Sem Compromissos
11 Capítulo 10 - Há dois minutos da realidade
Notas iniciais
Capítulo 10 – Há dois minutos da realidade
– O que você está lendo?
Dean pergunta da cozinha enquanto prepara o jantar de quinta à noite para os dois: uma grande e suculenta lasanha, afinal, eles merecem depois da semana estressante no trabalho dos dois. O assunto de Lisa era passado, e eles voltaram a rotina de antes – que envolvia conversas, ver os seriados favoritos de Dean enquanto Castiel trabalhava um pouco e, claro, o sexo.
Sem erguer a cabeça do livro, Castiel responde após virar uma página:
– Um guia sobre como trabalhar com colmeias.
Dean gira o pescoço na direção do amigo erguendo uma sobrancelha.
– Uh... Colmeias, do tipo... Com abelhas?
– Precisamente.
– Porque você está lendo isso? – ele indaga, franzindo o cenho.
– Eu aprecio esse assunto.
– Por quê?
– Porque eu gosto de abelhas.
– Sério Cas? Abelhas?
– Elas são criaturas incríveis.
Dean aperta os olhos numa visível questão silenciosa, e Castiel levanta a cabeça á tempo de vê-lo com essa expressão de descrença. Ele suspira, virando uma nova página e começando sua explicação:
– Você se lembra que eu estudava em casa?
– Sim, até antes de ir ‘pro nosso antigo colégio. — Castiel meneia que sim com a cabeça.
– Nunca me foi permitido ficar perto de pessoas, a não ser em locais públicos, quando ia de um espaço à outro. Meu pai acreditava que nós devíamos nos mantes longe das distrações para construir uma carreira sólida. – Castiel muda outra página do livro nem o menos o lendo, mas sim viajando com o fluxo de memórias – Atrás da minha casa, um dia, eu encontrei uma abelha voando sobre algumas flores. Eu comecei a seguir seu caminho, que foi até a janela do meu quarto, e depois retornou às flores. Eu comecei a plantar um pequeno jardim suspenso na janela para que eu pudesse ter mais desses pequenos animais me visitando, tirando aquela monotonia chata da minha vida.
– Você é sentimental. – Dean sorri, implicando com ele, conseguindo arrancar um pequeno riso de Castiel.
– Creio que sou sim.
Quando o relógio do forno apita, Dean alegremente abre a porta sentindo o maravilhoso cheiro da lasanha, apanhando-a e colocando sobre a mesa. Ele então vê que Castiel continua na mesma posição de antes no sofá, entretido com seu livro. Revirando os olhos, ele vai até a sala de estar e segura a ponta do exemplar o puxando das mãos distraídas de Cas sem dificuldade alguma.
– Ei!
Cas protesta, se levantando, mas assim que ele estende a mão para tentar apanhar o livro de volta, Dean o afasta dele, sorrindo.
– Você pode continuar mais tarde. O jantar está pronto.
– Isso é infantil, Winchester.
– Eu trabalhei até suar nessa lasanha, então é melhor você sentar e comer, Novak.
Cas está pronto para usar um pouco mais das suas respostas rápidas, mas então Dean destrói qualquer pensamento coerente ao lhe dar um beijo. Durou pouco mais de um segundo talvez, os lábios se tocando, deixando um sutil gosto dos seus sabores, mas foi tão... Simples, direto e natural que deixou o cérebro de Cas em curto-circuito. E Dean apenas mostrava os dentes a ele.
– Anda logo, você vai ler mais depois do jantar. Agora vamos comer!
–... Okay.
É tudo que Castiel diz, pensando sobre o fato de Dean ter acabado de beijá-lo sem nem ao menos se alarmar ou perceber isso. Foi um beijo tão... Caseiro e certo e quase pareceu... Ele sentiu como se eles fossem algo... Que eles eram mais do que amigos.
Não. Não, Castiel não pode viajar para esse mundo. O que ele estava pensando? Dean é seu melhor amigo por quase vinte anos. Eles são bons um com o outro, e é só isso. O sexo nessas últimas semanas foi... Bom, é divertido, realmente. Ele adorou cada minuto – Dean é incrível na cama. Mas ele nunca, nunca colocou nenhum tipo de segundas intenções no assunto.
