Sem Compromissos
21 Capítulo 20 - Nós somos uma "coisa" agora
Notas iniciais
20 — Nós somos uma "coisa" agora
Se espreguiçando sobre a cama a fim de espantar a leseira, Dean estica seus braços ouvindo os ossos estalarem, mas para no meio da ação ao sentir falta de outro corpo ao lado do seu. Grunhindo em insatisfação ao notar que estava sozinho. Ele abre um dos olhos, vendo Castiel sentado na beirada do colchão terminando de vestir sua boxer.
—.... Dia.
Castiel torce o pescoço para trás, sorrindo por cima de seu ombro, beijando rapidamente a testa do loiro.
— Bom dia Dean.
— Mmm..... Porque acordou tão cedo?
— Costume.
— Urg, volte com a sua bunda ‘pra cama Cas, é sábado! – reclama num tm brincalhão.
— Por mais tentadora que seja essa proposta, tenho de ir ao banheiro.
— Unf, okay, mas depois volte ‘pra cá!
— Isso é uma ordem? – pergunta num tom divertido.
— Posso fazer ser. — Dean responde, dando uma piscada.
Bufando uma risada, Castiel finalmente fica de pé, puxando ar por entre os dentes ao sentir uma leve ardência em seu corpo.
— Eu realmente vou sentir isso por alguns dias. – o menor fala querendo parecer incomodado, no entanto mal consegue disfarsar a própria satisfação. Dean sorri no ato.
— Eu te avisei ontem.
— Sim, sim, você avisou.
Revirando os olhos Castiel anda até o banheiro pondo creme dental na sua escova, afinal, bafo pela manhã não é nada sexy.
Ao terminar de enxugar o rosto ele escuta a voz de Dean o chamando do quarto:
— Ei Cas.
—Sim?
— Você é tipo, meu namorado agora? – Dean pergunta sem freios, apoiando o queixo em cima de alguns travesseiros na cama e continuando a encarar Castiel com a expressão mais natural que possuía.
Do banheiro, Castiel para com a toalha por entre as mãos. Ele a deixa cair sobre a pia, inclinando seu corpo na porta para poder vê-lo, erguendo uma sobrancelha questionadora:
— Essa é a sua maneira de me pedir em namoro?
— Funciona? – Dean sorri amarelo, enquanto Castiel rola seus olhos para trás.
— Irei repetir Dean: você é irritante.
— Mas você me ama! – ele implica, mas ao invés de repreendê-lo Castiel lhe mostra um meio sorriso, dando de ombros logo em seguida.
— Eu preciso, afinal, você é meu namorado.
No instante que a frase deixa a boca de Cas, Dean fica inerte, sem conseguir pensar em nada esperto para responder. Na verdade, tudo o que Dean conseguiu fazer foi pular da cama com um enorme sorriso na face, correndo pelo quarto e se juntando ao moreno no banheiro, o apanhando pela cintura e começando a rodar com ele no mesmo lugar – é, aquilo era fresco ‘pra cacete, mas Dean estava feliz, então o processem!
— Namorado! – ele diz, descendo Castiel de volta ao chão, que ria junto dele, estalando um beijo sobre sua boca.
— Sim Dean. – fala contente, agarrando a face do loiro por entre as mãos.
— Wow, isso vai fazer a cabeça do Sam explodir. – Dean fala, parando para pensar segundos depois – E a Jéssica vai ficar no meu pé por dias! Oh cara, não deixe isso acontecer!
— Bem, eles se envolveram em todo esse processo, é justo que possam te importunar.
— Cas, você tem que ficar do lado do seu namorado!
— Eu estou do seu lado. Mas também preciso ficar nas graças da sua família não?
Dean nada responde, girando os olhos e passando a fazer cócegas em Castiel como vingança.
A manhã de sábado passa com eles gastando toda a água quente do chuveiro, trocando carícias bobas e outras mais intensas, porém Dean sempre acabava quebrando o clima ao sorrir e murmurar: “namorado” no ouvido de Cas como se aquilo fosse a mais incrível revelação do mundo, o que causava risos no moreno e a mesma resposta contra os lábios de Dean: “sim, namorado”.
Oh, Dean acha que nunca vai se cansar de ouvir isso, repetindo sempre que pode no ouvido de Cas, de novo e de novo, só conseguindo pensar no por que ter evitando tanto tempo esse tipo de euforia.
Ah, é claro: sentimentos constipados!
