Seis Lágrimas

11 Dois corações


Notas iniciais
Preciso agradecer a Electric Soul pela maravilhosa recomendação, um dos motivos que fez com que eu voltasse a escrever. Mesmo tendo sido escrita há algum tempo, não esqueci dela. Foi maravilhoso acordar e vê-la ali. Muito obrigada. Agradeço também a WaleskaPJAC, Electric Soul, jessica, modreamer, swenxxx, Giovanna, SWAANNNNN e kamiilasoares por favoritarem a fic. Musiquinha para esse capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=REc9aP7th4cPodem ficar tranquilos que a hora em que é tocada vocês vão saber. Boa leitura, pessoal.

"I've waited a hundred years
But I'd wait a million more for you
Nothing prepared me for the privilege of being yours
If I had only felt the warmth within your touch
If I had only seen how you smile when you blush
Or how you curl your lip when you concentrate enough
I would have known what I've been living for all along
What I've been living for"

Turning Page — Sleeping At Last

Nos últimos capítulos — Boston:

Regina sorria. Estava flutuando, voando! Emma acreditou e via-se um sorriso em seus lábios também. Abriu os olhos e olhou a morena. Estendeu a mão para ela, que fez a mesma coisa. Não falaram nada, só deram as mãos e começaram a girar.

***

(R) — No fim... Magia é sobre sentimento, sobre visão... Ou então é só sobre acreditar...

(E)-Acreditar... — Emma repetiu pensativa.

(R)-Acreditar sem provas...

(E)-Então... Magia é sobre fé?

***

–Alô.

–Olá, Emma. Tudo bem com você? — Você pode me dizer porque raios os quatro pneus do meu carro estão furados?

***

–Se vira. Quero você aqui às sete e meia em ponto.

***

–Alô, Tom! Preciso do seu carro.

***

– Bom dia, miss Swan. — O tom da morena era mais animado do que o usual.

– Bom dia, Regina. — devolveu, evidenciando seu mau humor

***

–Miss Swan, volte agora com esse carro!

–Não.

–Regina, o que tá faz- Regina!

Aquela era a gota d´água. A morena se impulsionou em direção ao volante, segurou-o como pôde e virou completamente à direita, fazendo com que o carro desse um “cavalo de pau”.

***

–Onde pensa que vai, Sra.Mills?

–Pra casa.

–A pé?

***

–Parque Florestal Nobre Cisne. — a morena parou de andar. Emma pisou no freio. — É pra lá que pretendia te levar. Conhece? — A morena a fitou.

–Está bem. Vamos. — A morena entrou novamente no carro e apertou o cinto, enquanto a loira dava meia volta, voltando ao rumo inicial. — Mas se acontecer alguma coisa, se eu perceber algo estranho, Swan, você vai desejar não ter nascido.

***

–E por que insistiu em vir comigo?

Emma estacionou o carro, tirou o cinto e olhou para a morena.

–Um desafio é sempre mais interessante.

A loira deixou o banco do motorista e Regina sorriu, gostando do termo “desafio”. Aquela loira também era um desafio. Algo instigante. Uma aventura. Mais uma vez uma aventura. A partir daquele momento, a juíza teve certeza de que sua vida iria mudar. Era como ver algo grande vindo.

***

–Eu também gosto muito... Mas prefiro quando é maçã do amor.

–Também gosto assim... Mas não sei fazer.

–Mas não é só adicionar amor à maçã?

***

Em um instante, quando a loira estava concentrada falando com seu monitor e o de Regina havia ido resolver um problema rapidamente, a morena segurou firmemente as rédeas e mexeu o corpo de tal forma que o cavalo começou a correr. Emma gelou enquanto Regina sorria desafiante para si mesma.

***

Por sorte, a loira reconheceu parte do local e virou à direita, adentrando uma formação rochosa em forma de caverna. Alguns instantes depois, surgiu à frente da morena e o cavalo da fugitiva empinou, dessa vez, assustado. Regina segurou o máximo que pôde, mas acabou escorregando e caindo ao chão.

