Sem Compromissos

9 Capítulo 08 - Ginger Power


Notas iniciais
Vinda do fogo de mordor, da fronteira distante do espaço, com seus poderes mutantes, eis que ressurge das cinzas o ser que se acreditava ter desaparecido ha séculos na floresta proibida! Eu provavelmente misturei umas 5 historias diferentes nessa frase acima... Dou um bolinho pra quem avidinhar todas! uahauha Enfim, uq dizer desse meu tempo de sumiço? Acontece! Pois é gt, n te mto o que dizer, eu simplesmente fiqui enrolada com a vida, com o trabalho, com problemas p resolver em casa (calma gt, nada sério, só mta coisa p fazer mesmo!) E nesse meio do mes de Setembro p cá eu só fui me enrolando e enrolando, e eu estava (ainda to) muito cansada, sem saco p sentar a bunda no pc e escrever. Eu tenho as minhas fics no word escritas nos próximo capítulos, mas n tive tempo p revisar, reescrever, e etc, então eh isso. Esse cap. de agora, por exemplo, tava beeeem maior. Eu queria ter posto muito mais coisa nele, mas eu acho que às vezes me empolgo demais num único cap. e cabado deixando ele massante - até mesmo p mim. Por essa razão, e p eu tb postar alguma coisa logo e v6 verem q eu n morri, eu resolvi cortar esse capítulo (p v6 verem como ele tava grande). Tem draminha nesse aqui, mas bem pouco, só p começar a pimentar as coisas. E o cap. 09 será mais um pouco do ponto de vista do Cas, uq eh até bom, visto que essa fic eh mais centrada no Dean. Anyway, falei demais! Espero que curtam esse cap! ----- (essas são as notas finais que o nyah n esta me deixando publicar) Charlie ♥ eu adoro ela! sempre curto colocá-la nas fics! eu queria alguem mais experiente, porém tb inocente falando com o Cas. Acho que a Charlie eh o tipo de pessoa que tem relacionamentos longos hehe sobre a Lisa, n sei se v6 repararam, mas ela n eh bem uma fdp nessa fic o_o Sei lá gt, eu n a vejo assim nem a odeio. Ela no seriado foi a unica que deu ao Dean uma família e o aceitou do jeito que ele era. Eu admito que eu n gosto deles dois juntos, n achava que combinava (ate p eu n gosto de muitas coisas da season 6, mas vá lá). Mas odiar a Lisa, não odeio não. enfim, ela ainda vai aparecer mais lá p frente na fic! Quanto ao oba oba, n teve nesse cap (até teve, mas eu cortei p por no proximo, pq ele ja tava com 9.000 palavras e ate p mim ficou massante). Espero que entendem, e aguardem com fé que eu voltarei logo! Ah im! Não me deixe ir e Nosso mes de Setembro vão receber atualizações ainda essa semana tb! Foi só um bando de coisa acontecendo junta que me afastou das fics, mas eu sempre volto pessoa ;) Kissus e até breve!

Capítulo 08 — Ginger Power

Na manhã daquele inicio de semana no trabalho, Castiel tinha uma pilha de documentos sobre sua mesa, a grande maioria, contratos que precisavam ser revisados e traduzidos para serem entregues ao próximo cliente.

Ele bufou no meio da papelada. Ele gostava muito mais quando seu chefe lhe mandava livros ou artigos para serem traduzidos. Eram muito mais divertidos de se ler e passar o tempo.

Oh, bem, a vida não é um mar de rosas. Mas ele poderia muito bem tomar um belo café agora e acordar duma vez, pois desde a manhã ele não conseguia deixar os olhos abertos.

Culpa de Dean ontem á noite.

Depois que eles saíram do chuveiro e se deitaram, o loiro acordou no meio da madrugada, roçando-se em Castiel, e o moreno logo respondeu incapaz de resistir às mãos deles escalando seu corpo.

Pensar nisso fez Castiel sacudir a cabeça. Ele não podia se perder nessas memórias no meio do serviço, seria imprudente.

Voltemos à xícara de café.

Ele andou até a cafeteria, no entanto, a máquina onde ele sempre comprava seu duplo café preto estava em manutenção. Ele respirou fundo, vendo que a garrafa térmica também estava vazia.

