Notas iniciais
Im sorry, i didnt ask how you were
(Me desculpe, não te perguntei como você estava)
After I met you
(Quando nos encontramos)
You dont even know the
(Você não faz ideia da)
Immaturity of my heart
(Imaturidade de meu coração)

Julie lentamente abre os olhos. Atordoada, ela vê tudo ainda um pouco embaçado, mas depois de piscar os olhos ela pode ver melhor onde se encontra. Ela está em uma cama, coberta por um fino cobertor branco e num quarto todo branco. Ela está num quarto de hospital, se assusta um pouco ao perceber. Julie vê que tem alguém sentado numa cadeira ao lado da cama, com os braços em cima da cama e a cabeça deitada neles. Era Daniel. Julie passa a mão pelos cabelos dele.

– ..Daniel.. – Julie fala com dificuldade, vendo agora que está com uma máscara de ar em seu rosto.

– ..Julie! – Daniel se levanta, mostrando surpresa de vê-la acordada. Ele estava com os olhos vermelhos, parecia ter chorado... Mas ele é interrompido por uma médica e o pai de Julie entrando no quarto.

– Oh, ela acordou. – A médica fala.

– Julie! – O pai de Julie corre até ela. – Filha você finalmente acordou, que susto...! Como você está se sentindo, está doendo alguma coisa?

– Senhor, será bom que ela não fale muito e repouse. Ela ficou inconsciente devido a um edema pulmonar. – A médica explica para os dois, e Daniel escuta atentamente também. — Lhes digo que não é tão ruim, a emergência clínica de sua filha foi um caso de afogamento seco, onde não entrou água por seus pulmões, mas o fechamento da laringe, como defesa natural, a deixou sem oxigênio. Devemos tratá-la com oxigenação adequada até sua recuperação. – A médica olha para Julie sorridente. – Se reagir bem, poderá ir para casa amanhã mesmo.

Essa foi a única parte da explicação que Julie conseguiu entender bem.

– A retirada dela do local foi cuidadosa, quem a resgatou fez da maneira correta, então ela com certeza terá uma boa recuperação. – A médica conclui.

– Não sabem quem foi quem tirou ela da água? – O pai de Julie pergunta.

– Não, senhor. Não conseguimos identificá-lo. Ele apenas ficou com a menina, Julie, até que nosso grupo de emergência chegasse. Falou-nos como contatar o senhor e continuou com ela até ver que ela seria cuidada. Depois não o vimos mais. Realmente estranho. Mas pode ficar tranquilo, o rapaz que a ajudou não estava envolvido no afogamento, foi apenas acidental.

– Desde que não foi ele, já está melhor.

– Senhor Spinelli, precisamos de alguns dados. Poderia vir até a recepção, por favor?

– Sim.. – O pai de Julie segura uma mão dela. – Filha, eu já volto. Você vai ficar boa, tá?

Julie dá um sorriso. Seu pai e a médica deixam o quarto. Julie está novamente sozinha com Daniel. Ela tenta tirar a máscara de ar de seu rosto.

– Hei, hei! Não tira, isso é pra você ficar boa. – Daniel a impede de tirar e novamente é interrompido por alguém entrando no quarto.

– Julie! O mar estava perigoso, eu te chamei, mas você nem me deu bola!! – Anne diz, entrando com Leonardo.

– Anne, não grita com ela.. – Leonardo abraça Anne para acalmá-la.

– Você estava lá?.. – Julie pergunta com a voz fraca. – Como foi.. Quem me tirou da água?..

– Foi horrível! Uma onda forte te engoliu, ai!! Mas então, um cara... Um rapaz na verdade, ele passou correndo por mim e entrou no mar atrás de você! Ele estava todo arrumado, Julie, bonitão.. Com calça social e tudo, um pouco estranho que ele estava meio pálido, sabe.. – Anne fala, Julie se espanta ao ouvir como o rapaz que a salvara era, e automaticamente olha para Daniel. — Me pergunto o que ele fazia com aquela roupa numa praia, mas ele entrou de roupa e tudo. Lindo mesmo foi que ele te salvou, enquanto eu ligava para a ambulância...

– Só sabe falar o que achou do cara, Anne? – Pergunta Leonardo.

– Relax, eu só tenho olhos para você. – Diz Anne. – Ah é Julie.. Eu perguntei o Leonardo por que que você tava tão triste naquele dia. Ele me falou o que vocês estavam fazendo... Bem, obrigada haha, a gente tá junto agora.

– Ótimo, tinha que dar em alguma coisa mesmo. – Julie diz, e tosse um pouco.

– Por favor, será bom que deixem que Julie descanse um pouco agora. – Uma médica entra no quarto e diz pacientemente.

– Tá. Melhora Julie, a gente tem que jogar Queimada de novo! – Anne diz saindo.

– Até mais e melhoras. – Leonardo diz também saindo. A médica fecha a porta.

– ... Esse é o quarto de hospital mais movimentado que eu já vi. – Daniel diz, se sentando na cadeira.

– ... Foi você Daniel? – Julie pergunta.

