaixonado por ela. Seus olhos brilham tanto quando encara Hillary, que é impossível não se encantar.
— Ah, eu... eu realmente a amo. – Confesso, envergonhado. O sorriso animado no rosto de Dakota faz com que eu me sinta ainda mais sem jeito. Mas ao mesmo tempo, eu não conseguia controlar a vontade de sorrir ao pensar nesse sentimento novo que tem se tornado cada vez mais importante em minha vida.
— Eu sei que sim. E é por isso que eu torço tanto por vocês e não vejo a hora da chegada dos filhos de vocês, que eu mimarei vocês querendo ou não. – Afirma o rapaz e eu acabo me engasgando ao ouvir as ideias de Dakota.
— Filhos? – Repito, tossindo freneticamente, enquanto o rapaz ria e dava tapinhas em minhas costas.
— O quê? Não pensa em ter filhos? – Pergunta com curiosidade.
— Não é isso. – Digo, tentando me recuperar daquela sensação incomoda de ter a bebida entrando pelo canal errado. Dakota me encara com curiosidade, como se estivesse esperando alguma explicação. – É só que tudo aconteceu muito rápido. Nem mesmo chegamos a namorar antes de nos casarmos bêbados em Las Vegas. A gente se ama, mas acho que seria bom conversarmos primeiro sobre o assunto antes de tomarmos um passo tão grande quanto esse.
Desvio minha atenção de Dakota para Hillary, que agora se divertia com a noiva. No mesmo momento, surpreendo-me ao ver Giuseppe Salvatore, o diretor da UPTECH e meu chefe, ser carregado por Clint e Jim Hopper – irmão mais velho de Clint –, em direção aos fundos da festa, completamente inconsciente.
Faço uma nota mental para não esquecer de questionar meu melhor amigo sobre o que tinha acontecido com meu chefe naquele momento, e volto minha atenção para Dakota, que continuava a me encarar com curiosidade.
— Muito além do que eu penso sobre a paternidade, eu preciso entender o que Hillary tem em mente, já que ela é quem mais sairia prejudicada em uma gravidez repentina. Os trabalhos como modelo e agente da CIA exigem muito do corpo dela em diversas maneiras, então ela teria que dar uma pausa em ambas. – Continuo a me explicar, terminando de beber o drinque em minhas mãos. – Mesmo sendo mais uma agente que recolhe informações do que de campo, eu tenho certeza de que ela fez muitos inimigos. Na situação em que nos encontramos, com a mídia em cima de nós, não seria prudente aumentar a família, uma vez que a criança se tornaria o principal alvo de nossos inimigos.
— Apesar de parecer alguém desligado e desleixado, você é bem atento aos detalhes e responsável, Shawn. Estou realmente surpreso que já tenha pensado nisso. – Comenta Dakota, parecendo realmente surpreso.
— Eu tive que assumir responsabilidades cedo. – Justifico, dando de ombros. – Mas o que eu disse também não é nada demais. Qualquer um pensaria assim se estivesse em meu lugar. Eu prometi que cuidaria de Hillary e a faria feliz. Então, já que não posso interferir em seus trabalhos, ao menos quero ser alguém confiável o bastante para cuidar dos detalhes de nossa vida de casados.
— De certa forma, conversar com você me fez entender o motivo dela ter mudado tanto. – A fala de Dakota soa misteriosa e distante, como se ele estivesse falando com alguém além de mim. E então, ele se vira de uma vez e sorri para algum ponto atrás de mim. Ao me virar, encontro Freddie Benson se aproximando de nós. – E olha quem está aqui. O noivo mais bonito da noite.
— Eu sou o único noivo da noite presente nesse salão. – Comenta Freddie, risonho. Ele tinha um copo de bebida em mãos e já havia retirado boa parte das peças de roupa que usou durante a cerimônia.
— Exatamente. – Brinca Dakota, dando uma piscadela. Freddie dá uma risada anasalada e alterna o olhar entre nós, como se tentasse analisar a situação em que estávamos.
— Estou atrapalhando a conversa de vocês? – Indaga o noivo, encarando-nos com curiosidade.
— De forma alguma. Sente-se. – Responde Dakota, apontando para a cadeira vazia ao lado da minha. Freddie aquiesce e se senta. – Não deveria estar aproveitando a sua linda esposa ao invés de se sentar em uma mesa com dois homens que estão fugindo da multidão na pista de dança?
