Sem Lagarta não há Borboleta.
15 Conselhos amorosos
Lih, como foi o final de semana? Estou com muitas saudades de passar um tempo com você – Laura
De fato, depois do acidente muitas coisas mudaram dentro de mim e de certa forma eu percebi que havia uma tendência de procurar muito mais a Laura, do que ela me procurar. Talvez foi esse ponto que ela tenha percebido e agora estava tentando se aproximar novamente. A Laura na época do colégio era a única menina que fez questão de ser minha amiga no começo do ensino médio. Ela era bonita, popular e sempre foi uma menina com coração enorme. Eu me lembro que vivemos muitas coisas solteiras até os meus 17 anos com ela. Depois disso o John se declarou e os dois enrolaram para namorar, foi só no início da faculdade que eles assumiram o relacionamento oficial. Desde então, foram desde os 17 anos essa bagunça emocional para mim.
Pode ser que a Laura não continuava sendo minha melhor amiga desde aquela época, eu apenas considerava muito a nossa história. Eu jamais conseguiria dividir algumas coisas muito profundas com ela, pois eu sabia que aquilo que estava profundo em mim, poderia machucá-la de certa forma. Eu estava tentando entender qual era o lugar da Laura na minha vida atualmente. Eu sei que ela não era mais a pessoa que eu contava tudo, logo ela era uma amiga próxima com alguns limites de informação. Era difícil começar a pensar depois de tanto tempo qual era o papel de algumas pessoas na sua vida. Se ainda fazia sentido.
— Saudades de passar um tempo também com você. O final de semana foi bem tranquilo. – Alice
Quase imediatamente ela respondeu
— O que vai fazer hoje?
Eu suspirei profundo. Já era terça-feira e estava cheia de coisas para fazer. Certeza que ela ia me pedir pra jantar com o John.
— Eu ainda tenho algumas coisas pra estudar— Eu tentei dar uma desculpa.
— Ahh, ia te chamar pra jantar, só as meninas. O que acha? - Ele me perguntou. Fazia muito tempo que eu não ouvia a Laura me chamar pra jantar sozinha, sempre eu sugeria.
— Claro, pode ser! Que horas? - Eu tentei me manter aberta.
— Umas 20:30 está bom pra você?
— Claro. Está ótimo! Onde? — Perguntei.
— Eu te busco em casa e nós decidimos — Ela respondeu.
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20h 43 min
— Onde nós vamos? – Eu perguntei para Laura enquanto ela já ligava o carro novamente.
—Pensei em ir naquela hamburgueria, que nós queríamos muito ir – Ela sugeriu.
—Ouvi falar muito bem de lá! – Eu a respondi.
Todo o caminho foi bem tranquilo, não conversamos nada demais. Assim que chegamos no lugar, o garçom nos encaminhou para uma mesa mais silenciosa e bem discreta também. Nós passamos alguns minutos conversando sobre a faculdade, assuntos bem aleatórios. Até que ela começou a entrar no ponto que talvez ela queria falar.
— Eu queria te contar uma coisa Lih – Ela afirmou.
— O que aconteceu? – Eu continuei enquanto dava um gole no refrigerante.
— Eu não sei se amo o John – Ela falou.
— Como assim não sabe mais se ama ele? – Eu engoli seco e arregalei meus olhos.
— Estamos juntos já um tempo Lih e você sabe como o John é. Ele é muito pouco comunicativo, difícil de verbalizar algumas coisas e isso me deixa em dúvida muitas vezes do quanto ele gosta de mim.
— Laura, acho que você está sendo injusta nisso. Claro que o John ama muito você e nossa, no acidente eu vi o quanto ele ficou abalado. – Eu o defendi.
— Lih, eu não sei se eu o amo mais. Esse é o ponto – Ela suspirou enquanto comia um hambúrguer.
—A paixão acabou Lah, o amor é muito sólido. É ver todas as partes boas e ruins de alguém e continuar escolhendo ficar com ela. Talvez você queira sentir paixão. Tenta fazer algumas coisas diferentes, não sei... ir pra lugares diferentes.– Eu conclui.