Mas talvez agora ele pudesse...
Mordendo o interior de sua bochecha, Castiel sentou-se na mesa deixando que Dean o servisse.
Dean é seu amigo, sim, mas ele não ouviu alguém lhe dizer que isso nem sempre é ruim? Que pode ser o melhor tipo de relacionamento? Castiel suspirou disfarçadamente... Maldita Charlie e suas ideias!
Castiel nunca se viu junto de Dean, não com... Sentimentos românticos envolvidos, porém quanto mais ele pensava sobre isso, mais... Certo parecia.
Não, ele só estava balançado pela repentina demonstração de afeto vinda de Dean – um beijo que os casais geralmente compartilham-Não! Que droga! Ele não pode se perder nessas águas, ele só... Ele não vai começar a construir nenhum tipo de esperança para se ver perdendo Dean. Cas não pode viver sem ele, sendo seu amigo ou mais que isso. Não Novak, você tem de manter esses devaneios longe do seu cérebro.
Não tem como ele e Dean ficarem juntos. É só sexo sem compromissos...
Ainda assim parecia cada vez mais relaxada a maneira com a qual eles escorregaram para uma vida doméstica, pois era aquilo o que viviam. Acordavam juntos, se arrumavam juntos, iam trabalhar quase na mesma hora, e voltavam para casa onde comiam no balcão da cozinha, e passavam o restante da noite divertindo-se um com o outro. O contato físico ficava restrito á cama. Ou ao menos era o que acontecia até antes da peque discussão deles.
Foi tão de repente e despercebido, o jeito que Dean sentava-se no sofá e logo depois vinha Castiel, ajeitando uma perna sobre a dele, recebendo carinhos do loiro. Às vezes, quando Dean estava na cozinha, Castiel aparecia e o abraçava por trás, depositando um beijo em seu ombro e implicando com a meticulosidade dele com cada prato. Dean sempre bufava, e quando se irritava demais perseguia Castiel pelo apartamento, o jogando no chão numa pequena disputa de braços e pernas, que acabava em beijos; e outras coisas mais.
Noutras ocasiões Dean subitamente fazia coisas desse tipo, como estalar um beijo em Castiel da forma mais natural do mundo.
Quando enfim eles se sentam à mesa a comida distrai Castiel destes pensamentos, com apenas a conversa banal do jantar os rondado. Em pouco tempo Castiel apenas se envolve nas piadas de Dean, no seu sorriso, sua voz, seus movimentos...
Droga, ele está realmente perdido...
Após o jantar eles continuam na cozinha conversando – as barrigas cheias o bastante para os impedir de andar.
– O jantar estava excelente Dean. Obrigado.
– Eu sei. Eu sou demais.
– E modesto.
Sorrindo, Dean apanha um prato da meda a fim de jogá-lo na pia, mas ao girar o torso na cadeira ele silva, praguejando entre os dentes e levando a mão para as cotas.
– Urgh! – grunhe, fechando um dos olhos, tentando girar a coluna.
– Algo errado? – indaga Castiel consternado.
– Acho que dei um mal jeito nas costas.
– Está doendo?
– Um pouco... Mais como uma ardência.
– Bem, você dormiu no sofá alguns dias dessa semana, não estou surpreso.
Correção: Dean passou metade do dia no sofá. No meio da noite, ele e Castiel dividiam a cama do moreno.
– Merda... Isso vai ser um saco na garagem amanhã! – suspirando, Dean escuta um osso estalando próximo a costela, o que piora a dor.
– Acredito que tenho aspirina e uma pomada. – Castiel pondera com uma mão batendo no seu queixo – Você quer um pouco?
– É, valeu.
– Tudo bem. E hoje você deveria dormir na cama.
– Que? Sem chance cara. Essa é sua casa! Você deveria dormir no seu próprio quarto.
– Quem disse que não irei?
