Notas iniciais
"Afinal, eu não estou apaixonada por Rael. Não estou." *Revisado em 02/04/2016.

Cinquenta e um. Ciquenta e dois. Cinquenta e três.

Me ensinaram que quando você não consegue contar pausadamente, é bom contar assim, na casa do cinquenta. Geralmente, ajuda em muitas coisas. E uma delas, a que estou usando agora, é fazer o coração se acalmar.

Estou deitada na minha cama, rolando de um lado para o outro, há cerca de uma hora. Já levantei dezenas de vezes e fui até a porta do quarto, tentando ouvir algum ruído, mas nada. Imaginei que, sei lá, Rael viria até meu quarto, bateria na porta, pediria desculpas… Faria alguma coisa! Mas este silêncio é perturbador.

— Calma, Samantha! – repreendo-me. – Você parece uma menininha apaixonada! Foco. Você é um anjo. Bom, em teoria… Droga! Tenho que conversar com Rael sobre meu sangue…

Meu peito se contrai com a simples menção do nome dele. Droga, droga, droga. Preciso me distrair com algo, qualquer coisa! Vasculho meu quarto com os olhos, à procura de alguma coisa. Até que eu o vi. O livro! Corro e o pego, jogando-me na cama e agradecendo ao Pai por tê-lo agora comigo.

O jardim é lindo, e o dia está magnífico. O céu azul claro, a brisa fresca, os pássaros cantando em algum lugar nas copas das árvores. E o lago… Ah, que perfeito. Fecho os olhos e respiro fundo, apreciando cada sensação que o lugar pode me oferecer.

Mas há algo mais. Há algo de diferente em mim, algo de diferente no meu corpo. Olho-me, e não vejo nada. É apenas uma sensação estranha.

De repente, ouço uma voz. Porém não me assusto. Ao contrário, eu sorrio e olho para trás rapidamente, vendo uma silhueta correr até mim. Eu deveria sentir medo, mas tudo o que faço é rir de prazer.

— Pare já aí, mocinha! – diz. Uma voz de homem. Posso ouvir a risada no seu tom.

— Me obrigue! – respondo, e torno a correr.

Vou em direção ao lago, disparando em zigue-zague, evitando que meu perseguidor me alcance. Uma pedra, no entanto, me faz tropeçar e eu caio.

— Sam! – está preocupado agora. Meu caçador se adianta até mim, praticamente jogando-se ao meu lado. – Está machucada?

— Não, só tropecei – digo, ainda rindo. – Está tudo bem comigo. Viu?

Ele balança a cabeça e sorri.

— Eu amo você, Samantha.

Derreto-me em seus braços, quando sua boca se aproxima da minha.

— Eu também amo você, Rael. Eu também…

Sento-me abruptamente. Mas o que aconteceu?! Olho para o lado e vejo o livro caído no chão, as páginas dobradas de forma que fizeram meu coração se contorcer de remorso. Rapidamente eu o pego, colocando-o sobre a cama. Respiro fundo. Devo ter dormido, é isso. Tudo foi só um sonho...

Afinal, eu não estou apaixonada por Rael. Não estou.

Notas finais
Hey! Sentiram minha falta? Não, eu sei. Enfim, peço desculpas pelo sumiço, mas saibam que SUA não foi abandonada. Eu pretendia escrever um capítulo maior e com mais emoção, porém não tive tempo. Então, deixo esse pedacinho dos pensamentos da Sam e a saudade de SamEl. Espero que gostem, hein? Amo vocês! Beijoos ♥ (Capítulo editado para melhor formatação.)