Notas iniciais
"Eu sabia que alguma coisa daria errado..."
Nesse capítulo quem descreve a trama é o Adam. Que tem que enfrentar uma das piores coisas que já lhe acontecera...
Divirta-se

(ponto de vista: Adam)

Tentei fingir que aquelas palavras da Bea não haviam me afetado, tentei pensar apenas em coisas boas, porque eu sabia que ela seria sempre minha e que nunca partiria. Mas confesso, eu tenho muito medo. Não sei o que faria se alguma coisa ruim acontecesse a ela, não imagino minha vida sem a minha única razão. Então, ao ouvir aquelas palavras, ao invés de me mostrar abalado. Apenas a peguei no colo e dando-lhe um beijo deitei-a no sofá. Depois me coloquei em cima dela cuidadosamente, enquanto passava minhas mãos pelas suaves curvas de sua cintura. Aqueles olhos me fitavam, com tanto brilho, tanta vida que era impossível imaginar-me sem tudo isso.

Ela passou os braços em torno do meu pescoço, agora estávamos unidos, apenas nós dois. Nada atrapalharia nossa felicidade. Ela se inclinou para frente e me deu um beijo que de inicio era apaixonado e foi se tornando intenso. Uma chama alcançou meu corpo e eu me apertei mais ao dela, enquanto corria as mãos por toda sua extensão. Nada importa para mim, parece que nada de diferente aconteceu. Só que me importa é o aqui e o agora, com a pessoa que eu mais amo. Após retirar suas roupas, observei seu corpo nu, enquanto ela me encarava com aqueles olhos, intensos, pedindo para que eu o fizesse. Então, em poucos segundos, sua voz se tornou musica em meus ouvidos, sua pele colou na minha e estávamos tão unidos que ninguém poderia nos separar. Nossos corpos se movimentavam no mesmo ritmo, em uma dança envolvente.

Agora a observo dormir debruçada em meu peito e segurando a minha mão. Passo as mãos pelo seu cabelo, pela pele delicada do seu rosto, tentando gravar cada toque, cada textura em minha memória, para que eu possa tê-la em minha mente, como um sonho real. Ela se mexeu e voltou o rosto para mim, abrindo lentamente os olhos, depois sorriu.

– Que foi? – Ela me fitava, enquanto sorria envergonhada.

– Só estou admirando. – Tirei uma mecha de cabelo do seu rosto e lhe dei um beijo na testa. Ela riu.

– Admirando o quê? Não tem nada para ser admirado aqui, bobo.

– Só a coisa mais linda do mundo.

Ela corou e logo se levantou. Deu-me um abraço demorado seguido de um beijo. Confesso que depois daquela notícia, toda vez que ela se demorava nas ações, um arrepio passava pela minha espinha, como um pressentimento ruim. O sorriso se esvaiu do mesmo rosto, assim como o dela. Segurei seu rosto com as mãos e olhei diretamente em seus olhos.

– Bea, me escuta. Nada vai acontecer com você, nada. Eu nunca vou permitir isso, está bem?

Seus olhos começaram a encher de lágrimas, enquanto ela assentia com a cabeça.

Após alguns minutos de silêncio e troca de carinho. Beatrice se voltou para mim e com um olhar um pouco desesperado, falou?

– Eu preciso ir para casa, mas não quero te deixar sozinho aqui. E nem ficar sem você. – Ela depois fitou o chão, um pouco chateada.

Eu levantei seu rosto.

– Você pode ficar aqui, acho que sua mãe não vai se importar se você avisar.

Depois de refletir um pouco, ela assentiu com a cabeça, pegou o celular e disse para sua mãe tomar cuidado e que porque estava com medo passaria a noite em minha casa. Pelo visto a mãe dela concordou com tudo.

Passamos a noite acordados tentando acalmar um ao outro, com promessas, sorrisos, abraços e carícias. Até pegarmos no sono.

Acordei com um grito, agonizante. Como ainda estava com sono, pensei ainda estar sonhando, quando percebi que era real e era da Beatrice. Voltei-me para o quarto para me assegurar de que ela não estava aqui e logo sai correndo para a porta da frente, que estava aberta. Por que ela abrira a porta!? Agora que eu me aproximava mais da porta, podia ouvir que ela estava conversando com alguém, antes de sair peguei um guarda-chuva, que era a única coisa ao meu alcance no momento, mas em meio a apuros poderia servir. Ao chegar ao jardim, observei no meio das sombras escuras duas figuras, uma ajoelhada mexendo-se sem parar, enquanto a outra se punha de pé, segurando o pulso, enquanto chorava e gritava. Aproximei-me mais e percebi que era a mãe de Bea, ela estava no chão, parecia pálida, com o corpo frágil, desfigurado. Ela se contorcia, enquanto gemia e rugia em nossa direção. Fiquei estático, sem saber o que estava acontecendo.