— Eu também sou um homem fugindo da multidão na pista de dança. Aparentemente, eu não tenho a energia única e festiva dos membros da família Barton. – Revela Freddie, rindo. – E parece que minha adorável esposa me acha entediante demais e preferiu dançar e beber com suas madrinhas a escapar da festa de fininho para aproveitarmos a lua de mel mais cedo como eu desejava.
— Bem-vindo a vida de casado. – Felicita Dakota humorado, enquanto ergue seu corpo de bebida vazio. Freddie ri e repete o gesto. O agente da CIA coloca a mão sobre o meu ombro e finge estar penalizado. – Olhe para o nosso amigo aqui. Está há uma semana casado e já foi abandonado pela esposa nesse espaço deprimente para ficar com as amigas.
— Ela não pensou duas vezes antes de ir. – Brinco e os dois rapazes riem. — Mas o que podemos fazer se nós a amamos do mesmo jeito?
— Tem razão. Nós somos casos perdidos. – Concorda Freddie, que bebe um gole de sua bebida e passa a encarar a esposa com admiração. – É tarde demais para voltarmos atrás. Agora temos um mísero pedaço de papel e um pequeno círculo de ouro no anelar esquerdo nos unindo pela eternidade.
— E vocês não parecem nenhum pouco chateados com isso. Quero ver daqui dez anos se vocês vão continuar com esses sorrisos bobos no rosto ao falar sobre o casamento. – Comenta Dakota e eu acabo rindo, sendo acompanhado por Freddie.
— Provavelmente não. E é por isso que temos que aproveitar enquanto tudo ainda são mares de flores. – Retruca o noivo, fazendo Dakota gargalhar.
— Você está certo. – Dakota faz sinal para um garçom que passava perto de nós e pega mais três bebidas para nós. – Mas e então, Freddie? O que achou da decoração e escolhas feitas por Hills para o casamento?
— Tudo ficou incrível! Eu sabia que ela faria um bom trabalho, já que a Elena também iria ajudar, mas saiu muito melhor do que eu imaginei que sairia. – Confessa Freddie, olhando em volta. Pego a bebida que Dakota me oferecia e sorrio em agradecimento. – Nunca imaginei que Hills levasse jeito para ser madrinha de casamento.
— Não é? Shawn e eu estávamos conversando sobre como Hillary mudou desde que ela se envolveu com ele. – Conta Dakota e eu os encaro com curiosidade.
— Por que ela não se sairia bem como madrinha de casamento? – Pergunto e eles trocam olhares, antes de se virarem para mim com sorriso divertidos.
— Na verdade, é uma piada. Hills é chamada pelo menos umas cinco vezes por ano para ser madrinha, mas essa é a primeira vez que ela aceita de fato. O casamento de Clint e Natasha aconteceu de última hora e ela não precisou organizar nada, então não conta. – Responde Freddie, rindo.
— E ela não é exatamente o tipo de pessoa muito paciente e delicada. Ela não leva o menor jeito para decoração. Então, ter conseguido preparar algo tão grandioso como o casamento de uma das sobrinhas de Clint Barton em dois meses foi algo realmente surpreendente. – Explica Dakota, trocando olhares divertido com o noivo. – É sério. Hills nunca tinha conseguido preparar nem uma festa de aniversário antes sem enlouquecer, quem dirá um casamento.
— Mas eu não acho que eu tenha alguma influência sobre isso. Ela começou a organizar o casamento antes de Las Vegas. – Relembro e Freddie solta uma risada anasalada, enquanto bebe seu drinque. O olhar que ele me lançava era semelhante ao que minha mãe usava todas as vezes que eu fazia alguma pergunta idiota quando criança. – O quê? Nós nos casamos há uma semana. Só começamos a conversar dez dias atrás. Eu tenho certeza de que o casamento foi organizado antes disso. Impossível eu ter tido alguma influência sobre as ações dela.
— Hills começou a mudar desde o acidente, Shawn. – Conta Freddie e Dakota assente freneticamente, bebendo seu drinque. – Desde o dia em que ela se jogou em frente a um caminhão para impedir que você fosse atropelado, nós temos acompanhado as mudanças, como o fato de ter se oferecido para ser a minha madrinha de casamento.
— Mas ela me disse que se ofereceu para ser madrinha, porque imaginou que essa seria a forma mais rápida dela desistir de você. – Retruco, relembro de nossa conversa no bar do cassino.
— Pode até ser que isso tenha mesmo influenciado na escolha dela, mas eu vi a forma como vocês se encararam no hospital, quando estávamos indo embora, Shawn. Eu tenho certeza de que naquele momento, ela se esqueceu completamente da minha existência. – Relembra o noivo e Dakota coloca a mão sobre o meu ombro mais uma vez.