Dean cala a boca, porque a implicação daquela frase o faz se esquecer até mesmo da dor em suas costas.
– Cas, sem ofensas, você sabe que eu adoro ficar na cama com você, mas, uh... Eu tô meio dolorido aqui.
Castiel apenas revira os olhos.
– Não assuma que eu quero sempre iniciar algo sexual toda vez que estamos juntos, Dean.
O loiro engole seco, porque, céus, Cas está o encarando daquele jeito sincero e certeiro que só ele sabe com os olhos azul elétrico.
– Você está com dores devido a má posição causada pelo sofá, então acho que dormir numa superfície adequada é melhor para sua saúde. Além do mais, nós dois já passamos do ponto de sentir vergonha ao dividir a mesma cama apenas para dormir. Você não concorda?
– Sim senhor.
– Ótimo.
E assim eles acabam dormindo junto pela primeira vez... Sem sexo.
(…)
De sexta feira até domingo, Castiel tomou conta de Dean devido as suas dores nas costas. O tal desconforto na verdade foi uma torsão mais séria do que antes pensaram. Sorte dele que Bobby é bruto, porém atencioso, dando o dia de folga ao loiro sem ter de se repetir. Sem contar que Castiel ficou ao lado de Dean o tempo todo.
Os dois ficaram no quarto de Castiel, com o moreno lendo e revisando alguns dos seus trabalhos que Dean não entendia. Eles assistiam filmes no computador, e Cas cozinhava – ou pedia comida – assumindo o comando do jantar.
No fundo, Dean gostou da repentina dor nas costas mais do que devia, e isso foi – apesar de difícil de admitir – porque ele tinha Castiel ali, cuidando dele o tempo todo.
Cas esfregava suas costas com uma pomada relaxante antes de dormir. E ele contava a Dean sobre seu trabalho entediante, mas de alguma maneira isso fazia Dean rir e apenas ouvir a voz do moreno contando essas histórias sobre livros juvenis dos quais ele detesta. O humor emburrado de Castiel sempre fez Dean sorrir. Também, eles ficavam com sono no mesmo tempo – okay, Dean não vai admitir isso a Castiel nunca, mas ele ficava acordado alguns minutos mais tarde para ver Castiel adormecer, e talvez, só talvez, Dean aproximava seu corpo do dele, abraçando o corpo do menor pela cintura até fazer com que o moreno no seu estado letárgico envolvesse com os braços o torço de Dean, entrelaçando-se nele.
E foi apenas isso. Eles passaram o final de semana juntos, conversando, rindo, com Castiel sendo a criatura atenciosa e cuidadora de sempre, arrastando os dedos pelo cabelo cor de areia de Dean, e ás vezes... As vezes eles se beijavam por nenhuma razão aparente, rindo como tolos em seguida. Coisas idiotas que faziam Dean mostrar os dentes pelo resto do dia de domingo, quando finalmente sentiu-se feliz do machucado nas costas.
Seu humor melhorou tanto que ele teve vontade de recompensar Castiel pelo trabalho extra, o que levou Dean a ligar para aquele restaurante italiano fino que seu amigo tanto gostava e, após subornar alguns dos recepcionistas, conseguiu uma reserva para hoje à noite.
– Aonde estamos indo Dean? – Castiel perguntou quando já estavam os dois saindo porta à fora, arrumados e bem vestidos, indo ao carro de Dean.
– Anda Cas. Nós ficamos dentro do apartamento pelos últimos dois dias! É hora de ter um jantar num lugar legal.
– Você quer dizer que está cansado dos meus pratos congelados? – brincou ele, ouvindo Dean rir.
– Algo do tipo!
– Entendo o seu argumento, mas qual a razão do mistério sobre o local do restaurante?
– Você vai ver! Agora vem, entra no carro. Já são quase oito horas!
A hora não pareceu alertar nada em Castiel. Ele apenas assumiu que Dean tinha reservas. Pondo seu casaco bege, Castiel aguarda dentro do carro com um pingo de ansiedade, até que em pouco mais de vinte minutos eles chegam no restaurante.
