Sem Compromissos

22 Capítulo 22 - Crianças são seres complicados e astutos


Notas iniciais
Ei meus amores lindo do coração! Voltei!!! hahahahahaha Como pedir desculpas por um sumiço tão longo? Vc posta um cap. ENORME e cheio de detalhes para os seus leitores queridos ;) Espero que isso sirva para me perdoarem =3 Ah! E também, eu venho me sentindo meio displicente com meus leitores (até os fantasminhas que ficam lendo e não comentam; sei que vocês estão por aí! u.u) Então eu queria dizer uma coisa muito séria p v6: Obrigada! Sério, muito obrigada pelo apoio, comentários positivos, criticas, por me aturarem há tanto tempo e ainda continuarem acompanhando essa fanfic, ou qualquer outra minha! Vocês são 1000! Obrigada de coração ♥ Vamos a leitura? =3

Capítulo 22 — Crianças são seres complicados e astutos

Pela manhã, Dean acordou tendo duas coisas quentes encostando-se ao seu corpo. A primeira foi o sol vindo da janela, e a segunda, muito mais prazerosa, era a pele lisa de Castiel. Eles chegaram tarde da noite da comemoração no Roadhouse, exaustando um ao outro com beijos, abraços, puxões de cabelo e tudo o mais que envolvia sexo; porém que possuía um significado intenso, maior do que um mero encontro casual.

“Namorado”, Dean iterou em sua reflexão, ainda repleto da euforia do recém compromisso; endorfinas de felicidade bombeando em suas veias cada vez que pensava, tocava, via a Castiel.

Na usual preguiça duma manhã de domingo, Dean se moveu sobre a cama até ficar ao lado do moreno. Ele passou bons minutos observando o desenho firme e gentil das feições de seu rosto, a boca semiaberta respirando ar quente, mas sem roncar. Uma mão gentil subiu até os cabelos bagunçados e negros, arrastando os dedos por eles enquanto se divertia ao ver Cas tentando virar a cabeça para o lado.

Dean riu baixinho, tendo uma excelente ideia. Com certeza, a melhor ideia de todas. Sério, Dean ia dar tapinhas nas próprias costas de tão maravilhosa que essa ideia foi.

Em meio a um sorriso malicioso ele começou a afastar os lençóis da cama, revelando o corpo desnudo do moreno. Castiel se remexe na cama com o sutil desconforto do vento o atingindo, porém permanece desacordado, alheio às intenções “malignas” do loiro.

Esgueirando-se com cautela pela cama, Dean se posiciona atrás do menor, passando a deslizar uma palma aberta pelo peito dele. Parando acima de um mamilo, dois de seus dígitos apertam e rodopiam ao redor da carne rosa. E ali ele tem a primeira reação de Cas.

Um grunhido pequeno escapa dos lábios dele, enquanto as pernas começam a balançar. Num sorriso enviesado, Dean continua a massagear a pele rosada, satisfeito ao conseguir arrancar o primeiro gemido sonolento dele. Nisso, seu entusiasmo é redobrado, dando-lhe coragem. Banindo-se de pudor algum, Dean escorrega ainda mais a mão, parando sobre o abdômen de Castiel, arranhando o baixo ventre com a pontinha das unhas e, enfim, segurando a base do membro semiereto do moreno.

— Hmm, alguém já está animado de manhã.

Dean sussurra na orelha dele, beijando seu pescoço e esfregando seu nariz sobre as melenas escuras. Castiel apenas se contorce sobre o colchão, seu corpo esquentando gradualmente com os toques gentis e firmes de Dean.

Ele respira fundo instantes depois ao ter sua extensão apertada ao redor dos dedos do loiro, que passa a ir para cima e para baixo – da base à glande – o acordando por inteiro do torpor da sonolência.

— Ngh.... Dean. O-o que está fazendo? – pergunta numa voz quebrada e rouca.

— Mmm.... Dando bom dia? – responde brincalhão, bombeando o falo de Castiel outra vez.

— Ah! É assim que você dá bom dia? – indaga o moreno, um tanto quanto rabugento por ser tão cedo, mas livrando-se do mal humor matinal para se entregar as carícias de Dean.

— Posso te acordar de outros jeitos também.

Sugere Dean, e dessa vez Castiel abre os olhos, encarando o par de esferas verdes brilhantes pelo sol que os atinge.

A beleza de Dean e de suas sardas saltando sobre a pele banhada de luz, contudo, é esquecida por completo quando os dedos lambuzados de pré-gozo se arrastam do falo de Castiel e vão parar em sua entrada, circulando ao redor dela, apertando de leve e querendo forçar a passagem, até que uma das mãos do menor vai para trás, segurando calmamente o pulso de Dean:

— D-Dean, eu estou sensível ainda.... – Castiel choraminga, mordendo seu lábio inferior.

— Está doendo? – pergunta o outro consternado, deixando de tocar a abertura dele.

— Não. É só um pouco de desconforto.

— Hmm.

Franzindo o cenho, não gostando das alegações de Cas, Dean se desvencilha dele, baixando seu corpo até chegar ao meio das pernas do moreno, as afastando e surpreendendo a Castiel. Ele nada diz, mas sente seu rosto arder um bocado quando nota que Dean está olhando fixamente para seu anel, tal como se fizesse uma análise.

E Dean realmente presta atenção em como o músculo está róseo e um pouco inchado, provavelmente ainda relaxado da noite anterior.

Tentadoramente, Dean põe a língua para fora, deixando-a aberta e molenga ao passar o meio da carne sobre a entrada.

— Ah! D-Dean! – geme o menor, segurando o lençol por entre os dedos.

— Está mesmo inchada. E vermelha. – diz, sem alterar-se com as reações de Castiel – Talvez alguns beijos a façam melhorar.

— O que—GAH!

Partindo os lábios, Dean abocanha o anel dolorido de Castiel, começando a beijá-lo, lamber suavemente a pele maculada, fazendo-a úmida com sua saliva. Suas mãos sobem à cintura do moreno, segurando-o no lugar, e Dean sente seus cabelos serem apanhados por uma das palmas de Cas, se prendendo nele feito um apoio.

