Sem Compromissos
23 Capítulo 23 - Nos casamos na recepção do hospital... Ou quase isso
Notas iniciais
Capítulo 23 — Nos casamos na recepção do hospital... Ou quase isso
O transito até o hospital estava relativamente fraco; ainda bem. Dean levou pouco mais de vinte minutos para chegar até seu destino, colocando o carro numa vaga de qualquer maneira e se dirigindo depressa até a recepção. Castiel o seguia, pedindo desculpas as pessoas que seu namorado empurrava – sem querer – pelo meio do caminho.
Com o telefone grudado em uma orelha Dean tentava falar com Sam, mas o sinal apenas tocava diversas vezes, o fazendo xingar por entre os dentes.
Batendo as duas mãos na mesa da recepção, Dean encarou duramente a enfermeira do outro lado, esperando que ela baixasse o telefone para atendê-lo.
— Pois não—
— Sam Winchester. – Dean fala a interrompendo – Meu irmão está aqui, preciso falar com ele.
— Um momento.
A mulher arqueou uma sobrancelha frente a rispidez do loiro, mas resolveu não insistir no assunto, afinal, tantos anos trabalhando na emergência lhe deram alguma experiência sobre parentes desesperados.
Após alguns cliques e dedos rápidos teclando, a mulher franziu o cenho, balançando a cabeça devagar:
— Desculpe, não temos nenhuma entrada com esse nome.
— Procure de novo! – exasperado, Dean apertou as mãos sobre o balcão enquanto tentava entrar em contato com Sam de novo pelo celular. Nada. Praguejando, ele teve vontade de jogar o aparelho na parede, sendo impedido no ato por Castiel, que o aquietou ao colocar uma mão firme sobre seu ombro.
— Poderia procurar por Jessica Monroe? – pede o moreno a enfermeira – Ela é noiva de Sam Winchester.
Dean solta um longo respiro ao lembrar-se disso. Sim, Sam devia tê-lo chamado por essa razão, o que melhorava um pouco o aperto no peito de Dean, porém não diminuía sua preocupação. Jéssica já fazia parte da família, e se algo acontecesse com ela seria devastador da mesma forma.
— Jessica Monroe. Ela está no quarto vinte e sete. Mas ela já está com alguém junto dela.
— É o Sam; meu irmão! Ele me chamou até aqui!
— Certo.... Como o senhor é irmão dele posso permitir que vá encontra-lo após o horário de visitas.
— Ótimo!
— O senhor também é da família?
Ela perguntou voltando sua atenção para Castiel. O moreno mal havia aberto a boca para dizer alguma coisa, quando Dean interveio por ele:
— Ele é sim.
— Qual o grau de parentesco? – pediu a mulher, digitando no computador.
— Meu namorado.
Os olhos amendoados da enfermeira subiram depressa até a face de Dean. Ela não o encarava com desgosto nem algo do tipo, apenas parecia.... Surpresa.
— Receio que apenas parentes próximos podem visitar após o horário.
E oh, aquilo só parecia melhorar cada vez mais a tarde de Dean:
— Olha aqui, o Cas é da família; há anos!
— Dean....
— Não Cas! Você vem comigo e pronto!
— Tudo bem Dean, eu entendo. – Castiel afaga seu braço carinhosamente – eu posso esperar aqui.
— Você vem comigo.
— Senhor, são contra as regras—
— Dane-se as regras! – Dean cessa a fala da mulher — Eu quero a minha família junta ‘pra resolver a droga desse problema que eu nem sei o que é!
— Quem está gritando na minha recepção?
Uma voz aveludada, porém firme, chamou a atenção dos três. Metade do hospital já encarava o esquisito homem barulhento na frente da recepção, mas assim que receberam um frio olhar da mulher que aparentava estar nos seus tardios quarenta anos, cabelo encaracolado preto no topo da cabeça preso num rabo de cavalo, e olhos escuros profundos, pararam com o estardalhaço no ato. A mulher esbanjava autoridade.
— Senhora Missouri, eu só estava explicando aos visitantes que apenas os familiares são permitidos após o horário de visitas. – disse a enfermeira ao voltar os olhos à Dean e Castiel.
— E eu já falei que o Cas é da família! – vociferou o loiro, batendo as mãos no balcão. Sua paciência estava no limite e, não fosse a recepção os separando, com certeza ele já teria sacudido aquela mulher.
— Garoto, pare de gritar no meio do hospital!
Missouri, a então estranha que entrava em cena, falou num tom mandatório, pondo ambas as mãos na cintura ao encarar Dean. Algo como um frio na espinha misturado a uma sensação familiar percorreu as costas de Dean, e ele retesou as mãos, engolindo seco. De certa forma, foi como se ele ouvisse o tom autoritário de uma mãe.
— Assim é melhor. – Missouri disse, aproximando-se do computador e analisando a ficha na tela – O senhor veio visitar Jéssica Monroe, mas ela já tem uma pessoa com ela.
— Sim, meu irmão, ele pediu que eu—que nós viéssemos!