Castiel pensou em todos os lugares possíveis que Dean o levaria – e ninguém pode culpa-lo por pensar numa cadeia de fast-food – mas o brilho de surpresa em seus olhos dizia a Dean que ele não esperava jantar num dos seus restaurantes favoritos essa noite, e o moreno mal consegue esconder o tom de espantado na voz;
– Dean, nós vamos...
O loiro apenas estica os lábios num sorriso, estacionando o carro ao lado do restaurante, saindo e aguardando na calçada que Castiel fizesse o mesmo. Dean estava orgulhoso da sua astúcia em conseguir criar surpresas (engole essa Sammy!), pois o rosto de Cas quase se ilumina em excitamento.
– Já faz algum tempo desde a última vez que estive aqui. – admite o moreno.
– Ótimo. Então nós podemos nos divertir com o menu.
Num pequeno riso, Castiel o acompanha até a parte de dentro, sentando-se minutos depois. O restaurante tinha uma atmosfera boa. Nada muito metido, mas igualmente bem arrumado. As mesas tinham as típicas toalhas quadriculadas vermelha e branca, com uma cesta de pães frescos á espera deles. Em menos de cinco segundos, a garçonete veio com o cardápio, entregando aos dois e dando espaço para escolherem.
Dean deixou os olhos caírem sobre as palavras, apertando os olhos, lendo e relendo o quanto pôde, até bufar em frustração, tossindo de leve para chamar a atenção de Castiel.
– Ei, uh, Cas, o que eu devo escolher? – pergunta, após pifar o cérebro com os nomes confusos.
– Você não sabia que os nomes estariam em italiano?
– Bem, eu não pensei... Oh, cale a boca!
Castiel tem de rir da falta de preparo do amigo, mas ele não se incomoda nem um pouco de passar o menu a ele:
– Este aqui é macarronada – fala, apontando para a junção de algumas letras que Dean irá jurar que não formam uma palavra real — O seguinte é bife com batas salteadas.
– Wow, Cas, eu não sabia que você falava italiano tão bem.
– Sou um tradutor, é meu trabalho.
– Quantas línguas você fala?
– Inglês, é claro, italiano, francês, alemão, russo, espanhol, gaulês, português, sueco, e eu estou terminando o curso avançado de japonês.
– Jesus... Você é um maldito dicionário!
Castiel apenas deu de ombros, chamando pela garçonete para fazer o pedido pelos dois.
– Eu confio no seu julgamento. – foi tudo o que Dean disse quando Castiel se ofereceu para escolher o vinho.
– Você não irá beber, não é Dean? – o moreno indaga erguendo uma sobrancelha.
– Não se preocupe Cas, eu vou dirigir, então vou beber só uma taça.
– Você não deveria beber nada.
– Eu sei, eu sei, mas eu não vou exagerar, prometo!
Franzindo um pouco o cenho ao não concordar completamente com a lógica dele, Castiel suspira, aquiescendo à contragosto. Mas Dean foi fiel ás suas palavras, bebendo apenas uma taça, o que fez Castiel sentir-se mais calmo.
A comida chegou após algum tempo que nem foi sentido passar, e Dean precisava admitir que apesar de toda a extravagância do local o jantar estava realmente bom. Ele grunhia em cada mordida, dizendo a Castiel que ele havia feito uma ótima escolha.
Passaram as duas horas mais rápidas na vida de Dean. A atmosfera, a voz de Castiel soando mais grossa após ele ter bebido, ou ainda a maneira relaxada com a qual o moreno se movia na cadeira, ajeitando delicadamente o guardanapo sobre seu colo... Após resistir muito, Dean pediu pela conta a apanhando da mão da garçonete em seguida, puxando sua carteira do bolso – o que gerou os protestos do moreno.
– Dean, você não pode pagar por tudo.
– Eu posso porque fui eu quem te convidou.
– Eu sei disso, mas—
– Cas, você vive falando sobre etiqueta e toda essa porcaria, então eu sei que quem convida paga.
O moreno suspirou, derrotado por suas próprias palavras. A garçonete voltou com o cartão de Dean, no entanto parou alguns segundos, olhando para os dois com um sorriso:
– Vocês são um casal muito adorável.
