Sem Compromissos

24 Capítulo 24 - Vantagens de ser um bom menino (parte 01)


Notas iniciais
Ei, ei ei!!!! eu finalmente consegui escrever esse troço! hahahaha Eu juro que ia rolar le sexy time nesse cap, mas ele tava com 6k já, daí eu resolvi dividir e, quem sabe, postar mais um nesse fds?!?!?! Espero que ainda tenha os meus queridos leitores aqui!!! EU TENHO SIDO MÁ COM OS LEITORES E QUASE N PARO P RESPONDER, MAS VOU TENTAR NESSE FDS< PROMETOOOOO!!!!!! Kissus e boa leitura!!!

Capítulo 24 — Vantagens de ser um bom menino (parte 01)

Calma. Tenha calma Já eram quase quatro da tarde, mas isso não era motivo algum para se alarmar, de maneira alguma. Alfie só precisava ficar relaxado. Que mal há em sair no horário do café, como de costume, ir até o outro lado da rua, como de costume, comprar seu café, como de costume e.... Encontrar-se com Benny.

Okay, aquela era a parte o preocupando, mas no fundo Alfie não entendia o porquê. Com certeza tudo não passou de um comentário tolo, uma brincadeira suave feita pelo mais velho sobre o.... O.... O encontro deles hoje à tarde.

Grunhindo em frustração, Alfie desce a cabeça, batendo a testa na pilha de papéis empilhadas na sua frente.

Porque ele estava tão incomodado? Se bem que, de verdade, ele não sentia incômodo algum em sair com Benny. Era mais como uma sensação de formigamento no estômago, um frio na espinha, mãos suadas e coração palpitando sem parar....

Ele estava nervoso.

— Você vai afundar nessa cadeira e criar um buraco negro debaixo dela.

Assustado, Alfie respira fundo e se depara com Kevin, apoiado sobre a sua baia do escritório com um meio sorriso no rosto.

— Urgh, estou tão mal assim? – pergunta o garoto.

— Como um cão que precisa urgentemente de um biscoito.

Soltando uma risada, Kevin cruza os braços e continua:

— Qual é o nome dela?

— Uh?!

— A garota que te deixou com essa cara de cão arrependido.

— Er.... Não tem garota nenhuma.

— Sei.... Primeiro encontro?

Alfie fechou e abriu a boca sem saber ao certo o que dizer. Parte sua tinha dúvidas sobre o que Benny dissera, enquanto outra o alertava que nada passou de uma mera brincadeira.

— Uh, acho que sim. N-não sei ao certo.... – gagueja o garoto e, dessa vez, Kevin nada disse, colocando a mão sobre o ombro do amigo.

— Relaxa. Quando comecei a sair com minha namorada foi assim também. Acontece com todo mundo.

—.... Mesmo?

— Mesmo. Então fica frio, okay? Não é como se você já fosse apresentar ela aos seus pais!

Kevin riu. Alfie não soube ao certo como corrigir as palavras do amigo, dando ele mesmo uma breve risada, vendo-o ir embora com o carrinho de entregas pelo escritório. Respirando aliviado, Alfie voltou a se afundar na cadeira, esfregando uma mão sobre o rosto e a apoiando sobre o queixo.

As pessoas presumem a mesma coisa sempre: um homem na situação dele estaria, é claro, suspirando pelos cantos por causa de alguma garota.

O que será que eles pensariam se soubessem que se tratava de outro homem?

Com quinze anos, Alfie percebeu que não gostava tanto assim de garotas quanto de garotos. Talvez isso contribuiu para o seu pequeno isolamento. Seus pais sabiam, claro, mas era um assunto evitado a todo custo. Desde que ele não aparecesse com ninguém em casa – diga-se, outro homem – tudo estava bem, e podiam fingir que a vida continuava “normal”.

Agora que estava no final da faculdade de administração, morando sozinho pela primeira vez aos vinte e três anos, Alfie tinha certa liberdade. Ninguém ficava apontando o dedo na sua cara, muito menos queriam se meter na sua vida.

No entanto, lembranças são difíceis de serem deixadas de lado. Medos antigos continuam a atormentá-lo a noite, e a sua própria insegurança é seu maior inimigo.

Como ficar se perguntando no meio da tarde se Benny realmente quis o chamar a um encontro ou não.

