Notas iniciais
Miiil perdões, minha gente. Tava toda enrolada com a faculdade. Quarta feira saí de lá 20:50 da noite. Dou mais detalhes nas notas finais e no grupo. Sim, criei um grupo no facebook pra poder me comunicar melhor com vocês. Vou responder todos os comentários. Faltam uns 5 do capítulo passado. Enfim... Estou muito feliz, pois mesmo eu não fazendo nada o número de pessoas que estão acompanhando a fic cresceu e o número de favoritos também. 21 favoritos e agora tenho uma nova recomendação. :D Obrigada à Rhasnah SwanJonesMills, LorayneSQ, Débora Salvatore Cullen, Fernanda, Jenifer swen, Mylle e Cássia Santos por favoritarem a fic. Não sei se estou agradecendo duas vezes ou se deixei alguém passar. Se o fiz, peço desculpas. Avisem-me e eu corrigirei. Rhasnah SwanJonesMills, obrigada mais uma vez pela recomendação. O simples fato de você parar alguns minutos para pedir que leiam o que estou escrevendo já é extremamente estimulante para mim. Fiquei surpresa e super feliz quando entrei no nyah e vi isso. Agora vou deixar vocês a sós com o capítulo kkk Notas finais importantes.

“Staring at the ceiling in the dark
Same ol’ empty feeling in your heart
'Cuz love comes slow and it goes so fast
Well, you see her when you fall asleep
But to never to touch and never to keep
'Cuz you loved her to much
And you dive too deep

Well, you only need the light when it’s burning low
Only miss the sun, when it’s starts to snow
Only know you love her when you’ve let her go
Only know you’ve been high when you’re feeling low
Only hate the road when you’re missin’ home
Only know you love her when you’ve let her go
And you let her go”

Let Her Go — Passenger

Nos últimos capítulos — Boston:

Regina sorria. Estava flutuando, voando! Emma acreditou e via-se um sorriso em seus lábios também. Abriu os olhos e olhou a morena. Estendeu a mão para ela, que fez a mesma coisa. Não falaram nada, só deram as mãos e começaram a girar.

***

(R)-Você está cansada e eu não quero incomodar.

(E)-Vai me incomodar mais se não entrar.

(R)-Está bem.

***

(R) — No fim... Magia é sobre sentimento, sobre visão... Ou então é só sobre acreditar...

(E)-Acreditar... — Emma repetiu pensativa.

(R)-Acreditar sem provas...

(E)-Então... Magia é sobre fé?

***

Passam os dias. Todos os dias as duas relembraram os momentos passados naquele restaurante, na exposição e no apartamento de Emma. Elas não se falaram durante toda a semana, mas os flashes eram contínuos.

(R)-Está me convidando para sair, miss Swan? — Regina interrompeu enquanto fechava as portas do armário e se dirigia a sua mesa.

(E)-É... De certa forma. Precisaremos do dia todo.

***

–Swan, já falei que não vai dar. Meu trabalho e minha rotina não são da sua conta. Agora me dê licença que eu tenho mais o que fazer.

–Regina-

–Tchau Emma. Depois nos falamos.

***

–Alô.

–Olá, Emma. Tudo bem com você? — Disse em tom irônico, para depois mudar para o tom que expressava o seu atual estado de espírito. — Você pode me dizer por que raios os quatro pneus do meu carro estão furados?

***

–Não. Eu vou trabalhar amanhã. E você é quem vai me levar.

–Eu? Mas eu não tenho carro.

–Se vira. Quero você aqui às sete e meia em ponto.

***

–Alô.

–Alô, Tom! Preciso do seu carro.

***

– Bom dia, miss Swan. — O tom da morena era mais animado do que o usual.

– Bom dia, Regina. — devolveu, evidenciando seu mau humor.

***

–Mas o que- O que- O que é isso, miss Swan?

–Uma estrada.

–Miss Swan, volte agora com esse carro!

–Não.

–Regina, o que tá faz- Regina!

Aquela era a gota d´água. A morena se impulsionou em direção ao volante, segurou-o como pôde e virou completamente à direita, fazendo com que o carro desse um “cavalo de pau”.

***

–Onde pensa que vai, Sra.Mills?

–Pra casa.

–A pé?

