Seis Lágrimas
2 Um passeio arriscado
Notas iniciais
"Got no reason
Got no shame
Got no family
I can blame
Just don't let me disappear
I'mma tell you everything
Tell me what you want to hear
Something that'll like those ears
Sick of all the insincere
So I'm gonna give all my secrets away
This time
Don't need another perfect line
Don't care if critics never jump in line
I'm gonna give all my secrets away"
Secrets — OneRepublic
Nos últimos capítulos:
Tom: Então... Um amigo meu que trabalhava de monitor ou segurança por lá... N sei ao certo. Bem, ele saiu de lá pra ir pra um emprego melhor.
Emma: Substituir um guarda numa exposição?
Tom: Ah, é só temporariamente e da pra viver com o salário.
***
–Senhora, o local vai fechar daqui a pouco.
–Pouco me importa quando vai fechar, eu tenho que ver essa exposição!
–Hey, calma lá. – Dessa vez foi Emma quem se manifestou. Falou para todos ali. – O que está acontecendo?
–Com licença, senhorita. Estou tentando resolver o meu problema aqui. – Regina disse rispidamente. – Se você não trabalha aqui, não pode me ajudar.
–Na verdade, eu acabei de ser contratada. – Diz Emma, enquanto tira da sacola que trazia consigo a jaqueta que fazia parte do conjunto do uniforme.
***
–Olha... Você tá com a cabeça quente... E o tempo tá esfriando... Vamos tomar uma bebida, um café, alguma coisa, vai...
–Você paga.
***
–Sabe... Minha mãe costumava dizer que a verdadeira mágica acontece dentro de nós. A magia de verdade... É sentimento.
***
–Mas está fechado. Acabou, miss Swan.
–Não, não acabou. — Emma tira da sacola que estava ao lado um chaveiro com algumas chaves. — Eu tenho as chaves de lá.
–Você quer me levar lá? Mas acabou de ser contratada! Pode ser demitida!
Emma olha para as chaves em sua mão direita, que estava levantada um pouco acima da cabeça. Depois desvia o olhar para Regina, com um sorriso confiante e sapeca.
–Só se nos pegarem.
***
Depois de algumas objeções por parte de Regina, Emma acabara por convencer a juíza a praticar um ato ilegal. Nada proibia uma funcionária de entrar em seu local de trabalho fora do expediente. Ela poderia usar a desculpa de que esqueceu algum objeto de extrema importância no local. A única coisa é que ela não poderia ir até a exposição e mexer nas coisas, que é o que elas pretendiam fazer.
Ao saírem do restaurante, Emma e Regina andaram um pouco até o carro da juíza. A loira acompanhou a morena até em casa. Elas ficariam ali por um tempo e quando o relógio marcasse meia noite, elas iriam até o local da exposição. Quando saíssem de lá, Regina deixaria Emma em casa.
Ao chegar ao apartamento de Regina, Emma deslumbrou-se pelos toques de luxo do lugar. Apesar de relativamente pequeno, a decoração esbanjava um quê majestoso. O mármore negro repousava sobre o chão e a porta por onde se entrava no apartamento era de uma madeira escura e toda trabalhada em detalhes minuciosos, iguais em ambos os lados. Uma cabeça de leão era talhada no centro da porta. Trazia adornos circulares que a emolduravam e dois desenhos de maçãs enfeitavam o canto superior direito e o canto inferior esquerdo. A maçaneta era dourada e parecia um formato antigo. Já dentro do apartamento, as coisas eram mais modernas.
Ao entrar, quando se olhava para o lado esquerdo, era possível observar o interior da cozinha americana e uma lavanderia ao fundo. Alguns passos a diante, indo reto, o caminho leva a um corredor. Regina não apresentou àquela parte da casa, só anunciou que iria tomar um banho a aprontar-se. Ligou a televisão e deixou Emma uma xícara de café com um pedaço de bolo de fubá. Emma continuou observando tudo a sua volta.
Ficara na sala, à direita do corredor. Era o maior cômodo do apartamento. Três sofás brancos estavam em volta de uma retangular mesa de centro, onde estava apoiada a bandeja com a xícara, o prato, os talheres e o bolo. Havia um tapete felpudo, branco e marrom, mais a frente havia uma gigantesca televisão de tela plana, preta, onde passavam imagens em alta definição, mas a loira não prestava atenção nelas. Atrás do televisor havia duas grandes portas de vidro e uma espaçosa sacada, onde havia uma rede, uma mesa, duas cadeiras e alguns vasos de planta. A vista direta para a cidade e o céu era maravilhosa.
