Seis Lágrimas

7 Um começo de dia


Notas iniciais
Genteee, mil perdões. Ainda não respondi todos os comentários do último capítulo, mas prometo que vou responder. Semana passada eu tive uma semana de eventos na faculdade e acabei não respondendo, na verdade foi difícil pra conseguir comer.Também não escrevi e pra piorar meu PC quebrou. Estou usando um emprestado (o que não me agrada em nada). Quem minhas coisas! Bem... Pra eventos como esse eu estou preparada: salvei a fic em dois pen drives (fora o PC), então vocês estão seguros. Agradecimentos: Lulukety Blue; amastyk; Diamonds e Thayla. Obrigada mesmo por favoritarem a fic. Estou muito feliz que eu esteja agradando tanto. Obrigada também ao pessoal que ta acompanhando e marcando presença nos comentários. Amo ler cada um deles. Amo quando vou dormir e acordo de manhã com mais 4 comentários kkk Gente, se eu não me engano, o próximo capítulo não está pronto. Se eu consegui terminar eu posto terça. Senão é hiatus até eu terminar e postar. NÃO VOU ABANDONAR A FIC. Podem ter certeza. Vamos ver mais um pouquinho sobre a floresta hoje. Boa leitura.

"And it feels like I am just too close to love you

There's nothing I can really say

I can't lie no more, I can't hide no more

Got to be true to myself

And it feels like I am just too close to love you

So I'll be on my way"

Alex Clare

Nos últimos capítulos na floresta encantada:

Passaram-se três anos após o aparecimento de Zelena, a irmã de Regina, morta por Rumpelstiltskin. O crime fora descoberto por Bella, mas mais uma vez a moça, mesmo que depois de muito custo, mostrou-se benevolente e perdoou o homem.

Regina aprendeu a usar magia de luz, praticando quase todos os dias da semana. Emma percebeu que era necessário conhecer e se aprofundar em magia negra.

Todos voltaram à Floresta Encantada, inclusive Emma e Henry que deixaram o “Mundo Real” para trás, afinal, a casa de alguém é onde esse alguém se sentir acolhido. Regina, que ainda era Rainha por direito, decidiu governar em prol dos outros.

***

(R)-Te peguei, miss Swan. Ainda n-

(E)-Não tão rápido, majestade. — interrompeu.

Regina estava com a mão dentro do peito de Emma, tocando seu coração. Não poderia retirá-lo, mas poderia tocá-lo. Mas a loira também tinha a morena nas mãos.

(R)-Muito bem, Swan. Acho que empatamos... — dizia enquanto esboçava um irônico sorriso. Fechou a cara. — Novamente.

(E)-Ah, mais um pouco e esses empates acabam. — dizia Emma enquanto retirava sua mão de dentro de Regina, deixando o coração intacto.

(R)-Não fique tão confiante, Swan. Ainda tem muito chão pra você me superar.

***

– Emma?

–Iaí, Regina? Beleza? – Dizia a loira enquanto se levantava e se ajeitava.

(R)-Bom, eu estaria melhor se você não tivesse me dado um susto.

***

(E)-Eu sei quando você está mentindo, Regina. Lembra-se? – A rainha parou por um momento e não a olhou. – E dessa vez, majestade, a senhora está mentindo.

(R)- Que que é, hein, Swan? – Virou o rosto para a loira que agora recuava o rosto, um pouco assustada. – Porque só dessa vez você não vai cuidar da sua vida?

(E)- Porque eu me importo com você!

***

(R)-Henry completa minha vida, me faz feliz. Oh, como eu sou grata por ter esse menino na minha vida... Mas, ainda, eu sinto que eu não me encaixo... Entende? — Emma a olhava séria e compreensivamente.

***

–Vem cá. — Disse a princesa enquanto abria os braços e abraçava a rainha de supetão.

–Emma, não-

–Para de reclamar, majestade. — Dizia a loira enquanto sentia as mãos de Regina saírem de seus braços, pois estava tentando afastá-la, em direção às suas costas em um forte abraço.

Naquele momento, o abraço não foi nada mais, nada menos que um carinho.