***

–Parque Florestal Nobre Cisne. — a morena parou de andar. Emma pisou no freio. — É pra lá que pretendia te levar. Conhece? — A morena a fitou.

–Está bem. Vamos. — A morena entrou novamente no carro e apertou o cinto, enquanto a loira dava meia volta, voltando ao rumo inicial. — Mas se acontecer alguma coisa, se eu perceber algo estranho, Swan, você vai desejar não ter nascido.

Foi quando determinada música começou a tocar no rádio, e Emma começou a cantar junto, mesmo que baixinho. “Massage in a Bottle”, da banda “The Police”. A situação não passou despercebida pela morena, que também gostava da música.

***

–E por que insistiu em vir comigo?

Emma estacionou o carro, tirou o cinto e olhou para a morena.

–Um desafio é sempre mais interessante.

A loira deixou o banco do motorista e Regina sorriu, gostando do termo “desafio”. Aquela loira também era um desafio. Algo instigante. Uma aventura. Mais uma vez uma aventura. A partir daquele momento, a juíza teve certeza de que sua vida iria mudar. Era como ver algo grande vindo.

***

Não demorou para que as novas visitantes do parque se instalassem no chalé. Emma trouxera quatro camisas, dois bonés, dois pares de óculos escuros, três calças jeans, dois pijamas, quatro shorts, cintos, suas sandálias, um par de chinelos, pares de meias, um par de tênis reserva, roupa íntima e produtos de higiene e beleza, tal como pentes, shampoo, condicionador, cremes e etc... Afinal, tinha apostado na vinda da morena.

O chalé era simples e aconchegante. As paredes todas de madeira rústica. Os móveis brilhavam com a madeira envernizada e o lustra-móveis que com certeza havia sido passado. Ao adentrarem a porta, ao lado direito havia um aparador, ao esquerdo, um espaço com uma espécie de sofá em L, apenas para sentar e colocar objetos. Uma mesa também se encontrava naquele meio, feita de uma madeira avermelhada. Seus detalhes encaracolados eram super bem trabalhados. Nada muito luxuoso, mas simples e bonito. Mais à frente, uma parede com uma abertura, estilo cozinha americana, mas sem a parte da cozinha, obviamente. Ao lado direito da parede, uma entrada para outra área, onde se encontrava um degrau. Nesse outro local, encontravam-se poucas coisas: a cama de casal encostada na parede esquerda, uma janela na parede da frente e um armário encostado à parede direita, com uma pequena televisão, um pequeno banquinho e um frigobar ao canto. Contudo, um pouco antes da abertura para aquele local, havia a porta do banheiro, depois do aparador, ao lado direito. Quando terminou de arrumar as poucas coisas que trouxera, a monitora instruiu a juíza:

–Regina, escolha algumas das minhas roupas e se vista. Vamos passar naquelas lojinhas e comprar algumas coisas para você e para comermos.

–Está mesmo querendo que eu vista isso? – A morena apontava para as peças de roupas com o indicador. Sua voz e sua postura corporal demonstravam todo o seu desdém. Emma parara de arrumar alguns lençóis na superfície da cama de casal para olhá-la seriamente. Os olhos arregalados a penetravam.

–Sim, estou. Mas se tiver algum problema em usar minhas roupas, pode ficar com a sua. – Regina olhou para si mesma. Ainda trazia as roupas sociais em seu corpo. – Só acho que elas não combinam muito com floresta.

Emma voltou ao que estava fazendo, deixando uma morena orgulhosa ligeiramente ferida à vontade para ir ao banheiro trocar as vestes. Depois de escolher uma camiseta de mangas curtas decotada vermelha, um dos shorts, um cinto, um par de meias e o par de tênis reserva de Emma, Regina trocou as roupas no banheiro do chalé. Saiu e colocou suas próprias vestes em um canto, perfeitamente dobradas. A loira que estava sentada na cama mexendo em seu celular olhou-a de relance. Seus olhos verdes penetrantes tinham total atenção às pernas da juíza. Era a primeira vez que as via. Morenas. Bem torneadas. Depiladas. Magníficas. Todos esses adjetivos passavam pelo subconsciente da monitora... Alguns tocavam sua consciência, mas por alguns momentos nada havia na mente de Emma. Apenas o corpo de Regina.

–Emma. Emma?

