Notas iniciais
Baby can't you see the look in my eyes?
(Querido você não pode ver o olhar nos meus olhos?)
Seulpeume bbajin nae du nuneul bwa, oh oh
(Olhe para meus olhos entristecidos, oh oh)
Bulgeun taeyang boda deo tteugeobge
(Ainda mais quente que o sol)
Sarang haetdeon nareul ullijima, ah ah
(Não faça a pessoa que te amou chorar, ah ah)

– .. O que que ela está fazendo aqui? – Julie pergunta.

– El-- Daniel começa, mas é interrompido.

– Acho que eu não deveria ter vindo.. – Diz Rebecca, agora indo atravessar a parede do quarto para ir embora, mas Julie para em seu caminho.

– Ah você acha? – Julie pergunta ironicamente, Ela tem andado de mais com Daniel. De braços cruzados, Julie fita Rebecca, a qual apenas dá a volta por Julie e se vai. – O que estava fazendo aqui?.. – Julie pergunta para Daniel.

– Tá aí uma coisa que eu não sei. – Ele responde.

– Como não sabe? Ela estava falando com você!

– Julie, ela ia falar, mas você chegou. Calma. – Diz Daniel indo dar um abraço em Julie.

– Ah.. – Julie se dá conta de como estava seu tom ao falar com Daniel. Ela se acalma e deixa ser abraçada por ele. Julie deita sua cabeça no ombro de Daniel. — ..O que será que ela queria?

– Não sei. Mas não se preocupa com isso não. – Daniel diz. – Tá? – Daniel pergunta, ela permanece em silêncio. – Julie.

– Hm? – Julie levanta o rosto para Daniel. Ele inesperadamente a beija.

Julie sente uma agradável onda de calor. Assim como Daniel, ela aperta o abraço, põe sua mão na nuca dele, aprofundando o beijo. Infelizmente, ela ainda se sentia aflita, preocupada. “Não posso, eu quero saber o que ela queria aqui, o que ela quer de você..” Julie pensa, preferindo que fossem palavras que Daniel ouvisse. “Acho que estou com medo de, sei lá, te perder... Incrível como não quero perder o que não tenho...” Pensando assim, Julie não se sente digna de ter o abraço de Daniel. Ela afasta lentamente seus lábios dos de Daniel e se solta do abraço.

– Eu vou tomar um banho.. – Julie se retira.

– Eu vou com você. – Daniel diz, com um sorriso convencido. Julie não responde nada, achando que ele só estava fazendo um gracejo, e então fecha a porta do banheiro sem ver o sorriso que ele estava. Quando Daniel ouve a água do chuveiro, ele atravessa a parede do banheiro. Pela pouca transparência da porta do Box, Julie consegue ver Daniel no banheiro.

– DANIEL!!! SAI DAQUI! TÁ LOCO?!

– Eu não, e você não está me vendo. – Ele se encosta à parede, com as mãos no bolso.

– Claro que TÔ! Sai.

– Agora não está mais. – Daniel fica invisível.

– NÃO IMPORTA, não é você que está sem roupa..!!! – Julie respira fundo, seu coração estava quase saindo pela boca. Além de seu rosto estar tão vermelho quanto um tomate. – E se eu estivesse com a porta aqui aberta?!

– Por que você deixaria a porta aberta pra ter o trabalho de secar o chão todo depois? – Daniel replica, reaparecendo no mesmo lugar.

– Sai.

– Ah não. Vai, canta comigo. Deixa de onda e vem se divertir..

– DANIEL, SAI! – Julie ordena, sem resultado. — ... Se eu cantar você sai??

Deixa de onda e vem se divertir. – Daniel insiste, com o sorriso convencido novamente em seu rosto. Julie suspira, vendo que ele não sairia.

–... Aumenta o volume, faz a casa cair.

Haha, viu. Doeu? – Daniel ri.

– ... Deixa eu terminar meu banho, por favor.. – Julie pede, dessa vez Daniel colabora e sai do banheiro.

Ela termina seu banho, se perguntando se Daniel tinha mesmo saído ou só estava invisível. Depois de se vestir, ela abre a porta do banheiro para sair e então sabe que Daniel realmente estava fora do banheiro.

When i look to the sky.. – Daniel estava parado à frente da porta, esperando por Julie. – Something tells me you’re here with me.. – Ele canta suavemente, olhando nos profundos olhos de Julie, pega sua mão e a trás para a cama, sentando-se com ela.

– O que está fazendo? – Julie pergunta.