Desde a adolescência, ou mesmo na infância, Alfie nunca foi o primeiro a ser escolhido para nada na escola, a ir no cinema com os poucos amigos que tinha, muito menos a sair em encontros. Ele nem ao menos sabe da onde veio a coragem para oferecer um café a Benny. Pensou estar sendo educado apenas, mas a ideia de que estaria saindo com um homem mais velho o deixava.... Inquieto.... Inseguro.

Seu celular tocou no meio das suas indagações o alertando sobre o horário. Quatro da tarde. Estava na hora de sair até a cafeteria.

Engolindo seco, Alfie deixou seu aviso de intervalo sobre a mesa, pegando o elevador o mais depressa que conseguia. A música instrumental e baixa que o acompanhou dos autofalantes do elevador por todos os vinte andares parecia uma lembrança constante do que estava prestas a acontecer.

A porta se abriu. O hall da empresa à sua frente parecia maior, mais iluminado. Quem ficou na sua frente saiu depressa do elevador, enquanto Alfie precisou de mais alguns segundos antes de pisar no lado de fora.

Esperando o sinal ficar vermelho para atravessar a rua, Alfie começou a se olhar pelos espelhos dos vidros da cidade enquanto ficava lá de pé. Sua blusa era boa o bastante? Uma camisa social branca com listras azuis simples, calça jeans e sapatos fechados. O cabelo.... Bem, o cabelo estava no lugar. Será que deveria o bagunçar um pouco?

O sinal abre, e não há tempo para mais nada. Apressado, Alfie corre por entre os perdestes e atravessa em poucos segundos as portas da cafeteria.

Nessa hora do dia os empresários, assistentes, vendedores, acionistas e todas as outras muitas profissões dos ternos engomados daquela rua se juntam para o horário do café da tarde. Pelo menos cinco pessoas estão na frente de Alfie, e tudo o que ele precisa é esse tempo para tentar se acalmar.

Quatro e quinze, Alfie segurava uma pequena bandeja com dois cafés quentes nos copos de isopor. Sentou-se numa mesa longe o bastante da entrada para não ter pessoas passando perto dele, mas com uma visão da porta para que Benny o visse ao chegar.

E quando ele chegasse.... Quando ele chegasse o que Alfie faria? Um cumprimento simples? Se levantaria para apertar sua mão? Seria melhor ficar sentado, deixar tudo bem formal?

Céus! Aquilo estava beirando ao ridículo.

O relógio bateu Quatro e vinte da tarde e Alfie continuava com essas aflições sem respostas, esperando por Benny que, até então, não tinha aparecido. Ele nem ao menos tinha o telefone do mais velho para tentar mandar uma mensagem, saber se algo havia acontecido. E por Deus! Porque incomodava tanto saber que havia sido deixado de lado?!

Amigos às vezes se atrasam, ou tem algum problema que os faz cancelar de última hora. A questão é que, no fundo, Alfie só conseguia pensar mais e mais naquilo como um encontro. Devia ter pego o telefone dele ontem, assim não ficaria tão apreensivo, tão nervoso e—

—Ei.

Num rápido movimento, Alfie ergue sua cabeça da mesa e se depara com Benny, sorrindo enviesado com as mãos nos bolsos de sua calça.

— E-ei!

— Desculpe pela demora. – diz ele, puxando a cadeira e se sentando.

— Que? N-não, você não está— Eu acabei de chegar. – mente o garoto querendo evitar um constrangimento.

— Hm, certo.

— Eu fiz o seu pedido. Espero que ainda esteja quente.

— Obrigado.

— Ah, não foi nada.

Apanhando seu copo de café, Benny o leva à sua boca, dando tempo a Alfie de analisa-lo. A calça jeans parecia ser a mesma do seu trabalho, o entanto, comparado as manchas de graxa que havia em sua camisa ontem, Benny com certeza trocou de roupa antes de vir até a cafeteria hoje.

Naquele ponto Alfie sentiu-se mais como um maníaco do que outra coisa. Desde quando ele presta atenção na roupa das pessoas?! Aparentemente, desde que ficou interessado em homens mais velhos.

Mudando esse curso perigoso de pensamentos, Alfie concentrou-se num fato importante: o cuidado de Benny com sua aparência só poderia dizer que aquilo era um encontro.

Bingo! A dúvida estava respondida!

Suspirando baixinho em alívio, Alfie tomou do seu próprio café, vendo Benny depositar seu copo na mesa:

— Às vezes é bom esticar as pernas do trabalho. – comenta o mais velho — Fico tempo demais naquela oficina.