— Uhum.... e você diz que este rapaz o acompanhando também é da família? – indagou ela, erguendo uma sobrancelha em suspeita e quem diria, Dean sentiu-se pequeno frente a voz afrontadora da mulher.
— S-sim, o Cas é da família; há anos, ele—
— Sua atuação é péssima.
No mesmo instante, Dean fechou sua boca, olhando incrédulo para a mulher. Missouri continuava a segurar a cintura com uma das mãos enquanto a outra batia de leve no balcão.
— Dean. – chama Castiel, fazendo o loiro se virar a ele – Vá logo, Sam precisa de você.
— E eu preciso que você venha comigo. – rebate por entre os dentes, fechando as mãos em fortes punhos. Da última vez que Dean esteve no hospital, Jéssica estava no meio de uma cirurgia delicada. Antes disso, Bobby sofreu um leve ataque cardíaco que assustou ele e Sam. Seu pai também esteve aqui após a bebedeira que o deixou em coma alcoólico e quase o levou à morte. Anos antes, Dean se lembra de vir até o hospital e ficar segurando a mão fraca de seu irmão durante as duas semanas em que ficou internado com pneumonia. E como se não bastasse tantos momentos envolto por essas paredes brancas sem vida, pelo cheiro de mercúrio e gazes, Dean se lembra com amargura de quando veio ao hospital segurando um ursinho de pelúcia, ouvindo os choros de Sammy nos braços de John ao receberem a notícia de que sua mãe havia sofrido queimaduras de primeiro grau por todo seu corpo durante o incêndio e que, não muito mais tarde, veio a falecer.
Hospitais são lugares ruins, repletos de lembranças doloridas então é, que o culpem por querer ter um suporte ao lado dele. Porque Dean sabe que precisa manter a postura na frente de Sam, seja lá o que tenha acontecido. Ele vai precisar ser o irmão mais velho forte e cheio das certezas do mundo para que Sam tenha aonde se apoiar.
Só nunca perguntaram a Dean se ele também precisava desse suporta. E Castiel, bom, seu amigo sempre, de bom grado, ficou junto dele nos piores momentos de sua vida. Bastava um olhar, um aceno, um aperto mais firme sobre seu ombro e era como se as incertezas esvanecessem de dentro de Dean.
Qualquer que seja a notícia que o aguarda dentro do quarto de Jéssica, Dean só tem a certeza de que precisa de Castiel junto dele – mesmo que não admita em voz alta a razão dessa sua teimosia.
Nos segundos que se alastraram em que Dean processava todos estes pensamentos, Missouri terminava de digitar rapidamente algo no teclado do computador e, num longo suspiro, ergueu seu corpo cruzando os braços, voltando a falar:
— Senhor Winchester, você e seu marido podem ir até o quarto vinte e sete agora.
Acordando do seu torpor, Dean virou o pescoço na direção da mulher deixando a boca entreaberta. Castiel a encartava da mesma forma abobalhada:
— M-m-marido?! – exclamou o loiro, quase engasgando.
— E-eu não.... – Castiel o acompanhou no meio da confusão, o que fez Missouri revirar os olhos e levar as mãos na cintura outra vez.
— Sim, seu marido, que é parte da sua família, que pode entrar após o horário de visitas. Vocês são casados, não é mesmo?
A sobrancelha levantada até o alto da testa de Missouri foi a dica final. Dean e Castiel entreolharam-se, acenando devagar em compreensão:
— Sim, casados. – respondeu Castiel primeiro.
— Sou casado com ele, sim. Casados. – Dean falou (mais vezes do que precisava).
— Viu só Erika? – Missouri pôs a mão sobre o ombro da enfermeira na recepção – Eles são casados, problema resolvido.
— E-eu.... – Erika olhou para os três e seu pequeno complô, suspirando exasperadamente – Quarto vinte e sete senhor e.... Senhor Winchester.
Esticando os lábios num enorme sorriso, Dean apanhou a mão de Castiel e saiu em disparada pelo corredor de quartos. Foi o moreno quem acenou à Missouri, agradecendo em silêncio pela ajuda da mulher e, tão logo eles saíram de vista da recepção, começou a correr na mesma velocidade de Dean.
— Devíamos ter pensado nisso antes. – comenta o loiro, procurando pelo número certo do quarto.
— Concordo. É ali.
Engolindo seco, Dean espera até que sua respiração se regule para bater duas vezes na porta. Um abafado “entre” na voz de Sam o permite girar a maçaneta, entrando no quarto.
Só há Sam e Jéssica lá dentro. Ainda sobre a cama, Jéssica parece um tanto quanto perdida, olhando para a janela e deixando que Sam segure sua mão, afagando docemente a parte de trás dela.
Sam, apesar dos seus quase dois metros de altura, parecia pequeno, com os ombros encolhidos e expressão cabisbaixa. Ao erguer os olhos esverdeados, ele dá um meio sorriso ao seu irmão, agradecendo na expressão dolorida pela presença dele. No ato, Dean engloba o ar de proteção e alento para com seu irmãozinho, andando devagar até ele e pondo uma palma estável sobre seu ombro:
— Dean.... Cas. – Sam cumprimenta os dois, fraco, voltando-se de novo à Jéssica.