A monitora estava no sofá em frente à TV. Mais ainda à direita, atrás de um dos sofás, havia uma grande mesa de jantar com espaço para seis pessoas. Ela era feita de madeira e mármore, e as cadeiras, madeira e estofado. Havia uma parede depois de tudo, mas ela não se emendada com a cozinha americana. Havia um corredor ali, que se estendia até atrás do sofá onde ela estava, com vista para dentro da cozinha. Emma não conseguiu ver, mas depois daquele corredor, o último cômodo era o escritório da juíza. Havia também um banheiro no corredor à esquerda e um quarto de hóspedes à direita. Novamente na sala, à esquerda, localizava-se um aparador com um vaso de flores, alguns enfeites e fotos.
Depois de pronta, Regina surgiu pelo primeiro corredor que se avistava quando se entrava no apartamento. À direita ficava o quarto da morena e no fim do corredor havia um pequeno quarto de bagunça. Mas Emma só conseguiu ver mesmo a sala e a cozinha e o banheiro, já que precisou usá-lo um pouco depois de quando a menor fora arrumar-se. Notou que em muitas das paredes da casa havia quadros. Cópias de obras famosas como Mona Lisa e Guernica. Mas também havia quadros de amadores, belíssimos de qualquer forma. A loira estava concentrada no último pedaço de seu bolo quando percebeu a presença de Regina. Entreolharam-se.
–E então, miss Swan, como estou?
A morena trajava uma camisa branca com os dois primeiros botões desabotoados, uma jaqueta de couro preta, uma calça jeans e um par de botinhas também pretas. Usava pouca maquiagem, exceto pelo batom cor vinho fechado em tom matte que trazia nos lábios.

–Nossa, está muito bem... — dizia levantando-se e colocando ambas as mãos nos bolsos traseiros de sua calça jeans. Porém, parecia um pouco desconcertada.
–Algum problema, miss Swan?
–Não... É que... Bom, eu não achei que tivesse esse tipo de roupa no seu armário.
–Ah, por favor, Swan, eu sou uma pessoa normal. Não é por que eu sou uma juíza que eu preciso andar formalmente o dia todo pra cima e pra baixo.
–Tudo bem, então. Hey, essa é a sua mãe?
Emma havia se levantado e ia em direção à porta enquanto Regina levava a bandeja utilizada pela loira para a cozinha. Foi quando avistou, em cima do aparador, uma fotografia com uma bonita moldura dourada e prateada, com alguns detalhes em volta que pareciam delicadas folhas.
–Sim. Nessa foto estou eu, minha mãe Cora, meu pai Henry e minha amiga, quase irmã, Zelena. É a única foto que eu tenho de todas essas pessoas, não sei por quê.
–Amiga quase irmã?
–Ah, é uma longa história. Deixa para outro dia. – Regina deixou transparecer um pouco de tristeza na face e na voz. – Vamos, já são 15 para meia noite. Até chegarmos lá...
–Ok.
Regina apaga as luzes do apartamento, sai com Emma e tranca a porta, enquanto a loira chama o elevador. A morena morava no vigésimo quinto andar de um prédio em Boston, dentro de um condomínio de Luxo. Entraram no elevador. Um silêncio um pouco desconfortável havia se instalado entre as duas, enquanto esperavam que a porta abrisse novamente no subsolo, onde estava o carro de Regina. Na verdade, onde encontravam-se todos os carros dos moradores. Enquanto o silêncio fazia-se presente, Regina olhava para os próprios pés, verificando excessivamente alguma coisa nas botas, enquanto Emma olhava para cima, não sabendo bem onde colocar as mãos, olhando a câmera de segurança, o espelho e a marcação dos números em contagem regressiva.
Quando a porta abriu, as duas mulheres foram direto, e a passos largos até o carro, cada uma carregando uma bolsa, apesar de Emma não se dar muito bem com a dela. Na verdade, quase nunca usava bolsa, apenas aquelas que se consegue levar com a alça atravessando a lateral do corpo, ou então as opções eram mochila ou pochete, mesmo essa última alternativa tendo saído de moda a séculos. Cansada do silêncio, Emma resolveu falar.
– E o que você acha que vai ter lá na exposição?
–Eu não sei... Talvez algumas varinhas e cartolas... – Dizia a morena enquanto dirigia. Olhou para Emma de relance e voltou a atenção ao trânsito – Em exposição, sabe.
–Sei... Mas só exposição de itens?