Afastando suas coxas, Castiel arqueia parte da coluna ao ter a língua passeando sobre as rugas de seu anel, sentindo o inchaço da abertura ser tocado de novo e de novo pela delicada carne de Dean, tal como se ele cuidasse da área um pouco ardida com os estalos, chupadas e lambidas.

O desconforto de antes o abandona, e Castiel só grunhe, geme, morde os lábios e se derrete com as ministrações da língua de Dean na sua sensível fenda, sentindo sua extensão engrossar mais e mais.

— Mmmm.... Tenho que – “slurp”, veio o som da sugada em meio à frase de Dean, que não parava de lamber Cas nem mesmo para falar – Eu tenho que cuidar muito bem de você Cas; te deixar bem ‘pra sempre ter a mim enterrado aqui dentro.

— Ah-a—ah! S-sim! Sim, Dean!

— Sim?

Outra lambida, mais um beijo estalado na abertura e os dedos de Dean sobem até o falo do moreno, o instigando ali também, movendo os dedos ao redor da carne roliça na mesma velocidade dos beijos sobre a entrada.

— S-sim! Te quero sempre dentro de mim!

— Mm.... Mas não agora. – “slurp”— Agora vou cuidar e beijar o seu lindo anel.

— Nghaaa!

Castiel fecha as pálpebras com força, jogando a cabeça para trás e deixando-se levar a um estado de nirvana.

— Seu anel ‘tá tão macio e estufado. – o loiro fala, perdendo-se no furor — Fui eu quem o deixou assim, não foi Cas? Com meu pau aqui dentro?

Deus! Castiel não acreditava que estava no meio daquela conversa suja, com palavras tão baixas, porém que ao mesmo tempo soavam sexys e estonteantes nos seus ouvidos; ditas pela voz grossa e rasgada de Dean, seguidas dos barulhos molhados da língua atrevida o lambendo, chupando, beijando.

— Você gosta quando eu te como assim, Cas?

“slurp”

— AH!

O peito de Castiel ficou vermelho em meio as arfadas secas, os únicos sons coerentes que conseguia emitir. A barba malfeita do loiro se arrastava nas laterais de suas pernas, na virilha, arranhando a pele e incitando os nervos dali. Os beijos de Dean sobre o broto de carne faziam um calor subir do baixo ventre até a ponta do crânio de Castiel, transformando-o numa bagunça de gemidos e contorções na cama.

A umidade quente serpenteava sobre aquele pedaço tão íntimo seu, lambendo da parte mais baixa do círculo até a ponta de cima, tocando levemente no períneo.

As mãos de Dean foram resvalando firmes e lentas sobre sua pele, espalmando as coxas e chegando até a parte de trás das nádegas, as agarrando duma só vez. Silvando, Castiel sentiu as bandas redondas serem afastadas uma da outra, esticando seu anel e dando mais espaço a Dean que, ah! Enfiou a língua molhada o máximo que pode naquele espaço escaldante dentro de Castiel.

— Nnng, Dean. Dean!

— Chegando perto, Cas?

— U-uhum!

Ao afagar os cabelos de Dean, o loiro zumbe, fazendo o som vibrar da sua garganta sobre o músculo. Aproveitando a bela maneira com a qual o anel se abria mais e mais ao carinhoso ataque de Dean, ele estocou sua língua uma vez mais, fora e dentro, fora e dentro, tornando Cas ainda mais aberto e molhado a cada pressão da sua carne.

O antes anel inchado pela ardência estufava agora na necessidade de ter Dean indo fundo, rodopiando a língua e o provando por dentro, de todas as direções.

— Vou gozar....

Castiel mal conseguiu proferir o aviso tamanha era a falta de ar. Dean soube que ouviu as palavras, mas ainda sim surpreendeu-se ao ter a mão envolta do falo do moreno sendo tingida da brancura escapando da pontinha da glande, soltando uma onda após a outra de gozo em seus dedos.

A tremedeira no corpo do menor não parou pelos próximos minutos, e ele ainda sentia Dean lambendo com maior calma a sua entrada.

— Se sentindo melhor? – indaga Dean.

— Hmm....

— Tudo bem aí em cima? – Dean tem um sorriso estampado e nos lábios, e francamente, Castiel está extasiado demais para tentar tirar o ar de vitória dele.

— Tudo.... Perfeito Dean.

— Ótimo.

Dean se senta sobre suas pernas na cama, aproveitando para coletar com a boca pequenas gotas do gozo de Cas que caíam por entre seus dedos. O moreno grunhiu com a cena, sentindo sua extensão pulsar interessada ao ver a cena, mas incapaz de manter uma ereção após ter despejado tanto gozo essa manhã.

— Suas formas de acordar pela manhã são inusitadas, Dean. – comenta Castiel, tampando a visão com seu antebraço.

— Reclamando já cedo Cas? Quem te escuta até pensa que não gostou.

— Quieto....

— Hm? O que foi? – ele põe uma mão ao redor de seu ouvido, chegando o rosto perto de Castiel – Eu não te ouvi direito com essa voz de quem acabou de receber um tremendo—

O puxão que Castiel dá nos ombros de Dean, o jogando de volta na cama, fazem o loiro se calar. Ele, então, aproveita para roubar um lânguido beijo, sufocando Dean com sua própria respiração e não o deixando se livrar do estalar das bocas.

— Wow! – Dean exclama, suspirando – E você ainda reclamou de mim?!

— Cale a boca, Dean. – falou entre um meio sorriso, deitando a cabeça no peito do maior, que passou a mexer nos seus cabelos desgrenhados.

— Eu só estava te fazendo um favor, beijando seu anel dodói.

— Sua preocupação me fascina. – respondeu sarcástico, revirando seus olhos, mas não menos contente.

— Eu sei que sou fascinante.