— Viemos o mais depressa possível. – Castiel explica, dando um passo à frente.
— Confusão na recepção. – diz Dean – Mas já está tudo resolvido.
— Bom, bom, é.... Bom.
Dando alguns minutos de silêncio a ele, Dean espera aflito por uma resposta do porquê foi preciso vir tão depressa até o hospital. Jéssica, então, bufa exasperada, esfregando sua testa ainda sem os encarar:
— Um médico veio aqui hoje.
— Jess.... – Sam segura ainda mais firme a mão de sua noiva.
— Eles vieram até aqui para saber! – esbraveja a mulher, puxando os dedos do aperto de Sam – Não tem razão para rodeios!
— Seja lá o que for vai ficar tudo bem. – Dean tenta intervir, mas sua frase apenas faz Jessica rir nasalado.
— Sim Dean, todo mundo já me disse isso. Você, Sam, os médicos, meus pais. Eu sei que vai ficar tudo bem! Que droga! Parem de me tratar como um pedaço de vidro!
Pego de surpresa, Dean se vira até seu irmão buscando algum tipo de auxílio, vendo-o dar de ombros.
— Houve algumas complicações no quadro da Jéssica. – prossegue Sam.
— Que complicações?
— Bem, num aspecto geral, Jess está saudável.... – nisso, a loira solta outra breve risada, esfregando de novo sua testa e cruzando os seus braços. Sam espera até que ela se aquiete de novo para continuar – Mas os médicos estavam analisando os últimos exames e acharam uma.... Uma falha.
— Pelo amor de Deus! – grita Jéssica, erguendo os braços no ar – Minha perna! Que droga Sam, é só falar que a minha perna está ferrada! Pare de enrolar!
— Eu não estava—
— A pele da droga da minha perna não se regenerou. – Jessica retoma as explicações enquanto Dean e Castiel a encaram atônitos e sem voz alguma – O incêndio causou danos nos tendões, nas juntas, nos músculos; não tem como consertar isso e meu corpo não consegue recuperar um tecido necrosado!
— N-necrosado? – Dean repete, piscando alguma vez.
— Necrosado, morto, que seja! A questão é que: minha perna é um grande pedaço de carne podre que não serve para mais nada e não é possível restaurar; de nenhuma maneira!
— Perguntamos sobre tratamentos de enxerto. – interrompe Sam – Mas os médicos disseram que a quantidade de tecido é muito grande e também sem as terminações nervosas seria complicado demais ter algum sucesso.
— Não tem mais nada a se fazer.. – bufa Jéssica, cruzando os braços outra vez – E eu já disse ao Sam, milhões de vezes, que está tudo bem!
— E-eu sei que está Jess, você é forte, vai superar isso.
— Superar o que?
Voltando-se ao seu irmão, Sam permite que seus olhos marejem um pouco, contudo, ele não admite que nenhuma lágrima escape – querendo ser a rocha onde Jéssica pode se escorar caso precise.
— O tecido morto pode causar problemas inflamatórios. Estão tratando com antibióticos e tudo o mais, mas é apenas uma solução paliativa. É preciso uma saída permanente.
— E qual é?
— Amputação.
Dean pensou, ah, não deve ser nada de mais e Sam está exagerando como sempre. Alguns meses no hospital, e Jéssica ficará bem. Mas daí, daí a cabeça dele começou a girar, mais e mais, feito uma manivela constante, projetando imagens tal como um filme antigo dentro de sua cabeça, sobre o tempo em que ele ainda estava conhecendo a futura esposa de seu irmão.
Jéssica gostava de correr.
Ela participa de maratonas quando tem tempo livre do trabalho, ou ainda, nos intervalos entre um plantão e outro ela ia até o parque onde podia dar uma volta de bicicleta, tendo a brisa esvoaçando a cabeleira dourada. E por aqueles instantes pedalando, era como se Jéssica pudesse voar.
Um espírito aventureiro e calmo, sem medo de abrir suas asas e enfrentar qualquer desafio que a vida lhe jogasse. Ainda assim parecia ser tão devastador imaginar que tarefas tão mundanas não poderiam ser feitas da mesma maneira.
Claro, uma prótese seria a primeira providência a ser tomada. Mas há tanto o mais envolvendo a situação toda. Perder uma parte de seu corpo, aguentar o trauma de ter de ir a uma mesa cirúrgica sabendo que um pedaço seu, que esteve presa ao seu corpo desde pequena – que se formou no ventre de sua mãe e nasceu com ela – seria cortada fora.... Por mais promissor que fosse o futuro de Jéssica, ainda assim parecia um tapa cruel do destino.
O que se diz, o que se deve fazer num momento delicado desses? Dean não fazia a menor ideia; tão pouco Sam.