***

A loira pegou na mão da juíza e a guiou para mais perto do precipício. Chegaram em uma distância razoavelmente segura do limite e então aconteceu. Um vento arrebatador vindo de baixo, com cheiro de sal e mar, as atingiu. Ambas fecharam os olhos e deixaram-se sentir aquele vento, aquela liberdade. As sensações que só se tem quando se entra em contato com aquela parte de nós que nos é mais natural, quando estamos onde realmente pertencemos. Em meio à natureza.

***

–São desconhecidos. E estão meio bêbados. O que pretende fazendo parte do grupo deles?

–Socializar, Regina.

–Com desconhecidos?

–São desconhecidos até que você os conheça

***

Palmas e assovios preencheram o ar. Era quase meia noite e metade das fogueiras já estavam apagadas, soltando fumaça ainda, verdade. Elas despediram-se e voltaram, cambaleando um pouco, em direção aos chalés.

***

Incontáveis vaga-lumes passeavam por ali. Tantos e tantos quanto jamais alguma delas se recordava de ter visto. Aproximaram-se e eles as rodearam. Ficaram ali por um tempo, boquiabertas.

***

A loira estava sentada na janela, observando a lua, esperando um pouco para deitar-se. Quando a morena deitou-se, a loira saiu da janela. Mas não sem antes enroscar a perna no apoio de peito e quase cair. Isso provocou um riso gostoso em ambas, e aquela mesma sensação que a juíza experimentara instantes antes, incomodou as duas, mas nenhuma disse nada sobre o assunto. A loira deitou. No dia seguinte, por causa da bebida, a sensação seria esquecida, apesar de que a memória de todo o dia, inclusive dos vaga-lumes, não.

***

O som de risinhos infantis percorria o ar fora do chalé. Crianças corriam de um lado para o outro, por vezes gritando, entretidas em alguma brincadeira do tipo pega-pega ou pique-esconde. Cedo de manhã o celular da morena soara despertando-as, mas a ressaca fazia-se presente e ambas concordaram em fechar a janela e as cortinas, a fim de dormirem por mais tempo. Conseguiram. Por algumas horas.

–Crianças... – A morena balbuciou, ainda de olhos fechados – Elas precisam brincar aqui?

–Elas vão e voltam. Já fizeram isso umas quatro vezes. — A loira respondeu, com a cabeça afundada no travesseiro. Encontrava-se um pouco mais desperta que Regina, que bufou contrariada.

–Nunca tive muita paciência pra essas coisas. – Um minuto de silêncio.

–Mas você faz mágica pra crianças. – A monitora esperou uma resposta que demorou a vir. A juíza, que estava deitada de lado, virou de bruços e encostou o outro lado da cabeça no travesseiro.

–Faço mágica, não sou mãe delas.

Ainda zonza, Emma abriu os olhos, ergueu o corpo, o travesseiro e recostou-se, tentando colocar os pensamentos no lugar. Ficou um tempo olhando para o nada. Bocejou. A pouca luz que adentrava o recinto fazia com que fosse possível observar parcialmente ao seu redor. Mais algum tempo se passou sem que nenhuma palavra fosse dita.

–Eu gostaria de ter filhos.

A confissão de Emma surpreendeu Regina, que abrira os olhos, mas não se movera.

–Ainda está em tempo.

–Talvez.

–Você... Não tem um parceiro? Algum ficante, namorado...?

A monitora a fitou por alguns segundos antes de desviar o olhar para as próprias mãos. Os cabelos loiros, bagunçados após uma noite de sono, começavam a incomodá-la.

–Não.

–E... E aquele cara... O dono do carro?

–O Tom?

–Sim. Ele parece ser alguém importante para você.

–E é.

–Já tentou algo com ele? – A loira suspirou.

–Já.

–Ele não gosta de você? Não é apaixonado?

–Eu... Acho que...

A resposta ficou no ar, mas o olhar de Regina insistia em querer saber. Mesmo com pouca iluminação, as duas conseguiam se olhar. Emma continuou:

–Ele me ama, Regina.

A morena sentiu um arrepio no ventre com a revelação. Não imaginava falar em amor. Não imaginava encontrar essa palavra naquele momento... E daquela forma.

