Sem Compromissos

8 Capítulo 07 - Estúpido irmão mais novo


Notas iniciais
Então gt, esse cap. ficou grande, não teve jeito! Eu bem tentei cortar ele pela mentade, mas a história n ficou tão linear quanto eu queria, e perdeu um pouco do foca, dái esse cap. ficou mega comprido! Sei q tem gt q n curte ler cap. tão grandes, por isso tenham paciência, e carinho, pq tb tem mtas falas nesse cap.! Aaaaanyway, dito isso, boa leitura!

Capítulo 07 – Estúpido irmão mais novo

Por quase dez dias Dean conseguiu evitar seu irmão. Ele ignorou suas ligações pedindo que Bobby lhe desse cobertura. Ele nem mesmo passou perto do escritório de Sam, tudo para evitar uma conversa desnecessária e chata. Dean sentia-se como num filme de espião, calculando cada passo, e só para deixar claro, ele estava muito orgulhoso de si mesmo.

Infelizmente, ele não contou com um pequeno detalhe: Sam também conhecia Bobby.

– Eu não acredito que o velho me vendeu!

Dean reclama dentro do Roadhouse, o bar local, bufando para o menu e balançando as pernas, visivelmente desconfortável. Sam o encara com sua face de puto número 27#, abrindo sua boca e estalando a mandíbula antes de bufar.

– Dean, você não pode fugir para sempre.

– Eu estava fazendo um bom trabalho até agora.

– É, se escondendo com o Cas.

– Ao menos ele não me vendeu!

– Você vai continuar com isso ou podemos falar como dois adultos?

– Urg! Okay! Pode começar Sammy.

Rolando os olhos, Sam come um pouco de sua sala enquanto Dean enfia um pedaço de carne vermelha na boca. Como eles podem ser irmão é ainda um mistério.

– Olha Dean, eu só estou preocupado, okay? Não me entenda mal. Eu sei que as coisas nem sempre funcionam entre duas pessoas, mas você e Lisa... Todo mundo achava que era ela.

– É, Sam. Você, eu, todo mundo. Mas as coisas mudam, ponto final.

– Okay, mas o que aconteceu?

Dean bufa, mastigando sua comida e já se sentindo cansado.

– Ela queria casar. Eu não. Ela conheceu um cara que quer, me deu um pé na bunda, eu me mudei, fim da história.

– Entendi... E você já se encontrou com esse cara?

– Não, não quero.

– E quanto a Ben? O garoto te idolatra, Dean.

Verdade. Lisa e ele nunca falaram sobre o que aconteceria com Ben. Na verdade, eles não se falaram desde que Dean foi embora. Lisa tentou algumas vezes, mas ela desistiu quando Dean não atendeu na quarta ou quinta vez. A mulher o conhecia o bastante para saber quando dar espaço. Quando fosse a hora, Dean iria se aproximar, mas isso não seria agora.

– Ben vai ficar okay. Ele é um garoto esperto.

– Ele é. – Sam beberica sua cerveja, rodando a garrafa em suas mãos enquanto seus olhos leem a etiqueta – Como você está se sentindo, Dean?

Dean não quer parecer entediado, mas Sam está realmente dificultando as coisas. Ele grunhe, olhando para os lados e pedindo a garçonete que traga mais duas cervejas, evitando o máximo possível responder.

– Eu tenho que trazer a escova de cabelo ‘pra te pentear Sam, ou nós podemos fingir que você nunca fez essa pergunta.

– Qual é, Dean! Você não pode ser tão constipado assim com seus sentimentos!

– Eu não sou constipado!

A garçonete escolheu essa hora para aparecer na mesa. Ela os entrega as garrafas, olhando de soslaio para Dean e apontando com os olhos a direção do banheiro enquanto sorri compreensiva a ele.

Dean quer se enterrar no chão. Sam momentaneamente esquece da conversa e segura uma risada, sorrindo de orelha à orelha quando a garota vai embora. Dean bebe metade da sua cerveja, esfregando o rosto.

– Viu o que essa merda de conversa sobre sentimentos faz? – Dean fala.

– Isso foi engraçado... Mas não pense que você vai escapar.

– Puta merda, Sam, o que você quer ouvir de mim?

– É só... Desculpe por falar isso Dean, mas você não parece tão devastado quanto eu achei que estaria.

– O que você esperava? Eu me lamentando pela casa de pijamas com um chocolate nas mãos?

– Uh... Talvez eu pensei que você ficaria mais... Triste?

– Eu não tô exatamente feliz, Sam. Eu só não faço drama.

– Isso é tudo?

– É, quer dizer...

– Quer dizer...? – Sam repete o instigando a continuar.

– Eu te odeio. Okay. – a cerveja já acabou a essa altura. É melhor ele falar tudo duma vez do que aguentar Sam fazendo mais indagações desse tipo – Eu estive pensando, e é como... Se eu não gostasse da Lisa, quer dizer, eu gosto muito dela, mas morar com ela e tudo mais era mais legal pela ideia de ter uma família. Mas a questão é, eu não quero casar.

– Cara, eu sei que você não é o melhor exemplo de comprometimento, mas-

– Não, Sam. O problema não é o casamento. É casar com ela.

–… Oh.

– Oh, mesmo.

– Então... Você não quer voltar com a Lisa.

– É, quer dizer, eu gosto dela. Ela é lega, mas...

– Ela não é a certa.

– Urg, quando você fala isso eu quero vomitar, sério.

Sam rola os olhos para trás, porém entende o seu irmão muito bem. Antes de Jess ele teve algumas namoradas, por mais de um ano até, no entanto assim que Sam conheceu Jesse ele sabia que seria ela. Talvez Dean só precisasse achar a certa também. Contudo essa é a primeira vez que Dean está lidando tão bem com o término. É quase como se ele não se importasse com o fato de ter acabado.

– E você não está nem um pouco triste?

– Jesus, Sam, eu não sou uma garota!

– Seja maduro, Dean!

– Eu sou maduro!