Por um segundo ele pensou em pedir ao estagiário, Kevin, que lhe fosse comprar algo na lanchonete da esquina, porém pensando agora, uma caminhada talvez fosse uma boa ideia, afinal, ele havia passado as ultimas três horas sentado.

– Balthazar, eu irei sair um pouco. – ele avisa ao colega no escritório ao lado do seu.

– Você quer companhia? – ele brinca, erguendo uma sobrancelha.

– Não será preciso. Retornarei em vinte minutos.

Se Balthazar pareceu um pouco frustrado com a resposta de Castiel, este não notou muito, pois sua cabeça continuava rodando em torno de pensamentos sobre Dean.

Castiel deixava alguns meio sorrisos escaparem de sua boca quando pensava no amigo andando pela sala ao som daquelas músicas que ele tanto gostava, de bandas que Castiel não conhecia, mas admirava em vê-las sendo interpretadas pelo ritmo dos braços de Dean, do jeito que ele mexia a cabeça, ou mesmo os quadris. Vez ou outra, Dean via Castiel o observando e piscava, apontando um dedo para ele e cantando junto da música com caras e bocas que somente ele sabia fazer.

Todas às vezes, Castiel revirava os olhos, mas sorria mesmo assim.

Ter o amigo tão perto todos os dias era muito bom, e Castiel não se refere apenas ás horas passadas debaixo das cobertas de sua cama, ou no sofá, ou na mesa da cozinha. A essa altura, ele achava que os dois já haviam maculado todos os cantos de seu apartamento.

Essa constatação o deixou rubro outra vez.

Ao chegar à cafeteria, Castiel pediu dois cafés duplos e esperou no canto do balcão que o atendente terminasse sua bebida.

Dean ia e vinha da sua mente. Era estranho como a mera presença do amigo o deixava mais leve e o fazia de esquecer-se das responsabilidades. Castiel sempre fora um homem muito centrado, seguidor das regras. Porém no instante em que conheceu Dean, dezessete anos atrás, sua adolescência passou de extremamente pacífica para extremamente chata.

Ao começar a sair com Dean ele percebeu o que havia perdido durante todo esse tempo em que apenas deixou seus pais comandarem sua vida. Ele podia os respeitar, como sempre o fazia, mas ele também podia viver.

Era como se Dean tivesse lhe mostrado a liberdade.

– O seu café senhor.

– Oh, obrigado.

Castiel apanhou a pequena bandeja, percebendo que o rapaz havia lhe chamado algumas vezes enquanto ele estava em seus devaneios. Balançando a cabeça mais uma vez, Castiel sentou-se numa mesinha no canto da lanchonete, começando a beber o primeiro café, pois levaria o segundo para o escritório.

Estava quase terminando, quando a sineta da porta da frente se abriu e uma mulher morena entrou pela porta. Os cabelos delas eram lisos, mas cacheados na ponta. Ela usava um daqueles jalecos brancos de enfermagem sobre uma roupa cor de rosa, e tinha a pele morena. Linda, muito bonita mesmo, porém Castiel só conseguia pensar na infelicidade que tinha por ter encontrado justamente ela ali.

Pensou em se levantar e sair ligeiro do café, mas ao mesmo tempo em que começou a se levantar, a mulher virou-se na sua direção com uma expressão de surpresa.

– Olá Castiel.

Lisa o cumprimenta, e Castiel apenas balança a cabeça, enquanto a mulher se aproxima. Aquilo não estava lhe soando nada bem.

– Se importa se eu sentar um pouco? – ela pergunta.

– Eu já estava de saída. – Castiel responde, o que é verdade.

– Ah, sim. – ela parece inquieta, mexendo na ponta do cabelo – Só queria... Poderia falar um pouco comigo?

Incapaz de dizer “não” quando ele a vê tão pequena e frágil, de ombros encolhidos, Castiel aceita, ouvindo as próximas palavras de Lisa:

– Sei que não devia falar dessas coisas com você, mas eu não conheço mais ninguém envolvido... – ela suspira — Eu venho tentando contatar o Dean há alguns dias, mas para ser honesta, ainda não tive coragem.

– Por quê?