Não importa mais. Ele tem a Castiel, os dois puseram todos os pingos nos “is”, lhes restando apenas aproveitar o máximo que podem daqui para a frente.
— Devíamos comemorar! – Dean exclama animado, já no quarto de Cas enquanto se enxuga.
— Não é uma má ideia, mas eu preciso terminar alguns trabalhos atrasados.
— Urgh! É sábado Cas!
— Pessoas também trabalham aos sábados.
— Tá, tá, okay, não vamos começar a discutir agora.
Um estalo vem à mente de Castiel, o fazendo dar um meio sorriso ao se virar na direção de Dean:
— Não vamos discutir? – pergunta, erguendo uma sobrancelha.
— Claro que não Cas! Já chega de brigas.
— Que pena.... – ele diz, dando de ombros — Ouvi dizer que sexo de reconciliação é uma das melhores coisas num relacionamento.
Dean pisca algumas vezes até compreender as insinuações do moreno. Ele prende uma alta risada na garganta, entrando no jogo dele e cruzando os braços:
— Ah, como estou irritado com você! – Dean fala num tom quase irônico, ganhando um largo aceno de Cas.
— Bem, eu também estou irritado!
— Que droga! Você me irrita!
— Urgh! Você também me irrita!
Os dois continuam a pequena “briga” por mais algum tempo, andando na direção um do outro até ficarem frente à frente. Nenhum deles consegue esconder a diversão estampada nas suas feições, e quando os parcos insultos de mentira terminam, eles permanecem num longo silêncio, até Dean perguntar:
— Sexo de reconciliação?
— Sexo de reconciliação.
Castiel concorda e na mesma hora Dean o apanha pela cintura, trancando sua boca na dele, caminhando à passos largos até a cama onde podem, enfim, voltar às carícias mais densas.
(...)
Diante do bar que foi por boa parte da infância de Dean sua segunda casa, ele e Castiel ficam parados dentro do carro, sem nada dizer um ao outro, até que Dean finalmente estoura o silêncio:
— Pensando bem, nós podemos deixar isso para depois.
— Dean.
— Não, é sério Cas, você tem noção do que estamos fazendo?
— Passando uma simples noite fora.
— Com as pessoas que vão nos deixar uma pilha de nervos com seus comentários!
— Estamos falando da sua família e nossos amigos, Dean.
— E eu acabei de descreve-los perfeitamente, não?
Castiel rola os olhos para trás em meio a uma risada, empurrando a porta da frente do Roadhouse e entrando na frente de Dean, que precisa suspirar uma vez mais antes de pôr um pé na frente do outro.
A sugestão inicial foi dele, então Dean não tinha muito o que reclamar. Sair hoje á noite e contar a novidade – que de fato, não seria lá uma real novidade, apenas um esclarecimento dos fatos.
A questão toda colocando Dean numa comoção beirando o desespero, é ser o centro das atenções. Bastavam ele, Cas, Charlie e Sam. Só isso, mais nada nem ninguém para os importunar.
Mas uma ligação levou a outra, e a comemoração calma e tranquila de Dean e Castiel acabou se tornando uma pequena festa.
Benny, Garth, Jo, Dorothy, Charlie, Sam, por Deus até mesmo o estagiário da empresa de Cas, Kevin e um amigo seu da empresa, Alfie, vieram! Ellen só não saiu de trás da mesa do bar para se unir a eles porque, bom, alguém precisava pôr ordem na casa.
Dean gostava de todos os seus amigos. Mas ele sempre esteve voltado ao lado íntimo, familiar, acabando por ficar um tanto quanto.... Nervoso quando precisava se expor.
O problema dele não residia na negação. Ele já tinha abraçado quem era há muito tempo, e Castiel jamais se tornaria um “segredo” do qual ele põe debaixo dos panos. Não era nada disso.
Contudo, só de pensar em todo o trabalho que teria para ter de lidar com seus amigos e as claras piadas ás custas dos dois, faziam Dean grunhir em insatisfação, ficando cansado de antemão. Dean não dispensava uma boa festa – ainda mais depois de todos os problemas envolvendo ele e Castiel nos últimos meses.
Mas ele não gostava de ser o centro das atenções desse jeito, não gostava de fazer cenas, tão pouco se sujeitar a uma das tão famosas
Porque ele decidiu por esta comemoração? Ora, convenhamos, ele foi pego no calor do momento enquanto tinha o corpo de Cas enroscado ao seu. Agora, diante do bar e de todas as pessoas ali dentro, Dean não podia evitar sentir-se um tanto quanto desconfortável.