Porque todas as pessoas falam “Dean não é maduro?!”

– Você vem me evitando a última semana inteira. – exemplifica Sam, mas Dean apenas bufa.

– Eu só estava me divertindo depois do término. – ele dá de ombros, bebendo da nova cerveja que chegou na mesa e torcendo para que eles não entrassem mais nesse tópico. Mas como sempre, Sam não para de perguntar.

– Sério? E o que você andou fazendo esses dias com o Cas?

A vermelhidão que se apossou do rosto de Dean foi inexplicável. Ele não sabia porque a pergunta o deixava sem jeito. Bem, em parte ele sabe, porque “o que você andou fazendo com o Cas” é uma questão que pode ser respondida com diversas explicações, e algumas delas Dean não queria compartilhar, e, além do mais, foi impossível impedir que seu cérebro parasse com as imagens das coxas de Castiel abertas a ele na cama, dos olhos azuis brilhando numa fina linha negra de excitação.

Sam precisou estalar os dedos três vezes antes de conseguir a atenção de Dean de volta. Os olhos verdes dobram de tamanho quando ele percebe que estava sonhando (um sonho molhado) acordado, o que fez suas calças ficarem bastante apertadas ao redor do seu volume – uma situação bem inconveniente quando você está num lugar público falando com seu irmãozinho.

O pior é que, Dean não consegue impedir o sangue indo lá ‘pra baixo, e nem ao mesmo consegue esconder a coloração vermelha nas bochechas.

– O que tá acontecendo com você? – Sam pergunta, franzindo o cenho.

– nada!

– Dean, você ‘tá ficando vermelho.

–... Tô nada!

– Está sim, eu posso ver todas as suas sardas ressaltadas.

Dean abre a boca para retrucar, porém ele não conseguia se concentrar com o inchaço dentro da calça. Respire. Ele precisava respirar e remover qualquer memoria de Castiel imediatamente!

– Cara, o que acontece nessa semana com o Cas? O que você fez?

Não ajuda nem um pouco o fato de seu irmão continuar a fazer Dean se lembrar dele e de Castiel... Fazendo... Fazendo coisas! A pele clara de Castiel desnuda no colchão, se remexendo e gemendo… Merda! Seu cérebro está trabalhando contra ele, só pode ser um plano maligno orquestrado por sua própria mente! Só pode ser!

– Po-porque você acha que eu fiz algo?! – Dean se apressa a responder após beber mais da cerveja e pedindo depressa por outra.

– Porque você está se exaltando só por causa de uma pergunta simples.

– Pare de tentar me decifrar, Sam! – Dean bate com um punho fechado na mesa, chamando a atenção do bar.

– Eu não precisaria fazer isso se você apenas falasse comigo!

– Eu não sou obrigado a te falar quando eu faço sexo!

– Quem disse algo sobre sexo?! Eu ‘tô falando dessa semana com o Cas-

Tudo desmorona de uma vez, numa onda que recai sobre os dois irmãos na mesa, deixando seus olhares presos com apenas uma verdade pairando sobre o agora par de idiotas se encarando em silencio enquanto pensam. Dean tem os dois punhos cerrados sobre a mesa, sem respirar, com todo o seu corpo rígido feito pedra. Sam encara, e encara, os olhos tom de mel esverdeados qualquer caindo das órbitas conforme as peças do quebra cabeça de juntam.

– Oh.Meu.Deus! Você e o Cas!

– Cala a boca, Sam!

Pensando melhor agora, Dean devia ter mentido nesse instante, dito que foi uma amiga dele que levou ao apartamento do amigo, que Sam entendeu errado, mas ao invés disso ele apenas acabou de confirmar as suspeitas de seu irmão, o fazendo quase bater com o queixo na mesa.

– Vo-vocês dois fizeram mesmo?! Quer dizer, eu não ‘tô julgando... mas vocês fizeram?!

Dean bufa, descansando as costas na cadeira, cansado demais para discutir. Merda. Ele realmente tem de começar a pensar antes de falar. Ele pragueja uma última vez, vendo a expectativa estampada na face de Sam misturada com confusão e descrença.

Seria pior se Dean negasse agora. Oh, não. Sam só vai o importunar até que suas orelhas explodam. Melhor jogar a bomba e correr.

– Uh, aconteceu... – Dean dá de ombros, não sabendo o que mais dizer. Tudo com Cas começou por acaso, com desculpas...

Apesar de que semana passada, no sofá, eles não tiveram exatamente uma razão. Eles apenas queriam; e isso foi – uma novidade, com certeza.

– Vocês estão saindo? – Sam indaga, acordando Dean das próprias especulações.

– Que?! Deus; claro que não, Sam!

– Mas então... Por que... O que está acontecendo?!

– Urgh! Sam, não tem nada acontecendo! Nós somos amigos que fizeram sexo.

– Então... Foi algo de uma noite só?

– Huh... Talvez... Três ou quatro?

Dean olha para Sam, que tem a expressão presa entre frustração e dúvida.

– E você realmente não pode ver toda a situação estampada nessa frase?! – ele diz duma vez, gesticulando com as mãos no ar.

– Não tem nenhuma situação. Nós somos amigos que ás vezes gostamos de... Bom, é isso!

– É o que você vem dizendo a si mesmo?

– É o que o Cas falou; tá bom?! – Dean corta a fala de Sam com uma pontada de raiva na voz que ele nem sabia estar lá m- Ele disse algo como... Um momento de concordância mútua, ou qualquer merda desse tipo! Eu sei lá! A questão é: nós não estamos saindo. É casual.

Dean sente a necessidade de adicionar a última parte no seu discurso como se estivesse vendendo algum produto estúpido num comercial. O que ele não notou foi o timbre cabisbaixo na sua voz enquanto falava; como se tentasse convencer a si mesmo das suas palavras.

E lá estava. Aquela era a expressão que Dean fazia quando terminava com alguém e quem gostava...

– Meu Deus, você tá a fim do Castiel!