–Promete que vai parar de se isolar de novo, Regina? — Perguntou Emma enquanto enxugava algumas lágrimas do rosto da morena, que assentiu com a cabeça.

–Sim, sim. Vou tentar.

***

Regina ouviu o grito de Emma e quando se virou para ver, a loira não estava no parapeito de sua janela.

–Emma! — Levantou-se correndo e, quando chegou à janela, olhou para baixo e viu a loira a poucos centímetros abaixo do parapeito, encostando levemente uma mão na parede, assim como as pontas dos pés e ambos os joelhos. A princesa estava rindo da cara de pânico da rainha. Na verdade, estava gargalhando.

–Te peguei.

Nesse momento Regina perdeu a paciência. Agarrou os ombros de Emma e, usando magia, tal como a loira fez a pouco, ergueu todo o corpo da salvadora com uma força descomunal e jogou-a longe para dentro do quarto, mais precisamente em direção à porta que se abriu em um estrondo. Se Emma não tivesse usado magia para tornar o chão duro, macio como um colchão, provavelmente teria se machucado. A princesa caiu fora dos aposentos da rainha e rolou por alguns metros. Depois do susto, tornou a rir.

–Vá dormir, miss Swan! Boa noite. — Disse por fim enquanto fechava a porta violentamente, o que provocou outro estrondo.

Com o barulho, Henry aproximou-se de Emma, que estava caída no chão.

–Mãe? Tá tudo bem?- Emma assentiu com a cabeça.

–Vá dormir, você.

–Mas, mãe...

–Boa noite, Henry.

Henry voltou para o quarto sem entender nada. Snow, David e Neal nada ouviram, pois dormiam em outra parte do castelo. E se ouviram, não ligaram, já que tinham visto, de longe, quando Emma escalava o alto muro e ia em direção à janela do quarto de Regina.

***

Aproximadamente um mês se passou desde a visita de Emma aos aposentos da Rainha. As duas trocavam olhares cúmplices em momentos que foram se tornando mais frequentes conforme os dias iam passando. Regina sempre consultava Emma caso tivesse alguma dúvida sobre magia de luz, detalhes sobre Henry que antes tentaria resolver por conta própria e até assuntos sobre governo, o povo e o castelo. Apesar da falta de experiência da princesa Emma no assunto, a rainha sempre consultava, ora a mãe, ora a filha, para saber quais atitudes elas tomariam em relação aos problemas. Algumas vezes as soluções que elas chegavam eram mais eficientes do que as que a própria Regina havia pensado, e isso a surpreendia um pouco. As melhores repostas vinham mais por parte de Snow, naturalmente.

Enquanto Regina treinava magia de luz, Emma treinava ambas as magias e ainda aprendia a governar. Um dia Snow tomaria o lugar de Regina, e talvez Emma viesse depois dela. Poderia também ser o pequeno Neal, mas ele ainda estava na idade de importar-se mais com travessuras. A morena continuava com suas cavalgadas, muitas vezes matinais, e suas caminhadas noturnas. Ainda sentia melancolia, perdia-se em pensamentos, porém, começou a encará-los de forma diferente. Uma lágrima escorria pela face, mas um sorriso brotava ao lembrar-se das palavras de Emma. “Regina, você é minha família também”. Essa frase ecoava em sua mente. A loira tinha razão, não havia porque ficar se lamentando. Seguiria com sua vida. Esse era seu novo objetivo.

Enquanto voltava cavalgando para o castelo, logo pela manhã, avistara Emma escalando uma de suas macieiras no jardim. Não sabia o porquê daquilo, já que era muito cedo e era suposto todos estarem dormindo. Ainda faltava uma hora para o desjejum. O clima ameno preenchia a floresta, e a cena que a rainha via enquanto aproximava-se era cômica. A loira não conseguiu abandonar algumas coisas do “Mundo Real”. Trouxe consigo algumas roupas, dentre as quais sua touca de lã, uma blusa de lã vermelha de gola alta, calças jeans e tênis, peças as quais eram usadas pela princesa naquele momento. Alternava os estilos de roupas do outro mundo com o da Floresta Encantada conforme os dias passavam. Emma, usando aquelas roupas, trepava em uma macieira e esticava-se tudo o que podia para alcançar uma simples maçã.

