Seis Lágrimas

10 Um fim de dia


Notas iniciais
Agradecimentos: Kakashi Sensei e The Queen of Shadows que favoritaram a fic. Muito obrigada a todos que estão acompanhando a fic. Achei falta de algumas pessoas comentando nos últimos capítulo. Cadê vocês, meus amores? Assim eu fico triste... :( Hoje tem musiquinha de novo! Na verdade tem duas. Uma é essa: https://www.youtube.com/watch?v=iO_WxYC34eM Radioactive - Imagine Dragons Não me perguntem o porquê, mas ouvi essa música enquanto escrevia a cena das fotos do Henry. Vão saber qual é. Mas a música principal de hoje é essa outra: https://www.youtube.com/watch?v=kkToe2D3P9M Não tem nenhum lugar marcado pra quando ela começa, mas vocês podem ouvi-la enquanto leem o capítulo. Pode até ouvir depois de Radioactive, depois da cena das fotos. Vocês decidem. Boa leitura. ^^

“Her feelings she hides
Her dreams she can't find
She's losing her mind
She's fallen behind
She can't find her place
She's losing her faith
She's fallen from grace
She's all over the place

She wants to go home, but nobody's home
that's where she lies, broken inside”

Nobody´s Home – Avril Lavigne

Nos últimos capítulos — floresta encantada:

Passaram-se três anos após o aparecimento de Zelena, a irmã de Regina, morta por Rumpelstiltskin. O crime fora descoberto por Bella, mas mais uma vez a moça, mesmo que depois de muito custo, mostrou-se benevolente e perdoou o homem.

Regina aprendeu a usar magia de luz, praticando quase todos os dias da semana. Emma percebeu que era necessário conhecer e se aprofundar em magia negra.

Todos voltaram à Floresta Encantada, inclusive Emma e Henry que deixaram o “Mundo Real” para trás, afinal, a casa de alguém é onde esse alguém se sentir acolhido. Regina, que ainda era Rainha por direito, decidiu governar em prol dos outros.

***

(R)-Te peguei, miss Swan. Ainda n-

(E)-Não tão rápido, majestade. — interrompeu.

Regina estava com a mão dentro do peito de Emma, tocando seu coração. Não poderia retirá-lo, mas poderia tocá-lo. Mas a loira também tinha a morena nas mãos.

(R)-Muito bem, Swan. Acho que empatamos... — dizia enquanto esboçava um irônico sorriso. Fechou a cara. — Novamente.

***

(E)-Eu sei quando você está mentindo, Regina. Lembra-se? – A rainha parou por um momento e não a olhou. – E dessa vez, majestade, a senhora está mentindo.

(R)- Que que é, hein, Swan? – Virou o rosto para a loira que agora recuava o rosto, um pouco assustada. – Porque só dessa vez você não vai cuidar da sua vida?

(E)- Porque eu me importo com você!

***

(R)-Henry completa minha vida, me faz feliz. Oh, como eu sou grata por ter esse menino na minha vida... Mas, ainda, eu sinto que eu não me encaixo... Entende? — Emma a olhava séria e compreensivamente.

***

–Vem cá. — Disse a princesa enquanto abria os braços e abraçava a rainha de supetão.

–Emma, não-

–Para de reclamar, majestade. — Dizia a loira enquanto sentia as mãos de Regina saírem de seus braços, pois estava tentando afastá-la, em direção às suas costas em um forte abraço.

Naquele momento, o abraço não foi nada mais, nada menos que um carinho.

***

Regina ouviu o grito de Emma e quando se virou para ver, a loira não estava no parapeito de sua janela.

–Emma! — Levantou-se correndo e, quando chegou à janela, olhou para baixo e viu a loira a poucos centímetros abaixo do parapeito, encostando levemente uma mão na parede, assim como as pontas dos pés e ambos os joelhos. A princesa estava rindo da cara de pânico da rainha. Na verdade, estava gargalhando.