–Não sei, miss Swan... — suspirou. — Também estou curiosa quanto a isso.
–Bem... De qualquer forma, aquele lugar raramente tem uma exposição normal.
–Normal?
–É... pelo que eu vejo em anúncios e essas coisas... são sempre exposições dinâmicas. Essas novidades de arte contemporânea. Quase não tem exposição em que você não interage, só olha quadros e esculturas...
–Mas quando se olha quadros e esculturas, não é uma forma de interagir com a arte?
–Não diretamente. Você não mexe nela... Ela mexe em você.
–Bom... Uma vez me disseram que a arte não faz nada nascer nas pessoas... Só mostra o que já existe... O que acha disso?
–Sei lá. Talvez. Nunca fui dada a nada relacionado à arte.
–Nada de arte... Nada de magia...
–É... tenho mais com o que me preocupar.
–O que está tentando esconder de si mesma, Miss Swan?
–Nada. Podemos mudar de assunto?
Regina suspirou.
–Acho que você é uma pessoa muito pragmática. — A morena estacionou o carro perto da entrada do local. — Espero que saiba onde fica a porta dos fundo, Miss Swan. Vamos.
As duas desceram do carro. Emma levou Regina para a direita da entrada do prédio, onde havia um beco. Certamente a entrada de funcionários ficava por lá. Andaram uns passos e... Bingo! Era ali mesmo. Emma pegou as chaves e abriu a porta. As duas entraram e Emma ascendeu as luzes. Estavam em uma sala espaçosa com alguns materiais em um canto. Havia entradas para vestiários, armários, uma mesa com documentos... Provavelmente a mesa de alguém que trabalha com a papelada burocrática dos funcionários. Guardaram as bolsas em um dos armários para não terem de ficar carregando de um lado para o outro. Emma já tinha as chaves do seu. Perto da mesa havia outra porta, na qual Emma tivera que usar uma das chaves novamente. Pelo menos cada chave tinha uma identificação referente a porta que abria, o que facilitava muito todo o processo. Ao passarem pela porta, apagaram as luzes da sala de onde saíram e, para a surpresa de Emma, já estavam no hall de entrada do prédio, perto da bilheteria. A loira não percebera aquela porta quando analisou o local mais cedo. Ou, no dia anterior, já que se passava da meia noite.
–Pra onde? — A morena perguntou.
–Por aqui, vem. A entrada do primeiro andar é logo ali.
Ao usar as chaves novamente e adentrar ao recinto, Emma abriu o quadro de luz e ligou todas as chaves, fazendo com que tudo que tivesse de ser ligado o fosse, não havendo mais diferença entre o horário de funcionamento normal e aquele momento, quando tudo deveria estar desligado.
–Bom... Aqui estamos, sra. Mills... — Disse Emma enquanto olhava nos olhos de Regina e se aproximava dela. A morena desviou o olhar e inclinou a cabeça, afim de observar as imagens da parede à sua frente, que estavam acima de outra porta, imponentes.
–Já disse que não sou tão velha.
–Não... Mas impõe respeito. Me sinto estranha te chamando de senhorita...
–Pois bem... Me chame como quiser, Miss Swan. Se quiser esperar aqui...
–Não. Eu vou junto. — Regina a olhou com curiosidade. Emma retribuiu o olhar. Ambas estavam próximas – Afinal, se acontecer algo a culpa é minha mesmo. — Afastou-se e foi até um dos cantos da sala, observando alguns objetos dentro de algumas caixas de vidro. — Bem... Parece que você também é adivinha.
–Porquê? — Disse Regina, indo para o outro extremo da sala para fazer a mesma coisa que Emma.
–Objetos de pessoas importantes... Você disse que iríamos ver isso.
–Bem... acho que era meio óbvio.
As duas ficaram olhando os objetos em silêncio por um tempo. A sala era ampla, bem iluminada com uma luz meio amarelada. Percorrendo as linhas das paredes haviam caixas e mais caixas de vidro com objetos como cartolas, varinhas, roupas, sapatos, moedas e baralhos usados em truques de mágica... Todos que pertenceram a famosos mágicos da história, etiquetados com cartões brancos onde podia-se ler para que foram usados, como, quando e por quem. No centro da sala haviam quatro televisores apoiados em mesas, com fones de ouvido ao lado, que contava um pouco das histórias dos mágicos e da mágica em si no mundo, mostrando imagens icônicas de um mundo diferente onde tudo era possível. Havia um grande destaque para Harry Houdini, considerado por muitos como o maior ilusionista de todos os tempos. Outros, como Criss Angel, David Blaine e Dynamo também estavam em pauta.