–Entendo. – A juíza pareceu desvendar algo na expressão da monitora. – Você não o ama. Não como um amante. – Emma a olhou. O silêncio pairou e uma lágrima escorreu pela bochecha da loira.

–Não. Quer dizer... É complicado.

–Eu... Não deveria ter sido tão direta. – A morena subiu o corpo para ficar sentada, encostada na madeira da cama. Desviou o olhar e observou o nada à sua frente.

–Não... Tudo bem. Só... Vamos levantar. Temos algumas coisas pra fazer ainda antes de ir embora. Que horas são?

Regina pegou seu celular.

–Meio dia e meia. – Emma suspirou.

–Dormimos muito. Vou tomar um banho rápido. Vamos comer algumas coisas da cesta. — Dizia enquanto levantava e se dirigia ao banheiro. – Não teremos muita oportunidade de comer.

–Está bem, mas antes de você tomar banho, me deixa usar o banheiro. E coloque uma calça, Miss Swan.

A loira havia esquecido que retirara a parte de baixo do pijama no meio da noite. Regina passou por ela, entrou no banheiro e fechou a porta.

–Depois do banho, senhora Mills.

Cerca de quarenta e cinco minutos depois, ambas já haviam tomado banho e comido. Tomaram bastante água também, para aliviar a ressaca. Encontravam-se prontas para as atividades do dia. Iriam embora um pouco antes do anoitecer, então não aproveitariam ao máximo. Contudo, as atividades estavam sendo satisfatórias para ambas as partes.

Emma vestia uma camiseta vermelha, um shorts jeans e chinelos. Também carregava consigo uma mochila com protetor solar, roupas reservas e um creme hidratante que Regina fizera questão de comprar por lá. Já a morena, uma regata branca decotada, também um shorts jeans, com detalhes verdes, que fazia parte de suas roupas novas, e um par de tênis da loira. Prontas, as duas mulheres caminharam, com um mapa do território em mãos, em direção a uma trilha especifica em meio à floresta, que passaria por uma cachoeira. Era uma trilha fácil, e, por isso, não precisariam de um guia. Foram observando a mata, conversando sobre a natureza, o que viam e o que ouviam. No entanto, quando três crianças passaram por elas, Emma não pôde deixar de voltar no assunto.

–Você disse que não tem paciência para crianças...

Regina a olhou, um tanto surpresa pelo retorno ao assunto. Voltou o olhar para o chão e respondeu:

–Bom... Na verdade crianças demandam muito tempo, o que é algo que eu realmente não tenho.

–Entendo...

–Também não sei se conseguiria fazer um bom trabalho. São tantas questões para serem lidadas...

–São mesmo. — A morena parou no meio do caminho, o que fez com que a loira fizesse a mesma coisa dois passos à diante.

–Mesmo assim... Às vezes sinto falta de companhia. Acho que eles dariam uma boa companhia... Não é?

–Suponho que sim. – Ambas voltaram a caminhar.

–De qualquer forma... Não tenho nem um marido, como posso pensar sobre filhos?

–Bem... Você sempre pode adotar. – Emma a olhou com um grande sorriso de canto.

–É verdade. Há essa opção... Às vezes me esqueço, mas acho que você não tem como se esquecer.

–Não, não tenho. Sempre quis uma família, sabe? Passei por algumas, mas nunca deu certo. Acho que não era pra ser. Nunca soube o que é ter pais. Como eram os seus?

–Meus pais?

–Sim. Eles devem ter te amado muito, e sonhado um grande futuro pra você.

–Por que acha isso?

–Por quê? Vejamos... Eles te deram um nome muito especial. Regina significa rainha, se não me engano.

–Sim. É verdade, mas não achei que você fosse do tipo que se liga aos significados de nomes e essas coisas.

–Realmente não presto muita atenção nisso. Esses misticismos não combinam comigo. Mas fiquei sabendo quando estava foleando alguma revista, eu acho... Por algum motivo nunca mais esqueci. Esqueci de todos os outros, mas não esse.