Sam fala em alto e bom som, porque, claro, ele consegue enxergar tudo isso no seu irmão mesmo que Dean não veja. E nessa hora, Dean não consegue evitar se sentir sem graça.

– O que?! Claro que não! Mas que droga Sammy?!

– Dean; merda! Você tá completamente a fim dele!

– Não tô, pare de falar besteira!

– Você está chateado porque ele disse que não era sério.

– Eu vou te chutar na cara!

– Pare de se esquivar e olhe ‘pra mim, Dean!

– Certo! Eu ‘tô olhando, e agora?! – Dean grita sentindo-se defensivo. Ele não gosta nem um pouco do que seu irmão está insinuando.

– Dean, é só... Cas é uma das pessoas mais próximas que você tem na vida, e você sempre o teve do seu lado, fazendo as mesmas coisas desde a escola-

– Isso não quer dizer que nós... Que eu... Você é um idiota!

– Me escuta, Dean. Eu só estou falando o que eu acho.

– O que você acha? Que diabos isso quer dizer?! Nós nunca fizemos nada assim antes! Aconteceu há uma semana, quando estávamos bêbados! Não é nenhuma notícia velha ‘pra você “achar” alguma coisa.

– Certo, já entendi isso, vocês são só amigos. Mas... Para ser totalmente honesto com você, eu nunca tinha te visto tão... Relaxado; contente até.

– Ah, puta merda! Você tá falando besteira, Sam! Nós não estamos saindo!

– Preste atenção em mim! Nenhuma namorada sua antes teve o tamanho da estima que você tem pelo Cas; ou a confiança. Droga, você se importa tanto com ele! Está escrito na sua cara.

– O que?!

– É, Dean, não estou falando sobre relacionamentos ou qualquer coisa desse tipo; estou falando sobre o Cas ser alguém com quem você se importa. Meu Deus, Dean, você empresta seu carro ‘pra ele! Até mesmo contou coisas que eu só soube mais tarde. Vocês sempre foram assim um com o outro.

– Amigos, Sam, nós somos amigos! Isso é o que amigos fazem!

– Amigos fazem sexo por quase uma semana inteira?

Dean abre e fecha a boca, porém fica tremendamente encabulado, sem uma boa resposta para dar ao seu irmão.

– Talvez... Talvez fosse isso que estivesse te impedindo. – Sam pondera.

– M-me impedindo?!

– É, sabe? De tentar com o Cas… Porque você, bem, achou que gostava só de mulheres.

– Eu AMO mulheres, seu merdinha!

– Mas você também gosta do Castiel, certo? Ou pelo menos começou a gostar.

De novo, Dean não consegue achar uma resposta.

É claro que ele gosta de Castiel, eles são bons amigos, eles passam um bom tempo juntos. Dean gosta da companhia dele, ou a maneira com a qual Cas não julga as pessoas, muito menos ele, ou então o fato de Cas ser forte o bastante ‘pra socar a cara de qualquer um se ele quiser – Dean nunca quer estar na frente do soco de direita de Cas.

Castiel é leal a Dean, mesmo com ele tendo tantos erros na sua vida. Ele é um dos poucos que aguentam o jeito turrão e insensível de Dean, que fico do seu lado e apoia suas escolhas, mesmo quando elas são questionáveis. Castiel é lega, um cara idiota e engraçado que faz Dean rir do nada, e merda... Dean está a fim dele!

– Okay; ‘pra mim já chega. Eu estou farto desse papo de merda.

Dean se levanta abruptamente da mesa e joga algumas notas de dinheiro sobre ele, contudo, antes que ele possa sequer se mover, como sempre, Sam não o deixa sair sem antes cavar mais fundo no assunto, e fazer Dean pensar e repensar no que eles acabaram de conversar.

– Não fuja de uma coisa boa, Dean.

Ele para. Seus olhos se voltam a Sam com o cenho franzido, pronto para socá-lo na cara por ter jogado tão baixo com ele, mas então, seu irmão continua falando, e é irritante ‘pra cacete – em parte, porque Dean não quer admitir que Sam tem razão...

– Cas é um cara quieto, sempre foi. É difícil vê-lo mudar aquela expressão sem emoção, mas ele faz isso num piscar de olhos sempre que está perto de você.

– Sério? Porque eu já vi vocês dois rindo juntos. – Dean fala, sarcástico.

– Isso é diferente, Dean. Estou falando do jeito que ele ou você sempre ficam um com o outro, e sem nem ao menos perceber que o fazem!

– Isso é besteira.

Sam suspira, porque sério, o seu irmão consegue ser cego!

– Dos poucos amigos que o Castiel tem, você é aquele de quem ele sempre mais gostou. Assim como você.

Ele sabe disso, não é como se Dean fosse subitamente estúpido. Cas constantemente lembra a Dean o quão gentil ele é, tirando todas as suas imperfeições. Ele diz que não há nada além de bondade em Dean, mesmo quando ele acha o contrário; Dean sempre se preocupou com Sam e em protegê-lo, em torna-lo num adulto melhor do que o pai alcoólatra deles era.

A memoria traz um sentimento pesado sobre os ombros de Dean, e ele não consegue olhar para Sam ou lugar algum. Ele só vê um nada distante, sem caminho algum.

– Dean... – Sam o chama, mas ele não ergue a cabeça – Amigos podem se tornar mais do que amigos ás vezes. E agora que você cruzou a linha, você pode muito bem dar mais um passo á frente e... Tentar.

– Você está lendo muito subtexto nessa história. – comenta Dean.

– Tem certeza?

Dean não o responde, pois ele apenas sai do Roadhouse feito um trovão, deixando Sam para trás enquanto ele respira fundo, esfregando a mão no rosto.

– Eles são dois idiotas.

Sam murmura para si mesmo, pagando o restante da conta e indo embora.

(…)

Na noite de quarta, Dean não pensou em mais nada relacionado á conversa com seu irmão. Em primeiro lugar, porque não havia razão para se quer considerar o que Sam havia lhe dito – quem é ele para saber o que se passa na mente de Dean?

