O meu quarto me trazia muita nostalgia sempre. Era difícil imaginar que já faziam quase 4 anos que eu estava morando longe de casa. Tudo ainda continuava igual. Era uma cama de solteiro com uma escrivaninha na lateral da cama. Haviam vários nichos com vários objetos da minha infância (alguns ursos e bonecas clássicas, com algum valor sentimental). Na escrivaninha ainda tinham alguns cadernos nas gavetas e também meu antigo notebook. No meu guarda roupa, que ficava de frente para a cama, tinham poucas roupas. Fiz questão de doar quase tudo praticamente.

— Como foi de viagem? — Minha mãe me perguntou enquanto meu pai me ajudava a colocar as malas no meu quarto.

— Foi boa. Só fiquei cansada mesmo. — Eu sorri

— Deixei uma tortinha lá em baixo pra você. Quer comer agora? — Minha mãe me perguntou.

— Eu vou tomar um banho primeiro e já vou. — Eu esbocei um sorriso e caminhei até minha mala, arrumando ela em uma cadeira para conseguir abrir.

— Eu deixei separado umas toalhas pra você usar — Minha mãe sinalizou em cima da cama.

—Obrigada mamis, você é a melhor -Eu beijei a sua bochecha e a abracei.

— Só sua mãe né? — Meu pai resmungou.

— Você também né pai? O homem mais forte da minha vida — Eu fui bem melosa e o abracei também. Depois eles saíram do quarto.

A nossa família estava longe de ser perfeita, meu pai mesmo tem ataque de raiva as vezes e a minha mãe é muito brigona. Imagina os dois com raiva? Justamente. Eles eram muito barulhentos quando estavam no ápice de cada um.

Depois de tomar banho, desci pelas escadas que levavam até a cozinha. A nossa casa era do tamanho certo. Haviam dois andares, o primeiro andar era sala de visita, sala de jantar, lavanderia e cozinha. O andar de cima ficavam 3 quartos, sendo entre eles, 2 suítes. Da janela do meu quarto dava para ver a praia. Como eu amava sentir o cheiro do mar e principalmente dormir com o barulho dele. A nossa casa era literalmente atravessar a rua e já estava na praia. Tinha uma piscina no quintal e uma portinha que dava acesso a casa do Rupert's.

— Nossa que saudade eu estava dessa tortinha! — Exclamei enquanto devorava a torta de frango famosa da minha mãe. De uma maneira geral foi uma noite bem agradável e de fato eu só queria dormir e não pensar em mais nada. Estava feliz de estar com minha família novamente. E eu imagino que a casa dos Rupert's estavam com a mesma sensação.

***

Sem colocar despertador, o sol entrava no quarto com a brisa suave e também o cheiro do mar ficava cada vez mais perceptível. Eu estiquei meu corpo o máximo que consegui na cama e respirei fundo enquanto lentamente abria meus olhos. Eu levantei e abri a cortina do meu quarto, deixando a claridade entrar mais ainda. Aos poucos meus olhos ficaram fixo no sol e nas ondas do mar. A praia era bem deserta, mas pelo final de semana percebi que haviam algumas pessoas lá. Eu olhei para meu celular e haviam algumas mensagens, dentre elas uma me chamou atenção.

Só queria dizer que estou pensando em você — JR

Droga! Ele era um bom jogador. Sabe quando alguém é tão clichê mais funciona com você? Era essa a sensação que tinha. Percebi isso, porque um sorriso voluntário se formou no meu rosto. Eu tirei a foto da vista do meu quarto e mandei um:

Bom dia com essa vista! Aproveita com sua família esse feriado. — Alice

Sendo verdade ou não o JR me chamava atenção pelo fato dele verbalizar muito fácil o que ele quer e pensa. Era muito fácil se conectar com alguém assim. Claro que o JR tinha algumas camadas de sentimentos, mas no geral, ele era alguém fácil de se relacionar. Caminhei até o banheiro e coloquei um biquíni colorido que eu tinha, com um vestido transparente de praia. Meus pais como sempre já haviam acordado.

— Bom dia! Nossa pai, teve folga nesse feriado do hospital? — Eu perguntei enquanto dava um beijo nele e na minha mãe.

— Sim Li! Esse feriado vou conseguir passar com vocês. — Ele comemorou. Meu pai era médico, então sempre foi uma parte difícil de ter ele presente em muitos momentos importantes, porém a minha mãe sempre permanecia forte e supriu isso muito bem na minha infância e adolescência.

— E você mãe? O escritório te liberou finalmente?

— Graças a Deus, querida. Espero que nada atrapalhe nosso feriado. Principalmente os pacientes do seu pai — Ela sorriu enquanto terminava de montar a mesa e meu pai a ajudava. A nossa cozinha tinha um balcão americano e depois ficava uma mesa grande de 8 lugares. A minha mãe era alguém que amava receber pessoas em casa. Principalmente, porque ela trabalhava em um escritório administrativo com bastante gente. Então, sempre tinha gente lá em casa.

— O que vamos fazer hoje? — Eu caminhei até a mesa, me sentando junto com eles.

—Vamos almoçar com os Rupert's. Seu pai disse que vai pescar a tarde com o Rubem. — Minha mãe afirmou. Ela sempre tinha uma programação.

— Você sabe porque a Laura não veio, filha? — Minha mãe me perguntou. Se existe uma coisa que eu sou idêntica a minha mãe é na fofoca.

—Não sei mãe, parece que veio um tio dela visitar no feriado e ela vai passar com a família dela — Eu respondi enquanto pegava alguns ovos mexidos e colocava no meu prato.

— Ah não sei, muito estranho. Será que eles estão bem no namoro? — Ela continuou.

— Sua mãe e as teorias dela. Acho que eles estão bem sim Hellen, você sabe como namoro jovem é. -Meu pai afirmou. Também acabei puxando o lado sensato dele.

— Não sei. Só sei que estou achando ótimo ela não vim. — Minha mãe afirmou e aquilo me pegou de surpresa.

—Mãe ??? Mas porque? Achei que você gostasse da Laura — Eu fiquei muito abalada com a informação dela.

— Eu gosto muito dela filha, mas não namorando o John. É... deixa pra lá- Ela falou e imediatamente meu pai continuou a conversa.

—Hellen... você sabe como são esses namoros jovens, hoje estão juntos e amanhã não estão mais. — Meu pai me deixou ainda mais em choque. Essa nova atualização da família foi completada.

— E você? Algum namorado? — Minha mãe era assim... inconveniente as vezes. Claro que não ia falar que havia jantado com o JR, pois depois ela iria sair contando pra família inteira. Meu pai já era mais discreto sobre alguns assuntos.

—Claro que não mãe! Tenho estudado muito — Eu afirmei.

— Isso mesmo minha filha, muito nova pra pensar nisso e os estudos são a nossa prioridade — Meu pai falou a lição de moral com uma torrada de geleia na boca. Isso me fez rir.

Depois de um tempo conversamos sobre várias pessoas da família e de como meus tios estavam e meus primos. Aquela velha fofoca da família não é mesmo? Coisas que vocês só teriam com os pais de vocês ou aqueles primos bem próximo. Aquela era uma manhã agradável e que me despertou um sentimento de estar em acolhida em casa.