Sem Querer, Juntos!
7 Capítulo 7 - Decisões
Sem querer, juntos
Capítulo 7 — Decisões
Fizemos tudo conforme combinado: compramos algumas latinhas de saquê na conveniência perto de casa, pedimos duas pizzas e iniciamos a noite comendo, bebendo e jogando.
Como era o aniversário do Naruto, deixei ele livre para que exagerasse o quanto quisesse, enquanto eu me manteria moderado, especialmente na bebida, para ficar de olho na Aya-chan. A Aya-chan nos acompanhou bem acordada até certa hora da madrugada, depois das três da manhã ela pegou no sono.
Mesmo bebendo pouco, a bebida me dá sono, por isso, vez ou outra, eu abria a boca em um bocejo. Por outro lado, Naruto permanecia bem desperto, xingando alto com os sustos que levava ao ser atacados pelos monstros alienígenas do jogo.
— Morre, morre, morre, desgraçado! Isso! — soltou aquele grito ao conseguir eliminar um deles depois de quase acabar com toda a munição que conseguira acumular em duas horas jogando. — Pra onde eu vou agora? — ele quis saber de mim. — Subo mais um andar?
— É melhor descer — sugeri. Você não pegou todos os itens do andar debaixo e vai precisar de mais munição depois de acabar com tudo que tinha acumulado nesse único feioso aí.
— Mas não achei nada lá — resmungou ele em discordância.
— Você usou o escâner?
— Ah, eu me esqueço dessa bosta.
— Tá, desce que eu já te ajudo — ordenei, me levantando. — Mas antes disso vou esquentar mais pizza no micro-ondas, você quer?
— Sim.
Eu fui pra cozinha.
Estávamos no quarto, sentados no tatame. A sorte era que eu havia trazido de casa meu PS3[1] e o 3DS[2], por isso tínhamos com o que nos ocupar. Apesar de que, tomar conta da Aya-chan, ocupava mais tempo que qualquer outra atividade que inventássemos.
O apito do micro-ondas ecoou pela cozinha quase vazia e eu retirei a pizza de lá de dentro, passando pela geladeira e apanhando mais duas latas de saquê no freezer.
Enquanto seguia de volta para o quarto, pensei um pouco sobre as minhas chances aquela noite. Diferente do que Neji pensava, e do meu próprio desejo, um hetero e um gay se pegarem, mesmo sem compromisso, ainda era uma realidade distante. Além disso, Naruto tinha perdido a esposa há pouco mais de seis meses, quais eram as minhas reais chances de conseguir um romance com ele após esse trauma?
Entrei no quarto equilibrando o prato de pizza em uma das mãos e as duas latinhas de saquê na outra, e me surpreendi ao olhar para televisão e ler a frase “game over” brilhando em letras gigantescas. Naruto estava estirado no chão com a mão cobrindo o rosto.
— Que merda você fez? — eu perguntei, sentando ao lado dele e colocando as latinhas no chão e o prato sobre meu colo.
— Eu me cansei dessa droga de jogo — justificou em mais um resmungo. — Está me dando sono.
— Você parecia bem eufórico há dois minutos — eu comentei sem muito interesse, mordendo o pedaço da pizza cuja mussarela estava tão grudenta que se transformou em um fio esticado entre minha boca e o pedaço de pizza no prato. Fio o qual precisei romper usando os dedos.
Eu sei que não é nada higiênico comer pizza, mas quebrar as regras de higiene é o que acaba tornando o ato de “comer pizza” tão prazeroso.
Naruto girou para o meu lado e retirou a mão do rosto para esticar o braço até o prato no meu colo e apanhar um pedaço da pizza requentada.
— Itadakimassu [3] — ele falou, levando a iguaria a boca, ainda deitado.
— Sente-se para comer.