—Talvez você tenha razão. Eu percebi na praia com a família de vocês o quanto ele estava empolgado e fazia muito tempo que ele não falava comigo daquela forma. – Laura falou e no final da frase bebeu um gole de refrigerante.
— Vocês mudaram a rotina, é totalmente compreensível – Respondi novamente. — Estava lá, eu Alice Stone dando conselhos amorosos para minha amiga sobre o menino que fui apaixonada e amava desde a adolescência. Se isso não é ironia do destino, eu não sei o que é.
—Eu não sei... O que você faria no meu lugar? — Ela me perguntou.
— Eu tentaria ser honesta com o que eu sinto. Acho que a comunicação leva a gente pra algum lugar. Depois tentaria ser prática e sair um pouco da rotina. – Eu a respondi.
—Lih, eu não sou boa com as palavras como você. Você sabe disso. Mas eu vou tentar. Obrigada!
— Claro que é boa sim. Obrigada por me contar. – Eu sorri enquanto terminava de comer outro pedaço do hambúrguer
— E você? Está conhecendo alguém? – Ela me perguntou. Eu senti que naquele momento eu precisava ser honesta também e mostrar o JR. Eu estava começando a sair com ele, apesar de não está acontecendo nada demais.
— Estou sim – Respondi
— O QUE? Quem é? Fotos? Conta tudo – Ela pareceu bem animada.
Contei brevemente minha história com o JR e principalmente que estava devendo um jantar pra ele e ainda não fazia a mínima ideia de levá-lo. Depois eu acabei mostrando a foto dele pra ela.
—Nossa muito bonito! Eu acho que já vi ele antes, mas não lembro onde. – Ela ficou com uma expressão pensativa, tentando lembrar de onde ela o conhecia.
—Bem provável que tenha visto na faculdade – Eu sorri.
— Ah claro. Ele é bem bonito e devo ter visto sim – Ela começou a rir
— Porque você não leva ele naquele restaurante no parque? É muito legal e super romântico. O restaurante fica do lado da roda gigante
— Nossa Lah que boa ideia. Nunca fui lá. – Eu estava começando a pensar que era uma excelente ideia.
— Na verdade, falando em mudar de rotina. Que tal se eu e John fôssemos juntos um dia? — Ela estava animada até demais. Eu não estava ainda preparada para sair com outro casal e principalmente Laura e John.
— Bom, ainda não tenho nada certo com ele. Mas vou guardar a ideia do parque para o futuro, quem sabe? — Eu fui sincera.
Eu sorri e continuamos a conversar assuntos aleatórios. Naquele segundo eu percebi que eu era muito boa de esconder o que eu sentia, eu tive a convicção de que a Laura não fazia ideia do que se passava dentro de mim. Se uma mulher não sabe, imagina um homem.
O final da noite foi bem tranquilo, nós nos reconectamos novamente. Mas ainda assim foi o suficiente para entender qual tipo de relação nós duas tínhamos. Ela continuava sendo a minha amiga, eu desconstruí a ideia de que ela era minha melhor amiga. Na verdade a Laura nunca me disse isso sobre nossa relação, eu apenas coloquei ela nesse lugar. Nós duas tínhamos crescido e desenvolvido outras amizades também. A parte da conversa sobre o John ainda ficava na minha cabeça. A minha mãe tinha razão que eles estavam com algum tipo de problema no relacionamento deles, afinal já eram anos juntos. Eu não me recordo da Laura me falar nenhuma briga com John, sempre foi algo muito discreto. Por isso, fiquei surpresa dela estar abrindo algo assim para mim e ainda por cima pedir conselhos.
Era tudo tão agitado ultimamente dentro de mim, ainda assim eu precisava focar nos meus estudos, precisava dar conta da minha bagagem emocional e principalmente das minhas novas e antigas conexões. Isso era muito cansativo. Eu me recordo que falei isso em uma sessão de terapia, o estudo e a faculdade em si, ela é cansativa mas não me sinto da maneira como são os dramas da minha vida emocional. Assim que voltei pra casa e deitei na cama, sem pensar muito percebi que meu dedo estava no celular pesquisando sobre lugares para jantar na nossa cidade.
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