A loira contava, enquanto franzia o cenho, tentando achar alguma explicação por nunca mais ter esquecido o significado daquele nome em específico. Afinal, fazia muito tempo que o sabia.

–E o seu nome? Qual o significado dele?

–Não sei. Nunca procurei saber.

–Entendo. Quanto aos meus pais, devo dizer que fui muito sortuda por tê-los em minha vida. Eles tinham suas ocupações, é verdade. Mas quem não tem, não é? Quando estavam comigo, davam-me todo o carinho do mundo. Quem escolheu meu nome, na realidade, foi a minha mãe. Ela achava que eu poderia ter o mundo aos meus pés se eu quisesse. Ela sempre quis garantir isso, a começar pelo meu nome.

–Eu acho... Que ela tinha razão.

–Sobre o que?

–Sobre você ter o mundo aos seus pés. Ela acertou. Você pode.

A morena a fitou, deixando que seu desentendimento transparecesse em sua face.

–Posso?

–Sim. Bem ao contrário de mim, devo dizer. Ainda estou tentando achar algum rumo legal pra minha vida. Fui investigadora por uma parte da vida... Mas algo aconteceu... E eu decidi tentar me encontrar.

–E o que aconteceu.

–Não me recordo exatamente... Mas de uma coisa eu sei: você parece ser uma pessoa que sempre consegue o que quer.

–É, talvez... Ou talvez eu tenha apenas estragado tudo.

–Interessante.

–O quê?

–Também acho que estrago tudo. – Alguns minutos de silêncio passaram, com uma Regina um pouco cautelosa com as palavras, ao lembrar-se das lágrimas de Emma mais cedo. Depois de alguns comentários sobre pássaros que viram pelo caminho, a loira continuou:

–E sobre aquela sua irmã? Gostava dela?

–Irmã?

–É... A da fotografia no seu aparador.

–Ah, sim. Ela não é minha irmã. Era uma amiga. Quase irmã, mas não era parente.

–Ah, sim, você comentou mesmo.

–O nome dela é Zelena. Foi uma pessoa muito importante pra mim.

–Foi?

–É. Eu não sei onde ela está agora, já que se mudou quando eu era adolescente. Ela era mais velha e cuidava de mim sempre que meus pais estavam ocupados demais por algum motivo. Foi uma grande companheira pra mim.

–Sei... Que bom que você viveu cercada de tantas pessoas maravilhosas.

–É. Mas agora sou só eu.

–E você está feliz assim?

–Está querendo saber demais, Miss Swan. Na verdade eu nem sei porquê te conto essas coisas.

–Às vezes você só precisava falar.

Ambas pararam e Regina a olhou de cima a baixo e baixo a cima. Sem movimentar o rosto, admitiu:

–É. Talvez. Mas não sei por que necessariamente você. – A morena voltou a andar, mas Emma não.

–Talvez porque seja a única disponível no momento. – A juíza parou de andar naquele instante, mas não virou o rosto. Permaneceu parada, de costas para sua parceira de trilha.

–Venha, acho que é por aqui. Estou ouvindo um som de água. Talvez seja o rio.

E a conversa deu-se por encerrada. Quando as duas saíram do meio da floresta para a área livre de árvores à beira do rio, encantaram-se novamente com a vista. Uma queda d´água de aproximadamente 8 metros em seu total estava bem ali. Também existia duas escadas, que permitiam as pessoas transitarem por ambas as partes. As águas eram límpidas e o rio continuava, porém não tão rápido quanto a parte de cima. Algumas poucas pessoas estavam por lá. Havia algumas na parte de cima do paredão, antes da queda propriamente dita. Tanto embaixo como em cima havia a presença de alguns funcionários do parque que montavam algo parecido com área de lazer. Estavam em um local alto, tanto que montaram uma tirolesa que começava perto da cachoeira e terminava em uma área verde, perto do centro de compras do parque. Uma verdadeira maravilha. Quem quisesse, não precisaria andar tudo de volta. Entre os oito metros da parte de cima e baixa do rio, existiam algumas pedras, por onde as pessoas poderiam saltar. A água era funda o suficiente, e quase não havia pedras embaixo, o que tornava os saltos seguros. A loira foi a primeira a se pronunciar.

