Seis Lágrimas

3 Imersas na escuridão


Notas iniciais
Olá. Eu gostaria de divulgar mais uma fic. Eu realmente estou adorando ler "Starting to finding the lasting love.", da Vienna Prince. Uma fanfic Swan Queen com um texto bonito e gostoso de ser lido. Por enquanto estou gostando bastante. Ok. Agradecimentos. Tenho que agradecer muito às sete pessoas que favoritaram essa fic até agora. Anjinho Parrilla, Camila, Jackfl, Karla, Mrygobe, Lais Azevedo e TipoEmma, muito obrigada. Espero que estejam curtindo esses poucos capítulos até agora. Obrigada também para quem marcou que está acompanhando (mesmo que eu não consiga visualizar) e àqueles que aqueceram meu coraçãozinho com os comentários. Saber que estão aí, ver o sinal de vida, receber os elogios e ainda receber alguns comentários analíticos (não importa que sejam poucos), fazem essa autora aqui muito feliz. Se for pra criticar também não tem problema, viu? Não fiquem acanhados. Bom... Hoje tem musiquinhaa!!! Ebaa. Chama-se "Magic" da banda Coldplay. Aqui está o link: https://www.youtube.com/watch?v=Qtb11P1FWnc Há um momento em que eu cito a música. Se vocês puderem dar "play" nesse momento e ir ouvindo-a até o fim do capítulo... bem... acho que vão gostar. Chega de enrolação. Vamos para o capítulo. Avisos importantes nas notas finais, não deixem de ler.

Call it magic
Call it true
I call it magic
When I'm with you
And I just got broken
Broken into two
Still I call it magic
When I'm next to you

Magic – Coldplay

Nos últimos capítulos:

(Regina)-Pouco me importa quando vai fechar, eu tenho que ver essa exposição!

(Emma) -Hey, calma lá.

***

(E) -Olha... Você tá com a cabeça quente... E o tempo tá esfriando... Vamos tomar uma bebida, um café, alguma coisa, vai...

(R) -Você paga.

***

(R) -Sabe... Minha mãe costumava dizer que a verdadeira mágica acontece dentro de nós. A magia de verdade... É sentimento.

***

(R) -Você quer me levar lá? Mas acabou de ser contratada! Pode ser demitida!

(E) -Só se nos pegarem.

***

Ao saírem do restaurante, Emma e Regina andaram um pouco até o carro da juíza. A loira acompanhou a morena até em casa. Elas ficariam ali por um tempo e quando o relógio marcasse meia noite, elas iriam até o local da exposição.

(R)-E então, miss Swan, como estou?

(E)-Nossa, está muito bem... — dizia levantando-se e colocando ambas as mãos nos bolsos traseiros de sua calça jeans. Porém, parecia um pouco desconcertada.

***

(R) -Nada de arte... Nada de magia...

(E) -É... tenho mais com o que me preocupar.

***

(E) -Nossa... Que breu! — Quando deram um passo à frente, em baixo dos seus pés ascendeu uma frase em laranja. — “Gire um chapéu e abra um portal”?

Juntas, giraram o “chapéu” e a mágica aconteceu.

***

“O aparece e desaparece da natureza: a mágica do eclipse”.

(R) -Faça o que eu fizer.

***

A loira e a morena entreolharam-se e Regina não pensou duas vezes, apertou o botão. Imediatamente as duas metades do círculo negro curvaram-se para baixo.

“Para lembrar que mágica também é surpresa”.

(E)-Da próxima você pensa mais um pouquinho antes de apertar algum botão, beleza?

***

Regina engatinhava até um buraco no meio da parede, que parecia ser a única saída. A loira a seguiu. O buraco estava há aproximadamente um metro e meio do chão. Havia degraus. Ao pisarem novamente no chão, perceberam que ele se estendia até um metro e meio da parede. Estavam encurraladas. Não havia volta. Depois daquela distância era possível observar um grande buraco cúbico de 5 metros.

***

Olhando para dentro daquele grande buraco, as duas ficaram sem saber o que fazer. Como elas poderiam chegar ao outro lado? Não havia uma corda, uma ponte, uma escada... Absolutamente nada. Nem sequer uma dica. Não... Deveria ter alguma. Afinal todos os “desafios” anteriores tinham algum tipo de dica. Emma olhou em sua volta e voltou-se para Regina:

–Achou alguma pista? Ta vendo alguma coisa?