–Quase... Quase lá... — Murmurava Emma para si mesma.

–O quê está fazendo aí, Emma? — Regina perguntou, dando um susto na princesa concentrada.

–Mas oq-

–Emma!

A loira havia se desequilibrado e escorregado no orvalho que restava no galho em que pisava. Caiu esbarrando na maçã que buscava. Iria cair de cara no chão se Regina não tivesse tido o reflexo de parar sua queda com magia. Soltou-a bruscamente, mas deixou que a maçã continuasse flutuando.

–Au! — Emma resmungou ainda com a cara no chão. Começou a levantar-se.

–Bom dia pra você também, princesa Emma.

–Da próxima vez você poderia ser mais delicada? — Emma, agora de pé, limpava a poeira de suas roupas.

–Da próxima vez eu posso não te segurar. Que tal? — Regina levava a maçã flutuante até Emma, que a pegou delicadamente.

–Ha Ha Ha. Muito engraçado. — A rainha fechou os olhos e movimentou levemente a cabeça.

–Eu me esforço.

Regina permanecia ainda em cima de seu cavalo. Havia retirado o coração de Rocinante em uma tentativa de fazer com que a maldição funcionasse. Não cometeria novamente o mesmo erro. Cuidaria muito bem daquele novo companheiro. Seu nome era Dom. Ele era malhado, preto e branco. Imponente e majestoso. Como Regina, que naquele momento trajava roupas simples, mas elegantes. Boas para a prática da equitação. Botas pretas, calça e blusa beges e uma espécie de colete marrom de mangas compridas e com botões. Trazia consigo o chicote também. E estava ali, parada, na frente de Emma. Continuou a falar:

–Mas a propósito, o que está fazendo aqui, Swan?

–Não é óbvio? Estava tentando pegar essa maçã.

–A essa hora? E pra que?

–Exercício matinal.

–Sei... Nas minhas macieiras...

–Aah... Eu estava com fome. — Regina olhava para Emma tentando desvendá-la. Aquilo parecia ser mais uma desculpa qualquer do que outra coisa.

–Por que não usou magia para pegar a maçã depois que subiu na árvore? Teria feito exercício e matado a fome sem correr riscos. — Gesticulou um pouco. O cavalo deu alguns passos para frente e para trás.

–Às vezes correr riscos é algo interessante. — Falou esboçando um sorriso, ato que foi repetido pela morena. — E você usou magia de luz para me impedir de cair... Eu percebi.

–É... — Regina desviou um pouco o olhar. Já usava magia de luz com seus reflexos. Não olhava para Emma enquanto falava. — Tenho treinado. Você sabe...

–Você quis me proteger, Regina... — A morena olhou para a princesa.

–Quero proteger a todos, Emma. Venha, põe essa maçã nesse saquinho e suba no cavalo. Vamos voltar para o castelo. Daqui a pouco será servido o café da manhã.

A morena estendeu a mão e a loira subiu na garupa do cavalo. A rainha fez com que um saco pequeno de tecido aparecesse para que Emma pudesse carregar a maçã sem a inconveniência de levá-la na mão. A loira, ao subir em Dom, colou seu corpo no da morena. Os cabelos exalavam um doce e delicado cheiro de flores. Ao depositar seus braços em torno de Regina, ela pode sentir a quentura daquela mulher. Encostou a cabeça nas costas dela, aconchegando-se. Fechou os olhos. Sentiu-se em casa. E como era deliciosa a sensação de fazer parte de algo maior...

Regina estranhou um pouco o ato de Emma, mas gostou do gesto. Mais um gesto de carinho. A loira vinha se mostrando alguém muito carinhoso. Deveras, a princesa era alguém muito carente. Tão carente quanto Regina. Ambas passaram a vida ora isoladas, ora isolando-se do resto do mundo. Nenhum contato. Nenhum toque. Nada viam, a não ser elas mesmas. Mas não estavam mais sozinhas. Além da família “Charming”, uma tinha a outra. Conforme os dias passavam, elas se aproximavam. Os corações ficavam mais próximos. Os sentimentos.