–Está muito quente. Estou louca pra cair na água.

–Você ficou louca? Não trouxemos biquínis conosco.

–E?

–Está pensando em pular com roupas normais?

–Qual o problema? – Regina ficou boquiaberta, sem saber o que dizer por alguns segundos.

–Se você quiser ir, você vai. Não me responsabilizo. Mas saiba que eu ficarei em terra firme. Além do mais, olha o céu. Vai chover.

–Então ficaremos molhadas de qualquer jeito, não?

–Eu vou para aquele canto e ficarei sentada naquela cadeira. Você pode ir.

–Não acredito que veio até aqui e não vai entrar na água.

–Então não acredite. — Girou o corpo e foi sentar-se.

A princípio, Emma cogitou convencê-la, mas resolveu apostar que a morena não aguentaria o calor. Então pulou na água enquanto Regina a observava. A camiseta grudou em seu corpo e o shorts ficou encharcado. Os chinelos ela havia deixado com a juíza. Mas foi quando um DJ ligou a aparelhagem de som que a loira teve uma ideia.

–Regina! Regina!

–O que é Emma?

–Quero pedir uma música!

–O que? Não estou ouvindo!

–Pedir! Música!

–O que? – Emma fez sinal para que Regina fosse até ela. A morena o fez, mas não sem antes expressar como podia a sua contrariedade por sair de onde estava sentada.

–Diga, Emma.

–Quero pedir uma música.

–Ah, é? Vá lá e peça. – Virou-se para ir embora.

–Não. Espera.

–Que foi?

–Já que está aqui, pode pedir pra mim? – A morena bufou.

–E qual você quer?

–É... Bem... Você pode abaixar?

–To ouvindo muito bem daqui.

–É que eu não lembro o nome direito e talvez se eu cantasse um pouco, talvez você soubesse.

–Cante. – A loira olhou de um lado para o outro.

–Tem muita gente aqui. – Regina a observou fixamente por alguns segundos, de braços cruzados.

–Sua sorte é que estamos em um passeio.

Nesse momento o Dj começou a tocar “Burning Love”, de Elvis Presley. A morena agachou e a loira aproximou-se. Rapidamente ela segurou a regata branca de Regina, seu ombro esquerdo e a puxou para dentro da água. Ambas mergulharam, e quando retornaram à superfície, a juíza só faltou matar Emma.

–Swan, sua psicopata! Você é louca, é? Além de me sequestrar ainda quer me matar?

Claro que a loira assustou-se com o surto da outra. Mesmo assim, continuou:

–Esfria a cabeça, rainha.

–Como, é? Esquece. Você não tem jeito. Vou voltar para o chalé.

Quando Regina saiu da água, a loira fez a mesma coisa. Agarrou-a e puxou-a consigo novamente, e, naquele instante, ambas caíram de costas. Emma desatou a rir no momento em que voltou a respirar, deixando a outra incrédula.

–Regina, você já está molhada. Tente ficar por aqui mesmo.

–E por que eu ficaria, Swan?

Foi quando a mulher de olhos verdes atirou água em Regina.

–Pra se refrescar.

A morena apresentou um penetrante e ameaçador olhar, mas, ao contrário de todas as expectativas, revidou, jogando água naquela que a havia arrastado para água. Depois de um tempo em que uma jogou água na outra, as duas estavam rindo.

–Agora se acalma e aproveita. Deixa o stress pra outra hora.

–Você me estressa, Miss Swan.

E o sorriso mais largo e brilhante brotou nos olhos e lábios da loira, que estendeu a mão.

–Venha.

–Pra onde?

–Pra fora da água.

Regina não a entendeu de primeira, mas após estarem em terra firme, Emma a levou para o alto de algumas pedras e ambas pularam. Ora juntas, ora separadas. De mãos dadas ou não. Gritando ou não. Até mesmo de costas, juntas. Foram vários pulos, e a cada um, parecia que elas deixavam de serem elas mesmas, para serem as crianças que deixaram para trás há muito, muito tempo. Pulavam e riam. Riam e pulavam. Riam uma da cara da outra, ou só por estarem se divertindo. Algumas pessoas as olhavam e não entendiam, mas não precisavam entender.