— Eu entendo. No escritório é a mesma coisa. – responde Alfie.

— Você ainda estuda, não é? — Benny apoia uma das mãos sobre seu rosto, descansando o peso sobre a palma e chegando o tronco para frente.

A desenvoltura dele faz Alfie sentir-se um pouco menos idiota, dizendo:

— Ah. Sim.... Termino a faculdade no meio do ano que vem.

— Já? Há quanto tempo estuda?

— Quatro anos. Passou mais rápido do que pensei.

— O tempo de todo mundo passa rápido demais. Mas é sempre bom. Estudar, eu digo.

— Você fez faculdade?

Benny sorri, ainda com a mão apoiada sobre seu rosto:

— Nunca tive muito tempo para os estudos. – replica – Sempre precisei trabalhar com alguma coisa.

— Mas você teve o ensino médio para se divertir, aposto.

— Hmm, não muito. Fazia bicos, trabalhos de meio período, qualquer coisa que pudesse me dar algum dinheiro.

— Ah, entendo.

— Mas isso não quer dizer que não goste do que faço.

— E-eu também! Quer dizer, e gosto de estudar e trabalhar na área que escolhi.

— Não há nada melhor.

Ótimo. Agora eles iam começar a se encarar por um longo silêncio constrangedor com nada mais do que uma conversa sobre carreiras e trabalho. Alfie começa a arrastar um dedo na borda de seu copo, procurando em sua mente algum tópico interessante para cortar o momento de tensão.

— Éramos só eu e minha mãe, sabe?

Benny, após refletir um bocado, fala de uma só vez, tomando mais um gole de seu café.

— Oh. – é a única palavra saindo da boca de Alfie, até ele tossir de leve – Deve ter sido difícil, digo, só vocês dois.

— Um pouco, mas nos virávamos.

— Com seus empregos?

— E os dele. Mamãe sempre trabalhou em mais de um lugar, guardando dinheiro para me mandar à faculdade.

— Mas você disse que não....

— Ela ficou doente no final do meu ensino médio. – diz cabisbaixo, e Alfie perde a voz por um tempo.

—.... Sinto muito. E-eu não sabia. – o garoto tremula.

— Tudo bem. Foi há muito tempo.

Dali em diante Alfie decidiu falar sobre suas matérias finais na faculdade, o que parecia agradar a Benny – ou ele era no mínimo educado para não o interromper.

A conversa andava de uma forma tão natural e simples. Alfie sabia que vez ou outra, suas bochechas coravam ao se pegar tempo demais encarando as covinhas ao lado da boca de Benny, mas nem assim ele sentiu-se sem graça. De todas as suas experiências passadas, esse com toda a certeza era seu melhor encontro.

Benny facilitava, e muito, essa pequena confiança crescente no garoto. Ele só tinha tamanho, pois esbanjava educação, amabilidade, carisma. Sério, onde estavam os homens iguais a Benny nesse mundo? Precisavam fabricar mais pessoas assim.

A hora passou de tal maneira que Alfie nem se deu conta. Cinco e dez da tarde, e seu intervalo havia terminado há muito tempo atrás, contudo a chance de passar mais um minuto junto de Benny valia à pena a futura bronca de seu chefe.

Os dois saíram lado a lado da cafeteria, parando pouco antes da travessia de pedestres. Naquela hora o comum silêncio constrangedor da despedida se instalou sobre eles. Pondo as mãos nos bolsos, Alfie pigarreou, olhando para os lados:

— Melhor eu voltar antes que o expediente acabe. – ele fala

— O mesmo. Obrigado pelo café. Ah, as covinhas do sorriso de Benny deviam ser mesmo proibidas, pensa o menor.

— N-não tem de que. Obrigado pelo.... Por ter vindo.

— Ei, nós combinamos, não é mesmo?

— S-sim, é que eu só.... Não estou acostumado a sair muito.... Com alguém, sabe?

— Como assim? Você sai com seus amigos não é?

— Uh?

Alfie ficou parado, boca entreaberta e nada, nenhum som saía dali. Sua face ficou vermelha no mesmo instante, e ele só queria encontrar um lugar para se esconder, sumir dessa vergonha. Porque todas as suas dúvidas de antes foram respondidas naquela única frase.