–Bem... A única coisa que estou vendo é esse buraco enorme. Mais nada.

–Droga! — A loira começou a andar por aquele pequeno espaço em que estavam. Poderia ser arriscado, mas algo tinha que acontecer ali, disso ela tinha certeza.

–Será que aquela mensagem na outra sala... “Pra lembrar que mágica também é surpresa”... Não tem nada a ver com isso aqui? Será que aquilo não era uma pista?

–Não sei... Não consigo estabelecer nenhuma conexão entre aquela frase e essa situação.

Emma agora tateava minuciosamente a parede em volta ao buraco. Ao passar por Regina, a morena perdeu o equilíbrio, dando alguns passos para trás em direção ao buraco. A loira percebeu rapidamente o que aconteceria e estendeu a mão, segurando o braço da juíza. Usou a perna direita como apoio e puxou Regina de volta, “jogando” a morena de frente para a parede. Colocou uma mão de cada lado do corpo da menor, apoiando-as na superfície dura, fazendo com que seus corpos ficassem colados. Um ato exagerado, mas assim ninguém correria risco de cair novamente. Ficaram assim por alguns segundos, até o susto passar e a respiração de Regina se normalizar.

Em algum momento, ambas as mulheres sentiram o surgimento de uma tensão diferente. Se antes seus olhares e proximidade soltaram faíscas, surgiram alguns lampejos, agora a coisa tinha sido explosiva. Uma sensação de “déjà vu” percorreu-lhes as espinhas. A respiração de Emma perto do pescoço de Regina, a proximidade dos corpos... O sentimento não podia ser descrito. Emma afastou-se, Regina virou seu corpo para olhar para a loira.

– Você me salvou.

Emma ficou sem graça com a constatação e desviou o olhar, enfiando as mãos nos bolsos traseiros da calça. Regina continuou.

– Obrigada... miss Savior. – Emma a olhou rapidamente.

–Disponha.

Enquanto Emma voltava a tatear a parede, a juíza voltou à borda de onde quase caiu. Agora, com mais segurança, pensou em ver se realmente havia um buraco ali. Havia profundidade, mas será que ela chegava ao fundo do que viam?

–O que pensa que está fazendo? – Disse Emma quando viu a morena sentada no chão e colocando as pernas para fora, sentando-se na beirada.

–Vendo se isso não é algum tipo de ilusão. Acabei de perceber que não é.

A morena tinha as pernas completamente imersas na profundidade do buraco. Não havia chão. Emma aproximou-se e a ajudou a voltar a ficar de pé.

– Acho que encontrei algo na parede. Vem me ajudar com isso.

Ambas aproximaram-se da parede. Havia um pedaço em forma de retângulo ligeiramente solto. Emma não conseguiu soltá-la, mas Regina tinha unhas compridas o suficiente para fazê-lo. Com certeza existia outra forma para soltar a placa da parede, mas elas não pensaram em tentar de outra forma.

Ao retirar o “pedaço” da parede, as duas encontraram a dica que tanto procuravam. Aparentemente o nome do desfio era: “O chicote, o chapéu e a coragem”. Embaixo do “título” estava escrito “Um desfio fácil para os clássicos exploradores”. Regina olhava para a placa e não se conformava:

–Só isso? Só está escrito isso? – Olhou para Emma. – Mas o quê “exploradores” tem a ver com mágica?

–Aparentemente juntaram aventura com mágica. – A monitora, que olhava para a juíza, voltou sua atenção novamente para a placa. – Afinal essa exposição tem sido uma trilha de truques, não?

–Ok... Mas e agora?

–Agora? Bem... Agora estamos sem chão. Literalmente.

Regina virou de costas para Emma, colocou a mão na testa, fechou os olhos e deu dois tímidos passos para frente, pensando em como poderiam passar por aquilo. O pensamento de que ficariam presas ali até a manhã seguinte a assustou. Em todo caso poderiam dormir no estofado da sala anterior. A escura luz vermelha não as incomodaria e o lugar era macio... Mas se pudesse escolher, escolheria ir para casa. Porque insistiu naquilo? Porque confiou que estaria tudo bem em vir com Emma? Aquilo era ilegal! Mas a loira passou uma segurança...