–Eu rindo dessa forma é algo raro, Swan. Então aproveite bem, entendeu?

–Às suas ordens, rainha.

Elas riram mais uma vez. Mas Emma percebeu algo que tinha deixado de notar a um tempo. A regata colada no corpo da morena era branca, o que fazia da situação um pouco mais delicada. O sutiã estava evidente, e a loira enrubesceu quando percebeu. A morena notou o olhar, e por vezes também prestava atenção nas pernas molhadas de Emma, mas achou por bem não comentar nada.

–Acho melhor irmos. Já estamos aqui há muito tempo e o céu está mais encoberto.

–Verdade.

–Será que os tênis já estão um pouco mais secos?

Depois que Emma a arrastou para dentro da cachoeira pela primeira vez, e depois de ter resolvido ficar na água. Regina saíra da água para deixar os tênis e meias que ficaram ensopados para secar um pouco.

–Muito provavelmente não.

–Bem... Vamos. Temos que voltar ao chalé, pegar as coisas, pagar...

–Claro.

Pegaram as coisas e deram uma última olhada em volta, para terem certeza de que não esqueceram nada, e também para se despedir do lindo local que estavam. Árvores de folhas verdes, flores, pássaros coloridos... Tudo isso e mais rodeava aquele lindo local. O ar fresco corria por dentre as árvores, e borboletas voavam pra lá e pra cá, denunciando o limpo ar. Por vezes também pousavam nas coisas e nas pessoas, fazendo-as companhia.

Decidiram por não colocar a roupa reserva naquele momento. As roupas íntimas as molhariam novamente, de qualquer forma, e não sabiam se ainda seriam pegas pela chuva que ameaçava cair. Questão que foi solucionada pouco tempo depois, pois foi o tempo de descerem pela tirolesa que os pingos começaram a atingi-las ainda enquanto estavam por lá. Permitiram-se ainda mais algumas risadas enquanto brincavam de escorrega por dentre a verdejante paisagem.

Ao chegarem ao fim da linha e retirarem todos os nós e cordas que mantinham a segurança delas, optaram por tentar um atalho até o chalé que estavam, para não ficar por muito mais tempo na chuva. A mata não era tão fechada, mas depararam-se com alguns locais um pouco difíceis de passar, e outros escorregavam um bocado, pela chuva que já caía significantemente forte. Emma chegou primeiro e virou-se para trás, para dirigir-se à morena que a acompanhava:

–Chegamos. – disse sorrindo, enquanto era atingida por grossos pingos de chuva. Não avistou Regina, então desfez o sorriso e deu um passo para o lado, tentando localizá-la. – Regina?

–Estou aqui, Emma. Tentando me livrar dessas árvores. – Saiu de dentro da floresta para perto de onde a loira se encontrava. – Pronto. Conseguimos. – Bateu as mãos para retirar terra e poeira de si.

–Está ferida.

–O que?

–Aqui. – Ao dizer isso, Emma aproximou-se de Regina e colocou sua mão sobre a bochecha esquerda da juíza, que estava sangrando por um corte superficial de 3cm. – E aqui está sujo.

Quando a loira foi limpar o outro lado da face da mulher que estava à sua frente, por alguns instantes tocou-lhe o rosto com ambas as mãos. Nesses mesmos segundos, Regina demorou-se com os olhos fechados, causando mais um arrepio velado na espinha das duas. Emma encantou-se com aquela face tranquila e serena. Sentiu-se confortável, feliz e em paz, depois de um longo tempo. Não se lembrava de quanto tempo. Regina, por sua vez, apreciou o toque da loira o máximo que pôde. E a chuva em suas peles fazia com que tudo parecesse extremamente acolhedor. Segundos que pareceram revelar tudo, que se apagou novamente de suas almas quando a morena abriu os olhos, e a loira recolheu as mãos.

–Está limpo agora?

–O que?