Os dois são, realmente, apenas duas pessoas se divertindo de vez em quando; não há nada sentimental “brotando” em Dean. Como poderia? Ele não ia por tudo a perder por causa de uma mera especulação errônea de seu irmão.

Bufando, ele termina de tirar os sapatos na entrada do apartamento de Cas, andando até a sala e vendo que o casaco bege do moreno está pendurado atrás da porta, mas não há nenhum sinal dele.

– Cas?

Ele chama, e continua sem resposta. Até que escuta o barulho de uma porta sendo aberta no quarto do moreno, indo até lá.

– Ei Cas, já cheguei.

– Bem vindo.

A voz veio abafada do banheiro, e Dean sentou-se na beirada da cama macia de Cas para continuar a conversa.

– Pensei em comer fora hoje, não ‘tô a fim de cozinhar.

– Se quiser podemos ligar para algum restaurante.

– Você tem alguma preferencia, ou—

Dean ia terminar a frase, já tinha toda ela montada na ponta da língua, no entanto, ele ficou petrificado ao ver Castiel saindo de dentro do banheiro, usando nada mais do que uma calça folgada na altura de seus quadris, revelando o início do osso ilíaco que formava duas linhas retas até o meio de sua virilha. Sem contar o fato de que ele ainda tinha o peito desnudo e úmido do banho, com uma toalha ao redor do pescoço evitando que as gotas d’água em seu cabelo encharcassem seus ombros.

Dean podia ver os pequenos gomos em seu abdômen, a maneira que seu quadril se movimentava com os passos ritmados dele, e a maneira que as pernas estavam marcadas sobre o tecido da calça.

Ele é lindo.

Dean pensa pela primeira vez, desde que conheceu Castiel anos atrás, que seu amigo é um homem bonito. Não gostoso, mas lindo.

Não se trata do corpo dele, mas sua face também. O formato quadrado, as maçãs do rosto altas, ou a maneira com a qual ele sorri bobo das suas piadas. Deus! O sorriso de Castiel é maravilhoso! E os olhos… Tão azuis, como um oceano, onde ele pode se afogar o dia inteiro sem ficar cansado.

Nisso, Dean sente as bochechas arderem imensamente, levantando-se da cama quando os olhos de Cas param sobre ele.

– Está tudo bem, Dean?

– Eu—Sim! – ele gagueja, não sabendo ao certo o que fazer.

Porque ele estava encabulado?! Porque de repente ele se sentiu envergonhado na frente de um cara que, literalmente, viu pelado?! Tem algo de errado com ele.

– Nós, uh... Eu vou— Água! Beber água! Você pode… Terminar!

Castiel franze o cenho, inclinando a cabeça em confusão quando Dean sai depressa da frente dele.

Apoiando as mãos sobre o balcão da cozinha, Dean tenta recobrar o controle da sua respiração. Castiel é seu amigo. Você é amigo dele!

O sexo não muda nada…

Bom, foi o sexo que fez Dean começar a ver Castiel além da figura de apenas amigo, para se tornar o incrivelmente gostoso, e sexy amigo, que ele com certeza pegaria se tivesse uma chance—

Merda! Onde o cérebro dele está o levando com estas ideias?!

Sam está errado. Ele é um estúpido irmão mais novo que gosta de embaralhar a cabeça de Dean.

(…)

No dia seguinte a pequena crise no quarto de Castiel não foi melhor para Dean. Na quinta-feira ele ficou boa parte da tarde resmungando consigo mesmo, e imaginando todos os tipos de tortura que poderia provocar em Sam.

Como ele podia dizer à Dean que ele devia “dar uma chance” à Castiel? Não havia nada ali para que essa chance pudesse existir, em primeiro lugar. E mais, não é porque ele e Cas dormiram juntos que necessariamente eles precisam sair, namorar, ou qualquer coisa desse tipo.

Okay, certo, em parte o que Sam disse faz sentido, até porque Dean sempre viu Castiel como alguém que ele estima e respeita, mas seu amigo nunca antes havia demostrado algum tipo de interesse além da amizade – nem havia lhe dado qualquer tipo de abertura, e—

Não que Dean quisesse uma abertura!

Merda.

Jogando a chave de fenda dentro da caixa de ferramentas, Dean xinga todos os palavrões que conhece em meio à oficina.

– Algum problema garoto? – Bobby pergunta de dentro do escritório.

– Não é nada!

– Olhe como fala comigo!

Dean não responde, apenas bufando.

– Vou tirar meus cinco minutos.

– Volte quando ficar mais tranquilo. Não quero suas mãos impacientes trabalhando nos carros, seu idiota.

– Certo, certo.

Na parte de trás da oficina há um pequeno ferro velho onde eles guardam sucata e partes de carro que possam ser usadas em restaurações. Dean gosta de ficar aqui para descansar, pois não há nada além de objetos inanimados a sua volta.

Se bem que agora ele gostaria de um pouco de barulho, pois só assim pararia de ouvir os seus pensamentos.

O que Sam dissera; Dean não negava que podia acontecer, sobre amigos poderem ser mais do que amigos. Contudo, parecia uma daquelas novelas estúpidas da televisão, ou mesmo no seu show de TV favorito, Dr. Sexy, onde o médico e sua amiga da faculdade começaram a namorar.

Esfregando o rosto, Dean bufa, começando a apanhar qualquer pedaço de metal velho ou madeira, e jogar à sua volta, formando novas pilhas de tranqueiras.

O que ele mais odeia nisso tudo, é que Sam não disse aquilo para influenciá-lo.

Longe disso.

O que Sam sempre foi capaz de fazer, desde quando eles eram crianças, é tirar a cabeça de Dean de dentro da bunda, e o levar a admitir de uma vez o que está estampado na sua frente, mas que ele se recusa a aceitar — pois Dean Winchester não trabalha com sentimentos, ele não precisa ficar remoendo as coisas.