–Regina! – A maior chamou-lhe a atenção. – Acho que descobri algo.

–Descobriu? Descobriu o que, miss Swan?

–Olhe: “O chicote, o chapéu e a coragem”.

– O que tem isso?

– Não te lembra nada?

–Deveria?

–Desde quando não assiste algum filme?

–Pra quem não liga pra arte, magia ou aparentemente diversão você bem que conhece as coisas.

–Não vou discutir isso com você agora. O fato é: Isso lembra muito “O leão, a feiticeira e o guarda roupa”.

–Mas isso é Nárnia.

–Então tem algo a ver com o livro?

–Não exatamente. Na verdade, tem a ver com o filme.

–Com o filme? O que um buraco teria a ver como o primeiro filme de Nárnia.

–Não acho que seja Nárnia.

–Emma, você fumou alguma coisa?

–Pensa bem, Regina. Olha a frase: “O chicote, o chapéu e a coragem”. E depois ele ressalta “Um desfio fácil para os clássicos exploradores”.

–Clássicos... Explorador... Chapéu, chicote... Coragem. Isso não me parece Nárnia.

–Não... Parece outro filme.

–Outro filme... – Regina pensou rapidamente e rapidamente associou os elementos com outro filme. Arregalou os olhos, descruzou os braços, estalou os dedos e disparou: Indiana Jones! — Emma sorriu. A morena era inteligente. E tinha bom gosto.

–Exatamente.

–Uma construção de frases pra lembrar de um filme. Ao lembrar de filmes a frase lembra outro filme. Uma adivinhação... Mas nós não temos nenhum chicote ou chapéu. Bom, pelo menos eu não estou vendo nenhum.

–Você assistiu a todos os filmes?

–Sim...

–Lembra do terceiro?

–Ah, Emma, faça-me o favor.

–Bom... eu lembro. No fim do filme ele se depara com um buraco desses.

–E o que ele faz?

Emma aproximou-se da borda. Estava bem no meio de onde podia pisar, na linha do meio da sala. Fez o mesmo movimento do arqueólogo do filme: esticou uma perna ao alto para frente.

– Usou a coragem.

Abaixou a perna e deu um passo em direção ao buraco. Não caiu. Regina tinha a sua razão. Só errou o lugar onde deveria ter tentado verificar a profundidade. Havia uma ponte “invisível”. Na verdade muito bem disfarçada pela ilusão de ótica, de uma forma que aqueles poucos passos que podiam dar de um lado para o outro não era o suficiente para identificar a ponte. Emma tinha os dois pés já na ponte e ainda parecia surpresa.

–Consegui. – Olhou para Regina. – Consegui! E... e..e eu realmente consegui!

–Sim... Parece que sim. – A morena ainda não acreditava em tamanha ilusão. Aquilo tudo era muito mais do que ela esperava quando decidiu ver o que tinha naquela exposição.

–Hey! Você não vem? – Disse Emma, já mais distante de onde estava. Regina sorriu. Parecia que elas tinham trocado de papeis.

–Claro que vou!

A juíza começou a andar pela ponte, ainda vacilante. Poderia cair no buraco.

–Relaxa. Se a gente cair tem um estofado embaixo daquela cobertura.

A monitora que estava a frente conseguiu ver dali algumas partes de cordas e parte do estofado que estava abaixo da cobertura com a imagem do fundo do buraco pintada. A juíza conseguiu identificar aqueles elementos.

–Não acredito que fui enganada por pintura 3D.

–A maioria das pessoas é enganada... Querendo ou não.

–Não sou como as outras pessoas.

E realmente não era, mas o assunto morreu ali. A loira passou pela passagem seguinte, seguida pela morena. Após passarem por um curto túnel escuro que fazia uma curva, ambas afastaram o pano escuro no fim da linha e adentraram a próxima sala e elas não poderiam ter visto nada mais clichê: Uma sala de espelhos.

Espelhos por todos os lados e uma iluminação branca. Absolutamente tudo era coberto por vários tipos de espelhos: os normais, os côncavos e os convexos... Da forma que eram moldados poderiam reproduzir imagens reais ou aquelas que “engordam” ou “emagrecem” as pessoas. Mais alto, mais baixo, com partes do corpo gigantescas e outras minúsculas. Não importa como, quando ou quantas vezes se vê aquilo, sempre tem a sua graça. É sempre curioso observar distorções. No meio da sala uma nova placa. Branca com letras vermelhas. Estava escrito: “Entre o que é e o que se vê: a imagem existe”.