– Sim, eu não te deixei sozinha como você queria. E ainda bem né. – Daniel diz. – Eu me preocupei .. muito. E você não pode ficar falando..

Por que? Por que ele continua sendo bom pra mim? Ele poderia ter me deixado e continuar com a Rebecca..” Julie pensa. “Se eu morresse poderia ter mais chances de ficar com esse arrogante.. do meu coração.

– Você não deveria ter ido me salvar. – Julie diz, um pouco ríspida.

– Por nada, tá, foi um prazer poder ajudar. – Daniel diz, irônico.

– Eu não agradeci! Por que você não continuou com aquela sua Rebecca e não me deixou morrer?! E eu tive que ver aquilo... – Julie faz cara de nojo. – Por que fez isso comigo? É por que não sou boa o bastante? É por que não sou fantasma também?! Por isso eu não agradeço, eu tinha que morrer pra ser alguma coisa significante pra você! – Julie diz brigando, mas com a voz fraca, e começa a tossir.

– Não diz isso, Julie. – Daniel fica abismado com o que Julie dissera sobre ser melhor morrer. Ela tenta tirar a mascara de novo que a incomodava, mas Daniel não deixa. – E não tira, é pro seu bem. – Ele tenta ser calmo. – Julie, por que você acha que ser fantasma é legal, que é uma boa? Você está enganada... Não se dá conta de que virar fantasma é deixar seus amigos para trás, seu pai triste da vida? Morrer é deixar de poder ter sucesso, Julie..

– Você só me quer por que sou uma forma de você ter seu sucessinho besta, não é? Nada melhor como conquistar a babaca aqui pra conseguir uma chance pra esse sucesso. Pois eu te digo que prefiro morrer pra poder ficar com você! Independente de fama, vida ou não. Eu gosto de você, droga!! – Julie fica com uma expressão fechada, acreditando que não tinha real valor aos olhos de Daniel.

Paira um silêncio no quarto. Julie está de mau humor e não esconde isso, só não arrisca olhar para Daniel depois de sua própria confissão. Já Daniel não conseguia tirar seus olhos de Julie. Ele poderia dizer que se sentia exatamente como ela acabara de falar, ele sentia-se sem ter muita importância para com Julie, mas ela lhe disse o contrário. Ele viu que estava enganado.

Doce seria a descoberta de que os dois estavam enganados entre si, e saberem que um sentimento muito forte os movia a ficar juntos.

Sem que Daniel pudesse se deixar admitir de primeira, Julie conseguiu ser algo de principal em sua morte, ainda mais em seu coração. Daniel aparenta ser um cara durão e de forte índole, mas a verdade é que ele não foi forte o bastante para admitir que sentisse algo por Julie. Estava na hora de ela começar a saber disso.

– Não consegui te falar ainda, mas ... É que você me dá força, Julie. . – Daniel diz, chamando a atenção de Julie. – Sua determinação de cantar, de viver me dá força. Acabei de entender mais um motivo de ter vindo com você. Você É a minha força, Julie. Sem você eu não conseguiria continuar de boa nesse modo sem liberdade e ridículo de ser fantasma, então não pensa assim, não desista de sua vida por nada.. Não desista! – Daniel pede a Julie, a qual continua emburrada e agora desvia o olhar dele. Ele pega uma mão dela e coloca contra seu peito, junto a seu coração. – Julie.. me desculpa se eu não disse antes, mas você é muito importante pra mim... Agora promete que não vai mais querer ser fantasma.

– Por que exatamente você veio comigo? – Julie pergunta, ainda resistindo às palavras de Daniel, mas não tanto, ela estava segurando umas lágrimas.

– Porque eu sou um nada sem você.

Agora Julie não pode mais segurar aquelas lágrimas, elas desceram por suas bochechas já rosadas.

– Droga, Daniel. – Julie diz, ainda tentando resistir.

– Que foi, teimosa? Para de falar.. – Daniel ri um pouco e abraça Julie, dando-a um beijo perto dos olhos, onde uma lágrima passou.

– Daniel.. – Julie começa, ela se lembrara de como acontece nos filmes quando alguém se afoga. — .. Você tentou fazer respiração boca-a-boca.. em mim? – Ela pergunta.

– É, eu tentei. Eu fiquei muito preocupado, então não consegui direito. Acho que acabei só te beijando mesmo.

Julie sente borboletas no estomago ao ouvir isso. Sem querer ela abre um grande sorriso. De novo seus lábios estiveram com os de Daniel. Todavia, ela não se permitiria deixar parecer que gostou. Ela vira o rosto para o lado e mostra como se estivesse limpando a boca com as mãos.

– .. Que isso? – Ele pergunta, sentado ao lado de Julie na cama, de frente para ela.

– Não acredito que teve a cara de pau de me beijar com a mesma boca que beijou a Rebecca.

– Eu não podia trocar de boca, podia? – Daniel pergunta, sarcástico, e logo prefere falar sério. – Julie, eu não a beijei. E eu não sei o que deu nela pra ela fazer aquilo! Mas passou.

– Não sei não..

