Nem sei o porquê de eu ainda perder meu tempo atrás dele. Fiquei ali parada, até que ele sumisse de minha vista completamente.

— Vamos, garota. Ele está ocupado agora. — suspiro.

Apenas sobrevoamos a ilha de Berk, um voo calmo, sem muitas preocupações. Até que escuto uma voz e me deparo com uma figura atrás de nós.

— Decepcionante. — diz Cabeçadura.

— Verdade. — Cabeçaquente concorda.

— O que?! Ah, arrumem algo para fazer! — bufo.

Dou uma leve cutucada em Tempestade e ela acelera o ritmo do voo. Precisava me livrar daqueles dois cabeças-ocas.

— Astrid? — ouço alguém me chamar. Olho de relance para baixo e avisto Perna-de-Peixe.

— Quê? — respondo deitando-me sobre Tempestade.

Ele fecha o sorriso e obriga, de algum jeito, os gêmeos se afastarem de mim. Ele deve ter percebido que esse dois estavam atrapalhando, pelo menos alguém nesse mundo tem bom senso. Lancei um sorriso pequeno, porém satisfatório, a ele e o mesmo retribuiu com outro.

Decidi ir atrás do Soluço, novamente. Escutei rugidos de Terrível Terror, provavelmente é ele. Descemos e Tempestade pousou ao lado de Banguela. Fui até Soluço e pedi a ela que esperasse ali mesmo.

— Soluço, o assunto é importante. Precisamos mesmo conversar! É o futuro da academia que está em jogo, porra não tem nenhum tempo?! O Terror já está bem, to achando é que você está me evitando, caramba. — gritei, por Thor! Que ódio!

— Astrid, já disse que não posso conversar agora. A academia pode esperar, tenho obrigações à cumprir. — ele respondeu, calmo. Como ele pode estar calmo numa situação como esta? É isso que me irrita nele, quando o assunto tem a ver conosco (a academia) ele simplesmente não dá a mínima! E foi ele quem começou com isso tudo!

— Tá certo, Soluço. Bom aproveito em suas obrigações! — cuspi as palavras. Montei em Tempestade e ela voou para cima, todavia ela só subia. — Vamos pra academia, garota.

Chegando lá, notei que o Terrível Terror que Soluço estava cuidando já estava dentro da jaula, esperando Bocão examina-lo.

— Soluço já veio aqui, não é? — perguntei aflita.

— Sim, Astrid. — respondeu ele.

Afiei a lâmina de meu machado e parti novamente para o céu.

— Vamos pra enseada, Tempestade.

Observando de cima a vista estava incrível, grama verdinha e não tão alta a ponto de atrapalhar as caminhadas... a lagoa cristalina... e as rochas da qual Banguela não conseguiu escapar.

Grandes lembranças deste lugar, inclusive as de quando conheci Soluço de verdade, quando ele realmente me provou que não precisávamos matar dragões. Sorri de leve e acariciei Tempestade. Tirei minhas botas e coloquei os pés dentro d'água.

Ouço um bater de asas e rapidamente me viro para trás, soltando um suspiro de alívio ao ver que era só Soluço e Banguela.

— Então, podemos conversar agora? Finalmente arranjou um tempo na agenda? — falei entredentes.

— Na verdade não dá agora... Tenho que desmontar 20 armadilhas. — ele respondeu.

— Então porque veio aqui? — perguntei confusa.

— Precisava ver como estavas. — dei de ombros.

— Você não pode pedir ajuda aos pilotos? Eles poderiam ajudar com as armadilhas. — sugestões são os passos mais rápidos para resolver algo, infelizmente alguns tem a resposta certa para se livrar de todas elas.

— Astrid, você sabe tanto quanto eu que o único que eu poderia contar para esse serviço, fora você, é o Perna-de-Peixe. Melequento não sabe lidar com a snapper e os gêmeos nem sabem o que são armadilhas. — ele de certa forma estava certo, mas pegou um pouco pesado.

— Você quem sabe. Se veio aqui só para isso, errou o caminho e perdeu seu tempo. Pode ir embora.

Sua expressão estava um tanto... irritada.

— Tanto faz. — ele suspira e vem até mim. Recebi um beijo na bochecha e logo ele e Banguela partiram sabe-se lá Thor para onde.

Tempestade grunhi ao ver minha expressão entristecida e vem ao meu lado, pondo a cauda dentro d'água. Acaricio suavemente sua cabeça e lhe dou um bacalhau, o peixe mais tradicional da enseada.

— Vem garota, vamos embora. — chamo-a.

Já no alto, encontramos Valka e Pulanuvem em seus passeios matutinos.

— Astrid? — ela sorri para mim.

— Oi. — falo cabisbaixa.

— Aconteceu alguma coisa da qual eu deva me preocupar? — ela perguntou.

— O Soluço...

— Está muito ocupado com suas obrigações agora que é líder? — interrompeu-me.

Assenti.

— Ah flor, você irá ter que se acostumar, isso é normal.

— Uhum...

Dou uma leve cutucada em Tempestade e aponto disfarçadamente para baixo, ela vê que estávamos bem abaixo de uma ilha e rapidamente mergulha até lá, dobrando suas asas e dando um giro de 360° no ar. Até que me diverti com isso.

— Astrid! Es... — tarde demais. — pera.

— Não to nem um pouco afim de ficar dando satisfações do meu relacionamento com Soluço para Valka, então nós iremos contornar a ilha e entrar em Berk pela praia. — falei confiante, aproveitando a paisagem enquanto Tempestade voava lentamente até lá sobre a superfície da água salgada do oceano.

O destino realmente quer me ver na merda, Soluço estava lá.

— O que faz aqui? — pergunto, mas na verdade eu já sabia.

— Desmontando as armadilhas. E a melhor pergunta seria o que você faz aqui. — deu ênfase no ''você''.

— Estou aqui por um motivo que não é dá sua conta. Podemos conversar agora que estou aqui, por favor? — pergunto calmamente.

— O.k., fala.