Minha advertência só fez com que Naruto soltasse um esturro e continuasse deitado. Eu apanhei outro pedaço e ao terminar lambi as pontas dos dedos que ficaram engorduradas. Então me virei para apanhar a latinha de bebida ao meu lado e percebi que o loiro havia pegado no sono com o pedaço de pizza ainda repousado sobre o peito, engordurando a camisa de moletom que ele vestia. Balancei a cabeça negativamente e abri a lata, levando a bebida a boca e deixando que ela aquecesse aquele estranho frio no meu estômago.
— Tão diferente do Deidara — murmurei.
— Quem é Deidara?
A pergunta me pegou de surpresa, eu achei mesmo que ele tivesse dormido. Voltei a olhá-lo e o vi retirar a pizza do peito e devolvê-la ao prato.
— Achei que tinha pegado no sono.
— É algum ex seu? — ele quis saber, ignorando a minha observação óbvia.
Ao invés de responder aquela pergunta decidi mostrar. Debrucei-me até alcançar meu celular que estava ao lado da televisão, depois de liberar a tela com um toque, entrei na galeria de imagens, procurei uma foto antiga de quando Deidara e eu jogávamos e entreguei o aparelho na mão dele.
— Você gosta mesmo de loiros — ele observou.
— Pois é. Nem eu tinha percebido isso — tentei soar natural, pegando o aparelho de volta e devolvendo-o onde eu o havia apanhado. — E você?
— Não, loiros não fazem o meu tipo.
Eu ri. Havia feito uma pergunta idiota de qualquer forma. Eu não estava interessado em saber que tipo de mulher o Naruto gostava. Afinal, ele teve o bom gosto de escolher a Sakura. Ainda havia a Hinata que era tão bonita, ou poderia ousar em dizer que era bem mais bonita que a Sakura, além de doce e delicada. Eu não precisava ficar me martirizando ao recordar desse fator, o qual nunca seria capaz de superar.
— Vocês transavam depois que jogavam?
Essa nova pergunta me pegou totalmente desprevenido, cheguei a engasgar com a bebida.
— Você é mesmo direto, hein? — observei, devolvendo a lata para o chão, enquanto pensava na resposta.
— Achei que eu não precisasse fazer rodeios com você.
— E não precisa — respondi rápido.
— Então?
Eu achei que precisava pensar no assunto antes de responder, mas descobri que não precisava. Éramos homens. Homens conversavam sobre aqueles assuntos o tempo todo, de forma aleatória, sem se preocupar muito com o peso das respostas. Achei idiotice da minha parte ficar procurando respostas certinhas para tudo que Naruto fosse me perguntar, então respondi o que me veio em mente, apenas.
— Às vezes fazíamos depois — falei e dei um sorriso de lado, sentindo meu coração acelerar. — Às vezes transávamos antes. Ás vezes... durante.
— Durante? — ele me encarou curioso.
— É.
— Como se transa enquanto se joga?
— Quer mesmo saber?
Ele deu de ombros.
— Enquanto um está jogando o outro... — eu apontei para o meu próprio ventre, achando que com aquele gesto ele entenderia, mas ao perceber que não, eu resolvi ser claro. — Enquanto o outro faz sexo oral.
Naruto arregalou os olhos em entendimento.
— Fazíamos tipo um desafio — prossegui, evitando olhar a expressão que ele fazia. — Ganhava quem conseguisse ficar mais tempo concentrado no jogo e não no boque-... digo, sexo oral.
Ele revirou os olhos para cima e reclamou.
— Olha, não precisa ficar medindo as palavras comigo, Sasuke. É “boquete”, “pinto”, “saco”, “foda”. Eu não sou uma garota com quem precisa ficar maneirando o palavreado.
— Eu sei — respondi. Eu sabia, mesmo assim continuava agindo inconsciente.
— Deve ser legal para vocês gays se divertirem com a mesma pessoa com que transam.
Entreabri os lábios, surpreso mais uma vez, com aquela observação. Não podia negar que estava achando um pouco estranho o rumo daquela conversa.
