Sem Resquícios.
1 Primeira Morte, A Ruiva.
Notas iniciais
A Caixinha Da Dor
O som do violino ecoava pelo cômodo, o porão nunca fora tão assustador. As paredes pretas e os fungos claramente visíveis nela nunca tiveram dado tão medo à Clara. Seus olhos arregalados choravam e pediam por perdão.
Tentava soltar suas mãos presas à cadeira, inutilmente. As correntes não soltariam-se tão facilmente. Ao seu lado, uma pequena caixa de som.
Os leves toques da compositora no violino eram refletidos pela caixa. E a moça, sentada, era obrigada a ouvir.
Seus gritos fazia a musica aumentar. E a cada tentativa de fugir apertava mais a corrente em seu corpo. As paredes escuras não ocultavam suas lágrimas. Como a música que não tapava o seu choro.
Seu corpo estremeceu quando ouvira o barulho da porta do porão se abrir. Longe de ser um policial. O semblante preto caminhou em direção à cadeira, um pequeno e rápido caminho.
A moça suava frio e chorava a todo instante. Suas lágrimas escorriam até atingir o pano que tapava sua boca. As lágrimas e a tentativa de fuga eram eminentes. Sua boca ficaria marcada se sobrevivesse.
Seus dentes rangiam pelo pano, tentando suplicar a vida. Inutilmente. Seus olhos, já inchados pelo choro, eram azuis. A figura preta colocou suas pequenas mãos sob o ombro de sua vitima.
Fazendo-a chorar mais. A silhueta se afasta e vai em direção ao lado da caixinha de som. Em cima da caixa, havia uma faca; A silhueta se aproxima da moça novamente e lentamente começa a passar a faca em seu corpo.
Sem força, sem dor.
Quando a faca passava pela macia pele da moça deixava um rastro. Um rastro branco. E quando a faca subia pelo corpo, até chegar o pescoço, a silhueta aumentou a força. As marcas brancas, tornando-se vermelhas.
Quando a força aumenta, o sangue começa a sair. A silhueta aperta sob a pele, perfurando-a e fazendo o sangue jorrar pelo braço da moça. Quando se deu por satisfeito (a), tirou de perto da moça à faca e se aproximou novamente da caixinha de som.
A moça observou o corte que havia sido feito na mesma. Sua expressão dolorida demonstrava muito mais que se podia imaginar. Ela retorna sua atenção à silhueta. Sua pequena estrutura, seu cabelo comprido, suas vestimentas. Era assustador.
A silhueta voltou em direção à moça. Em sua mão, um bisturi. O semblante pequeno desamarrou uma das mãos da moça. Segurou-a com força. Os pequenos e delicados dedos do semblante agarraram-se nos da moça.
E antes que a silhueta fizesse alguma coisa com a mão da pessoa sentada na cadeira, tira a mordaça da boca da mesma. A moça aos berros tentou morder a silhueta.
– Solte-me – suplicou. Recebendo um tapa em sua face esquerda. A pele da mesma avermelhou-se mais. Fazendo-a voltar a chorar.
Suas pequenas mãos marcaram o rosto da maior. E a silhueta voltou sua atenção às mãos da moça. As pegou com gentileza dando um pouco de conforto a moça, logo o conforto da mesma acabara. O semblante segurou fortemente a mão da moça e escolhera rapidamente o ultimo dedinho do corpo maior.
Suas hábeis e pequenas mãos se agilizam e esticando-o. Com o bisturi em mãos, corta a ponta dos dedos da mulher. Que gritara incansavelmente. O primeiro dedo já fora. A mulher teve todas as suas pontas dos dedos retiradas. Sempre em berros.
A silhueta foi à segunda mão. Deixando o sangue da primeira escorrem, como as lágrimas no rosto da moça. A tortura não acabara. A silhueta passou o bisturi pela superfície da pele do dedão da moça. Um toque mais profundo rasgou sua pele, cortando, assim, seus capilares fazendo o sangue jorrar pelo dedo.
Sucessivamente do dedão ao mindinho. Eliminando as digitais da moça. Estaca o sangramento e amarra-a de novo. Suas mãos, presas, nem tentaram escapar. O toque da mão da silhueta foi descendo alisando as pernas da mulher.
Seus suaves toques passaram por seu ventre, e alisou a cintura da moça. E chegou rapidamente aos pés. Tirou o salto alto do pé esquerdo da moça, e deu um calafrio na moça. Finalmente percebera as luvas usadas pelo semblante. Suas luvas frias acariciavam-lhe a carne. A parte superior do pé era muito branca.
Dando alguns puxões nos dedos na moça. Causando na mesma arrepios que lhe gelavam a alma. O bisturi passou pela separação dos dedos, o choro aumentou o tom.
Nem precisou se abaixar, com seus dedos pequenos cortou a pele superficial do dedão, arrancando berros da moça. Nesse momento, um semblante de rosto surgiu na sombra da silhueta.
Dedo por dedo, repetira o processo milhões de vezes. Até a moça não ter mais digitais. A moça gritara e chorara muito. Mas, seus gritos eram escondidos pela caixinha de som.
Os pequenos passos da silhueta, a levaram para a caixinha novamente. De lá, trocou seu bisturi por outro, esterilizado. A cadeira que dali não ficara muito longe foi chutada e espancada na tentativa da moça, lá presa, sair. Estava com medo do que viria a seguir.
O pequeno semblante caminhara em direção da fugitiva. Com as mãos baixas toca suavemente no rosto da moça, ele (a) havia trocado a luva. Será ele (a) obsecado por limpeza? Ah, para aquela moça o que importava era sair viva.