– Quer ver..? – Daniel chega seu rosto próximo ao de Julie. Ela fica presa ao olhar de Daniel. – Então.. fica boa pra poder tirar essa máscara, aí eu te mostro. – Daniel afasta um pouco seu rosto do de Julie, mas mantém um olhar e sorriso atrevido.

“...Aqui estou eu.” Pensa Julie. “Combinando com um fantasma de que, quando eu tirar essa maldita máscara de ar, vamos nos beijar.

Julie pode ser tímida e ficar corada sempre ao lembrar-se de seu beijo com Daniel, entretanto ela não podia deixar de lado a vontade de tocar aquele lindo rosto do fantasma à sua frente. Ela faz carinho nele, mas é interrompida por seu pai entrando no quarto. Ele se senta à cadeira ao lado da cama.

– Me diz, tá tudo bem aí, filha?

– Tirando a parte de eu estar com essa máscara chata que me dificulta falar, tô legal. – “Tendo o fantasma que eu amo à minha frente ajuda também, sabe.” Julie pensa.

– Ah sim, é melhor você não falar muito mesmo. Mas eu tenho uma coisa pra te falar. Acho que a gente vai ter que voltar pra Campinas.

– ...JURA??! – Julie leva um susto com a notícia, um bom grande susto.

– Shh calma! Mas.. não está tudo certo ainda, .. Eu só pensei que uma notícia assim poderia te animar.

– AH PAI, EU .. eu não sei nem o que dizer!!! Eu..!

– Eu vou resolver esse assunto ainda, filha. Por favor, não fica tão ansiosa. Eu não quero ficar culpado de ter te falado muito cedo.

–...............- Julie não sabia como controlar sua ansiedade. Nesse momento, Daniel segura uma mão dela, acalmando-a. Novamente é muito bom que ele esteja lá com ela. — ..Claro, pai. Eu vou tentar ficar calma. – Julie diz para seu pai, porém olhando para Daniel, o qual a direcionava um sorriso lindo e calmante.

Julie pôde sair do hospital no dia seguinte. Só foi para a escola na outra segunda-feira. Durante todo o resto da semana, seus amigos marcavam de passear e se divertir todos os dias, não querendo que Julie fizesse uma besteira sozinha novamente. Mesmo que ela quisesse ficar no apartamento, porque lá tinha o Daniel a toda hora, ela saia para se distrair um pouco. As vezes que Daniel ia com ela eram melhores ainda, mas quando ele preferia não ir, Julie ficava tranquila, isso porque Rebecca não havia aparecido mais.

Já na segunda-feira depois das aulas, Julie voltava pensativa para casa.

Como eu estou ansiosa para voltar pra minha casa! Mas minha casa mesmo, a em Campinas, perto da minha melhor amiga, dos fantasmas, a edícula pra a gente ensaiar.... Que saudade!!! Ainda bem que meu pai não vendeu a casa, AINDA BEM! Tá vendo, nunca se deve perder as esperanças.”.

Mal sabia Julie que faltou muito pouco para que seu pai vendesse a casa, e ainda faltava. Ele preferia não preocupa-la então não comentava a situação crítica que se passava. Pagar o apartamento estava ficando difícil, e era o mais barato que ele encontrou em pouco tempo, com uma distância boa do trabalho.

Primeiramente, a empresa estava ajudando para se adaptarem ao novo lugar por ajudar com o aluguel do apartamento, mas temporariamente. Agora, ou era vender a casa para continuar no trabalho, ou voltar para a casa que já tem, só que desempregado.

Sem saber de detalhes ruminantes como esse, Julie passa dias felizes naquele lindo lugar, e lindos momentos com Daniel.

Demais, parece até uma história surreal. Eu apaixonada pelo Daniel. Um fantasma!! E ele por mim.. Pera aí!-”. Nesse momento, Julie chega a parar de andar. “...O Daniel está sendo fofo comigo, adorável. Coisa que eu nunca imaginei antes que ele pudesse ser.. Mas ele nunca disse que gostava de mim..!!” Julie começa a estranhar. “..Será que ele esqueceu de mencionar esse detalhe..? Ah não é possível, não é isso... Será que ele disse e eu não prestei atenção?! Impossível! E se .. ah e se eu estiver trocando as bolas, confundindo o que está acontecendo entre a gente?... Mas não pode ser, a gente se.. BEIJOU!!!”. Julie volta a andar em seu caminho de volta. “Estaria ele só me usando pra suas necessidades de homem?.. ARGGH Julie, não pensa isso do Daniel!!!”. Julie já está no prédio, indo para o elevador, tremendo. “Isso está muito confuso agora que me dei conta... Preciso da ajudar da Bia, vou ligar pra ela.”.

Julie se direciona para seu apartamento, achando que apenas esse era o problema. Assim como ela agora sabe que não se deve perder as esperanças, também vai saber que problemas mal resolvidos sempre voltam para estragar tudo.

Ela chega a seu quarto.

– Oi, Daniel! ... Rebecca?!

Rebecca e Daniel, um de frente para o outro, é o que Julie avista ao chegar a seu quarto.


Notas finais
Colégio me atrapalha de postar logo, foi mal ó.ó'
Mas esse cap foi grande! haha xD