— É, acho que sim. Mas tem muitas garotas gamers hoje em dia, vocês heteros podem fazer o mesmo.
— Eu nunca encontrei nenhuma — Naruto afirmou. — A Sakura nem sabia o que significava Xbox. Ainda ficava brava quando eu jogava por mais de duas horas. Se eu comprasse um jogo novo era a hora da morte. Revistas sobre o assunto então? Nem pensar. Ir a alguma convenção estava fora de cogitação.
Aquela conversa havia mesmo tomado um rumo estanho. Tinha quase certeza que Naruto estava me enviando sinais. Sinais que me diziam que ele estava pensando sobre as vantagens de se ficar com alguém do mesmo sexo. Sinais que diziam que poderíamos ficar juntos aquela noite.
Mas não entendi porque aquele nervosismo começou a se apossar do meu estômago do nada. Era a oportunidade que eu estava esperando, mas fiquei em dúvida se deveria agir ou esperar. Esperar por sinais mais concretos.
Também pensei em fazer um teste; uma simples pergunta em tom de brincadeira poderia ser reveladora: “Se quiser, posso te mostrar como funciona, o que acha?”. Se caso ele se ofendesse e ficasse chateado, eu poderia rebater com um mero: “estou brincando”. Pensar naquela possibilidade me fez travar. Eu já não era mais o conquistador galante de anos atrás e estar apaixonado pela pessoa com quem se quer flertar não ajudava.
— Hein?
Ele me tirou do meu instante de devaneio.
— Você perguntou algo?
— Perguntei. Mas você estava pensando no Deidara, não é? Você ficou fora de órbita.
— Desculpe? O que você perguntou?
— Esquece, não é nada de importante.
— Não, eu quero saber.
— Já disse que não é nada. Vamos dormir. Vou desligar o jogo e...
Naruto levantou de uma vez, a bebida possivelmente subiu rápido, pois no segundo seguinte ele estava cambaleando e caindo. Antes que ele caísse de volta, eu agi rápido, me ergui e o segurei pela cintura, repousando-o com cuidado no tatame.
— Droga, Naruto. Quer me matar de susto? Você tá legal?
— Está tudo girando... girando... girando... — ele riu, segurando meu rosto com ambas as mãos. — Pare de girar, Sasuke. Estou ficando mais tonto.
— Eu estou parado.
— Sou eu quem estou girando então?
— Não. Você é quem está bêbado.
— É?
— Feche os olhos.
— Vai me beijar?
— Não, eu não vou. Eu quero que durma.
— Não posso, eu preciso mijar.
Revirei os olhos, levantei e estendi a mão para ele.
— Eu te ajudo, vem.
Naruto segurou a minha mão e eu o puxei para ficar de pé. Depois passei um dos braços dele por cima do meu ombro e o envolvi pela cintura. Já havia percebido, quando eu não o permiti que caísse, o quanto Naruto era magro. Ou melhor, o quanto estava magro. Lembro-me perfeitamente dos detalhes do corpo dele sem roupa, expostos por descuido pela webcam ligada do computador da Sakura, e confirmei comigo mesmo: o Naruto de antes não era tão magro. Na verdade, era para ele ter um corpo atlético, com medidas certas.
A depressão deveria tê-lo feito perder peso, aliás, se eu estivesse prestado mais atenção nele do que nos meus próprios desejos, teria notado isso antes. Teria notado que quase sempre comemos em horários diferenciados, que quando comemos juntos ele enrola muito em uma pequena porção de comida e no fim diz que está satisfeito, deixando parte da comida no prato. Lembro-me bem da Sakura dizendo que ele era comilão e desajeitado. E apesar de termos pedido duas pizzas aquela noite, ainda havia uma inteira guardada na geladeira e a outra eu praticamente tinha comido sozinho. Ele havia bebido muito mais do que se alimentado.