Não era um encontro, nunca foi um encontro, apenas uma brincadeira da parte de Benny, e ele havia estragado tudo por ficar pensando demais em algo sem importância alguma; por ficar criando pequenas esperanças, uma atrás da outra sem ter nada esclarecido.

Parecia algo tolo, mas por alguma estranha razão Benny se viu preso aos olhos azuis claros de Alfie, a sua apreensão e nervosismos que explodiam do corpo franzino do garoto à sua frente.

A face risonha de Benny se desfez na mesma hora ao notar as nuances no garoto. Ele ficara imóvel, sem graça, e tão, tão apreensivo que ele podia jurar conseguir ouvir as batidas rápidas do coração dele. Benny podia não ser o homem mais sensível do mundo, mas até mesmo ele conseguiu compreender o que estava acontecendo.

— Alfie.... – Benny o chama numa voz baixa, franzindo seu cenho – Por um acaso você achou que isso fosse um encontro?

Abrindo ainda mais seus olhos, Alfie engoliu seco sabendo que suas bochechas haviam ganhado uma coloração ainda mais rubra do que antes.

— E-eu tenho que ir!

— Alfie, espera!

Benny o chama, mas já não dava tempo de segui-lo. O garoto atravessou a rua o mais depressa que conseguiu, com o sinal fechando logo atrás dele, dando a vantagem do tráfego intenso a Alfie.

Atravessar as portas da empresa nunca lhe pareceu algo tão seguro como agora.

(...)

Foi um choque inicial grande, um baque surdo no peito que jogou todos para trás, no entanto, Sam e principalmente Jéssica começaram a se adequar a ideia futura de que Jess teria um pedaço seu cortado fora.

— Sam disse que a cirurgia vai ser marcada depois dos exames nessa semana.

Dean fala, desligando o celular e indo até a sala onde seu namorado estava, sentado no sofá com um punhado de pipoca em seu colo.

— Como eles estão lidando com isso? – indaga Castiel, vendo Dean dar de ombros.

— Melhor que antes, mas ainda no mesmo clima ‘pra baixo. – se ajeitando no sofá ao lado do moreno, Dean apanha o controle remoto com uma das mãos enquanto a outra avança no pote de pipoca.

— Eles vão ficar bem. – afirma Castiel – Eles têm um ao outro e nosso suporte também.

— É claro que eles vão, aqueles dois são o casal mais grudento que existe. Ia precisar muito mais do que uma perna amputada ‘pra separar eles.

Castiel concorda com a cabeça, achando graça em silêncio de como Dean consegue ofender e elogiar seu irmão ao mesmo tempo. São raros os seus momentos... Água com açúcar como ele mesmo diria. O pensamento faz Castiel sorrir de leve, ajeitando-se no sofá para ficar mais perto de Dean. O loiro não perde a chance, erguendo o braço acima do sofá e enlaça os ombros de Castiel para encaixar o moreno debaixo dele.

Engraçado como eles já agiam sem nem ao menos pensar no que faziam. O corpo de Dean movia-se de acordo com o de Cas, lhe dando um beijo nas manhãs ao se levantarem para o trabalho, ou abraçando a cintura de Castiel nas manhãs de fim de semana e não o deixando sair cedo do calor do cobertor. Ou como na cozinha eles andavam um ao redor do outro sem se esbarrar nem atrapalhar nada.

Falando assim eles pareciam um casal tão velho, quando na verdade o namoro tinha suas poucas duas semanas.

Nisso, Castiel se recorda de uma notícia um tanto quanto perturbadora:

— Isso me lembra, no próximo fim de semana teremos um evento de gala na empresa.

— Hm. – murmura Dean sem desgrudar os olhos da tv (em sua defesa o episódio de Dr. Sexy estava intenso).

— Eu tenho direito de levar um convidado. – continua o moreno como se não tivesse acabado de ser ignorado.

— Certo.

— Você é meu convidado Dean.

— Okay. Espera, o que?! – exclama Dean ao perceber o que discutiam.

— Na festa de gala.

— Urgh, esses eventos são tão chatos Cas!

— Concordo, mas fazem parte do dia a dia da empresa.

— Você tem mesmo que ir?

— Sou um dos mais importantes tradutores, Dean. Comando um setor inteiro e....

— ‘Tá, saquei, você é importante.

Dean bufa, coçando sua nuca e, somente agora percebendo que Castiel havia se afastado do tão aconchegante abraço de antes.

— Você não costuma ir sozinho nesses eventos?