— Ei.
Castiel o chamou, tocando de leve seu pulso.
— Se quiser podemos ir embora.
Eles ainda estavam perto da entrada, e sem sinal dos seus amigos. Seria muito fácil dar as costas, entrar no Impala e voltar ao apartamento do moreno sem precisar passar por toda essa regra social. No entanto, Dean via a compreensão nos olhos de Cas.
Sem pestanejar ele sairia dali, faria qualquer coisa que Dean quisesse e isso, ah, isso deixava o loiro completa e unicamente perdido, tamanha era a dedicação de Cas.
Não tem como negar uma noite de diversão a ele.
Bufando, ele retribui o aperto de Castiel sobre seu pulso, começando a puxar o menor por entre as pessoas do bar:
— Vamos logo. Antes que eu me arrependa.
Na mesa bem ao canto do bar os seus amigos os esperavam já com algumas garrafas de cerveja sobre a mesa. Ao ver Dean e Castiel se aproximando, as cabeças se voltaram na direção deles, e Dean engoliu seco.
— Dean! Até que enfim chegou! – Jo foi a primeira a falar, acenando para que os dois fossem até eles.
— Sentem! Vamos pedir uma nova rodada! – animada, Charlie procurou dar espaço na mesa para os dois se arranjarem.
— Antes disso, uh, tem algo que queremos dizer.
Enquanto Dean coçava sua nuca em nervosismo os olhares de todos se fixaram neles.
— Tem a ver com o seu misterioso convite? – implica Sam.
— Não que seja ruim a sua presença amigo, mas todos estamos curiosos com a notícia que você prometeu. – Benny fala, e apesar da sua usual calma, até mesmo ele parecia entusiasmado.
Okay, era isso. Ninguém mais soltou um pio, faltando apenas Dean botar ‘pra fora o que veio dizer essa noite.
Antes que pudesse continuar, no entanto, Castiel escorregou gentilmente os dedos por seu pulso, apertando-o outra vez.
Virando-se para encarar o belo par de esferas azuis, Dean deu um meio sorriso, ficando preso na visão de Cas, começando a falar ao mesmo tempo que o fitava – e de certa forma passando a ignorar os demais.
— Cas e eu estamos juntos.
Disse, com todas as letras, tratando de enlaçar os dedos nos de Castiel. O moreno pressionou os lábios num sorriso, e ao permanecerem presos no transe um do outro, mal notaram o grande número de bufadas sendo exaladas por seus convidados.
— Grande coisa.
— Como se já não soubéssemos.
— Isso é notícia velha!
— Novidade, sei, sei.
— Todo mundo já tinha percebido, Dean.
Foram estes e mais alguns comentários similares murmurados pela mesa de amigos que, apesar de quase inalterados pela “novidade”, pareciam realmente felizes pelos dois.
— É, tá, entendi, vocês não estão surpresos.
Dean falou, começando a se ajeitar ao lado de Cas na mesa. Ele podia não transparecer, mas estava realmente aliviado por não terem feito um escarcéu com—
Confetes, fitas coloridas, apitos e outros objetos que faziam barulhos similares e irritantes começaram a ser usados por seus ditos amigos que não estavam “impressionados”.
Dean trancou as feições da melhor maneira que sabia, baixando os olhos numa expressão mortífera enquanto Cas deixou a boca entreaberta com a demonstração de bagunça bem organizada feita por toda a mesa.
Charlie não parava de jogar confetes purpurinados no ar; Sam assoprava uma língua-de-sogra, Garth, Benny e Kevin tocavam apitos, enquanto Jo, Dorothy, e um garoto loirinho e tímido ao lado delas – ao qual Dean imaginou ser o tal de Alfie — balançava timidamente dois pequenos chocalhos.
Toda a discrição foi por água a baixo.
— Sério, quantos anos vocês têm? – Dean perguntou quando o barulho diminuiu dando lugar as risadas de todos.
— Ah! Como se nós fôssemos perder a chance! – Jo fala abrindo um sorriso maldoso.
— Só estamos mostrando nosso apoio. – Charlie falou, tampando parte do sorriso com sua mão.
— Ei Dean, a Jess quer falar com você!