–Te peguei.

Nesse momento Regina perdeu a paciência. Agarrou os ombros de Emma e, usando magia, tal como a loira fez a pouco, ergueu todo o corpo da salvadora com uma força descomunal e jogou-a longe para dentro do quarto, mais precisamente em direção à porta que se abriu em um estrondo.

–Vá dormir, miss Swan! Boa noite. — Disse por fim enquanto fechava a porta violentamente, o que provocou outro estrondo.

***

–Quase... Quase lá... — Murmurava Emma para si mesma.

–O quê está fazendo aí, Emma? — Regina perguntou, dando um susto na princesa concentrada.

–Mas oq-

–Emma!

A loira havia se desequilibrado e escorregado no orvalho que restava no galho em que pisava.

***

–O que foi, filho? Algum problema?

–É... Acho que temos um.

–Diga, então.

–Estou preocupado com a minha mãe.

–O que tem ela?

–Bem... Estou achando que ela está mais na dela ultimamente...

***

–Mas nós só estabelecemos vínculos com aqueles que se abrem para isso de alguma forma, em algum ponto... Regina. Pode passar o tempo que for, laços são feitos em cima de confiança, respeito, carinho... Amor. Esses são os laços de família. Esses são aqueles que devemos preservar... Quando se tornam fortes, não somem mais. Nem com tempo, nem com distância. São para onde sempre poderemos voltar...

–Você gostaria de recuperar esses vínculos... Esses... Esses laços?

–Gostaria. Muito. — A loira voltou a olhar para Regina. — Mas eu preciso cuidar de outros laços no momento.

***

Ambas ouvem uma batida na porta e a olham. Henry estava de pé, parado, olhando por uma fresta.

–Desculpa incomodar... Eu queria saber se estava tudo bem por aqui...

Foi Regina quem tomou a palavra.

–Você não incomoda, filho. Venha, entre. — A morena ajeitava-se e sentava na cama, colocando o travesseiro de pé e encostando-se nela. Ela passou as duas mãos nos fios de cabelo que estavam derramados por sua face e esfregava os olhos, deixando o rosto úmido. Henry aproximou-se. Ele trazia uma máquina fotográfica consigo, pendurada no pescoço.

–Você estava chorando, mãe...

–Não é nada, meu bem. Está passando já.

–Tem certeza de que está tudo bem, mãe?

–Não. Mas vai ficar. Eu prometo. Mas não vamos falar disso agora. Venha, tire essas botas e meias e deite aqui um pouco comigo.

–Mas eu estava lá fora, pode acabar sujando...

–Não, não. Depois a gente lava. Venha.

E assim o garoto o fez. Tirou as botas, as meias, as deixando ao pé da cama e, como uma criança, acomodou-se entre as duas mães. Regina estava sentada, quase deitada. Henry estava acomodado em seus braços e Emma estava sentada à beirada da cama. Ela estava levantando-se para sair quando sentiu uma mão puxá-la. Ao contrário do que se pensaria, a mão não fora de Henry, mas sim, de Regina.

–Você pode ficar aqui mais um pouco... — A morena tentou esconder o leve tom de pedido — Se quiser... Emma.

A loira olhou para o filho e tornou a olhar a rainha. Os dois queriam que ela ficasse.

–Está bem então... — Ela sentou-se novamente. Regina deteve sua atenção à máquina fotográfica.

–E mais essa... Vocês também trouxeram isso... Faz tanto tempo que você não pega nela que eu tinha até esquecido dessa máquina.

–Ah... A mãe Emma trouxe o fusca. Por que eu não posso trazer a máquina?

–Ai, nem me fale desse carro.

–Qual o problema com meu fusca, Regina?

–Ah, por favor, trazer aquele treco pra cá...

–”Aquele treco”? Você não se importava com “aquele treco” em Storybrooke.

–É. Faz três anos e estávamos no seu mundo. Agora estamos no meu!