No ato, as bochechas de Castiel coraram sem que ele notasse, já pronto para corrigir a dedução da garota quando, ao mesmo tempo, Dean pôs um braço ao redor de seus ombros.
–É, nós sabemos. – diz, piscando à ela – É nosso aniversário!
Castiel apertou os olhos, encarando Dean ainda mais encabulado, e o loiro apenas acenou silenciosamente para que ele entrasse no jogo.
– Ah! Isso é tão fofo! – a garçonete mostra ainda mais os dentes.
– Sabe, você acha que podemos conseguir algo especial da cozinha, não sei, torta talvez? Para celebrar.
Ah, os seus planos maquiavélicos se revelam; pensa Castiel.
A garota parece pensar um pouco, batendo a tampa de uma caneta sobre o lábio, quando finalmente desiste, dando de ombros:
– Bem, porque não? Sou sempre à favor do romance! Verei o que o chef pode fazer!
Assim que ela sai, Castiel se vira para Dean com um pequeno olhar de reprovação, enquanto seu amigo apenas tenta segurar o riso:
– Você é um ser humano muito cruel, Dean Winchester. – implica Cas.
– Ah, qual é! Eu vou deixar uma gorjeta maior ‘pra ela.
– Acho bom.
– E eu realmente quero uma torta.
Castiel riu novamente.
Já era mais de dez da noite quando eles saem do restaurante. Dean apanhou a mão de Castiel na saída e acenou à garçonete, que vibrou à distância, acenando de volta e quase dando pulos dentro do restaurante. Dean ficou satisfeito com sua performance, sem notar a vermelhidão na face de Castiel, nem o singelo sorriso formado nos lábios dele.
(…)
Foi ao som de vozes alegres que o apartamento de Castiel ganhou vida outra vez. Nenhum dos amigos se importava que já se passava da meia noite. Eles estavam contentes demais nesse seu pequeno mundo para se pensar no restante dos vizinhos.
Atrapalhado pelas constantes piadas e comentários irônicos de Dean, Castiel precisou procurar com cuidado pela chave certa até conseguir a encaixar na fechadura.
– Como você consegue falar depois de comer tanto? – implica o moreno.
– Sou um poço sem fim, Cas. Posso comer a noite inteira e mesmo assim nunca ficaria satisfeito!
– Ah, consigo perceber isso claramente.
Dando um rápido tapa na barriga estufada de Dean, Castiel o fez abrir a boca em surpresa, não acreditando no que o moreno acabara de fazer.
– Ei!
Dean tentou correr atrás do menor, porém ele for mais rápido ao conseguir – enfim – entrar no apartamento e correr para o meio da sala.
– Só eu posso falar mal de mim! – caçoou Dean, circulando devagar o sofá e apontando o dedo na direção de Castiel, fingindo estar ofendido – E minha barriga é linda.
– O título de importunador oficial é meu desde os nossos dezessete anos, Dean. E sim, sua barriga é linda, mas está estufada.
– Importunador! – Dean revira os olhos – Porque você insiste em dizer palavras complicadas?
– Porque eu sei que você não gosta.
Isso fez Dean apertar os olhos ao encarar Castiel, esperando apenas poucos segundos antes de avançar até ele com toda a velocidade. O moreno nem ao menos tentou se esquivar, apenas virando seu corpo e deixando o peso de Dean bater contra as suas costas.
– Desistiu? – perguntou o loiro.
– Digamos que o cansaço tomou o melhor de mim.
– Hmm... Você está muito cansado?
Com a pergunta, Dean envolveu as mãos ao redor da cintura do moreno, baixando a boca até a parte de trás de sua orelha a beijando suavemente, descendo os lábios até parar sobre seu pescoço. Respirando fundo, Castiel ergueu o braço até poder tocar a nuca de Dean enquanto o deixava abraçar suas costas e estalava rápidos beijos sobre a pele de sua garganta e ombro.
– Porque? – perguntou o moreno num tom divertido, sentido Dean mordiscar de leve sua orelha.