–Está com sono, Emma?

–Um pouco...

A loira permanecia com a cabeça encostada nas costas e ombros de Regina, de olhos fechados, sentindo o vento, o perfume, o calor.

–Sempre vai fazer exercício de blusa de lã?

Emma abriu os olhos. De fato, fazer exercício com a blusa de lã que ela estava era algo bizarro, até mesmo para o clima. Não sabia que desculpa dar. Na verdade ela queria estar perto da rainha naquela manhã. Saiu para procurá-la e a viu cavalgando ao longe. Resolveu ficar por entre as macieiras dela. Sentia-a ali. Foi quando teve a ideia de subir em uma para observar a vista de cima. Quando conseguiu subir, continuou prestando atenção na morena. Era visível a habilidade dela, há muito deixada de lado. Observou ao redor e decidiu pegar duas maçãs. Uma para ela e a outra para dar a Regina quando a encontrasse. Ficou tão concentrada na missão de pegar a mais bonita maçã da árvore que se esqueceu de Regina e não a viu aproximando-se. Foi quando caiu.

–É... Ah... Hum...

Emma pensava em uma resposta quando ouviu seu pai lhe chamar. Salva pelo gongo. Elas aproximaram-se rapidamente do homem, sem que desse tempo para que a rainha obtivesse uma resposta. Colocou-a no chão ao lado de David.

–Vejo vocês depois. Até mais.

Regina ia sair do local quando a princesa a chamou. A morena parou o cavalo e o virou de perfil para olhar para Emma.

–Regina!

–Diga... Emma.

A loira lançou o saquinho de pano com a maçã para a rainha. A rainha pegou o saco, mas não entendeu gesto da outra.

–Pra você.

–Obrigada.

Após o “obrigada” um tanto ríspido, Regina retomou o caminho e foi cuidar de seus afazeres. Ela não perdia essa mania. Já estava impregnado nela. Aquela forma de ser... Depois de tudo o que ela passou... Por mais que tentasse voltar às suas raízes, a rispidez jamais a deixaria, e isso era algo que Emma percebia claramente a cada dia em que Regina tentava ser melhor.

–Bom dia, filha. — David tirou Emma de seus devaneios e a fez desviar o olhar da rainha que cavalgava já há uma distância considerável.

–Ah. Bom dia, pai. — Beijou-lhe o rosto.

–Madrugou hoje, hein?

–É, eu queria dar uma volta. Mas e você? — Começaram a caminhar para outra parte do jardim.

–Fui dar aulas de luta de espada para o Henry. Na verdade, estou dando. Estamos em um intervalo.

–Sei... Mas ele já não aprendeu o que tinha que aprender? Afinal já estamos há três anos aqui.

–Não, não. Sempre há algo a mais para se aprender. E temos que treinar sempre. Nunca se sabe, neh...

–Pois é...

–Você também deveria voltar a treinar com espadas, Emma.

–Você acha, é?

–Sinceramente? Sim.

–E o que minha mãe pensa sobre isso?

–Bem... Acho que ela não quer você brincando com objetos cortantes.

–Não sou mais uma criança.

–É, eu sei...

David respondeu com melancolia na voz e no olhar. Passou seu braço em torno dos ombros de Emma e deu um meio abraço, beijando o topo da cabeça da filha. Aquilo já havia virando um hábito na família. Eles chegaram até a parte do jardim onde Henry descansava. Ele terminava de comer um lanche quando avistou a mãe loira. Levantou e rapidamente foi abraçá-la. Ele já estava um tantinho mais alto que Emma, e esboçava alguns fios espalhados pelo queixo e debaixo do nariz.

–Bom dia, mãe.

–Bom dia, querido. Tomando uma surra do seu avô?

–Que nada, ele é que está perdendo pra mim.

–Sério, pai? — Emma olhou para David achando graça da situação.

–Nem pensar. Esse menino exagera nas coisas.

–Sei...

–Mãe, posso falar com você um minutinho?

Emma olhou para David, tentando captar algo sobre aquela situação. O príncipe realmente não sabia do que se tratava. Contudo, afastou-se.

–Ok, vou deixar vocês à sós.

