Eu mal havia superado o fato de ter sentido tantas coisas hoje durante o dia que eu tinha que ligar para o JR. Eu olhei para o meu celular e já eram quase 23 horas. Eu salvei o número dele novo e liguei. Depois de 5 toques, aquela voz conhecida atendeu.

Salva por uma hora.

— Como assim salva por uma hora? — Eu o perguntei.

1 hora pra meia noite. Falei pra o destino que se você não me ligasse hoje eu desistiria de vocêEle deu uma gargalhada no final da frase. E isso me fez rir.

O menino mais desejado do campus me esperando ligar? Quanto avanço Eu tentei brincar de volta.

É isso que você pensa de mim? Sou desejado por você também? Ele sempre era muito direto ao ponto. Existiam poucas pessoas diretas que eu conheci, o JR era um deles. Não tinha joguinhos de flertar, era tudo muito as claras e direto. Isso era bem diferente pra mim.

— O beijo não foi suficiente? — Eu falei enquanto deitava na cama e apagava a luz.

— Wow, eu gosto dessa versão da Alice

—Como foi o dia na casa do Troy? — Eu mudei de assunto.

— Não não, vamos voltar para a Alice atrevida — Eu podia ouvir um leve risada que deu no final da frase.

— Claro que não. Alice te dando o primeiro beijo, será tudo que você vai ter — Eu sorri no final da frase.

—Nossa, dá o doce e agora me deixa sem nada? — Ele continuou.

— Eu não faço joguinhos JR, espero que saiba disso — Eu fui bem sincera.

— Eu sei, por isso estou interessado em você — Ele afirmou. Será que estava sendo sincero também?

— Você está bem? Deve ser bem difícil ficar sem a família nesse feriado. — Eu tentei mudar a conversa. O JR era muito bom de ter conversas superficiais, mas quando algum ponto tocava ele, ele tentava fugir sempre com momentos "engraçadinhos". Eu me identificava muito com ele, pq eu era assim também.

— Eu estou sim. Foi bem divertido aqui na casa da família do Troy. E você como foi ir na casa com sua prima?

— Foi muito legal! Ficamos vendo estrelas e no final acabei assistindo alguns filmes com meus pais.

Nós dois ficamos conversando por algum tempo sobre os filmes, séries e também sobre alguns assuntos da infância. Eu percebi que o JR era bem solitário na infância, pois seu pai trabalhava muito. Eu não fazia ideia de quanto tempo ficamos conversando, até que eu comecei a sentir muito sono e pelo visto ele também:

— Meu Deus!! São quase 2h30 min — Eu quase berrei no telefone.

—Nossa, está muito tarde. Foi muito rápido.

— Sim, foi mesmo. Eu preciso desligar. — Respondi

— Alice

—Oi JR

— Eu quero muito jantar com você novamente

— Vou ver assim que chegar em casa como vai estar meu cronograma da faculdade, tá bom?

— Sim, tá bom. Estarei esperando.

— Boa noite JR

— Boa noite e bons sonhos Alice.

— Pra você também — Nós dois encerramos a ligação. Eu estava uma bagunça interna. Eu não podia negar que ele mexia comigo, mas meus sentimentos pelo John também não eram muito fáceis. Depois do acidente tudo havia mudado e estava muito mais sensível para mim. Senti meus olhos pesados naquele momento.

*******

— E me conta tudo, eu quero saber o que aconteceu? — Eu estava muito curiosa. A Ju estava na cozinha participando da nossa conversa.

— Acho que você precisa falar primeiro Lice — Suh falou enquanto nós três estávamos sentando no sofá pegando um pedaço de pizza pra dividir.

—Bom... hoje foi o dia mais tranquilo. Ficamos muito com a nossa família e na volta pra casa o John estava mais calado e também não fiquei perguntando demais.

— Nossa, o que será que aconteceu? — Juh perguntou.

—Não faço a mínima ideia. E nem quero saber dele. Estou muito irritada. — Afirmei

— O que houve? — Ju parecia assustada. Eu contei pra elas o que havia acontecido no dia da praia da nossa conversa e até a casa da árvore também.

—Eu não entendo o John. Ele pra mim sempre foi muito estranho. As atitudes dele nunca são claras e isso é confuso demais — Suzy concluiu.

