Sem Lagarta não há Borboleta.
10 Conexão perdida
— Nossa não acredito que o JR fez isso cara. Eu estou assim, surpresa REAL Alice — Suzy estava surpresa.
Era já sexta-feira 17 horas, o dia na faculdade teve bastante aula e muitas atividades para fazer no feriado. Eu inclusive já tinha colocado na minha mala alguns cadernos e livros para ler na casa dos meus pais. O que eu mais estava animada, era o fato de ser casa de praia. O que me desanimava? Ser vizinha dos Rupert's.
—Hoje vou ter que buscar o John no apê dele. — Resmunguei.
— Nossa, sério? Imagino que deve ter sido bem traumatizante o acidente de carro — Ju comentou.
— Sim. Mas... a Laura vai? — Suzy continuou.
—Não — Eu respondi imediatamente com uma expressão preocupada.
— O QUE? De todo esse tempo, essa é a primeira vez que ouço isso. — Suzy parecia não acreditar. Fazia muito tempo que eu não ficava sozinha com o John e quem dirá no mesmo carro.
— Como você está se sentindo? — Ju foi bem compreensiva.
—Para ser bem sincera, não faço a mínima ideia de como vai ser. Nossos pais decidiram que eu iria dirigir o carro, devido ao trauma que ele ainda está de dirigir. Mas... eu não faço a mínima ideia — Eu fui sincera. Eu lembrei da minha sessão com a minha terapeuta, ela me disse:
—Faz tanto tempo que vocês não conversaram sozinhos, talvez seja a hora de você ver o que realmente é, sem idealizar.
— E vocês como andam? Chega de falar só de mim — Eu respondi
— Eu vou passar na casa do Troy com a família dele — Suzy fez uma cara apaixonada.
— E eu irei para casa dos meus pais — Ju falou um pouco tímida.
— E o IAN? — Eu perguntei bem curiosa. De fato não toquei mais no assunto com ela sobre ele.
— Ah... estamos nos conhecendo. — Ela falou tímida.
—Larga de ser sonsa, que eu sei que vocês já estão íntimos — A Suh fez uma cara maldosa e isso realmente me deixou de boquiaberta.
— O QUEE??? Como foi? — Eu e a Suh estávamos curiosas por detalhes, mas a Ju era muito discreta. Tiramos apenas a informação de que eles estavam se gostando e que ele estava prestes a pedir ela em namoro, mas que ela não queria ir com muita pressa.
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—Obrigada por me ajudar — Esbocei um sorriso para Suh enquanto a abraçava.
— Me manda mensagem me atualizando de tudo. Quero saber — Ela se referia a história movimentada e não tanto da minha vida amorosa. Eu sorri e acenei.
— E você também, por favor — Eu falei com ela se referindo a família do Troy. Sempre tinha briga dela com as primas dele e era muito divertido de acompanhar.
—Avisa quando chegar. — Su se despediu. Ela era a mãe da casa. Sabe aquela pessoa que une todo mundo? Que trás alegria o tempo todo? Era ela.
Eu mandei uma mensagem para o John, faltavam 15 minutos para as 19 horas, o horário do nosso combinado. Eu estava a caminho da casa do John, de certa forma não estava tentando pensar muito e nem idealizar nada. Acho que a minha ansiedade foi pelo fato de imaginar como eu me sentia. Eu tentei reprimir meus sentimentos e pensamentos e apenas coloquei uma nova banda no rádio que estava gostando muito de ouvir "Beach Fossils''. Assim que parei meu carro em frente ao prédio dele, peguei meu celular e foi aí que ouvi um barulho no vidro.
— Nossa que susto! — Exclamei
— Está muito assustada Lice — Ele sorriu e foi aí que liberei meu porta malas para ele colocar as coisas dele. Era só uma bagagem de mão. O John não era nada extraordinário, ele era comum. Ele estava com uma calça jeans, uma blusa preta de uma banda e um tênis. Ele costumava a ter antes do acidente cabelo um pouco maior, mas agora estava quase careca, então ele usava bastante boné pra esconder a cicatriz da cabeça.
O fato de toda a nossa história, é que ele viu todos os meus lados possíveis, isso mexia comigo. Imagina você crescer com alguém que viu todos os seus lados e ainda assim continuava a ser seu amigo? O John pra mim é a pessoa que se eu estiver em uma rua sozinha e com medo, eu ligaria.