–Ah... Oi? – A loira despertou de seus devaneios em um estalo. Piscou algumas vezes e abaixou o celular.

–Já falei três vezes. Estou pronta.

E estava. Passara seu inseparável batom vermelho pelos lábios e alguma cor nas bochechas, mas nada muito forte. Estava dia. Estava sol. A morena já ia pegando a bolsa e caminhando rumo à porta quando a loira a chamou.

–Regina.

–Sim?

–Acho que se esqueceu de algo muito importante.

Emma estava com o braço estendido em direção à juíza. Seus dedos seguravam firmemente o pote de protetor solar fator 60. Talvez Regina não precisasse de um protetor assim, mas era o único que estava disponível. A pele da loira era realmente branca. A morena realmente havia se esquecido de passar o protetor. Voltou a passos largos, um pouco sem paciência. Largou a bolsa, pegou o pote, colocou o creme na palma da mão, foi até o banquinho, apoiou um dos pés nele e começou a passar o produto na perna direita. Emma limitou-se a olhar. Apenas olhar. Aquele transe de instantes atrás voltara, e ia intensificando-se conforme Regina passava e mudava a perna. Passou nos braços nus, um pouco no rosto e olhou para a loira. Só então percebeu algo estranho nela. Corou. Resolveu disfarçar o desconforto e ligeira ansiedade que sentiu ao perceber o olhar da monitora sobre si.

–Tem algum lugar branco?

–Hã?

–Alguma mancha branca na minha cara. Eu esqueci de espalhar em algum lugar?

–Ah... Um pouco aqui...

Emma inclinou-se para frente a fim de espalhar o ponto branco da bochecha esquerda. Regina ia impedi-la, mas a loira foi mais rápida.

–Não, pode deixar.

A monitora tocou a face da morena com a mão direita e espalhou o resto de protetor. A juíza fechou os olhos por alguns instantes a mais e a monitora sentiu a ponta de um déjà vu. Nada que perdurasse ou que fosse difícil de esquecer instantes depois.

–Pronto. Resolvido.

Os olhares aprofundaram a intensidade.

–Obrigada... Emma.

Mais alguns instantes de desconforto. A loira cortou o silêncio.

–Vamos?

–Sim... – Regina desviou os olhos e ia em direção à bolsa.

–Acho melhor entregar o que tiver que levar pra mim. Eu coloco na mochila.

–Mas por quê?

–Te garanto que não vai querer ficar carregando essa bolsa. – Regina bufou um pouco.

–Está bem. Toma.

A morena entregou a carteira, o celular, alguns itens de maquiagem e mais algumas parafernálias que achou que poderia precisar. Emma as guardou com cuidado em sua mochila. Saíram e trancaram a porta. A loira colocou um boné e uns óculos escuros, e entregou outro boné e óculos para a juíza. Enquanto que os trajes de Regina consistiam em uma camiseta vermelha decotada e sem mangas, um shorts, meias, tênis, boné e óculos escuros, as de Emma continuaram as mesmas desde que saíra de Boston: a bermuda jeans, uma camiseta escrita “Orlando” junto com um colete jeans sem mangas, as meias, os tênis, boné e óculos. Caminharam um pouco em silêncio e não demoraram a achar o centro de compras do local. Não havia muita coisa. Um brechó, uma loja de enfeites e coisinhas, duas lanchonetes e uma particularidade do Parque Ecológico Nobre Cisne: uma venda só de cestas de piquenique. Enquanto Regina olhava algumas roupas e escolhia roupas íntimas novas para passar o fim de semana, Emma olhava as opções de cestas na vendinha. A juíza aproximou-se dela após comprar algumas peças de roupas.

–E então... Swan? Já decidiu o que vamos comer? – Emma a olhou e depois voltou a observar o cardápio.

–Ah... Não... Não vou escolher nada antes de saber se você vai gostar.

–Bem... Acho que as suas iniciativas para decidir a minha vida foram finalmente deixadas para trás.

Emma a olhou de canto enquanto a morena fitava o cardápio com uma curiosidade um tanto fingida.

– É... Talvez... – Voltou a observar o cardápio.

–Vamos levar essa aqui.