Dean aprendeu desde cedo a trabalhar com suas mãos, a contar apenas com a sua força física para resolver problemas. Se, por ventura, ele não tivesse uma perna ou mesmo um punho, como ele teria lidado com os golpes da vida? Como ele teria cuidado de Sam? Como ele poderia ter visto um amigo em Castiel, quando ele mesmo se colocaria num ponto de auto-depreciação?
E Jéssica estava passando por toda essa cadeia de emoções numa única manhã? O prospecto de ter sua perna amputada em prol da sua saúde, de saber que irá sair daquele hospital direto para a reabilitação.
Realmente, o que se pode dizer a alguém numa hora dessas?
— Jess.... – Dean a chama, engolindo seco na busca por firmeza e segurança, querendo passar estas mesmas sensações à sua amiga – Não se preocupe. Vai dar tudo certo.
Numa expressão clara de raiva que contorcia o olhar meio de Jéssica para um de completa descrença, a loira fechou os punhos e os bateu com força na cama:
— É claro que vai!
Ela grita, fazendo Dean fechar sua boca enquanto Sam encarava sua noiva atônito. E Jéssica não parou por ali:
— Eu sei que vai, não preciso ouvir vocês falando a mesma coisa o tempo todo, olhando para mim como se eu fosse algum tipo de boneca frágil que não sabe das consequências! Não quero esses seus olhares de piedade porque, francamente, é só uma perna! Tem tanta gente no mundo com muito menos que eu! Que nem teria a chance de um tratamento e acabaria morrendo! Então parem; parem de me olhar com essas caras deprimidas e cabisbaixas, parem de me dizer o tempo todo que vai ficar tudo bem como se eu estivesse prestes a sucumbir, porque eu não vou! Não vou fazer isso! É só a droga de uma perna, só isso! Mais nada! E ela vai embora! Não preciso mais dela, chega de discussão!
Os irmãos não ousaram a interromper tão pouco quiseram a encarar. O ódio latente em Jéssica podia ser sentido em cada palavra, cada vez que ela se referia a sua perna “apenas” como um pedaço de carne qualquer. No fundo, eles sabiam que a explosão dos ânimos de Jess eram algo bom. Ao menos ela estava colocando todas as suas frustrações para fora. E se os dois eram os alvos da sua mágoa, que seja. Dean e Sam podiam ser esse suporte.
— Perna estúpida....
Murmurando, aloira voltou a cruzar seus braços ao voltar e encarar sua perna enfaixada debaixo do cobertor. Sam e Dean permaneciam quietos, e Jéssica cada vez mais afundava na raiva. Nenhum deles percebeu que Castiel ainda estava no quarto – o moreno havia ficado em silêncio até então. Ou ainda: nenhum deles notou que Cas havia andado até o lado de Jéssica, sentando-se na cama e, sem pedir permissão, a puxou para perto de si, abraçando a mulher com toda a sua força, a engalfinhando num círculo quente contra seu peito, deitando a cabeça de Jéssica em seu ombro.
— Tudo bem se você quiser chorar. – disse em tom baixo.
A faceta cobrindo as feições de Jéssica escorreram feito a areia caindo duma ampulheta, fazendo o tempo andar de novo, fazendo com que a verdade nua e crua pesasse no quarto mais do que a gravidade.
Nos olhos de Castiel havia compreensão, havia medo também, no entanto, aceitação de que ás vezes, não importa o quão destemida você é, a vida irá te dar um golpe violento, e tudo bem se você cair.
Negue o quanto quiser. Diga que não se importa, e ainda assim o resultado será o mesmo: Jéssica ainda teria de entrar numa sala cirúrgica e perder uma parte sua.
Tudo bem chorar, tudo bem despencar num poço de tristeza. Porque nem Dean, Sam ou mesmo Castiel a julgariam por isso. Jess pode ser forte depois, na reabilitação, no dia em que precisará usar cadeira de rodas, ou mesmo muletas. Ela já é uma guerreira agora, então é, no meio do conforto do abraço de Castiel, Jéssica deixou as lágrimas ardendo dentro dos olhos, enfim, caírem.
Respirando fundo o mais forte que podia ela abriu bem sua boca e, a encaixando no ombro de Castiel, soltou um longo grito, abafado pela pele do moreno.
Sam queria, mais do que tudo, colocar Jéssica debaixo de seus braços e a proteger, porém conteve-se, vendo que sua noiva apertava as mãos cada vez mais na blusa de Castiel, como se fosse rasgar o tecido a qualquer minuto.
Na frente de Castiel, pasmo, Dean o encarava sem entender o que havia acontecido. Como em um simples gesto e palavras Castiel conseguiu fazer Jéssica se abrir dessa maneira descomedida. Mais ainda, Dean não conseguia parar de pensar no quão incrível Castiel é; quase um anjo da guarda, velando pela sua amiga e a protegendo dos seus próprios medos.
Foram bons cinco minutos de choro. Jéssica soluçava e apertava Castiel sem parar. O moreno nada dizia, afagando docemente as costas da amiga e a deixando ensopar sua camisa com as gotas salgadas escorrendo por suas bochechas. Quando Jess deu uma longa fungada, parando de tremer um pouco, Castiel voltou seu olhar na direção de Sam, apertando os lábios numa fina linha. Meneando devagar a cabaça, Sam prontamente ficou de pé, ajudando Castiel a se desembaraçar das mãos de Jéssica conforme Sam tomava o lugar dele no abraço com sua noiva.