Beatrice tentava se aproximar da sua mãe, querendo saber também o que acontecera com ela, mas a mesma se mostrava agressiva toda vez que a filha chegava perto.

– Bea, o que é isso? O que está acontecendo? – Sem saber o que fazer apenas me aproximei o bastante para puxá-la pelo braço e afastá-la um pouco.

Ela se assustou com a minha presença e deu um passo em falso quando eu a toquei. Depois de perceber que era de mim que se tratava e que eu estava bem. Ainda segurando seu pulso, ela segurou meu braço e pediu para que eu fizesse alguma coisa.

Enquanto isso, sua mãe aproximava-se de nós ainda no chão. Porém, logo se levantou, rapidamente — rápido até demais – e veio nossa direção, cada vez mais rápida. Beatrice e eu avançávamos de costas em quanto aquela criatura, que não mais parecia com a minha sogra, avançava para nós, com o olhar mortificado e rugindo cada vez mais alto.

Segurei Bea pela mão e corri puxando-a, até de volta para dentro da casa. Tranquei a porta e fechei a janela. Arrastei o sofá para a porta para que ficasse mais difícil de adentrar aqui. Beatrice estava escorada na parede, enquanto soluçava e tremia. Lá fora ainda podíamos ouvir os rugidos da sua mãe e o arrastar de seus pés.

Também me escorei na parede e me ajoelhei ao lado de Bea, ela estava tão assustada, tão ausente, tão frágil que eu não sabia o que fazer apenas a abracei e disse que ficaria tudo bem. Ela olhou para mim seria, distante e disse:

– Nós teremos que mata-la. Ela não é mais a minha mãe. Ela virou algo que eu nem sei o que dizer. Eu ouvi ela me chamar enquanto estava dormindo, eu ia te chamar, mas preferi ir sozinha mesmo. Quando cheguei à porta, ela estava a uns seis metros de distância da porta, eu fui até ela, parecia tão aflita, com medo. Ela estava ferida e chorava. Estava com febre e quando eu cheguei mais perto ela apenas caiu no chão... Morta. – Ela deu uma pausa e retornou a chorar, não conseguia continuar. Eu a apertei mais forte em meus braços e aguardei. Então continuou em meio aos soluços – Eu me aproximei... E a segurei em meus braços... a.. .a... sua pele estava fria...seu coração não batia... e a ferida em seu braço estava... estava... profunda... parecia ataque de algum animal.. .então após algum tempo ela abriu os olhos.. .eu não entendi... eles estavam vermelhos, sem expressão... ela... ela agarrou meu pulso e fincou os dedos com tanta força que me machucou, então... então... ela... ela... me mordeu. Minha mãe me mordeu... Eu consegui me livrar dela e ela ficou lá no chão agonizando... – ela me olhava com os olhos arregalados, cheio de lágrimas. – Aquilo que está lá fora, não é a minha mãe. Mate-a, por favor.

Eu olhei para o seu braço, havia uma ferida enorme lá. Rasguei um pedaço da minha blusa com as mãos e envolvi o ferimento, até que eu pudesse fazer algo melhor. Isso parecia mais um filme de terror, de zumbis, eu não sei. Mas tudo que eu mais queria agora é que eu estivesse na minha cama, acordasse agora e percebesse que tudo não passou de um terrível pesadelo.

Beatrice estava ficando pálida e eu estava esperando que aquelas coisas que dizem sobre os filmes de terror não fossem verdade e que a mãe da minha namorada só estivesse um pouco transtornada e que a sua mordida não fosse tornar o amor da minha vida em um zumbi ou algo do tipo. Não podia, ela prometeu. Ela disse que ficaria ao meu lado para sempre. Beatrice é a única coisa que eu tenho. Apenas a peguei no colo, com lágrimas nos olhos e a levei para o meu quarto, deitei-a em minha cama, e comecei a pedir a Deus que não a tirasse de mim, não dessa forma. E que me perdoasse pelo o que eu estava prestes a fazer.

Levantei, abri a uma gaveta em que eu escondera uma arma, que era do meu pai. Uma das únicas coisas dele que sobrou após falecer. Desci as escadas, afastei o sofá da porta. Eu podia ouvi-la lá fora, procurando alguma forma de entrar. Respirei fundo, ativei a arma. Coloquei a mão na fechadura, estava trêmulo. Ao abri-la, já pude ouvir os passos apressados tentando me alcançar e quando percebi, eu já havia atirado. Só pude ver o corpo jogado no chão, se remexendo. Aproximei-me e atirei em sua cabeça para me certificar. Enxuguei o suor de meu rosto, voltei para casa, coloquei o sofá de volta no lugar.

– O que está acontecendo? – e comecei a sentir as lágrimas quentes cobrirem o meu rosto.