Regina apontou uma das opções de cestas que incluía três sanduíches diferentes, de carne, frango e salmão. Tinha salada em cada um deles. Cebola, alface americana, milho, tomate, mozarela à búfala e mais outras iguarias... Também incluía panquecas doces com mel para colocar junto. Duas garrafas de suco natural de laranja, algumas porcarias como marshmallow e salgadinhos de pacotinho... Também trazia um generoso pedaço de torta de maçã e dois pequenos pedaços de bolo de chocolate. Aquela com certeza não era a cesta mais barata do cardápio.

–Ah... Então comeremos eu, você... E mais qual batalhão?

–Guardaremos um pouco para depois. Simples. – Desviou o olhar de Emma para o atendente. – Por favor, uma número 9. – Não olhou para a loira, mas voltou a dirigir-lhe a palavra. – Você paga.

–Vou pagar isso tudo sozinha? – A morena a olhou.

–Você que inventou de me trazer aqui e eu já paguei as coisas que comprei para mim. Vai pagar sim. E aproveita que eu estou te poupando de pagar meus pneus. Fique feliz, você está no lucro.

Emma ainda a olhava indignada enquanto a morena pegava a cesta e agradecia ao moço. Elas se dirigiram automaticamente até o caixa e Emma não tivera muita escolha, a não ser pagar pela cesta. Achava que pagaria as roupas novas e metade da cesta. No fim a diferença de dinheiro não era nem tão grande, mas a loira ficou, de certa forma, impressionada com a morena. Novamente. Ao sair do local, caminharam por uma trilha até chegar a algum ponto satisfatório para se estender o pano que vinha junto à cesta e comer. Pelos longos trinta minutos que caminharam em um ritmo leve, conversaram um pouco, depois de Regina resolver quebrar o gelo. A loira, que costuma sempre dar o primeiro passo para qualquer coisa, decidira dar mais espaço para a juíza. Afinal, aquele passeio era, principalmente, para tranquilizá-la. A monitora trazia a mochila às costas e a cesta nas mãos.

–Bem... Espero não encontrar nenhum tipo de lobo mal nessa floresta, Swan.

–Não... Lobos não... talvez um urso.

–E há ursos nesse parque?

–Provavelmente. Vi um ou outra placa que falava sobre isso por aí.

–A famosa história de não alimentar os ursos.

–É. Principalmente o Zé Colmeia. – A morena sorriu ligeiramente.

–É... O Zé Colmeia é o pior.

Mais alguns instantes de silêncio. Mas esse silêncio foi deixando de ser desconfortável em algum momento. Mais uma vez fora Regina quem iniciou o assunto:

–E como você conheceu esse lugar, Swan?

–Ah... Eu não me lembro bem. Acho que foi o Tom que me trouxe... Faz pouco mais de um ano. Desde então eu vim com ele mais duas vezes e uma sozinha.

–Sozinha?

–É. Pra refletir, sabe? Estava um pouco triste.

–Sei...

–Mas é normal. Aquela crise existencial de “o que fiz da minha vida até aqui?”

–Ah... Sei bem sobre o que está falando.

–Ficou satisfeita com a resposta que você chegou?

–Sobre minha vida? – Emma assentiu afirmativamente com a cabeça.

–Não. Desde então estou tentando ver se consigo mudar algumas coisas... Tento achar algo.

–O que, por exemplo?

–Por exemplo...?

Ambas tiveram de subir um alto degrau de terra. Emma subiu primeiro. Deixou a mochila e a cesta no canto para ajudar Regina. Subiu-a, mas ambas caíram na grama. A loira sentada e a morena ajoelhada, com cada joelho em cada lado da perna esquerda da monitora. Apoiou-se nos ombros dela. Emma sustentou o corpo de Regina. As duas estavam ofegantes pelo susto. Os olhares intensos voltaram.

–Por exemplo? Um lugar para fazermos logo esse piquenique.

Emma sorriu e deitou-se no chão. Os fios dourados espalharam-se pela grama verde e o sol fazia tudo aquilo brilhar diante de Regina. Os olhos de Swan brilhavam tanto que combinavam com toda aquela imagem. A ansiedade de antes despontou em algum momento dentro dela. Ainda permaneceu em cima de Emma por alguns instantes, até levantar-se. Continuou a falar.

– E acho que esse lugar está bom. Tem uma sombra de árvore logo ali. Vamos.