Sam esticou o telefone em sua mão na direção de seu irmão e Cas, mostrando uma chamada de vídeo da loira. Antes que qualquer um dos dois pudesse falar, Jéssica apareceu na tela com chapéus de festa e apitos, fazendo tanto barulho quanto sua mesa de amigos.
— Sabia que você era a responsável por isso. – Dean fala, com certo deboche na voz.
— Claro que sim! Quis colocar meu toque pessoa na comemoração, já que não pude ir!
— Falando nisso, como soube o que eu ia comemorar hoje?
Jessica ergue uma das sobrancelhas, divertindo-se com a pergunta dele:
— Francamente, você acha que eu sou estúpida? — ela ri – Só falta sair corações em cima da cabeça de vocês quando estão juntos!
Tanto Castiel quanto Dean sentiram suas bochechas arderem, porém nenhum dos dois teve coragem de refutar a afirmação de Jéssica.
— Além do mais, eu tinha certeza que vocês iam se entender. Já estava na hora!
— Obrigado Jéssica. – Castiel agradece, contente de fato pela fé que a loira depositou nos dois.
— Disponha Cas! Bom, agora eu preciso voltar ao meu “repouso”.
— Irei passar mais tarde no hospital, Jess. – Sam fala, voltando a tela do celular na sua direção.
— Nah, divirta-se com eles por mim! Eu vou dormir cedo, e você pode me ver amanhã.
Entretido na conversa com sua noiva, Sam pareceu se esquecer dos demais convidados, que logo se engajaram em conversas animadas, piadas – ah, as tão esperadas piadas que Dean temia – sobre como eles demoraram para se assumir, etc, etc.
— Preciso de mais bebidas se vou continuar ouvido vocês. – Dean caçoou, chamando pelo garçom e uma nova rodada de cervejas.
— Dean você está dirigindo. – Castiel o lembrou, enquanto o loiro soltou um pequeno suspiro.
— Só uma cerveja, Cas.
O moreno persistiu o afrontamento, não se satisfazendo com as palavras dele. Dean estava pronto para abrir sua boca e dar uma nova desculpa, afinal, ele não ia até o Roadhouse e sair sem uma cerveja, porém as leves risadinhas vindas da sua lateral atraíram sua atenção:
— O que foi? – ele perguntou à Jo e Charlie. As duas se entreolharam, arrebentando numa nova onda de gargalhadas, intrigando Dean ainda mais.
— Oh, nada demais! – Jo comenta.
— Só estávamos falando que vocês ficam bonitinhos quando discutem! – explica Charlie.
— Sério, quem não conhece vocês, acredita que estão juntos há muito tempo!
Dean revirou os olhos, enquanto Cas desviou a cabeça um pouco para o lado, sentindo as bochechas avermelharem.
— Nossa, vocês são hilárias.... – Dean falou sarcástico, pondo um braço atrás de Cas no banco.
E isso, bom, isso apenas arrancou mais suspiros e risadas das meninas.
— Aw! Eu preciso tirar uma foto! – Charlie já havia apanhado seu telefone, apontando a câmera para os dois.
— Vamos Cas! Fica mais perto do Dean! – Jo pediu.
— Urg! Uma foto só! – resmungou o loiro, quase colando seu corpo no de Cas.
Enquanto Charlie ajeitava os parâmetros da fotografia, Dean virou o olhar na direção de Castiel, notando apenas agora o tímido sorriso adornando os lábios grossos do moreno.
A face dele jazia serena, apinhada de uma energia difícil de descrever, mas que fazia o peito de Dean borbulhar em euforia.
No meio do bar, os dois pareciam ser apenas mais um dos milhares de casais ali dentro. Contudo, a noite era mesmo especial aos dois. A primeira vez que saíam como um casal de verdade, a primeira vez que não tinham medo de se aproximar um do outro, temendo que alguém descobrisse o que se passava debaixo dos seus lençóis.
Não havia mistérios, meias-verdades ou tentames – frustrados – de negar o que sentiam um pelo outro.
— Sabe que dia é hoje, Cas? – Dean perguntou, vendo o moreno se virar na sua direção.
— Sábado? – indagou confuso, fazendo Dean sorrir.
— Também. Mas é dia três de outubro.
— É alguma data especial?
— Sim: a nossa.
As írises azuis se transformaram em enormes globos de surpresa e felicidade, transbordando por todos os poros de Castiel. O moreno apertou os lábios num sorriso, erguendo a palma até o maxilar de Dean e se aproximando para um beijo – na mesma hora que Charlie conseguiu se entender com o flash de sua câmera, apanhando os dois no ato.