Emoções, no geral, acabam mais atrapalhando do que ajudando. Mas isso não quer dizer que elas não existam.

Droga, ele realmente é constipado com seus sentimentos.

Dean detestou todo o almoço com Sam, porque ele consegue arrancar de dentro dele coisas que tenta esconder de si mesmo. Não é Sam quem coloca ideias na sua cabeça, ele só é bom em fazer Dean entender a ele mesmo; o que ele sente, mas prefere ignorar ou esquecer.

Como o fato de que, é verdade, ele e Cas sempre foram bons amigos, próximos um do outro, mas antes Dean nunca havia considerado Castiel como uma possibilidade de relacionamento.

Até que eles passaram aquela noite juntos, repetindo a dose mesmo sem uma razão aparente que não fosse a mais pura vontade de ter um ao outro. E dadas todas essas circunstâncias, era como se ele estivesse vendado sua vida toda, e apenas agora ele percebia que, sim, Castiel é seu amigo, mas isso não necessariamente o excluiu da matemática dos relacionamentos.

Chutando outra pilha de sucata, Dean bufa, esfregando a mão no rosto. Todos os seus namoros mais longos foram com mulheres, exclusivamente, porque, bom... Caras nunca foram apelativos antes. Claro, seu irmão e seus amigos sabiam que ele não tinha nada contra uns ‘pegas’ de vez em quando no canto escuro dos bares, mas nada ia além disso.

Castiel jogava todas essas expectativas de Dean no lixo, uma vez que se ele o comparasse com qualquer pessoa com quem já passou uma única noite junto, ninguém conseguia chegar à altura das qualidades de Cas – e ele não se refere apenas aos atributos físicos.

Respirando fundo, Dean continuou a montar as pilhas em cima uma da outra, apenas para derrubá-las com potentes chutes. No fim das contas, de que adiantava ele ficar remoendo todas essas coisas se o que eles faziam era casual?

Sentindo-se mais leve depois de chegar a essa conclusão, Dean retorna à garagem, vendo que há um homem conversando um pouco mais alto do que o normal com Bobby em seu escritório – provavelmente um cliente. Ele dá de ombros voltando ao seu trabalho, e é nessa hora que ele escuta a porta atrás dele batendo com força.

– Você aí!

O homem enfurecido o chama, apontando o dedo na cara de Dean que apenas franze o cenho, confuso, vendo Bobby balançando a cabeça atrás deles.

– Eu?

– É você, seu incompetente!

– Como é? – Dean quase rosna.

– Meu carro veio até aqui semana passada apenas para uma revisão de óleo, e quando eu volto hoje, descubro que vocês mexeram na caixa de câmbio!

– A caixa estava desalinhada. – diz Dean — Isso podia interferir no bom funcionamento do freio—

– Eu não quero saber! Eu não pedi por isso! Eu não vou pagar esse absurdo!

– Senhor, nós não podemos deixar um carro sair daqui em má condições, se um acidente acontece—

– Cale a boca! – o homem grita – Você não é ninguém para falar assim comigo! Você não tem razão de nada! É apenas a merda de um mecânico! Se eu quisesse lições de moral, eu ia ouvir de alguém com alguma importância!

– Senhor, acalme-se. – Bobby diz rangendo os dentes, pois ele mesmo já não aguenta mais tantas coisas ridículas sendo ditas por ele.

– Me acalmar?! Depois de um zé-ninguém ficar achando que sabe de alguma coisa?!

– Dean é um dos meus melhores mecânicos.

– Pois você tem de começar a procurar pessoas decentes ao invés de querer resgatar delinquentes; porque basta olha ‘pra esse moleque—

– Cale a boca!

É Bobby quem grita na cara do homem, aproximando-se devagar dele, pois o tempo todo Dean nem ao menos se mexeu, apenas encarando o senhor com um olhar frio, apertando os punhos uns nos outros enquanto as unhas se enfiavam na pele.

– Diga mais uma palavra e eu mesmo te jogo ‘pra fora daqui. – falou Bobby.

– Eu sou um cliente! – ele retruca – Eu tenho toda a razão—

– Você ouviu o Bobby, camarada. – Benny aparece atrás do dono da oficina, limpando as mãos sujas num pedaço de pano – Saia daqui, ou você será forçado.

– Que tipo de espelunca é essa que trata seus fregueses assim?!

– O tipo que mastiga gente como você no café da manhã. – respondeu Benny — Cai fora.

– Isso é ridículo!

O homem ainda grita ao entrar no seu carro, enfiando o pé no acelerador e dando marcha ré com os pneus queimando no asfalto. Ele não pagou nada, óbvio, mas Bobby tinha o registro dele guardado, e isso bastava por hora.

A questão maior ali era Dean e o quanto ouvir aquilo tudo havia mexido, de certa forma, com ele. Não porque o cara tinha alguma razão, mas porque aquelas palavras – delinquente, pé-rapado, sem estudo – tocavam numa ferida funda em Dean; a que ele dizia a si mesmo todos os dias, de que não valia nada, de que ele não tinha nada a oferecer ao mundo a não ser seu jeito bruto. Quem é que poderia sequer gostar de uma pessoa feito ele?

Como Cas poderia querer ficar com ele?

– Dean, vá ‘pra casa, seu dia acabou por hoje.

– Mas—

– Só vá garoto. E não se preocupe com o que esse metido disse; ele não sabe de nada.

–... Obrigado, Bobby.

O senhor apenas acena, ajeitando seu boné na cabeça.

(...)

A porta do seu apartamento estava destrancada, o que preocupou Castiel, porém uma vez dentro de casa tudo parecia continuar na mesma arrumação. Dando de ombros, ele anda até a cozinha, mas para no caminho ao ver Dean sentado – ou melhor, afundado – no sofá, enquanto a televisão reprisa algum programa velho.

Ele está com a mesma calça jeans que saiu mais cedo, uma blusa branca e com um pano jogado em seu colo sujo de alguma coisa que se parece com graxa. Ao que parece, ele chegou da oficina e nem se dignou a se limpar. E pelas feições quase inexpressivas dele, alguma coisa havia acontecido.