Meus pensamentos foram interrompidos por nossa chegada ao banheiro. Eu o ajudei a apoiar as mãos na parede e se posicionar diante da bacia sanitária. Fui eu quem o ajudou a tirar o órgão para fora da calça de moletom. Naruto sequer conseguia segurá-lo direito, de tão trêmulo que estava. Demorou um pouco até que a urina saísse e mais ainda para ele acertá-la dentro do vaso.
Mas, ao contrário do que muitos podem estar pensando, nesse momento eu não estava mais pensando em sexo, nem de me aproveitar daquela situação. Não era com um Naruto bêbado, fragilizado e ainda depressivo com quem eu queria transar. Se eu tentasse naquele instante, até poderia chegar ao fim com ele. Talvez aquela fosse a única chance que eu teria de conseguir algo com ele. Mas se eu quisesse mesmo abusar de um corpo sem mente eu poderia ter comprado um boneco inflável.
Esperei que ele terminasse de fazer suas necessidades e acionei a descarga. Quando o apanhei de volta, Naruto escorregou dos meus braços e sentou-se no chão diante do vaso, inclinando a cabeça para dentro dele e vomitando. Eu inspirei fundo, preocupado e nervoso ao mesmo tempo. Ele estava colocando para fora o pouco que havia botado para dentro.
Balancei a cabeça e Naruto continuou vomitando. Abri a torneira da pia, molhei minhas mãos na água fria e passei nos seus cabelos, no pescoço e na nuca.
Ouvi dizer que a água fria era um grande remédio para bebedeira.
— Seria bom tomar um banho, o que acha, Naruto?
— Pode ser — ele concordou, erguendo os braços para cima como se já esperasse que eu tirasse sua camisa, eu o fiz.
Depois disso, eu o ajudei a ficar de pé de novo e acionei a hidra mais uma vez, dando descarga.
— Se apoie na parede antes de tirar os pés — eu pedi, agachado aos pés dele e o auxiliando com a retirada da calça de moletom, descendo-a junto com a cueca.
Quando conseguimos nos livrar de toda a roupa, eu ergui meus olhos e pude finalmente confirmar minhas suspeitas. Era como eu pensava. Naruto estava magro, magro demais. Os ossos da costela aparecendo, a barriga funda. Eu soltei um suspiro chateado, me penalizando por não ter percebido aquilo antes.
Mesmo assim, ele ainda era lindo. Porém, estava longe de ser aquele cara que um dia desejei e que por muitas vezes me masturbei recordando sua beleza.
Levantei de vagar, dedilhando a lateral das pernas dele, subi mais um pouco, segurando firme a região que contornava o quadril e cheguei à cintura, a qual apertei levemente, sentindo os ossos por debaixo da pele.
— O que está fazendo? — ele procurou saber, me encarando com aquele par de olhos azuis um tanto desfocados. — Está pensando em me chupar ou coisa parecida? Ou está pensando em me comer? Eu sei que está pensando em... em, em... algo pervertido, seu gay nojento.... hic! Gay per-... ver-... ti-... do.... hic! — cantarolou e gargalhou entre soluços.
Eu discordei, meneando a cabeça em um não, e tentando guiá-lo para debaixo do chuveiro.
— Eu não vou fazer nada disso, mesmo se quisesse. Você precisa de um banho. Vem.
— Vai me comer debaixo do chuveiro... hic! Seu... filho da p.... per-... vertido...
— Sim, sim. Sou um filho da puta, gay, pervertido, o que quiser. Apenas entre debaixo do chuveiro — eu pedi, perdendo a paciência, abrindo a válvula e direcionando-o para debaixo da água.
Mas assim que a água gelada caiu sobre nós, Naruto parou de cantarolar e passou a protestar.
— Tá fria, Sasuke! Tá fria, porra! Não, não! Sasuke, seu filho da mãe, não!
Eu o abracei com força, forçando-o a ficar onde estava. Acabei me molhando também.
— A água precisa estar fria para curá-lo.