Um pequeno soco, bem merecido, acerta em cheio o ombro de Dean, que finge sentir uma dor maior do que a empregada por Castiel.

— Você também devia receber uma atenção adequada.

O moreno sussurra na ponta da orelha de Dean, mordiscando o lóbulo e esfregando os dedos ao redor da base do membro ainda animado do loiro.

— Mmm, quem você sugere para o serviço? – Dean morde o lábio inferior quando Castiel beija docemente seu pescoço.

— Certo rapaz de cabelos escuros, olhos azuis, uma boca grossa....

— Já gostei dele. Traga ele aqui.

Sem segurar a risada dessa vez, Castiel recosta sua testa sobre a clavícula de Dean, ainda massageando a extensão de seu namorado, passando a procurar a boca dele com a sua.

— Você pode—Mmmm-Cuidar de mim no banho, o que acha?

— Acho uma excelente ideia.

— Sou cheio de ideias excelentes Cas.

— Ah, e de modéstia também.

— Minha segunda melhor qualidade

Castiel revira os olhos de novo. Apenas quando os amantes extasiados se levantam da cama que Dean resolve apanhar seu celular e conferir a hora, porém o que chama sua atenção na tela do aparelho é outra informação:

— Merda! – xinga o loiro – Droga, mas que, urgh!

— O que foi? – Castiel vira-se preocupado, já carregando duas toalhas nas mãos.

— Eu esqueci!

— Esqueceu o que Dean?

— Uh, sabe, lá no hospital quando a Lisa apareceu?

— Sim? – Castiel franze o cenho com a nova informação, mas nada diz.

— Ela me falou que o jogo de beisebol do Ben era nesse fim de semana; hoje! E eu prometi ao moleque que ia!

— Oh. Não sabia.

— Não tinha te falado?

— Não.

— Uh.

Coçando a nuca em meio ao nervosismo, Dean nem ao menos percebeu que os dois ainda estavam pelados, e que uma firme ereção ainda balançava no meio de suas pernas.

Num suspiro, Castiel cruza os braços em volta das toalhas, olhando com sua usual calma para Dean:

— A que horas?

— Que?

— Que horas o jogo começa.

Dean vira o celular de novo, e silva por entre os dentes:

— Er, meia hora? Droga! Eu realmente, realmente queria passar o dia com você Cas! Desculpa, eu, uh, vou avisar a Lisa que eu não vou e—

— Dean espera.

Pondo a mão sobre o celular dele, Castiel o impede de continuar a ligação, ainda trajando a mesma expressão serena:

— Ben está esperando por você nesse jogo. E eu sei o quanto você é afeiçoado por ele.

— É, mas Cas, eu não quero que você pense que eu ‘tô indo por causa da Lisa.

— Não penso isso.

— Não?!

— Nem um pouco. Algo do qual tenho certeza que você jamais seria capaz é me trair.

Okay, aquilo deixa as bochechas do loiro um pouco coradas, ainda mais quando Castiel fala duma maneira tão convicta.

— Certo, uh, então... Tá. ‘Kay, como fazemos ‘pra chegar lá à tempo?

— Nós?

Dessa vez é Castiel quem fica confuso, entortando a cabeça para o lado.

— É, nós! Você vai comigo.

— Oh. Sei que fez planos para ir sozinho, não quero atrapalhar Dean.

— Atrapalhar? Você não me atrapalha Cas!

— Mas Ben vai querer sua atenção.

— E ele vai ter, mas eu quero ir junto com meu namorado!

Os olhos de Castiel só faltaram brilhar com a constatação de Dean. O loiro pareceu entender apenas agora.

— Ei, achou que eu ia ter vergonha de você? Nós saímos ontem ‘pra mostrar à todos que estamos juntos.

— Nossos amigos, e seu irmão. Não seria estranho aparecer na frente de Lisa?

— Claro que não! – Dean fala como se aquilo fosse a coisa mais absurda do mundo, pondo as duas mãos nos ombros de Cas e o acariciando – Aliás, ela estava torcendo por nós, sabia?

— Lisa?

— Sim. No hospital eu contei ‘pra ela sobre a gente, quer dizer, que tínhamos brigado e, bom, ela me desejou boa sorte!

Castiel ficou perplexo uma vez mais, deixando Dean um tanto quanto desconfortável:

— Eu acho que esqueci de te contar algumas coisas daquele dia.

— Precisamente. – responde Castiel, porém ele não soava chateado – Teremos tempo ao longo do dia. Vamos, arrume o café da manhã enquanto tomo um banho e me apronto para irmos logo.

Mostrando os dentes de orelha à orelha, Dean rouba um beijo de Castiel, o abraçando pela cintura e o permitindo ir ao banheiro. Até que um estalo vem à sua mente o fazendo girar os calcanhares depressa:

— Espera. Quer dizer que você não vai entrar no banho comigo?!

Castiel ri malicioso, rebolando bem os quadris antes de fechar a porta do banheiro.

— Considere vingança por mais cedo.

Ao ouvir o som da tranca a boca de Dean cai aberta.

— Filho da mãe! – pragueja, pensando em maneiras divertidas e tortuosas para usar em Castiel assim que voltassem do jogo.

(...)

Às nove em ponto, Dean e Castiel conseguem chegar até o campo de baseball do colégio de Ben. Uma vez lá, eles procuram por algum local na arquibancada, ficando na segunda fileira, bem perto da grade do campo, onde Dean poderia ver Ben e acenar ao garoto sempre que pudesse.

O café da manhã ainda estava recente na barriga de Castiel, mas ainda assim ele viu o loiro sentar-se ao lado lhe estendendo um cachorro quente e refrigerante, enquanto ele mesmo abocanhava o pedaço do seu.

— Sua barriga é, de fato, um poço sem fundo. – comenta o moreno.

— Não seria um jogo de baseball sem cachorro quente. – Dean responde de boca cheia;

— Uhum. – Castiel ri – Já encontrou Ben ou Lisa?