A loira levantou-se com alguma dificuldade, pegou a mochila e a cesta e foi até o local indicado pela morena, há poucos metros dali. Estendeu o pano e sentou-se. Retirou algumas coisas de dentro da sexta e espalhou pelo pano. Deu o lanche de salmão para a juíza e ficou com o de frango. Emma olhou para as nuvens e para a árvore sob a qual estavam sentadas.

–Olha... Estamos de baixo de uma macieira! – Regina também olhou para cima e observou atentamente a árvore.

–Verdade...

–Gosta de maçãs?

–É minha fruta favorita.

–Eu também gosto muito... Mas prefiro quando é maçã do amor.

A morena levou uma das mãos à boca, pois estava mastigando um pedaço do sanduíche.

–Também gosto assim... Mas não sei fazer.

–Não sabe?

–Nunca aprendi...

–Mas não é só adicionar amor à maçã? — A loira deu um sorriso genuíno para a morena. Depois voltou a comer. Primeiramente, a morena ficou ligeiramente desconcertada... Mas depois riu rapidamente e concluiu:

–É... Acho que também não sei fazer isso...

A monitora notou um tom melancólico nos olhos amendoados da juíza. Logo continuou a falar.

–Bom... Realmente é difícil... E não é todo mundo que sabe fazer... – Emma pensou por alguns segundos... – Eu vou te ensinar.

–Vai me ensinar o que? Fazer maçã do amor? – A morena soltou uma risada debochada. – Poupe-me.

–Sério? Acha mesmo que eu não consigo? – Emma agora pegava um pedaço da torta de maçã.

–Claro que você não consegue. Tenho certeza de que é um desastre na cozinha.

–Isso é um desafio?

–Talvez.

Ambas encararam-se com olhos desafiadores. Estavam divertindo-se com a situação. Um arrepio na espinha correu por cada uma delas, sem que um tivesse a mínima noção de que a outra sentia a mesma coisa.

–Então eu vou provar.

–Vai? E como?

–Vou na sua casa ensinar você.

–Eu não te convidei.

–Não estou pedindo permissão.

Regina gostou mais ainda da petulância da loira. Raramente via alguém tão ousado quanto ela e a monitora estava se saindo bastante bem. Mas ela não precisava saber disso. Desviou o olhar para o próprio pedaço de torta que ainda estava comendo. Foi só quando endireitou a coluna que percebeu que estava ligeiramente inclinada em direção à Emma.

–Acho que você realmente quer ser processada, Miss Swan. Entrar na casa dos outros sem permissão é crime.

–Você não faria isso à pessoa que vai te ensinar a fazer maçã do amor.

Regina a olhava de uma forma que a fizera realmente pensar que sim, ela o faria. A loira voltou a concentrar-se no fim de sua torta. Também continuou a conversa, mas agora sem argumentos para evitar um processo.

–De qualquer forma, acho que vou correr o risco. — A expressão da morena mudou para algo parecido com curiosidade. A loira reparou e desviou o olhar com certo receio do que diria à seguir. Disse e abocanhou a torta. — Você vale à pena.

Um silêncio um tanto constrangedor pairou sobre elas. A monitora havia entregado os pontos com estilo. Tanto que a deixou sem reação. E deixar Regina Mills sem reação ERA algo. Ambas rapidamente terminaram a torta, ainda sem graças. Emma quebrou aquele clima quando mudou completamente de assunto.

–Vamos.

–Pra onde?

–Bem... Eu já comi o suficiente. Acho que você também... Ou não?

–Talvez. — Emma começou à guardar as coisas. — Pra onde vamos agora?

–Andar a cavalo. Topa?

–Sim, topo, mas...

–O que?

–Quando eu era jovem cheguei a andar muito a cavalo... Em um sítio que um amigo do meu pai tinha... Mas eu não sei se lembro como faz.

–Ah, não se preocupe – A loira terminou de guardar as coisas e levantou com a mochila nas costas e a cesta na mão. — Sempre tem instrutores. — Estendeu a mão. — Vamos.

Regina levantou com a ajuda da monitora e a seguiu.

–Vamos apenas deixar essa cesta no chalé e vamos para lá.