–Seu? Eu também nasci aqui, caso não se lembre.

–Ei, ei. Legal, é engraçado ver vocês discutindo por algo que não seja eu ou alguma situação de vida ou morte, mas em vez de brigar hoje, por que não tiramos algumas fotos?

Emma e Regina entreolharam-se e Henry olhou para as duas. Emma olhou para o filho e foi a primeira a se pronunciar:

–Está bem... Vamos tirar algumas. Temos que montar um álbum qualquer dia desses...

Henry esticou o braço com a câmera para tirar foto de si mesmo. Ele não conseguia ver, então Regina criou uma espécie de espelho para que ele visse a imagem que a câmera captaria. Esse “espelho” flutuava ao lado da câmera. Ela perguntou se ele não queria que a câmera tirasse a foto por ela mesma, mas ele queria tirar a foto. Quando apontou para si mesmo, encostou o corpo ao da mãe morena, o rosto colado no dela. Ele sorriu e ela, ainda com a cara um pouco inchada, deu um meio sorriso para a câmera. Click. Uma foto. Fez a mesma coisa com a mãe loira, que enroscou os braços nele. Olharam para a lente e sorriram. Outra foto. Ele aceitou que a câmera tirasse a foto por ela mesma. Largou-a flutuando e passou os braços por trás da nuca de ambas as mães. Juntou-as e elas se recostaram nele. Ele estava sorrindo feliz. Emma estava sorrindo como Henry, e Regina alargava seu sorriso a cada foto. Click. Elas o beijaram. Ele ria contente. Outra foto. Henry levantou-se um pouco e passou para o lado de Regina, deixando-a ao meio.

–O que vai fazer?

–Olha a lente, mãe.

Regina olhou para a máquina. Nesse momento, tanto Emma quanto Henry beijaram-lhe o rosto. Cada um em um lado da face. Click. Regina estava na foto com uma cara de surpresa e levemente corada. Outro click. Dessa vez ela permitiu-se sentir os beijos e saiu de olhos fechados. Mais um click. Os olhos continuavam fechados, mas seus lábios sorriam gratificantemente. As lágrimas foram deixadas para trás. Os vínculos estavam se tornando cada vez mais fortes. O laço de amor com o filho só tenderia a aprofundar-se, conforme ela abriria o coração para ele. Emma era a coisa mais próxima de uma verdadeira amiga que teve durante a vida. Seria isso... Família? Vínculos? Laços...

–Vou imprimir essas fotos agora!

Disse o garoto saltando da cama, pegando a máquina flutuante, as botas que estavam ao chão, e, sem as colocar, saiu correndo em direção aos corredores do castelo. O “espelho” criado por Regina desaparecera.

–O computador voltou a pegar? — Regina o questionara.

–É. A mãe Emma consertou ele com magia. To indo.

–Henry... — Ele não ouviu a mãe morena. Ela olhou a porta durante alguns instantes. Depois se voltou para Emma. — Consertou? Quando?

–É... há pouquíssimo tempo...

–Ele não estava funcionando até ontem, Emma.

–É...

–Ele não pode ficar o tempo todo em um computador que funciona à base de magia, Emma! Não é bom ele ficar no computador e não é bom que ele tenha muito contato com o outro reino.

–Eu sei, eu sei... — Emma coçava a cabeça, um pouco envergonhada.

–A gente nem sabe como a internet pega aqui!

–Ta, tá... Não vai ficar funcionando por muito tempo. — Regina a olhava sem acreditar muito. — Prometo.

A morena levou as mãos aos olhos. Sentiu-se um pouco tonta pelo sono que agora a estava atingindo.

–Ai... Droga. Que sono! Acho que vou dormir um pouco.

–Então vou deixar você descansar...

–Não. Não... Emma... — A loira a olhava sem entender, já de pé. — Bem... Os laços... precisam de tempo, não? Proximidade... — A morena não a encarava. Sentia-se um pouco constrangida. — Você poderia... me fazer companhia?