— Mas eu não quero! Me solta, porra!
Mantive-me firme, ignorando seus xingamentos. Os meus braços, agora bem mais fortes que os dele, o imobilizaram por inteiro. Naruto parou de lutar e se debater quando percebeu que não tinha forças para me fazer soltá-lo. Ou talvez apenas tivesse se acostumado com a temperatura da água. Não sei. Sei somente que ele parou e passou a tremer. Deixei que a água gelada atingisse principalmente no topo da cabeça dele e depois de algum tempo mudei a temperatura para o morno e finalmente o soltei.
Tive que tirar minha roupa também, havia me ensopado por inteiro.
Ver o Naruto mais calmo me fez querer continuar dando-lhe banho. Enchi a esponja de banho com sabonete líquido e passei a ensaboá-lo, repeti o gesto comigo também. Em seguida foram os cabelos, despejei xampu sobre os fios loiros e rebeldes, esfreguei-os com força, fazendo bastante de espuma, depois fiz o mesmo com os meus. Naruto não reclamava mais. Estava encostado na parede recoberta de azulejo e de cabeça baixa. Ergui o queixo dele para passar sabonete no rosto e notei seus olhos fechados, parecia estar dormindo.
— Não durma ainda — eu o avisei.
— Não estou — ele respondeu com a voz meio mole, mas um pouco mais sóbria.
— Ótimo — observei, pegando o chuveirinho e direcionando o jato de água para cabeça dele, retirando com a água o excesso de sabão.
Ao terminar, fechei a água e o envolvi com o meu roupão. Usei apenas uma toalha pequena para encobrir o meu quadril. Depois disso eu o abracei pelos ombros e o direcionei para fora do banheiro, de volta para o quarto. Assim que entramos ele despencou no tatame.
— Não quer colocar roupas secas primeiro? — perguntei, apanhando outra toalha para secar os meus cabelos e aproveitando para aumentar o aquecimento do quarto.
— Foda-se as roupas — ele resmungou. — Achei que você quisesse me comer, mas você é só um bundão. Fica aí me olhando com essa cara estranha. Parece que está com nojo. Eu sou o único quem deveria sentir nojo aqui. Afinal, você é quem é a aberração que gosta de comer bunda de macho ao invés de umas mulheres gostosas.
— Não tem coerência o que está dizendo. Me chama de aberração, mas parece que está chateado por eu não querer comer a bunda de um certo bêbado.
— Ah, é. Esqueci que você é o divino-gay. Senhor da moral. Um cara correto, ou seja, um bundão.
Eu dei risada, incrédulo no que ouvia. Naruto estava mesmo me provocando? Ele queria mesmo que eu o pegasse?
Ah, bêbados!
Eu retirei a toalha que estava sobre minha cabeça e a joguei do outro lado. Fiz o mesmo com a toalha que envolvia a minha cintura. Fiquei nu diante do corpo dele estirado no tatame, me abaixei devagar, apoiando-me nos joelhos e me aproximei um pouco mais. Abri o roupão na parte do peito, depois afastei as pernas, onde me posicionei. Debrucei-me sobre o corpo de Naruto, encostando meu ventre ao dele, notando que meu sexo havia despertado só com a sensação luxuriosa de estar por cima. Passei uma das mãos sobre a parte descoberta do peito bronzeado, fiz movimentos circulares com a ponta dos dedos sobre os mamilos. Comecei a sentir dificuldade em respirar. Foi quando decidi avançar um pouco mais e me aproximei da boca de Naruto. Veio então a surpresa. Precisei me segurar para não dar uma alta gargalhada. Era por isso que ele não estava reagindo: estava dormindo.
As mãos do loiro haviam parado onde eu as havia deixado e o rosto estava virado para o lado, enquanto da sua boca saía um manso ressonar.