– Porque... Eu tenho umas ideias em mente.
– Alguma delas envolve nós dois sem roupa?
O corpo de Castiel roda no mesmo lugar ficando frente a frente com Dean quando ele o gira pelos ombros, parando com a boca a poucos centímetros dos lábios de Castiel. Eles sentem o hálito quente um do outro resvalando na pele fina e úmida conforme as mãos de Dean sobem até seu rosto, envolvendo o maxilar de Cas com a sua palma e dizendo devagar:
– Todas elas envolvem você sem roupa, Cas.
As írises azuis perdem o brilho dando lugar ao negro do desejo. Castiel circula o pescoço de Dean com seus braços e lhe dá um beijo, assim, sem desculpas nem pormenores, apenas deixando-se levar pela vontade.
Já não era a primeira vez que isso acontecia.
A língua de Dean foi rápida em encontrar o sabor de Castiel, provando dele, buscando por mais e apertando a pele por debaixo de sua blusa, arrastando os dedos nas costas do menor.
Num andar cego eles caminham apressados até o quarto, onde logo começam a se livrar das roupas. Dean abre os botões da camisa social branca beijando a clavícula de Castiel, sugando marcas avermelhadas sobre o peito e se demorando sobre um dos mamilos rosados, ouvindo os gemidos sôfregos de Castiel. O moreno segura os fios cor de areia de Dean e o traz para mais perto, grudando os lábios partidos dele contra seu tórax e sentindo a língua molhada e quente rodopiando a ponta já rija do mamilo. Castiel se contorce ainda de pé, incapaz de conter os grunhidos, sentindo a excitação viajar do tórax ao baixo ventre em questão de segundos.
E Dean encontra-se na mesma situação – se não pior – tendo vontade; a pura e mais crua vontade de colar seu corpo ao de Castiel, de senti-lo e fazer o moreno seu.
Que absurdo...
É absurda a força dessas cobiças; do simples querer que ele em tão pouco tempo desenvolveu sobre Castiel, a indomada vontade de ter o moreno debatendo-se na cama, em seus braços, ou apenas próximo de si, sorrindo, ouvindo o som grave de sua voz, ou mesmo sentindo o cheiro dele; qualquer coisa! Dean só o quer e mais nada importa – nem mesmo a razão das suas intenções, nem mesmo se tudo isso parecia insano e perigoso a amizade dos dois...
Mesmo porque Dean não encontrava mais desvios ou desculpas, e dizer em sua mente repetidas vezes “somos apenas amigos” não estava adiantando em nada.
Porque tudo parece... Não, não parece apenas. É real, essa mistura de sensações e anseios sobre Castiel.
Sobre os lençóis da cama, Dean preferiu parar com as incessantes perguntas e permitiu-se o sentir apenas; sentir as pernas de Castiel enroscando-se nas suas, sentir os beijos ávidos e sedentos do moreno depositados com uma precisão gulosa em sua boca, sentir a ponta dos dígitos arranhando suas costas e pouco a pouco sentir os corpos se alinhando no colchão, com a pele sendo a única camada os separando da completa união.
– O que você quer fazer, Cas?
Dean pergunta arfando rente ao pulso no pescoço do menor, enquanto os dois sentavam-se entrelaçados no colchão. A nuca de Castiel suava e ele respirava pesado, perdido entre as carícias deliciosas de Dean, abraçando os largos ombros dele para manter o sustento do corpo.
– Quero—
Ele não consegue terminar a frase, lambendo os lábios secos e buscando por mais oxigênio, sendo embalado para frente e para trás por Dean que ataca seu pescoço com mordidas e chupões. Castiel suspira, jogando a cabeça para trás e entreabrindo os lábios, enfiando os dedos no cabelo curto de Dean e puxando os pequenos fios cada vez que seus dentes resvalam na pele fina abaixo da orelha.
– Responde, Cas. – insiste Dean num tom risonho.
– E-eu quero!—
As mãos rápidas de Dean seguram as duas nádegas de Castiel dessa vez, apertando a macia carne e se deleitando com os sons de prazer escapando da garganta do moreno.