–Talvez. Com uma condição.

–Que condição, miss Swan? — Regina cruzou os braços.

–Também preciso dormir. — A morena suspirou.

–Está bem... Fique à vontade.

Emma deitou-se ao lado de Regina. A morena virara as costas para ela e fechara os olhos. A princesa sabia que aquela rainha era orgulhosa. Orgulhosa demais para virar o rosto para Emma Swan. Contudo, a loira sabia que a morena estava apreciando a companhia. Sorriu com essa certeza. Olhava os fios negros repousando no travesseiro. Olhou por um tempo até cair no sono também.

Quando acordou, observou Regina de barriga para cima. Emma ainda estava sonolenta. Olhou para o rosto da morena e pensou que ainda estivesse dormindo. Esticou a mão e retirou uma mecha de cabelo do rosto da rainha, passando delicadamente os dedos pela bochecha macia, a fim de fazer-lhe carinho. Abriu mais os olhos quando sentiu algo molhado. Uma lágrima. Regina estava chorando e olhou rapidamente para Emma, pois assustou-se com o toque. Não era possível, estava chorando novamente? Seria ainda pela família? Por não sentir que se encaixava? Quando falou sobre família, não havia tido uma confirmação da morena de que o problema que lhe tirava o sono era mesmo aquele. Regina levantou-se um tanto enraivecida. Emma também o fez.

–Regina. Regina! O que foi? — Começou a segui-la pelo quarto, mas não obteve resposta alguma. — Regina!

A morena sumiu em uma fumaça roxa, mas foi seguida por Emma em sua fumaça azul. Já havia aprendido o truque há muito tempo, sabia como funcionava e sabia como seguir Regina dessa forma.

–Não vai me despistar com esse nível de “teletransporte”, Regina.

Emma afundava seus pés descalços na grama do jardim do castelo, seguido a rainha que fazia o mesmo. A morena estava de pijama, enquanto a loira vestia suas roupas normais.

–Às vezes seu talento para magia é um empecilho, Swan!

–Ah, ótimo, o “Swan” voltou. O que está fazendo aqui? Pra onde tá indo?

–Eu preciso ver de novo.

–Ver o que?

–Eles. Todos eles.

–Eles quem?

A rainha parou e voltou-se para a loira. Elas estavam próximas. Muito próximas. Regina olhava ora para os olhos da princesa, ora para baixo. Emma fazia o mesmo.

–O povo, Emma. Eles... Eu os vi. Eu visitei os vilarejos algumas vezes para ver o que precisavam. Por todos esses anos eu tenho esperado que o medo nos olhos deles suma, mas ele não some, não vai embora!

–É disso que está com medo? De ser temida eternamente? — Regina continuava com suas lágrimas escorrendo pelos olhos.

–Eu quero ser amada, Emma! Eu sempre busquei isso. Em Daniel, em Henry, em Robin... Quando decidi tornar-me boa novamente... Corrigir meus erros... — esticou o braço e apontou com a mão direita aberta para o castelo que estava atrás de Emma. — Eu vim pra cá, morar com os “Encantados”, sem saber o que iria encontrar... Vim atrás de amor... Deles... Seu...

Depois dessa última frase, a rainha desviou o olhar e abaixou o braço. O céu estava nublado, o vento quente de verão fazia com que as folhas balançassem... Assim como os fios loiros e morenos das duas mulheres. Elas encontravam-se em uma pequena colina, onde havia árvores no topo e para o resto dela, que levava dentro da floresta. Ninguém estava ali a não ser aquelas duas mulheres. Seus sentimentos buscavam-se e desencontravam-se, colidiam. Começava a trovejar. Voltou a encarar os olhos verdes de Emma.

–Eu também quero ser amada pelo meu povo, Emma. Meu povo, minha casa, minha família... Meu lar. Eu quero tudo isso. É só o que eu quero... — Regina respirou por um instante. Finalizou em um fio de voz. — É tudo o que eu sempre quis...