— Ela mesma me contou que acredita que tudo começou quando vocês conversaram na saída do hospital. Segundo Hills, naquele momento em que você não apresentava seu típico mal humor e o sarcasmo, você pareceu um homem incrivelmente atraente. Tanto que ela até gaguejou e ficou envergonhada, algo que raramente acontece com ela. – Conta Dakota, surpreendendo-me. – E você precisava ver como ela reagia todas as vezes que citavam seu nome perto dela. Hills tentava se fazer de indiferente, mas era óbvio que ela sempre ficava interessada em saber sobre o que tinham a falar sobre você.
— E não conta isso para ninguém, mas eu soube por Sam, que ela perguntava com frequência a Natasha sobre você e que isso acontecia desde que ela foi morar na mansão Barton. – Revela Freddie, como se esse fosse um grande segredo. – Além disso, Hills pode ficar bem maluca quando está sob efeito de álcool, mas ela jamais mentiria sobre os sentimentos dela.
— Freddie tem razão. O excesso de bebidas alcoólicas pode ter influenciado na decisão nada racional de se casar em Las Vegas, mas vocês dois já estavam apaixonados antes disso. Você acha mesmo que um fim de semana é o bastante para ela simplesmente deixar de amar o Freddie e se apaixonar por você? – Completa Dakota, sorrindo sugestivo. – Sua varinha pode ser poderosa, mas você não é o Harry Potter para fazer mágica.
— Dakota! – Freddie repreende o rapaz aos risos, enquanto eu me sentia meu rosto esquentar.
— O quê? Eu só estou trazendo fatos à tona. Apesar da cara de nerd inexperiente, Hills disse que a primeira vez deles foi incrível. Ouso parafrasear, que em uma de nossas conversas, ela deu a entender que as performances de Shawn na cama são de tirar o fôlego. – Comenta Dakota com forte com de malícia, fazendo Freddie gargalhas ainda mais.
— Eu acho melhor você parar antes que o Shawn acabe entrando em combustão de tão vermelho que ele está. – Aponta Freddie e Dakota o acompanha nas risadas ao meu encarar.
Desvio o olhar para a pista de dança, porque me sentia um pouco envergonhado com os olhares maliciosos e comentários dos dois rapazes. Não que eu estivesse ofendido. Na verdade, suas palavras haviam sido ótimas para o meu ego e autoestima. Mas eu nunca fui muito bom com elogios, quem dirá sobre algo tão pessoal como “a minha performance na cama com a minha esposa”.
E, enquanto preciso lidar com as provocações dos homens que já estavam bastante alterados pelas bebidas, noto a aproximação apressada de Hillary com Sam, que parecia se divertir com a preocupação presente na expressão facial de minha esposa.
— O que vocês dois tanto conversam com Shawn? – Pergunta Hillary, assim que nos alcançam. – Vocês estão parecendo duas velhas fofoqueiras que fazem questão de envergonhar os netos.
— Oi, pessoal. – Cumprimenta Sam, cruzando os braços com um sorriso divertido nos lábios.
— Oi, amor. – Responde Freddie, levantando-se para abraçar Sam, que troca olhares significativo com o marido. – O que aconteceu? Você estava se divertindo tanto com as suas amigas, que achei que só sairia da pista de dança quando o dia amanhecesse.
— Vocês ainda não me responderam. O que estão falando para o meu marido, que está o deixando tão envergonhado? – Pergunta Hillary, antes que Sam dissesse qualquer coisa.
— Boa noite para você também, Hillary Leblanc Kennedy. Nunca te ensinaram que o que é dito em uma roda de conversa entre homens, nunca deve ser revelado as mulheres? – Retruca Dakota, passando o braço por cima dos meus ombros. Minha esposa o encara em ameaça. – Nós agora somos melhores amigos do Shawn. Então pode voltar para a pista de dança, que você está atrapalhando a nossa conversa.
— Cara de pau. – Resmungo minha esposa, retirando os braços Dakota de cima dos meus ombros. Ela me puxa para que eu ficasse em pé e lança olhares fulminantes aos dois amigos. – Eu acho bom vocês não terem falado demais ou eu vou usar as técnicas de tortura que eu aprendi com a Naty em vocês.
— Eu me sinto ofendido com essa desconfiança toda em cima de mim. – Responde Dakota, como se realmente estivesse ofendido com as palavras de minha esposa.
— Eu também não estou entendendo essa ameaça toda da parte dela. Nós somos amigos há anos, Hillary. Acha mesmo que nós faríamos algo tão cruel quanto contar seus segredos para o seu marido? – Freddie entra na onda, esboçando uma expressão de falsa incredulidade.