Mas eu já estava excitado, aquilo não tinha mais volta. Então voltei a apoiar o peso do meu corpo nos joelhos sobre o tatame e fiquei de quatro sobre Naruto. Sustentei meu peso somente com uma mão e usei a outra para me estimular. Umedeci meus dedos com a minha saliva e toquei meus próprios mamilos, depois de atiçá-los, usei mais saliva para umedecer mais meus dedos e segurei com força meu pênis, passando a massageá-lo com firmeza, fazendo movimentos rápidos de subida e descida. Até que o barulho enchesse o quarto. Até que minha respiração ficasse ofegante e meu coração descompassasse. Estava me masturbando enquanto vislumbrava o homem que eu amava dormir pelado e bêbado abaixo de mim. Senti-me patético, despudorado, mais excitado. Os tremores que antecediam o orgasmo chegaram e eu me arqueei para usar as duas mãos na masturbação. Finalmente a explosão veio. Direcionei o jato de sêmen sobre o corpo nu de Naruto e vi os espirros atingir seu peito descoberto e o belo rosto adormecido.
— Foi... você... quem... pediu... por isso... idiota — eu conclui, com a respiração entrecortada.
Debrucei-me novamente sobre o corpo de Naruto, segurei seu queixo e desentortei o rosto que estava virado para o lado. Passei a língua no gozo que havia espirrado perto da boca e em parte do queixo dele. Depois disso me detive um pouco sobre aqueles lábios macios. Fiz carícias sobre aquela boca com a minha língua e senti o gosto do meu próprio orgasmo. Deixei a saliva escorrer da minha boca para dentro dos lábios entreabertos dele. Só então me dei por satisfeito.
— É — falei, assim que desencostei meus lábios dos dele. — Agora eu sou mesmo um maldito gay pervertido como você queria.
Fiquei por um tempo curtindo o relaxamento provocado pelo orgasmo, estava exausto, mas eu não consegui pegar no sono de imediato. A ideia de que eu dormiria e que ele acordaria primeiro e tomasse conclusões erradas me fez levantar e agir.
Primeiro me limpei, vesti um moletom seco e depois fiz o mesmo com ele: o limpei e o vesti com um moletom seco. Depois averiguei como a Aya-chan estava no berço: dormindo como um anjo.
Era de madrugada. Aproveitei e recolhi as toalhas molhadas e as nossas roupas e coloquei tudo para bater na máquina de lavar. Limpei a bagunça do banheiro e da cozinha e fiz a mamadeira da Aya-chan. Quando voltei para o quarto, a bebê estava de olhos abertos, como imaginei, era quase cinco da manhã, hora dela mamar.
Enquanto dava mamadeira para Aya-chan lembrei que tinha que estar as dez no escritório do Neji e desejei acordar para estar lá.
...
Eu acordei em um sobressalto, o despertador do celular tocando no último volume. Levantei ligeiro e olhei para os lados, não encontrei nem Naruto nem a Aya-chan.
Saí meio aos tropeços à procura dos dois. Procurei na cozinha, na área do serviço, no banheiro e nada.
— Será que ele desconfiou do que fiz ontem e foi embora para Tóquio? O carro!
Entrei na sala e atravessei para sala e só então me acalmei ao ver pela janela o veículo estacionado no jardim. Encontrei Naruto com a Aya-chan no colo, sentado no chão da varanda. O sol havia saído e o clima estava ameno. Naruto cobriu um bocejo com a mão e só então se voltou para mim com os olhos meio cerrados, como se a claridade os ferisse.
— Ohayo — disse, estalando os lábios em seguida.
Suspirei aliviado, relaxei os ombros e me aproximei dos dois, agachando ao lado deles.
— Você está bem?
— Estou. Só com um pouco de sono e dor de cabeça. Ressaca, né? Mas já tomei um analgésico. Não se preocupe. Eu vou cuidar da Aya-chan, pode ir trabalhar.
— Tem certeza que vai ficar bem? E quanto a comida?
— Eu me viro.
— Naruto, eu percebi ontem que você não está se alimentando direito.