— Nah, Lisa deve ‘ta encorajando o moleque ainda. O jogo só começa daqui a dez minutos.

— Não seria melhor falarmos que estamos aqui?

— Ele sabe que eu ia vir. Eu prometi.

— Você sim.

— Ei, ainda ‘tá preocupado? – Dean inquere, franzindo o cenho.

— Falta de costume, eu diria.

— Ah, pois eu quero te exibir ‘pra todo mundo, então fecha seu ‘buraco de enfiar bolos’ e aceita isso.

A descontração de Dean relaxa a Castiel um bocado, e antes que eles percebam o juiz dá o apito inicial.

Dean termina o cachorro quente o mais depressa que pode, e quando o time de Ben entra em campo ele se ergue na arquibancada, pondo as mãos ao redor da boca e gritando:

— Acaba com eles campeão!

No campo, Ben pareceu ter ouvido os gritos entusiasmados de Dean (tal como metade da arquibancada, que precisou tampar os ouvidos, ou ficariam surdos), e o garoto de doze anos procurou rapidamente com os olhos até avistar Dean. O sorriso que ele abriu fez o coração de Castiel saltar.

Era um carinho tão profundo e visível entre Dean e Ben que, se ele e Lisa não tivesse começado a namorar quando Ben já tinha dez anos, qualquer um pensaria que são pai e filho. Por mais que Dean negue, esse lado paternal dele é uma das suas melhores qualidades.

— Dean!

A voz de Lisa foi ouvida pelos dois, fazendo Castiel e Dean acenarem do outro lado da arquibancada ao verem a morena acenando animadamente.

— Aquele ao lado dela é o Alan. – comentou Dean apontando para o cara alto, careca e de corpo robusto, aparentando ter algo em torno de quarenta anos.

— Eles ficam bem juntos.

Diz Castiel, e na mesma hora Dean se volta a ele mostrando um largo sorriso que deixa Cas confuso:

— Você só diz isso porque sabe que ficou com a melhor parte. – Dean fala numa voz aveludada.

— Qual seria essa melhor parte? – pergunta, fingindo-se de tolo.

— Eu, é claro! – responde o loiro, movendo as sobrancelhas para cima e para baixo e apontando para seu corpo com as duas mãos. Castiel balança a cabeça ao revirar os olhos, porém não consegue evitar uma pequena risada.

— Foque sua atenção no jogo Dean.

— Okay. Mais tarde eu vou focar outra coisa em você, Cas.

Parecendo ponderar sobre a afirmação dele, Castiel pisca um olho, lambendo os lábios ao dizer:

— Veremos.

Dessa vez é Cas quem fica com o olhar de vitória, enquanto Dean finge uma expressão de espanto ao seu namorado, voltando a analisar o time de Ben.

— Cara, ele vai arrasar nesse jogo. – Dean senta de volta no seu lugar, analisando com calma cada um dos jogadores mirins entrando em campo – ‘Tá vendo o rebatedor deles? Aquilo ali é um braço de franguinho. Nenhum deles segura as bolas curvas do Ben.

— Você e ele jogaram juntos muitas vezes, não foi? – Castiel pergunta, maravilhado com a animação do seu namorado.

— Pff, fui eu quem o ensinou a jogar uma bola curva descente.

Rindo, Castiel volta sua atenção ao campo. É um jogo relativamente simples: correr pelas bases, lançar bolas que não devem ser rebatidas, fazer pontuações antes que os lançadores terminem de jogar a bola um para o outro.

Hm, talvez não tão simples assim, mas Castiel compreende o básico, e para qualquer dúvida sua, há sempre as agitações de Dean ao seu lado para lhe dizer quando deve ou não torcer.

— Ah! Qual é! – Dean grita num determinado momento – Ele não tocou na base, seu juiz cego!

Castiel enxerga um fogo nos olhos de Dean. Ele encoraja a Ben, bate palmas, implica com os jogadores adversários, e mais que isso: mantêm-se atento ao jogo duma maneira compenetrada, como se não houvesse mais nada no mundo além das jogadas de Ben; do garoto em si.

— Olha, lá Cas! Ele vai fazer a bola curva!

O cotovelo de Dean bate nas costelas de Castiel, e o moreno fica atento na direção que Dean aponta. É a vez de Ben arremessar, e o loiro chega a prender a respiração enquanto ele se prepara.

— Repare como os dedos dele se dobram ao redor da bola. – explica Dean, sem nunca deixar a visão do campo – Quando ele for lançar, os dedos vão girar para o lado que ele quer que a bola vá. Assim você precisa combinar força, agilidade e a rotação do pulso e dos dedos ‘pra fazer a bola curva.

Castiel prende os olhos no braço de Ben, analisando cada detalhe descrito por Dean. Quando a jogada é feita, o rebatedor vai na direção errada da bola:

— ISSO! – Dean grita, erguendo-se da arquibancada e jogando os braços para o alto – Mostra ‘pra eles quem é o melhor Ben!

Castiel tão somente bate palmas, acompanhando o restante da torcida que se exalta divertindo-se mais com as reações de Dean do que o jogo em si. Se ele soubesse o quão bonito fica desse jeito: despreocupado e alegre.

(...)

Após mais uma hora de jogo o time de Ben foi o vencedor com uma diferença de cinco pontos, o que animou a todos, dando boas perspectivas para essa temporada.

Dean instruiu Castiel a ficar sentado e esperar o tumulto da arquibancada esvaziar, e quando tem um caminho livre eles conseguem parar próximos do estacionamento e da saída do campo, onde Lisa já os aguardava.

— Até que enfim encontrei vocês! — ela diz, indo até Dean e o abraçando, seguido de Castiel que, apesar da estranheza do contato, o aceitou de bom grado.

— Olá, sou o Alan. – o atual namorado de Lisa se aproxima de Dean lhe estendendo a mão com uma visível apreensão no ar, mas tão logo o loiro a apanha num forte aperto, o careca relaxa um pouco.

— Dean. E este é o Cas—tiel.