Depois de observarem os objetos e o mini documentário, decidiram seguir em frente na exposição. Logo descobririam que aquela não era uma exposição chata e normal. Muito pelo contrário. Juntas, adentraram em uma sala escura, com realmente pouquíssima iluminação e contava com a famosa luz negra, que faz brilhar o branco e as cores em neon. Observaram um letreiro brilhoso e piscante onde lia-se “Bem Vindos à sala do destino”. Algo bem clichê. Em baixo do letreiro havia três portas. Todas pretas com um grande símbolo branco que brilhava bem no meio das portas: um ponto de interrogação. Entre elas e as três portas haviam nove pilares de ferro divididos em fileiras de três por três com a ponta em formato de cartolas com detalhes em roxo brilhante. Emma se pronunciou:
–Nossa... Que breu! — Quando deram um passo à frente, em baixo dos seus pés ascendeu uma frase em laranja: “Gire um chapéu e abra um portal”. — “Gire um chapéu e abra um portal”?
–É. Exatamente.
Regina caminhou até uma das cartolas. Escolheu a que estava no meio de todas e tentou girá-la, sem sucesso.
–Hey, me ajuda aqui!
–Por que não tenta outra?
Regina parou de tentar movê-la e encarou a loira. Já havia acostumado-se com a pouca iluminação e conseguia vê-la bem.
–Porque eu quero girar essa. Da pra ajudar?
Sem entender exatamente o por quê de a morena insistir naquela “cartola”, Emma caminhou a passos largos até Regina. Colocou ambas as mãos na cartola. A juíza fez o mesmo. Juntas, giraram o “chapéu” e a mágica aconteceu. Quanto mais iam girando, mais uma das portas ia se abrindo. Aparentemente o sistema era aleatório, e coincidentemente a porta que se abriu foi a do meio, saindo de lá uma luz brilhante e uma fumaça de coloração roxa.
A morena observava atentamente o buraco de onde vinha a luz, tentando enxergar algo depois daquilo, mas nada conseguiu ver. No entanto, Emma não estava interessada no que tinha depois da porta, mas sim na mulher que estava à sua frente. Enquanto a observava, pensava sobre o que realmente tinha de mágico naquilo tudo. Não era só a exposição... Longe disso. Aquela mulher... Regina... Regina era diferente das outras pessoas, das outras mulheres. Muito diferente. Tinha um magnetismo próprio, algo chamativo... Algo que prende as pessoas. Queria saber mais sobre aquilo... Descobrir a verdade... Alguma verdade. Quem realmente era Regina, afinal?
–Você não vem?
Regina despertou Emma de seus devaneios... A morena já estava há alguns passos adiante, prestes a passar pela porta que haviam aberto.
–Claro que vou!
Ao passarem pela porta, elas subiram por um túnel totalmente iluminado por luzes brancas. Ainda havia resquícios da fumaça roxa. Demorou um pouco para se acostumarem com a forte luz. Andavam em silêncio, com os olhos incomodados... O corredor tinha por volta de dez metros e era inclinado. Elas subiam, um passo de cada vez.
No fim do corredor, encontraram outra sala. Agora ela parecia montar um ambiente noturno de uma praia, com imagens de areia e mar pelos cantos, com algumas plantas e coqueiros nos cantos. No centro havia um círculo que representava a lua. Emitia uma luz branca. Tinha por volta de 4 metros de diâmetro. Apoiadas no canto do círculo, estavam dois meio círculos pretos de 5 centímetros de grossura e juntos tinham o mesmo tamanho do círculo branco. Nas bordas havia um tecido roxo de 40 centímetros de altura, a mesma distância que o círculo branco estava do chão.
Perto do centro elas observaram uma placa preta com letras grandes e brancas, onde estava escrito: “O aparece e desaparece da natureza: a mágica do eclipse”. Não era necessário mais muitas explicações. Elas teriam de se esforçar para cobrir o círculo branco e provocar um eclipse. Regina tomou a iniciativa:
–Faça o que eu fizer.
Emma assentiu. Só conseguia observar a morena. Permitiu-se ser guiada por ela, afinal ela era a mágica da história, devia saber o que estava fazendo. Observou atentamente. Foram para lados opostos e levantaram, com um grande esforço, as duas placas de meio círculo negras que estava apoiadas no círculo branco e no chão. Empurraram as duas metades em cima da “lua” até que se encostassem. A luz foi totalmente encoberta e o pano roxo cobria o degrau. Formara-se um pequeno palco, onde as duas mulheres que ali estavam eram as estrelas. Duas estrelas solitárias em uma noite sem lua.