– Não sei. – ela dá de ombros – Eu acho que só... Só queria dizer que nossas brigas foram estúpidas, acho.

– Dean com certeza apreciaria isso.

Ela ri.

– Possivelmente. Você sabe como ele está?

– Creio que agora o Dean está... Bem.

– Só agora? – Lisa sonda.

– Uh, sim.

– Ele está pensando, ou disse algo sobre mim?

– Eu-Sim...

–... O que ele tem feito? Você pode me falar?

Castiel gagueja, mas ele não consegue parar sua língua antes que seu cérebro processe que aquilo é uma má ideia. Ou melhor, ele não consegue mentir à Lisa:

– Ele tem... Estado pensativo.

– Sobre o que?

O moreno suspira.

– Sobre as incertezas dele, coisas da quais ele não costuma falar. Dean tenta fingir que tudo está bem, mas no fundo, ele está sofrendo. Eu não consigo me lembrar de uma vez em que Dean lutou por algo por ele mesmo. E agora... Agora eu o vejo considerando o que ele quer para ser feliz, tocando águas distantes que ele antes nunca ousou tocar e... Desculpe. Estou tagarelando.

Lisa tem os olhos bem abertos enquanto encara Castiel, mas quando ele termina, a mulher sorri genuinamente.

– Está tudo bem. Eu acho que entendo o que você está dizendo.

– Obrigado. Você vai... Falar com ele?

Ela pondera por um momento, mexendo os dedos um no outro sobre a mesa.

– Você disse que ele está refletindo, fazendo as próprias escolhas, certo?

– Sim.

– Então eu acho... Acho que farei o mesmo. Nós dois precisamos olhar melhor para o nosso ex-relacionamento.

– Você não parece chateada.

– Uh? Oh, bem, Dean e eu já tínhamos alcançado um nível um pouco... Insustentável. Na verdade, eu não tive muitas surpresas quando nos separamos.

Isso parece chamar a atenção de Castiel.

– Mas eu gosto do Dean. – Lisa afirma — Ele é uma boa pessoa, e faz falta ter alguém como ele perto do Ben.

– Seu filho.

– Sim, ele gosta muito do Dean, e eu acho que Ben podia aprender muito com ele.

– Eu imagino que sim. – Castiel responde, puramente, imaginando Dean cuidando do menino. A ideia o faz sorrir mais do que ele devia.

– Mas eu também entendo que dois adultos precisam agir como adultos às vezes, e saber que por mais que queiram fazer dar certo, simplesmente não dá.

– Não poderia concordar mais.

A frase de Castiel o deixa mais atônito do que Lisa, que apenas concorda de leve com a cabeça.

Porque ele concordaria com isso?

Dean é quem sabe da vida dele, com quem quer ficar ou não. O fato de ele decidir se afastar de Lisa é uma decisão pura e exclusiva de Dean, não deveria ser relevante à Castiel. Ainda assim, ouvir o mesmo sendo dito por Lisa apenas o faz pensar que é importante; que ele se envolve nisso de alguma maneira, mesmo que num nível ainda desconhecido.

– Obrigada por me ouvir Castiel. – Lisa diz, começando a se levantar da mesa.

– Disponha. – ele fala sincero.

– Sei que é pedir muito, mas você poderia dizer ao Dean que ele é bem vindo para ver o Ben quando quiser.

Castiel quase tropeça.

– Você quer que eu o diga?

– Por favor. – ela pede, mordendo o lábio — Não quero ter de confrontá-lo agora. Você sabe como é o Dean, ele precisa chegar até você, não o contrário.

Ah sim, isso Castiel sabia, de fato. Era como um animal selvagem, o comportamento de Dean. Você joga a isca, e espera que ele morda. Confrontá-lo só dificultava as coisas. Além do mais, ele sente-se complacente com as palavras de Lisa.

– Está certo. – concorda ele, vendo Lisa sorrir.

– Obrigada Castiel.

Tocando rapidamente o ombro dele, Lisa sai da lanchonete com um café rápido, deixando para trás um Castiel confuso.

(…)

O restante do dia Castiel passa com a cabeça ao vento, sem terminar muito bem seu serviço e nem ao menos prestando atenção nas piadas de Balthazar – não que ele as entendesse, mas ainda assim ele se esforçava.