–Você é a família do Henry, Regina. É minha família. Conheceu minha mãe quando criança... Cuidou dela, mesmo contra sua vontade. Ainda podem cuidar uma da outra. Ela me disse que sentiu falta de você muitas vezes... Às vezes ainda sente. Em relação às pessoas, ao povo, nós daremos um jeito. — Emma segurou o rosto de Regina com ambas as mãos. — Eu sempre disse que traria seu final feliz. Eu vou continuar falando isso até que você esteja feliz. Eu não vou cumprir minha missão, eu não vou ser feliz, não vou ter o meu final feliz, até que você tenha o seu. Você sabe. E se você quer um lugar ao qual pertença, eu farei esse lugar com as minhas próprias mãos. Se você quer amor, eu trarei amor para a sua vida. Eu ainda sou a salvadora.

Em meio as palavras de Emma, os trovões tornaram-se mais fortes. De repente começou a chover forte. As gotas de água caiam macias pela pele delas. Estava quente e abafado naquele dia. Elas não se importaram com a chuva. Regina fechou os olhos com força, para que mais duas lágrimas caíssem deles. Inclinou a cabeça para trás, ainda de olhos fechados, sentindo a chuva e as mãos de Emma em seu rosto. A loira a observava. Nunca havia visto a rainha daquela forma. Toda a confusão dentro dela havia sido parada, apenas para a morena permitir-se sentir a chuva e a esperança que nascia dentro dela com as palavras da princesa. Nascia não. Revigorava-se. Ela nunca saiu dali.

Sem falar mais nada, Regina rendeu-se finalmente. Voltou a cabeça e a encostou na curva do pescoço de Emma. Não a envolveu num abraço. Segurou suas roupas pela frente e a trouxe mais para perto, desprotegida. A loira ficou sem saber o que fazer por alguns instantes. Não esperava aquela reação daquela que uma vez fora a Rainha Má. Também não via a prefeita de Storybrooke ali... Talvez a Regina que ela não conhecera, a jovem apaixonada por Daniel. Talvez fosse ela que estivesse ali. Ou talvez fosse uma Regina amargurada que tentava voltar às suas raízes, mas nunca seria capaz de livrar-se de suas cicatrizes. Fazia parte de quem ela era agora. Emma envolveu-a com os dois braços e encostou um pouco sua cabeça na dela, fechando os olhos. Não soube exatamente quanto tempo ficaram daquela forma.

–Emma... — Regina falou ainda em seu pescoço. — Obrigada.

Percebendo que a rainha ainda estava frágil, a princesa decidiu levar Regina novamente para o quarto. Segurou as costas dela com uma mão e as pernas com a outra.

–O que está fazendo, Emma?

–Você está cansada ainda... Está chovendo. Vamos voltar.

Da mesma forma que apareceram ali, sumiram. Só que dessa vez, a única fumaça mágica era a azul. Apareceram novamente no quarto de Regina. As duas estavam completamente ensopadas. Emma levou Regina até o banheiro, colocou-a no chão e encheu a banheira de água quente com magia.

–Você vai tirar essa roupa, entrar nessa banheira e relaxar. Vou fazer o mesmo no meu quarto. Volto pra ver como você está.

A princesa virou-se e já ia saindo do banheiro para deixar a rainha à vontade.

–Emma. — A loira parou e virou-se. — Obrigada mais uma vez. — Emma assentiu e retirou-se. Regina encarou a banheira com água quente.

Quando Emma retornara, depois de ter tomando um banho relaxante e vestido seu pijama de moletom azul e suas pantufas de cisne, percebeu que Regina ainda estava no banheiro. Bateu na porta e avisou que estava presente.

–Regina. Está tudo bem aí?

–Estou bem, Emma.

–Vou ficar aqui e esperar você sair.

–Não precisa.

–Não, eu faço questão.