– Entre o que é e o que se vê: a imagem existe. – Emma estava inclinada para melhor observar a placa e leu a frase em voz alta. – Alguma ideia do que quer dizer, Sra. Mágica?

Regina havia passado da placa e observava a própria imagem nos diferentes espelhos. Passava a mão por um aleatoriamente.

– Não sei ao certo. Talvez possa me ajudar com isso, miss. Savior.

–Pois bem... Ainda estou com ânimo para desvendar segredos... E olha que isso é raridade. Entre o que é e o que se vê... O que é e o que se vê são coisas diferentes...

–Já dizia Descartes para não confiarmos em nossos sentidos.

–Verdade.

–Mas imagem que se vê é real.

–Como assim, Regina?

–Não importa muito o que é e o que deixa de ser. Pelo menos na mágica. O que importa é que aquilo que se vê é real.

–Não, não é não.

–A, não é? Então me diga, miss. Swan, o que você vê quando se olha em um desses espelhos?

Emma parou para observar sua imagem em um dos espelhos.

–A minha imagem distorcida?

–Sim. Você está distorcida?

–Não.

–Mas a imagem de você distorcida existe.

–É... acho que sim...

–Claro que existe, miss Swan. Você está olhando pra ela. – Emma olhou novamente para a morena.

–Aonde quer chegar com esse papo filosófico?

Regina aproximou-se muito de Emma. A tensão de outra hora apareceu novamente, mas agora as duas tinham plena consciência disso.

–Você distorcida não existe, mas a imagem sim. Na mágica o que importa não é o que realmente acontece... Mas o que você pensa que acontece. Aí está a graça. Entendeu agora, miss Swan?

Emma, consideravelmente afetada pela tensão e pelo impacto das palavras da morena não conseguiu falar nada, apenas assentir. Nunca havia pensado dessa forma. Mas naquele momento não estava muito apta a pensar, também. Ia afastar-se, mas a morena o fez primeiro. Aparentemente aquela sala não tinha um grande segredo, só a finalidade de provocar aquela reflexão e alguns risos das pessoas e das famílias que estiveram ali nos dias que passaram.

Andaram um pouco se observando e observando uma à outra e todas as imagens nos espelhos. Emma permitiu se encantar com aquelas imagens malucas e desatou a rir quando viu uma de Regina em que a morena ficou com uma cabeça minúscula e o resto do corpo gigantesco. A juíza se surpreendeu com a risada espontânea e divertida da loira. Emma que parecia estar a todo o momento com um quê preocupado, sem baixar a guarda, desfez completamente as barreiras.

Por outro lado, a loira ficou preocupada em demonstrar aquele sentimento, mas optou por afrouxar as amarras que sempre a prendiam. Sempre correndo e fugindo das pessoas, com medo de se machucar, ocultando quem era no fundo. Naquele momento esse peso sumiu. As limitações se desfizeram. A risada de Emma contagiou Regina que desistiu de entender o que estava acontecendo e começou a rir da loira. Emma continuou rindo da situação e das caretas que Regina começou a fazer diante dos espelhos, afim de provocar mais risadas de ambas. Fizeram coisas assim pelo resto do caminho dos espelhos. Uma ou outra vez interagiam na mesma imagem. Em uma dessas vezes Emma agachou-se e Regina apoiou-se em suas costas, fazendo com que a imagem de Emma parecesse minúscula e a de Regina imensamente grande. Desataram a rir novamente.

–Nossa, que coisa ridícula. –Regina dizia, diminuindo o fluxo de risos.

–Nem me fale. – Disse uma Emma que lutava para não continuar rindo.

Passaram da sala dos espelhos e se detiveram quando se depararam com a próxima sala, já com a placa e títulos escancarados: “De fora para dentro – A cartola mágica”. Na verdade ali não era bem uma sala. Era um salão muito grande onde se podia observar em alguns cantos três passagens iguais. Uma delas era aquela de onde ambas as mulheres acabaram de passar. Provavelmente era o fim de todos os caminhos do início da exposição. Por um momento imaginaram se os outros caminhos tinham salas diferentes daquelas pelas quais passaram. Mas esse pensamento logo abandonou as mentes delas e começaram a se aproximar da gigantesca cartola que estava no centro do local.