When i feel like i’m lost. – Daniel insiste, mas ele canta baixinho, só para Julie.

Something tells me your here .. with me .. – Ela se junta à canção.

Daniel aproxima-se de Julie, pondo uma mão na cintura dela e acariciando seu rosto com a outra.

.. And i can always find my way, when you’re here. – Daniel termina a canção, mais como se estivesse a dizendo algo do que cantando. E era sua intenção.

“… De novo, ele diz que vai ficar comigo pra sempre.” – Julie pensa, sabendo das letras da música. “... Ah mais ou menos isso.” Ela retorna um leve sorriso para Daniel. Porém estava confusa.

Ela segura a mão de Daniel que estava em seu rosto e delicadamente também o acaricia, descendo sua mão pelo braço dele e chegando à mão dele em sua cintura. Ela afasta as mãos de Daniel que a tocavam, desvia o sorriso e abaixa a cabeça. Coloca suas pernas para cima da cama e se deita de costas.

– .. Julie. – Daniel diz, com o semblante um pouco contristado.

– Hm? – Julie vê que Daniel se deita a seu lado.

– .. Quando você não estiver muito bem, cante. – Diz Daniel, deitado de costas também.

– ... Está tentando dizer que você não tá bem?

– Talvez. Porque quando você não está bem, eu certamente não fico bem..

Julie olha para Daniel surpresa com as palavras que lhe foram dirigidas. “Que fofo..!” ela pensa.

– Vai cantar? – Ele olha sorrindo para Julie.

– .. Vou.

– De preferência pensando em mim. – Ele dá um sorrisinho torto, fazendo subir em Julie uma forte vontade de beijar aquelas bochechas.

– Haha engraçadinho. – Ela tenta controlar sua repentina vontade tirando seus olhar do dele e continua a dizer. — ... Eu não sei cantar pensando em outra pessoa mesmo. – Ela cora um pouco.

Daniel se vira para Julie, se aproxima lentamente até que a dá um beijo delicado, um selinho. Julie se vira de costas para Daniel. Não é que ela não gostara, muito pelo contrário, ela não podia controlar seu grande sorriso agora, juntamente com o vermelho de suas bochechas. Porém, a insegurança de ter Rebecca em seu caminho era agonizante.

“... Não queria ver a Julie assim. Droga Rebecca, o que você acha que está fazendo?” Daniel reflete. Se vira de costas na cama de novo, com seus olhos fechados para tentar controlar a tensão. “Ela está muito estranha. Mas eu tenho uma parcela de culpa pra Julie ficar assim, ela não deve estar segura sobre o que sinto por ela, eu não digo tudo.. Pior, eu não disse ainda se gosto dela, e ela deve estar esperando isso! Do jeito que meninas gostam de detalhes.” Daniel coloca a mão no rosto com a conclusão. “Não é que eu tenho dúvida. Cada vez fico mais apaixonado pela Julie... É inevitável .. reconheço isso. Mas...” ele sente como se tivesse uma barreira nesse assunto.

O celular de Julie, em cima da mochila dela ao lado da cama, chama atenção de Daniel. Ele pega o celular e procura pelo número de Bia. “Se o Félix e o Martim tivessem aqui, poderiam me dar uma força nessa.”.

– Esses fantasmas têm que arranjar um celular. – Daniel diz para si mesmo, se referindo a Martim e Félix. Ao achar Bia entre os contatos, ele se levanta. – Julie, vou dar uma volta. – Ele avisa.

– Tá. – Ela responde.

– Com o seu celular. – Daniel complementa.

– Hm. Peraí, o que?? – Julie pergunta se virando, mas Daniel já tinha ido.


##


– Oi, Rebecca. – Tadeu diz, chegando em casa e vendo Rebecca sentada ao sofá.

– Oi..

– O que você tem? – Ele senta-se ao lado dela.

– ... O que você acha do que eu fiz com o Daniel? – Rebecca pergunta hesitante.

– ... Ainda pensando nisso? – Tadeu pergunta, não respondendo.

– Sim. Estou sofrendo com isso!! E sabe, eu ... Eu fui me desculpar com ele hoje. Não deu certo, a Julie chegou e não consegui falar com ele! – Rebecca explica, tentando mudar a expressão agora séria de Tadeu para com ela. – Ela chegou cedo da escola, poxa.

– E ela não podia?

– Não! Quero dizer, eu queria falar só com o Daniel..!

– Você e esse Daniel.. — Tadeu fala entre dentes, com um aperto no coração, mas logo fala outra coisa. – Vai.. desistir agora?