A morena apenas assentiu afirmativamente. Na verdade, estava com uma ponta de medo. Isso porque suas memórias do tempo em que montava estavam embaçadas. Não lembrava quase nada de como subir em um cavalo ou guiá-lo. Para piorar, uma lembrança pairava em sua mente assemelhando-se a um sonho longícuo. Lembrava-se de ver alguém em cima de um garanhão correndo pelo pasto e gritando por ajuda. Era uma garotinha. Misturada a essa lembrança, a sensação de preocupação e vento no rosto fazia com que ela não lembrasse exatamente quem era essa garota. Pior: nem ao menos recordava-se se essa menina era ela. Ou se fora um sonho que tivera na época. Um pesadelo que trazia sensações das quais ela nunca conseguiu esquecer.

Depois de chegarem ao chalé e deixarem as coisas, foram caminhando até a área onde montariam. Regina ainda estava absorta em seus pensamentos. A loira estranhou:

–Regina.

–Sim?

–Está tudo bem?

–Está.

–Tem certeza? — A juíza a olhou compenetrada.

–Tenho.

–Já estamos chegando. É logo ali, olha.

Ambas olharam por entre as arvores. Estavam descendo uma estada pavimentada, e ao lado direito havia uma descida até o pasto, ao longe. Era magnífico. As duas mulheres estavam nas sombras, enquanto os cavalos cavalgavam pela grama verde, brilhante e amarelada pelos raios solares. O dia estava maravilhoso. Algumas nuvens brancas no céu passava uma sensação de conforto, mas o sol forte fazia com que todos que tivessem óculos escuros os colocassem, incluindo as duas mulheres. Estava de certa forma abafado, com algum vento tranquilo nas áreas mais arejadas do parque. Ouvia-se o cantar dos pássaros e o ressoar das folhas que batiam umas nas outras conforme o vento ordenava. As mais fracas caíam de lá de cima para fertilizar o solo e fazer com que a fauna e flora do lugar continuassem perfeitamente intactas. A sombra das árvores era realmente mais fresca. O som natural era relaxante pra que soubesse aproveitar. Os insetos eram um prato cheio para os curiosos pela natureza ou por testar suas máquinas fotográficas. A monitora interrompeu o andar silencioso de Regina um pouco antes de saírem das sombras.

–Espere um pouco.

–O que foi agora, Miss Swan.

–Não se mexa.

Com cuidado, Emma aproximou-se muito da morena, o que a surpreendeu de certa forma. Com o indicador, a monitora encostou cautelosamente no ombro esquerdo da morena. Recuou a mão com uma joaninha vermelha de pintinhas pretas no dedo.

–E isso estava na minha roupa...

–É, estava. — Emma a olhou nos olhos e depois voltou sua atenção à joaninha. — Não se preocupe, quer dizer que você vai ter sorte.

–Não sabia que você era supersticiosa, Miss Swan. — A juíza se pronunciou no momento em que a loira virou completamente as costas para ela e começou a andar. Regina fez o mesmo.

–Se você está silenciosa, talvez seja um sinal pra não se preocupar... — Parou de andar e a olhou. — E eu acredito sim... Em algumas coisas...

–Coisas como o que? — Agora as duas andavam pela grama, indo em direção à onde pegariam os cavalos.

–Coisas como... Aquele objeto que captura sonhos...

–Ah, é? E porque acredita? — A loira deixou de olhar a joaninha para observar o que estava à sua frente.

–Um vez alguém que eu gostava muito... Disse que funcionava.

O assunto morreu ali. “Alguém que eu gostava muito” foi um recado que a juíza soube entender. Emma não queria entrar em detalhes ali. Regina não costuma ser intrometida e não começaria com isso naquele momento. A loira deixou a joaninha em uma folha qualquer em uma das plantas que crescia por perto e foi em direção a um dos monitores. Enquanto via a monitora acertar tudo com eles, a juíza levou as mãos fechadas perto do coração e abaixou a cabeça. Não se viam os olhos por detrás dos óculos. Os ventos faziam a parte exposta do cabelo movimentar-se rapidamente. O boné estava bem preso, não se mexeu. Receosa e preocupada com as sensações estranhas, Regina ansiava por subir em um cavalo, mas tinha o medo dentro de si. Principalmente por não entender nada daqueles feixes embaçados de lembrança. Na verdade nem lembrava daquilo, mas quando ponderou sobre montar novamente... Então aquele desconforto surgiu.