–Obrigado, vô. — Após David deixar o local, a loira voltou a falar.

–O que foi, filho? Algum problema?

–É... Acho que temos um.

–Diga, então.

–Estou preocupado com a minha mãe.

–O que tem ela?

–Bem... Estou achando que ela está mais na dela ultimamente...

–Mas de novo? Por que acha isso? — Henry suspirou.

–Sabe... Desde quando a gente veio pra cá, eu tentei me aproximar cada vez mais dela. Acho que muitas vezes eu a deixei de lado por você. Depois que a Zelena morreu eu finalmente consegui dar realmente uma chance pra ela. De verdade. Ela ficou tão feliz...

–É, eu me lembro disso. Depois ela foi ficando fria de novo...

–Você prestou atenção nisso?

–Sim, claro. — Emma segurou os dois ombros do filho. — Eu sempre vou me importar com a sua mãe, Henry. — A loira sorriu. — Ela faz parte da família também.

–Não sei até que ponto ela sente assim... — Emma desviou o olhar para o chão.

–É, isso é um grande ponto. Mas talvez ela só esteja um pouco pra baixo por algum motivo... — A princesa olhou nos olhos do filho. — Eu tenho uma ideia.

Depois da conversa com Henry, do café da manhã, do almoço e mais algumas horas, Emma dirigiu-se aos aposentos da rainha. Dessa vez para entrar pela porta da frente. Não notou Regina muito diferente do habitual no momento da refeição. No entanto, ao reparar mais atentamente, conseguiu observar que a morena, que já era quieta na hora das refeições, estava ainda mais calada. Por vezes ela se mostrava mais calorosa e aberta. Não muitas, mas havia as horas em que era nítido o bom humor. Aquele dia não foi um desses. Ao chegar a frente das portas do quarto, bateu. Nenhuma resposta ao som.

–Regina?

Nada.

–Regina?

Nada novamente.

–Por acaso a vossa majestade poderia ter a delicadeza de responder quando falam com ela?

A morena abriu a porta.

–Miss Swan, eu estava tentando descansar um pouco. Você não tem mais o que fazer além de vir ao meu quarto em horas improváveis ou inconvenientes?

–Normalmente sim... — Emma encarou Regina por um instante. — Mas hoje não. — A rainha revirou os olhos, entrou e deixou que a outra fizesse o mesmo. A loira fechou a porta atrás de si ao entrar.

–Diga o que quer, Swan.

–Não descansou o suficiente hoje? — A princesa olhava atentamente a rainha.

–Não. Acordei várias vezes essa noite.

–O que está te incomodando? — A morena já havia voltado para a sua cama e estava se cobrindo.

–A falta de sono. E no momento o que está me impedindo de dormir é você. — A loira caminha até a cama de Regina e senta-se ao lado da morena.

–Desculpa. Eu achei que talvez você quisesse conversar.

–Sobre o que?

–O que está te incomodando.

–A falta de sono?

–O que quer que seja que esteja tirando o seu sono.

–Bom... Não precisa se dar ao trabalho. — A morena ajeitava o travesseiro embaixo da cabeça e virava para o outro lado, deixando de ver a loira. — Lidarei com isso sozinha. Não é uma grande coisa.

Ambas ficaram em silêncio por alguns instantes. Emma fitava Regina atentamente.

–Henry percebeu... Regina. Eu não tinha percebido. Quando ele me falou... Eu sabia que tinha algo mesmo. — O silêncio perdurou por mais um curto tempo. — Fazia um tempo que você não me chamava de Swan.

Regina permaneceu virada de lado e uma lágrima escorreu pelos seus olhos. Depois viera outra. Emma respeitou o silêncio da rainha. Retirou as botas e as meias, colocou os pés sobre a cama e abraçou os joelhos. Depois tornou a falar.

–Sabe, Regina... Quando eu estava no orfanato... Quando eu era apenas uma criança... Eu tinha muitos colegas. Eu tinha pessoas que eu considerava muito lá dentro. Eu tinha amigos... Eu poderia dizer até que eu tinha uma família ali.

Emma olhava seus próprios joelhos, cabisbaixa, olhando a morena de soslaio ora ou outra. Continuou.