Bastou os ombros largos de Sam se aninharem ao redor do corpo de Jéssica e a loiro entranhou seus dedos na camisa dele.
— Shh….
Sam suspirou, massageando os longos cabelos de Jess. Ela lacrimejou mais algumas vezes, ainda soluçando baixinho, e Dean escolheu essa hora para sair do quarto junto de Castiel, deixando que os dois tivessem esse momento à sós.
Chegando até a cafeteria sem nem saber quando o fizeram, Dean sentou junto de Castiel numa mesa afastada, assoprando o café que bebericava aos poucos. Sam os chamariam assim que tivesse terminado de consolar Jéssica, então ele aquietou-se por hora.
De soslaio, o loiro encarou seu namorado e a calma com a qual ele bebia seu chá, incapaz de segurar o sorriso que queria mostrar ao moreno desde o quarto de Jéssica. Esticando o braço, Dean o envolve nos ombros de Castiel o trazendo para perto de si:
— Você é incrível, sabia? – falou ao menor, que retribuiu o sorriso de Dean.
— Apenas senti que Jéssica precisava de um tipo diferente de alento.
— Que bom que percebeu isso, porque eu não tinha a menor ideia do que fazer. Nem Sam.
— É comum ficar se prendendo a uma ideia de força, poder, achar que nada a sua volta vai mudar e que o problema é menor do que parece. Jéssica não podia continuar negando a verdade, e para isso ela precisa passar por tudo: a tristeza, o ódio; extravasar até que se sinta melhor e..... Eu estou tagarelando de novo, não é?
Dean riu baixinho, cingindo o ombro de Castiel de novo:
— Um pouco, mas eu gosto de te ouvir explicando as coisas.
— Hm, vou me lembrar disso quando estivermos assistindo documentários.
— Oh, não. Eu ‘tô ferrado.
Dando um leve soco no braço de Dean, Castiel balançou a cabeça e terminou sua bebida quando o celular do loiro tocou:
— Mensagem do Sam. – explicou, rolando a tele do aparelho – Ele disse que está tudo bem, mas que a Jess quer ficar sozinha com ele, conversar e essas coisas.
— Que bom. Ela está disposta a discutir a cirurgia e suas complicações.
— É.... Só espero que o pé-grande se lembre de me avisar.
— Ou você pode telefonar mais tarde.
— Ou isso. – sorriu, apanhando os copos de cima da mesa e os jogando dentro da lixeira – Mas agora não adianta nada ficarmos parados aqui. Jess ‘tá em boas mãos e só precisa de um tempo, então vamos para casa.
Ao começar a andar até a saída, porém, Dean parece refletir na sua própria afirmação. Casa.
Há dois anos, sua casa foi junto de Lisa e Ben. Antes disso ele ainda vivia com Sam antes dele se mudar definitivamente com Jéssica e o aluguel ficar caro demais para uma só pessoa. Quer dizer, Dean é capaz de viver sozinho, mas parando para pensar agora ele nunca viveu de fato sozinho. Fosse com seus pais, Sam, Lisa.... E agora havia Castiel.
O pior de tudo é que ele nem ao menos perguntou ao moreno se eles....
Confuso com a parada abrupta de Dean que quase fez Castiel acertá-lo nas costas com o nariz, o moreno arqueou uma sobrancelha, virando-se para encarar o maior:
— Algum problema Dean?
Indaga, percebendo que o loiro tremeu a cabeça surpreso, como se tivesse esquecido da presença de Castiel ao seu lado. Pigarreando, Dean Levou a mão até sua nuca a coçando:
— Quer dizer, eu.... Sei que não conversamos à respeito, mas eu fiquei um mês no seu apartamento e, bom, com tudo o que aconteceu eu não pude evitar de pensar nele como minha casa e....
— Dean. – Castiel o faz cessar sua fala ao pressionar dois dedos sobre o lábio do maior – Meu apartamento é tanto sua casa como a minha.
— Tem certeza? Nós estamos namorando por uh, dois dias? Isso ‘tá certo?
— Tecnicamente um dia. – brinca Castiel – Contudo, conheço você com a palma da minha mão, Dean. Não somos estranhos que se conheceram há pouco tempo. E se vamos ter um relacionamento, não quero que ele seja pela metade.
— Wow, então já vamos pular ‘pro estágio do “morando juntos”?
— Se você assim quiser.
— Quero. Com certeza eu quero, Cas.
Para afirmar ainda mais sua decisão, Dean plantou um forte beijo contra os lábios do moreno.
A noite de domingo chegou depressa – mais do que eles queriam admitir – e, como todo o castigo dos finais de semana, amanhã ambos precisavam trabalhar cedo.