O silêncio toma conta do momento. Rebecca está de cabeça baixa.

– ... Não ... – Ela diz. — ... Vou acabar com isso.

Rebecca diz em determinação, mas com a voz um pouco trêmula. Isso faz Tadeu voltar seus olhos para ela. Ela levanta seu rosto para ele, deixando aparecer umas lágrimas escorrendo de seus olhos. Tadeu abre os olhos em espanto.

– O que houve??

Tadeu abraça Rebecca. Ela lentamente chega seu rosto do dele e o beija os lábios. Logo Rebecca se levanta para ir, deixando Tadeu perplexo por uns segundos, mas ele retorna à sanidade e se levanta, segurando o braço de Rebecca.

– O que você vai fazer?..

– Vou acabar com isso. – Ela repete num sussurro.

– O que você vai fazer à humana, Rebecca?

– ... Não vou fazer nada à Julie .. – Rebecca assegura, tendo seu braço solto. — ... Não muito..

– Reb--

– Só quero que tenha certeza de uma coisa. – Ela o interrompe. — ... O que eu vou fazer não muda o que eu sinto .. pra ter te beijado. – Ela diz de cabeça baixa e então corre para fora. Suas palavras deixam Tadeu incapacitado de agir e ir pará-la.


##


Enquanto isso, Daniel tinha ido para a rua com o celular de Julie. Lá não tinha muitas pessoas para ver um celular flutuante, de qualquer forma ele não ligou para essa possibilidade. Ele liga para o celular de Bia.

– Julie! – Bia atende.

– Oi, e aí Bia.

– .........Daniel?!

– Não, um fantasma.

– Oi né.. eu não esperava que fosse você. – Bia tenta falar pacificamente com Daniel, coisa que não dava muito certo várias vezes. “Não sei como a Julie atura.” É como ela pensava. – Tem novidades, galantiador?

– Quase isso. – Daniel responde, procurando não ligar para do que Bia o chamara. Ele sabia que Julie contava o que acontecia entre eles para sua amiga. – Preciso falar com o Félix ou o Martim. Tem como ir até a edícula e passar o celular pra eles?

– O Martim não está, mas o Félix tá aqui, fala com ele.

– Será possível que você passa a vida na edícula? – Daniel ri um pouco.

– ..... Não tô na edícula. – Ela responde, sem querer deixando um suspense.

– Onde vocês estão...? – Daniel estranha.

– ............ Ai Daniel, que saco, estamos no meu quarto. – Bia fala um pouco timidamente.

– ... Tanto faz, deixa eu falar com ele. – Daniel teve suas conclusões, mas não quis prosseguir com isso.

– Oi, cara! Devo dizer “galantiador”. – Félix fala ao celular.

– Pelo visto tenho que dizer isso é pra você. – Daniel não deixa barato.

– Como estão as coisas aí? – Félix muda de assunto.

– Vai pra longe da Bia que eu falo, depois ela vai ficar sabendo mesmo. – Daniel diz. – Como está minha guitarra? Espero que vocês não estejam deixando poeira nela.

– Ainda bem que nela não chega poeira, porque não sou seu empregado haha. – Félix diz para Daniel, mas os dois sabiam que não era bem assim. Félix é um pouco complexado em limpeza para evitar doenças. — Vai fala, eu saí do quarto.

– Sabe a Rebecca?

– Sei, ela apareceu e agora tá causando problemas aí.. A Bia me contou.

– Se a Bia sabe disso tudo, você já deve saber algo sobre eu não dizer pra Julie que.. gosto dela. Não é?

– É, sei. Cara, você não está ajudando.

– Eu sei.

– O que que você está esperando?

– Nada, eu acho. – Daniel diz. – ... Lembra da Juliana? A Julia.

– Lembro, aquela que foi nossa colega de classe um ano. Que que tem?

– Ela não foi só uma colega de classe. Eu gostei dela, e eu a contei isso. Foi a primeira garota para quem eu disse que gostava. Meu maior erro.

– E...? Isso já passou, Daniel, eu nem lembrava mais.

– Claro, não foi você que contou que gostava dela, teve ela espalhando isso pela escola inteira, te botando no chinelo e ainda dizendo que você fez uma música pra ela, foi?

– Não. Mas você nunca mais viu essa criatura, por que se lembra disso? Você não gosta dela ainda, pelo que sei.

– Obviamente que não gosto dela, eu a odeio. – Daniel diz.

– O que que isso tem a ver com a Julie?