— É um prazer. – Castiel oferece o cumprimento simples, e Alan acena de volta ao moreno.

— Igualmente.

— Então....

Lisa dá uma longa pausa fitando Dean e Castiel enquanto ergue as sobrancelhas em expectativa. De fato, ela poderia ser mais sutil, contudo, Dean logo percebe que esta não era a intenção dele, precisando engolir seu orgulho e colocar tudo para fora de uma só vez. E ele preferiu fazer isso ao mesmo tempo em que puxava Castiel pela cintura:

— Lis, deixa eu te apresentar oficialmente ao meu namorado.

A face de Castiel avermelha-se no ato, virando o pescoço na direção do loiro que continua a apertar sua cintura. Apesar deles não estarem escondendo nada de ninguém ou do mundo ainda era um tanto quanto esquisito esta interação amigável e brincalhona entre Dean e Lisa, remontando-se ao fato de que eles ficaram juntos por dois anos, se separam há pouco mais de quatro meses e, ah! É mesmo! Dean agora está namorando um cara.

Contudo, a única reação de Lisa é soltar um rápido som esganiçado, envolvendo os dois com seus braços.

— Eu sabia que ia dar tudo certo! – comenta a morena.

— Uh.... Obrigado? – Dean fala em meio a um visível desconcerto, coçando sua nuca. Castiel fica contente com o embaraço do loiro, uma vez que ele mesmo ainda estava encabulado.

— Agradeço por sua sinceridade Lisa.

— Não se preocupe Castiel. – ela sorri largamente, acabando por contagiar os olhos azuis dele que se amenizam em meio a não-tão-mais excêntrica situação.

— Então.... Ele é seu ex e agora ‘tá namorando um cara?

Alan, que até então havia permanecido calado, pergunta numa visível dúvida estampada no semblante, piscando várias e várias vezes, ganhando um rápido – porém preciso – olhar desafiador de Dean que se lia nas entrelinhas: “diga uma gracinha e você comerá suas tripas”. Castiel adora esse ar imponente de Dean, precisando morder o lábio inferior para não soltar um baixo grunhido.

— Ah.... Desculpe isso soou errado. E-eu só, não tenho nada contra! Mas quer dizer, você namorou a Lisa e eu, uh…Lisa, uma ajudinha? – Alan pede, sentindo-se pequeno de repente. A morena apenas ri, pondo o braço ao redor do dele.

— Não falei nada ao Alan, pois não tinha certeza se vocês tinham se resolvido ainda. Ele não diz por mal, só foi uma surpresa.

— É! – Alan exclama – Só é, uh, diferente, quer dizer—N-não há nada de errado! Eu só não sabia que você tinha um namorado! Er.... Uh.... Podemos começar de novo?

Antes que Dean possa responde-lo na sua comum bruteza, Castiel intervém com uma breve risada que chama a atenção do loiro, dissolvendo sua sutil raiva:

— Nós compreendemos, não se martirize quanto a isso.

—.... Obrigado. – Alan sorri sem jeito ao moreno, enfiando as mãos nos bolsos de sua calça ao parecer aliviado.

Dean ainda o olha inseguro, mas resolve ignorar o primeiro comentário de Alan, afinal, ele mesmo tinha suas questões mal resolvidas sobre gostar de caras tanto quanto ele gosta de garotas, então é, ele podia esquecer o mal-entendido e seguir em frente.

— Onde está o Ben? – pergunta, mudando o assunto.

— Chegando nesse minuto!

Virando-se na direção apontada por Lisa, Dean consegue enxergar bem à tempo o pequeno vindo na sua direção, estampando um sorriso de orelha à orelha, tão largo quanto o de Dean. Nos passos finais, o menino andou depressa, jogando-se contra a cintura do loiro, que o apanhou debaixo dos braços e prontamente o ergueu no ar:

— Ahá! Eu te falei que você ia ganhar com aquela bola curva Ben!

— Dean! Você veio!

— Claro pirralho! Eu disse que vinha!

Sorrindo ainda mais, Ben voltou-se a sua mãe a abraçando, depois Alan e, finalmente Castiel. Foi nesse instante que a expressão radiante dele se desfez por completo.

— Ah, oi.

Ele oferece o cumprimento duma forma educada, e Castiel precisa engolir seco o visível desgosto mostrado a ele:

— Olá Ben. Foi um ótimo jogo, meus parabéns pela vitória.

— É, ‘tá.

— Ben... –Lisa usa sua voz autoritária, e o garoto sabe que estará com problemas se continuar sendo petulante.

— Obrigado. – agradece por entre os dentes, voltando sua atenção à Dean – Nós vamos comer na lanchonete aqui perto! Você quer ir também?!

— Claro campeão, se estiver tudo bem com sua mãe.

— ‘Tá sim! Não é mãe?!

— Oh, claro! – Lisa sorri em meio a alegria de seu filho.

— Ótimo! — Ben fala num trejeito que lembra sem dúvida as maneiras de Dean — Viu aquela bola curva que eu mandei?!

— Ah, cara! Nenhum deles viu seu arremesso!

— Eu sei!

Ben engaja numa animada conversa ao lado de Dean, enquanto Lisa e Alan andam de mãos dadas, adorando a fascinação do garoto para com o jogo. Castiel tenta ficar próximo deles, contudo Ben parece determinado a ignorar sua presença ao virar de costas a ele e falar apenas com Dean. O moreno franze o cenho, optando por caminhar em silêncio.

— Não se preocupe, quando esses dois começam a falar de baseball ninguém consegue os parar. – Lisa o assegura, percebendo o desconforto de Castiel.

— Eu entendo. Ben é um menino bastante acalorado.

— Quer dizer elétrico. – Lisa ri – Não consigo o deixar quieto num só lugar por mais de quinze minutos!

— E esses quinze minutos são um recorde. – inteira Alan, divertindo-se junto deles.