–Já disse que pode ir, Emma.

–Já disse que vou ficar, Regina. Mesmo porque eu ainda quero ter uma palavrinha com você. Coisa rápida.

Regina bufou. Emma não precisava falar com a morena, apenas queria olhar a face dela, seus olhos, para saber se realmente estava bem. No entanto, a rainha acreditara nas palavras da princesa.

–Faça o que quiser.

Emma sorriu. Havia conseguido o que queria. No entanto, ainda estava cansada. Olhou para a cama de Regina, mas não quis deitar ali. Observou um confortável sofá ao lado do espelho, o qual ficava perto da janela por onde entrara outro dia. Direcionou seus passos para lá, sentando-se, retirando as pantufas e deitando-se. O repousar do corpo pesado e o esticar das pernas fora tão relaxante que ela teve de fechar os olhos. Não sabia que estava tão cansada até deitar. A morena ainda demorou-se um tempo na banheira e quando saiu do banheiro, deparou-se com uma princesa de cachos dourados adormecida em seu sofá. Emma parecia serena...

A rainha movimentou a cabeça em negação, mas sorriu. Apesar do calor, era bom dar à Emma algo com que pudesse se cobrir. Um lençol e uma fina coberta resolveria o caso. Pegou-os em um armário, voltou ao sofá e cobriu Emma. Naquele momento, nunca antes parecera tão princesa. Os reluzentes cabelos dourados ainda não estavam completamente emaranhados como estariam na manhã seguinte. O rosto sereno e pacífico.

–Boa noite... Emma.

Regina sussurrou e beijou-lhe a testa. Também estava cansada. Não velaria mais o sono da princesa, mas estaria ali quando ela acordasse. Isso se a loira não acordasse primeiro e decidisse serpentear pelo castelo ou pelos jardins. A rainha deitou-se e logo adormeceu em suas sedas. A noite fora tranquila. Porém, quando o sol raiou, uma manhã turbulenta revelou-se.

–Manhêêê!!! Mããe! — Henry entrou no quarto esbaforido e desesperado. Continuou gritando dentro do local. — Mãe, mãe. — Correu para a cama, abraçando-se a uma Regina que acordara em um susto. O moleque de dezesseis anos voltara, por alguns instantes, a ter dez.

–Que foi, o que foi, meu filho?

–Henry, o que foi? — O garoto olhou para Emma.

–Mãe Emma. — Ela aproximou-se e ele a abraçou também. Quando desvencilhou do abraço, colocou ambas as mãos no rosto da mãe loira. — Por favor, ajuda.

–Está bem, mas o que foi, filho? O que houve. — Henry alternou o olhar entre as duas mães.

–Meu vô. Meu vô.

Regina pronunciou-se:

–David?

–Não...

–Rumpelstiltskin...

Os rostos das duas passaram de preocupados para algo próximo ao pavor. Henry assentiu. Regina continuou.

–O que tem ele, meu amor?

–Sumiu... -A morena ficou em choque. Emma ficou estática por alguns instantes, mas pensou rápido e perguntou ao filho:

–E a adaga?

Henry a olhava com os olhos assustados. Um silêncio tenso se fez. O medo pairava. Respondeu em um fio de voz:

–Roubada...

Notas finais
Prevejo forninhos caindo agora, hein? Eu tinha dito que nada tinha acontecido até agora, não? Bom... Agora isso mudou. Vamos para o nosso primeiro conflito. :D Acho que vocês já tem base para mais alguns palpites. Eu adoraria saber quais são eles. Tem muita gente falando que prefere a floresta em vez de Boston no grupo. E vocês? O que preferem? Qual parte estão gostando mais? Outra versão de Radioactive que eu gosto muito: https://www.youtube.com/watch?v=aE2GCa-_nyU Não acho que vou conseguir postar terça, mas os próximos capítulos já estão sendo escritos e eu não pretendo que demorem. Quero tirar o atraso que estou com vocês. Beijos.