Self Love - Hiccstrid
1 Capítulo 1
Eu definitivamente não acordei com o pé direito hoje... nem nos últimos 7 dias. Procuro novamente através das janelas constituidas por madeiras velhas e uma fina camada de metal. Bom, é a minha deixa. Perdi o apetite e a paciência. Me perguntava insistentemente onde havia se metido aquele viking, porra está tão ocupado assim? Por Thor!
— Tempestade, preciso de goles de paciência. E de algum chá que melhore essa dor de cabeça insuportável. Que droga! — saquei o machado e subi em Tempestade.
Ela grunhiu e levantou voo. Se eu for ao Grande Salão agora é bem capaz que eu arranque a cabeça do Soluço fora com o meu machado, então acho melhor ir à ferraria, prometi ajudar Bocão com algumas armas novas, o ferro Gronckle é um sucesso, não somente agora, na verdade desde que o descobrimos.
Assim que cheguei fui muito bem recebida por Bocão e pelos demais vikings, estar namorando o chefe tem suas vantagens — não que eu esteja com ele somente por isso, vamos colaborar, não seria capaz, posso ser tudo... mas não me tire à interesseira. Isso não!
— Astrid, o que achou desse machado? — perguntou o grandalhão, rabugento e gentil Bocão.
— Achei péssimo! Detestável! — senti que ele acabara de me fuzilar com seus olhos penetrantes. Não iriamos querer ver Bocão Bonarroto bravo, não é mesmo? — Calma, estou brincando. Ficou ótimo, o que quer por ele?
— Quase acreditei. Não quero nada, afinal você fez ele. Eu só ajudei.
— Você é modesto, Bocão. Mas tudo bem, caso precise de ajuda me chame. Agora que estou mais calma, já dá pra ir até o Grande Salão falar com Soluço.
— Uh, ele não foi ao encontro de novo? — perguntou-me.
— Ér... pra variar! Ele é o chefe, não é? Tem seus deveres. — tento ser o mais calma possível.
Sabe, quando você realmente ama alguém, faz de tudo para vê-la feliz. Sério, eu tento ser assim com Soluço, mas os que amam também precisam ser amados, sei que ele sente o mesmo por mim porém nos últimos tempos ele tem se esquecido de demonstrar isto da forma correta... E não está me alegrando muito, detesto admitir.
— Astrid, Astrid... se Soluço não está te dando atenção porque não junta os outros pilotos e sai para explorar? Ele não tem tempo afinal, mas você sim, e creio que os outros sentem saudade de sair por ai dando pontapés nos traseiros de inimigos mortais.
Gargalhei, fazia tempo que não me sentia assim.
— Ah Bocão — falei dentre os risos. — só você mesmo. Está certo, pensarei no seu caso. Mas realmente preciso falar com o Sr. Chefão, como diria Cabeçadura: ''o chefigurão''.
Ele assentiu e abriu um sorriso meigo — coisa que não é muito natural do Bocão. Novamente montei em Tempestade e partimos até o Grande Salão. Assim que chegamos desmontei e abri as portas com quinas enferrujadas devido ao metal velho. Haviam vikings por todos os lugares: aos redores das mesas; na fonte de água; junto a Soluço e etc... Bem... fui até ele.
— Então, presumo que esteve ocupado hoje para novamente ter faltado no nosso encontro que você mesmo marcou. Estou errada, Haddock? — praticamente cuspi as palavras, acho que no fim das contas eu não estava tão calma quanto pensei.
— Desculpe, eu não esqueci. Mas não pude sair daqui, havia uma reunião prestes a começar e logo depois seria dia das queixas... — explicou-se.
— Bom, não poderia ter mandado alguém me avisar? Banguela está livre, não? Falando nisso, ele me parece meio cansado...
— Ah ele tá bem, acabou de comer. — lancei um olhar indignado. — Desculpa, eu nem pensei nisso.
— Claro Soluço, você nunca pensa em nada que não tenha relação com reuniões ou queixas ridículas, como ovelhas flamejantes ou iaques dando leite ama...
— Soluço, preciso de sua ajuda na armaria, a propósito, algumas ovelhas pegaram fogo por causa de Nadders e Pesadelos brigando nos cercados.
Viu? Ovelhas flamejantes. Grande Novidade.
— Desculpe Astrid, eu preciso ir. — ele me dá um selinho e sai acompanhado de Gosmento.
Fiquei uns segundos assimilando o que acabara de acontecer quando me dei conta que tinha um assunto importante a tratar com ele.
— Espera, eu preciso... — grito, mas as portas são fechadas rapidamente e perco-os de vista. — falar com você. — suspiro cabisbaixa.
Saio do Grande Salão após uns minutos pensando e observando as cenas ao meu redor, nem sabia que Cabeçaquente estava namorando com Melequento. Espera... o que?! Devo me preocupar? Ou melhor, isso é normal?! Ah esquece... fui até a ferraria.
— Soluço! — chamo-o.
— Hey milady. — responde ele, verificando uma das espadas que fiz junto com Bocão.
— Eu...
— Segura pra mim? — de repente ele joga a espada em mim, o.k. eu tenho um bom reflexo e consegui pegar a tempo.
— O.k. eu...
— Bocão, tudo pronto! — ele pegou a espada novamente e a guardou.
— Muito bom. — Bocão o responde e volta a fazer suas tarefas.
— Soluço, será que poderíamos... — fiz outra tentativa, ele está definitivamente me irritando.
— Astrid, não posso falar agora. Me desculpe.
Ele sai da ferraria. Ah, isso não vai ficar assim mesmo!
— Poderia por favor tirar um minuto de sua agenda lotada pra falar comigo, Soluço?! — gritei, irritada.
Ele para e me encara, isso foi até um pouco esquisito, pois me olhou com uma careta de surpresa, particularmente bem engraçada. O que me fez soltar um pequeno riso, mas rapidamente retomei a postura.
— A gente pode ir num lugar mais adequa...
Um Terrível Terror aparentemente descontrolado e machucado voa por cima de nós, abaixamos na hora e ele voou para longe. Obrigado dragãozinho inútil eis um motivo para Soluço escapar de mim.
— Preciso cuidar disso. Banguela!
Em poucos segundos o Fúria da Noite apareceu, abaixando a cabeça para que Soluço o montasse. Apenas o encarei, pra variar.
— Desculpe, depois conversamos. Prometo. — Soluço cutucou levemente o dragão com seu pé. — Siga aquele dragão!
— Até parece... — sussurro cabisbaixa.
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