A rotina no apartamento de Castiel (correção, no apartamento de Dean e Castiel) pareceu não mudar muito. Cada um já sabia das manias, da ordem que gostavam de fazer coisas dentro de casa. Como por exemplo, Dean sempre ia por último no banheiro, porque ele demorava mais, além de ser o cozinheiro oficial e acabar precisando tirar o cheiro de óleo do corpo. Quintas-feiras eram os dias sagrados em que se sentavam para assistir ao seriado do Dr. Sexy.
Castiel não gostava de deixar copos soltos pela mesa da sala, preferindo deixar uma lixeira perto dela onde descartavam as garrafas de cerveja. Quarta e sexta feira eram os dias de lavar e passar roupas, bem como as tardes em que Castiel podia sair mais cedo do escritório e cuidar dessas tarefas.
Se Dean parasse para pensar eles já tinham se entranhado nessa rotina doméstica há muito tempo. Então, é, foi fácil aceitar morar junto de Castiel tão cedo.
Claro, dezessete anos de amizade contribuíam.
— Sua pipoca, alteza.
Estendendo o pote à Castiel, Dean brinca usando uma voz exageradamente pomposa, curvando seu tronco e o reverenciando.
— Oh, não sabia que possuía um título de nobreza.
— Hm, só quando eu quero tomar proveito de algo. – respondeu o loiro, piscando e se aconchegando ao lado de seu namorado no sofá.
— Sam deu notícias? – perguntou Castiel, começando a afagar o cabelo arrepiado de Dean.
— É, ele ligou, disse que a Jess está bem mais tranquila e que amanhã podemos a visitar. Ela também pediu desculpas e mandou um “muito obrigada” à você por tê-la feito acordar.
— Estou feliz de tê-la ajudado.
— Também fico feliz, Cas.
Absorvendo-se no programa que Castiel estava assistindo, Dean quase cochilou ali mesmo nos braços do moreno, quando se lembrou de uma importante discussão que precisavam ter:
— Cas, tenho que te falar umas coisas, sobre eu morar aqui.
Abaixando o volume da televisão, Castiel se virou ao loiro, indicando para que continuasse:
— Se vamos fazer isso dar certo então vamos dividir as despesas. Condomínio, compras, luz, água, tudo. Não vou ficar encostado. E vamos ver quais tarefas ficam melhor para cada um e..... Qual é a desse risinho Cas?!
Castiel, por alguma estranha razão, sentiu vontade de rir. Não do que Dean falara, mas sim de toda a situação:
— Quem diria que você é tão caseiro, uh Dean?
— Urgh, cala a boca! – rindo ainda mais, Castiel o trouxe a um rápido estalar de lábios.
— É claro que vamos dividir Dean. Estamos juntos, essa será minha casa tanto quanto a sua e quero que você fique confortável nela.
— Ótimo. – replicou, voltando ao seu lugar aninhado ao lado de Castiel, onde podia encostar o nariz no ombro do menor e respirar fundo o perfume dele.
O volume do programa voltou a ficar alto, com mais alguns minutos passando antes de Dean fazer um novo comentário. Ele só não podia evitar. Castiel acabara de sair do banho, cheirando a sabonete e lavanda, com a pele quente e tenra.... Seu corpo inteiro clamava por Castiel como se ele fosse uma droga – e convenhamos, no caso de Dean Winchester os toques do moreno são mesmo intoxicantes.
—.... Cas? – ele o chama numa voz aveludada.
— Sim?
— Quero muito te foder agora.
As pupilas do moreno se arregalaram ao se encherem com a cor negra de desejo. Castiel virou-se a Dean e apanhou o lábio inferior por entre os dentes. Suas mãos foram parar na cintura do loiro, a apertando:
— Também quero, mas eu ainda....
— Precisa de um tempo ‘pra se recuperar do incrível, estupendo e maravilhoso sexo com seu namorado?
Castiel revira os olhos e belisca a barriga de Dean:
— Algo como isso.
— Okay, há outras maneiras de abusar de você.
Dito e feito, Dean não perdeu tempo ao se postar de joelhos na frente do moreno, segurando as laterais de sua calça de moletom cinza e a arrastando devagar para baixo. Os lábios de Castiel estavam sobre os dele ao mesmo tempo, lambendo o interior da boca de Dean, segurando sua face por entre as mãos, sentindo seu membro pouco a pouco estufar com o sangue bombeando até ele.
Deus, a boca de Castiel era sempre deliciosa. Mais ainda, Dean pode sentir com clareza toda a maciez de sua pele ao soltar-se do ósculo e deslizar a língua para baixo em seu pescoço, mordiscando a clavícula, beijando o abdômen, e enfim parando sobre a glande do moreno, lhe dando um gentil chupão.
— Ah!
Castiel gemeu, entranhando os dedos da mão direita nos cabelos do loiro, enquanto a outra passou a segurar a almofada do sofá. O seu volume ficara inteiramente ereto, e tudo o que Dean precisava fazer era o colocar em sua boca.
Não, ele não tinha feito isso com outros caras antes de Castiel, mas digamos que ele seja um aprendiz ávido.