Havia uma sala em forma de cartola, que deveria ter uns doze metros de altura e nove de largura, só medindo-a por dentro. Ao aproximarem-se do local, perceberam que em cima da mesa, ao lado da entrada, repousavam algumas cartolas de verdade, algumas varinhas pretas com as duas extremidades brancas e alguns sapatos de couro preto. Nenhum com salto. Estranharam. Perceberam então um livreto ao lado daquelas coisas. Surpreenderam-se ao perceber que era um guia de monitor, e mostrava, de forma simplificada, como aquilo tudo funcionava. Que sorte!

–Bem... Regina... Vamos entrar pra ver como funciona?

–Essa sala em forma de cartola na verdade é uma máquina?

–É, aparentemente sim.

–E você sabe como faz pra funcionar?

–Não. Mas te garanto uma coisa: eu vou descobrir.

Emma pegou duas cartolas. Colocou uma e entregou a outra a morena. Fez o mesmo com as varinhas e com dois pares de sapatos, obviamente depois de perguntar o número de Regina. Voltou a olhar o livreto. Começou a andar pela lateral da “cartola gigante”.

–Aparentemente eu tenho que ligar um interruptor aqui. — Ligou-o e voltou a olhar o livreto – Ligar os botões dessa máquina. — Ligou todos eles e voltou a concentrar-se no guia. — E finalmente... conectar os cabos? Droga, não sei conectar cabos!

–Emma.

–Quê? — desviou o olhar do papel e virou-se para olhar Regina.

–Já estão conectados.

Emma observou do outro lado todos aqueles cabos complexos ainda conectados no computador e na máquina. Alguns, mais grossos, também estavam conectados em uma caixa preta que estava encostada a uma das paredes do grande salão.

–Ainda bem então, senão não ia dar certo.

A loira deu uma última olhada no que tinha que fazer antes de entrar no local. Deixou o guia em cima da mesa de onde o pegou e entrou na “cartola” com Regina. Fechou a porta. Estava tudo escuro e não dava para enxergar nada. Emma tateou a parede novamente e encontrou a alavanca que deveria puxar. Mas antes de fazê-lo ouviu Regina dizer:

–Normalmente se tira coelhos de cartolas. Ou pássaros...

–Bom... Estamos entrando em uma. Acho que vai ser interessante.

A loira puxou a alavanca. De repente algumas luzes começaram a piscar. Lasers vermelhos, verdes, azuis e roxos preencheram todo aquele lugar escuro. Tanto a loira como a morena foram direto para o meio do lugar, ou o que elas pensaram que seria o meio, já que não se podia ver nada. Uma voz masculina robotizada soou lá dentro enquanto as luzes piscavam coloridas. Algumas brancas também começaram a piscar. Aquilo tudo lembrava, de certa forma, as baladas dos clubes noturnos nas cidades, mas piscavam mais lentamente. A voz iniciou uma contagem regressiva:

–Five. Four. Three. Two. One.

Em seguida uma voz robotizada feminina saudou as mulheres:

–Welcome to the land of magic. (Bem vindo à terra da magia).

As duas estavam tensas, uma de costas para a outra e um pouco afastadas, esperando o que ocorreria em seguida. Uma música começou a soar no ambiente. Era Magic, da banda Coldplay.

–E agora, o que a gente faz? — Perguntou a morena.

–Sei lá, imagina alguma coisa!

E foi o que Regina fez. Ao imaginar uma bola de fogo, então uma bola de fogo fora projetada entre as duas. Quando se viraram para observá-la, ficaram maravilhadas. Não acreditavam que a tecnologia havia chegado aquele ponto. Mas aquilo não era importante naquele momento. Começaram a sorrir. Tudo dentro daquela cartola poderia virar realidade. Elas pensavam e as luzes fariam o resto. A bola de fogo girava e brilhava diante dos olhos delas. Parecia um cometa vermelho.