– Dean...
Castiel chamou seu nome fraco, apoiando quase todo o peso sobre o loiro e rebolando devagar até se sentar sobre o colo dele. Beijando Cas, Dean apanhou boa parte das melenas negras e as prendeu gentilmente entre os dedos, tirando os fios da visão do menor.
– Você que sentar em mim? – Dean faz a pergunta por ele.
– Uhum!
Ávido, Castiel balança a cabeça inúmeras vezes, batendo a boca aberta sobre os lábios de Dean, com o loiro o explorando por dentro, indo com a língua de um lado ao outro e sorvendo ás vezes a carne molhada de Castiel.
Entre a euforia e os toques bruscos, Dean se acalma o bastante para começar a lambuzar a abertura de Castiel com o líquido transparente do lubrificante, saboreando cada grito baixo de prazer emanado de Cas quando ele põe um dedo de cada vez e começa a abrí-lo de uma maneira torturantemente lenta, porém que ao mesmo tempo o deixava extasiado.
Ver Castiel se entregando aos poucos nos gemidos e no calor aumentando sobre sua pele apenas deixavam Dean mais e mais próximo do limite.
– D-Dean, eu já estou pronto.
Castiel gagueja na ponta do ouvido do maior; ele mesmo descendo e subindo os quadris sobre os agora três dedos de Dean. A voz mansa do moreno faz Dean morder o lábio inferior e remover os dígitos devagar, deitando-se aos poucos na cama com Castiel ajeitando-se sobre seu colo.
– Quando você quiser Cas.
Ele fala, pois sabe que se fizer um mísero movimento irá gozar antes mesmo do evento principal – é, era assim, louco dessa maneira que Castiel deixava a Dean.
O moreno segurou a ponta da glande da extensão rija do loiro entre os dedos a deixando deslizar com facilidade para dentro. Os grunhidos abafados de ambos encheram o quarto, com Castiel descendo, sentando, se acomodando lentamente sobre o colo de Dean.
Foi com um alto grito que Castiel parou, uma vez que tinha o membro de Dean enterrado nele. Sua própria ereção latejava – vermelha e estufada – adorando a sensação de cheio que o falo gordo de Dean causava toda a vez que entrava nele.
As primeiras moções são lentas e precisas, com Cas rebolando as ancas até encontrar o maravilhoso local em seu interior que o fazia delirar. Numa rápida ajuda, Dean saiu e estocou uma única vez, tendo um gemido rouco em resposta.
– Ah... D-Dean...
– Acertei, Cas?
– Sim!
Num sorriso torto, Dean começou a bater com as coxas contra as nádegas do moreno, entrando e saindo, enterrando fundo sua extensão para depois sentir a entrada apertada o sugando de volta – era incrível como apenas Castiel conseguia fazer isso com ele.
As mãos do menor se apoiam sobre seu peito e o apertam deixando as marcas das unhas; outra coisa da qual Dean descobriu adorar sobre Cas: ter as marcas dele espalhadas por seu corpo durante dias, as renovando sempre e sempre.
– D-Dean, s-se continuar assim—
Castiel fala, contudo Dean o interrompe com um beijo ao puxá-lo para baixo, ignorando os avisos e o açoitando ainda mais, envolvendo com uma das mãos o membro vermelho dele e o bombeando junto dos seus movimentos, sentindo os grunhidos do menor reverberarem na garganta dele.
Seu falo sai até a ponta inferior da glande, voltando com força, tendo o peso do corpo de Castiel caindo sobre seus quadris e, quase pulando sobre o colo de Dean, Castiel sente o calor no baixo ventre, arfando pesado mais e mais, até que estica suas costas empinando a base da coluna e forçando sua abertura até chegar à base da extensão de Dean.
Ele geme, se contorce e todo o corpo vibra, com os músculos do abdômen endurecendo ao deixar o gozo do orgasmo sair quente, lambuzando o peito de Dean e sua própria barriga.
– Wow...