– Dean?

Castiel o chama, mas ele nada responde, e o moreno anda devagar até ele, reparando nas garrafas de cerveja perdidas ao redor do sofá, além do pacote ainda fechado.

– O que aconteceu? – pergunta, porém seu amigo continua calado.

Castiel, então, se senta ao lado dele, abrindo uma garrafa de cerveja e bebendo, assim, sem insistir nem nada. Dean ainda olha de soslaio para ele, seguindo na linha do silêncio.

– A minha semana no escritório se desenvolveu igualmente tenebrosa. – ele diz, bebericando a cerveja.

Ah, sim, ele conhece Dean como a palma de sua mão. Mesmo que ele não abra a boca, o moreno consegue perceber pelas expressões dele, ou a maneira cabisbaixa de sua postura corporal, que algo aconteceu, provavelmente em seu trabalho, onde ele ficou até o fim da tarde. Dean pensa que esconde muito bem seus sentimentos, mas Castiel consegue o ler como se sua pele fosse um braile, e Castiel só tinha de passar os dedos sobre ela, ou ouvir o som descontente da sua respiração.

Dean era um livro aberto para Castiel.

Nessa hora, ser grosso ou não com Castiel era uma escolha de Dean, se bem que, no estado em que se encontrava, ele preferia ficar calado e evitar dizer alguma besteira impensada.

Ele só queria beber e relaxar, esquecer o dia no trabalho, e as palavras daquele babaca. Dean não devia se deixar atingir por tão pouco, mas o que ele havia dito; a maneira com a qual apontava o dedo para Dean era como se ele soubesse de algum jeito o belo pedaço de merda que sua vida era.

Os insultos sobre ele ser apenas um idiota qualquer sem estudo o lembraram de como foi crescer com seu pai; do quanto ele queria continuar na escola, mas John tinha de tocar o negócio com a oficina junto de Bobby, e cabia a Dean e Sam aprenderem tudo com ele.

Dean concordou em seguir os passos de seu pai, afinal, era isso o que os filhos deveriam fazer: ser obedientes. Mas Sam não se curvou, ele seguiu em frente e pegou o primeiro ônibus para a Universidade assim que fez dezoito anos.

E quando Sam foi embora, Dean percebeu que tudo o que fizera foi apenas para proteger e cuidar do seu irmãozinho. A oficina, as ordens de seu pai, nada mais importava. Ainda assim ele preferiu se prender ao que sabia, afinal de contas, foi tudo o que aprendeu na vida, e ele não tinha mais tempo para pensar em outras coisas.

Dean odiou o que aquele cliente estúpido disse, não porque se deixava abater por qualquer coisa, mas porque cada frase rasgou cicatrizes antigas. E ele odiava mais ainda saber que era exatamente tudo aquilo que seu pai, Lisa, ou mesmo esse cara desconhecido havia falado: um desistente, um ninguém que não tem nada a oferecer.

– Isso não é verdade.

Castiel fala, cortando a linha de raciocínio de Dean. Ele encara seu amigo sem nada entender, e só agora percebe que estava gritando pelos últimos dez minutos todos os seus pensamentos expostos em voz alta.

– Nada disso é verdade, Dean.

Castiel repete, mas não adianta. Dean enfia o rosto entre as mãos, respirando fundo, evitando olhar Castiel, porque aquilo tinha sido vergonhoso demais até mesmo para ele. Céus! O que Cas devia pensar de Dean agora?! Que ele era uma farsa; um idiota, um filho da mãe solitário e—

– Dean.

Ele sente suas mãos sendo puxadas por Castiel, liberando a visão de seu rosto – que está no limiar entre a raiva e o choro.

No instante seguinte, o moreno se levanta, parando na frente de Dean e, lentamente, aconchega as coxas ao redor do seu colo, guiando os braços do loiro até sua cintura, enquanto que Cas envolve o maxilar dele entre os dedos.

– Cas, o que—

– Shh.

Castiel o cala com um beijo, esfregando a língua sobre o céu da boca de Dean, balançando os quadris devagar ao ouvir um pequeno gemido vindo do amigo, passeando a boca sobre a dele pausadamente.

– Cas...

– Só me beije, Dean.

Os olhos verdes encaram Castiel por mais alguns instantes, perdendo-se neles, perdendo-se na boca vermelha e inchada de Cas, e Dean tenta se lembrar porque estava tão aflito segundos atrás. Quando Cas sela seus lábios novamente aos dele, Dean cerra as pálpebras, correspondendo com sua língua.

As mãos escalam da cintura até as costas do menor, o trazendo para mais perto, se esfregando contra o corpo quente e acalentador que está em cima dele. Dean o beija como se não houvesse mais nada no mundo, a não ser os dois ali naquele sofá, afogando em carícias a raiva, a tristeza, como se as mãos de Castiel apagassem cada uma dessas mágoas de Dean.

Ele não sabe quanto tempo se passou, mas por fim, ao ficarem sem ar, Dean soltou-se do beijo, repousando a testa na de Castiel e deixando seus olhos fechados, apenas aproveitando a respiração calma do moreno.

As mãos de Cas traçavam um caminho nas costas de Dean, o aquietando, até sua voz rouca falar num tom baixo e sincero:

– Dean, nunca mais diga que você é estúpido. Você é tudo, menos um idiota.

– Você não sabe como foi, Cas.

– Mas eu te conheço. – ele diz, afastando sua testa e o encarando.

A sentença faz Dean se engasgar. Castiel deixa a voz firme, mas branda.

– Eu te disse antes: sua falta de egoísmo é uma das suas melhores qualidades. Você põe a necessidade dos outros acima da sua, mesmo no seu trabalho, e também é extremamente exigente consigo mesmo.

Dean apenas dá de ombros, não querendo olhar para ele.

– Dean... – Castiel põe as mãos em sua face e a levanta, vendo os orbes verdes que brilha num misto de vergonha e autodepreciação – Você é o homem mais... Correto que eu conheço. Nunca duvide disso.