— Ah! Isso com certeza vai para o meu álbum! – a ruiva quase esganiçou a frase em inúmeros gritinhos, passando a foto pela mesa para que todos pudessem ver.
— É oficial irmão: você é um cara comprometido. – Benny brincou, mas ao invés de parecer incomodado, Dean apenas deu de ombros, tentando esconder um sorriso sem muito sucesso.
— Você fica extremamente atraente quando está sem graça, Dean. – Castiel não resistiu, precisando sussurrar na ponta do ouvido de Dean, e o loiro quase engasgou com sua cerveja.
— Vou te mostrar o “sem graça” mais tarde. – retrucou ele num murmúrio, apertando sua mão sobre o ombro do menor.
— Oh, isso é uma promessa?
— Urg, parem de lançar esses olhares um ‘pro outro, não quero saber da vida sexual do meu irmão! – Sam comentou em alto e bom som, trazendo novos risos à mesa.
Não que Dean e Castiel se incomodaram dessa vez, entrando no coro de gargalhadas divertidas.
— Fico contente por vocês, Castiel – Kevin comentou, erguendo sua garrafa no alto, sendo seguido dos demais em um brinde.
— Finalmente aquele clima desastroso de melancolia acabou! – Charlie disse, revirando os olhos em alívio.
— Sério, não se afastem nunca o humor de vocês é insuportável quando separados. – Jo completou o raciocínio de Charlie, arrancando mais e mais risadas.
— Que isso! Eu sou a pessoa mais bem-humorada do mundo! – Dean falou, franzindo o cenho no seu comentário sarcástico.
— Tente constipado emocionalmente e talvez cheguemos num acordo!
— Ah não! Você também Jo?!
— Dean, em certo ponto elas têm razão. – Castiel fala, e o pescoço de Dean quase quebra na direção do moreno.
— Até você contra mim!? – exclama, pondo uma mão sobre seu peito para fingir um espanto.
— Mas você também esteve bastante deprimido essas semanas, Cas. — Sam veio ao resgate de seu irmão, o que Dean agradeceu imensamente.
— Uh, foram dias.... Complicados. – o moreno tenta se corrigir, mas não havia como negar. Seus amigos e mesmo os colegas de escritório perceberam seu repentino desânimo ao ter se separado de Dean.
— Mas você está muito mais radiante agora Castiel!
Alfie – o tal garoto da empresa de Castiel disse, abrindo bem os olhos logo que percebeu o que acabara de falar, corando um bocado.
— D-desculpe senhor! E-eu não devia—
— Está tudo bem, e obrigado por sua sinceridade. – Castiel o aquietou, mas o jovem ainda pareceu um pouco encabulado, tratando de bebericar sua cerveja.
As conversas se enredaram a outros rumos, no entanto, Alfie pareceu continuar bastante incomodado com o seu comentário um tanto quanto infortúnio. Ah! Os estagiários sempre temiam o pior com seus chefes, e perder uma oportunidade de ouro numa das maiores empresas da cidade seria um desastre!
— Nós todos estamos contentes pelos dois, não precisa se acanhar. – Benny disse num tom baixo ao se voltar na direção de Alfie, que pareceu aceitar com mais calma as alegações dele.
— E-eu sei, mas o Cas—O senhor Castiel é meu chefe na empresa.
— Calma. – Benny falou sorrindo, frente a agitação do menino – Castiel é um cara relaxado. Tenho certeza que ele não se importa.
— A-acha mesmo? – Alfie perguntou, fitando a Benny com olhos esperançosos.
— Certeza absoluta, er....
— Meu nome é Samandriel, é meio.... Diferente. O pessoal no trabalho disse que eu tinha cara de “Alfie” e me apelidaram, então… É; Alfie.
O menino ofereceu sua mão um pouco encabulado por ter tagarelado, mas ao invés de deixa-lo constrangido, Benny apenas sorriu, prontamente envolvendo a mão estendida dele com sua enorme palma num firme aperto.
— Benny.
Retribuindo o sorriso amigável de Benny, Alfie tornou a beber, retornando à atenção para as conversas que Kevin tinha animado junto de Charlie. Aparentemente, a ruiva conhecia tantos jogos eletrônicos quanto seu amigo.
E antes que Alfie percebesse, ele havia voltado a conversar com Benny.