Dean suspira já sem forças, porque é sempre incrível; ele sempre fica sem palavras ao ver os movimentos belos e precisos de Castiel cada vez que ele goza. Mais ainda, Dean adora saber que ele causou tanto prazer no moreno, que é o responsável por deixa-lo completa e unicamente destruído – ele e mais ninguém.
Diante da sua visão só há Castiel, esta linda criatura que permite à Dean tê-lo dessa maneira, esse homem que ficou ao seu lado por tantos anos, que o criticou e o salvou de muitos problemas, e que, puta merda! Tem um dos físicos mais desejáveis que ele já viu. A voz rouca, o cabelo desgrenhado, Deus, os olhos... Esse azul elétrico que alveja Dean e o deixa sem ar.
E é Dean quem tem Castiel dessa maneira, um homem que poderia escolher qualquer um, que pode ter qualquer um, mas que preferiu passar essas noites com ele.
– Cas...
Dean murmura puxando o menor para baixo até o encontro de seus lábios. Não é um beijo ardente e desesperado como os que eles antes partilharam. É terno, doce e cheio de paixão; no que diabos Dean está pensando? Ele não faz ideia, mas ele só sabe que deve adorar esse homem, mostrar a ele o quanto se importa com Cas; seu e apenas seu Cas.
Devagar, enquanto ainda beijando Castiel, Dean balança sua cintura para cima e para baixo, gemendo junto do menor até que seu falo treme com o prazer das estocadas, do calor ao redor dele, e Dean pode sentir a pressão se formando no baixo ventre.
É num movimento entusiasmado agora, com Dean beijando Cas, oh, tão gentilmente, com os corpos movendo-se em perfeito acorde que Dean goza fundo dentro do moreno soltando um pequeno gemido, ainda colado aos lábios de Cas.
– Dean...
É isso.
Essa é a maneira que Dean consegue imaginar o resto da sua vida; ouvindo seu nome nessa voz rouca chamando por ele da cozinha onde o jantar está pronto, e há duas garrafas de cerveja sobre a mesa. Ele pode imaginar essa voz dizendo seu nome para o contar uma piada estúpida – uma que Cas acabou de aprender, e Dean já conhece, mas ele ouve e ri do mesmo jeito, pois pensa que é adorável a maneira que Castiel sorri no final de uma história engraçada.
Dean consegue se ver numa sala de estar, muito parecida com a do apartamento de Cas, sentado no sofá com essa pessoa no meio de suas pernas enquanto ele abraça o corpo na sua frente; o mesmo corpo que tem essa voz profunda e chama por seu nome dessa maneira única; a pessoa que conhece Dean no seu cerne e aceita cada defeito dele.
É mirando os olhos de Castiel enquanto ele saboreia o êxtase naquela cama que o peso da tonelada de uma verdade encapada cai sobre Dean. Lisa nunca foi a certa, nem nenhuma daquelas mulheres que ele fingiu gostar o bastante para aguentar ficar ao seu lado.
Dean sempre encontrou defeitos, desculpas do porque não deveria ficar com essas garotas. Com Lisa não foi diferente. As brigas nem eram tão grandes assim, mas ele as tornava em enormes problemas, tudo porque era difícil ficar ao lado dela sabendo o que estava perdendo...
E desde a primeira vez que ele e Castiel dormiram juntos, mesmo em condições inebriadas, Dean não pode evitar sentir-se completo pela primeira vez em sua vida.
Era como se houvesse um adormecido farol em seu peito, e no instante em que beijou Castiel pela primeira vez a mais intensa luz acendeu e se espalhou pelos quatro cantos do seu corpo, correndo em cada veia, músculo e pedaço seu, dizendo “é isso”, “você achou o fogo que ilumina o farol.
Castiel era aquele com quem Dean sempre pode ser ele mesmo, aquele que Dean consegue ouvir com os ligamentos do seu corpo e a força da sua alma, clamando em tamanha força e desejo, que deveria ser proibido precisar tanto assim de alguém. E Dean foi cego demais para perceber antes.
Para entender que ele se apaixonara pelo seu melhor amigo.
Continua
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