Chegar em casa aquela noite é quase um alívio, se ele não se lembrasse constantemente da conversa de Lisa e do pedido dela.

– Ei, Cas! – Dean o chama da cozinha, com uma panela na mão – Eu hoje resolvi assistir ao canal culinário!

Castiel avança devagar até o cômodo, sentindo um maravilhoso cheiro vindo da cozinha.

– Porque você assiste a esse tipo de programa? – Cas indaga – Já o vi implicando com Sam por ver os canais de decoração.

– Isso é diferente, — retruca o loiro – Canal de comida é como... Um pornô gastronômico, Cas. Ele te prepara para a hora H, ou, no meu caso, para o jantar.

Castiel dá um meio sorriso, apreciando mais uma vez o cheiro da comida, e ele tem de concordar, parece delicioso.

Uma vez que ele começa a pendurar seu casaco, sua boca começa a agir mais rápido que seu cérebro, contando a Dean sobre seu dia:

–... Depois me entregaram uma pilha de novos documentos. – ele diz.

– Daquela empresa chata? – pergunta Dean.

– A própria. – suspirando, Castiel esfrega o rosto – Espero, com todas as minhas energias, acabar com este suplício até o fim da semana. Ao menos pude tomar café em paz por vinte minutos na lanchonete, isso até encontrar Lisa, claro—

– Você falou com a Lisa?!

Dean repete no ato, deixando a panela no fogo e encarando Castiel, incrédulo. O moreno quase, mas quase, se dá ao luxo de praguejar. Seu cansaço devia ser absurdo, pois nem mesmo as palavras ele conseguia organizar.

Se bem que, cedo ou tarde, o assunto surgiria, ainda mais com o recado que ela pediu que fosse entregue.

Suspirando, Castiel decidiu andar com aquela discussão – pois conhecendo Dean como conhecia, se tornaria sim uma discussão.

– Foi ela quem falou comigo, na verdade.

– O que ela disse?! – Dean desligou o forno, andando para perto de Castiel, ficando frente a frente com o amigo, ali mesmo, no meio da cozinha.

– Ela queria saber como você estava.

– Só isso?! Vocês falaram só isso?!

– Eu... Posso ter exposto um pouco minhas próprias ideias.

Dean pisca rápido, conforme seu amigo começa a andar pela cozinha. Abrindo bem os olhos, Dean gesticula uma mão no ar em círculos, impaciente.

– Bom, e?! O que você disse à ela?!

Castiel respira fundo, pois ele sabe que não será capaz de ficar quieto e mentir à Dean.

– Eu apenas expliquei que você estava pensando sobre sua vida, pois antes você não era feliz.

– O que?!

– Foi a conversa que tivemos na varanda, Dean. Eu interpretei errado?

– Não, mas-merda, Cas! Você não fala sobre isso com a ‘ex’ de alguém!

Dean ergue a voz, batendo as mãos ao lado do corpo, e Castiel apenas afunda em estranhamento frente ao comportamento exagerado dele.

– Porque não? Se é a verdade. – responde o moreno.

– Porque ficou parecendo que eu estava sofrendo como a porra de um filósofo que não sabe o que fazer depois de terminar!

Castiel franze o cenho.

– Isto é porque você tem intenções de voltar com ela? – a ideia causa estranhos reboliços no estômago de Castiel.

– Não Cas! Mas você não demonstra esse tipo de… De fraqueza!

– Dean, não é fraqueza alguma querer ser feliz.

– Oh, vai à merda! Isso não teria acontecido se você tivesse ficado calado!

– Foi ela quem falou—

– Isso é só porque você não gosta dela!

Desta vez é Castiel quem pisca, torcendo suas feições e endireitando o tronco.

– Desculpe?

– Você me ouviu! – o acusando com um dedo, Dean continua — Você me disse que não gostava da Lisa desde o início, e agora viu a perfeita oportunidade para implicar com ela e comigo ao mesmo tempo!

Mais do que ofendido, Castiel tranca seu rosto, tencionando a mandíbula.

– Está falando sério? Isto é o que você pensa de mim? Que eu simplesmente possuo algum tipo de hostilidade infantil contra uma mulher e busquei vingança?