— Eu também não entendo nada. Uma hora está um cachorrinho da Laura e outra hora está assim — Ju afirmou.

— Eu concordo com vocês. E... independente do que eu sinto, não vou esperar John a vida toda — Eu conclui.

— ISSO! Precisa seguir em frente. E já temos uma pessoa pra isso — Suzy fez uma expressão de que iríamos entrar naquele assunto.

— Conta como foi com o JR — Ju perguntou. Nós 3 tínhamos um grupo e trocávamos mensagem lá. A Suzy no dia seguinte tinha escrito algumas coisas no grupo sobre isso e a Ju ficou sabendo da situação.

— Eu também estou bem curiosa — Eu afirmei.

— Então... o Troy me disse que o JR está mesmo interessado em você. Que ele ficou procurando muito você na faculdade na semana da festa e que rejeitou sair com a loira que ele ficava.

— O QUE? — Ju estava em choque e eu nem acreditava no que estava ouvindo.

— Mas... não faz sentido pra mim — Eu tentei entender alguma razão pra o comportamento dele. Tentar justificar alguma coisa.

—Lice... você tem que aprender que você é uma menina inteligente, linda, incrível, amiga, companheira e MUITO interessante. Então, faz todo sentido ele estar interessado em você — Ju afirmou. Ela era tão boa em algumas colocações, que me faziam ficar emotiva.

— Eu concordo. O Troy está muito surpreso, afinal faz muito tempo que o JR não é assim.

— Nossa, teve outra vez? O que aconteceu? — Meu lado fofoqueira entrou em ação. A Ju também estava bem curiosa.

—Então, sabe como o Troy é né? Muito difícil de arrancar informação. Mas...ele me disse que tinha uma ex-namorada do JR que ele gostava muito, mas ela acabou ficando com outro menino.

— Nossa detesto essas coisas. Odeio traição de todos os lados — Ju falou.

— Parece que ela machucou muito ele. E depois disso, ele ficou assim... bem fechado e ficando sem compromisso — Su terminou de falar.

— E você, o que sente por ele? — Ju me perguntou.

— Eu não vou mentir e esconder que não tenho atração por ele e que ele não me faz sentir nada, por que faz. O JR é muito direto ao ponto em alguns assuntos e isso me faz querer conhecê-lo mais. As vezes a intensidade dele me assusta.

— Claro que assusta. Você está acostumada com indeciso, babaca que não fala nada direto ao ponto. — Ju afirmou. De fato, ela tinha totalmente razão nisso. O John era muito vago nos seus sentimentos e em ações, desde sempre.

— Então você acha que pode gostar dele? — Su continuou.

— O JR me causa reações diferentes sabe? Eu vejo ele e sinto faíscas de todos os lados.

— Ah eu sei... — Ju fez uma carinha que todas nós rimos.

— E como foi vocês no feriado? — Eu tentei mudar de assunto, realmente queria saber delas.

— Como sempre briguei com a Tina — Imediatamente a Suzy falou e nós 3 rimos. A Tina era a prima distante que já havia ficado com o Troy. E ela provocava muito a Suzy.

— Dessa vez sem cabelo na mão? — Ju perguntou.

—Não não... dessa vez foi mais tranquilo. Graças a Deus ela está namorando — Suzy sorriu aliviada e nós duas rimos.

— Meninas, o Ian me pediu em namoro

— O QUE??? — Eu e Suzy estávamos de boca aberta.

—CONTA MAIS — A Suzy berrou.

— Então... eu sei que faz pouco tempo, mas estou gostando muito dele e... ele me levou pra jantar ontem e me pediu em namoro — Ela falou.

— Nossa a Ju não conta detalhes. A gente quer morrer — Eu afirmei e a Suzy concordou imediatamente.

— Mas.. estamos felizes por você Ju! O Ian é um cara muito legal e vocês combinam muito — Eu continuei.

—O Ian é muito legal e vocês foram um casal lindo — Suzy afirmou.

Aquela foi uma noite muito legal com nós 3, nos divertimos, rimos e fomos contando mais detalhes do nosso final de semana. Elas eram como irmãs pra mim e era isso que nos fazia manter tão unidas. Óbvio que nem tudo era mil maravilhas, mas sempre resolvíamos na base da conversa. A convivência com elas era de alguma forma muito leve. Eu estava tão grata por ter pessoas assim a minha volta.