Castiel nada diz, balançando a cabeça devagar. Seu olhar se volta a televisão, parecendo se distrair com as imagens do seriado, quando na verdade só precisava de uma desculpa para não ter de encarar a Dean.

— Sim. – responde, mas num tom seco e tão sem graça, que Dean percebe que, talvez, aquilo seja algo mais sério do que aparenta.

Respirando fundo, Dean esfrega seu rosto e tenta chegar perto de Castiel outra vez, jogando o tronco para o lado:

— Você quer que eu vá com você Cas? – pergunta num tom desanimado, o que não pareceu ser a melhor escolha, pois o moreno dá de ombros, apanhando o pote meio vazio de pipoca e se levantando.

— Vou fazer mais pipoca.

Evitar um determinado assunto com uma desculpa esfarrapada era a especialidade de Dean, e se Castiel – o tão direto e prolixo Castiel havia usado dessa tática – então tinha muito mais coisas dentro daquela história.

Já sentindo-se exausto pela conversa que se seguiria, Dean abandona o sofá e segue seu namorado até a cozinha. Cas estava de costas para o balcão, braços cruzados e uma face séria demais para quem apenas esperava a pipoca estourar no micro-ondas.

— Cas, ei.

— Faltam mais dois minutos, Dean.

O loiro suspira frente a cortada do moreno:

— Pode responder a minha pergunta? – Dean pede, a repetindo – Quer que eu vá com você?

O longo e pesado suspiro dessa vez vem de Castiel, que continua de braços cruzados, sem se virar para o loiro:

— Foi minha ideia original Dean. – ele fala – Nunca tive alguém junto de mim por tempo o bastante para me considerar numa relação. Michael.... Ele também não se “divertia” nesses eventos e nunca fez questão de ir, então é, eu sempre vou sozinho.

A menção ao ex-namorado babaca de Castiel faz o sangue de Dean ferver um bocado. Quase dois anos junto de Cas e ele nem se dignou a acompanhá-lo sequer uma vez?!

Quer dizer, Dean estava fazendo a mesma coisa, mas esses eventos são tão... Metidos, pomposos e cheio de pessoas bem vestidas fazendo todo o possível para ostentarem seu status. Dean não se encaixava num meio desses, e bom, Cas devia saber, certo? Ele nem ao menos tinha um terno – ou smoking; ele acha que usam smoking nesses lugares. Não era só uma questão de não querer ir, ele só acabaria pagando alguma espécie de mico, cometendo uma gafe que deixaria Cas parecendo um idiota por estar junto de um cara feito ele.

E mais: eles seriam dois caras indo juntos a festa, como um casal. Nem todas as pessoas concordam com isso.

— Cas.... É só.... Eu ia ficar bem deslocado. Não sei lidar com esse tipo de situação imponente. Já fico apreensivo de pensar no casamento do Sam, e.... E você ia acabar passando vergonha por minha causa.

— Você realmente pensa assim Dean? – retruca o moreno – Pensa tão baixo sobre si mesmo que já imagina o pior cenário possível? Você é uma pessoa agradável e divertida, Dean! Não é uma festa que vai mudar a maneira com a qual eu, seu irmão, ou qualquer outra pessoa te vê! Pare de pensar tão pouco sobre si mesmo, pois você é o único que faz isso.

Dean abre e fecha a boca algumas vezes, sem resposta alguma para dar ao moreno. O que acaba o fazendo dizer a primeira desculpa esfarrapada que vem a sua cabeça:

— É só—Ser visto com um cara, sei lá! Não vai ser ruim ‘pra sua imagem ou algo do tipo?

Castiel fica incrédulo.

— Não sabia que isso ainda era um problema para você Dean. – diz ressentido com as palavras do namorado.

— Que?! Claro que não é!

— Pois não é o que parece.

— Cas, ei, eu não tenho medo de falar que eu ‘tô com você. Droga, eu falei ‘pra todo mundo que nós estamos namorando! Eu só pensei que.... Sei lá! Na sua empresa, no que pode te afetar, urgh! Nem todo mundo tem mente aberta, sabe?!

— Lido com eles há anos Dean. Todos sabem sobre mim e nunca foi um problema.

A mão de Dean sobe e se fecha em um punho, tentando segurar um fio invisível que pudesse o manter firme no lugar.