– Bom, é o que parece, não é?!

Castiel está absorto. De todas as coisas que Dean poderia acusa-lo, aquela era a mais estúpida de todas. Fechando os punhos, ele engrossa a voz como só ele o sabe fazer.

– Nesse caso, você não pode cogitar, Winchester, que eu apenas quis ser um bom amigo, atestado o que presenciei nos últimos dias? Que você verdadeiramente estava pensando em você? Eu só quis deixar Lisa aquietada, afinal, eu sei muito bem como um término funciona, não é mesmo?!

Dean engole seco, pois no instante que aquelas palavras saem da boca de Castiel ele se lembra do babaca do ex-namorado dele, Miguel, e como Cas estava depois. Dean o ajudou a se esquecer do cara, trouxe algumas bebidas, e eles ficaram apontando todos os defeitos que Miguel tinha, fazendo Castiel rir. Foi a maneira que Dean encontrou de ajuda-lo.

E claro, Cas podia até ter agido de forma imprudente ao revelar tanto sobre Dean à Lisa — uma vez que ele queria distância da mulher — mas no fundo, suas intenções foram apenas com o intuito de ajudar Dean de alguma maneira. E ele já havia feito tanto mais do que isso.

– Eu irei sair para uma caminhada.

Castiel afirma na sua rouca voz e Dean permanece em silêncio. Ele só compreende que está sozinho no apartamento quando a porta da frente bate violentamente. Dean levanta a cabeça, soltando o cabelo arrepiado e suspira.

– Droga!

Ótimo Winchester, você realmente não sabe ter calma, uh?

(…)

A caminha de Castiel resumiu-se a ir ao bar que ele, Dean e seus amigos frequentavam em conjunto alguns fins de semana; o Roadhouse.

Lá ele podia beber um pouco e espairecer seus pensamentos sem se alarmar, uma vez que em um local público ele se comportava melhor.

Estúpido Winchester.

Como ele pode achar que sua conversa com Lisa foi um meio de atingir a mulher? De fazer o que? Mantê-la afastada de Dean. Castiel dá um gole na cerveja, enxugando a boca na palma da mão. Claro, ele não pode negar que parte dele realmente queria deixar Lisa o mais longe de Dean possível e—

Por quê?

Qual razão ele teria para se intrometer na vida amorosa do seu melhor amigo? A desculpa da intimidade que eles tinham para dar conselhos um ao outro não se aplicava aqui.

Intimidade...

Castiel reflete sobre a palavra, e tudo o que lhe vem à mente, são os dias em que ele e Dean passaram utilizando todos os locais do seu apartamento de forma promíscua.

Numa longa bufada e com o fim do segundo copo de cerveja, Castiel massageia a testa, que parece pesar mais a cada segundo.

Não era apenas sobre o sexo que ele pensava. Era sobre o todo de ter Dean em seu apartamento, andando por entre os móveis de forma tão natural, ou o fato de que Castiel adorava ser recebido em casa pelo sorriso do amigo enquanto ele fazia um delicioso jantar na cozinha. Ver, sentir e ouvir a voz de Dean era como despertar de um torpor ao qual ele dormira a vida inteira.

Noutro suspiro, Castiel pede sua terceira bebida, ainda incerto das suas reflexões, quando sente um tapa em suas costas, seguido dum aperto no ombro.

– Castiel! O que está fazendo aqui, triste e sozinho?

– Olá Charlie.

A ruiva sorri.

– Veio passar o tempo?

– Algo do tipo. E você?

– Estou esperando a Dorothy. Nós vamos ao cinema! Mas me diga, onde está a dupla dinâmica?

– Se refere ao Dean?

– Duh! Quem mais?

–… Eu estou… Esfriando a cabeça dele, no momento.

– Como assim? Vocês brigaram?

– Não exatamente…

Pelo olhar perdido de Castiel, Charlie sabia que havia alguma coisa errada. Sentando-se ao lado dele, e pedindo igualmente por uma cerveja, Charlie começa a falar:

– Vamos, conte-me o que houve.

– Não é nada sério, Charlie. Não se preocupe.