Foi a vez de Emma brincar de imaginar. Estendeu a mão e uma rosa vermelha surgiu flutuando acima da palma de sua mão. Estendeu-a para Regina. As pétalas brilhavam. Parecia que estavam enfeitadas com glitter e o pó que não parava de saltar delas. Era tudo riquíssimo, nos mínimos detalhes. Regina fez como se pegasse a Rosa na mão e a transformou em uma maçã. Depois estendeu a outra mão com a varinha e todo o local se iluminou com a projeção de várias maçãs flutuantes. A loira riu da cena. Regina sorriu, desafiando-a. Então Emma esticou o braço e com a própria varinha juntou todas as maçãs em um ponto vermelho que se escureceu. Depois quebrou a escuridão com a explosão de milhares de pontinhos brilhantes branco-azulados. O início do universo. O início de tudo.

Regina olhava encantada para cada pontinho a sua volta. Eles giravam pela sala, e, no momento seguinte, percebeu que flutuavam em torno de si, tanto que dava para tocá-los, caso tentasse. Mas a loira não havia terminado. Traçava linhas roxas e verdes entre as estrelas e identificava os signos. Todos os signos estavam desenhados no espaço. Era uma noite estrelada e linda que havia sido criada por Emma.

A morena aproveitou aquele espaço encantado para criar mais coisas. Deixou as estrelas, mas apagou as linhas que demarcavam os signos. Surpreendeu a loira quando um coelhinho branco brilhoso passou pulando rapidamente no ar, perto de seu peito. O coelho alcançou uma cenoura brilhante um pouco distante de onde estavam e começou a mordiscá-la. Foi quando duas pombas brancas passaram voando por Regina, vindas de trás e de lados opostos e cruzando seus caminhos perto de seu rosto para afastarem-se logo depois. A juíza assustou-se e olhou para a monitora, que ria debochando de sua cara.

Se até ali ainda havia alguma proteção por parte de Emma ou algum Receio por parte de Regina, com certeza tinha acabado de ir pras cucuias. As duas não se lembravam da última vez em que haviam ficado tão a vontade com outra pessoa. A loira gostava de pregar peças. A morena criava para o sorriso dos outros. E agora buscava o sorriso de Emma.

Naquele instante as duas foram surpreendidas quando começaram a flutuar. Elas não perceberam, mas os sapatos eram pesados demais. Um dispositivo que anulava a gravidade temporariamente estava conectado com o chão. Não o ligaram. Fazia parte do show. Seus corpos estavam ficando horizontais no espaço e seus rostos estavam próximos.

–Estamos voando? A gente tá voando? — Emma parecia não acreditar que aquilo estava acontecendo.

–É, acho que sim!

–Mas... Mas isso é impossível! É loucura!

–É magia! — Regina criou borboletas, muitas, muitas delas que voavam coloridas por dentre as estrelas.

–Mas, mas-

–Emma! Fecha os olhos! — A morena interrompeu. A loira fechou.

–E agora?!

–Acredita!

Regina sorria. Estava flutuando, voando! Emma acreditou e via-se um sorriso em seus lábios também. Abriu os olhos e olhou a morena. Estendeu a mão para ela, que fez a mesma coisa. Não falaram nada, só deram as mãos e começaram a girar.

–A gente tá voando!

Emma agora estava alegre e rindo, e com uma expressão engraçada de surpresa e felicidade misturadas, o que fez com que Regina começasse a gargalhar. As duas riam e riram mais quando o coelho passou com a cenoura por elas novamente. As estrelas ainda as cercavam, mas a música ia chegando ao final e com ela o efeito dos sapatos. Elas iam pousando delicadamente no chão, ainda de mãos dadas.

O efeito e a música terminaram. As luzes se ascenderam dentro da “cartola” e elas puderam sair. Desligaram tudo de novo e saíram pela porta indicada. Mas antes depararam-se com outra placa que deixava uma reflexão: “O que é magia?”. Era algo a se pensar depois de toda aquela aventura. Ainda estavam um pouco perplexas e saíram comentando a criatividade uma da outra, ou a falta dela. Emma implicava com Regina quanto ao clichê de ter pensado em um coelho, enquanto que a morena dizia a loira o quanto pombos brancos era igualmente sem originalidade.

–Pelo menos meu coelho era fofo.

–E meus pombos não eram? Claro que eram!