–E agora, o que a gente faz? — Perguntou a monitora, meio desorientada.
–Não sei... Esse lugar, uma praia, um mar... Tem até uma fogueira representada ali, mas eu não sei o que quer dizer. Temos um eclipse, mas e daí?
–Não é só lareira... Tem umas flores ali naquele canto e uma barraca com um violão em cima.
De fato, Regina não tinha percebido nos detalhes do ambiente.
–E o que você sugere que façamos, Miss Swan? — Perguntou Regina enquanto cruzava os braços.
–Regina... Nunca foi num luau?
–Bem... Na verdade não.
–Então você precisa ir em um qualquer dia desses... — disse Emma enquanto descruzava os braços da morena e a guiava, começando a subir o degrau.
–Hey, o que pensa que está fazendo? — Meio a contragosto, a mais baixa deixou-se ser guiada.
–Regina, em um luau... — Terminou de subir e puxou Regina. Ficaram em pé em cima do círculo negro. — As pessoas cantam.
–Sei...
–Também dançam e fazem rodinhas.
–Pesei que não tinha tempo pra esses tipos de coisas...
–Já tive meus momentos.
Enquanto terminavam o breve diálogo, surgiu do chão um pilar de ferro que trazia em cima de si um botão vermelho com duas mãos apontando para ele. A loira e a morena entreolharam-se e Regina não pensou duas vezes, apertou o botão. Imediatamente as duas metades do círculo negro curvaram-se para baixo. O chão se abriu em um buraco negro e totalmente escuro. As duas caíram em uma superfície macia e luzes vermelhas ascenderam-se. Viram uma sala redonda. A parede circundava-as. Nela estava escrito em letras negras: “Para lembrar que mágica também é surpresa”. Ambas estavam respirando descompassadamente devido ao susto. Demorou alguns minutos até que tivessem entendido plenamente o que havia acontecido.
–Da próxima você pensa mais um pouquinho antes de apertar algum botão, beleza?
–É, talvez seja melhor...
Regina engatinhava até um buraco no meio da parede, que parecia ser a única saída. A loira a seguiu. A morena ajudou Emma a sair. O buraco encontrava-se há aproximadamente um metro e meio do chão. Havia degraus para ajudar as pessoas a sair em segurança. Ao pisarem novamente no chão, perceberam que ele se estendia até um metro e meio da parede. Estavam encurraladas, de certa forma. Não havia volta. Depois daquela distância o chão acabava e era possível observar um grande buraco cúbico de 5 metros.
A morena estava atônita. Não sabia exatamente o que estava fazendo. Começava a preocupar-se com o que viria a seguir. Não poderiam demorar muito naquela brincadeira toda. Também não podiam chamar ninguém, não havia ninguém lá e os celulares ficaram nas bolsas, as quais estavam bem guardadas no armário trancado de Emma na sala dos funcionários. Tirando esse início de preocupação, ela estava gostando daquilo. Gostava de ser surpreendia daquela forma. Claro que preferia a segurança muitas vezes, mas sentia falta de aventura em sua vida. Não que um dia realmente tivesse vivido alguma,apesar de ter a sensação de que sabia do que “aventura” se tratava. No fim, onde aquilo a levaria? Qual o truque no fim? O que de impossível estava acontecendo ali? Regina enchia os olhos ao se sentir em sucessivos números de mágica. Sentia a magia novamente em seus poros. Na verdade, nunca a sentira tanto. Obviamente a companhia da loira era um diferencial. Um ponto de segurança. Algo que a permitia viver aquilo. Algo importante.
Por outro lado, a loira continuava a admirar a morena. Não teve medo de apertar o botão. Foi muito impulsiva, é verdade, mas não se podia negar: era uma mulher de atitude. Na verdade, Emma também era, mas só quando provocada. Não ficava esbanjando essa sua parte por aí. Nisso realmente eram diferentes. Queria saber até onde Regina iria. Queria saber sobre seu caminho. Na verdade, tudo aquilo era um daqueles raros momentos em que pessoas estranhas entre si despertam em outras pessoas uma curiosidade... Uma conexão. Uma coisa inexplicável e até ridícula. Mas quem nunca prestou mais atenção em alguém em relação aos outros? De qualquer forma, continuaria seguindo-a aquela noite.
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