A madrugada começou a se aproximar mais depressa do que haviam pensado, e tão logo Ellen passou a expulsar os bêbados do bar, o pequeno grupo dividiu as despesas da comemoração, despedindo-se um a um.
— Vamos fazer isso mais vezes! – Charlie fala, com um braço apoiado nos ombros de sua namorada.
— Acho que você bebeu demais, querida. – Dorothy comenta, rindo da expressão risonha de Charlie.
— Nah! Eu não bebi o bastaaaante! É uma festa!
— Sei, a festa já acabou e nós vamos ‘pra casa, tá bom?
— Festaaaa!!!!
Charlie repetiu, arrancando risos dos demais.
— Nos avisem quando chegarem. – Dean pede, acenando para a morena que, com a ajuda de Jo, guia Charlie até seu carro.
— Bem, como não posso ir ao hospital essa hora, vou dormir e ir até lá no primeiro horário de visita. – Sam comentou, apanhando a chave de seu carro.
— Okay, não deixe de nos falar quando a Jess vai parar de preguiça e sair daquela cama.
— Quanta delicadeza Dean. – Sam repreende rolando os olhos para trás, mas não evita o timbre alegre.
— Obrigado por terem vindo de último aviso. – Castiel agradece, formal como de costume.
— Para Cas, você é da família há muito tempo! – pondo uma mão sobre o ombro do moreno, Sam o puxa para um meio abraço, causando um rubor nas bochechas do menor.
— Certo, chega de melodrama! – interrompe Dean e sua bruteza clássica – Vamos que eu já estou com sono.
— Boa noite Sam. Kevin, Alfie. Nos vemos segunda de manhã.
— Até segunda, Castiel. – Kevin acena, já apanhando as chaves de seu pequeno fusca.
— Boa noite senh—Castiel!
Alfie se repreende no último segundo, mordendo seu lábio inferior até ficar aliviado ao ver o meigo sorriso que o moreno lhe dá.
— Benny, Garth! Sem piadas na oficina! – Dean ameaça os dois amigos, que param do outro lado da calçada. Benny forma uma concha com as mãos na frente da boca e grita, risonho:
— Isso não é um pedido que se faça, cara!
— Faremos o possível Dean, mas não prometemos!
Garth completa, com Dean erguendo o dedo do meio para os dois, apesar do enorme sorriso plantado em sua boca.
— Esses babacas. – diz, balançando a cabeça e segurando as chaves de seu Impala.
— Dean. – Castiel o chama, e o loiro se vira na sua direção.
— Uh?
— Espero termos mais noites assim.
Dean suspira, pondo um braço ao redor dos ombros de Cas e o puxando a um beijo estalado, roubando o sorriso dele para si.
— Eu também. – murmura, entrando no carro e, enfim, dando a partida.
Superando as expectativas negativas que se formaram na mente de Dean, esta noite havia se tornado uma das suas mais contentes recordações. Não apenas conseguiu aproveitar bons momentos ao lado de pessoas que realmente gosta, como igualmente se sentiu.... Bem consigo mesmo ao ficar ao lado de Castiel sem incomodar-se com o que poderiam pensar deles.
Okay, ele jamais vai admitir isso ao moreno, mas era maravilhosa a sensação de ver as pessoas no bar olhando para os dois com certa inveja!
— Você arrancou vários olhares das garçonetes hoje. – Dean falou com um sorriso enviesado ao chegarem no apartamento.
Franzindo o cenho, Castiel começou a desabotoar sua blusa, encarando Dean:
— Estava reparando nas pessoas me observando Dean?
— Hm, eu preciso ficar de olho na concorrência.
O loiro piscou, terminando de jogar sua blusa numa cadeira do quarto – o móvel que Cas gentilmente apelidou de “bola de bagunça do Dean”.
— Não existe concorrência Dean.
Castiel afirmou sincero, e incontrolavelmente o loiro teve a única vontade de abraçar o moreno.
Quando os braços do maior o envolveram por trás, Castiel deu um meio sorriso, segurando os antebraços de Dean com as mãos:
— Devia ter notado os olhares que lhe lançaram. – comentou Castiel, enquanto Dean passou a beijar devagar sua nuca.
— Hmm.... Mentira, eles estavam olhando ‘pra você.
— Algumas delas.... Pareciam te devorar com os olhos.
— Sério, nem notei.
— Dean....
— Só tenho olhos ‘pra uma pessoa Cas.