Desculpas, desculpas, desculpas. Sua vida gira em torno de arrependimentos. É claro que ninguém teria um problema com Castiel. Claro que ele seria bem tratado após trabalhar anos na empresa, e é óbvio que Dean sabia disso. Então porque ele insistia no erro? Em dizer coisas que machucavam só por dizer, em ser tão pessimista, porque....

— Porque? – Castiel articula a questão martelando na mente de Dean por ele – Porque está dizendo isso? O que tem na sua cabeça o colocando na defensiva desse jeito Dean?

— Tudo.

O loiro responde por impulso, fazendo Castiel franzir o cenho e, pela primeira vez naquela conversa mudar sua raiva por preocupação.

Dean esfrega as mãos pelo rosto novamente, procurando pelo banco da cozinha e se sentado com os cotovelos apoiados no balcão:

— Ainda tenho essa sensação todos os dias de que algo vai dar errado. De que vou perceber o quão fodido eu sou e então.... Então tudo vai ser uma merda.

— Quer dizer conosco? – indaga Cas.

Descendo a cabeça por entre os ombros, Dean parece diminuir de tamanho, fazendo Castiel dar um passo à frente.

— Só.... Não dá ‘pra ser como antes, entende? – fala o maior, soltando uma fraca risada.

— Dean?

— Nós, eu digo.... Duas semanas que começamos isso cara, e eu já não consigo mais me ver sendo só seu amigo. Eu não me vejo recebendo um tapinha nas costas e andando ‘pra fora daqui esquecendo o que aconteceu, eu só....

Ele para, suspira, encosta a testa sobre as mãos cruzadas em cima da mesa e deixa todo o ar voltar ao pulmão. Castiel o encara apenas, boca entreaberta e um olhar cabisbaixo:

— Só não quero dar nenhuma mancada.

— Você não vai. – interrompe Castiel, tocando o ombro de Dean e escorregando a palma até o outro lado, trazendo seu corpo para descansar sobre o peito apertado do moreno.

— Não sei lidar com coisas assim, Cas. – admite o maior – Não sei lidar com coisas do seu mundo.

— Ei. – Castiel o sacode, apertando veementemente a pele de Dean e, devagar, levantando a face do loiro com a mão livre – Você faz parte do meu mundo.

Esfregando os dedos na barba mal feita de Dean, Castiel traz o semblante tristonho dele até sua boca, colando os lábios em longos beijos, em longos suspiros e longos afetos que se traduzem em certeza, confiança. Crença.

Se traduzem no que são um para o outro.

Dean tem os dois braços envoltos na cintura de Castiel, o corpo do menor encaixado no meio de suas pernas enquanto ele permanece sentado. Soltar a boca de Cas parece ser uma tarefa mais difícil dessa vez, e Dean precisa tomar coragem para fazê-lo.

— Espero que não se arrependa disso depois. – fala Dean num tom zombeteiro.

— Nunca.

— Desculpe por ter sido escroto.

— Estou acostumado com seus brilhantes momentos.

— Ha, ha, engraçadinho.

Castiel sorri, apanhando as mãos de seu namorado e o puxando de volta para sala – com o pote renovado de pipocas.

— Venha, você me deve uma seção de carinho no sofá.

— Sim senhor!

Brinca o loiro, batendo continência, até que o sorriso nos lábios de Dean se transformam numa expressão consternada:

— Vou ter que comprar um smoking ‘pra ir?!

Castiel fica em silêncio, lançando um olhar malicioso da sala que, combinados com o meio sorriso dele, dizem a Dean que ele não tinha mais escapatória.

— Merda.

Murmura o loiro, para o divertimento de Castiel que se aninha nos braços do namorado sem preocupação alguma.

— Amanhã iremos a uma loja, não será difícil.

— Se você diz.

Dando de ombros, Dean retoma o controle remoto e aumenta o volume da televisão.

— Dean?

— O que?

— Obrigado.

Despercebido por Dean, seus braços passaram a apertar um pouco mais o corpo de Castiel contra o seu.Eles eram, de fato, a definição da melosidade romântica dos casais que negam até o fim serem românticos.

Mas cara, como era bom aquilo.

Continua

Notas finais
Hellow people! como eu disse, esse cap foi mais enrolação e inclusão do pequeno casalzinho (ou não, quem sabe???) da história! Prometo que tudo tem uma razão: a festa, a conversa do Dean e do Cas e mesmo o encontro/não encontro do Benny e Alfie! Kissus e eu espero escrever o prox em breve, mesmo, mesmo, mesmo!