Seu toque passou a ir para a testa da moça. Ele (a) pegara uma maquina de cortar cabelo automática. Sua mão passou a maquia pela cabeça da moça, deixando seus cabelos caírem no chão. As mechas ruivas da moça se dispensavam no chão. E o mesmo o fez nas sobrancelhas. Deixando-a sem cabelo.
Antes de fazer qualquer outra coisa. A silhueta varreu o chão, encerrou e o deixou brilhando. Saiu de cena por um instante, deixando a pá no andar de cima. Quando voltara, descera as escadas com um sorriso evidente em seu rosto.
A respiração ofegante da moça o satisfazia. Deixando-o (a) ainda mais sádico (a). Pegara novamente o bisturi e fora me sua direção. A moça mantinha o corpo tremulo. Já perto o suficiente para ouvir a respiração do semblante, estremece;
Seu corpo leve apoiara suavemente suas mãos sob o peito nu da moça. Fazia um tempo que o semblante o havia tirado. Apoia o bisturi nos olhos e pressiona de leve.
Não faz força; Sem força, sem dor.
O semblante levemente enfia o bisturi no olho da moça. Seus olhos verdes estavam sendo destruídos. E seus rugidos eram bem altos. Ele (a) retirou o olho direito da moça, sem anestesia.
Com força, com dor.
E era vez do segundo. Antes de retirá-lo bruscamente como fizera no primeiro. Ele (a) troca de luvas; Usa um cano para secar o sangue. E com cuidado, ele retira com carinho o outro olho. O bisturi ia bem fundo no olho. O sangue escorria e sujava tudo.
Limpou tudo. O estado da moça era critico, sem dedos, sem olhos, sem cabelos... Sem resquícios. Para finalizar a obra do semblante ele limpa o bisturi e começa a cortar a face da moça. Já irreconhecível.
Com cuidado, seca o sangue que escorre pela face da morta em sua mesa. A música mudara, era um solo de piano. A música aparentou acalmar o pequeno semblante; Seus músculos relaxaram e ele (a) se apressou para terminar o serviço que havia começado.
Abriu a garganta da moça e retirou com cuidado suas cordas vocais, e logo fechou o buraco. Passou uma água pelo corpo nu da defunta. Verificou pela ultima vez se a moça não havia feito nenhuma cirurgia.
Seus dedos tateavam a pele, em procura de algo. Embaixo do braço da garota havia um pino. Ele (a) abriu e o retirou. Fechando-o novamente. Seus dedos hábeis lavaram-se. O rosto da moça era irreconhecível. E só havia mais algo que a identificaria. O sangue.
O semblante se levanta de sua cadeira e caminha até uma enorme garrafa. Com muito esforço carrega-a para perto do defunto. Na grande garrafa havia um pequeno furo e um tubo comprido ligado a ele. No começo do tubo havia uma abertura.
Ela (a) a pegou e colocou-a no corpo da moça. Sentando-se em uma cadeira para apreciar a música clássica que tocava; Passou uma, duas horas. E finalmente a garrafa estava cheia de um liquido vermelho, sangue.
Assim que desconectara aquilo da moça. Arrastou de volta a garrafa para o lugar da mesma. Com muito esforço. O (a) menor desligou a música e colocou o corpo da defunta em um balde grande, cheio de gelo.
Subira as escadas com aquilo e caminhou com o grande balde até a porta principal da casa, levando o defunto até a floresta em frente a “sua” casa. Arrastando-a até a praça que ligava a floresta com a cidade.
Escolhera uma árvore de sua preferência. Largando nela a moça, sem olhos, sem cabelo, sem corda vocal, sem sangue, sem digitais, sem resquícios. O semblante saíra da praça e caminhara lentamente junto ao balde até sua moradia.
O telefone toca, acordando-o, seus olhos negros abriram-se lentamente, levantando-o da cama, indo com destino a seu celular. Ler a mensagem que o acordara. Abriu a caixa de mensagens e viu:
“Cole, levante. Temos um corpo. Uncontrollable ataca novamente.”
Uncontrollable, um serial killer que tirou muitas noites de sono de Cole, e novamente, quando acordara, ele tinha atacado novamente. O famoso serial killer vem matando faz dois meses. E até então, já havia matado mais de 150 pessoas.
O curioso dele, é que sempre que achavam um corpo morto por ele era sempre nas mesmas condições, sem cabelo, sem olhos, sem digitais, sem sangue, sem resquícios de quem havia feito. Nem qual era a vitima. Ele sempre deformara o rosto das mesmas. Mulheres e homens, adultos e crianças. Ele não se importava.
O tal serial killer já havia matado muitas pessoas. Cole pensava nisso enquanto se vestia para ver o corpo. Após um pequeno e rápido banho, ele se olha no espelho. Vendo em seu tórax uma pequena cicatriz. Passou a mão em seus cabelos molhados e os secou rapidamente.
Colocou uma jaqueta marrom claro e um jeans. Seus sapatos eram tênis pretos. Uma meia branca e sua camisa social. Ele aparentemente não gostava de se cuidar;
Pegou o celular, junto às chaves, saindo do apartamento. Seu carro estava estacionado na frente do prédio. Um uno preto. Abriu a porta e saiu dirigindo seu carro até a cena do crime.
Quando lá chegara, já estava toda a imprensa e muitos polícias. Ele tira seu distintivo e mostra para poder entrar e ver o corpo de perto. Uma moça devia ter cerca de 20 anos, bastante jovem. Seus olhos, cabelos rosto, um pequeno buraco no braço esquerdo. E aparentemente sem nenhum sangue;
A jovem moça estava perto de uma árvore, no seu lugar preferido, sob o sol escaldante da manhã. Sua cabeça apontava para o nada.
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