Na mesma hora, Dean pôs as mãos sobre os ombros do menor o girando, ficando frente a frente com ele. Colando sua testa na de Castiel, Dean esfregou lentamente suas palmas para cima e para baixo nos braços de Cas, continuando – sempre – a encarar o azul oceano de seus olhos.
— Minha dedicação e olhares são apenas seus Dean. – ele diz, enlaçando os braços ao redor do maior.
— Você sempre soube falar melhor que eu, hein? – amola o loiro, mordiscando o queixo do outro.
— Bem, s-sou versátil com as.... Palavras. – Castiel retrucou, começando a arfar rente a orelha de Dean a cada nova investida de sua boca sobre seu pescoço.
— “Versátil” com outras coisas também, uh? – disse, lambendo o canto de sua boca e, tratando de colocar um chupão logo acima da clavícula do moreno.
— Ngh! P-Porque fez isso?
— ‘Pra saberem que você é meu.
A voz pesada de Dean atravessou o peito de Castiel feito uma rajada de vento o sacudindo no lugar, deixando suas pernas bambas e o corpo inteiro tremendo ao ter um frio gostoso percorrendo sua espinha.
Resvalando os lábios sobre os de Dean, mas sem encostar, Castiel traçou o formato deles, usando sua boca como guia das linhas da pele macia e rosada. Seu hálito esquentava o rosto de Dean, fazendo a boca do loiro entreabrir na tentativa de procurar mais desse calor; desse contato:
— Sabe... – Castiel sussurra, batendo os lábios contra os de Dean conforme eles articulavam — Suas palavras tem um poder bem mais forte do que você imagina, Dean.
As pupilas do loiro dilataram-se, dando espaço apenas a cor enegrecida. Apanhando a cintura do moreno, Dean grunhiu, passando a caminhar dum lado ao outro do quarto, quase como numa música lenta, até pararem na beirada do colchão. Devagar, Castiel começou a dobrar os joelhos, deitando-se na cama com Dean por cima.
Ainda sem o beijar, Dean retornou a ministrar beijos lentos e abertos sobre o peito exposto de Castiel, afastando a blusa de botões semiaberta dele.
— Então.... – Dean fala e estala um beijo — Hoje conta como.... – outra pausa, outro estalo- Nossa primeira vez indo para a cama sendo....
— Namorados? – Castiel completa, dando um meio sorriso, retribuído por Dean.
— É, isso.
Finalmente, ao igualar sua visão com a de Castiel, Dean terminou de descer seu corpo, encontrando-se com o moreno no meio do caminho, passando a empurrar o rosto de Castiel para baixo até que ele ficasse completamente pressionado no colchão.
Suspirando, Castiel jogou a cabeça para trás, afastando as pernas e deixando Dean afundar no meio delas, rebolando da direita para a esquerda, subindo e descendo lento, mas tão, tão lento, que parecia quase uma tortura – uma estupenda tortura.
Em beijos ternos, Dean bebia do sabor de Castiel, saboreando a carne da língua passando sobre a sua. A língua de Cas tinha uma textura divina, molhada e carnuda na medida certa, não tão grande nem tão pequena, perfeita ao se encaixar dentro da boca de Dean e o preencher sem deixar espaços vazios.
Nisso, um pensamento corta toda a concentração de Dean, e antes que ele perceba, sua garganta solta diversos risos, um atrás do outro:
— O que foi? – Castiel indaga, curioso.
— Nada é só que... – outra meia risada, e Dean abaixa sua cabeça e beija Ca — Eu vou transar com meu namorado.
A ênfase na última palavra faz com que o moreno se contorça em excitação na cama. Parecia, de fato, algo surreal, que os dois não eram apenas amigos, ou mesmo que haviam saído do estágio da “amizade colorida”.
É estranho e incrível como eles são uma “coisa” agora; Dean e Castiel, namorados depois de dezessete anos se conhecendo.
E Castiel, bom, ele só tinha um ínfimo detalhe a acrescentar nesse mundo quimérico no qual eles pareciam ter mergulhado de cabeça:
— Namorados que fazem sexo ‘pra sempre. Eu espero.
Dean não quis comentar sobre a insinuação daquele “sempre” proferido pelo moreno. Ao invés disso, moveu sua cabeça em concordância para cima e para baixo, passando a dar novos beijos nos lábios convidativos do menor.