Ao chegarem novamente à sala de funcionários, Emma abriu seu armário e pegou de volta suas bolsas. Surpreenderam-se ao constatar que era três e meia da manhã. Saíram do local pela porta dos funcionários, mas antes deixaram tudo como estava antes de chegarem. Regina entrou no carro com Emma e ambas cansadas recolheram-se a si mesmas. A morena ligou o rádio. Pouco a pouco foram voltando a ser o que eram. Emma ia indicando o caminho da sua casa a Regina.

–É logo ali, naquele prédio.

A juíza estacionou o carro. Enquanto a loira soltava o cinto, Regina perguntou:

–Hey... Se interessou por mágica agora?

–Talvez.

–Bom... As vezes eu me apresento em alguns lugares...

–É, você disse.

–Se você quiser, pode ir me ver um dia desses.

–Está me convidando para ir ver seu show, Sra.Mills?

–Bem...

–Olha, está tarde. Não quer entrar? É perigoso andar pelas ruas sozinha a essa hora e não é bom demorarmos aqui.

–Não... Acho melhor eu ir.

–Tem certeza?

–Você está cansada e eu não quero incomodar.

–Vai me incomodar mais se não entrar.

Regina refletiu um pouco.

–Está bem.

Quando entraram, Emma ofereceu uma bebida e Regina aceitou. Um vinho tinto que Emma abrira naquela semana. Conversaram entre uns goles e outros. Estavam praticamente jogadas no sofá do apartamento de Emma. Uma de um lado e a outra do outro. Já estavam altas e Regina voltou a conversa sobre magia.

–No fim... Eu confirmei? Minha mãe estava certa? Magia se trata de sentimento?

–Bom... Acho que sim... Para o mágico, acho que a verdadeira magia é a mudança nos sentimentos das pessoas... Fazer surgir um sorriso onde não tinha.

–Ou então trazer pra fora algo que estava escondido... Bem... ela vivia falando sobre “a arte da mágica”. Mas e pra quem vê? O importante é o que se vê... então?

–Não o que se vê, mas como se vê...

–“Como se vê?”

–É... bom... depende do ângulo... da visão.

–Entendo. Sabe... Sempre me diverti vendo coisas impossíveis acontecendo na minha frente.

–Você acreditava?

–Ainda credito.

–Mas são truques!

–Mas você não acabou de falar que depende de como se vê? — As duas se encaram. Regina suspirou e colocou a cabeça no sofá, com o quarto copo de bebida praticamente vazio, o qual colocou em cima da mesa de centro. — No fim... Magia é sobre sentimento, sobre visão... ou então é só sobre acreditar...

–Acreditar... — Emma repetiu pensativa.

–Acreditar sem provas...

–Então... Magia é sobre fé?

Notas finais
Bem... espero que tenham gostado do capítulo de hoje. Essa provavelmente é a música mais importante de toda a fanfic, porque foi a primeira que me veio a mente nos primeiros pensamentos sobre a história, e ela é bem importante. Terão outras. Eu gostaria de fazer uma proposta. O próximo capítulo é muito especial. Com ele vocês vão começar a entender mais o formato dessa história. Eu quero ver a empolgação de vocês. Quem está na moita, a hora de sair é agora. A proposta é a seguinte: No momento, a fic está com 18 comentários ao todo. Se até domingo às 19 horas o total de comentários da fic atingir o número 40, eu posto o capítulo especial no domingo às 20h (e ainda vai ter o capítulo de terça). Se, por acaso, atingir esse número antes, eu posto no sábado à noite. Pergunta: Eu comentei no capítulo 1 e 3 mas não comentei no 2. Se eu comentar no 2, também vale? Resposta: Vale sim. No entanto, eu quero realmente saber o que vocês estão achando, então dê preferência para o capítulo atual. Ah... Mas eu não sei o que comentar. Então responda essas perguntinhas: Gostou da música usada e de como foi usada? Gosta de ler ouvindo música? Que horas você mais entra no nyah? Você lê as fanfics por onde? Ex: PC... Celular... Pra mim já está de bom tamanho. Quero saber as horas porque estou pensando em postar entre 20 e 21h... Procurem-me no face ^^ https://www.facebook.com/fenix.tsubasa ACHO que não esqueci nada... Se esqueci eu falo depois. Beijos, amores. Obrigada por ler.