– Uma ova. Quando o assunto é o Dean, na maioria das vezes, é uma tempestade em copo d’água.

–... Não quero te aborrecer com—

– Castiel, se você não contar a sua amiga, ruiva, sexy e maravilhosa o que está acontecendo eu irei socar sua cabeça nessa mesa aqui e agora.

No fundo, tudo o que o moreno quer é desabafar com alguém. Sempre que algo o incomoda, a melhor maneira que ele encontra para tratar dos seus assuntos é ouvindo um conselho amigo. Quem faz esse papel é sempre Dean, claro, mas quando é ele a razão de seu aborrecimento, a quem Castiel poderia recorrer?

Charlie parecia ser uma boa opção. A amiga sabia guardar segredos e era extremamente confiável. Castiel gostava dela sem dúvida alguma.

– Eu posso lhe contar apenas se jurar que ficará quieta sobre o assunto. – o moreno fala quando as suas cervejas chegam.

– Wow, é sério mesmo, uh? Minha boca é um túmulo. Diga tudo.

Genuinamente, Castiel o faz. Ele narra toda a sua desventura com Dean, desde o primeiro Segundo que o amigo pisou em seu apartamento após o término com Lisa, até os detalhes sórdidos em que os dois começaram a se beijar.

– Você e o Dean?! – a ruiva fala um pouco mais alto, cortando a fala dele.

–... Sim. – responde, um tanto quanto tímido.

– Uau, isso é tipo, uma notícia no nível, Harry Potter é uma horcrux.

Inclinando a cabeça para o lado, Castiel franze o cenho encarando a amiga sem entender nenhuma das últimas palavras que ela dissera.

– Não entendi a referência...

– E quando você entende, Castiel?

Balançando uma mão no ar, Charlie ri e pede que ele prossiga, e bem, Castiel o fez, começando a narrar dessa vez o caminho dele e Dean até o quarto, onde fora arremessado na cama aos beijos, Dean pedindo a ele que tirasse a roupa e—

– Okay! Pode poupar meus ouvidos dos detalhes. – Charlie o interrompe.

– Pensei que queria saber tudo.

– Da história, sim. Ser traumatizada por uma vida inteira? Não.

– Oh... Compreendo.

– Deixe-me só dizer uma coisa: vocês dois devem ser ótimos na cama!

Castiel rubra de imediato com o comentário dela, quase engasgando com a cerveja.

– Po-porque diz isso?

– Vocês possuem uma química natural só de estarem um com outro, imagino que no quarto não seja diferente.

Sem respondê-la, Castiel culpa a bebida por sua súbita face avermelhada, ganhando alguns pequenos risos de Charlie, que pede para ele prosseguir.

As histórias continuam, com Castiel sendo cauteloso em omitir as partes mais... Físicas, das últimas duas semanas com Dean. Até que ele chega ao cerne da questão, comentando sobre o encontro com Lisa, a pequena conversa e, por fim, a reação de Dean.

Durante algum tempo, Charlie apenas acena com a cabeça devagar, bebendo sua cerveja, e Castiel faz o mesmo.

– Bem, eu meio que entendo o Dean. – finalmente, Charlie fala, ganhando um aspecto intrigado vindo de Castiel.

– Você entende?

– É, é como um código dos ex. Você não quer parecer fraco ou triste depois de terminar, e o que você disse ‘pra Lisa pode ter feito ela pensar que o Dean estava, sabe, miserável.

–... Entendo. — ele diz cabisbaixo, ao refletir suas próprias ações.

– Além do mais, me pareceu que você estava com ciúmes.

– O que?! – a cerveja quase cai no chão.

– Ciúmes. – Charlie ri — Para ser honesta, eu nunca soube por que você nunca deu em cima do Dean.

– Porque ele é meu amigo. — Castiel atesta como se fosse óbvio.

Charlie gira os olhos para cima.

– Okay, e? Isso o exclui da lista de escolhas?

– Eu...

– Além do mais, você tem boas chances com ele.

Qual seja o plano de Charlie, aparentemente ela deseja engasgar Castiel com sua bebida, pois essa é a segunda vez que ela consegue o fazer com o seu comentário. A cerveja foi quase parar no nariz do moreno. Mais ainda, a surpresa o deixou atônito.