Primeiro, a língua de Dean passeou pelas laterais da carne, saltando por cima das penas ondulações das veias. Logo, ao escutar a respiração entrecortada do moreno, os lábios de Dean se partiram, arrastando-se para cima e para baixo nos lados do membro, passando os dentes numa moderada pressão.
— Dean....
O bafo quente de Castiel saiu com o nome do namorado da garganta. Seu peito levantava e abaixava, e Dean entranhou a mão livre por debaixo da blusa do moreno, massageando levemente um dos seus mamilos. Isso arrancou outro gemido do menor.
— Tão sensível.
Sussurrou Dean com um tom lascivo, largando o volume de Castiel e começando a encaixá-lo dentro de sua boca, pouco a pouco, como já havia aprendido. Parando na metade, ele pode ver como o moreno havia jogado a cabeça para trás do sofá, contorcendo os dedos sobre o seu cabelo cor de areia, enquanto as pernas moviam-se em espasmos.
Encorajado, Dean fechou seus olhos e começou a aproveitar o sabor de Castiel, o peso do falo cheio em sua boca, como a língua escorregava com facilidade ao redor dele e a saliva escorria pelos cantinhos dos lábios, indo até seu queixo. Castiel ficava uma bagunça completa sempre que Dean o chupava dessa maneira. Tão atencioso, firme e devagar para então aumentar a velocidade repentinamente e acabar com todas as suas palavras, que se tornam grunhidos incoerentes de prazer.
A cabeça do loiro subia e descia, e cada vez que ele enfiava mais do membro de Castiel para dentro ele ousava tentar ir mais fundo – até sentir a ponta bater no fundo da garganta e quase se engasgar, tornando as sugadas amenas. Paciência. Um pouco mais de treino e ele com certeza iria conseguir colocar a carne inteira do falo em sua boca.
Ah, e ele veria Castiel se desfazer numa poça de deleite debaixo dele.
Por enquanto, Dean se contentava em chupá-lo num mesmo ritmo, brincando com o mamilo ainda, e sua outra mão apertava de leve as duas protuberâncias redondas e tenras do moreno.
— Ngh... Mmmm... D-Dean.... Eu estou quase!
— Mmmmm! — murmurando a resposta, Dean sentiu suas bochechas afundarem conforme sorvia com mais vontade, até que um longo espasmo de Castiel o avisou que ele havia chegado no seu limite.
O grito ecoante de Castiel vazou pelos cantos do apartamento. Respirando fundo, Dean deixou cada gota do líquido do gozo do moreno escorrer pela sua garganta, adorando o sabor que o preenchia.
Soltando o falo semi-rijo de Cas, Dean limpou os cantos da boca, subindo devagar pelo meio das pernas do moreno, parando no colo dele com as pernas encaixadas em cada lado.
Na respiração fraca, Castiel encontrou forças apenas para deitar sua testa no peito de Dean, permitindo que o maior afagasse seu cabelo escuro, o colocando num estado ainda mais letárgico.
— Isso vai te fazer dormir a noite inteira, não é? – brincou Dean, ouvindo um grunhido em concordância.
—.... Nada melhor para começar uma segunda feira. – comentou o moreno, fazendo Dean rir.
— Ah, nem me lembre. Melhor irmos dormir, já passa da meia noite.
— Hmm, tem algo que eu quero antes de dormir.
Apanhando o membro de Dean duma só vez, Castiel mexeu a palma para cima e para baixo ainda prendendo o falo dentro do pijama do loiro. Apertando os lábios, Dean concordou de imediato com os planos do moreno, levantando-se depressa e andando até a cama. Caindo duma só vez no colchão, o par de loucos enamorados continuou as carícias do sofá, beijando-se e explorando os corpos desnudos com mãos e bocas.
Dean não queria pensar em viver nem mais um segundo longe de Castiel e, ah! Ainda bem que ele não mais precisava se preocupar com isso.
(...)
Tarde de segunda-feira, o momento mais estressante do dia, onde não se está perto da hora de voltar para casa, nem tão longe assim a ponto de te fazer esquecer do trabalho.
Alfie andou depressa para fora do prédio da sua empresa e caminhou até o outro lado da rua, onde poderia comprar todos os pedidos que lhe fizeram. Sério, quando ele avisar que está indo até a cafeteria apanhar o café da tarde do seu chefe ele vai ficar calado. Não só Castiel, como também Balthazar, Kevin e pelo menos mais quatro pessoas fizeram pedidos. Ele até pensou em dar a tarefa à Kevin, mas o estagiário já tinha as mãos cheias de serviço.
Suspirando, Alfie entrou na fila e aceitou seu destino: de assistente administrativo reduzido a garoto do café. Ao menos faltavam só mais duas horas até o final do expediente. Vir até a cafeteria lhe dava uma desculpa para não ter de se enfurnar em mais serviço.
A fila estava moderadamente rápida, e Alfie aproveitou para revisar os pedidos: seis cafés com creme, dois cappuccinos, um café expresso, cinco croissants, dois bolos de chocolate e três pacotes grandes de pão de queijo.