–Regina! — A morena olhou a dona da voz. — Seremos as próximas. Venha.

A juíza caminhou até a monitora. Iria enfrentar aquilo de qualquer forma. Depois não teria mais medos. Não era mulher de dar pra trás. Ah, não mesmo. Aproximou-se da loira e do monitor, que as levou para perto dos cavalos e começou a instruí-las. Regina passou a mão por um deles, o acariciando. O cheiro e a sensação do toque a fazia sentir uma estranha e forte nostalgia. Mais forte do que se podia pensar sendo que suas únicas experiências com cavalos fora naquela época. Ainda assim, sentia-se maravilhada. Confortável. Estranhamente aconchegada.

–Bom, as duas já estão instruídas. Podem subir nos cavalos agora. Puxaremos as rédeas pra vocês em cima dos nossos cavalos. Quando se sentirem seguras, podem segurar as rédeas e nós estaremos com vocês dando apoio. Eu e o Gerson as acompanharemos.

Ambas montaram sem dificuldade alguma. Para Emma, uma aventura. Para Regina, um desafio. A juíza não se lembrava da última vez em que se sentira tão superior a qualquer um. Mas sabia que a sensação era boa. E que poderia virar um vício. Enquanto os homens as puxavam, elas iam acostumando-se com a cela e com o equilíbrio que teriam de absorver. Emma não era tão experiente, apesar de ter montado um bocado de vezes nos dias que passara naquele mesmo lugar com Tom. No entanto, já sabia como correr com o cavalo. Logo pegou as rédeas para si. A morena resolveu arriscar e fez o mesmo.

O cavalo entre as pernas mexia com uma parte sensível do corpo de ambas. Isso sempre foi um assunto praticamente intocado, mas era fato. As provocava. A juíza gostava. Foi se soltando cada vez mais. Contudo, aquela sensação veio. E com ela, a experiência de outrora. Não se recordava, mas seu corpo lembrou. Em um instante, quando a loira estava concentrada falando com seu monitor e o de Regina havia ido resolver um problema rapidamente, a morena segurou firmemente as rédeas e mexeu o corpo de tal forma que o cavalo começou a correr. Emma gelou enquanto Regina sorria desafiante para si mesma. O obstáculo à frente foi superado por ela. Com destreza, Regina Mills pulou três obstáculos, mas não retornou. Na verdade, se encaminhou para a floresta. O monitor e a loira começaram a correr com o cavalo também. Ela o avisou que o sabia fazer, o que o fez ficar aliviado. Quando chegaram, a morena havia sumido. Emma avisou:

–Eu vou pela direita. Você pela esquerda.

–Não. De jeito nenhum. Não posso deixar uma pessoa inexperiente andar pela floresta a cavalo.

–Não sou tão inexperiente e temos de achá-la. Rápido. Eu sou a única que pode ajudar agora. — O rapaz ponderou alguns instantes. — Por favor.

–Está bem. Vamos.

Os dois bateram em retirada rapidamente. A loira, depois de um tempo, encontrou as marcas de ferradura do cavalo da morena e as seguiu. Seria ela a encontrá-la, tinha certeza. Enquanto Emma a perseguia, Regina guiava o cavalo de forma segura. Sabia o que estava fazendo. Resolveu testar a si mesma. Resolveu descobrir até onde poderia ir. O cavalo empenou e ela sabia como segurar para não cair. Estranhou isso em si mesma. Quando deu por si, estava, no meio da tarde, no meio da floresta. Não se lembrava de como voltar. Não exatamente.

Notas finais
Acho que alguns forninhos podem começar a cair agora, hein? Será? Então... Um dos problemas foi que eu estava gravando um clipe para um trabalho da facul e, adivinhem? A anta aqui colocou o cartão de memória na câmera ligada e PUF. Perdemos metade das gravações e tivemos que refilmar tudo. Eu quase fali esse mês. Não. Eu realmente fali esse mês. Enfim... acho que isso foi o q ocupou mais o meu tempo. Em dezembro eu vou recompensá-los. Prometo. Ainda não sei se o próximo capítulo sai essa terça. Mas não pretendo mais demorar tanto para postar. Participem do grupo para ter notícias ^^ https://www.facebook.com/groups/311012249084392/ Bem... O que acharam do capítulo? Novos palpites?