As doces carícias não tardaram muito a se tornarem insuportáveis. As cinturas já rebolavam uma sobre a outra com as excitações roçando em busca de mais, pedindo por uma fricção maior que os das roupas os confinando.
Entre um grunhido e outro, Dean conseguiu remover as calças de Castiel, fazendo o mesmo com a sua antes de voltar a se deitar sobre ele.
— Nós temos.... Muitas poses para experimentar. – Dean fala, mordiscando a orelha do menor.
— Outra hora! – responde num engasgo – Quero você; em mim. Agora!
— Senhor, sim senhor!
Dean prontamente apanhou o lubrificante, adorando ouvir a voz de comando de Castiel, ou ainda sentir as mãos do moreno escalando suas coxas e as apertando de maneira possessiva.
Castiel até mesmo tentava, contudo, ele tinha uma autoridade sexy emanando de cada poro do seu corpo: na maneira que segurava os braços de Dean ao puxá-lo para um beijo, ou mesmo na forma que enlaçava as pernas ao redor dos quadris do loiro, o prendendo, não o permitindo se afastar.
Ou ainda, na sua voz rouca e firme entre gemidos que dizia exatamente como e quando ele queria.
— Mais Dean! Mais!
Berrou Castiel como que para confirmar o que Dean pensava. Ao sentir o segundo dedo de Dean o invadindo em sua abertura, a encharcando do líquido transparente, o moreno abre ainda mais suas pernas, arqueando a coluna enquanto as mãos amassam os lençóis da cama.
— Tão lindo Cas....
Ao elogiar a magnífica visão de Castiel esparramado na cama, complacente aos seus toques, Dean dá sua cartada final, baixando sua boca até o mamilo esquerdo dele, sugando-o de uma só vez ao mesmo tempo em que posiciona seu falo contra o anel rosado e úmido, entrando duma só vez.
— GAH! AAhhh...Nghn; Dean!
Contorcendo-se feito um boneco de corda, com os fios sendo orquestrados por Dean, Castiel rebolou junto do loiro, arfando pesado ao ter a carne rósea do mamilo dentro da boca de Dean no mesmo instante em que o volume grosso e tenro o invadia, alargando as paredes do seu canal e o preenchendo.
— Bom; tão bom, sempre tão bom Cas!
— B-bom, s-sim!
Os dois se perdem por entre as horas da noite. Minutos se tornavam horas, e a lua pareceu dar lugar ao sol; ou vice-versa, eles não mais tinham noção do tempo.
Bastava terem os corpos ungidos no divino líquido do suor. Bastava terem os estigmas das unhas sobre a pele um do outro, marcando deliciosas linhas vermelhas. Bastava que as vozes rezassem o nome um do outro entre os sons do açoite de Dean contra Castiel, se enterrando até o talo – mais, mais e mais – até por fim, num cântico sagrado, ele derramar o gozo dentro; fundo, entupindo Castiel com todas as comoções que se passavam dentro de sua mente.
Comoções que palavras jamais seriam o suficiente para explicar.
— AH!
—.... Cas….
O moreno gemeu, enquanto Dean só conseguia recitar o nome dele sem parar.
Recobrando parte dos sentidos ao reabrir os olhos, Dean engoliu seco, vendo o estrago sobre o abdômen e peito de Cas: a brancura dele espalhada por ali como a tinta de uma pintura.
Sem pensar duas vezes, Dean abaixa seu tronco, dando suaves lambidas e colhendo com a língua as preciosas gotas que continham o sabor de Castiel.
— Dean.... – Castiel mais geme seu nome do que fala coerente, e o loiro sente-se vitorioso por tê-lo desestruturado dessa maneira.
— Não quero perder nada aqui. – ele fala, continuando a lamber o gozo.
— Você torna ah—Difícil o processo de respirar.
— Perdendo o fôlego por minha causa?
— Sempre.
Com um meio sorriso, Dean beija acima do umbigo de Castiel uma única vez, tateando a cama em busca de algo para limpá-los, contentando-se com sua camisa.
— Isso vai para a máquina amanhã de manhã. – Castiel resmunga, vendo Dean jogar sua blusa na “bola de bagunça do Dean”.
— Amanhã. – Dean repete – mas agora, só quero dormir.
— Vem aqui.
Castiel estende seus braços, e Dean se entrega ao carinho do Moreno, aninhando-se contra o peito dele e adorando as arranhadas que recebe sobre seu cabelo.
Definitivamente, Dean conseguia se ver no “sempre” de Castiel.
Continua
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