– Eu não queria estar apaixonado de novo ... Mas aconteceu, foi inevitável. A Julie é tão perfeita..

– Espera aí ... Você não acha que a Julie vai fazer isso que a Julia fez com você, né? – Félix pergunta, não tendo responda. – Daniel, a Julie não é assim.

– Eu sei. – Daniel fala.

– Não parece. Anda, vai contar pra ela.

– ..Não consigo. – Daniel quase sussurra, ele não suporta ter que admitir o que falara.

– Traumatizado? Você? Estou achando certo? – Felix ri um pouco.

– Não é engraçado. – Daniel diz. – Eu lembro que, no começo, eu perdia sempre a paciência com a Julie .. E era porque o nome dela me lembrava da Julia.

– E agora?

– ... Agora não tenho paciência pra ficar longe dela. – Daniel confessa sorridente.

– Daniel. A Julie é Julie. — Félix diz, destacando a pronúcia do nome e o “e”.

– E ela é sem igual..

– Para de perder tempo.

Ao ouvir isso, Daniel desliga o celular. Ele percebe que estava andando enquanto falava pelo celular, não estava mais na rua do apartamento. Ele corre o mais rápido que pode de volta para o prédio, de volta para Julie.

No meio tempo em que Daniel tinha saído, Julie estava ainda no quarto.

– Me desculpe.. – Alguém diz isso atrás de Julie, fazendo-a com que desse um pulo de susto da cama. Julie vê Rebecca.

– Por que você está fazendo isso? – Julie pergunta ríspida.

– O por que você sabe ... – Rebecca estava de cabeça baixa, mas torna seu olhar em Julie para ser convincente. — Eu o amo.

– Não! Você disse que gostava dele, gostava!

– Meu sentimentos por ele não morreram ... – Rebecca mente. — Eu amo o Daniel, Julie..

– Não! Para, Rebecca! – Julie tampa os ouvidos e fecha fortemente os olhos.

– E estou aqui por isso..

Nesse momento Daniel entra no quarto apressado.

– ... Rebecca? – Ele pergunta, seu semblante alegre se foi. – Julie, o que houve? – Ele vai em direção a Julie, mas Rebecca entra em sua frente. – O que está acontecendo aqui?

– Danie--

– Eu tenho uma coisa pra te contar.. – Rebecca interrompe Julie.

– Não faz isso, Rebecca... – Julie fala baixo, sentindo como se seu coração seria arrancado. “Eles se gostavam.. se isso não for mais um segredo, o Daniel vai me esquecer...” É o medo de Julie.

– Naquela época em que éramos vivos, eu .. te amava.. – Rebecca começa.

– Não.. – Julie tenta calar Rebecca, mas está fraca de tanta tristeza, Rebecca a afasta.

– Para! Vai machucar el-- Daniel tem suas palavras cortadas.

– E eu te amo mais ainda agora. – Rebecca diz. — Não paro de pensar que poderíamos ficar juntos,.. para sempre.

Rebecca sente Julie parando de reagir, então olha para ela. Julie estava aos prantos. Rebecca tira rapidamente seus olhos de Julie, corre até Daniel. Ela o beijaria, mas realmente não conseguiu. Ela só o abraça.

Julie vai apressada para a porta.

– Julie! – Daniel afasta Rebecca.

– Não, Daniel!! Ela está aqui, então FICA DE UMA VEZ ELA e NÃO machuca meu coração mais, vai ME DEIXE! – Ela estava mudada. Pensativa. Calada. Fria. Quieta. Desconfia de tudo... Mas no fundo, ela só não queria ter o coração partido. Não adiantou muito. Julie sai correndo com lágrimas aos pingos.

Daniel corre atrás de Julie, tendo perdido-a de vista se desencontra dela. Ele desceu as escadas não achando que ela iria para o elevador, e Julie realmente não foi pegar o elevador, isso porque ela não conseguiu. Sem forças, ela ficou chorando no chão de um outro corredor.

– Julie! Cadê você?? – Daniel procura Julie, chegando à saída do prédio.

– Daniel! – Rebecca o chama, correndo atrás dele.

– Ah Rebecca, DEIXA A GENTE EM PAZ. – Daniel a dá as costas e corre para a rua, procurando Julie em volta.

– AHHHH!

Daniel escuta Rebecca gritar, então olha para trás. Antes que ele pudesse ver o que acontecia, alguém o imobiliza, tampa sua visão e o joga no chão. Agora, ele perde a consciência.

Notas finais
Vou fazer a continuação agora! Enquanto isso, o que acharam?? :o'