–O sangue e o que estava sujo.

–Sim. Está. Talvez volte a sangrar, mas será por pouco tempo. Onde se machucou?

–Não me lembro. Deve ter sido uma das árvores.

Emma acenou positivamente e virou as costas.

–Vamos.

Recolheram seus pertences, deram uma última olhada para o quarto, despedindo-se. Fecharam a conta e retornaram para casa. Regina dormira por boa parte do caminho, até chegarem de noite no apartamento dela.

–Entre.

–Não, é melhor e ir para casa.

–Vamos. Estou convencida de que você não é uma psicopata assassina, apesar de ainda ter minhas dúvidas quanto não ser uma sequestradora. – Ambas riram. – Além do mais eu estou disposta a fazer o jantar hoje. E quem sabe também não faço uma torta de maçã para o jantar.

–Não sei...

–Ainda são nove horas. Mas se você não quiser então tudo bem. – Poucos segundo silenciosos se passaram enquanto a loira analisava a situação.

–Está bem. Mas não quero incomodar.

–Não vai.

–Onde deixo o carro?

–Pode deixar na frente do condomínio. Garanto que não vai acontecer nada com o carro do seu amigo. Nessa área da cidade as coisas são mais calmas.

E assim ocorreu. A monitora aceitou jantar, o que fez com muito gosto. A juíza poderia não ser uma chefe de cozinha, mas o gosto da comida não era ruim. E a loira estava realmente com muita fome. Conversaram sobre coisas aleatórias, como filmes e músicas que gostavam. Claro que tinham suas diferenças, mas poderiam muito bem ir ao cinema assistir aos mesmos filmes ou ver os mesmos shows muitas e muitas vezes. Contudo, enquanto Regina fazia a torta de maçã, após a janta, Emma caíra no sono enquanto via um programa qualquer na televisão. Realmente o dia fora cheio, então a dona da casa resolveu não acordá-la. Pelo contrário, tirou seus calçados, deitou-a e a impediu de levantar quando despertou um pouco. Por fim, cobriu-a.

É verdade que estranhara a si mesma. Emma era quase uma estranha ainda, e fazia muito tempo que Regina não cuidava de ninguém a não ser a si mesma. Não sabia nem se recordava de como cuidar de outra pessoa, mas surpreendeu-se. Por um dia ou outro lembrou que poderia ser um pouco diferente. Um pouco mais gentil, apesar de ser completamente diferente a maior parte do tempo.

No dia seguinte, a morena não teve pena. Acordou cedo a loira, para que comesse algo e a levasse para o trabalho. Afinal, os pneus de seu Mercedes ainda estavam furados. A torta e um copo de leite serviram bem para ambas as partes. Emma ainda suspeitou que a verdadeira intenção de Regina no dia anterior era de ter uma carona para o trabalho. Talvez grande parte se devesse a isso mesmo. No entanto, se fosse apenas isso, a torta de maçã não teria sido necessária. Não, não foi apenas pela carona. Emma sorriu de canto.

A loira saiu do carro para acompanhá-la até a porta do edifício onde juíza trabalhava. Despediram-se, um pouco sem graça uma com a outra, principalmente quando a monitora pediu para manter contato. Quando ia voltando para o carro, viu em uma vitrine dois colares de corações. Um coração negro e um vermelho. Não eram grandes joias. Apenas boas bijuterias. Emma ainda estava com Regina em mente, por isso os imaginou para ela. Apesar de que o preto lhe pareceu que combinaria mais com a juíza. Comprou-os. Um para si, outro para a rainha recém-descoberta. Realmente, nunca mais esqueceria esse nome. Tampouco seu significado.

Notas finais
Estamos a poucos passos de "coisas mais interessantes" acontecerem na fic toda. Vou tentar não atrasar tanto mais, mas não prometo nada. Podem me tacar pedras, eu deixo. Obrigada para aqueles que continuam acompanhando. :) https://www.youtube.com/watch?v=jr7qrf0jFb8 Videozinho que eu amei de paixão. Muito bem feito. Pra quem ainda não se convenceu da existência se SQ... kkk