O oxigênio no pulmão de Dean se esvai nesse instante. Ele fita Castiel sem nada dizer, até que sua boca se move sozinha, repetindo os pensamentos de sua mente:

– Cas, você não pode falar essas coisas ‘pra mim...

– Se é a verdade, porque não?

Porque isso faz coisas no estômago de Dean. Isso traz um calor sem igual escalando seu caminho no peito, que faz o coração bater mais rápido sempre que está perto de Castiel, ou pensando sobre ele, ou apenas vendo seu amigo andando pelo apartamento.

Quando Cas fala coisas desse tipo, Dean não consegue controlar a correnteza de desejos explodindo nele que o faz querer Castiel... Além do mero contato físico.

E no fundo, ele sabe que não pode ambicionar algo assim. Destruiria tudo. Sentimentos sempre destroem as coisas que Dean tem.

Se tudo continuasse como está eles poderiam chamar as últimas semanas um momento de fraqueza de ambos, mas a amizade ainda poderia ser salva.

Então, Cas não pode falar essas coisas que acordam algo esquecido e urgente em Dean, que dizem a ele para ter este homem, seu amigo... Para ter Castiel apenas para ele.

– Porque é piegas, Cas. – ele responde mudando de assunto completamente, se esquivando das próprias indagações – E nós não somos piegas, pelo amor de Deus!

Dean começa a rir, com Castiel apenas dando um rápido sorriso de canto de boca.

Vai ficar tudo bem. Eles podem fazer isso, eles podem seguir em frente sem criar complicações.

Num novo beijo, mais doce e gentil, Castiel fita os globos de Dean, tocando de leve seu rosto, onde ele tira uma pequena mancha de graxa, e sorri, mostrando-a a Dean, que sente o rosto arder um pouco. Por Deus, ele nem tomou banho!

– Foi mal, Cas, minha cabeça não tá legal hoje.

– Me deixe tomar conta de você. – Castiel diz, simplesmente, ignorando o que ele falava.

E Dean não encontra forças para resistir às palavras, muito menos aos olhos azuis sinceros e penetrantes.

–... Okay.

Os dois andam até o banheiro, onde Castiel começa a tirar as roupas de Dean, assim como as suas, estalando rápidos beijos eu seu pescoço, queixo e boca.

Quando nus eles entram no boxer do chuveiro, e a água quente é um alívio sem igual ao peso que Dean tem nas costas. Só não se compara com a maneira gentil que Cas esfrega o sabonete em seu peito, ou como ele arranha as unhas sobre sua nuca, lavando o cabelo loiro dele.

Nada é tão bom quanto ter Castiel assim com ele.

– Eu devo ser o pior amigo do mundo. – Dean fala – Te fazendo lidar com minhas crises.

– Você também já lidou com as minhas, muitas vezes.

–... Obrigado, Cas.

O moreno sorri.

– Conheço uma excelente tática para remover o estresse cotidiano. – comenta ele, e Dean ergue uma sobrancelha.

– O que seria?

Castiel passa a língua pela boca, batendo os lábios contra a orelha de Dean.

– Uma espécie de exercício que rouba todas as suas energias, as fazendo explodir numa onda quente...

Cas escorrega uma mão sobre o peito de Dean.

– Viscosa... – ele continua falando, descendo a mão até que ela para sobre o membro semiereto de Dean.

O loiro solta um grunhido abafado, apoiando as mãos na parede do banheiro atrás dele.

– E o cansaço é tamanho que tudo o que sobra no final é o êxtase.

– Cacete...

Dean murmura entre os dentes, por que... Cacete mesmo! A voz de Castiel devia ser proibida de soar tão grossa e sexy. Sem contar na mão ágil dele apanhando com destreza a base de sua ereção e a bombeando devagar.

– Cas.

– Acredito que nós dois merecemos um pouco desse exercício, você não concorda, Dean?

Empurrando Castiel contra a parede do banheiro, Dean afasta as pernas dele com as suas, mantendo os pulsos do moreno presos entre suas mãos.

– Com certeza.

Responde ele num som gutural, abocanhando Castiel num beijo. Ele se entrega à língua de Dean totalmente, mas suas mãos queriam tocá-lo, e por isso, o moreno se debatia, resvalando a pele molhada contra a do maior, fechando os punhos e rebolando a cintura.

Se fosse uma maneira de consolar Dean ou não, Castiel já não sabia, no entanto era inegável a vontade que ele tinha de tocá-lo, de senti-lo mais perto.

A boca de Dean escorregou sem dificuldade pelo pescoço dele, mordiscando e sorvendo parte da água. Depois, num alívio sem igual Castiel sentiu um dos pulsos ser solto, mas foi apenas para que Dean conseguisse envolver um de seus mamilos entre seus dedos.

– Sim...

Castiel sussurrou, fechando os olhos, enquanto sua mão livre abraçava um ombro de Dean. O loiro sorriu entre as mordidas em sua clavícula, continuando a rodopiar os dedos, ora apertando, ora afrouxando-os ao redor do rosado mamilo, puxando de vez em quando e ganhando gemidos de satisfação e incentivo vindos de Castiel.

Levando a boca até a orelha do menor, Dean o beijou bem no lóbulo, e suas pernas foram para frente, fazendo o sexo dos dois se tocar. Ele grunhiu junto de Castiel ao sentir as carnes rijas tocando uma na outra, com a água quente massageando a pele sensível.

Castiel desce a mão livre até o meio deles depressa, envolvendo ambos num aperto, batendo a cabeça contra o azulejo da parede quando teve os dois volumes se tocando assim; subindo e descendo a mão, apertando, soltando, friccionando e deixando a água ajuda-lo na tarefa escorregadia.

E Dean também queria sentir aquilo, deixando de brincar com o mamilo – já inchado — e unindo sua mão a de Castiel num enlaço entre os dedos enquanto as palmas apertavam-se cada uma contra um volume, os comprimindo ainda mais na carícia.