Aquilo parece tranquilizar a Castiel, e ele se permite discutir outros assuntos com Alan e Lisa quando chegam à lanchonete, sentando-se numa mesa ao canto:

— E então, quantos mais jogos até o final da temporada? – Dean pergunta ao menino, dando continuidade à conversa.

— Só mais seis!

— Vejo que está animado para os próximos jogos.

— Porque eu sei que ninguém vai ganhar da gente.

— É assim que se fala!

— Você é mesmo um arremessador muito bom. – Castiel comente, mas Ben o responde apenas com um acenar de cabeça.

— Entende alguma coisa de baseball? – pergunta o garoto duma maneira quase desafiadora.

— Ah, apenas o básico. O restante aprendi com Dean, ele é um ótimo professor.

— Hmm.

Os pedidos chegam depressa, e logo os barulhos das vozes é substituído pelo das bocas comendo. Dean – que há pouco havia se estufando com um cachorro quente – devorava um enorme hambúrguer de picanha e bacon:

— Deveriam dedicar um estudo científico sobre o tamanho do seu estômago Dean. – Castiel diz, chamando a atenção de todos ao loiro, que apenas dá de ombros, limpando o canto da boca sujo de ketchup.

— Já faz mais de duas horas desde que comi algo! – retruca.

— Sim, dois cachorros quentes, sem contar o café da manhã ás oito e meia.

— Ah, já desisti de entender a fome do Dean! – Lisa brinca.

— Hambúrgueres e cachorro quente são a base de uma boa alimentação. – concorda Alan, ganhando uma risada nasalada de Dean.

— Ai, ai.... E ainda por cima Ben desenvolveu esse mesmo apetite! – apontando agora para seu filho, Lisa tem de achar graça da maneira que sua bochecha está estufada só de um lado, e seu lábio faz um biquinho quase idêntico ao de Dean.

— Eu estou em fase de crescimento! – atesta o menino.

— Isso mesmo! – Dean o apoia, batendo sua mão na do garoto antes de voltar a comer.

— Você vai precisar de um antiácido se continuar engolindo o almoço dessa maneira. – rindo, Castiel é pego de surpresa quando sua graça é mortificada por uma única frase de Ben:

— O Dean pode comer o que ele quiser.

A mesa toda ficar em silêncio. Castiel pisca os olhos algumas vezes, pressionando um lábio no outro ao baixar sua cabeça:

— .... Sim, é verdade, ele pode. – comenta ele um pouco sem graça, pondo insossamente uma batata frita em sua boca.

De olhos arregalados, Dean tosse de leve:

— O Cas só está preocupado com meus quilinhos extras. Certo Cas?

— É.... Sim.

— Ele te largaria se você ganhasse uns quilos extras?

— Benjamin! – Lisa o chama por seu nome inteiro, e aquilo devia ter bastado, afinal, o menino sabe que é difícil irritar sua mãe ao ponto de fazê-la o chamar assim. No entanto, ele apenas volta a comer seu hambúrguer.

— Foi só brincadeira dele Lisa. – Dean fala, bagunçando o cabelo do garoto que dá de ombros.

— Peça desculpas ao Castiel. – Lisa ordena numa voz séria.

— Lis.... – Dean tenta amenizar a situação, mas para o seu azar Ben não coopera.

— Porque?! – revida o garoto.

— Como assim porquê?! – Lisa chega seu rosto para frente, fitando seu filho com os olhos amendoados — Você foi rude.

— Não precisa se preocupar Lisa....

Dessa vez é Castiel quem sente a tensão entre mãe e filho, e, novamente, as tentativas de apaziguar o desagradável desenrolar daquele almoço é jogado pela janela pela língua afiada de Ben:

— Só disse a verdade! Se ele pode mandar no Dean então eu posso dizer a verdade!

— Ei, ei, ei garoto. – Dean se interpõe na briga deles agora, tomando para si as ofensas sem sentido – O Cas não ‘tava mandando em mim.

Por mais incrível que pareça, a petulância de Ben ultrapassa os limites normais da razão, e ele tão somente revira os olhos, encarando a Dean:

— Fala sério! Você só ‘tá aceitando isso porque ele é seu namorado!

— Benjamin Tyler Braden!

Não há uma resposta pronta, pois tudo o que Ben faz é trancar suas feições num misto de frustração e raiva, pulando do banco e correndo para fora da lanchonete.

— Ben!

Dean grita ao se levantar, sendo seguido pelos demais. Alan de qualquer maneira joga um punhado de notas sobre a mesa, logo encontrando-se com Lisa na calçada:

— ‘Pra onde ele foi?

— Eu não sei! Eu não vi!

— Vamos começar a procurar antes que ele se afaste demais.

— Não sei o que deu nele....

— Tudo bem Lisa, fique calma. Nós vamos acha-lo.

Alan a conforta, começando a procurar por Ben junto dela. Dean e Castiel se separam a fim de querer cobrir mais espaços por onde procurar, até porque um menino de doze anos não pode ser tão rápido assim.

Correndo na direção da loja de sorvetes próxima à lanchonete, Dean afastou-se de Castiel, enquanto o moreno corria apressado até o parquinho do outro lado da rua.

Algumas crianças gritavam ao brincarem de pique-pega, outras divertiam-se com seus pais nos balanços e gangorras num fim de tarde fresco e calmo.

Procurando em cada um daqueles rostos infantis Castiel tentava achar Ben, contudo, não teve sucesso, pensando em voltar até a lanchonete quando avista o pedaço de um boné vermelho, escondido por entre a construção de maneira de uma enorme casa de brinquedo, repleta de escorregas e locais onde crianças podiam se pendurar.

Castiel o encontrou primeiro, justo ele. Talvez fosse melhor chamar por Dean, ele saberia lidar com o garoto. Apanhando o telefone, ele parou com o dedo sobre o nome, no entanto.... Ele podia averiguar por si mesmo os motivos de Ben, já que qualquer problema passando pela cabeça dele o envolvia diretamente.

Respirando fundo, Castiel se aproxima com cautela, ficando de pé a poucos metros de distância:

— Olá.