— Você não é amigo do Castiel?
A voz veio atrás dele e, Alfie estava tão absorvido pelo papel em sua mão que não notou que alguém estava atrás dele na fila. Virando-se depressa ele se depara com um par de olhos claro o encarando.
— B-Benny?! – diz, quase se engasgando no nome, o que fez o maior soltar uma breve risada.
— Vejo que se lembra de mim.
— Ah! Claro! – exclamou, querendo esquecer que suas bochechas estavam vermelhas – Você é amigos do Dean, foi até a comemoração ontem.
— E você é amigo do Castiel. Samandriel, ou, Alfie.
— Oh.... V-Você também lembrou.... – murmurou o garoto, sentindo a face esquentar ainda mais.
— Tenho boa memória. – comentou dando de ombros – Veio fazer a pausa do lanche?
— Bom, isso e outras coisas. O Cas-er... Senhor Castiel me pediu para lhe trazer algo.
—Hm, você é assistente dele?
— Dele e de mais um tradutor.
— Wow, deve ser um trabalho exaustivo.
— Não tanto quanto consertar carros o dia inteiro.
— Nah, isso é moleza comparado a quantidade de leitura que vocês devem fazer.
Alfie riu, mesmo que não houvesse nenhum tom de piada entre eles. Por alguma razão ele só quis concordar com Benny, sorrindo das palavras dele. Tossindo de leve, o garoto queria conversar mais um pouco com o maior quando percebeu já ser a sua vez na fila.
Bufando, ele se virou a atendente e fez todos os pedidos, confirmando com ela um por um e levando pelo menos dez minutos só nisso.
Ao ir esperar no balcão do lado, Alfie acenou a Benny, que retribuiu e começou a ser atendido pela caixa.
Esperando sozinho pelos litros e mais litros de café ficarem prontos, Alfie batia os dedos no balcão, já entediado.
— Nossa, o Castiel come tanto assim mesmo?
Benny para ao lado do garoto, apoiando os cotovelos no balcão e se envergando para frente. Ele parecia.... Grande – ainda mais – quando fazia isso. Alfie só conseguiu sentir-se ainda mais pequeno ao lado do brutamontes, incapaz de não olhar o volume dos músculos nos braços de Benny.
Arregalando os olhos, Alfie desvencilhou-se dessa visão sentindo-se envergonhado – ainda sem saber o porquê – e só então lembrou-se da pergunta de Benny:
— Ah, não! Eu disse que ia até a cafeteria e, bom, imagina um escritório cheio de pessoas o dia inteiro? A cafeína é um mal necessário.
Benny deu uma alta e breve risada (e aquele som ficou ecoando nos ouvidos de Alfie por um bom tempo ainda).
— Entendo perfeitamente. Na oficina é quase a mesma coisa. Café, nossa droga necessária.
Retribuindo o bom humor do maior, Alfie também riu, passando a falar de pequenos tópicos com Benny, até ouvir seu nome e o dele serem chamados pela atendente. Ao ver a pilha de lanches na sua frente, Alfie arregalou os olhos, sem saber por onde começar a segurar tantas sacolas e suportes de café.
— Quer ajuda com isso? – oferece Benny, e no ato Alfie fica ainda mais constrangido.
— N-não, imagina! Você não precisa!
— Eu sei, por isso ofereci.
Abrindo e fechando a boca, Alfie meneou a cabeça devagar em silêncio, ouvindo Benny rir outra vez. Ele estava tendo um dia tão bom assim ou tinha apenas o riso frouxo? De qualquer forma, o escritório ficava do outro lado da rua, seria rápido.
Até pisarem na recepção do prédio, Alfie e Benny apenas andaram lado a lado, com o garoto procurando por algo que pudesse entreter o maior, afinal, a gentileza dele não podia passar em branco.
Aparentemente a cabeça de Alfie estava vazia.
— Tudo entregue.
Benny falou, ajudando Alfie a equilibrar os suportes de café e sacolas e o encaminhar até o elevador.
— O-obrigado! Não precisava—
— Tudo bem, mesmo.
Apertando os lábios, Alfie concordou devagar com a cabeça deixando um silêncio se instalar sobre ele. Ainda parecia que ele precisava fazer algo mais.... O sinal do elevador o fez sair do mar de pensamentos, e logo Benny acenava a ele despedindo-se.
— Cuidado com essas sacolas. Nos vemos por aí garoto.
— A-ah! Amanhã!
Franzindo o cenho, Benny encara o garoto confuso com o que ele queria dizer, esperando Alfie engolir seco e se recompor:
— Quero dizer, gostaria de pagar um café amanhã, para te agradecer.
— Não precisa.
— Eu sei. Mas estou oferecendo.
Surpreso, Benny deixou uma nova risada escapar:
— Okay garoto. Amanhã, nessa mesma hora. É um encontro.
Acenando de novo, Benny se afastou de Alfie deixando o garoto animado. Ao menos ele poderia retribuir a gentileza do maior e não parecer um aproveitador qualquer e....
Espera. Benny disse encontro?!
Continua
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