As pernas do loiro quase caíam tamanha era a satisfação com esse mero encontro entre seus corpos.

Mas ele queria mais, muito mais.

Quando Dean se ajoelhou na frente de Castiel, este abriu os olhos safiras num susto, deparando-se com algo incrivelmente absurdo e incrível. Cas deixou a boca entreaberta, os orbes arregalados e as mãos pairando no ar ao ter a visão de Dean Winchester apanhando sua ereção com a boca, circulando a glande com a língua e começando a engolir, pouco a pouco, cada centímetro do seu inchado músculo.

– Dea-Dean! Ah!

– Adoro seu gosto... – ele diz rapidamente, tornando a sorvê-lo.

Castiel apenas concorda devagar com a cabeça, incapaz de responder quando está sendo devorado por lábios tão carnudos, por uma boca ávida que vem para frente e para trás o tragando gulosamente, sem contar o fato de que ele pode ver a mão de Dean indo ao meio das suas pernas, bombeando sua própria extensão enquanto apenas a boca dele faz o trabalho de engolir Castiel – até a metade, depois apenas na glande, com a língua rodopiando a sensível pele vermelha; até que a boca afunda quase até a base, e as bochechas de Dean chegam a se afundar para dentro, tamanha é a força com a qual ele chupa, lambe e puxa Castiel.

Dean escuta enquanto o moreno geme, batendo as costas contra a parede, sorrindo em meio à tarefa de sugar Cas. Depois de tudo o que ele aguentou nesses últimos dias, é Dean quem pensa que deve fazer algo de bom a ele – e de quebra, conseguir provar o gosto de Castiel de novo.

– M-mais rápido! – Castiel praticamente grita – Eu estou q-quaseee-oh, Deaan-AH!

As mãos de Cas agarram o cabelo cor de areia de Dean, e sua cintura, institivamente, vai para frente e para trás, com os gemidos dele e o calor da língua do loiro sendo as únicas coisas processadas por Cas.

E aquilo já passou do ponto de ser Dean chupando o moreno, para ser Castiel fodendo a boca dele — entrando e saindo depressa, segurança a cabeça de Dean pelos cabelos, enquanto ele se enfia na deliciosa boca, ouvindo murmúrios do loiro em meio a gemidos; e Castiel entra e sai rápido, grunhindo e apertando os olhos cada vez que a língua de Dean desliza por quase todo seu membro; quando a carne inchada dele atravessa os lábios abertos por inteiro, e Dean ronrona com a boca pressionada até a base dele.

Castiel respira fundo uma única vez assim que a onda cáustica atravessa seu baixo ventre, e chega à ponta da glande.

Ele para de se mover e apenas chega para trás, saindo de dentro da boca, deixando que o jorro quente se espalhe pelo rosto de Dean.

É obsceno e soberbo, a maneira que ele fica lambuzado com o sabor de Castiel espalhado pelas maçãs do rosto e sua boca, com os lábios brilhando, inchados e vermelhos.

Castiel apenas arfa, com seu peito subindo e descendo em longas respirações e sua ereção dando leves espasmos. Debaixo dele, Dean apenas sorri, erguendo-se devagar enquanto deixa parte da água do chuveiro limpar sua face. Ele ainda tem um pouco do líquido em sua boca quando beija o moreno – o fazendo sentir seu próprio gosto, aquele que Dean ser irresistível.

– Dean... – Castiel sussurra quando recobra parte dos sentidos – Eu também quero... Com você—

Levando a mão até o falo de Dean, Castiel se espanta ao notar que ele não está mais tão rígido quanto antes, e que há um bocado de gozo melando suas mãos.

Dean puxa um pouco de ar pela boca com o contato, beijando de leve Castiel nos lábios.

– Sabia que sua voz é sexy ‘pra caralho? – Dean diz num meio sorriso – É sério, não dá ‘pra ouvir ela sem gozar.

Incrédulo, Castiel encara Dean por um tempo, rindo junto dele no meio do banho – de mais de meia hora – enquanto eles começam, realmente, a tratar de se ensaboar.

Na cama, quase dormindo após a maratona de sexo no banheiro, Dean fica se perguntando como Castiel tem tanta estamina. Não que Dean fosse fraco. Ele gosta de sexo praticamente em qualquer lugar que não seja extremamente público, sem contar o fato de que Castiel é bom ‘pra cacete no que faz.

Com suas mãos, sua boca, ou enterrado nele, não importa; Dean gosta de todas as maneiras. E isso o assusta um pouco, pois Dean tem certeza que sexo agora está arruinado com qualquer outra pessoa – se ele for compará-los com Cas.

Enquanto ele deixa sua mente divagar sobre isso, ele nem nota que Castiel começou a se aninhar no seu peito na cama, e Dean se remexe um pouco, querendo arrumar mais espaço.

– Estou cansado... – Castiel murmura, abraçando-se ainda mais ao corpo quente do seu lado – Boa noite, Dean.

Na face serena de Cas, Dean não encontra forças o suficiente para sair de perto dele; mas pelo contrário: ele até gostou dessa sensação de ter outra pessoa, de ter Castiel se enrolando à sua volta, como se nunca mais fosse o soltar.

– Boa noite, Cas.

Ele fala num meio sorriso, beijando o topo do cabelo de Castiel, afagando a nuca dele enquanto o moreno ronrona feliz.

Dean realmente gostou de ter outro corpo com ele; do cheiro de sabão e mel que Cas tem, tão bom e confortável, que ele nem ao menos percebe quando cai no sono, enrolado feito um polvo em Castiel.

Continua

Notas finais
Então.... hehehehehe O nosso Dean está começando a se descobrir! Agora ele vai começar a ficar confuso, n sabendo uq fazer nem uq ele quer. Enfim, espero q tenham curtindo, mesmo c esse tamanhão de capítulo xD Prometo q n exagero no próximo, que aliás, contará com os sentimentos do Cas aflorando tb =p kissus amores! Até breve!