–Eu fiquei lá por anos até alguma família resolver me adotar. Depois voltei para aquele lugar, e isso aconteceu duas vezes. Duas... Regina. Duas vezes pessoas disseram que seriam minha família e me colocaram de escanteio. Duas vezes eu tive que me afastar daqueles com quem eu tinha vínculos para tentar formar outros vínculos. Duas vezes fui acolhida por aquelas pessoas do orfanato. Vivi lá quase toda a minha vida. Não dei valor... Queria uma família de verdade. Me machucou tanto ser rejeitada... Primeiro pelos meus pais, depois por mais duas famílias... Depois Neil...

–Mas seus pais não te rejeitaram... Nem Neal... — Regina permanecia sem olhar para a loira. Seus olhos estavam mais vermelhos. Ela chorava. Ela se culpava ainda. Emma poderia ter vivido amada, mas não. Não foi. Não sentiu amor. E a culpa era dela.

–Não... Mas eu sentia que sim. Eu fui endurecida pela vida. Tornei-me fria de certa forma. Quando Snow abraçou-me como mãe a primeira vez... Eu pouco senti.

–Por que está me dizendo tudo isso... Emma? — Ainda de costas para a loira, Regina se sentia atormentada.

–Pra te falar o que é família. Aquele dia eu disse que família ouve nossas lamentações e ficam ao nosso lado. É isso que eu desejo ser para você. Mas família é ainda mais do que eu disse. Sabe... Percebi que não tem a ver com laços sanguíneos. Isso é sobre parentes. Laços do coração... Vínculos afetivos... Isso é família.

–Laços... — Regina olhava para os próprios dedos que faziam trilhas aleatórias sobre o travesseiro.

–O tempo é importante no caso... Demora-se para se aprofundar os laços... Não é simples conquistar confiança. Passar por provas, saber quem está lá por você... Não é algo que se sabe ou adquiri rapidamente, só nada, como um passe de mágica...

–Com pó de fada... — Regina disse mais para ela do que para Emma. A loira resolveu não comentar.

–Mas nós só estabelecemos vínculos com aqueles que se abrem para isso de alguma forma, em algum ponto... Regina. Pode passar o tempo que for, laços são feitos em cima de confiança, respeito, carinho... Amor. Esses são os laços de família. Esses são aqueles que devemos preservar... Quando se tornam fortes, não somem mais. Nem com tempo, nem com distância. São para onde sempre poderemos voltar...

–O que aconteceu... — Ela virou para Emma. A princesa percebeu o choro, mas também não comentou. — Com as pessoas do orfanato... Com aqueles com que você criou vínculos?

–Eu... Eu queria uma família de verdade. Eu não percebi que tinha uma... — Desviou o olhar para baixo. — E os deixei. Eu ainda teria para onde voltar, mas a distância já se alargou... Não sei se esses vínculos eram tão firmes. Acho que não trabalhei muito nisso.

–Você não pode retomar esses laços...?

–Depois de tanto tempo? — Emma pareceu pensar. — Tenho certeza de que sim. — Fechou os olhos e sorriu, lembrando-se de ocasiões que se passaram há muito. — mas agora estou aqui... E eles estão lá.

–Você gostaria de recuperar esses vínculos... Esses... Esses laços?

–Gostaria. Muito. — A loira voltou a olhar para Regina. — Mas eu preciso cuidar de outros laços no momento.

Notas finais
Eu não sei o que dizer aqui hoje. Posso contar uma experiência que vivi hoje. É bem rápido. Estava eu na minha aula de história da arte hoje, concentrada. Quando uma garota saiu da sala com o celular. Quando ela voltou, ela estava chorando, e disse a uma amiga que o pai havia morrido. Ela disse isso em um sussurro, depois falou algo para o professor e foi embora. Claro que as amigas foram atrás delas. O professor parou a aula e dispensou os alunos. Todos estavam estáticos. Eu nunca mais vou esquecer a imagem dela chorando e dizendo "Meu pai morreu". Bom, é só isso. Sem mais palavras. Na verdade, um questionamento: Será que não falamos de morte, amor, ódio e vida fácil demais?