— É por conhecer vocês que eu sei que vocês seriam capazes de contar os meus piores segredos para ele, seus traidores. – Retruca Hillary, abraçando-me de maneira possessiva. Ela então se vira para mim. – Eles falaram algo que te ofendeu ou alguma bobagem que te deixou desconfortável? Algo que pode ter feito você questionar o nosso casamento? Pode me dizer. Eu não terei problemas preparar o velório do Dakota ou em deixar Sam viúva na noite do casamento dela.
— Fique à vontade. – Garante Sam e Freddie a encara incrédulo.
— O quê? Você é a minha esposa agora. Precisa me defender e ficar ao meu lado e não dar apoio as loucuras de pessoas instáveis como ela. Que tipo de esposa é você? – Brinca o noivo e dessa vez, Sam gargalha com vontade.
— O tipo de esposa que adora ver o circo pegar fogo. – Retruca a loira, sorrindo. Ela então se vira para mim, ignorando completamente a expressão do marido. – Mas me diz, Shawn. Eu estou curiosa. O que foi que esses dois patetas falaram para você ficar tão vermelho que mesmo de longe dava para ver?
Troco olhares com Freddie e Dakota. Os dois me lançam aquele olhar de que eu deveria ficar calado e concordar com eles. Rio e balanço a cabeça em negação.
— Shawn? – Chama Hillary, fazendo com que eu a encarasse. – Eles disseram algo que te deixou desconfortável?
— Não. Nós estávamos apenas conversando sobre assuntos idiotas. – Respondo de maneira abrangente para não ter que mentir para minha esposa sobre minha conversa com os rapazes e nem trair a confiança que eles me deram ao contar algo que provavelmente deveria ser um segredo.
— Eles nem se conhecem direito e já estão se protegendo. Olha que absurdo, Hills. – Comenta Sam e Hillary assente desconfiada.
— Vocês são muito ingratas. Isso sim! – Dramatiza Dakota e as garotas riem com ironia. – A gente aqui tentando se enturmar, já que vocês duas nos abandonaram para ficar rebolando na pista de dança, e vocês aparecem aqui fazendo acusações absurdas como essas. Quer saber? Depois dessa, eu vou procurar alguma coisa para comer. Porque eu sei que pelo menos a comida jamais me trairia de forma tão baixa como essa que vocês estão fazendo comigo. Adeus!
E Dakota simplesmente vai embora. Hillary assiste a tudo com incredulidade e se vira para mim. Eu tinha certeza de que ela não descansaria até descobrir sobre o que estávamos conversando. E pela forma como Sam encarava Freddie, com ele não seria muito diferente.
— Por que não vamos dançar? – Sugere Freddie, quando a música agitada é substituída por uma lenta para que os casais pudessem dançar juntos.
— Excelente ideia. – Concordo, mesmo odiando dançar. Viro-me para Hillary e estendo minha mão de forma elegante. – O que me diz? Aceita dançar comigo?
— Mas você não gosta de dançar. – Retruca minha esposa, cruzando os braços.
— É. Mas já que não tivemos uma cerimônia de casamento tão bonita como essa, não fomos capazes de ter a nossa dança lenta de casal. Então mesmo tendo dois pés esquerdos, eu vou adorar superar minhas dificuldades e dançar com a minha linda esposa. – Insisto e no mesmo instante a pose fechada de Hillary é substituída. Ela havia se dado por vencido.
— Tudo bem. Vamos dançar. Mas não pense que você conseguiu escapar das minhas perguntas, mocinho. Você ainda tem muito o que me explicar. – Garante Hillary e eu assinto, sorrindo.
— Certo. Vamos lá. — Concordo, sabendo que eu daria o meu melhor para evitar essa conversa até que ela a esqueça por completo.
Assim, trocando sorrisos cúmplices com Freddie, que guiava Sam pela mão, seguimos para a pista de dança. Quando chegamos, apenas os casais dançavam, então estava muito mais vazia do que instantes antes, para a minha alegria.
Levo minhas mãos a cintura de Hillary, que pousa os braços sobre os meus ombros e encosta a cabeça em meu peito. Um pouco desajeitados no início, passamos a nos mover no ritmo da música romântica que passava naquele momento.
O aroma do perfume de Hillary invade o meu olfato e eu acabo a apertando mais intensamente contra mim. Assim, tudo o que eu mais desejava no mundo naquele instante é que esse momento em que somos capazes de sentir nossos corações lado a lado pudesse durar para sempre.
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