— Claro que estou.
— Não, claro que não está. Você está muito magro, muito mais do que...
— Eu perdi um pouco de peso, sim! — ele me interrompeu, claramente irritado. — Que merda, Sasuke! Eu fiquei depressivo, você lembra? Eu vou recuperar o que perdi.
Eu não tinha certeza sobre aquela alegação, parecia mais que ele estava tentando me enganar e se enganar.
— O que foi? Por que está me olhando desconfiado desse jeito?
— Naruto, você ainda não está curado da depressão. A falta de apetite é uma prova.
— Sasuke, vai logo pro seu trabalho.
Eu não me movi.
— Eu só não ando sentindo fome como eu sentia, tá legal? Como vou comer se não estou com fome? Quando eu olho para comida me vêm sentimentos ruins, meu estômago embrulha. Eu sempre saía pra comer com a Sakura.
— Você precisa ir ao médico — o alertei em tom grave.
— Eu não estou doente! — ele rebateu energético.
— Sim, está sim — continuei contradizendo. — Isso é uma doença e ela tem nome: anorexia! Se você não se tratar terá outras complicações como anemia, bulimia e sei lá mais o quê! Ou pode definhar até morrer! Eu, eu me deixei enganar, Naruto. Eu o vi sorrindo, brincando, achei que estivesse superando. Mas ontem quando eu...
— Eu o que? — ele me desafiou com a pergunta e o olhar furtivo sobre mim.
Fiquei em silêncio novamente, dando brecha para ele prosseguir.
— Percebeu quando meu deu banho de madrugada? Você não gostou do corpo que viu, que tocou, ele não te excitou?
— Você se lembra?
— Pouca coisa. Mas como eu acordei inteiro e sem dores mais profundas, se é que me entende, então significa que você não se aproveitou da minha bebedeira. Só que eu achei, de verdade, que você não tivesse feito por sua “boa índole” e não por não se sentir excitado com meu corpo esquelético — ele completou com uma risada maldosa.
Eu o encarei incrédulo.
— Eu também me enganei — declarei, realmente ferido. — Achei que você estivesse recuperado. Pensei que finalmente estava conhecendo a pessoa madura que existia em você. A pessoa pela qual a Sakura se apaixonou. Um cara alegre, cheio de vida, sensível e gentil. Mas, não. Essa pessoa sempre foi uma ilusão. Você é só um cara bonito. Só. Por dentro continua sendo patético, cruel e o ignorante que conheci — concluí e me levantei, ouvindo a Ayame-chan chorar.
Troquei de roupa rapidamente, pensando no que eu estava fazendo.
Por que eu estava me sujeitando a tudo aquilo afinal?
Saí do quarto pisando duro, atravessei a casa e passei pela varanda sem olhá-los. Mas sabia que Naruto ainda estava no mesmo lugar, agora tentando ninar a bebê que chorava em desespero.
Entrei no carro com o coração disparado no peito e saí para rua o mais rápido que pude. Só me dei conta do quanto estava arrasado quando me deparei com o meu reflexo no retrovisor e vi meus olhos derramando lágrimas. Encostei o carro e cobri a boca com uma das mãos, estava chorando. Chorando de soluçar, de esfregar as mãos nos olhos. Chorando para lavar alma, perder as forças, secar as lágrimas, me reencontrar.
Quando finalmente as lágrimas tiraram de mim tudo que estava pesando, eu funcionei o carro novamente e voltei a dirigir, da mesma forma que voltei a raciocinar de forma madura, descarregado das ilusões adolescente. Agora sabia bem o rumo que deveria tomar ou melhor... retomar.
Continua...
[1] PS3 – PlayStation 3; é o terceiro console de videogame produzido pela Sony Computer Entertainment;
[2] 3DS — Nintendo 3DS; é um console portátil de jogos produzido pela Nintendo;
[3]Itadakimassu – Obrigada pela comida, dito antes da refeição.
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