O garoto o viu revirando os olhos logo depois, voltando à pôr os braços ao redor de seus joelhos:

— Não vou te pedir desculpas. – diz a Castiel por entre os dentes, sem lhe dar muita atenção.

— Tudo bem, você não precisa.

— O que ‘tá fazendo aqui?

— Estamos te procurando. Sua mãe está preocupada.

— Caramba, eu só atravessei a rua.

Dando uma breve risada, Castiel pôs as mãos em seus bolsos, olhando para a direção da lanchonete, depois para o menino, até, por fim, suspirar:

— Não precisamos voltar agora, acho que você tem alguns minutos de vantagem.

Ben olhou para o moreno de soslaio, bufando em seguida.

— ‘Pra que ser legal comigo? – perguntou duvidoso e exasperado; tal como um animal arisco.

— Por nada, estou apenas ressaltando um fato.

— Hmm.

— Posso me sentar com você um pouco?

Ben dá de ombros. E achando aquilo o máximo de interação que conseguiria dele, Castiel sentou-se sem pressa, tomando cuidado para deixar uma distância segura entre eles. Contou exatos vinte segundos mentalmente, esperando algum tipo de conforto no semblante do menino, antes de tentar algo:

— Quero fazer uma pergunta. – Castiel pede.

— O país é livre.

Ah, o moreno vê claramente o que Dean lhe contou sobre a esperteza do garoto.

— Eu lhe fiz algo que o chateou?

Encolhendo-se ainda mais ao redor de si mesmo, Bem esconde a boca por entre seus braços, murmurando contra e pele:

—.... Não.

— Oh.

— Urg, não é..... Nada, esquece.

— Tudo bem. Eu entendo.

Nisso, o menino se volta ao maior, franzindo o cenho:

— Dean e sua mãe costumavam namorar e agora as coisas estão diferentes. É normal sentir-se deslocado—

— Duh, não tem nada a ver! – Ben o interrompe revirando os olhos, como se Castiel fosse algum tipo de idiota.

— Não?

— Não. Eu sei que adultos namoram e terminam com as pessoas o tempo todo. Quer dizer, eu queria que minha mãe ficasse com o Dean porque e eu gosto dele. Mas.... O Alan também é legal.

— Entendo. Nesse caso, porque percebo que você está amolado?

— “Amolado? ”

— Uh, quer dizer chateado, triste.

— Porque não diz "chateado" ou "triste"?

— Não sei. – Cas dá de ombros – É minha maneira de falar.

— Você tem um jeito estranho de falar.

— Dean fala a mesma coisa.

Ben, pela primeira vez, ri, coçando a ponta do nariz rapidamente para disfarçar o momento de deslize.

— Eu só.... – ele começa, suspirando, virando o rosto para frente sem encarar a Castiel – Sei lá. O Dean agora não ‘tá mais lá em casa, e eu não o vejo sempre. E eu sei que ele veio hoje porque me prometeu, mas você também veio e, bom e quando você não puder vir? O Dean vai deixar de me ver também? Ele não vai mais falar comigo tanto quanto antes porque pode ficar sem tempo ou você pode não gostar....

Ah! Então era aquilo! Certo alívio de apossa de Castiel, afinal, o problema não era necessariamente com ele. Ajeitando-se, ele tenta usar sua voz mais serena para acalmar os medos do menino:

— Ben, não se preocupe com isso. Dean continuaria te vendo, estando comigo ou não.

Mordendo seu lábio inferior, Ben permanece calado, olhando os brinquedos do parque ao falar num tom quase inaudível:

— Verdade?

— Verdade. Ele sente muito apreço por você. – Ben enruga a testa de novo com o palavreado dele – Uh, quero dizer que ele se importa. Além do mais, ninguém conseguiria obriga-lo a se afastar de você, ou de sua mãe. Tão pouco isso é o que eu quero.

— Não é? – inquere o menino, parecendo perplexo pela primeira vez — Mas tipo, minha mãe é a “ex” dele.

Castiel lhe mostra um meigo sorriso que, propositalmente ou não, fazem as bochechas do garoto arderem:

— Verdade, mas eu sei que Lisa é uma boa pessoa. – Ben sorri de novo – E eu estou junto do Dean, mas ele é dono das suas ações, assim como eu; e ambos temos liberdade para fazer como nossa consciência nos mandar.

— Hm....

Notando que Ben continuava duvidoso, Castiel resolveu acrescentar um pequeno detalhe:

— Prometo que nunca farei Dean se afastar de um rapaz tão inteligente e querido como você Ben.

O menino esfrega as bochechas que esquentam frente aos elogios de Castiel. Ele sabe que Cas só quer ganhar sua confiança, ainda assim é.... Bom ouvi-lo dizer estas coisas. Ficando em silencio por algum tempo, Ben dá de ombros outra vez e, enfim, balança a cabeça:

— Você é maneiro, Castiel. — diz, como se chegasse a uma conclusão final, acabando por fazer o semblante do moreno se iluminar num meio sorriso.

— Pode me chamar de Cas.

Ben desvia seu olhar sentindo o rosto ficar vermelho mais uma vez.

— Okay Cas.

(...)

Na frente da lanchonete Lisa estava com seu telefone em mãos ligando em desespero para a polícia que nada podia fazer na situação dela. Alan e Dean já estavam criando teorias preocupantes sobre o paradeiro de Ben, até que Alan solta uma respiração aliviada ao avistar o menino vindo ao lado de Castiel na calçada

— Lá estão eles. – ele aponta, fazendo Lisa correr em disparada até seu filho agachando-se na frente dele.

— Não faça mais isso Benjamin! – grita a mulher, apertando-o contra seu peito — Que ideia foi essa de sair correndo?!

— D-Desculpa mãe.

— Pode apostar que sim!

— Está tudo bem, Lisa. Ele só precisava ficar um pouco sozinho. – Castiel fala, tentando amenizar a situação, entretanto a fúria de uma mãe é implacável.