–... Eu tenho?! – ele exclama, sem entender porque o seu peito começou a arder e retumbar apressado, animado com a suposição de Charlie.

– Claro! Dean gosta de você. E vocês já dormiram juntos, o que quer dizer que ele não é totalmente contra namorar um cara.

Verdade. Todavia, tudo aquilo pelo o que eles vem passando nestas últimas semana não passam de meros encontros físicos, de alívios momentâneos que os dois procuram um no outro... Não é um “romance” não é um toque que envolve sentimentos. Não é, não pode o ser... Pois devastaria tudo.

–... Dean e eu somos apenas amigos, Charlie. – Castiel fala, parecendo cansado de repetir essa mesma frase até para si mesmo.

– Sério? – Charlie ergue uma sobrancelha — Isso é o que você acredita, ou é o que está dizendo a si mesmo por não pensar que tem alguma chance?

Castiel suspira.

– Eu não... Sei...

– Vocês dois são tão bons juntos, Cas. Quero dizer, ao menos é o que eu vejo, não quero tirar conclusões precipitadas.

– Eu não quero arruinar nossa amizade ao cogitar situações complicadas, Charlie.

– Eu entendo. Às vezes, tentar pode ser mais difícil do que conseguir. É como uma missão num longo jogo que você sabe que o prêmio vai ser bom, mas a jornada é difícil, tendo que lutar contra dragões e tudo mais, e você pode perder itens raros.

Castiel inclina o rosto mais uma vez, e balança a cabeça desistindo de entender.

– Mas Castiel, vou te dizer que toda essa situação é como o gato de Schroedinger.

O moreno terá torcicolo mais tarde de tanto inclinar a cabeça para o lado.

– Como assim? – ele pergunta.

– Bom, sabe, a teoria do gato dentro de uma caixa? Um cientista quem bolou, dizendo que se você tem um gato dentro da caixa você não pode saber se ele está morto ou vivo. É a mesma coisa com o Dean. Uma relação com ele funcionaria ou não? Depende se você abre a caixa e descobre. E me deixe ser honesta com você, o que as pessoas falam sobre ser uma má ideia namorar seu melhor amigo? Um bando de besteira. É ótimo. Veja eu e a Dorothy como exemplo, nós éramos melhores amigas até que tentamos. Isso foi há seis anos. E eu não podia estar mais feliz. – o sorriso de Charlie nesse momento é contagiante o bastante para fazer Castiel rir também — Nós fazemos sexo, e depois vamos para a cozinha de pijamas, e comemos pipoca no sofá. Esse é o tipo de relação que eu quero; não uma porcaria falsa dessas que botam na televisão, onde todas as pessoas estão maquiadas e de salto alto em casa. Quer dizer, qual é! Eu tenho bafo quando eu acordo!

Num sincero riso, Castiel beberica da sua cerveja terminando o terceiro copo e sentindo-se mais leve. Não apenas pela bebida, mas por toda a conversa com Charlie. A energia da amiga o faz pensar em tudo com maior clareza. No fundo, talvez ele e Dean tenham exagerado sobre um assunto pequeno.

Mais importante que isso, Charlie criou uma questão mais interessante em sua mente do que a discussão de duas horas atrás com Dean.

O que eles estavam fazendo, todos os dias em seu apartamento, se parecia tanto com essa relação que Charlie descrevera. Acordar de pijamas e andar pela casa sem se importar em ser visto daquela maneira, depois trocar beijos acalorados no sofá, ir até a cama e passar horas à fio debaixo dos cobertores trocando carícias; Dean sendo tão energético e Castiel igualmente... Contente.

Era tudo físico. Uma sensação boa que passa pelos nervos de Castiel, uma necessidade humana básica, que não tem nada a ver com sentimentos. É pura biologia, ele pensa.

Ou melhor é aquilo que ele se faz acreditar porque claro, começar a nutrir sentimentos por Dean após anos o conhecendo, sendo seu melhor amigo, era uma má ideia. Poderia destruir tudo que eles possuem...

Ou poderia tornar tudo melhor.

Castiel passou a detestar copiosamente o gato de Schroedinger.

Continua

Notas finais
Charlie