— Você está bem? — Eu o perguntei em relação a estar dentro do carro.
— Claro que estou. Tirando o fato que você dirige mais lento que minha vó — Ele tentou descontrair enquanto entrava no carro e nós dois rimos por isso.
A viagem foi muito tranquila, ele era aquele amigo que não encontrava por meses, mas toda vez que a gente se conecta parece que tudo continuou igual. Obviamente sem a Laura. Eu pensei que fosse estranho, mas a distância era estranha pra nós dois. Quando estávamos a sós, era como se o tempo tivesse parado. E foi em uma dessas conversas aleatórias como: série, como estão as pessoas do colégio, faculdade, aulas, Laura...
— Eu senti sua falta Lice — Ele afirmou e aquilo me deixou surpresa.
— Eu também senti sua falta, John — Eu fui sincera naquilo. A real era que eu lembrei dos momentos de quando tínhamos 13-14 anos, nós havíamos roubado o walkie talkie do meu pai. E passávamos o dia inteiro conversando. Isso quando o John não inventava de ficar conversando no final de semana até tarde da noite, escondido dos nossos pais claro. Acredito que foi nessa época que comecei a me apaixonar por ele.
— O que você está pensando? — Ele me perguntou.
— Eu lembrei de quando tínhamos uns 13 anos, que ficamos acordado até tade no Walkie Talkie do meu pai.
— Nossaa... faz tanto tempo. Eu acho que eu ainda tenho ele. — Ele afirmou
— SÉRIO? — Eu me animei. Eu amava quando guardávamos coisas antigas para recordação, acho que puxei esse lado da Tia Kelly.
— Eu acho que ainda tenho também. Vou tentar procurar lá — Eu afirmei.
— Nessa época eu era apaixonada por você — Eu falei. Sabe quando uma frase sai da sua boca e você nem parou pra pensar direito? Foi essa frase, tentei agir com naturalidade.
— Claro que não. Eu que era por você — Ele falou bem calmo. E eu por dentro estava: O QUEE?? Você também gostou de mim na adolescência?? Mas o que saiu foi:
—Nossa nada a ver. Você estava de namoro com a Angel da escola — Eu tentei me lembrar.
— Lógico, você me batia e me chutava — Ele concluiu e nós dois rimos.
— Eu cheguei a fazer uma carta de declaração, acredita? — Eu acho que isso o pegou de surpresa.
— Eu quero ver — Ele insistiu.
—Eu acho que nem devo ter mais isso — Eu ri imaginando da carta.
— Eu tenho nosso anel de casamento — Ele falou e eu comecei a recordar que tínhamos um anel que fizemos uma vez com 10 anos, era um anel de cola e macarrão, uma coisa bem artística.
—Nossaaaa. Meu Deus, essa eu quero ver — Afirmei e nós dois rimos. Por um tempo houve um silêncio no carro, enquanto a música continuava. E foi aí que senti coragem o suficiente para perguntar.
— Você me mandou uma mensagem querendo conversar comigo e... teve o acidente e todos esses desencontros. Era alguma coisa importante? — Eu engoli seco e aqueles segundos de espera da resposta havia me deixado mais ansiosa.
— Não, não era nada demais. Era só um presente que eu ia comprar para Laura — Ele respondeu. Sabe quando vem a decepção? Foi isso para mim naquele momento. Eu havia idealizado tantas coisas que ele queria falar comigo que...nada mais era do que algo sem noção.
—Estamos chegando! — Quase berrei de felicidade. Eu estava com muita saudade dos meus pais e principalmente do sentimento de estar em casa com a minha família. Sabe aquele sentimento que você deseja ser mimada e cuidada? Era isso que desejava nesses dias com meus pais. Eu sabia que a Tia Kelly também iria fazer a mesma coisa. Uma vez minha mãe disse que o John era o filho homem que ela não teve e depois ouvi isso da tia Kelly sobre mim.
— Oi amor — John tinha atendido a ligação da Laura. Ele falou algumas frases, sinceramente naquele momento me desliguei um pouco nos pensamentos. O fato era que eu sabia que John era apaixonado por ela e eu genuinamente queria ver meus amigos bem.
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