— Pois ele vai ter muito tempo para pensar sozinho; no quarto dele de castigo, sem televisão ou videogame!

— Mas mãe—

— Sem “mas”! Você sumiu Ben; isso foi perigoso!

— Eu estava com ele, não fomos muito longe Lisa.

— É o Cas estava comigo!

Os demais adultos olham entre Ben e Castiel como se eles tivessem adquirido duas cabeças. Não apenas eles pareciam bem mais tranquilos como o menino havia se apegado ao apelido do moreno como se o usasse há anos numa intimidade única.

— Você sabe que não deve sumir desse jeito Ben. – é Dean quem o repreende, fazendo o menino montar um biquinho em sua boca.

—.... Desculpa.

— Muito bem, chega disso. – Lisa se ergue, pondo uma mão protetora ao redor do ombro de seu filho – Vamos para casa, já está tarde.

— ‘Tá bom.

Alan se junta a Lisa e Ben andando até o estacionamento. Seguindo os três, Dean e Castiel andam devagar, ficando alguns passos atrás deles, até que o loiro, ainda incrédulo, sussurra ao seu namorado:

— Tudo bem com vocês dois?

— Sim, estamos bem.

Dean procura por alguma hesitação no moreno e quando não a encontra relaxa os ombros assim que chegam ao estacionamento, parecendo menos cansado. Lisa também está mais tranquila – apesar de ter continuado a sua bronca enquanto caminhava até o carro — deixando que seu filho e Dean se despeçam:

— Campeão, ‘tá ficando tarde e amanhã eu ainda trabalho, então, nos vemos depois, okay?

— Okay! Meu próximo jogo é daqui a dez dias!

— Estarei na primeira fila!

— Legal! Cas! Você também quer vir?

Pergunta, olhando para o moreno da maneira mais natural possível. Os traços de qualquer inimizade se dispersam das feições de Ben, e isso apenas abre mais espaço para estranhezas dos olhares dos demais ao repousam sobre Castiel.

Num sorriso enviesado, o moreno agacha um pouco seu corpo e toca no cabelo do menino, bagunçando-o de leve.

— Adoraria te ver jogando de novo Ben.

Entreabrindo os lábios, Ben abaixa o olhar, não entendendo a razão do seu repentino embaraço para com Castiel, afinal, até poucas horas atrás ele tinha o declarado seu inimigo número um e agora, bom.... Agora ele não parecia tão ruim assim e até que tinha um sorriso bastante bonito.

— Maneiro, quer dizer, legal.

Repete o menino, sem graça, entrando o mais depressa possível no carro e se escondendo atrás da janela — mas ele ainda tenta lançar rápidos olhares na direção de Cas do lado de fora, disfarçando quando é notado por ele.

— Obrigada, aos dois! – Lisa agradece, os abraçando – Nos vemos no próximo jogo!

— Com certeza. Tchau Lis.

— Até breve Lisa.

Alan acena de dentro do carro, indo embora. O Impala logo tem o motor ligado por Dean, pronto para tomar um longo banho – preferencialmente com Castiel.

Por falar no moreno, Dean fica o encarando por um bom tempo antes de sair do estacionamento:

— Cas você é tipo, o encantador de crianças e não me disse? – Dean brinca, e Castiel ri.

— Só precisávamos esclarecer algumas coisas.

— Hmm. Algo que precise saber?

— Nada preocupante. Fique tranquilo.

— ‘Kay.

— Ele é um excelente garoto.

— Eu sei.

— A maneira como você o trata Dean... Você seria um ótimo pai; ou melhor será, um dia.

As bochechas de Dean se avermelham, e ele limpa a garganta, procurando um meio de mudar o assunto – falar sobre os outros era fácil, porém Dean ainda tinha grandes dificuldades em ser o centro das atenções.

Nisso, seu celular toca debaixo de um sinal vermelho e, contra o olhar reprovador de Castiel, ele o atende depressa:

Dean-incrível-Winchester! – ele atende, piscando ao moreno.

Castiel revira os olhos, contudo seu corpo inteiro fica estático que nota as feições contorcidas do loiro ao abaixar o celular e desliga-lo:

— Dean o que houve? – Castiel indaga, diante da expressão consternada de seu namorado.

— É Sam. Ele pediu—Ele quer que a gente vá ‘pro hospital; agora.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não sei eu só...

Uma buzina atrás deles alerta a Dean de que ainda estavam parados debaixo do sinal, agora verde. Na próxima esquina o Impala faz uma curva diferente, desviando-se do caminho ao apartamento de Castiel e voando na direção do hospital.

Castiel olha de soslaio a expressão estoica de Dean, a maneira bruta com a qual aperta o volante, deixando as juntas dos dedos esbranquiçadas. Ele pensa em dizer algo, qualquer coisa que pudesse desafogar as inúmeras preocupações surgindo na mente de Dean, mas não há nada que ele possa oferecer, não com ele nesse estado caótico.

Assim, Castiel deixa sua mão parar sobre o joelho do loiro, apertando-o gentilmente como que para reafirmar sua presença ali. As mãos sobre o volante diminuem um pouco a pressão, e apesar dos olhos ainda duros de Dean, Castiel sabe que já fez uma pequena diferença, e por hora aquilo bastava.

Continua

Notas finais
‘buraco de enfiar bolos’ hehehe Em inglês o Dean fala isso. Algo como "shut your cake hole" que literalmente significa: feche seu buraco de comer bolos. É uma expressão para: feche a sua matraca, mas eu queria deixar mais perto do original possível! Então peopl, esse final ficou meio tenso, maaaaaaaas vocês vão ter que esperar até o próx cap, sorry! O que acharam da interação BenxCastiel? Eu coloquei os dois bem mais fofinhos no final, se é que q perceberam, hehehehe O Ben ainda vai aparecer algumas vezes mais na fafic, fiquem tranquilos! E vamos também ver um pouco mais dele falando com o Castiel também (o que será que o Dean vai pensar disso, uh? uh?!) hehehehe